Ligadas pelo destino
42 Capítulo 42 - Game Over - Part 2
Notas iniciais
POV On Quinn
Mais três dias haviam se passado e nossa angústia só aumentava. Foram criados diversos aparelhos para rastrear os chips, porém nenhum deles foi eficaz o bastante para consegui encontra-los. Levando em conta papai, seus agentes de inteligência tecnológica, os agentes de Brittany, que não ficavam tão atrás. Isso foi altamente frustrante. Todos haviam ganhado tarefas em prol de nossa libertação do campo minado que havia se tornado a casa dos Lopez. Começávamos cedo e acabávamos assim que o outro dia já ameaçava começar, restando-nos apenas poucas horas de sono. Isso para quem dormia, pois muitos se negavam a isso. O medo logo nos consumiria.
No decorrer desses três dias, dez pessoas morreram da maneira mais horrível que pude presenciar. Três porque mapeavam as bombas e algumas delas estouraram, outros por conseguirem chegar perto delas, mas acabaram mortos por soterramento, pois as mesmas se encontravam muito fundas. Um caiu do teto quando tentava acoplar alguns equipamentos, dois tentaram escapar, mas acabaram em pedaços como uma bolacha sendo esmagada em uma mão fechada e por fim, não menos aterrorizante, Olyn o enfermeiro que valia mais que muito médico entre os agentes de meu pai, cometera suicídio. Deus, a visão do homem que havia me ensinado tudo que sei sobre primeiros socorros, pendurado pelo pescoço em uma corda, me fez ficar aterrorizada por dias. E apesar da fome que a gravidez nos proporciona, eu não consegui comer direito por dois dias.
–Mama... Mama!
–Ah, oi filha... – Sai do transe reflexivo que havia mergulhado, notando Beth me encarando intrigada. – Algo errado?
–Aga, mama... Você está colocando suco de maracujá no seu café. O certo não seria leite?
–O que? – Olhei para baixo, vi o desastre que estava fazendo e comecei a rir. Beth me acompanhou nisso. – Desculpe filha... A mamãe estava distraída.
–Pensando na mamãe San? – Ela me olhou tristonha.
–Sim, amor... Nela também.
–Sinto falta dela... Até o Simbad sente. – Ergueu seu leão de pelúcia que ganhou de Santana e eu suspirei cansada.
–Também sinto, filha.
–E quando ela volta? – Perguntou um tanto distraída, colocando uma torrada na boca e tirando um pedaço. Esse pergunta me pegou de surpresa... Nunca havia me preparado para lhe responder isso. – Mamãe?
–Hum? – Murmurei, entorpecida pelos sentimentos que Santana Lopez ainda me causava. E a dor de sua perda que ainda me afetava muito. – Quando a San volta pra casa? – Suspirei, esperançosa, acariciando minha barriga, a que carregava com todo o amor do mundo um filho daquela latina inconsequente. – Logo, meu amor. Espero que muito em breve. – Mal sabe minha filha que mamãe San não mais voltará.
POV Quinn Off
~•~
–SENHOR FABRAY... AGENTE ESPECIAL PIERCE. – Ouviram-se gritos chamando pelos dois fora de casa e ambos correram até lá.
–O que aconteceu, homem? – Russel perguntou visivelmente abalado. O agente apontou para cima onde um dirigível sobrevoava a casa, Nele havia um telão enorme onde estava estampado um símbolo característico de Carter. Uma constelação que transmitia um poder demoníaco e cruel. A mesma que antes a cópia maligna de Santana levava no peito quando se encontraram pelo covil.
–O que, em nome de Deus, é isso? – Brittany indagou assombrada. Logo no telão a imagem de Carter foi retratada.
