Ligadas pelo destino
37 Capítulo 37- Será essa a nova face do mal?
Notas iniciais
–SANTANA!- eu gritava por ela enquanto corria a seu encalço.
–Eu duvido você pegar isso de volta- ela zombava apontando pro meu diário que encontrou remexendo nas minhas coisas sem que eu soubesse depois que tivemos uma breve discussão sobre sentimentos que eu não queria falar.
–Me devolve isso, Santana... Isso não se faz, é falta de educação.
–Uhhh... Bom, já que você não quer falar sobre o que sente, talvez o seu querido diário me diga- me enviou um olhar desafiador.
–Santana...
– “Diário de Lucy Q. Fabray"- Santana me ignorou, abrindo a primeira página, lendo a contra-capa- Vamos ver as mais recentes- ela corria dando uns pulinhos animados pelo quarto enquanto eu a perseguia- “Querido diário... Hoje conheci Santana Lopez. Ela parece que tem problemas mentais sérios, além do senso de moda nada agradável". Ui, que maldosa, Fabray veste Prada!- fez careta feia para mim, que dei de ombros.
–É a mais pura verdade. Agora devolve meu diário- cheguei a encostar em sua cintura, mas ela conseguiu se desviar, subindo em sua cama.
–Shiu, tem mais aqui- continuou a ler, agora pulando na cama como uma criança sapeca- “Começo a pensar, depois desses dias apenas observando aquele ser desastrado, que pela primeira vez na vida meu pai se exaltou quanto as capacidades de alguém. Mas posso também estar errada... Ela sequer deve ser a garota que procuro. Parece de nada ser útil". Minha nossa senhora, que mulher mais fria! Vou criar uma nova marca de sorvete: “Sorvetes Fabray... Sinta o gostinho da Antartida"- ficou séria por alguns segundos, até esboçar um sorrisinho sacana- “Santana se atrasou para a faculdade hoje... O quarto dela é o resultado se uma guerra catastrófica. Deus, ela não tem senso de organização também! Da janela deu pra ver sua agonia ao acordar atrasada e, UAU, ela tem um corpo perfeito. Me perdi naquele abdomên (Droga, por que penso nisso?)“. Uhhh... Me tarando pela janela, Fabray? Coisa feeeia!- virou-se pra mim com as mãos na cintura e o cenho franzido, como se me repreendesse com aquela cara pervertida que só ela sabia fazer.
–Mhm... Não é nada disso. Devolve!- eu devo ter ficado extremamente vermelha, mas subi na cama mesmo assim em mais uma tentativa frustrada de tomar meu diário de suas mãos. Ela desceu pelo outro lado.
–Blá blá blá “Odeio a Santana por ter me deixado só em uma rodoviária suja". Aham, logo eu morri de amores por você ter roubado o meu carro- revirou os olhos- Nan nan nan “Santana é uma cachorra... Fui atrás dela para conversarmos e lá a encontro com uma vadia em seu apartamento, onde provavelmente se defloravam"- a latina riu zombeiteira- Mais elogios e palavras doces a minha pessoa, só que ao contrário- ela foleava o diário, esboçando expressões estranhas por cada fato lido. De nada isso me agradava- “Ela me beijou! Deus, perdi a capacidade de raciocínio"- mais sorrisinhos maliciosos para mim- Fabray tava desejando loucamente meu corpinho nu- brincou levando o indicador a deslizar pela lateral do corpo. Ela estava testando minha paciência- “Acho que Santana me odeia agora por não corresponder a seus sentimentos e vontades... (suspiros)... Quem dera fosse assim".
–Pronto, Santana... Já chega!- tentei tomar o objeto de suas mãos, porém ela rodopiou. Aquilo estava chegando a um meio que não me agradava.
–Espera!- mostrou a mão pra mim para continuar lendo- “Por que, Santana... Por que, apesar de tudo, ainda é tão doce e protetora comigo? Não vê que isso pra mim é uma tortura? Diz que sente algo por mim, mas nesse momento é impossível que eu lhe diga o mesmo“. Não seria mais fácil ter se aberto comigo a estar sofrendo dessa forma?
–Você não sabe de nada.
