Ligadas pelo destino
32 Capítulo 32- Um grande e inesperado dia
Notas iniciais
Não sei bem quanto tempo já havia se passado entre Quinn me fitar e depois a caixinha com as alianças. Aquilo estava me deixando impaciente, sério. Já foi difícil fazer tal pedido perante meu estado de tremedeira errante, e agora ela parecia estar em choque ou aterrorizada, pois até seus olhos ficaram distantes. Ela então foi tombando lentamente sua cabeça em minha barriga e passou a chorar copiosamente, abraçada a minha cintura.
–Quinn?- chamei, começando a me desesperar por seu estado, sei lá, descontrolado enquanto chorava- Quinn? Amor, o que foi, não chora. Argh, está me deixando preocupada.
–Desculpa- disse entre soluços, sentando-se na metade da cama, abraçada as pernas. Eu ainda estava intrigada com aquilo. Não é essa reação que se quer ver depois de um pedido de casamento tão sofrido.
–Eu te peço em casamento, depois de um momento tão bom de amor, e você chora e ainda me pede desculpas?- encostei as costas na cabeceira da cama para parear nossos olhares- É tão ruim assim pensar em casar comigo? Poxa, Quinn, achei que tínhamos passado dessa fase. Me diga pelo menos um não cordialmente e não fique aí parecendo que eu pedi um rim a você- balancei a cabeça negativamente enquanto me arrastava pelo colchão para sair dali. Não era pra eu estar me sentindo mal assim. Nenhuma de nós. Era pra ser especial.
–Hey, não sai, por favor. Não me deixa- segurou minha mão para me impedir de sair. Respirei fundo, sentando-me ao seu lado. Um silêncio grotesco imperou ali. Quinn continuava abraçada as pernas chorando baixinho e eu estava lá, sentada na pontinha da cama, de cabeça baixa, apoiada com os cotovelos aos joelhos enquanto fitava a caixinha com as alianças. Elas continuavam com seu brilho estonteante, como estavam meus olhos antes e durante o pedido. Droga, por que tudo em minha vida não funciona como deveria?- San?
–Hum?- murmurei sem sair de minha posição jururu. Acariciei uma das alianças, lembrando-me do significado que me fez as escolher. Tão lindas quanto a mulher que me inspirou aquele pedido.
–Está com raiva de mim?- sua voz parecia fraca ao perguntar- Seja franca, por favor.
–Não, com raiva não.
–Com o quê então?
–Sei lá- entortei o maxilar, ainda sem tirar os olhos das alianças- Você ultimamente me remete a tanta coisa ao mesmo tempo, que acabo ficando confusa no final.
–Desculpa por isso.
–Nada tão incumum como as que tenho na vida agora- fechei a caixa na palma da mão, alisando agora a parte aveludada de cima com o polegar- Eu amo você, Quinn, e o que sinto é verdadeiro, se é isso que está te incomodando agora. Aceito você e queria que me aceitasse também.
–Mas eu aceito.
–Claro- sorri em ironia- Deixa pra lá, eu não deveria ter feito isso.
–San, olhe pra mim.
–Não, não agora. Vai doer mais se eu fizer isso- eu tinha o olhar caído para o nada, como um cãozinho abandonado.
–San- ela tornou a chamar e eu somente acenei negativamente com a cabeça, sentindo o peito arder- San, olhe pra mim, amor- puxou meu queixo delicadamente e me fez encará-la com aquela minha cara horrível de tristeza- Eu amo você.
–Quinn...
–Shiii, eu amo você, latina- Quinn foi me deitando lentamente na cama, até que pudesse se posicionar sobre meu quadril e deitar daquela forma em mim, onde nossos olhos se emparelhavam. Em um beijo calmo ela tomou minha boca, sem o uso de língua, apenas algo suave e delicado- Você é maravilhosa. Me desculpe pela forma que reagi, mas você realmente me deixou assustada e eu acabei estragando tudo. Bem, eu sempre acabo estragando tudo.
–Por que ficou assustada? É tão estranho assim eu querer um futuro com você?- indaguei ainda meio tonta pelos efeitos do beijo.
–Acho que quero tanto você que isso me atordoou. Como se isso fosse um choque de realidade para o fato de que realmente eu tenho você em meus braços e daquela forma seria pra sempre- seu jeito calmo de falar deu o lugar agora para um semblante choroso- Você me faz tão bem, San, e às vezes acho que não te mereço. É o meu conto de fadas que se tornou realidade e me apavorou, pois acho que nunca serei tão boa quanto você merece em uma pessoa.
