Ligadas pelo destino

36 Capítulo 36- Vingança amarga


Notas iniciais
Gente, um ano de Ligadas pelo Destino... Parabéns pra nós ehhhhh 😁😉✌🙌👏👏👏 Demorei um bocado, né? Mas eis que meu sobrinho nasceu e estava me recuperando do susto do caralho por isso. Ps: parto normal é coisa do satanás! Se preparem que o negócio ta doido... desculpem qualquer erro.

–Não tem ninguém aqui, Santana... Ninguém!- Quinn avisou descendo correndo as escadas- Deus, onde está minha filha? Para onde eles foram? Céus, isso aqui está uma bagunça!- ouvi que ela mexeu em algo quebrado- Quem fez isso? Eu...

–Foi o Karofsky!

–O que?- ela parou bruscamente, como se o mundo tivesse se destruído bem ali em sua frente. Eu estava sentada no sofá com a expressão de alguém que já estava morto há muito tempo, porém esse detalhe ainda não lhe tinha sido informado. Tinha um dos cotovelos apoiado no joelho enquanto repousava o rosto a mão, me sentindo destruída como nunca estive antes.

–Karofsky, Quinn... Foi ele quem fez isso tudo- levantei a mão para mostrar o bilhete entre os dedos que anunciava tal atrocidade- Aquele miserável levou minha família... ELE levou meu irmão e minha filha- levantei com grande ira e me virei a ela com um olhar de puro ódio, jogando para longe um vaso que tinha se salvo do ataque e este se espatifou com força na parede. Quinn se assustou com isso- Isso não vai ficar assim, Quinn... NÃO VAI!

–San... — ela correu até mim e me amparou no momento que vacilei para trás, tonta. Aquela mistura de sentimentos e sensações só estava piorando meu estado já tão miserável- Amor, respira fundo.... Tente se manter calma- tossi com falta de ar- Senta aqui comigo- me auxiliou para sentar ao seu lado no sofá. Respirei o mais profundo que eu consegui enquanto ela acariciava minhas costas delicadamente e me olhava preocupada com aqueles seus olhinhos assustados, que tanto me dava vontade de sempre a envolver em meus braços e nunca soltá-la. Coitada de minha loirinha. Já não bastava ter que lidar com tudo agora sem poder contar muito comigo pelo meu estado tão fraco, havia sido mais uma vez separada da filha por obra daquele filho da puta imbecil... Ah, mas ia ter volta!- Vá soltando o ar aos poucos... Tente se acalmar ou ficará pior.

–Me acalmar- soltei uma risadinha irônica pelo nariz- Só quando pegar minha família de volta. E vou fazer isso agora- tomei impulso para me levantar, porém Quinn me puxou de volta.

–Pare, por favor. Não vê que está fraca demais pra tomar qualquer atitude louca como sempre toma?

–Eu resolvo isso, Quinn... Sempre resolvi.

–Estando bem, até que sim, mas seu estado agora requer cuidados. Deixe de ser teimosa e confie isso a mim agora- balancei a cabeça negativamente, inconformada. Era frustrante saber que pra nada eu servia agora.

–É a minha família, Quinn... Só o que me resta na vida.

–Eu sei, meu amor. Mas agora é a minha também, não se lembra? Minha filha também foi levada.

–Nossa filha- corrigi encarando-a seriamente, porém ela me devolveu um sorriso tenro. Quinn deslizou para bem mais perto de mim, passando seu braço pelo meu para entrelaçar nossos dedos e repousar a cabeça em meu ombro.

–É sim, meu amor... Nossa filhinha- respirei pesado.

–Então como quer que eu fique parada sabendo que ela corre perigo? Sinto meu coração rasgar por isso, Quinn... As coisas já estavam se acertando.

–Eu sei, meu bem, mas da forma que está, nada poderá fazer.

–E o que fazemos então? Ficar sentada aqui esperando um milagre cair em nossas cabeças?

–Você me subestima demais, Santana Lopez- acariciou meu braço delicadamente com a ponta do dedo indicador- Às vezes esquece o quanto sou precavida.

–O que?- me virei para ela questionadoramente. Antes que dissesse algo, o rastreador dos chips começou a apitar intercaladamente, e dessa vez não era aquele barulhinho sem intervalo e estrondoso, mas sim um alerta pesado e preocupante. Quinn tirou o aparelho da bolsa e em um olhar avaliativo, ela sorriu satisfeita pelo o que encontrava- Quinn?

–Estão chegando!

–Quem?- franzi o cenho, temerosa. Seria mais problemas?

–Nossa cavalaria...

Ah sim... Com certeza seria mais problemas.

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Quinn e eu pegamos um pé de briga daqueles quando eu descobri que ela havia mandado um chamado de emergência para seu pai na Alemanha. Eles só viriam para o país em caso de extrema urgência, pois havia o perigo do governo americano interceptá-los rapidamente, então estaria todo mundo fudido de vez. Ao que me parece, Quinn julgou esse momento agora como “O momento cruscial de Santana conhecer meu papai e trocar figurinhas de super heróis com ele, tornando-se assim best friends forever um do outro". Ah não, isso realmente não daria certo! Merda neles!

Ela teve sorte de eu ter apagado durante a briga, pois caso contrário, eu faria logo ela mandar aquele bando de mocoronga de volta pro galinheiro deles. Aonde que aquela loira cabeçuda pode mais que eu? Ou seja: Entrelinhas, isso é uma desculpa esfarrapada minha para me sair do fato gritante de que com Quinn eu não podia nem ferrando de quatro... Isso que dá gostar de mulheres difíceis! Elas maltratam demais, são ruins feito giló, pisam em você e te usam até gastar suas últimas forças. Por que mesmo sou louca por aquela loira, hein? Ah, lembrei... Porque ela é gostoooooooosa pra caralho! Brincadeira. Quinn vale bem mais que qualquer beleza, atributos físicos... Seu jeito de menininha meiga e delicada, quando não está querendo me matar, me encanta e me deixa cada vez mais maluca por ela.

Nem sei por quanto tempo fiquei apagada. Quando acordei, demorei um tempo para assimilar tudo de novo. Era como se tudo não passasse de um sonho ruim. Daqueles que ao acordar ele se dissipava e nunca mais voltava. Porém a realidade em que eu me encontrava era outra... Meus pesadelos aconteciam a todo momento e meus monstros... Esses eram assustadoramente reais e perversos.