–Caros Lopez, Fabray’s e agregados, – ele começou com sua educação enojada. – Vejo que seu prazo está ao final e não tivemos sinal de nenhuma resposta positiva. O que é trágico, pois ao final do dia de amanhã, como minha querida criatura que vocês tiveram o prazer de conhecer, Scorpuis, já havia lhes dito, caso os chips não estejam em minhas mãos até lá, tudo isso, toda essa linda e aconchegante chácara não passará de uma simples cratera qualquer. – Sorriu perverso. – Esse dirigível continuará aqui até lá, marcando seu tempo restante, que são... Vamos ver... 40 horas... Pouquinho né? – Riu zombeteiro. – Até lá, espero que consigam, de verdade. Porque não foi assim que arquitetei a morte de cada um de vocês, seus vermes imundos. Assim como a da sua queridinha Santaninha.
–BABACA! – Quinn saiu da casa nesse instante, ainda dando tempo de ouvir a revolta de Nilo. Enzo estava mais atrás, apático, saindo logo de cena. – Você vai pagar, seu miserável!
–Calma, amor... Vem, vamos pra dentro. – Kitty pediu, e com muito trabalho Nilo pra dentro da casa. Rob estava horrorizado mais atrás, tocando na mão quebrada pelo ser fisicamente tão parecido com sua irmã mais velha.
–Miserável! – Foi a vez de Quinn rosnar de raiva, cerrando o punho com muita força.
–Essas foram as palavras de seu humilde, mas magnífico anfitrião! Agora eu vos deixo com o breve comentário da minha mais perfeita obra.
–Oh, Deus, não! – Quinn lamentou, tentando sair para não ver a face angelical de sua amada estampada naquele ser demoníaco, porém seus esforços foram em vão ao ouvir a voz que tanto amava ser lançada do alto, por alguém que sequer merecia leva-la.
–Ouçam todos... Vocês nos devem algo e está atrasado. Os juros que cobramos não lhes serão muito favoráveis, então nos entreguem o quanto antes os chips que, dou a minha palavra, quando eu for destruir cada um de vocês... Não doerá tanto... – Um sorriso transfigurado pelo próprio demônio tomou os lindos lábios latinos. – Em mim!
Agora uma risada, das mais zombeteiras, soava pelos gigantescos alto falantes do dirigível. Então ela ficou séria, e por obra do destino, seus olhos lilases se focaram nos verdes antes mais vivos de Quinn Fabray.
–Te vejo em breve, loirinha... Vamos acertar direitinho nossas contas. Deliciosa. – Quinn engoliu em seco tais palavras e a figura latina desapareceu, deixando por fim o sorriso diabólico em suas mentes já assustadas.
–Meu Deus... Era ela.- Brittany se tremulou por inteiro, ainda olhando para o dirigível acima de sua cabeça. – Era San. De olhos e conduta diferente, mas era ela.
–Não, não era! – Quinn a corrigiu, segurando a vontade de chorar.
–Claro que era, meu Deus... Só eu vi isso?
–JÁ DISSE QUE AQUILO NÃO É A SAN, NÃO É MINHA NOIVA, PARE DE DIZER QUE É ELA.
–VOCÊ É CEGA POR ACASO, LOIRA IDIOTA? CLARO QUE ERA! TEMOS QUE RESGATÁ-LA.
–Urr... Imbecil. – A loira Fabray se enfureceu e só não foi pra cima da agente por que Rob mais uma vez interviu.
–Q, se acalme, por favor. Está pálida. – Rob puxou a cunhada para trás e a analisou melhor. Quinn se encontrava ofegante e parecia zonza. – Você está bem?
–Eu... Eu estou... Bem... Rob... – De repente Quinn amoleceu o corpo e Rob a segurou antes que acertasse o chão, pegando-a no colo com um olhar preocupado.
–O que ela tem? – Brittany perguntou, correndo até eles.
–Ela só está cansada. Vou leva-la pro quarto, com licença.
O mais novo dos irmãos Lopez saiu sem mais palavras, deixando a loira Pierce intrigada, observando o cuidado extremo que o garoto demonstrava com Quinn. Alec, filho do falecido Olyn, que também era agente, mas estudava medicina, passou por Brittany e a mesma o parou.
–Quinn e o ruivinho ali são muito íntimos, não é?
–Grandes amigos, pelo que sei.
–Me parece que até demais.