–É tudo pra mim, Quinn. Ouça- puxei sua cabeça delicadamente para que pousasse o ouvido em meu peito e ouvisse o quão acelerado meu coração estava- Ele fica assim até se eu apenas pensar em você. Deus te escolheu a dedo pra mim, então sem essa de que não me merece.
–Isso tudo é tão grande, maior do que todos nós. Sabe o que vamos enfrentar pra que isso aconteça.
–Vamos sim, porém sempre juntas- peguei sua mão e beijei delicadamente enquanto mais uma onda de lágrimas a alcançava. Beijei cada lágrima que escorregava por seu lindo rosto e ela alisava meu braço distraidamente- Seja minha, Quinn. Me deixe ser o Sol que ilumina seus dias de escuridão. O abraço apertado quando se sentir só. O fogo quando o frio te alcançar e o oceano para envolver seu corpo e fazê-lo flutuar até a imensidão de um paraíso só seu- ela suspirava molinha ali em meus braços que agora a apertavam forte- Me deixe beijar suas lágrimas e transformá-las em cristais, pois é em teu corpo valioso que encontrarei meu leito eterno... Case-se comigo, Quinn Fabray e me deixe ser aquela que tira do nada o seu tudo- beijei demoradamente o topo da cabeça de minha amada, acariciando-lhe os cabelos da forma mais carinhosa e protetora que eu conhecia. Quinn deslizou suas mãos de meus braços até o pescoço,acariciando com os polegares meu maxilar, e me beijou demorado, degustando prazerosamente de minha boca.
–Eu aceito- ela disse de olhos fechados, contra meus lábios- Sempre fui sua, meu amor, e agora serei completa me tornando sua mulher.
Busquei coragem em abrir os olhos e encará-la depois de sua resposta. A felicidade era tanta que eu sequer acreditava. Deus, vou ter um troço.
–Aceita?- Quinn fez sim com a cabeça- Sério mesmo? Deus, acho que vou morrer.
–Não me deixe viúva antes de casar, por favor. Isso é deprimente- eu sorri intensamente, beijando cada parte de seu rosto em euforia, o que a fez dar gargalhadas.
–Eu te amo... Te amo, te amo, te aaaaamo- eu repetia infinitas vezes durante minha seção de beijos em alegria-Me fez a mulher mais feliz do mundo hoje.
–Não- Quinn pegou a caixinha que havia caído mais pra trás e de lá tirou uma das alianças, colocando em meu dedo- Foi você que me fez.
–Sua vez- peguei a outra aliança e escorreguei por seu dedo anelar alvo, beijando-o logo em seguida- Quinn Fabray Lopez... Acho bom se acostumar com esse sobrenome, pois terá ele pela eternidade. Grudei em ti e não largo mais, loirinha.
–Não quero me acostumar só ao sobrenome- se moldou a meu corpo de forma preguiçosa.
–Não?
–Não, a também seu corpo, seu cheiro- fungou na lateral de meu pescoço por incontáveis segundos, o que me levou a um estado perfeitamente arrepiado- Seus sorrisos de infinitos significados, sendo o que usa mais é um altamente gabola e safado pra me provocar- ri alto, afagando seus cabelos. Ela tinha um semblante de sono gritante no rosto- E mais ainda a esse seu jeito torto e inconsequente, que não mede esforços para me contrariar e me deixar zangada, porém morrendo de amores pelo jeito galante, simples e heróico que você resolve as coisas ou simplesmente me faz sentir a mulher mais sortuda do mundo por ter conseguido ganhar seu coração.
–Desde a primeira vez que vi você e suas pernas gostosas, excitante- complementei assentuando com meu sotaque hispânico e fortemente malicioso.
–Não estraga o momento, sua despudorada- levei um beliscão no quadril por isso, rindo pelo nariz pelas cócegas que me causou- Você às vezes me dá vontade de esganá-la, mas em maioria por seu descaso consigo mesma, o que aflora minha vontade de cuidar de você para que não acabe se matando por esse motivo- sorri suavemente para ela.
–Eu morreria um milhão de vezes seguida só por um sorriso seu- Quinn encostou seu queixo ao meu para me fitar. Com seu dedo indicador direito, ela desenhou a linha de meu pescoço até o maxilar, pairando em seguida os lábios finos e delicados sobre os meus.