Alcancei o relógio na mesinha ao lado da cama e constatei que já era noite... Do outro dia.

–Merda, dormi demais!- resmunguei, tentando sair da cama, porém já ia sentindo aquela dor chata pelo o corpo inteiro. Deslizei com cuidado pelos lençóis até alcançar a ponta da cama e me sentar ali, com o rosto entre as mãos- Será que poderia me dar uma folga por um instante? Preciso pegar minha família de volta- murmurei com a voz rouca de sono. Dormi tanto, mas tinha a sensação de que nunca dormi na vida. Devagar, como quase uma lesma com reumatismo, fui até o banheiro e joguei um pouco de água no rosto. Quando já estava terminando de escovar os dentes, escutei um barulho de algo quebrando e fiquei logo alerta. Apenas uma coisa vinha em minha cabeça- Quinn!- peguei a pistola do papai que eu deixava debaixo da cama desde que cheguei do Canadá e desci um tanto caquética pelas escadas atrás da raiz do barulho. Acho que se me jogasse pelos degrais eu desceria mais rápido, mas também não levantaria nunca mais na vida e poderia dar tchauzinho para meu traseiro bonitinho que Deus me deu de coração. O barulho vinha da cozinha. Entrei com tudo, gritando ameaçadoramente ao ver um homem loiro alto com uma garrafa de café na mão- Se ama suas bolas, fique parado, senão eu atiro!- ele se surpreendeu, dando um passo pra trás.

–Largue a arma!- ouvi mais atrás e quando me virei, tinha uma onda de homens armados, brotando só pode ter sido das profundezas do inferno, todos apontando suas pistolas enormes na minha direção. Tinha uma que estava tão próxima de mim que fiquei vesga.

–Misericórdia... Fudeu!- murmurei, fazendo uma careta horrorosa de encrencada, sentindo os ossos do corpo gelar pelos mal encarados armados até os dentes, me encarando da maneira mais assustadora do universo. Levei as mãos para o alto, deixando minha arma cair no chão- Sim, irmãos... Eu aceito as palavras do senhor- brinquei, porém nenhum deles pareceu gostar.

–Abaixem as armas, soldados, ela é uma de nós!- o homem loiro ordenou, atravessando o mar de homens até mim- Descansar!- os demais acataram, se afastando de armas baixas- Me desculpe pela invasão de sua cozinha, mas precisávamos de um pouco de café. De onde vem o de vocês? É simplesmente maravilhoso.

–Minha família produz- respondi, sem abaixar a guarda. Eles poderiam estar em maior número, mas para proteger Quinn eu lutaria contra o mundo inteiro sozinha, se precisasse.

–Isso é formidável! Adorei o café- sorriu pra mim, que apenas assenti com um gesto de cabeça.

–Quem é você, que mal lhe pergunte?

–Ah, que cabeça a minha, eu sou...

–Papai?- Quinn entrou na cozinha pela porta do quintal, arrastando uma mala. Arregalei os olhos, observando melhor o homem a minha frente. Então esse é homem que ajudou a ferrar com minha vida?- San, amor... Finalmente acordou- ela correu até mim, envolvendo minha nuca em um abraço apertado. Eu nada esbocei, apenas continuei encarando pesado aquele ser a minha frente- Como se sente?

–Ameaçada- ela se afastou, fitando minha expressão fechada para o loiro sorridente.

–Hey, relaxe- disse carinhosa, acariciando-me a bochecha com o polegar- Esse é Russel Fabray... Meu pai. Ele está conosco nessa... É um amigo.

–Muito prazer, Santana- ele esticou a mão para que eu apertasse amistosamente, porém não movi um músculo para isso.

–Um amigo?- ri em ironia, cruzando os braços com marra- Tenho lá minhas dúvidas- Russel recolheu a mão estendida perante meu olhar ameaçador.

–San, vai dar tudo certo. Não confia em mim?

–Claro que confio em você, mas nele não- comecei a me alterar, já sentindo o corpo esfriar.

–Acalme-se, ta? Só vai piorar assim, já está muito quente- tocou em meu rosto- Venha, sente-se aqui enquanto pego algo para sua febre- acatei seu pedido, suspirando forte. Era como se estivesse pisando em cubos de gelo. Meus olhos ardiam tanto, que me fazia ter raiva de piscar, pois só piorava o incômodo.

–Quando esses sintomas apresentam-se?

–Quando eles querem- respondi grossa a pergunta de Russel.

–Antes tinha intervalos compridos, papai, mas agora são constantes e mais fortes. Ela chega a sangrar pelos ouvidos e nariz. Abre a boca, San- Quinn explicou para seu pai, dando um pausa para gotejar algum remédio de gosto horrível em minha boca. Esbocei uma careta horrorosa de desagrado.

–Já deve ter chegado ao cérebro- ele se escorou ao armário, pensativo. Quinn me fitou preocupada- Mas posso ajudar com isso.

–Sai fora, você não toca em mim nem a pau.

–Santana!- Quinn me repreendeu- Pode mesmo, papai? Consegue curá-la?

–Bom, não por completo. Mas pelo menos até sabermos que substância lhe foi injetada. Posso retardar os sintomas e deixá-la com menos dores no corpo.

–Isso é bom.

–Ah ta, que eu acredito nesse banana. Conta outra.

–San...

–Não, Quinn... Não foi a você que ele estragou a vida. Me fez a droga que sou hoje, enfiou meu pai em problemas e se estou assim, nesse estado de merda, foi por culpa dele e desses experimentos malucos- gesticulei freneticamente. Com muito esforço me pus de pé- Se minha opinião valer alguma coisa... Se pesar você e o tal Carter em uma balança, dá uma merda só. Pronto, falei.

–Eu sei que fiz certas coisas de que me arrependo muito, Santana, porém você não é uma delas. É perfeita à sua maneira. Emana poder, uma força de vontade que ninguém, sendo humano ou não, já teve na vida. Suas qualidades não foram feitas em um laboratório por mim ou Carter... Elas lhe foram dadas por um ser acima de todos nós... Foram feitas especialmente para você, para lhe tornar esse ser que me dá tanto orgulho por ter criado, apesar das circunstâncias que nos encontramos- Quinn repousou a mão em meu ombro, concordando com um gesto de cabeça com o que seu pai dizia. Retornei meu olhar a ele- Agora lhe peço que deixe que eu me redima com você ajudando a melhorar e recuperar sua família. Eu sei que posso, e assim também estarei pagando uma parte de minha imensa dívida com meu grande amigo Antony. O que me diz?

