Ligadas pelo destino
35 Capítulo 35- A reação covarde de Karofsky
Notas iniciais
POV BILBO
Estou de volta a Rússia. Eu deveria estar feliz por retornar a minha terra natal, porém não estava. Por que? Chega em um momento que um homem deve decidir suas prioridades, e mais ainda deve repensar na merda que tornou sua vida. Minha sina sempre foi servir aos grandes, a ser um mero vassalo fiel da família Karofsky e eu até gostava disso, porém um pequeno ser me mostrou que meus gostos eram discutíveis e mais ainda errados. Elizabeth, minha doce e pequena Beth... Não existe melhor pessoa no mundo. A minha melhor pessoa do mundo. Foi meu escape de minhas ignorãncias e foi mais ainda a única forma que me fez ver que no mundo existem pessoas que merecem sua mudança e o exílio de seus próprios conceitos, autroras certos pra você próprio, mas repudiado pelo restante da humanidade.
Parece confuso eu estar pensando nisso agora depois de mais de vinte anos fazendo o que faço, porém o choque de realidade que tive ao ver Beth naquela situação enfim abriu meus olhos. Meu pai me ensinou que ser mau era o certo, pois os bonzinhos nada ganham em sua vida. Claro, isso tinha que vir de um mafioso homofóbico sem escrupulos. Por que o segui apesar disso? Talvez deve ter sido a surra que levei por dizê-lo que era gay e perder o homem que eu amava por medo do pai que eu tinha. Eu me senti muito mal por ser abandonado, então como revolta eu me agrupei aos negócios da família com o pensamento firme de não deixar que ninguém mais me fizesse de idiota. Mas olha... Aqui estou eu deixando que David me torne seu brinquedinho descartável.
Ele não mandou que me procurassem apesar de eu ter sumido por dias. Sequer perguntou por mim ou pela filha. Aquela criança tão maravilhosa não merece o monstro que tem como pai. Já não estava mais aguentando ele inserindo a filha a essa vida miserável, então agora que descobri com um dos empregados que ele havia consentido ao Carter mexer com o organismo de Beth... Isso pra mim era demais. Decidi que iria ajudar a latina a derrubá-lo. Ela era irritante? Sim. Petulante, ordinária, desbocada, sem juízo mais ainda, porém era o melhor para Beth e Quinn... As duas enfim encontraram alguém que poderia fazê-las feliz e é nisso que me firmo agora. E eu também já estava cansado de ser o faz tudo daquele ordinário sem nunca ter ouvido um ''obrigado''. Sempre fui um pai para ele, praticamente o criei. Mas agora eu que faço minhas escolhas.
–Bilbo, o senhor Karofsky quer vê-lo em sua sala agora- Louis me avisou batendo na porta de meu quarto.
–Diga a ele que estou à caminho- ele nada disse, apenas ouvi seus passos em retrocesso- Pois é, chefinho quer me ver. Estarei na farsa que mais me deixará satisfeito em minha miserável vida. Ele virá abaixo. Só espero que Santana não demore- respirei fundo, vestindo minha carapuça que David estava habituado. Fui até sua sala e bati na porta. Ele odiava que entrassem sem se anunciar.
–Se for Bilbo, pode entrar- ouvi sua voz arrogante de sempre, entrando sem demora.
–Queria me ver, senhor?
–Sim, aonde estava?- questionou de costas para mim, observando algo pela janela enorme de sua sala ostentosa como a de um rei.
–Seguindo as pistas de Quinn.
–E você a encontrou?- um tom de extremo interesse se deu agora.
–Sim, mas fomos cercados por caipiras que estavam do lado dela.
–Pra quem tinha tudo comigo, agora se bandeia com caipiras- ele riu desdenhoso- Ao menos sabe algo dos chips?
–Só as mesmas coisas, senhor.
–Vocês são um bando de imprestáveis!- ele se alterou, jogando as coisas da mesa brutamente no chão- Lhes dou uma simples tarefa, uma coisa tão fácil quanto rasgar papel e sempre voltam com o rabinho entre as pernas. Que exército é esse que Quinn possui que meus homens bem treinados não supera?
–Santana Lopez.
–A tal latina que acompanha minha esposa?
–Sim. Carter deixou bem claro a capacidade de Santana em batalha, senhor.
–Ela pode ser feita de ferro, mas ainda é a droga de uma mulher, Fullen Bilbo. Toda essa raça não possui tal poder contra mim- seu tom de voz era de puro orgulho machista. Mascarei um suspiro de raiva- Ninguém pode comigo. Eu sou o grande David Karofsky, herdeiro de quase todo o comércio da Rússia. Sou um deus para essas pessoas. E não será essa tal de Santana Lopez que irá me derrubar.
–Sou testemunha de suas habilidades, senhor. Foi bem treinada. É forte, rápida e poderosa- David soltou uma gargalhada potente e andou até mim, com um olhar de pura psicopatia.
