Ligadas pelo destino

33 Capítulo 33- Tormenta sem chuva


Notas iniciais
Yuuuuupppppp, quarta recomendação, cambada. Ihuuuuuuuu... Lana lina, te amo... Quer casar comigo? A gente vive de pimenta com goiaba, ihuuu, vamos morar em um arco-íris pomposo, rodeado de borboletas coloridas, ai que tudooo... ih, pirei... kkkk brincadeira... brigadão, gatinha guapíssima. Fico imensamente feliz que eu consiga fazer alguém tão legal, tão especial e bacana quanto você é, gostar de minhas loucuras coisasadas. Um grande beijão em seu coração e no de todos que acompanham, comentam, curtem, recomendam por aqui e para os amigos. Assim vocês fazem um coração doido e coisado muito feliz, de verdade. Então vamos lá pra mais um... Simboraaaaaa...

Fazia frio... Muito frio. Meus olhos não queriam abrir, meu corpo inteiro não queria que eles fizesse isso. Eu não me sentia bem. Nada em mim estava bem... Nada. Sentia como se minha cabeça estouraria se eu a movimentasse o milímetro que fosse. Mas por que, apesar de tal angústia em mim por inteiro, eu me sentia tão leve?

"Abra os olhos... Abra-os logo, Santana".

Algo em meu interno gritava incessantemente em tal enervação que me doía por completo. Em um pesar alucinante, minhas orbes se deixaram visíveis e um céu escuro como o de um apocalipse se ergueu a minha vista. Trovões irados estouravam meus ouvidos, o que me fazia tentar tampá-los com as mãos, mas sem sucesso... O barulho estava dentro de mim.

Me percebi imersa em algo extremamente frio. Ao olhar em meu redor, avistei muita água... Turva, um aspecto negro, não sei que cor era aquela, só que não dava para distinguir ou ver o fundo.

–Aonde eu estou?- perguntei para o vazio acima de mim e obtive como resposta apenas um grande estouro de um trovão e um clarão que quase me cegou de um relâmpago- É uma tormenta sem chuva... Droga de dor de cabeça- novamente eu fechava os olhos, em uma confusão atormentante. Estava perdida, não estava? Ou havia morrido e aquilo era o inferno?- Oh céus, papai. Você veio me levar?

–San!- ouvi ser chamada ao longe e, minha nossa, era Quinn- San!

–Quinn?

–San- passei a flutuar ereta naquela água estranha e vi a silhueta de minha amada na ponta de uma praia de areia clara e muito limpa.

–Quinn, aonde eu estou?- questionei, vendo-a acenar suavemente para mim, com um sorriso lindo, que só ela sabia dar.

–Venha, San- eu nada entendia, apenas a encarava dali. De repente vi seu semblante mudando para angustiado. Algo atrás de mim a preocupava.

–Oh céus!- expressei ao notar uma enorme onda que se formava a minhas costas. Passei a nadar freneticamente até a praia, mas o grande volume de água já me acompanhava bem de perto- Droga!

–San- Quinn agora gritava desesperada- Volte para mim, amor.

–QUINN!- a onda já me arrastava para o alto.

–Volte para mim, amor... Apenas volte.

–Quinn, não... Pára, me solta. Pára, pára...

–San, o que foi, amor? Pára, você vai se machucar- eu estava em uma agonia maluca, tão grande que não havia percebido que estava sonhando e agora me debatia como uma louca na cama enquanto Quinn tentava me controlar- Calma, sou eu.

–Onde, onde...

–Shiii... Respira fundo, foi só um sonho. Estou aqui com você, querida- ela me puxou para que deitasse em seu colo e então começou a acariciar meus cabelos com todo o carinho do mundo. Eu estava ofegante e um bocado atordoada, mas com o carinho infinitamente bom que Quinn me fazia, logo fui me acalmando- Melhor agora?

–Uhum, obrigada.

–Disponha- murmurei ao agora ela massagear meus ombros e depois o pescoço. Era tão boa aquela sensação que Quinn me proporcionava, que estava quase agradecendo por ter tido aquele pesadelo atordoado e no fim ter ganhado tal atenção. Mas não foi nada legal.Não mesmo- San?