–Aqui diz tudo, Fabray... Não vem com essa- jogou os cabelos para os lados- “Estamos no Alaska... Estar com Santana e suas provocações ultimamente tem me dado nos nervos"- franziu o cenho- “Nós fizemos amor! Céus, nunca me senti tão bem em minha vida. Foi como se fosse minha primeira vez novamente. Ela foi tão carinhosa e paciente comigo, fez com que eu me sentisse amada como nunca fui... Santana é perfeita! A luz da Lua entrou em um contraste perfeito com nossos corpos se amando naquela noite. Me senti por um instante perfeita e por todo o momento amada e adorada por aquele ser que mexe com minhas estruturas e me deixa fraca com tanta doçura em seu ser tão torturado pelo destino".
–Não... Não leia mais, por favor- supliquei, esticando a mão em um pedido de devolução.
–Por que? É tão lindo- mantinha um olhar de encanto ao que lia sobre nossa primeira noite.
–É algo pessoal.
–Pessoal? Fala de mim... De nós, na verdade. Por que falar de sentimentos para você é tão ruim?
–Me machuco fácil demais- ela respirou fundo, como se algo a perturbasse agora.
–Até mesmo comigo? Sua noiva?
–Depois do que aconteceu com David, algo me trava.
–Já disse a você mil vezes que eu não sou esse otário. Meu amor por você é limpo... É saudável, é lindo e sem pudores e mi mi mis- apontava para mim com o diário. Ela exibia um semblante mais sério agora- Duvida disso?
–Não. Estar com você prova tal coisa.
–Então vê se para de me comparar com seu ex, pombas. Nunca vou chegar nem perto da cagada que aquele pederasta já te fez. Que porra de amor é esse que sente por mim que sequer quer falar sobre e ainda fica me comparando a seu ex? Será que é melhor escrever em páginas mortas ou experimentar o que pode ser a melhor sensação de sua vida?- mordi o canto de meus lábios, sentida pelas palavras de Santana- Poxa, nós vamos nos casar. Há tanto tempo gosta de mim e nunca sequer teve coragem de esboçar uma coisinha de nada para eu me sentir menos trouxa.
–Vai ficar zangada comigo porque não lhe deixei ler meu diário? Já lhe expliquei que era difícil pra mim- indaguei desacreditada- É isso, Santana Lopez?- ela deu de ombros- Você não tem nada que mexer em minhas coisas, sua mal educada. Tem que prestar atenção em sua vida e deixar a minha pra que EU cuide.
–Ok, Fabray... Vou te deixar em paz como quer. Já deu pra mim- me entregou o diário e passou por mim com um semblante chateado.
–Santana!- tentei fazê-la parar, mas passou pela porta como um raio... Um raio magoado e zangado, por sinal- Droga!- joguei o diário de qualquer jeito na cômoda, já sentindo as lágrimas quererem tomar meus olhos. Me sentia destruída toda vez que Santana e eu discutíamos. Respirei fundo e desci para cozinha. Ofereci minha ajuda a dona Maribel com o jantar e assim passei a tarde, tentando mascarar o ardor de meu peito por ter magoado mais uma vez a mulher que eu tanto amava. Depois de algumas horas o jantar estava quase pronto.
–Pronto, filha. Eu tomo de conta do resto. Pode ir se divertir com o pessoal lá no jardim.
–Tem certeza de que não precisa mais de ajuda, dona Maribel?
–Não, meu bem. Pode ir, vá- me deu um beijo carinhoso na bochecha e eu a deixei na cozinha para ir até o jardim. Lá encontrei Kitty e Rob brincando de soprar bolhas de sabão com Beth enquanto Santana observava tudo sentada na grama verdinha com um sorriso bobo em seus lindos lábios.
–Hey!- disse timidamente, sentando-me ao seu lado na grama.
–Hey!- ela disse sem me olhar ou esboçar qualquer reação. Compartilhamos um silêncio pesado e dolorido, onde eu queria dizer algo, mas sempre travava na hora. Acho que ela também esperava isso de mim.
–Olha, mamá, fiz uma grandona!- Beth mostrava para Santana a bolha rechonchuda que acabara de fazer, arrancando um sorriso encantador dela.
–Muito bem, bonequinha... Quem sabe consiga uma maior agora?
–Aga! Vou tentar- me notou- Oi, mama!
–Oi, meu amor. Bela bolha!
–Spasibo! Tio Rob que me ensinou a fazer.
–E eu não fiz nada, não é?- Kitty disse fingindo estar brava.
–Ne, titia Kitty... Seu apoio moral é de grande ajuda.
–Vem cá, sua danadinha. Vou te dar umas palmadas.