–Bom, o que eu digo?- suspirei pensativa, abaixando o olhar por alguns segundos- Hum... Deixe-me ver- Quinn e o pai me olharam com expectativa, como se fosse a copa do mundo e agora era momento final em um penalti que decidiria tudo- Bom, eu digo que, se acha que eu vou confiar em você depois de tudo que me fez passar, de tudo que sofri até agora com a ausência de meu pai e tudo mais, para agora aparecer de cara limpa me pedindo tal coisa...- soltei o ar pelo nariz, em quase uma risadinha, zombando daquilo- Vou lhe responder apresentando educadamente meu dedo do meio bonitinho.

–Oh céus, Santana. Tenha modos- Quinn interceptou minha mão levantada, a que fazia o tal gesto obsceno- Desculpe, papai. Ela não está bem.

–Eu sei, filha. Está tudo bem.

–Está tudo bem?- afastei Quinn de mim sem muita delicadeza- TUDO BEM?- me alterei, apontando ameaçadoramente para ele- Não, doutor frango... Não está nada bem.

–Eu sei como se sente, Santana. Nesses meus muitos anos de carreira já me deparei com muitas coisas terríveis, já enfrentei muitas guerras, perdi muitas batalhas, sofri muitas perdas irreparáveis, porém tento sempre ter em mente que se fraquejo a cabeça, todo meu corpo fraqueja. Seu pai concordaria comigo se estivesse aqui. Antony...

–Mas ele não está- nesse momento não medi a raiva e agarrei Russel pela gola da camisa, empurrando-o brutalmente contra um armário, o que resultou em mais coisas quebradas- Nunca mais fale o nome de meu pai, seu covarde. Da sua boca sai como uma ofensa a sua memória.

–Por Deus, Santana. Solte-o- Quinn se agarrou a meus braços e fez força para me soltar de seu pai. Por um instante minha força tinha voltado com tudo e agora era aplicada contra o pescoço do loiro que me dava tanta repulsa, e que mais ainda, por obra do destino, era pai de minha amada.

–E-Eu só-só quero ajudar e eu posso fazer isso, mas-mas, hummm, primeiro você precisa me deixar respirar- ele argumentava com a voz falhada pela pressão desmedida que eu fazia em sua garganta.

–Vá embora... Me deixe me paz, assim você me ajuda mais- sentia meu peito querer explodir de tanta raiva.

–San... Meu amor, pare, por favor. Você não é assim... Não deixe que a raiva consuma você e lhe leve a fazer algo que se arrependa depois- ela agora amaciava meus ombros, tentando me tranquilizar.

–Eu só quero minha família de volta... Quero Beth, meu irmão... Ele é um dos culpados por isso estar assim.

–Desde o começo eu só quis ajudar, só queria o bem de todos. Eu amava seu pai, ele era como um irmão pra mim e nada me faria mais feliz do que proteger sua família, trazê-los de volta nem que isso custe minha vida- Russel dizia isso de maneira firme, me encarando no profundo de meu ser. Me virei para Quinn, que a essa altura já chorava sem limites, assustada. Eu sempre morria infinitas vezes quando a deixava assim.

–Escute-o, meu amor. Por favor confie... Eu confio, como confio em você- me abraçou pela lateral, beijando minha bochecha carinhosamente- Solte-o, por favor... San, confie na gente... Eu amo você, papai já sabe disso.

–Quero ajudá-la, Santana... Agora mais ainda que sei de tudo que fez por minha filha, por minha netinha... Por amá-las e cuidar delas como nem mesmo eu cuidei- eu fitava ora um ora outro, tentando controlar os batimentos enlouquecidos de meu coração. Aqueles dois pares de olhos tão parecidos, pareciam transmitir segurança ao que diziam. Tanto que meu ser foi se acalmando aos poucos e logo minhas mãos no pescoço claro de Russel foram ganhando folga até abandoná-lo por completo.

–Me-Me desculpe, eu... — dei alguns passos vacilantes para trás, atordoada e confusa de tal maneira que o mundo começou a girar feito um carrossel descontrolado. Coloquei a mão na testa, sentindo-a úmida e totalmente gelada, com a cabeça mais bagunçada que novelo de lã na mão de criança- Eu, urrr, não estou me sentindo bem... Acho que vou...

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POV QUINN

Santana de repente apagou do nada, indo abaixo. Só não se machucou porque meu pai a segurou rapidamente antes de atingir o chão. Nem vou dizer o quanto isso me assustou. Vê-la daquela forma foi como se alguém golpeasse várias vezes meu estômago, sem nenhum intervalo. Com a ajuda de papai, levei ela para o quarto e foi repousada em sua cama. Ele não demorou muito comigo, pois queria começar rapidamente a produzir algo que pelo menos amenizasse esse sofrimento de Santana. Bom, eu queria vê-la logo curada, porém isso já era um bom começo.

Várias horas se passaram... O dia foi amanhecendo. Eu fiquei o tempo todo ao lado dela. Lhe fazia carinhos, ficava atenta a qualquer incômodo seu, cuidava de sua febre que nunca passava, colocando uma compressa de água em sua testa para pelo menos diminuir um pouco sua temperatura... Toda e qualquer alteração era policiada com mim. Quando papai foi aparecer já eram quase doze horas da tarde, trazendo consigo uma bandeja cheia de comida para que eu me alimentasse, já que estou sem comer desde o dia passado. Depois de muito negar, eu acabei comendo alguma coisa, precisava ficar forte pela San, por minha menininha e pelo restante da família. Senhor, por favor, proteja minha filha... Ela deve estar muito assustada com tudo isso. É tão pequenina para já estar tendo de lidar com coisas desses tipos. Era a última coisa no universo que eu esperava para minha filha... Era tudo menos isso. Maldito Karofsky.

–Quinn?- Santana chamou despertando aos poucos.

–Oi, meu amor... Como se sente?