–Hum?- murmurei já quase caindo no sono novamente.

–Quer falar sobre isso? Você pareceu perturbada- suspirei demorado.

–Não precisa, gatinha. Foi só um pesadelo.

–Tem certeza?

–Tenho sim, agora me ame- beijei seu ventre, o que a fez soltar uma risadinha- Beth faz falta nessa cama.

–Faz sim- ela concordou acariciando meu cabelo. Havia passado dois dias depois da festa. Buscávamos coragem para retornar a Nova York e deixar essa calmaria para trás, então afastamos isso de nossos pensamentos durante esses dias, para tentar aliviar um pouco a tensão e nos dar um tempo a mais para curtir nosso recente momento de um compromisso bem mais sério. Beth hoje foi dormir com Kitty a pedido da mesma, pois havia se apegado demais a menina e queria um tempinho para curtí-la e de acordo com a loira ''fazer um teste de maternidade'' para ver se ela prestaria um dia como mãe. Desse fato eu discordei completamente. Kitty mãe seria um apocalipse zumbi. Pobre criaturinha que sair daquela loira cachorra- Temos que nos acostumar a isso. Beth é bem quista.

–Pudera, é tão doce e amável. Por que você não se inspira nisso, hein meu limãozinho azedo?

–Chata- eu ri enquanto ela se emburrava- Pelo menos não sou uma ogra como você. Delicadeza zero.

–Ai, desculpa dona "sou toda educada e granfina''- fiz aspas no ar ao me sentar na cama- Sou ogra, mas nunca te deixei faltar carinho. Mas quanto a você, senhorita delicadeza, só me dava patadas e mais patadas- Quinn cruzou os braços, me fitando meio contrariada.

–Se estivesse no meu lugar faria o mesmo.

–Se estivesse no seu lugar eu me agarrava- deslizei mais pra perto dela- Olhe bem e concorde que eu sou uma coisa de gostosa.

–Oh céus, que metida- revirou os olhos com um sorrisinho de deboche pairando em seus lindos lábios.

–Mas antes metida do que sexualmente encubada.

–Falou a nerd sem graça da turma de engenharia.

–Ui, desdenhosa- franzi os lábios, sentando-me de costas para ela- Aposto que era daquele tipinho superior no colégio.Humm... Chefe das líderes de torcida, acertei?

–Sim, eu fui, por que?

–Já era de se imaginar. Narizinho empinado nada.

–Eu sabia onde era o meu lugar, minha cara- afastou alguns fios de cabelos para o lado.

–E eu o meu e não era com o seu tipo. As esnobes nunca foram minha praia.

–Que pena pra você, então não deve ter tido uma boa época escolar- levantei da cama e sorri perversa pra ela.

–Não, foi sim. Esnobes nunca foram minha praia, como eu disse- me apoiei na cama para fitá-la maliosamente- Mas isso não me impedia de transar com elas nos armários da escola.

–Uhh, eu vou matar você, Santana Lopez- ela rapidamente se levantou na cama e saltou sobre mim, enrolando suas pernas em minha cintura- Você não presta, minha nossa.

–Santa madre de Diós- eu praticamente chorava de tanto rir pela cara de zangada de Quinn enquanto me sentava umas bolachas e eu tentava me defender protegendo o rosto com os braços. Rolávamos no chão feito duas crianças, até que eu não aguentei mais de rir e segurei seus pulsos para pará-la- Ta bom! Ok, já chega. Vai me matar de tanto rir.

–Sem graça- ela se remexia em meu colo para se soltar, porém acabou desistindo e ficou ali mesmo.

–Hey, emburradinha... Eu estava brincando- ela revirou os olhos e se sentou melhor em meu colo. Apertei suas coxas macias- Você é muito gostosa, sabia?

–Ah ta.

–O que?- perguntei ao notar sua ironia.