–Tio Rob, me salva!- Beth corria desesperada até Rob, que a pegou no colo e a envolveu em um abraço para protegê-la dos tapinhas de Kitty em seu bumbum enquanto ria da cunhada.
–Calma, ursinho, eu te protejo- saiu correndo com a pequenina no colo enquanto Kitty esperneava atrás, dizendo que daria umas palmadas nos dois agora. Santana e eu rimos dos três se divertindo naquela brincadeira infantil, onde a gargalhada gostosa de Beth nos contagiava. Segundos depois o silêncio chato voltou a imperar entre a gente.
–Me desculpa- eu disse enfim, tentando acabar com aquele clima estranho entre nós- Fui indelicada com você e me arrependo- ela respirou fundo para responder.
–Não precisa pedir desculpas. Eu não tinha nada que xeretar em suas coisas. Tomei o que merecia, só isso.
–San...
–Vou entrar agora. Até mais- levantou-se e saiu de cara fechada em um semblante tristonho que me doeu a alma. Cada um tem seus limites e os meus me impediam de falar certas coisas com Santana. Agora eu temia que tais limites nos afastassem. Eu me odiaria eternamente por isso.
–Problemas no paraíso?- Kitty peguntou, sentando-se ao meu lado.
–Está tão na cara assim?- fiz careta ao indagar.
–Uhum... A energia foi tão negativa que estou me sentindo menos loira- eu ri do comentário- Seja lá o que for, vai ficar tudo bem. Santana é uma mula impacada, mas é boa pessoa.
–Eu sei, e eu sempre arrumo um jeito de lhe magoar- suspirei triste- Às vezes me pergunto se realmente entre a gente vá dar certo. Somos tão diferentes.
–Mas é isso que deixa as coisas mais interessantes, loira- tocou em meu ombro- Sabe, eu sou do tipo de pessoa que gosta de surpresas boas, mas prefere sempre se manter planejada para certos momentos que a vida gostar de nos arrebentar. Já Danilo, tanto faz pra ele. Nem a roupa que veste é algo pensando. Aquele ser humano usa meias listradas em um pé e no outro xadrez. Vê se pode- revirou os olhos, me fazendo soltar uma risadinha- Mas o que me falta, nele tem de sobra. O que em sua cabeça o confude, eu tenho as respostas... Nossas diferenças nos completam. É assim que descobrimos se aquela pessoa é A nossa pessoa.
–Uau! Quanta filosofia, senhora Lopez- ela sorriu, fazendo pose de happer.
–Eu sei, sou demais.
–É sim. E muito humilde, diga-se de passagem- Kitty me deu língua como uma criança malcriada.
–Bom, espero que eu tenha ajudado em alguma coisa- ela se levantou, batendo as mãos na parte de trás de sua saia- Vocês precisam conversar, ta? Pra ajeitar as coisas. Quero ver vocês felizes. São o casal mais lindo que eu já vi. Bom, depois de Nilo e eu, é claro. Mas sou 100% team Quinntana.
–Quinntana?- franzi o cenho.
–Legal, né? Ideia minha e do Rob- sorri, negando com a cabeça- Ok, vou dar uma de balão agora e vazar. Tchauzinho, loira.
–Até mais, Kitty. Agradeço pelo conselho e por me ouvir.
–Amiga é pra essas coisas- piscou pra mim e saiu, antes passando por Beth e lhe deixando um beijo em sua testa com uma promessa de que voltaria para vê-la.
–A comida já está pronta, crianças- Dona Maribel gritou de casa.
–Vamos, filha. Direto pro banho para comer, ok?
–Nesse instante, mama- beijei sua testa, entrelaçando nossos dedos para andarmos juntas até a casa.
O jantar foi tranquilo. Sentada ao lado de Santana, eu tentei a todo momento manter um clima agradável entre a gente, no intuito de não só melhorar as coisas entre nós, como também não deixar que Beth notasse que havíamos brigado. Ela odiava quando isso acontecia. Depois do jantar, ficamos um tempo de papo na sala. Santana estava quieta o tempo todo, com um semblante evidente de desgaste. Ela andava com uma aparência adoentada desde um tempo, mas sempre que eu perguntava, me respondia que se tratava de um simples mal estar. Essas missões todas realmente estavam acabando com minha latina. Kitty chegou pouco tempo depois, pedindo para que Santana e eu permitíssemos que Beth fosse dormir em sua casa por hoje. Não fui contrária a isso, Beth adorava Kitty e Nilo.