–O que quer dizer com isso? – Brittany parou uns instantes, reflexiva.
–Nada... Foi só um comentário... Pode ir. – Alec fez um gesto positivo com a cabeça e entrou na casa.
–Desmaios, enjoos, humor alterado... Ai tem coisa.
~•~
POV On Quinn
–Hey, Q... Acorda, lindinha. – Senti Rob acariciar de leve meu rosto, então despertei.
–Rob? O que aconteceu?
–Você desmaiou. – Ele sentou-se ao meu lado e me entregou uma xícara de chá. Tomei devagar, ainda me sentindo zonza.
–Essa é a parte chata de estar grávida... Hora ou outra você apaga do nada.
–Você também tem se estressado demais. – Deslizou para o meu lado na cama e me olhou preocupado. – Como está o bebê? Você tem de se cuidar mais por ele.
–Alec quer fazer alguns testes daqui a uma semana... Pra acompanhar melhor o desenvolvimento dele ou dela. E eu estou me cuidando, Rob. – Toquei em meu ventre, apaixonada por meu serzinho.
–Nós temos mais uma semana? – Ele indagou, preocupado. – Q, eu sinto que algo muito ruim vai acontecer.
–Hey, não fale assim Rob. Temos que pensar positivo. – Deixei a xícara na mesinha ao lado – Acredite comigo, se não fraquejo.
–Eu acredito... De verdade. Mas algo está me incomodando.
–Como o que?
–Scorpius.
–Por favor, não fale esse nome... Me dá um certo nojo. – Crispei os lábios, cruzando os braços emburrada.
–Q... A culpa disso tudo estar acontecendo é do Carter. E se Scorpius realmente for a San? Se ele tiver...
–Deus... Você também com isso? Por favor. – O interrompi, levantando-me como minha força ainda permitia.
–Q... Não te passa pela cabeça essa possibilidade?
–Não. – Passei a procurar uma roupa, pois tinha em mente um banho demorado e relaxante agora. – Aquela é minha San.
–Quinn, e se for? Como faremos para trazê-la de volta?
–Não é. Já disse. – Não importava os argumentos, nada me levaria acreditar que aquela era Santana. – Só mais um invento doentio de Carter.
–Não fale assim. O que fez de seu coraçãozinho, hein? – Ele levantou-se e se aproximou de mim. – Você está diferente!?
–Só preciso me manter firme por conta de meus filhos. Se não fosse por eles eu já teria desabado.
–Entendo. – De repente um silêncio se instaurou. O ruivo parecia agoniado com algo, pois constantemente coçava a nuca, abrindo e fechando a boca, como se quisesse dizer algo, mas não conseguia. Franziu o cenho, porém resolveu deixar pra lá. Assim que fui me dirigir ao banheiro, Rob segurou meu braço, me parando. – Quero cuidar de vocês.
–Você já cuida, R. Relaxe. – Lhe enviei um sorriso tenro, porém ele não retribuiu.
–Não assim... Vocês precisam de uma estrutura melhor, de um lar... Seus filhos de um pai e você de um companheiro, que cuide bem e te dê o devido conforto.
–Não, não preciso. Seu carinho já me basta. – Puxei meu braço de sua mão, não gostando do rumo que essa conversa estava tomando. – Obrigada por tudo que você nos faz, Rob. Isso pra mim já é muito mesmo.
–Não... Não é o bastante. Preciso tirá-los daqui.
–Não se cobre tanto. – Toquei em seu rosto com carinho e ele baixou o olhar, vencido. – Vou tomar banho, depois nos falamos.
–Não! – Ele me segurou mais uma vez e tudo aconteceu em fração de segundos. Logo senti os lábios carnudos de Rob, sua única parte latina, sobre os meus e simplesmente fiquei sem reação. Tanto que sequer me mexia, só senti que ele agora movera os lábios, agarrando minha cintura e me levando vagarosamente para que eu me encostasse ao armário. Fui tão pega de surpresa que minha reação foi de retribuir o beijo no susto, porém quando me dei conta que eu estava beijando o irmão caçula de minha noiva falecida, (e devo ressaltar que o filho da mãe beija bem demais) eu pus a mão no peito forte do garoto e empurrei com toda força que eu tinha. Ficamos nos encarando estranho, ambos ofegantes e de repente um barulho na porta me fez gelar. A tal agente Pierce estava parada ali, com um olhar malicioso de “eu já sabia! Peguei vocês.”. O que muito me agoniou.