–Nada. Só acho que devia ter algo bem melhor antes- eu nada disse, apenas girei nossos corpos para agora ficar por cima, entre suas pernas. Deslizei sensualmente por seu corpo até atingir seu pescoço com beijinhos intercalados.

–Não existe nada melhor que você, loira.

–Se diz.

–Digo e repito, meu anjo-continuei a beijar seu pescoço, agora com mais intensidade- Seu cheiro me fascina, sabia? Ele me prende a você- eu aspirava todo aquele aroma delicioso de minha amada como se pudesse sugá-lo todo pra mim- Que insano, Deus. Quero tanto você, esse seu corpo macio, que até parece loucura.

–Isso é bom- Quinn falou pausadamente, tão entregue a esse momento quanto eu- Pois meu corpo não vive mais sem uma carícia sua.

–Brindamos a isso com uma bela noite de amor, que tal?- dei uma breve sugada no lóbulo da orelha de Quinn, que a fez pesar a respiração.

–Mas e seu pesadelo? Achei que precisasse de um tempo para...

–Shiii- a calei pairando meus lábios sobre os seus. De olhos fechados ficamos naquela posição de conexão mental, sexual, de amor ou seja lá o que fosse, só que era muito bom estar assim com ela, principalmente agora que eu a sentia acariciar minhas costas suavemente. Essa mescla de coisas já deixava meu corpo por completo aceso, e ele ardia... Céus, ele ardia tanto por ela- Pra quê pensar em pesadelos se tenho meu sonho se tornando realidade bem aqui colado a mim?

–Droga, você me deixa boba assim- eu ri, beijando delicamente seu queixo.

–Prefiro quando te deixo excitada- foi a vez dela rir. Como resposta, Quinn arranhou minhas costas de cima à baixo sem pudor algum, o que me fez soltar um gemido forte entre dentes.

–Então se esforce mais, latina- Quinn fez menção de morder meus lábios, mas esquivei o rosto no último instante, como provocação.

–Tisc tisc, loirinha... Está brincando com fogo agindo assim.

–Nossa, que perigoso- ela fingiu se preocupar com isso, levando a mão ao peito e fazendo careta. Eu sorri de canto- É muito quente?

–Sem dúvidas.

–Uhhh- a loira mordeu o canto dos lábios, com uma expressão de falsa reflexão- Hum... Então está esperando o que para me queimar, latina?

–Diós!- gargalhei, balançando a cabeça negativamente- Me dá aqui essa boca.

–Ela é toda sua- Quinn arqueou o corpo e me tomou um beijo voraz, daqueles que tira o fôlego logo de início. Depois que suas pernas envolveram minha cintura e me puxaram mais pra si... O céu era o limite para nosso desejo agora.

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Depois de um intenso restante de noite e um bocado da madrugada maravilhosa de amor naquele chão, Quinn adormeceu em meus braços, dormindo feito um passarinho novo. Ficamos ali por um tempo aproveitando aquele momento perfeito de tranquilidade, até que o frio pesou e Quinn se encolheu a mim feito um bichinho à procura de calor. A peguei no colo, repousando seu corpo delicado, com mais delicadeza ainda, em minha cama e me juntei a ela logo em seguida, tendo-a em meus braços como se tivesse medo de que eu escapasse.

Quinn dormiu pesado, já eu mal preguei o olho. Parecia que havia algo no teto tão interessante que me fez esquecer de como se dormia. Mas não era isso. Tirando o fato de que eu acabei encarando o teto por horas, aquele meu distúrbio de sono vinha de uma mescla de tantas coisas, que se eu fosse listar aqui, isso tudo iria parecer abc pra criança. A de Ai que badalo infeliz, B de essa Birosca da porra e C de vou tomar no Cu... pido no final dessa confusão toda. D de David Karofsky quer fuder com minha vida, E de É ruim que eu vou deixar e F de formiga. Que formiga? Eu sei lá. To nem aí pra formiga nenhuma. Mas dizem que faz bem pra vista, hummmm...

Levantei logo cedo. Estava com uma dor horrível no estômago. E o pior disso tudo, era que começava assim: Dor de estômago, tontura, costelas rasgando, cabeça queimando e eu querendo morrer no fim. Parecia que só piorava a situação, pois até minhas feições começavam a denotar essa meu novo estado, o de definhação.