Os dois eram pessoas maravilhosas, então não vi problema algum em deixar. Santana também não foi do contra, mas fez a cunhada jurar infinitas vezes que tomaria cuidado de sua bonequinha, caso contrário o mundo teria uma barbie oxigenada a menos. Eu amava esse jeito protetor dela com minha filha. Era como se Beth fosse de verdade sua também... Um amor mais forte que laços sanguíneos.
Por volta das nove, Santana se recolheu alegando estar com dor de cabeça. Tomou um comprimido na cozinha e foi se deitar. Não demorei muito com minha sogra e cunhado, logo fui também, motivada pela preocupação por minha noiva. Quando entrei no quarto ela estava colocando sua roupa de dormir. Parei um instante para admirar seu corpo perfeito que eu tanto amava, e me dirigi para o banheiro. Depois de perfeitamente relaxa após um banho quente, pus minha camisola de seda e fui cavar um cantinho ao lado de minha amada em sua cama. Ela estava deitada de lado, com uma mão por debaixo do travesseiro e a outra repousada em sua cintura. Notei que ela ainda estava acordada e me aconcheguei a suas costas em um abraço delicado.
–Não fica brava comigo, amor- a senti suspirar pesado.
–Não estou, relaxa.
–Então olhe pra mim e me diga isso- ela se virou, ficando de frente pra mim. Nossos olhares estavam pareados, dava pra notar um certo receio naqueles olhos escuros que eu tanto amava.
–Não estou brava com você, pode ficar tranquila- senti a verdade por seu olhar sereno a mim. Suspirei, tocando meu nariz no seu e passando a acariciar seus cabelos de maneira distraída.
–Não deveria ter sido tão rude com você. Às vezes fico com medo desse meu jeito trancado nos afastar. Isso toda vez nos leva a discussões dolorosas.
–Todos casais brigam, Fabray. Por mais bestas que sejam os motivos- murmurou calma, piscando de maneira longa pelos efeitos das carícias em seus cabelos que eu continuava fazendo. Ela sempre ficava molinha quando eu fazia isso.
–Eu sei, amor, mas mesmo assim lhe peço perdão pela maneira que falei com você.
–Tudo bem. Depois que parei de te xingar por duas horas seguidas, eu nem lembrei mais do que aconteceu. E de acordo com o filósofo chinês Sin Fun Deo “Pra lidar com os xiliques de Quinn Fabray só sendo santa... Santana Lopez, né"- ri baixinho, dando uma leve apertada em sua orelha que a fez sorrir- Só não se fecha pra mim, ta? Acho que já mais que provei o quanto sou louca por você e até onde eu posso ir para te manter bem. Não precisa sentir vergonha do que sente... Não por mim. Isso me deixa triste.
–Oh, San- a apertei forte contra meu peito. Depois de um beijo casto no topo de sua cabeça, encarei no profundo de seus olhos para firmar- Eu não tenho vergonha pelo o que sinto por você. Pelo contrário, eu tenho orgulho. Sempre tive vontade de gritar pro mundo o quão apaixonada eu sou pela grande Santana Lopez- ela riu.
–Grande não sei da onde- sorri, tocando em seu peito do lado esquerdo.
–Bem aqui, sabe?- Santana desenhou nos lábios um sorriso gostoso e se inclinou para tomar meus lábios em um beijo tranquilo e cheio de sentimentos. Daqueles que gesto ou palavra alguma pode expressar mais quanto um beijo apaixonado- Eu amo você. Nunca duvide.
–Seria até uma ofensa depois de um beijo desses- brincou parecendo atordoada- Te amo também, Quinn. Não importa como, quando ou onde, esse amor sempre será cutivado e guardado em meu peito por você- eu nada disse, apenas me projetei sobre ela, unindo mais ainda nossos corpos em um beijo mais intenso e significativo. Tirei a sorte grande em ter ganhado aquele coração tão puro. Aquela mulher, apesar desse meu jeito frio, sempre me foi tão compreensiva... Nem sei o que eu faria na vida se a perdesse.
~°~
–SANTANA!
Quem sabe eu morreria por dentro?
–Santana- eu falava entre soluços sofredores, vendo a mulher que eu depositei todo meu amor desfalecida bem ali na minha frente- Desgraçado! Seu monstro miserável- corri até David e passei a socá-lo sem pudor, e ele apenas gargalhava de meu sofrimento.