–Não mais que eu, meu caro. Sabe, não sei porque ouvi Carter e não ordenei que essa reles mulher fosse aniquilada de vez- agarrou meu pescoço com uma só mão e apertou- Na verdade, não sei porque eu ainda não dei um fim em você, seu imprestável.
–Senhor, pare. Está me machucando- eu pedi me esforçando ao máximo para arrancá-lo de mim- David...
–É uma tentação, sabia? Quebrar seu pescoço agora. Me livraria de mais um verme- ele continuava apertando. Eu já estava vermelho e sem ar- Você primeiro e, como Carter desapareceu, a Santana Lopez em seguida. O que me impediria fazer isso agora?
–Solte-o, Karofsky- aquela voz... Como?- Precisamos dele para o nosso próximo passo.
–Quem é vivo sempre aparece- David disse me soltando. Caí de joelhos no chão, sentindo a garganta arder assim como meu ódio crescente por aquele crápula.
–Você... — tossi rouco- Você deveria estar morto.
–Vamos dizer que eu tenho meus truques- aquele ser sem escrúpulos brincou com um sorriso largo.
–O que quer dizer com próximo passo?
–Quero dizer, David, que chegou a hora de pegar o que é meu- seus olhos negros se tornaram sombrios- Bilbo pode nos ajudar.
–Como?
–A família de Santana. Ele sabe onde fica a casa dos pais dela.
–Não- gritei em revolta- Nunca os direi aonde eles estão.
–Ah, mas você vai... Ou não me chamo Carter O' Donnel.
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POV SANTANA
Estão me reiniciando. Soa confuso, mas olha... É sim, muito confuso. Mas a questão é que: O pior se aproximava e eu já podia sentir isso. Chegava a ser sufocante essa sensação, uma agonia que vem do fundo, vai subindo e subindo, com grande ardência e bate, bate, se prende a meu ser e...
–Droga, droga, droga- me sentei na cama bruscamente, como se minha cabeça fosse se explodir depois de mais um pesadelo chato. Eram mais lembranças ruins que pesadelos. Nesse eu revivi o terror no galpão do Alaska. Foi horrível todas aquelas cenas voltando a minha cabeça onde haviam gritos de agonia, pessoas morrendo e eu passando maus bocados para voltar para Quinn. Por falar nela, havíamos ficado até tarde conversando, enquanto ela me tranquilizava em seu colo pelas dores que iam e voltavam durante a noite. Fiquei com tanta pena dela perdendo seu sono por minha causa.
–San?- senti ela se mexer do meu lado, sentando-se na cama também para acariciar meu ombro- Tudo bem, amor?
–Tudo, loirinha. Só mais um pesadelo. Desculpa ter acordado você.
–Tudo bem, San. Deita aqui comigo- me puxou delicadamente para deitar em seu peito, acariciando meus cabelos tão tranquilamente que foi me devolvendo logo a calma- Como está a dor?
–Aonde? Tudo em mim dói. Parece que a qualquer momento irei desmontar- fiz uma careta de dor ao me mexer para me ajeitar melhor a ela- Mas vejamos pelo lado bom, você terá um gostoso quebra-cabeças como noiva.
–Não brinque com isso, Santana. Não sabe o quão isso me deixa angustiada- me repreendeu seriamente, porém não parou com as carícias em minha cabeça- Não quero perder você.
–E não vai, relaxa. Vaso ruim não quebra- eu ri, mas Quinn não gostou. Ela saiu de sua posição para deitar de frente para mim.
–Precisamos falar com o papai.
–Não. Nada de conversas com seu papai- discordei ficando séria também- Vou dar meu jeito.
–San, não vê que pode estar morrendo? Amor- deslizou o polegar por minha bochecha- Por favor, deixe de orgulho e aceite ajuda de meu pai. Ele criou você, então saberá como reverter essa situação.
–Não, prefiro morrer do que me sujeitar a isso- firmei, mostrando-me indiferente a esse fato. Não quero nada que vier daquele homem, a não ser a filha gostosa dele, é claro. Quinn começou a fungar, ameaçando chorar.
–Não pensa em mim? Em como ficarei sem você?- ela chorou revoltada- Como pôde me pedir em casamento se está desistindo de viver?
–Porque talvez eu pudesse partir na certeza de que pelo menos dessa vez eu teria possuído algo bom na vida- expus trêmula- Eu te amo tanto, Quinn. Quero tanto você que nem mesmo a morte me assusta.
–Então não desista, meu amor. Lute por mim... Lute por nós... Lute por isso- mostrou a aliança em sua mão delicada. Abaixei o olhar, sentindo o coração apertar. Céus, por que a vida faz isso comigo? Eu nada disse, nada vinha na cabeça a não ser tomar os lábios de Quinn em um beijo forte e desesperado, como se assim eu pudesse me curar de tudo, das incertezas, de meus medos, temores e de minha possível ruína- San, você...