–Argh, estou com a maior cara de doente. Era só o que me faltava- eu fazia careta de frente ao espelho quando iria começar a escovar os dentes- Não, Santana, você é o experimento científico mais perfeito já inventado. Papai sabe o que faz- resmuguei imitando a voz de Quinn e fazendo aquele seu jeitinho inglês fresco- Não, que é isso... Você se cura rápido, só evite uma dor de estômago pra não acabar morrendo de tanto se avacuar sem limites, chamando o Raul abraçada ao vaso parecendo um canguru com hemorróida. Nhé nhé nhé- fiquei uma porção de tempo naquilo, analisando meu rosto surrado pelas sensações horrorosas, cutucando aqui e ali, até que a porta do banheiro se abriu e revelou Quinn com uma carinha muito linda de sono, que deu o lugar a uma careta intrigada ao me fitar ali- Oi!

–Oi- ela franziu o cenho se aproximando- Deu pra falar sozinha agora também?

–Hum... Estava meditando.

–Sei...- ela disse de forma longa, se colocando ao meu lado na pia- Doida!- fingiu uma tossidinha para caçoar de mim com isso.

–Doida é a mãe- Quinn revirou os olhos, passando agora a escovar os dentes.

–Por que acordou tão cedo? Deu formiga na cama?

–Sei lá, só não ando muito afim de dormir esses dias.

–Mas você ama dormir- cuspiu a pasta e lavou a boca logo em seguida.

–Coisas da vida, amorzinho.

–Você anda muito estranha, Santana- Quinn apoiou os cotovelos na pia para me fitar pelo espelho- Devo me preocupar?

–Nada. Ó, tem pasta aqui- apontei pra ela, que passou a procurar aonde estava sujo pelo rosto.

–Aonde, não vejo nada.

–Bem aqui- pinguei um pouco da pasta no dedo e passei pelo nariz de Quinn até sua testa.

–Santana!- ela reclamou boquiaberta.

–Olha que "bunitinho''. Devia usar mais isso.

–Ora, sua... — corri pra fora do banheiro desviando de todos os objetos que Quinn me lançava, rindo à toa por isso. Ela ficou por lá mais um tempo e eu resolvi dar umas olhadas em alguns mapas para procurar formas de chegar em Nova York em menos tempo, por rotas alternativas. Estava deitada de bruços na cama, rasbiscando algumas coisas no mapa até que Quinn saiu do banheiro, me olhando de uma forma engraçada.

–Bom dia, minha loira.

–Não me venha com ''bom dia, minha loira'', sua safada. Me sujou toda de pasta.

–Você supera- dei de ombros, voltando ao mapa- Mas olha, saiba que eu adoro cheirinho de menta de manhã.

–Então passe em você, oras- ela andava pelo quarto quase nas pontas dos pés. O balé saiu dela, porém a mesma ainda parecia imersa a ele. Seu jeito leve e delicado de andar a entregava. Eu achava isso até fofo e atraente de sua parte. Um grande charme em uma mulher forte, mas tão doce quanto morangos com chantilly. Extremamente delicioso.

–Oh mulher brava, nah- zombei, circulando mais um ponto no mapa com a caneta- Pára de me encarar assim, assusta.

–Encarar como?

–Assim- eu fiz uma cara emburrada então em seguida a transformei em uma apaixonada, tenra, como ela sempre fazia ao me encarar- Depois a doida sou eu. Você muda mais de semblante do que a Cher de aplique e peitos.

–Super nada a ver isso.

–Só mostro a verdade.

–Não mostra não, exagerada- eu ri pelo nariz, observando-a se olhar no espelho. Mesmo de manhã, com os cabelos bagunçados e usando minha antiga blusa larga dos Dallas Cowboys, meu time de futebol americano preferido, Quinn ainda parecia uma princesa saída daqueles contos de fadas perfeitos, porém mais ainda encantadora- O que você faz aí?