–Só estou devolvendo o favor, minha cara Quinn Fabray. Quem sabe agora eu ganhe o verdadeiro valor que nunca me deu, hein? Posso considerar em te aceitar de volta- consegui lhe acertar um tapa pesado, cuspindo em seguida em seu rosto.
–Eu tenho nojo de você, ser asqueroso. NOJO! Prefiro a morte a ser sua novamente- ele passou a mão pelo rosto com um olhar crescente de ódio e me segurou pela parte de trás dos cabelos e saiu me arrastando até Santana, fazendo-me cair de joelhos próximo a ela.
–Olhe bem pra isso, sua vadia miserável. É isso que quer para sua vida?- apontou para Santana imóvel no chão. Eu apenas chorava sentindo o coração ir se despedaçando no peito vendo-a naquele estado- Deixou de ficar comigo que sou um deus para essas pessoas, para ir atrás disso.
–Eu a amo- bati em sua mão para me soltar, caindo assim próximo ao rosto tão lindo e agora apagado dela- Eu nunca amei você, seu monstro. Nunca foi sequer a metade do que ela é pra mim- ele ficou calado, borbulhando em ódio- San... Amor, acorda!- passei o polegar por suas bochechas frias, sentido tudo em mim ir desabando por ela não dar nenhum sinal de que estava bem- San, não me deixa. Você prometeu- acariciei seus cabelos negros como uma noite sem estrelas e beijei seus lábios- Volta pra mim... San, volta pra mim, amor. Não desiste... Não faz isso comigo, por favor- dava beijinhos por todo seu rosto, em uma crescente de desespero por não receber nenhum sinal positivo vindo dela. Ouvi uma gargalhada seca de David.
–Eu duvido muito que ela vá te escutar agora, Quinn- senti o peso de sua arma em minha cabeça- Vou dar um jeito pra ninguém mais te escutar.
–NÃO!- ouvi a voz de Rob gritar mais atrás- Você não vai machucá-la, seu miserável. Santana e Carter tem um trato quanto nossa segurança. Não pode nos ferir ou perseguir mais. Cadê sua palavra agora, Carter?
–Ele tem razão, seu babaca- Carter se aproximou e deu um empurrão em David para se afastar de mim e Santana- Eles podem ir. Venha buscar a garota.
–NÃO!- eu gritei em revolta- Não saio daqui sem Santana.
–Isso está longe de ser uma alternativa para você, senhorita Fabray- Carter disse, com um semblante perverso. Senti braços me rodearem e me tirarem do chão.
–Vem, Quinn- era Rob. Passei a bater em seus braços para me soltar.
–Não, não- me debati, porém Rob era forte demais para que eu me soltasse. Senti suas lágrimas molharem meus cabelos ao fitar a irmã jogada naquele chão. Carter se ajoelhou no chão, analisando Santana.
–Reze para que não tenha estragado minha pesquisa, David- Carter disse enfurecido, virando Santana para que pudesse checar sua respiração. O olhar que ele enviou para David fez meu mundo cair- Droga, David. Você a matou, seu imbecil.
–Não- em desespero, tentei sair dos braços de Rob, que me viraram para me abraçar enquanto eu gritava- É mentira! Santana não morreu.
–Meu Deus!- Rob murmurava em prantos, tentando me manter ali em seu peito. Ele sabia que, apesar das circunstâncias aterradoras, havia homens armados ali que poderiam causar outra tragédia- Minha irmã. Não pode ser.
–Droga, vou ter que correr contra o tempo para tentar salvar alguma coisa- o cientista checava as pulpilas de Santana. David estava nem aí pra situação.
–Me dê os chips, doutor- Carter o encarou com ódio, revistando os bolsos de Santana e entregando os chips aquele monstros- Muito obrigado.
–Imbecil!- indicou para que dois homens viessem buscar Santana para saírem.
–Não... Deixem pelo menos o corpo de minha irmã para ser velado com o devido respeito- Nilo expôs, banhado em ódio e tristeza pelo o que aconteceu a sua irmã caçula. Ele tentava segurar as lágrimas que caíam furiosas por seu rosto tão parecido com o de minha latina. Carter soltou uma risada zombeteira.
–Ah, isso não. Santana me pertence. Até morta pode ser aproveitada. Quem sabe eu sinta pena de vocês e lhe mande seus restos descartáveis- dizendo isso, um dos homens russos lançou uma granada de fumaça que cobriu todo lugar. Rob me soltou e junto com Nilo, tentaram alcançar Carter para obter pelo menos o corpo da irmã, mas foi sem sucesso. Eles já estavam longe.