–Não precisa morrer para isso... Me conformo com um "eu te amo".
–Eu te amo- disse rouco e baixinho, como se com essas simples palavras e com meu olhar pareado ao seu, eu pudesse lhe penetrar a alma e fixar essa certeza- Eu te amo, Quinn Fabray- ela sorriu de forma tenra, deixando-se chorar de um jeito tão fofo que eu quase a esmago em um abraço- Chora não, sua besta.
–Desculpa, San, mas não consigo me conter. Ainda não acredito no que está acontecendo entre nós. Depois de tanta coisa ruim nos ocorrendo, de eu tentar fugir de você por medo desse sentimento tão alucinante que tenho cravado no peito, fico com medo de que isso seja um sonho, daqueles que quando acorda se tem um completo gosto amargo de desilusão.
–Comigo não será assim.
–Como sabe?
–Porque não sou russa- Quinn riu demorado enquanto eu a apertava mais em meus braços- O fato é que com a gente é diferente, totalmente. É como se alguém em algum lugar ficasse coçando pra que apesar de tudo, de todas as brigas e problemas que enfrentamos, isso só sirva para nos unir mais ainda. Algo anormal nos liga de uma forma inexplicável.
–Isso até que é bom às vezes.
–O que?- perguntei, inclinando meu tronco para encará-la.
–Conversar sobre a relação assim tão calmamente, sem que nenhuma se agrida ou se eleve diante dos fatos.
–Certas coisas se aprende com o tempo. Nós estamos aos poucos aprendendo a conversar sem nos engolir- ela concordou em meio a risadinhas- Um momento de trégua pra acalmar os ânimos.
–Sempre- senti uma de suas mãos se rastejarem por meu abdomên distraidamente- Eu quero você.
–E você tem, amor, pra sempre.
–Vou adorar amá-la de todas as formas e maneiras- pisquei safada pra ela, que mordeu delicadamente meu queixo- Mas que tal uma sonequinha antes? Você me deixou exausta. Um pedido de casamento depois de um sexo como aquele deixa uma mulher destruída.
–Uma sonequinha vai bem agora mesmo- ela abraçou mais meu corpo, se acomodando melhor a ele. Parecia mesmo exausta- Tenha bons sonhos, meu amor.
–Amo... você... Santana-Quinn disse pausamente, já entregue ao sono- Ahhh... Melhor dia de todos- bocejou preguiçosamente, com os olhinhos pesados para continuarem abertos.
–Também amo você... Minha noiva.
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O dia amanheceu mais intenso no dia seguinte. Não sei se era por minha felicidade exorbitante, mas o Sol parecia estar mais brilhante que nunca. Fui a primeira a acordar, despertando com um milhão de beijos minha noiva- Deus, como soa bem isso- e sem demora retornamos para casa, onde encontramos todos, inclusive Nilo, o senhor sumido, tomando café a mesa.
–Mama, San- uma pequena bolinha loira nos avistou e correu até nós com um sorriso que não cabia no rosto.
–Bonequinha- lhe imitei na euforia, tomando-a nos braços para lhe apertar e beijá-la na bochecha.
–Senti muito a falta de vocês. Se divertiram?
–Sim, meu amor, foi tudo perfeito- Quinn acariciou o cabelo da filha, que sorriu em resposta.
–Ela aceitou?- Beth cochichou ao meu ouvido, parecendo um tanto aflita pela resposta. A encarei alegremente, acenando positivamente para ela. A loirinha arregalou os olhos na mesma hora e abraçou minha nuca o mais forte que pôde. Ela estava contente ao quadrado pelo acontecimento- Eu sabiaaaaaaaa!- gritou loucamente, se debatendo para que eu a colocasse no chão, e quando o fiz, ela saiu correndo em disparada para o quarto, voltando tempo depois com a filmadora que ganhou de Nilo- Ai, papa, que escada comprida- parou ofegante com as mãos nos joelhos enquanto Quinn e eu ria de seu jeito afoito. Os demais a mesa pareciam curiosos.
–Qual o motivo para tanta felicidade, casal caramelo queimado?- Nilo perguntou, puxando nossa atenção- Dividam isso com nós, pobres mortais heterossexuais.
–Amanheceu engraçadinho hoje, não?
–É falta de sexo, hermanita, agora desembucha- ele disse, recebendo uma tapona de Kitty pelo comentário. Entrelacei meus dedos aos de Quinn e nos aproximamos da mesa, sob o olhar pesado de todos. Até de Enzo e Rachel.