–Te admirando?

–Me refiro ao mapa- apontou para o mesmo sob mim.

–Traçando rotas mais rápidas até Nova York- bati a caneta inquietamente no papel, em uma análise bem profunda das rotas principais.

–Deixe isso de lado pelo menos por agora, amor. Outra hora eu verifico isso com você, precisamos descansar de toda essa loucura corriqueira que tivemos até agora.

–Prefiro fazer isso agora, loirinha. Quanto antes eu cuidar dessa pendenga, mais rápido eu saio dela- eu mantinha meu olhar fixo ao mapa sem ao menos piscar, já sabendo que Quinn me encarava querendo meu couro por contradizê-la.

–Santana.

–Quinn- usei de seu mesmo tom de voz repreensivo e ela bufou impaciente.

–Por que não relaxa agora?

–Talvez quando eu morrer.

–Oh céus, quanta teimosia!

–Olha quem fala- rolei os olhos, sorrindo de canto ardilosa para ela- Me chama de teimosa, mas não fui eu que saí correndo pelo gelo e quase viro um picolé quando a água me engoliu só porque não quis dar o braço a torcer para meus sentimentos.

–Você reclama disso?- ela indagou se aproximando lentamente. Vi uma crescente de malícia em seu caminhar, no seu jeito de me olhar e em sua fala mansa- Eu não.

–Aquilo realmente me assustou, sua loira pancada- fiz cara ruim para ela que apenas riu em resposta- Doida.

–Eu também fiquei assustada, mas, embora o pânico que passei naquela situação, de nada me arrependo.

–Por que? Pois eu fiquei assombrada por dias.

–Humm- Quinn franziu os lábios, subindo na cama e por fim sentando em meu bumbum- Foi vergonhoso para mim, confesso, porém a incrível sensação que me causou quando me entreguei a você, cobriu toda e qualquer situação de terror- se debruçou sobre mim para sussurrar em meu ouvido- Eu passaria um milhão de vezes por aquilo só para ter você em meu corpo mais uma vez.

–Ui, arrepiei- comprimi os ombros, sentindo a espinha gelar por tal coisa- Então ta, de alguma forma foi algo bom para nós.

–Foi algo perfeito, na verdade- deixou um beijinho em meu pescoço para voltar a sentar e agora começar uma massagem gostosa em meus ombros.

–Humm, eu amo sua massagem- deixei um suspiro de apreciação escapar ao mesmo tempo que meus olhos iam se fechando- Mas dessa forma eu não vou conseguir me concentrar no mapa.

–Esse é o objetivo. Você precisa relaxar, agora aproveite.

–Tudo bem, você venceu- joguei o mapa para fora da cama. Quinn bateu palmas, satisfeita em ter me vencido pelo cansaço- Entretanto, eu tenho uma ideia melhor.

–E o que seria?

–Vou te mostrar- cuidadosamente eu me virei para que ela agora ficasse sentada em meu quadril- Bom, agora essa é a parte que você se abaixa e me beija apaixonadamente.

–Boba- ela sorriu intensamente, colocando o cabelo de lado para poder me beijar naquela posição. Assim que nossos lábios se tocaram, senti que todo meu ser se revigorava, dando lugar agora a uma sensação incrível de paz. Quinn apoiou as mãos um pouco acima de minha cabeça, perto da beirada da cama e colou mais o corpo ao meu, aquecendo-nos pelo desejo de mais contato. Nossas línguas logo se encontraram em um sensual, mas apaixonado movimento e por ali ficaram até Quinn encontrar meu lábio superior com os dentes e o puxar de maneira brincalhona, nos fazendo rir durante o beijo. Eu quis esquentar as coisas, então apertei as coxas claras possessivamente, arranhando-as em seguida até subir pelo quadril de Quinn e adentrar a blusa que ela vestia. Ela gemeu contra meus lábios, usando de uma mão para descontar isso em mim ao puxar meu cabelo e morder mais uma vez meu lábio superior. Dessa vez fui eu quem gemeu, apertando ainda mais os dedos contra a pele de suas costelas. Antes que eu chegasse a seus seios e a uma situação ainda mais quente que nós duas sairíamos chamuscadas feito alguém peludo no inferno, ouvimos um pigarreio da direção porta que fez a gente se afastar.