–DROGA!- escutei o grito enfurecido de Nilo ao longe, me deixando cair de joelhos no chão, sem expressão alguma em meu rosto.
~°~
POV Rob
Até onde a tristeza de um ser humano pode chegar?
Três meses haviam se passado e Quinn permanecia imersa em uma tristeza sobre humana. Ela passava maior parte do dia trancada no quarto de Santana, abraçada a seu travesseiro enquanto chorava copiosamente e só comia com muito esforço e penar. Beth ficou todo esse tempo com Kitty, onde ela tentava entreter a pequena para que ela não desse por falta de San, porém essa era uma tarefa extremamente impossível. Nos primeiros dias ela até que tranquilizou com as desculpas que dávamos sobre Santana ter ido a uma viagem em uma missão importante e que logo voltaria. Quando esse tempo durou um mês, Beth chorava pedindo para levá-la até Santana. Kitty nos contava que toda noite a pequena sofria em lágrimas sentindo falta de sua mamá que ela gostava que a colocasse para dormir. Parecia que esse sofrimento nunca ia acabar.
Tentava ser forte por todos, mas por um tempo eu me vi em um desespero aterrador. Quando dava a noite, eu caía em um estado sórdido de saudades de minha irmã mais velha, onde cada carro que passava na rua, eu corria para janela esperando que fosse ela chegando em seu Ford Maverick e que logo gritaria por Quinn e sua bonequinha. Infelizmente isso nunca mais aconteceria. Dona Maribel por um tempo teve que ficar a base de remédios pelo estado fragilizado que ficou ao perder a filha. Mas depois, ao notar o sofrimento de Quinn, de Nilo e até mesmo o meu, ela se mostrou mais forte que nós todos ao se levantar cedo todo dia para nos manter firme nessa mais nova luta agora: Contra a ausência eterna de Santana.
Enzo era o mais calado de todos. Não demonstrou nada... Nada mesmo. Era como se tivesse se fechado em um mundo só dele e nada quisesse compartilhar conosco. Rachel foi embora, alegando não aguentar ficar mais em nossa casa com aquele clima de morte. Já não bastava ter perdido o amor da sua vida, não ia querer ficar naquele funeral eterno que se tornou nossa casa. Essas foram suas palavras ao dar o pé e nos deixar naquele sofrimento. Mas foi melhor assim.
Nilo fez as pazes com nossa mãe, e não havia um dia que ele não passasse para visitá-la, para ver como estava e muitas vezes chorava deitado em seu colo pela perda de nossa irmã. Perdi as contas de quantas vezes nos embebedamos lamentando a maior perda de nossas vidas, rodeados pelas lembranças boas que Santana nos remetia. Daquele jeito brincalhão que caçoava dos outros ou de si mesma até nas horas de agonia. Isso fortaleceu grandemente nossa amizade e agora um não vivia sem o outro. Até Enzo meio que me acolheu na família, pois às vezes saíamos juntos para cavalgar em silêncio, hora ou outra falando sobre algo aleatório e até mesmo sobre Santana. Ele não queria demonstrar, mas sei que sentia falta dela. Cheguei a pegá-lo chorando um dia desses, acariciando o cavalo de nossa irmã no estábulo. Até com Beth ele tinha lá seu jeito de tio meio carinhoso, onde a ensinou montar a cavalo e era a única que deixava montar no cavalo de Santana. A todos ela deixou saudade.
Russel, pai de Quinn, ainda continuou conosco para ficar ao lado de sua filha nesse momento tão difícil. Ele havia criado uma amizade bonita com dona Maribel, agradecido por ela cuidar tão bem de sua filha e neta. Sem falar que ele reforçou a segurança na casa, pois além de Karofsky ser um desequilibrado e poder não seguir com o acordo, ele estava com os chips e isso não era nada bom. Russel e seus agentes passavam horas no QTI de Santana, confabulando maneiras de capturar David e o entragar para a justiça. Eu participava de algumas reuniões que me eram permitidas. Mas juntamento com Nilo, não tínhamos planos de capturar David e sim matá-lo da pior maneira possível pelo o que fez a nossa irmã.