–Vamos fazer amor- disse sobre seus lábios, encarando-a no profundo de seus olhos esverdeados agora surpresos. Eu precisava... Algo me dizia que aquela poderia ser a última vez que eu a teria em meus braços e eu não podia deixar escapar discutindo sobre coisas que poderiam de nada servir. O pai de Quinn estava na Alemanha, a milhares de quilômetros daqui, o que me garantiria que daria tempo chegar até lá?
–Amor, você está debilitada- ela acariciou meu rosto da maneira mais doce do universo.
–Não o suficiente para me impedir de amar você essa noite- peguei uma de suas pernas e puxei para minha cintura com delicadeza- Não me negue isso... Não agora.
–Não quero machucar você.
–Não vai... Só se for mordendo minha boca enquanto me beija- puxei seu maxilar pra mim em um beijo delicado. Quinn acariciou meu braço, entrelaçando nossos dedos. Minha boca explorava a sua calmamente, em um momento tão romântico que me assustava por tamanha delicadeza que eu aplicava sobre os toques em Quinn. Suavemente fui escorregando a mão pela lateral de seu corpo, adentrando a mão por sua camisola rosa clara, alcançando assim sua cintura e puxando firme a loira para se colar a mim. Ela gemeu, então desci até o maxilar alvo para beijar com delicadeza, pesando com desejo as sugadas, causando-lhe arrepios excitantes em sua pele deliciosamente macia. Quinn beijou meu ombro, escorregando a mão macia por dentro de minha calcinha boxer, apertando-me o bumbum que me fez arfar, retornando aos lábios macios como algodão que eu tanto amava. A loira fez um pouco de força para virar nossos corpos e sentar-se sobre meu quadril. Começou então a roçar-se de maneira excitante e lentamente sobre mim, causando ondas de choques por todo meu corpo. Sentei então com ela daquela forma, distribuindo beijos por seu colo até os seios ainda cobertos pela camisola, que tratei logo de ir tirando aos poucos enquanto ela ainda se movimentava em mim. Ao me livrar da peça, um dos seios branquinhos e durinhos tomou forma em minha boca ao sugá-lo sem demora. Ela nisso se agarrou a alguns fios de meus cabelos para me manter ali e cada vez mais seu quadril ganhava velocidade.
Quinn agora me puxou para beijá-la ao mesmo tempo que escorregava a blusa de meu corpo e a atirava para longe. Ela apertou firme meus seios e eu arfei por suas mãos geladas ali e mais ainda pelo efeito maravilhoso que isso causava. Quinn desceu com beijos molhados por meu corpo, parando naquele ossinho um pouco acima da cintura, mordendo-o da maneira mais gostosa do universo e me arrancando suspiros de agrado que quase me fizeram esvaziar os pulmões. Fechei os olhos no momento que ela escorregou com a língua até minha barriga, mordendo com a pontinha dos dentes a carninha de meu umbigo.
–Faz cócegas!- soltei uma risadinha rouca, mordendo o cantinho do lábio superior.
–Não quero fazer você rir- levantou a cabeça alguns instantes para me encarar um tanto devassa- Quero excitá-la- lambeu perto do umbigo até a lateral de minha barriga, mordendo forte ali.
–Ai- gemi mordendo o dedo indicador- Não se preocupe quanto a isso. Apenas em me olhar você me excita- ela sorriu de maneira tenra, voltando a subir sobre mim para me beijar apaixonadamente.
A loira saiu por alguns segundos de meu colo para me ajudar a retirar a calcinha, porém não deixou de morder e sugar o lóbulo de minha orelha, fazendo assim eu gemer tombando a cabeça pro lado oposto. Puxei-a rapidamente para retornar a sua antiga posição, para que ela voltasse assim a se movimentar em mim com mais liberdade agora já que estávamos sem nenhuma peça de roupa para empatar.
Durante seus movimentos, agora mais precisos entre nossas intimidades, passei a perna direita sobre a esquerda dela, puxando sua outra perna para ficar sobre a minha dobrada. Assim nossos clitóris ganharam mais contato e o prazer se intensificou mais e mais, que Quinn passou seus braços por minha nuca, se agarrando mais a mim enquanto gemia abafado a meus lábios.
–Você me enlouquece- mordeu meu lábio inferior sem pudor.
–Porque te desejo demais. Quinn. Hummm, amor, eu te amo tanto- funguei descendo os lábios por seu rosto até o pescoço branquinho, aplicando ali um chupão que com toda certeza ficaria marcado por um tempo. Quinn trincou os dentes, puxando o ar com força.