–Minha cabeça dói! Poderia me arranjar água? Estou com um gosto estranho e ruim na boca.

–É claro. Só um instante- corri até a cozinha para lhe pegar água. Esbarrei com papai por lá.

–Como está Santana?

–Acordou com muita dor de cabeça. A cada minuto que passa, ela parece que só piora cada vez mais.

–Se o que Carter inseriu nela for o que penso, isso nem está perto de ser o seu pior estado.

–Deus!- minha preocupação e temor por ela só aumentavam cada vez mais- O que vamos fazer, papai?

–Quanto a isso, não se preocupe, minha estrelinha... Estou finalizando um catalizador para o vírus.

–Você acha que vai funcionar?

–Temos que torcer para que sim, caso contrário ela só definhará até quase não sobrar muita coisa para o vírus de alimentar.

–Ela não merece isso, pai... Santana é tão maravilhosa, tão boa, eu...

–Hey... Fique tranquila, minha filha. Ela supera essa... Santana é muito forte- ele me abraçou com o maior carinho do mundo enquanto eu chorava contra seu peito- Agora vá... Tome conta de sua noiva até que eu consiga terminar o catalizador. Você pode dar um pouco de algum chá com efeito calmante para deixá-la mais confortável.

–Tudo bem. Obrigada, papai... Muito obrigada.

–Não precisa agradecer... Faço tudo por você, minha pequena. Agora vá- beijei sua bochecha e corri de volta para Santana no quarto. Entreguei a água a ela, depois fui pegar um chá de camomila que um dos agentes fez para mim. Ela tomou tudo sem reclamar. Logo não tinha mais forças nem para isso, coitada. Papai chegou algumas horas depois com a tal substância. Santana de início não quis tomar, mas depois de um certo “dengo", fiz com que ela deixasse ele lhe aplicar. Cerca de alguma horas o líquido fez efeito. A pele morena logo começou a corar levemente, sua expressão estava bem mais normalizada e aquele olhar de pura safafeza, força, audácia e coragem voltou com um tanto de vigor, porém nem tanto quanto antes, pois ela ainda sentia alguns incômodos. Papai retirou algumas amostras de sangue de Santana e alguns outros materiais para analisar o que tanto perturbava minha latina.

–Preciso de um banho agora- ela levantou esforçadamente da cama, se dirigindo para o banheiro.

–Isso, Santana. Tome um banho e descanse... Vai se sentir bem melhor daqui a pouco- papai comentou animado, assim como eu, pela melhora de minha noiva.

–Não é bem pra descansar que quero esse banho- desviou para o guarda-roupas, tirando algumas peças para levar até o banheiro- Espero que tenha trago bons homens, papai Smurf... Explodirei essa cidade atrás daquele imbecil russo.

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De banho tomado, Santana se juntou a meu pai e alguns agentes para firmar um plano seu. Ela tinha em mente algumas coisas, que foram se acrescentando a cada opinião bem colocada dos demais peritos em coisas desse tipo. Eu quase implorei que ela esperasse uma melhora a mais de seu organismo para tal empreitada, porém a cabeça dura em nada retrocedeu... Ela estava convicta de que ainda hoje traria todos para casa, logo porque já tinha o local em mente de onde estaria sua família detida por David.

–Eu vou com você!

–Não, não vai.

–San!- resmunguei chateada- Estamos juntas nisso, por favor. Sem falar que você ainda pode passar mal e precisa de mim por perto. Prometo ficar quietinha... Nem vai me perceber lá- Santana me encarou com um semblante pensativo enquanto eu fazia um bico penoso pidão, com as mãos juntas ao peito. Ela então balançou a cabeça negativamente e sorriu pra mim.

–Ok, ok... Mas antes tenho que te ensinar a usar uma arma...

Deus, que coisa mais difícil de se aprender! Aquilo é pesado, bruto, perigoso e muito deselegante, devo convir. Damas não deveriam empunhar uma arma... Me senti como uma selvagem sem causa, mas fazer o quê? Tinha que servir para alguma coisa. Não demorou muito e chegamos a um grande parque de exposições que dava a um antigo aeroporto abandonado. Santana deu as ordens para alguns agentes e vi todos irem se dissipando e sumindo, como se fossem poeiras ao vento. Eram realmente muito bem treinados.

Uma parte ficou com Santana. Ela ditava tudo, apontava certos pontos estratégicos no local, explicando como seu plano seria realizado, ou seja lá o que ela tanto confabulava consigo mesma e com os demais, menos comigo. De um lado isso me irritava, nunca gostei de ficar por fora de alguma coisa, principalmente dessa que envolvia tantas pessoas que eu amava. Mas já do outro, como eu nada entendia dessas coisas violentas, só iria atrapalhar mesmo, então deixei de lado. Se precisassem de mim, coisa que eu muito duvido, pois meu pai tinha do lado os melhores homens treinados em batalha, talvez me alertariam. Meu pai e Santana agora conversavam. Ela a todo momento não mudava a carranca para ele, como se só o aturasse agora por conta do que tinham que realizar no salvamento de seus familiares. Apesar disso não me agradar em nada, fiquei mais aliviada, pois pelo menos ela estava próxima dele, em uma conversa tranquila, e não o prensando contra algo enquanto o enforcava... Ainda me recupero dessa cena. Céus! Se despediu de meu pai e veio até mim.

–Tudo bem?- ela assentiu gesticulando que sim com a cabeça. Porém ela não parecia nada bem, muito preocupada na verdade- Não acredito em você.

–Acho bom acreditar, pois senão seremos duas piradas. De doida já basta eu- sorri, desaprovando com um balançar de cabeça seu comentário.

–Pára... Vamos, como está de verdade?

–Saturada, cansada, irritada, com dor, com vontade de tomar sorvete de brigadeiro... Porém a vontade de pegar minha família de volta é maior que qualquer outra coisa.

–Até de tomar sorvete de brigadeiro? Você ama sorvete de brigadeiro. É louca por isso, na verdade- ela riu por minha brincadeira. Tentei amenizar o clima tenso pela situação extrema.