Agora eu subia cuidadosamente as escadas com um prato de sopa que mamãe pediu que eu tentasse fazer Quinn comer. Estava cada vez mais difícil fazê-la se alimentar. Era como se a loira havia desistido de viver. Dei duas batidinhas na porta.
–Pode entrar- sua voz fraca e triste soou lá de dentro.
–Oi, Q.
–Oi, Rob. Sente-se aqui do meu lado- ela bateu em um espaço na cama e lá fui me sentar.
–Como se sente? Te trouxe sopa.
–Obrigada, mas estou sem fome- ela virou-se para o lado e apertou mais o travesseiro de Santana contra si.
–Quinn, você precisa comer alguma coisa- acariciei seu braço e ela fungou, desabando em um choro forte e sofrido.
–Só tenho vontade de chorar, Rob. A saudade de Santana está me consumindo a cada dia. Sinto que logo estarei ao seu lado, então não me interessa comer.
–Hey, não fale assim, por favor- deixei o prato de sopa em cima do criado-mudo, e a puxei para deitar em meu peito, onde ela se aconchegou em mais uma choradeira- Também sinto sua falta, mas se deixar abater é pior, Q. Ela não ia querer te ver assim. A ninguém que ela ama.
–Me sinto vazia, Rob. Está sendo difícil aguentar essa realidade que eu não aceito. Sinto que ela está viva, mas vi com meus próprios olhos a vida lhe abandonando. Não sabe o quanto isso é angustiante?- passei delicadamente o polegar por sua bochecha, me livrando assim de algumas lágrimas dali, mas sentindo as minhas se desprenderem de meus olhos. Nem eu estava aguentando mais aquela angústia de viver sem minha irmã.
–Também sinto isso, Q. É difícil aceitar que não verei mais minha irmã tão amada, a pessoa que me acolheu de coração mesmo apesar das circunstãncias- ela se ergueu um pouco para me acariciar o rosto, em um carinho terno- Mas por favor, Quinn... Eu preciso de você, Beth também, Mamãe, Nilo... Não caia, não nos desampare. Porque se você se for também, nem sei o que faço pra aguentar esse vazio dentro de mim. É a única coisa mais próxima de Santana que nos sobrou, juntamente com Beth. Não nos tire isso também- agora era eu que chorava em desespero e ela me apertava em um abraço. Tudo o que eu havia segurado, despencou bem ali, na frente da pessoa que eu menos queria que me visse daquela forma.
–Calma, R. A gente se ajuda- beijou-me carinhosa a bochecha- Vamos nos ajudar, está bem?- assenti, soluçando- Shiii, vem cá- nos abraçamos, compartilhando o sofrimentos daqueles meses sem Santana... Deus, não poderia ser mais difícil? Será que era pedir muito vê-la de novo?
POV ROB OFF
~°~
Moscou-Rússia
–Como vai o projeto, Carter?
–Melhor impossível, Seff!- ele dizia sorridente- Veja você mesmo- apontou para uma parede de vidro que dava contraste para a visão do ser no grande tubo de água. Estava cheio de fios ligados a certos pontos em sua pele, por peito, braços, pernas e cabeça. Imerso em um sono provocado, seu semblante era de uma tranquilidade quase que infantil.
–Ótimo! Quando será testado?
–Amanhã o despertaremos. Scorpius passará por um treinamento de análises a sua capacidade e habilidades, tanto antigas quanto as novas que lhe implantei em sua integração- Carter explicava tudo com um sorriso de orgulho a sua criatura poderosa.
–Onde está David?
–Pirando em algum lugar. Depois que descobriu que os chips eram falsos, quase tentou explodir o Texas,mas eu lhe tranquilizei dizendo que logo os conseguiria de volta.
–Mas acha que dará certo dessa vez?- ele desabou um sorriso perverso agora.
–Eu tenho a mais pura certeza- o ser abriu os olhos, onde o mal pairava naquelas orbes tão sombrias agora.
~°~
Mais três meses se passaram:
POV QUINN
A dor ainda era extrema, mas a família Lopez, junto com seus convidados, nós os Fabray, tentávamos levar uma vida tranquila e segura depois da morte de Santana. Era um domingo tranquilo. Papai se prontificou a fazer o melhor churrasco que já tivemos na vida. Estavam se divertindo a beira da psicina que meu pai fez questão de mandar construir por causa de Beth, que juntamente comigo, decidimos viver no Texas ao lado de minha nova família. Eu ainda deixava evidente que amava a latina, apesar de vários rapazes de boa vida já terem me feito diversas propostas que seria tentadora aos olhos de muitos, mas para mim, ainda pertenceria a Santana pela eternidade de meus dias.