–Amo você também, meu amor- se agarrou a minhas costas e arranhou com suas unhas afiadas de um jeito gostoso. Arfei prensando-a cada vez mais para mim, alcançando seu bumbum para ajudá-la a intensificar os movimentos- Deus, isso é tão bom!- eu ri ofegante, mordendo de leve sua orelha. Senti o abdomên de Quinn se comprimir acusando um orgasmo que chegaria logo. O meu também não estava tão longe, então fui me deitando lentamente com ela, que retornou a sentar somente em meu quadril, se apoiando a minha barriga para se friccionar mais a mim- Toque-me, San. Desejo sua pele na minha- ela pediu com a voz vacilante, mordendo o lábio inferior com força. Delicadamente deslizei as mãos pelos braços de Quinn, descendo pelos ombros até as coxas, as apertando em incentivo aos movimentos dela em mim. Arranhei dali até a cintura excitantemente, cravando minhas unhas ali para depois delicadamente usar os polegares em uma massagem prazerosa no abdomên reto e delicado da loira, e isso só serviu para que ela se contorsesse, despencando sobre mim ao atingir seu ápice. Demorei alguns segundos para chegar ao meu e foi magnífica a sensação de gozo daquele momento tão gostoso.
–Tudo bem?- perguntei depois de um tempo me recuperando. Retirei de maneira delicada alguns fios de cabelo que estavam grudados na testa suada de Quinn. A loira ainda ofegava.
–Estou. Machuquei você? Quando caí foi involuntário.
–Eu sei, gatinha. Estou bem, relaxa. Foi tudo incrível- a tranquilizei, afagando seus cabelos naquele mimo pós-amor.
–Foi romântico.
–Foi perfeito- ela apoiou-se nos antebraços para me encarar.
–Não me deixa.
–Estou aqui- murmurei a seus lábios tão próximos dos meus.
–Eu sei, mas por quanto tempo?
–Não sou eu quem decide.
–Mas pode lutar contra- suspirei forte- Você é Santana Lopez. A pessoa mais forte que eu conheço. Depois de tudo que passou, vai se deixar abalar por isso?
–É mais forte que eu, Quinn.
–Eu discordo, pois você tem a mim- o tom era sério, porém ela falava calmamente- Nunca vou desistir de você, Santana. Nem que me peça isso.
–E por que eu pediria isso?
–Você é maluca, não lembra?- ri baixo- Deixa eu falar com meu pai. Me deixe tentar te ajudar.
–Não foi você mesma quem disse que eu era indestrutível? Por que se preocupar então?
–Eu disse que você possui um organismo que se cura rápido, porém não sabemos que substância é essa que lhe foi injetada. Carter conhece suas estruturas, sabe muito bem o que pode afetar você.
–Resolvemos isso depois que acharmos o último chip.
–Promete?- Quinn pediu de um jeito meigo, fazendo bico- Por favor, amor.
–Tudo bem, depois cuidamos disso- ela sorriu largo, me beijando demoradamente em só um encostar de bocas- Amo muito você, sabia?
–Claramente- eu ri, lhe beijando mais uma vez- Agora vamos dormir.
–Espera!- parei ela antes que saísse de cima de mim- Dorme comigo assim.
–Posso machucar você, meu bem. Ainda está fraquinha.
–Por favor, só assim conseguirei dormir sem ter pesadelos- Quinn deixou, se ajeitando melhor em mim naquela posição, afundando seu rosto em meu pescoço enquanto eu a abraçava. Eu precisava disso, como se dependesse desse contato para me manter viva agora. Eu a amava tanto e precisava ficar bem por ela.
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No dia seguinte acordei bem melhor, porém sentindo um vazio enorme em mim. Quinn já havia levantado e me deixado sozinha na cama. Eu odiava quando ela fazia isso. Sempre gostei de acordar e me depará com minha loira ao meu lado. Levantei me espreguiçando como um gato e fui a procura de minha namorada fujona. Tomei um belo susto ao encontrar meu apartamento mais brilhante que careca de albino. Nunca na vida ele havia ficado tão organizado. Quem operou esse milagre estava ajoelhada no chão perto da geladeira, esfregando freneticamente o sangue do meu ataque de ontem. Aquele foi um dos piores. Cautelosamente eu toquei no ombro dela.
–Hey, cinderela!
–Cristo!- colocou a mão sobre o peito pelo susto- Quase me mata, Santana.
–Ui, desculpinha, colega- falei fresca com vozinha de traveco- Posso saber o que a senhorita quase senhora está fazendo organizando meu lixão particular?
–Só estou transformando seu pardieiro em, deixe-me ver... Um lar?- ironizou com a mão no queixo- Em nome dos céus, como você conseguia viver nessa bagunça?
–Era assim que eu encontrava minhas coisas mais facilmente- dei de ombros, puxando ela para se levantar- Pára, larga isso aí, dona toc ambulante.
–Eu não tenho toc, só tendo a limpar mais quando estou nervosa.
–E o que te aflinge nesse momento, ó minha santa loira pancada?- puxei ela pela cintura para mais perto.
–Bom, eu...- percebeu algo estranho e olhou para baixo- Está pelada?
–Como Deus me enviou pro mundo e eu fiz UÉÉÉÉ- sorri sinicamente, piscando para ela que balançou a cabeça em negação.
–Você está doente, não devia andar sem roupas.
–Me sinto bem agora, sua puritana. Aquele foi um momento súbito de pré-morte.
–Pára- me empurrou emburrada- Vá vestir uma roupa enquanto preparo nosso almoço.