–Lá vem besteira- Enzo comentou, cruzando os braços em desaprovação-Não podemos mais nem tomar café direito nessa casa sem que essa daí nos interrompa com alguma merda?-rolei os olhos pra chatice dele, sentindo ter a blusa sendo puxada por Beth para que lhe desse atenção. Me abaixei até ficar da sua altura, para que ela sussurrasse algo em meu ouvido.
–Por que ele é tão rabugento assim? Por acaso alguém tocou fogo na cara dele e apagou com um pedaço de pau? Ele tem cara de homem do saco, fiquei com medo agora- oh céus, eu nunca ri tanto em minha vida depois dessa. Quase tenho um ataque de asma de tanto gargalhar, só me controlando depois de um enorme copo d'água.
–Que foi, San?
–Nada, amor- aliviei Quinn, que me olhava preocupada- Hey, Beth, relaxa, eu a protejo, ta?
–Ufa, fiquei aliviada agora. Spasibo, San- ela pôs a mãozinha no peito e se afastou fazendo careta feia para Enzo. Beth era uma figura.
–Pois bem, recalcado, se não quiser ouvir que tape os ouvidos, mas o negócio é que, pessoal- peguei a mão de Quinn que tinha a aliança e beijei demorado. Ela me fitou com ternura- Quinn e eu vamos nos casar.
–No créo!- Nilo pôs a mão no peito, indicando alto grau de surpresa- Isso é sério tampinha?
–1000%, hermano- fitei Quinn para complementar a explicação-De repente o esverdeado da vida passou a ser minha cor preferida.
–Ownnnn, que gay! Me abraça, sua vadia- Kitty disse, levantando-se para me abraçar e em seguida Quinn, nos parabenizando- Santana é vadia forever, mas Quinn é um amor. Nem sei o que você viu nessa cachorra, loirinha.
–Se tivesse transado comigo no colegial não teria tal dúvida.
–Ai, que safada- Kitty fingiu estar ofendida, estreitando o olhar pra mim- Nem se eu quisesse, na época você estava com a monga, a mulher gorila anã.
–Nem me lembre desse detalhe- fiz careta, lembrando-me do ser minúsculo a mesa.
–Não falem como se eu não estivesse aqui, suas idiotas- Rachel levantou zangada e rispidamente afastou a cadeira que quase a fez cair. Ela atravessou a cozinha com uma cara de possessão demoníaca, empurrando quem estivesse por perto. Kitty e eu fizemos caretas engraçadas por isso.
–Tampinha- Nilo me agarrou apertado e beijou o topo de minha cabeça- Estou tão feliz por você. Um dia desses corria bebê de fraudas fazendo strep-tease pela casa e agora anuncia que vai casar. Estou me sentindo velho agora.
–É a realidade batendo na porta, mano- ele riu, dando tapinhas em minha costas.
–E você... Quinn, chica muy brava. Conseguiu enfim domar esse ser esmiliguido. Vem cá, deixa eu te apertar, cunhadinha- Quinn sorriu timidamente, aceitando o abraço caloroso de meu irmão mais velho- Geralmente parabenizamos quem vai casar, mas como estamos falando de Santana, o que te dou é um belo de um boa sorte. Ela é doida como uma mula drogada.
–Menos, Nilo- fiz cara feia pra ele que caçoou em retorno. Quinn e eu fomos recebendo os parabéns de todos com muita alegria. Ela foi se soltando aos poucos já que era muita tímida para certos tipos de comentário- e pode ter certeza de que não faltou nenhum que não a deixasse extremante vermelha de vergonha. Com a mamãe ela era mais de papo, de um jeito ou de outro elas se entendiam. Pode ser considerado bom isso, já que eu não tinha assunto algum com minha progenitora, ou seja lá o que ela era... Parideira? Barriga científica para gerar um ser ordinário? Urgh!
Beth parecia estar mais animada do que a gente com o noivado, dando uma pequena pausa para um russo piti quando descobriu que havia esquecido de dar play na câmera no momento que contei sobre o noivado a todos. Ela só se acalmou quando eu a tranquilizei dizendo que a tornaria a responsável pela filmagem de toda a cerimônia do casamento.