–Pois é, até mais que sorvete de brigadeiro- foi minha vez de rir de sua careta de pavor- Vem cá, minha gatinha. Preciso de seu abraço agora- me puxou delicadamente pela cintura, para um abraço apertadamente gostoso e carinhoso. Ela realmente parecia preocupada, atordoada, ou sei lá, como se algo lhe atingia forte e a agoniava- Eu te amo, Lucy Quinn... Te amo tanto.

–Eu também amo você, meu amor... Muito- Santana afundou o rosto em meu pescoço e o beijou infinitas vezes, apertando logo o abraço, como se fosse fundir nossos corpos. Será que ela estava adivinhando algo? Agora era eu quem estava estrondosamente preocupada.

–Me desculpa, ta? Por tudo. Sou maluca, mas eu te amo. Nunca esqueça disso.

–Céus, San, por que isso? Você nada me fez, pare com essas coisa. Estou ficando preocupada.

–Desculpa, desculpa... Um segundo de fraqueza, passou- riu descontraidamente- Só quero que saiba o quanto eu te amo e sempre vou amar, não importa o que aconteça.

–Você está com febre. Acho melhor voltarmos para casa. Depois resolvemos isso.

–Não- ela me segurou, me fazendo encará-la- É agora ou nunca, Quinn, e você sabe disso.

–Não, San. Estou com mau pressentimento. Isso não vai dar certo.

–Vai sim, acredite- eu agora estava inquieta, discordando com tudo que ela dizia. Meu coração parecia se comprimir em meu peito- Hey... Olhe pra mim.

–San...

–Shiiii- ela puxou delicadamente meu queixo para lhe encarar- Não importa o que aconteça, a gente sempre se acha... Nos perdemos uma da outra, mas sempre nos encontramos de novo e é maravilhoso.

–San, você ainda está fraca- argumentei agoniada- Por favor, volta comigo.

–Por você sempre serei forte- chorei, apertando sua jaqueta tão forte que meus dedos perderam coloração- Mas daqui pra frente eu só sigo e não retrocesso por nada.

–Amor...

–Me beija, Quinn...Sua boca é o único gosto que quero ter na minha agora... O gosto do prazer, da vitória- não pude negar seu pedido. Logo porque algo em meu interno dizia para que eu fizesse isso... Eu necessitava dela agora. Me agarrei a seus ombros e em seguida sua boca... A boca que tanto amo beijar e que para sempre quero fazer isso. Santana passava seus lábios pelos meus lentamente... Em um beijo tão romântico, tão gostoso, que me fez esquecer por instantes o que nos acontecia e nos aguardava. Ela apertou minha cintura no momento que abracei sua nuca com mais fervor, tendo agora sua língua invadindo minha boca à procura de me proporcionar o melhor beijo que já havia me dado. Na verdade, o melhor beijo que alguém deveria ter ganhado no universo. Senti as pernas fraquejarem quando ela lentamente passou seus lábios pelos meus, riscando minha pontinha do nariz para chegar até o ouvido e sussurrar- Esse beijo marcará nossa união eterna de almas... Eu sou sua, Lucy Quinn... Pra sempre sua.

–Santana... Chegou a hora- meu pai alertou mais atrás, com um pigarreio.

–Alerte os homens... Só saiam daqui com minha família a salvo- ela dizia sem tirar os olhos dos meus, que estavam paralisados em suas orbes escuras que ostentavam um certo medo, porém mais ainda uma grande determinação- Amo você... Tome cuidado, por favor. Se encontrar nossa filha antes de mim, fuja pra bem longe com ela... Eu me encontro com vocês depois.

–Não me deixe, San- foi a única coisa que consegui dizer perante meu estado assustado- Promete?- ela beijou minha testa.

–Prometo, meu amor- me abraçou mais uma vez, depositando um selinho demorado em meus lábios- Agora vamos recuperar nossa família.

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POV SANTANA

Chegou o momento... Seria essa a chance de ter minha família de volta ou morrer tentando.

Assim que pus os pés na entrada daquele aeroporto abandonado, senti um intenso calafrio correr por minha espinha, mas isso não me abalava... Se Karofsky acha que me assusta, está totalmente enganado, pois se estou tremendo agora não é de medo, é de ansiedade para enfim ficarmos frente a frente, independente do resultado que se dará disso. Se ele era a doença, iria mostrar a cura que eu poderia ser.

Gesticulei para que os agentes de Russel ficassem atentos mais a frente. Apesar do silêncio grotesco, algo me dizia que por aqui nós não estávamos sozinhos. Ouvimos o primeiro tiro cruzado, e este desencadiou uma orda de outros que faziam doer os ouvidos pelo intenso barulho. Homens começaram a cair de um lado e outro, outros homens se emparearam contra os outros, onde ninguém mais sabia que era amigo e quem não era.

–Não saia de perto de mim, Quinn.

–Tudo bem- ela concordava se colocando atrás de mim, por proteção. Eu já havia derrubado três aos tiros. Os russos saíam de tudo quando era lugar, atirando, atirando facas ou mesmo no “mano a mano" pros mais brutos.

–Fique aqui- ordenei para Quinn ficar em uma sala, no intuito de que eu limpasse o corredor que dava até a área de desembarque.

–Tome cuidado, querida- eu assenti, respirando fundo ao deixá-la para correr. Mal dei dez passos e um me apareceu de arma em punho. Não contei história, derrubando-o com um tiro certeiro no peito.

–Me perdoe por isso, senhor!- suspirei chateada, me preparando para mais. E foi assim por incontáveis minutos. Um aparecia e eu parava seus passos com um tiro no peito ou na cabeça. Dessa vez eu tinha que atirar para matar, pois a vida de minha família estava em jogo agora. Parei um instante para respirar, porém não me deixaram realizar isso. Um maluco apareceu do nada, e antes que eu sacasse a arma, ele a chutou, fazendo-a para debaixo de uma mesa no saguão. O rapaz negro me acertou na coxa com um chute, me curvei para frente sentindo a crescente dor, mas me recompus logo para parar seu próximo chute com os braços, acertando-o na junta de sua perna para que ele caísse- Sinto muito, cara- disse, enterrando uma faca que eu trazia no calcanhar em sua têmpora. Outro já vinha rapidamente. Eu estava desarmada... Minha arma ainda estava debaixo da mesa, que estava entre mim e o bandido raivoso. Disparei na carreira ao mesmo tempo que ele aumentava a velocidade até mim. Quando estávamos próximos da mesa, eu escorreguei de joelhos para debaixo dela já sabendo que ele pularia encima.