–Mmm, com licença- era Rob, mais vermelho que menstruação, nos olhando em desconcerto. Quinn ficou da mesma forma.

–Algum problema, moleque?

–Não, só que a, hun, mamãe está chamando vocês para se beijarem, digo, para tomar café na cozinha- eu ri da careta de bicho morto dele.

–Obrigada, Rob. Já descemos.

–T-Tudo bem, eu já-já vou- foi sair e bateu a cabeça na porta- Desculpa, desculpa...Eu bati, não foi... Ah, droga, eu... Diós, eu preciso urgentemente de água- Quinn e eu nos entreolhamos, caindo na gargalhada logo em seguida.

–Seu irmão é um fofo.

–Um doido, isso sim. Vai morrer se não transar logo- Quinn me repreendeu com um tapa na perna.

–Pára, ele faz o correto esperando o momento certo para começar a ter relações.

–Mas se ele gosta da Marley e ela dele, não vejo o porque deles ainda não terem feito. É tão gostoso- fui beijar seu pescoço, porém ela me parou no meio do caminho.

–Oh sem juízo, acho que você ainda não percebeu que seu irmão é um cavalheiro e prefere esperar Marley e ele estarem prontos para se entregarem um ao outro, do que acabar não dando certo e ser constragendor e nada agradável para os dois- se ajeitou em meu colo para sair, mas eu a impedi segurando seus pulsos com delicadeza.

–Não foi legal pra você, não é? Sua primeira vez- Quinn pensou um pouco e acenou negativamente com o olhar em uma pontada de tristeza.

–Não, não foi. David não foi nada delicado ou atencioso comigo como você foi em nossa primeira vez. Me senti desconfortável até o final e ainda mais insatisfeita quando acabou. Depois daquilo, demorei um certo tempo para deixá-lo tocar novamente em mim.

–Que imbecil- revirei os olhos. Ela concordou com um sorriso fraco.

–Só não digo que me arrependo completamente por isso, pois amo demais minha filha e não existe maior presente no mundo que Deus poderia ter me dado.

–Vocês duas são um grande presente. Ela teve a quem puxar em seus melhores pontos.

–Obrigada, amor- sorriu levemente para mim, que a beijei demorado em apenas um encostar de bocas- Sua mãe nos aguarda lá embaixo.

–Não estou com fome, prefiro outro tipo de café da manhã- pisquei safada para ela, que soltou uma gargalhada gostosa.

–Safada, não vale nada mesmo.

–Ai, eu to chocada! Que blasfêmia, pishh, eu safada- levei a mão ao peito exageradamente fingida.

–Nossa, e ainda é sínica também. Deixe-me sair daqui, vai que isso pega?

–Se quiser eu te pego.

–Sai, Santana, estou com fome. Quero tomar café- Quinn tentava se desvencilhar de meus braços e só conseguiu porque mordeu meu pescoço e pelo meu estado de fraqueza, deu certo e saiu da cama correndo feito uma doida.

–Oh, Diós... Ferrei legal por essa mulher- encarei minha loira procurando o que vestir no guarda-roupas e supliquei ali baixinho em minha reflexão naquela cama- Não deixe que eu morra e perda a melhor coisa que já me aconteceu. Preciso fazê-la feliz eternamente.

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Descemos um tempo depois e logo nos juntamos aos demais da mesa. Quinn realmente estava faminta, descontava tudo no seu preferido omelete com bacon. Ela tinha um fascínio por aquilo, vai saber. Todos comiam bem, o barulho de tilintar de pratos, talheres e copos indicava isso. Porém eu, ao contrário de todos, olhava para aquela mesa farta e fazia careta de enjoo. Meu estômago estava embrulhado desde cedo, então nada queria entrar agora.

–Amor, não vai comer? Está tudo ótimo.

–Estou sem fome, gatinha. Pode ficar à vontade.