–Ah não. É a minha vez de cozinhar, cansei de comer dos outros.
–Sabe cozinhar?- elevou uma sobrancelha em descrença- Essa eu quero ver.
–Te darei a lista do que deve comprar. Vou tomar banho enquanto você compra aqui do lado, então quando acabar vou te provar que tenho habilidades culinárias.
–Tudo bem. O que devo comprar?
Algumas horas depois estávamos em minha cama, degustando a comida que eu havia preparado. A loira de início sorria zombeteira, porém ao provar meu incrível macarrão com carne moída e queixo, quase teve uma overdose de tanto comer.
–Deus, San... Aonde aprendeu a cozinhar assim?- perguntou depois de estraçalhar mais um prato. Pra onde ia tudo aquilo, meu senhor?
–Com a vida- ri pelo nariz- Quando trabalhava na Norton's, não só servia mesas. Às vezes eu ficava como auxiliar de chefe já que até sabia de umas coisinhas que aprendi com minha abuela e algumas senhoras da vizinhança quando mais nova. Eu até já tive vontade de ter meu próprio restaurante.
–Minha nossa! Não dava nada por você na cozinha.
–Pra você ver como são as coisas. Minha própria noiva não acredita em mim- fingi estar magoada, fazendo um bico triste.
–Oh, desculpa, meu bem- veio até mim e sentou em meu colo, de frente para mim- Como posso me redimir com meu erro?- me encarou sujestivamente com aqueles olhos de tirar o fôlego em apenas uma olhada, porém antes que eu respondesse e a atacasse ali mesmo, o aparelho rastreador começou a apitar mais atrás na cama. Eu me estiquei para pegá-lo sem tirar Quinn de meu colo- Já deve ter a localização do chip aqui em Nova York.
–Então olha logo, amor- ela pegou de minha mão e o destravou- Qual o resultado?
–Faculdade de Columbus.
–Eu estudo lá... Estudava... Sei lá- cocei a cabeça intrigada- Estava perto de mim o tempo todo.
–Pois é, o que fazemos?
–Vamos para lá agora. Aí diz com quem está?
–Deixe-me ver- ela digitou alguma coisa- Com o químico renomado Edward State. Ex assistente de meu pai.
–Oh, pai. Não poderia ser alguém melhor!
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Quinn e eu corríamos pela faculdade até a sala que State estava dando aula agora, que para meu azar era a minha sala de engenharia. Não teve jeito, tivemos que entrar de qualquer jeito mesmo.
–Snape!- chamei, me aproximando dele que explicava algo na bancada de um dos alunos.
–Quantas vezes eu vou ter que repetir que meu sobrenome é State?- virou-se bruscamente, ficando surpreso ao me ver- Ah, Santana Lopez. Resolveu dar o ar da graça finalmente.
–Estou sem tempo para piadas, State. Preciso que venha comigo- disse firme, notando o alvoroço dos alunos mais atrás. Eles comentavam como eu estava diferente, outros diziam que eu estava gata, etc e tal, coisas de gente mala.
–Não irei a lugar algum com você, minha cara- disse naturalmente, me dando as costas para voltar ao que fazia. Brittany e Tina apareceram.
–O que você faz aqui, Santana?- a loira perguntou em um tom irritadiço.
–Estou resolvendo umas coisas com esse azedo ali- cutuquei State, que me olhou feio- Vamos logo, cara de lagartixa peluda.
–Não vou, agora saia de minha sala.
–Ai, merda!- resmunguei ficando vermelha.
–Hey, está causando um alvoroço aqui- Tina me alertou apontando para os alunos inquietos.
–Ah é, eu resolvo logo isso. State- bati levemente em seu ombro.Ele se virou bravo.
–Já disse que não...- antes que ele terminasse a frase, lhe acertei com um soco certeiro na fussa que o fez desmaiar na mesma hora.
–Sempre quis fazer isso- sorri alegremente, pegando a perna de State e comecei arrastá-lo pela sala. Os alunos gritaram eufóricos e quando eu pensei que seria linchada, o pessoal saiu correndo em disparada, me agradecendo por tê-los salvo da aula chata do azedo. Apenas Brittany e Tina ficaram na sala.
–Está maluca, Santana?- a loira indagou horrorizada- Atacou um professor.
–Me estranha ainda duvidar dessa fato, minha cara Hermione Granger loira- alcancei a porta onde Quinn me esperava sair com o professor- Uma ajudinha aqui, amor.
–Deus, San. Você disse que tiraria o professor nem que fosse arrastado da sala, mas eu não sabia que falava nesse sentido- ela me ajudou pegando a outra perna. Fomos até a sala dos professores e trancamos a porta. Brittany e Tina estavam junto.
–Você não vai matá-lo, vai?
–Ah, não. Se for, deixa eu sair- Tina disse um tanto inquieta pela pergunta de Brittany- Esqueci minha câmera em minha bolsa na sala e preciso registrar esse momento em alta definição.