–Saia daí e me deixe fazer um buraco em sua cabeça, vadia- ele dizia com um forte sotaque russo, que me enojou. Eu rolava por debaixo da mesa, fugindo dos disparos. Logo alcancei minha arma e parei sob ele.

–Você deveria ser mais educado, seu fofolento- zombei, atirando nele pela madeira do tampo da mesa. Caiu em um baque surdo acima de mim. Não tive tempo de respirar, mais se aproximaram sem contar tiros. Chutei a mesa para que caísse a minha frente e formasse uma proteção. Me pus de joelho e fui derrubando um a um até acabar minha balas. Pra minha sorte, antes que eu virasse uma peneira de tanto furo que me fariam, alguns agentes surgiram e derrubaram os russos que me perseguiam- Como está mais a frente?

–Limpamos, Lopez. Quais são as ordens?

–Como estão as entradas e saídas?

–Já estão tomadas. Porém eles estão em maior número.

–Eu sei. Siga com o combinado, ok?

–Sim, senhorita- ele assentiu, gesticulando para os demais o seguirem. Eram realmente bons homens... Não só em batalha. Retornei até Quinn e a levei comigo, tomando o maior cuidado do mundo para mantê-la a salvo. Ouvi meu rádio apitar e era Rogers, o soldado com quem falava ainda agora.

–Sim?

“-Lopez, eles cessaram fogo e um dos russos nos informou o local aonde se encontra Karofsky. Mas só você e Quinn poderão entrar, caso contrário eles matarão todos lá dentro"- aquilo me gelou por dentro. Olhei para Quinn, que me enviou um aceno positivo.

–Tudo bem. Diga a eles que já estamos à caminho.

“- Ok, os informarei"

–Preparada?

–Não, mas estou ao seu lado, San- respirei fundo, entrelaçando nossos dedos.

–Eu sei, meu amor... Vamos lá.

Não demorou muito e já estávamos no imenso pátio de aviões em desuso, caminhando de mãos dadas até encontrar um dos capangas que nos indicou o caminho até aquele russo horroso.

–Ora, ora, ora... Enfim nos encontramos, Santana Lopez- e bota horroroso nisso- É um grande prazer conhecê-la.

–Eu poderia dizer o mesmo, mas opss... Não to afim, bananão- zombei, sorrindo cinicamente para ele, que não gostou muito da brincadeira- Fabray, eu tenho que te dizer: Que bom gosto você tem, o cara é gostosão. Chega ovulei aqui. Nossa, que homem!- zombei mais ainda, enviando um olhar malicioso para ele.

–Santana, não piora- Quinn me repreendeu, se agarrando a meu braço- David, viemos amistosamente pedir que devolva a família de Santana. Podemos negociar.

–Vejo que continua a mesma vadia sem noção de sempre, Quinn. Agora abre as pernas para mulheres também? Se bem que nem sei o que isso aí é mesmo.

–Como é que é? Veja bem como fala dela, seu balofo- me alterei, sendo parada por Quinn antes que eu avançasse naquele nojento de merda. Seus homens apontaram as armas para mim por isso.

–Hey, mantenha-se calma. Eu não ligo pro que ele diz, só o que me importa agora é nossa família. Me ajuda com isso, ta?- disse a meu ouvido. Concordei, respirando fundo- Assim, amor.

–Que tocante!- Karofsky falou sarcasticamente- Uma dica sobre essa daí, Santana: É só ela encontrar alguém melhor, que abre as pernas facilmente para essa pessoa e te larga, fazendo você de idiota.

–Eu discordo, sapão com hemorróida. Primeiramente porque ela não é uma qualquer, e segundo... — cruzei os braços de maneira superiora- Eu me garanto na cama... Mas já você, tenho minhas dúvidas.

–Ora, sua...

–David- alguém tocou no ombro de Karofsky, ficando ao seu lado. Arregalei os olhos quando vi Carter bem ali, vivinho da silva- Vamos agir civilizadamente, por favor.

–Você estava morto!

–Disse bem... Estava- deu de ombros, se gabando- Eu sei... Eu sou demais.

–Não tem problema, eu te mato de novo- saquei a arma, tendo muitas apontadas para mim agora. Quinn rapidamente se colocou atrás de mim, e eu a senti tremer encolhida a minhas costas.

–Se me matar, mata também toda sua família- ele estralou os dedos e um caminhão se aproximou, abrindo uma grande porta traseira, que por ela saiu meus familiares. No mesmo instante a arma pareceu pesar uma tonelada na mão e eu a soltei. Mamãe chorou ao me ver. Estava agarrada a Rob, que a abraçava. Rachel fazia o mesmo a Enzo e Kitty a meu irmão mais velho Nilo- Por favor, não os machuque.

–Vai depender de você- ele sorriu sombrio- Que tal um trato? Se aceitar, devolvo todo mundo sem nenhum arranhão, apesar de eu te me agradado muito de sua bela mãe- rangi os dentes de raiva, me segurando para não perder a cabeça e explodir aquele canalha.

–O que você quer?- perguntei já temendo a resposta. Quinn apertou-me o braço, se colocando a meu lado, sussurrando um “tenha cuidado". Carter sorriu perverso, apertando o ombro de David, que sorria do mesmo modo.

–Você e os chips.

–Não!- Quinn gritou, me assustando- Isso nunca. San, diga pra ele que não aceita- abaixei o olhar, respirando fundo.

–Todo mundo? Incluindo Beth?

–Minha filha não está inclusa- David disse seriamente- Inclusive, quero minha mulher de volta.

–Assim eu não negocio nada- impus, cruzando os braços- Quinn é minha mulher e não sua, seu pederasta- antes que David retrucasse, Carter o puxou pela camisa para falar algo ao seu ouvido. Eles se olharam por um instante, então David assentiu para o cientista.

–A pequena também. Tem minha palavra, e sim, ela vale alguma coisa- disse firme, me passando até uma segurança. Apertei a mão de Quinn entre meus dedos, olhando para minha família.

–Então eu aceito.

–San, não- Quinn se desesperou ao meu lado- Amor, não. Deve ter outro jeito.