–Ficarei à vontade quando ver você comendo- ergui os olhos e me virei pra ela, negando com a cabeça- Que foi?

–Nada, vou dar uma volta.

–San...

–Que foi, filha? O café não está do seu agrado?- mamãe perguntou, cortando a dura que Quinn me daria.

–Tudo está maravilhoso, dona Maribel. Só estou sem fome- dei de ombros, tentando não manter contato visual com a comida ou colocaria tudo o que já não tinha do estômago para fora. Se duvidar até o estômago iria embora.

–Você está com um semblante abatido... Está doente, filha?

–Uma indigestão, talvez. Mas sem neura, eu to legal- afastei a cadeira para sair- Com licença- não ousei olhar pra trás e ver todos me olhando estranho, principalmente minha namorada e minha mãe, eu ficaria pior assim.

Resolvi dar uma volta pelos arredores da casa, notando a cerca que dava a um enorme pasto, onde alguns cavalos corriam soltos. Talvez aquele ar e aquela vista de pura liberdade me fizessem bem. Apoei o cotovelo na cerca e respirei fundo na tentativa de afastar aquela sensação ruim de meu corpo, que se encontrava dolorido e meio molenga, como se eu tivesse uns sessenta anos de idade. A picada ardeu novamente, o que me fez levantar a blusa e reparar o que raios era aquilo. Havia uma mancha levemente avermelhada que quando eu tocava, mesmo que levemente, ficava dolorida. O que era aquilo? Droga, isso já havia passado da anormalidade e agora beirava a loucura, pois como uma simples picada se transformaria nesse incômodo ordinário? Não era pra ser assim. Nada disso deveria estar acontecendo, não agora que Quinn e eu nos acertamos de vez e vamos nos casar. E melhor ainda, que eu havia ganhado uma amiga/filha mais linda do mundo. Merda de vida!

–San?- por falar nela.

–Bonequinha!- me virei para Beth, usando minha melhor cara de alegria, que não era lá muita coisa, e abri os braços para recebê-la. Ela correu animada até mim e pulou para que eu a segurasse. Mascarei um gemido de dor quando fiz isso- Achei que chegaria lá pelo seis.

–Aga, eu ia, mas algo me disse para voltar logo para ficar com você, minha Tsvetochek (Florzinha)- sorri levemente beijando sua bochecha.

–Obrigada, bonequinha. Você é um doce de dar cárie- ela juntou os ombros de um jeito adorável- Eu estava precisando mesmo de um abraço seu.

–Não seja por isso. Davay, obnimi menya. (venha cá, me abrace).

–Ura! (Oba)- gritei brincalhona, aceitando seu abraço esmagador. Beth envolveu minha nuca carinhosamente enquanto as pernas me agarraram como um bicho preguiça.

–Melhor, San?

–Bem melhor, loirinha. Muchas gracias.

–De nada- Beth acenou com a cabeça cordialmente.

–Como foi sua noite?

–Bem legal. Tia Kitty fez brigadeiro e pipoca para comermos enquanto assistiamos CSI até tarde e depois o tio Nilo me ensinou a jogar video-game e a atirar no simulador policial.

–Nossa, que educativo pra alguém da sua idade- fiz careta para tal coisa- Anota aí pra mim: Matar Nilo e Kitty por ter te enchido de porcaria e por provalmente serem culpados se por acaso você vir a se tornar uma serial killer.

–Não entendi nada.

–Nem queira- ela fez sua famosa carinha de confusão, tombando a cabeça para o lado com o cenho franzido. Eu ri, colocando-a sentada na cerca para que ela ficasse mais à vontade- Mas, tirando o fato que eles poluíram sua mente, nada que eu não faria e Quinn me mataria por isso, você gostou mesmo?

–Aga, eu adorei. Gostaria de um dia repetir.

–Por mim tudo bem, lindinha- acariciei seu rosto delicadamente, tendo-a deitando com suavidade seu rostinho em minha mão por apreciação ao toque.

–Aprendi a dizer mamãe em espanhol com o titio Nilo.