–Tina- a loira repreendeu a asiática- Não faça mal a ele, Santana. Será presa por isso.
–Que presa o quê, vou matar ninguém não- rolei os olhos, amarrando o professor a uma cadeira- Fabray, será que você poderia dar uma olhada na mesa dele da sala de química? Talvez esteja lá. Leve Tina com você que ela te ajuda.
–Tudo bem, amor. Qualquer coisa, me chame, ta?- eu assenti com um sorriso leve. Ela me deu um selinho demorado, depois saiu fazendo cara feia para Brittany, que me olhou depois como quem queria me furar com alfinetes como um boneco de vodu.
–Não gosto dela!- eu ri da cara feia que ela empregou para falar isso.
–Ela é legal quando se conhece melhor.
–Certos gostos são discutíveis mesmo- caminhou até a mesa grande do canto e se sentou lá- O que quer com o State?
–Lembra da história dos chips que lhe contei?- ela confirmou- Ele está com o último. É um ex cientista que trabalhou neles.
–E por que não o entregou a você?
–Bom, só posso lhe dizer que certas pessoas não concordam com o que fazemos, então às vezes temos que pedir dessa maneira tão carinhosa- sorri divertida para ela, me virando para State e lhe dando um tapa atrás da cabeça- Acorda, bela adormecida.
–O quê, quando... Santana Lopez!- gritou bravo ao me ver.
–Ui, culpadamente maravilhosa- joguei o cabelo para o lado de maneira fresca, piscando para ele sapeca.
–O que quer comigo?
–O chip do papai Smurf, Russel Fabray. Cadê ele?
–Não está comigo.
–Onde está então?
–Não sei- fez cara de paisagem, em sua pose rabugenta de sempre.
–Ah, me compra um bode... Borá lá, cadê o chip?- perguntei agora lhe encarando de perto- Não minta pra mim ou aperto seus mamilos- ele arregalou os olhos- Danado é se gostar, né, seu safado?
–Já disse que não sei onde está esse tal chip.
–Ahhh- bufei para o alto- Sério, Snape, vamos deixar nossas diferenças de lado e nos focar agora na importância de eu conseguir esse chip. A segurança do país está em jogo.
–Primeiramente, não sei quem foi o louco que iludiu você sobre suas capacidades para tal coisa, e segundo... É STATE!
–Ui, calma, oh peludão- dei um tapinha de leve em seu rosto vermelho de raiva- Vamos lá, me diga aonde está o chip que prometo soltar você.
–Eu não sei- repetiu se debatendo para se soltar. Respirei profundamente, já sentindo a cabeça começar a pesar em dor. Dei alguns passos para trás, me apoiando em uma cadeira com a mão na lateral da cabeça.
–Hey, o que você tem?- Brittany saltou da mesa, indo até mim- Está pálida.
–Só uma dor de cabeça, relaxa- sorri para lhe passar tranquilidade, porém dentro de mim tudo parecia revirar como um terremoto. Precisava me manter calma ou daria um ataque daqueles logo ali na frente da loira, que me olhava preocupava- Depois de tudo ainda consegue se preocupar comigo. Você é um anjo, Britt-Britt.
–Pára, só não sou essa megera que muitos pintam- cruzou os braços, emburrada- Todos nessa faculdade me acham assim, uma vadia megera. Vai ver é por isso que ainda estou sozinha. Não sou boa para ninguém, nem mesmo pra maior nerd e mais estranha daqui.
–Primeiramente... Ai, meu pâncreas- fiz uma careta feia- Obrigada pela parte que me toca.
–Foi mal.
–Ok- assenti com um sorriso estranho-Depois, Brittany, não te acho essas coisas que diz. Sempre considerei você a garota mais incrível desse lugar. Era por isso que tinha tanta vergonha em falar com você. Porém sempre quis ser sua amiga e, bem, até mais que isso se um raio por acaso caísse em sua cabeça e enfim você me notasse- admiti com uma ponta de de vergonha. Ela me encarou com aqueles olhões azuis, com um princípio de sorriso.
–Você não é alguém que se deixa passar despercebido, Santana. Só tem uma cara de assustada desengonçada- esbocei um sorriso vergonhoso, coçando a nuca- Mas o engraçado era que, apesar das roupas estranhas, dos óculos gigantes e fora de moda, eu conseguia ver uma mulher interessante, bonita e até sexy. E bem, olhando agora bem melhor pra você toda mudada, eu vejo que tinha razão. Está linda, apesar de eu preferir você como antes- percebi que seus olhos ganharam um brilho diferente ao falar isso, como se me admirasse.
–Britt...
–Hey, desculpa interromper o papinho romântico, mas eu ainda estou amarrado aqui- State reclamou se contorcendo na cadeira- Eu quero sair. Me tire daquiiii.
–Um instante, Britt- pedi, tirando um de meus all stars.
–SANTANA LOPEZ, ISSO É SEQUESTRO. ME SOLTE! MEU ADVOGADO VAI ATRÁS DE VOCÊ...