–Eu não tenho mais jeito, Quinn. Ele nunca me dará a cura de mão beijada, então de nada eu serviria mais- soltei suas mãos para acariciar o rosto alvo, já vermelho de chorar- Sem falar da guerra que isso se tornaria e eu em nada poderia ajudar.

–Eu não vou deixar levarem você- beijei sua testa demoradamente.

–Relaxa- sussurrei ao seu ouvido e me virei para Carter- Soltem minha família primeiro que vou até você.

–Como queira. Soltem-nos- o cientista ordenou e meus familiares correram até mim, desesperados.

–Vamos lutar contra eles, nós...

–Nilo- cortei meu irmão mais velho- Sabe tanto quanto eu que assim não podemos contra eles... Mas logo poderemos, confie em mim.

–San- apertou meus ombros- Podemos tentar.

–Cuide de todos, ok? De nosso mano mais novo- baguncei os cabelos de Rob, que já chorava copiosamente- E de Quinn e Beth.

–Você disse que não me deixaria- Rob reclamou emburrado.

–Você não está mais sozinho, moleque... Tem uma família agora- antes que ele retrucasse, ouvi Beth gritar mais atrás e correr até mim- Hey, minha bonequinha.

–Mamá... Você demorou!

–Eu sei, desculpa. Mas trouxe seu presente, ficou em casa. Está no meu quarto.

–Spasibo, mama. Podemos jogar depois?- perguntou tão inocentemente que me deu vontade de chorar. Acho que ela não tinha se dado conta do que estava acontecendo. Melhor assim. Odiaria vê-la assustada.

–Tio Rob vai adorar jogar com você. Preciso agora resolver umas coisas, ta?

–Tudo bem, mamá, mas não demora- a abracei forte, beijando demoradamente sua bochecha.

–Eu te amo, minha bonequinha.

–Amo você também, San- sorri abertamente para ela, entregando-a para Kitty que também já chorava muito.

–Não deixe que ela veja nada forte aqui. Cuide dela pra mim, ta?- Kitty assentiu, me abraçando.

–Estamos esperando, Lopez- David gritou impaciente. Bufei, procurando Quinn com o olhar.

–Já vou, panaca- Quinn me olhou sofrida.

–Não- estava de braços cruzados como uma criança emburrada- Deixe de ser teimosa. Papai pode ajudar.

–Não, não pode. Ele não é Deus. Mas calma, eles vão pagar.

–Por favor, San- ela chorava mais forte- Não me deixa.

–Não vou- comecei a caminhar de costas- Eu nunca vou te deixar, Quinn Fabray... Eu te amo- gritei enquanto andava- EU TE AMO.

–Santana- antes que ela corresse até mim, Rob e Nilo a seguraram. Mamãe estava apática me olhando de maneira assombrada. Me virei para eles, já próxima de David que me aguardava de mão estendida. Sorri brincalhona, fazendo menção de aceitar sua mão, porém fiz um movimento de ondinha com a minha, acertando um soco certeiro em sua fuça. Ele soltou um gemido doloroso, segurando no local machucado para conter o sangue- Ai, pai, lavei minha alma.

–Vadia desgraçada!- eu ri intensamente.

–Tudo bem, vamos parar com isso. Vocês são adultos- Carter nos repreendeu, excêntrico.

–Cala a boca, Carter... Eu vim pra me divertir- David sorriu perverso, limpando o sangue do nariz- Hataki!

–O que?- nem tive tempo de pensar e fui atingida por um chute no ar do asiático estranho, o que me fez cair deslizando pelo chão- Ai, droga... Belo chute, barata voadora- ele sorriu, chutando meu estômago. Eu já estava fraca e com uma dessas... Lascou tudo. Ouvi protestos de Quinn, de meus irmãos, mas minha cabeça agora não assimilava muita coisa depois de tanta pancada que tomei do olhos puxados.

–Pára... Está machucando ela- Quinn praticamente implorava, tentando se soltar de meus irmãos que nada podiam fazer agora. Tinham muitas armas apontadas para eles.

–Não olha- pedi quase sem voz por tanto chute no estômago- Amor, não olha.

–Quem é a poderosa agora?- David caçoou em uma estrondosa gargalhada.

–É você, sua bichona- zombei, cuspindo um punhado de sangue no chão. Estava em um estado digno de pena. Hataki foi liberado, e saiu rindo vitorioso. Deixa estar, infeliz. Me pus de pé com muito esforço, tomando um empurrão de David para que ficasse mais ao centro.

–Então, Quinn... Me diga agora qual é a sensação de perder quem se ama.

–Vá para o inferno, seu doente- pude ver o fogo de ódio queimar naqueles olhos que tanto amo. Eu tossia muito, sentindo cada célula do meu corpo doer- Solte-a, seu desgraçado... San!

–Vou te fazer sentir o que eu senti sem você, Quinn... Você me destruiu por dentro- ouvi uma risada doentia junto de uma destravada de pistola- Agora eu destruo você.

POV QUINN

Um tiro... Bastou um tiro para que Santana caísse de joelhos de olhos fundos. Ela tinha a boca entreaberta, baixando o olhar por um instante para o pingo de sangue que foi extensionando em sua barriga até virar uma poça mínima, que ela tocou melando os dedos. O tiro havia a atravessado.

–NÃOOOOOO- gritei desesperada. Dona Maribel desmaiou... Meus cunhados ficaram paralisados, porém não me soltaram. Ouvi o choro de Beth assustada mais atrás, sentindo minha alma ir me abandonando. A mulher que tanto amo havia sido atingida. Nos olhamos por alguns instantes... Seus olhos estavam marejados, de sua boca escorria um jarro de sangue, mas mesmo assim esboçou um sorriso brincalhão pra mim. Com certeza com isso quis me acalmar.

Flashs de momentos nossos me tomaram em fração de segundos: Na primeira vez que a vi:

"Em minha cabeça rondava as malditas preocupações do que aconteceria daqui em diante, mas uma coisa foi mais intensa em meus pensamentos: Santana Lopez. A garota estranha, com óculos horríveis e grandes. Não sei o porquê de meus pensamentos serem de maioria voltados a ela."

Na primeira vez que ficamos frente a frente:

“Ela vinha na minha direção meio desligada e me choquei contra ela:

–Não olha por onde anda, não?- ela reclamou, pegando seus óculos que havia caído no chão- Quase me atravessa.