–Stop, povo de Deus, quero me pronunciar- Nilo subiu em uma cadeira para falar- Testemunhamos hoje um milagre dos céus já que nossa querida Santanita arranjou alguém que lhe aturasse e suportasse sua cabeça sequelada da queda do Pegasus, e detalhe: Esse alguém é mais são do que todos nós juntos, então uma missa será celebrada ao santo forte que conseguiu esse acontecimento divino. Por isso daremos um grande churrasco para família e amigos.
–Chato- chutei a perna da cadeira, o que quase derrubou Nilo, pois ele pulou a tempo- Pô, cara, você é o mais velho aqui, aja como tal.
–Ai, eu me amo- depois de rir feito um retardado, ele continuou- Pois bem, precisamos comemorar esse grande passo na vida de vocês, ainda tão jovens.
–Mas grandes amantes, não é amor?- complementei, abraçando Quinn pela lateral.
–Completamente- ela concordou envolvendo minha cintura com o braço.
–Amém- Kitty brincou como estivesse em uma missa- Glória e aleluia, irmãos. Santana vai desencalhar. As prostitutas de Nova York vão passar fome agora.
–Agora eu me zanguei- soltei Quinn para tentar pegar Kitty e fazê-la pagar pela brincadeira.
–Socorro, ela vai me matar.
–Não corre não, loira falsificada- ela correu para o quintal e eu a segui, rapidamente a alcançando, pulando em cima dela com o que a fez cair no meio do capim. Voltamos minutos depois com Kitty em meu ombro, toda suja de barro, lama e capim- Agora sim, me vinguei.
–Sua grossa! Amor, ela me esfregou em um monte de barro- ela disse chorosa, tentando abraçar Nilo que a impediu antes disso.
–Eww... Você está fedendo a cachorro molhado- ele tampou o nariz, segurando na parte de trás da blusa dela- Pro banho, senhora minha mulher.
–Chato... odeio esses Lopez. Veja bem onde está se entrando, Quinnzinha.
–Tudo bem, Kittynha. Vem, eu ajudo você. Santana mal- Quinn disse brincalhona, acompanhando minha cunhada para auxiliá-la no banho- Comporte-se, Santana.
–Vou sim, mamãe.
– Bozhe moy! (Oh, meu Deus!)- Beth disse ao se depar com Quinn e Kitty na escada- Minha nossa, que urubu grudou em você e morreu, titia Kitty? Urgh!- ela tampou o nariz e saiu fazendo careta de nojo- San- chegou perto de mim e ficou pulando.
–Que foi, pererequinha loira.
–Tem um troço apitando lá no quarto. Achei que fosse uma bomba e saí correndo- parou com um semblante intrigado- Não sei por que, mas nós russos temos uma aversão tremenda a bombas.
–Tudo bem, obrigada, bonequinha. Fique aqui com seus tios, ta?
–Ok, San.
Suspirei pesado.
Tava demorando!
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Cheguei rapidamente no quarto e tive a certeza do que Beth falava. Era o famigerado do aparelho que enfim havia ressussitado e agora brilhava e apitava como um louco. Tratei logo de inserir a senha a ele para uma análise mais forte em seu interior. Antes que eu fizesse isso, Quinn apareceu do nada e minha reação foi de esconder o aparelho debaixo do travesseiro e consertar minha postura na cama. Mas quem disse que minha ótima coordenação motora deixou?
–Santana?
–Puta que pariu!- cai pra trás de um jeito desastrado, derrubando as coisas da mesinha perto da cama. As pernas quase acertaram minha cara- Ai, rachei a coluna.
–Céus, San- Quinn se espantou com a cena, correndo para me ajudar- Você está bem?
–Não sinto as pernas. Acho que fiquei paralítica.
–Não seja exagerada, foi a mesinha que prensou suas pernas na cama- começou a empurrar a mesa para me soltar- Vem cá, desastrada- me ajudou a levantar enquanto eu fazia careta de dor- É pior que criança, está merecendo uns cascudos.
–Adoro quando você é delicada comigo. Fico te desejando loucamente.
–Engraçadinha- ela passou por mim, indo até sua maleta granfina. Eu ri dolorosamente, pois doía meu traseiro e costas pela queda sem vergonha- O que você estava aprontando para ter se assustado daquele jeito?
–Eu?
–Sim- cocei a garganta, querendo driblar a loira que me olhava desconfiava.