–Desculpa atrapalhar os pombinhos, mas seu pai requisitou a presença dos dois. – Apontou para nós, um de cada vez e sorriu. – Que bonitinho... Pelo visto você curte mesmo um latino, né? Ou só tem preferência pelos Lopez?
–Você está enganada! – me recompus, olhando feio para Rob.
–Estou? Hm! – Brittany me encarou desconfiada e Rob tentou me tocar, mas eu recuei.
–Q, me desculpe... Eu... Por favor, eu...
–Me deixe em paz. – Apontei com um semblante enfurecido pra ele, passando por Brittany. – Vocês dois. – Então sai pelos corredores. Realmente este não era meu dia!
POV Off Quinn
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–Você acha que eles conseguem os chips? – Rachel perguntou a Scorpius enquanto vestia de volta seu vestido, depois de outra transa selvagem que teve com a latina que estava deitada em sua cama, com um semblante reflexivo, coberta apenas por um lençol na cintura, onde os seios fartos ficavam amostra.
–Espero que sim... Matá-los assim não teria graça.
Rachel se debruçou na cama, na direção da Santana modificada e lhe olhou sacana nos olhos, estupidamente, lilases.
–Você gosta mesmo de ver os outros sofrerem, não é?
–Eu não sinto remorso, então...
–E desejo, você sente? – Perguntou esperançosa.
–Sim, talvez...
–Por mim?
–Claro, – Rachel sorriu contente – que não.
–Sem graça. – A baixinha jogou um livro da cômoda na latina, que riu zombeteira. – Você é muito idiota. Me dá tanta raiva.
–Morre que passa.
–Urrrr. – Rachel bufou e saiu zangada pela porta.
–Por você não, baixinha, – abriu o livro que Rachel lhe jogou, tirando de lá uma foto de Quinn ao lado do cavalo de Santana, o acariciando e sorrindo lindamente. – meu alvo é outro. A deliciosa.
~•~
O dia havia se acabado rapidamente e o balão luminoso acima de nossas cabeças já ameaça 20 horas faltando para que tudo isso em que pousaram os pés fosse aos ares, resumido a pó.
A procura pelos chips estava acirrada. Os agentes, mesmo cansados, tentavam a todo custo localiza-los, porém isso tudo estava se tornando cada vez mais perda de tempo.
–Tem certeza que a porcaria desses chips estão aqui, princesinha? – Brittany me questionou com petulância. Revirei os olhos enquanto tirava a última gaveta do armário de armas secretas do QTI de Santana.
–Claro que estão, Santana nunca os tiraria de perto dela.
–Você deve estar enganada. Na verdade tem se enganado em muitas coisas, hein?
Bufei com ódio, virando pra ela. Se estivesse armada, a mataria.
–Olha aqui, sua cretina, se você não calar essa boca, juro por Deus que calo ela pra você com essa gaveta no meio da sua cara.
–Está esperando o que? Cara feia pra mim é fome!
–Ora, sua...
–Mamãe? – Beth entrou no momento que eu me preparava para voar com unhas e dentes naquela magricela.
–Beth, filha. O que faz aqui? Já não lhe disse pra não sair de casa? É perigoso, meu Deus.
–Estou entediada, mamãe! Eto skuchno zdes'! Será que você pode me levar pra passear na Francyne?-Filha, claro que não. Já disse que não podemos sair e...Parei, sendo atingida por uma constatação tão óbvia que eu me senti um chimpanzé. Droga, por que eu não pensei nisso antes? Beth olhava pra mim intrigada, balançando a cabeça de um lado pro outro sem nada entender.
–Eu, hein...
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