–Vovô, vem brincar comigo? Quero te apresentar as minhas novas bonecas que eu ganhei do papai- Beth havia aprendido a chamar Nilo de pai. Eu não achei muito bom isso por conta de Kitty, mas a loira nem ligou, achou demais. Assim seu marido sairia da depressão que havia se afundado. Graças a Beth, Danilo voltou a viver e isso para sua esposa ja era mais que gratificante.
–Ficarei honrado em conhecê-las- ele sorriu, aceitando a mão da neta. Sentou-se no chão ao seu lado e passou a brincar com ela ali, como se fosse uma criança. Assistia a tudo com um belo sorriso no rosto. Amava ver minha filha tão feliz... Deus, não conseguia olhar pra ela sem pensar em Santana. Em tudo Beth me lembrava minha noiva. Suspirei triste, fitando minha aliança no dedo. Nunca a tiraria dali.
–Aquela tampinha faz falta, não é?- Nilo disse, sentando ao meu lado na espreguiçadeira.
–Hey, Nilo. Senti sua falta- o abracei apertado. Meu cunhado havia passado duas semanas em um treinamento fora da cidade. Havia se integrado aos agentes de meu pai, tornando-se sargento. Mas ainda continuava como xerife, para diminuir desconfianças. Levávamos tudo no sigilo aqui. Papai ia e voltava algumas vezes, adotando uma identidade falsa para si.- E sim, Santana sempre faz falta.
–Saudades suas também, loirinha- nos separamos do abraço e ele sorriu- Cortou o cabelo?
–Ideia da doida de sua esposa. Gostou?
–É, achei legal. Santana ia te zoar pra caramba, mas ia amar- ambos rimos. Não tinha como não mencioná-la em nossas conversas.
–Papaaai.
–Hey, meu ursinho- ele abriu os braços, pegando Beth no colo- Que saudade do meu amor.
–Saudades suas também, papai- ela o abraçou apertado, como se nunca mais fosse soltá-lo. Os Lopez realmente amavam minha filha e a adotaram como deles também. Eu me sentia como se tivesse nascido naquela família- Fico feliz em te ver. Fico mais feliz ainda por ter trazido a mamá San com você.
–O quê? — Nilo indagou intrigado- Como disse, amorzinho?
–A San, papai. Olha lá- ela apontou mais atrás, para a cerca e meu coração simplesmente parou. Aquilo só poderia ser um sonho... Deus, o que era aquilo?
–San-Santana?- meus olhos me enganavam, só pode. Eu via Santana agora, sentada sobre a cerca com um sorriso sarcástico. Estava de braços cruzados, usando óculos escuros acompanhados de uma roupa que mais parecia um uniforme, preto e todo de couro. Em seu peito esquerdo havia um símbolo de estrelas formando uma constelação. Acho que era a de Escorpião. Abri e fechei os olhos várias vezes, encarando os demais para ver se só eu estava ficando louca e vendo Santana ali, mas não. Pela cara que eles faziam, ela estava mesmo ali- Ai, meu Deus!
Corri o quanto minhas pernas podiam até me aproximar dela. Santana pulou da cerca e parou na minha frente, me encarando de um jeito estranho, mas nem liguei, fiz o que meu coração implorava e lhe abracei, intercalando beijinhos em sua boca para provar que ela era real... Deus, minha San estava de volta!
–Eu sabia!- beijei sua boca novamente, agarrando-me a sua nuca- Amor, você voltou... Parece mentira que está de volta, Santana- ela soltou uma risadinha.
–Mas quem é Santana?
–O que?- me soltei dela para encará-la- Nossa, só você mesmo pra brincar uma hora dessas, Santana- ela franziu o cenho e entortou a cabeça pro lado, como se estivesse intrigada- Santana?
–Eu não sou essa tal de Santana, nem mesmo sei quem é- seu semblante agora era de um perverso que eu nunca vi antes.
–Como? Amor... O que significa isso?- minhas lágrimas já se juntavam aos montes, junto com o temor em meu peito- Santana...
–Eu não sou Santana- tirou os óculos que escondiam olhos de cor lilás, dos mais diabólicos que me assustaram. O mesmo símbolo cravado em seu peito, pairava em seus olhos- Me chame de... Scorpius.
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