–Nada, só, humm, estava procurando um... um... um... — passei a mãos nos cabelos sob o olhar pesadamente questionador de minha noiva, que agora cruzava os braços e estreitava o olhar- Umaaaaaa- fui procurando algo por perto e nada vinha- Um... Um xarope. Isso, procuro um xarope. Estou me sentindo meio gripada- Quinn me encarou por minutos, com uma desconfiança gritante- Cof cof cof... Garganta chega ta ardendo.
–Hum, certo. Acho que eu tenho um aqui na bolsa- ela franziu os lábios, virando-se para pegar o remédio na bolsa. Fui me afastando devagarzinho até pegar o aparelho e escondê-lo na parte de trás do jeans- Toma.
–Obrigada, amor- fui até ela, lhe dei um selinho e peguei o vidro pra começar a correr.
–Espera!- virei para ela- Não vai tomar?
–Agora?
–Sim, aqui na minha frente- voltou a cruzar os braços com um sorrisinho psicopada. Ferrou! Vou ter que tomar esse diacho.
–Ah, pishhh, claro que vou tomar aqui- miséria!- Gostosinho- derramei um pouco do líquido na tampinha- Humm- fingi uma carinha de satisfação e entreguei o remédio pra ela- Tchau, amor.
–Tchauzinho- ela sorriu satisfeita e eu saí correndo feito uma louca pra cuspir o que restou daquilo em minha boca.
–Diacho ruim do caramba. Essa merda tem gosto de borracha com sovaco suado. É por isso que criança não gosta de remédio, ui.
Saí fazendo careta até meu carro, recolhendo o último chip encontrado e rapidamente o conectando ao aparelho para análise. Quando a bolinha que ficava girando carregou, um mapa surgiu dando zoom em um lugar específico que me fez quase estourar os olhos.
–Ferrou, ferrou e ferrou de novo.
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Quando anoiteceu, a casa estava abarrotada de gente, dentre eles muitos familiares e amigos nossos. Beth estava em uma animação que não lhe cabia. Ela muito facilmente fazia amizade, por seu jeito simpático e engraçado. Fui lhe apresentando a todos que me eram mais chegados até avistar minha abuela toda charmosa com seu vestido preto com bolinhas brancas.
–Vem cá, bonequinha. Deixa eu te apresentar minha abuela- ela assentiu, pegando minha mão para irmos até dona Alma.
–Santanita.
–Oi, abuela- lhe dei um abraço apertado- Como se sente?
–Muito bem. Rejuvenescida, na verdade. Aqui tem tantos jovens que me sinto uns trinta anos mais nova- eu ri concordando.
–Pois é, abuela, nem parece que a senhora tem trinta.
–Ai, meus trinta anos- ambas rimos e eu a beijei no rosto.
–Quem é essa gracinha de criança, hija?
–Ah, desculpe. Essa é Beth, abuela. Minha bonequinha.
–Muito prazer, cariño- minha avó estendeu a mão para que Beth pegasse- Você é muita linda, sabia?
–Spasibo, abuela- dona Alma sorriu intensamente- Posso lhe chamar assim, não? Porque como Santana também é minha mamãe eu achei que eu pudesse chamar a senhora assim e... Agora estou com vergonha- ela havia ficado extremamente vermelha e se encolheu a mim. Peguei ela no colo e a abracei apertado, beijando sua bochecha. Meu peito parecia inflar pelo o que ela havia falado de mim. Engraçado, eu não queria ninguém e acabei arrumando mulher e filha, de uma vez só. Isso chegava ser assustador.
–Claro que pode me chamar assim, hermosa- vovó acariciou o cabelo de Beth- Vou amar ser sua abuela também. E, Santana, por que não me falou que tinha uma filha?
–Essa é de coração, abuela. Estava feliz demais para contar.
–Merece umas palmadas- Beth e eu rimos- Agora vou deixar vocês para dar um abraço em sua noiva. Tem bom gosto, Santanita.
–Obrigada, abuela. Hasta luego.
–Hasta luego- me beijou na bochecha e nos deixou.
–Entãooooo- me virei pra Beth- uhmm, sou sua mamãe também?
–E não é?- ela franziu o cenho enquanto eu a olhava com ternura.
–Enquanto você quiser.
–Pode ser pra sempre?- ela corou, apertando as mãozinhas uma na outra timidamente.
–Você não existe, sabia?- beijei demorado sua bochecha, passando a morder seu pescoço de maneira brincalhona.
–Nossa, nem me convidam para brincar- Quinn apareceu fazendo cara de triste- Perdi meu bebê.