–Ah, cala essa boca- fui até ele e enfiei minha meia em sua boca. Ele agora passou a resmungar abafado- Bem melhor, não?
–Coitado- a loira olhou penosamento o professor se debatendo na cadeira.
–Ele faria pior se eu estivesse ali- ela entortou o maxilar.
–Bom, eu já vou indo. Nada me diz respeito aqui mesmo.
–Brittany, espera!- segurei sua mão antes que saísse- Nós precisamos conversar. Me sinto mal por tê-la magoado. Não posso ir embora sem ter conseguido o seu perdão.
–Você vai embora?- disse em um tom tristinho.
–Ahmm, pode-se dizer que sim- cocei a cabeça, um tanto agoniada em sequer pensar nisso. Não era lá tão legal ficar contando pros outros que poderia estar morrendo- Então, como ficamos?
–Já disse o que sinto por você.
–Você não me ama, Brittany.
–Mas eu posso amar, Santana. Já te quero tanto- se aproximou, colocando as mãos na lateral de minha nuca carinhosamente- Não consigo odiar você por querê-la assim, só a ela. A outra.
–Eu a amo, Brittany, e ela a mim.
–Infelizmente eu não posso mudar isso- acariciou delicadamente minha bochecha. Seus olhos lindos azuis umideciam a cada palavra, a cada gesto ou expressão trocada. Enxuguei sua primeira lágrima que caiu- Foi bom enquanto eu tive você, por mais curto que esse momento se deu, pois foi muito especial pra mim. Mas pelo menos me resta guardar um fio de esperança desse seu amor falhar... Por menor que essa chance seja.
–Britt, você merece coisa melhor. Não se prenda a mim, pois além de eu nada valer, já encontrei o meu alguém e sei que você logo encontrará o seu. É tão incrível, linda, gostooosa- ela riu pela maneira brincalhona que eu falei, ficando vesga- Tenho certeza que alguém incrível aguarda você por aí.
–Talvez, Santana. Talvez- retrocedeu as mãos para os bolsos de seu jeans- Pelo menos posso ser sua madrinha de casamento?
–Com toda certeza- nós rimos e eu a puxei para um abraço apertado- Gosto tanto de você, Britt-Britt!
–Eu sei, é difícil não gostar- apertei o abraço enquanto ria intensamente.
–Exatamente- Britt deitou a cabeça em meu ombro respirando fundo- Então estou perdoada?
–Só não me tomar também sua amizade.
–Isso nunca- senti que ela afagava meus cabelos. Enfim havíamos alcançando esse clima tão ameno, porém um pigarreio de uma outra loira zangada na porta fez nos distanciarmos- Oi, amor. Encontrou o chip?
–Não, mas fico feliz em saber que você esteve procurando tão fervorosamente- ironizou, apontando para Brittany e depois para mim- Bonito, não é, senhorita?
–Só estávamos conversando, Quinn.
–Eu bem percebi- colocou as mãos na cintura de maneira ameaçadora- Escuta aqui, mocinha. Querendo ou não Santana é minha noiva e espero que não queria nos atrapalhar como já vem fazendo com esse seu jeitinho de se jogar em cima dela.
–Ah, desculpa. Não vi a etiqueta com seu nome nela- Brittany rebateu sarcástica- Não sei o que você viu nela, Santana.
–Eu posso muito bem lhe dizer o quê.
–Gente!- segurei o pulso de Quinn antes que ela fosse até Brittany- Chega, vocês duas.
–É, chega. Fique longe dela, entendeu? Vocês podem ter um passado, ou seja lá o que aquilo foi, mas...
–Ela nunca te trocaria por mim, então cala essa boca- Brittany gritou sem paciência- Olha, eu sei tirar meu time de campo quando percebo que perdi, mas quero te avisar- chegou perto de Quinn e a encarou seriamente- Pise na bola com ela que mostro a você como fazê-la feliz- depois de dizer isso, virou-se para mim e me abraçou- Boa sorte, San. Estarei aqui quando voltar.
–Tudo bem. Você é demais, Britt.
–Eu sei- sorriu divertida para mim e saiu, trocando mais um olhar nada amigável com Quinn. Senti a cabeça rodar e me sentei.
–San?
–Estou bem, loirinha. Encontre o chip. Só preciso sentar um pouco- deitei a cabeça no joelho, respirando por etapas. Profundamente, depois devagar e com calma. Sentia o corpo ir perdendo temperatura, como se estivesse entrando em um congelador. Quinn prosseguiu com State meio hesitante em me deixar aqui, mas sei que ela estava ciente de que tínhamos que cuidar disso logo. Enquanto ela conversava calmamente com o State, explicava tudo para ele, eu tentava relaxar meu ser remexido, todo estranho, onde até o último fio de cabelo da minha sobrancelha doía. Deus, nunca estive tão mal em toda minha vida!
–San?
–Oi- me assustei quando ela tocou em meu ombro- Já acabou?
–Já, o chip estava na sola do sapato dele. Disse que vai lhe processar.