–Calminha aí, latina zangada. Foi só uma distração- fiz teatro, consertando meu vestido que acabou subindo um pouco depois da batida. Notei que ela deu uma visível reparada em minhas pernas.

–Uhm, tudo bem, só preste mais atenção da próxima vez- ela parecia desconcertada por ter visto que notei onde seus olhos estavam e achei até fofo esse seu embaraço.

–Prometo que irei- disse com um sorriso sínico em meus lábios, notando seu embaraço por meus movimentos sinuosos. Bom,acho que ela se agradou de mim! Isso soou estranho, mas posso usar a meu favor- Até mais, irritadinha.

–Até- nos despedimos e sai. Andei alguns metros, virando meu rosto para observá-la por cima do ombro esquerdo, lhe enviando um sorriso provocativo. Ela me olhou meio espantada, passando a mão na cabeça enquanto suspirava. Bom, tinha algo a meu favor!" De nossas brigas malucas:

“–Tudo bem, enquanto você toma banho, vou procurar algo para comer.

–Tem camisinha de sabores na cômoda... É só escolher- ela brincou, fazendo-me virar o pescoço brava.

–Santana, você é um saco- gritei arremessando meu salto em sua direção, e só não a acertou porque se trancou no banheiro, porém ainda podia ouvir suas gargalhadas sapecas"

“-Fabray, fala logo pombas!- ela exclamou impaciente- Ah,quer saber? Me dá esse troço agora- pediu, investindo em minha direção para me tomar o aparelho, porém apenas dei um passo clássico de balé girando na ponta dos pés, fazendo-a tropeçar em meu pé e dar de cara com o chão duro- DIABOS!

–Não seja bisbilhoteira!-apontei o dedo a sua direção, dando um sorriso de lado.

–Você está querendo tomar uma bifa, não é?- reclamou, massageando seus joelhos doloridos pelo impacto com o chão. –Você não faria isso-a desafiei com um sorriso sarcástico, porém não a encarava, tendo a total atenção voltada ao aparelho em minhas mãos"

“–Quinn!

–O QUE?- Santana me chamou calmamente e eu devolvi com um grito sem saber por que, a fazendo arregalar os olhos pelo susto. Saiu sem querer, juro.

–Calma, Fabray! Está possuída ou o que? Saravá, meu rei- odiava essas brincadeiras da Santana sobre meu humor. Quando ela fazia isso me dava vontade de atirá-la de dentro daquele carro- Menstruou, bebê?

–Vai se ferrar, Santana. O que você quer comigo?- perguntei ríspida. Ela conseguiu me tirar do sério de novo em fração de segundos.

–Primeiramente... Que não me coma. Tem chocolate no porta-luvas".

Nosso primeiro beijo:

“–Santana?- a tirei de seus pensamentos, tocando seu braço. Segurou minha mão e a levou até seus lábios, depositando um selinho demorado nela. Gemi por isso e a encarei:

–Eu tenho outra curiosidade que queria dividir com você. É mais uma vontade que uma curiosidade.

–E o que seria?- perguntei, piscando lentamente enquanto ela se aproximava ainda mais. Minha respiração pesou.

–Eu quero muito, mas muito mesmo saber... Qual é o gosto de sua boca- apertei com força sua mão que ainda segurava a minha. Entreabri a boca, tentando dizer algo, mas as palavras se descompassaram juntamente com minha respiração.

–San...

–Shii- Santana colocou seu dedo indicador em meus lábios, me interrompendo- Agora não dizemos nada- trocou os dedos por seus lábios nos meus. Céus, que boca maravilhosa era aquela! Meu corpo estremeceu quando ela pediu passagem com a língua em minha boca, intensificando aquele beijo que eu esperei tanto em tê-lo e agora, apesar de tanta relutância e medo, foi o melhor de minha vida".

Primeira noite de amor:

“ –Humm- gemi com intenso prazer, agarrando-me a seus ombros fortes e delicados, causando atrito entre nossos seios. Santana aproveitou a proximidade para beijar meu pescoço, oscilando entre mordidas e chupadas fortes que me fazia soltar gemidos altos e apertar cada vez mais minhas unhas contra sua pele morena. Foi ela quem gemeu agora, enquanto eu riscava suas costas descontando o que me proporcionava tão apaixonadamente".

Imagens de mais brigas... De toques ousados... De desavenças... Confusões... Da briga que nos reconciliou e deu início ao nosso namoro... Dela me abraçando alegremente quando enfim nos entendemos... Mais noites de amor... Mais momentos quentes... Dela me devolvendo minha filha... Me ensinando a viver novamente, a me sentir desejada, a sorrir por qualquer coisa.

Quando me pediu em casamento:

“ Arregalei os olhos, levando a mão à minha boca encarando os anéis e depois a ela-Lucy Quinn Fabray... Você me daria a honra de ser minha esposa?- uma lágrima escorria por meu olho- Casa comigo, loirinha?"

Toda felicidade, todo amor, os sentimentos bons que ela me proporcionou passou por meus olhos, fazendo todo meu ser gritar em desespero por vê-la daquela forma... Destruída.

–Espero que esteja gostando, Quinn- David gargalhou cinicamente- Pois eu estou adorando- outro tiro fora disparado e dessa vez Santana não pode se sustentar mais. Este atingiu seu peito, levando-a ao chão.

–DESGRAÇADO!- gritei em completa ira- San... San! Amor, não. Não morre, por favor- ela me encarou sofrida, respirando devagar e profundamente- Não me deixa. Abre os olhinhos, amor... San, não dorme.

–Não olha, amor- murmurou tão frágil, esticando um braço até mim, como se pudesse me tocar. Caí de joelhos, esvaziando meu ser em lágrimas, esticando também minha mão, como se pudesse tocá-la.

–Ajudem-na!- gritei desesperada- Por favor.

–Eu te amo- balbuciou quase sem voz- Eu te amo- seus olhos foram se fechando até ela não se mover mais.

–SANTANA!

Notas finais
Eita, e agora? O que será do casal Quinntana? Daqui pra frente as coisas vão ficar bem mais pesadas. Mas calma...Muitas coisa ainda podem melhorar muhahaha Desculpem a demora. Um grande beijo a todos.