–Não, mama, vem cá.
–É, mama, vem cá- Beth disse carinhosamente, totalmente o meu contrário, que a olhei com pura malícia. Quinn riu.
–Falavam sobre o quê?
–Acho que sobre o futuro- entortei a boca olhando para Beth- Preciso começar a pensar aonde vamos morar com nossa filha. Ela precisa de um lugar amplo e confortável para crescer bem.
–Nós pensaremos em algo, amor, mas... Espera, você disse nossa filha?
–E não é? Olha só, minha cara a menina- encostei minha bochecha na de Beth para comparar nossas feições- Não é, bonequinha?
–Aga, igualzinho, mama- eu ri do sarcasmo que ela impregou nas palavras. Quinn estava calada, apenas nos observando sem nenhuma expressão.
–Quinn?- só bastou eu chamar por ela pra que fizesse careta de choro e um bicão ameaçando que só pioraria- Hey, não... Pára, não chora. Quinn Fabray, seja macho, engole esse choro. Mulher, vou te beliscar.
–Pára, eu sou muito emotiva- ela bateu em meu ombro, abanando o rosto por causa das lágrimas.
–TPM- Beth e eu dissemos juntas, rolando os olhos ao mesmo tempo.
–Bora dançar?
–Ihuuuuuu- Beth se animou e eu a coloquei no chão para correr até a pista de dança.
–Hey, delícia... Que tal um rala bucho com sua morena?- comecei a dançar envolta dela sensualmente, e logo segurou minha cintura e se apertou em mim- Beijo?
–Beijo- segurei seu maxilar e fundi nossos lábios em um beijo apaixonado. Não demorou muito para que nossas línguas se tocassem e fizessem festa.
–Amo sua boca- pausei um instante para deslizar os lábios pelos seus preguiçosamente- Amo você inteira... E agora quero sexo.
–Céus, você é incansável.
–Vá se acostumando, Fabray- dei uma piscada marota, sentindo em seguida Quinn dar uma palmada em meu bumbum- Ai.
–Sabe, não irei reclamar desse fato- foi sua vez de piscar, com aquela pitadinha gostosa de safadeza enquanto se afastava e ia até Beth.
–Oh, glória... Obrigada, papai do céu- uni as mão em agradecimento e fui me juntar a minhas garotas na dança animada ao som de Taylor Swift. Dançamos por muito tempo, em uma diversão que há anos eu não tinha e isso era perfeito. Beth havia se tornado a sensação do momento. Todo mundo queria falar com ela, tirar fotos, acompanhá-la em suas dancinhas estranhamente fofas e mais ainda apertá-la como nunca, pois ser mais doce e delicado como ela não existia. Eu acompanhava tudo com um olhar bobo, principalmente agora que minha noiva e a pequena dançavam animadamente juntas enquanto cantavam também.
–Orgulhosa?
–Morrendo- Rob apertou meu ombro carinhosamente.
–Fico feliz por vocês, muito. Te falei que a felicidade logo logo as alcançaria.
–Uma hora ou outra eu ganharia algo favorável, não acha?- ele concordou com um gesto de cabeça- O que achou do meu pedido? Precipitado?
–Não vou mentir, eu achei sim precipitado- cocei a orelha, concordando- Com tudo acontecendo, depois de tudo que descobriu e tudo que ainda tem de enfrentar, eu de princípio achei que você tinha abilolado de vez- ri pelo nariz, adentrando as mãos nos bolsos de minha jaqueta preta- Mas daí eu parei pra pensar e vi que pode ser sim precipitado, entretanto, nunca é cedo demais ou tarde demais quando temos algo tão importante em nossas mãos e queremos que fique ali pra sempre. Te entendo, de verdade. Fico muito feliz por vocês.
–Obrigada, moleque. Amo que eu tenha você pra me entender, é o único.
–A gente se entende, bro- ele disse imitando happer e a gente riu por isso, batendo os punhos.
–Mama, mama, vem dançar com a gente, aga?
–Ah não, bonequinha. Estou cansada.
–Só um pouquinho, San- ela fez um bico adorável- Por favorzinho.
–Oh Dios, vamos- suspirei vencida, a acompanhando.
–Obaaaaa.