–Deixa ele tentar- dei uma risadinha, tentando me levantar, porém vacilando alguns centímetros.
–Hey, hey- Quinn me segurou pela lateral- Se apóia em mim, amor.
–Está tudo girando- levei a mão ao rosto, desorientada- Me tira daqui, por favor.
–Tudo bem, vamos.
–O que ela tem?-Tina perguntou quando nos viu naquela situação. Enviei um olhar de “não conte nada a ela” para Quinn.
–Só está um tanto fraca devido uma gripe. Me ajude a levá-la até o carro, favor.
–Não seria melhor levá-la a um hospital? Está com uma cara horrível.
–Obrigada, Tina. Você também é muito linda- a asiática soltou uma risadinha, ajudando Quinn a me levar pra fora.
–Hey, vocês!- alguém gritou atrás. Quinn e Tina me soltaram pelo susto, e eu fui pro chão.
–Ai, meu Deus!- gemi caída de mau jeito.
–Desculpa, amor. Você está bem?
–Que nada, Quinn. Se preocupa não, beijar o chão cagado e mijado de cachorro faz bem pra saúde- resmunguei enquanto elas me levantavam. Quem havia gritado era um segurança acompanhado de State- Ele deve ter mudado de ideia, fudeu. Corre, negada!
–Pro carro, Tina- elas me arrastaram de qualquer jeito, me jogando com a delicadeza de um rinoceronte nos bancos de trás de Francyne. Quinn dirigia loucamente que o carro chegava a pular.
–Ai, Deus. Agora eu sei como um ovo mexido se sente. Vou vomitar- ameacei, tampando a boca. Tina me deu uma sacolinha e despejei tudo ali dentro.
–O que ela tem?
–A camisinha estourou. Quinn me engravidou. Acho que são gêmeos, amor- levantei a blusa pra mostrar a barriga, fazendo Quinn balançar a cabeça negativamente.
–Ela vai ficar bem, relaxa.
–Tina, segure minha mão- pedi dramaticamente e ela pegou preocupada.
–Por que, está passando mal?
–Não, porque vomitei nela.
–Ewww... Que nojo! Santana, sua vaca!- ela gritou com nojo enquanto eu ria sem parar- Sem graça!
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Deixamos Tina em casa depois partimos para meu apartamento. Precisei de um dia inteiro para me recuperar e ainda não foi lá essas coisas. Partimos de volta para o Texas no dia seguinte, pois Tina nos avisou que State colocou a polícia atrás da gente. Eu não tinha o mínimo de condição para dirigir, então apenas fiquei comprimida feito um bicho morto no banco do passageiro, sentindo até a alma pedir socorro pela dor.
–Tome água, San. Precisa se manter hidratada- Quinn disse me oferecendo uma garrafinha de água mineral. Aceitei sem pestanejar, minha boca estava muito seca e com um gosto horrível. Senti a mão de Quinn em minha testa- Céus, e essa febre que não dá trégua.
–Pode fritar um ovo em minha testa, se quiser- brinquei em uma risada com tosse seca.
–Shhi, descansa, meu amor. Você está tão fraquinha.
–É a beleza de meu lado humano. Ai- cada movimento que eu fazia era como se roesse meus ossos- Acho que vou aceitar o descanço.
–Lhe aviso quando chegar. Falta pouco- eu assenti fechando os olhos. Dessa vez eu nada sonhei, apenas luzes brancas tomaram minha cabeça. Dias naquele carro se passaram, Quinn ia mais devagar por minhas condições lastimáveis. Chegamos no final de uma tarde muito quente em Dallas, percebi sair fumaça do asfalto indicando isso. Estacionamos no portão da casa e Quinn me ajudou a descer devagarzinho até entrar à procura de todos. Eu mal esperava para dar um abraço em minha filha, em meus irmãos e até mesmo na dona vaquinha prima de Rachel, mas tudo estava silencioso demais.
–Cadê todo mundo?- indaguei passando pela sala, já me deparando com um caos completo por ali- Não- senti o peito apertar pela cena da casa em destruição- Cadê minha família? BETH!- eu gritava por minha filha- Suba, Quinn, procure-os. Veja se tem alguém ferido- pedi, me apoiando no sofá para dar espaço para Quinn correr e a mesma fez isso em completo desespero, à procura de alguém por ali. Senhor, que estejam todos bem, por favor. Sentei no sofá trêmula, e foi assim que notei um bilhete ficando na parede com uma adaga com o mesmo símbolo de K formado por facas que encontrei no corvo que bateu no vidro de Francyne e corri para pegá-lo. Meus olhos se arregalaram ao lero que continha nele.
“Quero ver ser durona agora sem sua valiosa família. Se entregue logo ou todos morrerão."
–DESGRAÇADO!- gritei furiosa, atirando a adaga para o longe, quebrando alguma coisa que havia restado por ali na estante- Eu juro que mato você, Karofsky. Nem que eu precise ir até o inferno para isso.
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