–Se ferrou, cabeça- Rob gritou zombando e eu devolvi com um gesto obsceno, lhe mostrando o dedo do meio. Me juntei a elas e Quinn me recebeu logo com um selinho. Dançamos por mais algum tempo até eu sentir algo estranho dentro de mim ir crescendo até surgir uma dor forte abaixo de minhas costelas, no lugar da picada inconveniente. Tentei desfarçar a dor, mas começava a se tornar insuportável.
–Eu... hum, eu vou dar uma saída, amor, já volto- Quinn me segurou pelo braço.
–O que foi, San? Você está pálida.
–Nada, apenas um mal estar, só preciso de água- acariciei seu braço para tranquilizá-la, tentando sorrir.
–Amor...
–Hey, já volto. Fica com nossa pequenina aí se divertindo. Te amo.
–Te amo também- lhe dei um selinho demorado e saí correndo em disparada até a cozinha de casa. Mal cheguei nela e já fui despejando tudo que eu havia comido nas horas anteriores na pia da cozinha. Minhas costelas ardiam, mas não mais que minha cabeça, esta parecia pegar fogo.
–Ai, droga. Pára- eu gritava em mais uma onda de vômito- Pára, pára, pára, pára- comecei a socar a lateral da pia por tamanha dor que eu estava sentindo. Pingos de sangue vindos de meu nariz começou a pingar em minha mão e rapidamente limpei com as costas da mão, sujando até a bochecha- Deus, eu vou morrer.
Começou a doer o corpo todo, e no meio de tremedeiras infinitas, encostei a cabeça na pia, tentando me concentrar em afastar a dor tremenda. Fiquei minutos torturantes naquela agonia até tudo ir cessando aos poucos. Agora foi o alívio que me tomou, o que quase me fez chorar- Oh, droga, se vou morrer, por que não vou logo?- fui até a geladeira e tomei um gole grande de água- Mas olha, não vou dar esse gostinho para o capeta não- a blusa por debaixo da jaqueta estava suja de sangue, então a tirei e joguei no lixo. Retornei assim aonde todos e curti o restante da noite na festa em comemoração do meu casamento com minha loira. Ela reclamou infinitamente pela falta da blusa que joguei fora e eu dei a desculpa de que a havia sujado de ketchup.
Depois de muitos brindes de um Nilo alcoolizado, a festa acabou lá pelas duas da manhã e todos foram embora. Os de casa foram dormir, eu principalmente. Levei Beth já adormecida até a cama e lhe coloquei um pijama depois de tomar banho e dar o lugar a Quinn, que voltou minutos depois mais cheirosa e gostosa que nunca. Ela deitou do outro lado da cama, se esgueirando por Beth para me dar um selinho.
–Humm, cheirosa- ela sorriu suavemente, se acomodando a seu lugar- Amor?
–Oi- ela murmurou sonolenta.
–Preciso te contar algo- eu tinha uma careta alarmante, o que a fez me fitar preocupada.
–O que foi?
–Tenho duas notícias para dar a você. Uma boa e uma má. Qual quer primeiro?
–A que eu não pule em seu pescoço e estrangule você- não pude deixar de rir por essa- A boa, por favor.
–Hum, achei o penúltimo chip.
–Que bom, amor. Aonde estava?
–Com o doutor morte.
–Ok, isso é ótimo. Mas por que parece que você não está contente?- eu respirei fundo para responder.
–Porque ao analisar esse chip no rastreador, que por acaso veio dar sinal de vida agora, descobri onde está o último chip- Quinn esperava ansiosa pela resposta. Apertei os olhos temerosa pela reação dela ao saber- Humm... Nova York- eu esperei por um surto daqueles, um grito ensurdecedor, tapas sinistros e até mesmo uma tentativa de homicídio a minha pessoa- coisas normais que Quinn faria- mas no lugar de uma revolta épica, apenas senti seus lábios se pressionarem contra os meus carinhosamente.
–Tudo bem, amor. Vai dar tudo certo, não se preocupe- a olhei um tanto incrédula pela reação tranquila, tentando sorrir, o que mais pareceu uma careta de prisão de ventre.
–Eu sei que isso vai...
–Não, não fale nada, por favor- ela pediu suavemente, voltando a seu lugar, encarando o teto- Só me prometa que me amará depois de tudo.
–Eu sempre vou te amar, loirinha- acariciei seu rosto delicamente.
–Isso já me é o bastante, San- sorri para ela, tendo o princípio de um tranquilo sorriso de sua parte- Boa noite, San.
–Boa noite, minha loira.
New York... New Yoooooooork...
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