–Foi? Como é?

–Aga. É assim: Mamá. Pronunciei certo?

–Sim, perfeitamente- ela se alegrou com isso.

–Khoroshiy! (Legal!). Pois é assim que a chamarei agora, minha mamá. Quinn mama e San mamá... Um diferencial- sorri de forma tenra pra pequena elétrica a minha frente- Gostou, mamá?

–Eu adorei, bonequinha- trocamos mais um abraço- Você gosta mesmo de mim assim? Digo, nos conhecemos há pouco tempo e foi de um jeito meio conturbado, acabei te tirando do seu pai para te entregar a sua mãe, que também é minha noiva agora, então isso meio que é complexo demais para uma garotinha entender.

–Mas eu ainda não entendo, oras.

–Não?- franzi o cenho.

–Ne, eu apenas sinto cada coisa- a pequena pegou minha mão e deslizou seu dedinho pela palma até o pulso- Assim fica mais fácil não surtar, não acha?

–Eu não sei, por que?- ela riu pelo nariz como se fosse engraçado eu perguntar isso.

–Porque sempre no final alguém surta e estraga tudo. Longe de mim querer ser essa pessoa- mordi o canto dos lábios sentindo cada palavra- Acha que fui eu a causadora da separação de meus pais?

–O que? Claro que não. Por que pensa assim?

–Por medo de estragar o seu com minha mama- a loirinha brincava agora distraida com meus dedos, com um olhar temeroso que me doeu- Papa me disse uma vez que ela foi embora por minha culpa.

–Ai, Deus- peguei sua mãozinha e beijei demorado- Escute bem, meu amorzinho. Primeiramente, seu pai é um grande idiota. E depois, ele não sabe o que diz, pois você é um presente em nossas vidas- agora ela parecia querer chorar, pois seu queixo estava trêmulo- Pais sempre brigam, por infinitos motivos, mas os filhos, bebês lindos como você, de nada têm culpa. São eles que estragam tudo, entendeu? Você nunca faria tal coisa, é meu anjinho do rock.

–Tipo a Joan Jett?- eu ri concordando.

–Tipo a Joan Jett.

–Spasibo, mamá. YA lyublyu tebya! (Eu amo você)- agarrou minha nuca apertadamente- Eu amo tanto você. Me promete que vai ser pra sempre minha mamá.

–Eu prometo, e te amo também, ta?

–Aga- apliquei diversos beijinhos em seu rosto que a fez rir.

–Agora chega de coisas melosas, que tal darmos outro passeio a cavalo?

–Uraaaaaaa!

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POV QUINN

Deus, como estou feliz! Que se exploda David, essa missão, as drogas de segredos e tudo mais... Eu estou tão feliz que chega a dar medo. Às vezes eu me pegava fitando a aliança em meu dedo com um sorriso bobo ao lembrar do pedido de casamento e de tudo que Santana me proporcionou até agora, até mesmo sua teimosia, o tormento que era aguentar seu jeito largado da vida, suas brincadeiras indiscretas e mais ainda seu imã para confusão. Mas quem se importa? Eu a amo e sei que ela também me ama. Nada melhor que isso para se ter em mente.

Estou aqui agora feito uma boba apaixonada, olhando para as mulheres de minha vida se divertindo em um cavalo, apesar disso me preocupar bastante, pois Santana já caiu daquele cavalo antes e pelo que eu soube, a queda foi feia.

–Olha, mama, já sei guiar sozinha- Beth gritou alegre quando Santana entregou a guia do cavalo para ela.

–Parabéns, bebê. Está linda- bati palmas como incentivo. Santana ria como uma criança da desenvoltura de Beth. Dava para notar o quanto elas gostavam uma da outra e essa amizade entre as duas, com tamanha diferença de idade, era tão bonita- Por hoje já está bom, que tal um banho?

–Perfeito. Já te devolvo a loirinha- Santana avisou, sumindo para o fundo com Beth. Subi para preparar o banho das duas, que quando chegaram fizeram uma bela bagunça no banheiro. As duas agora jaziam brincando na banheira espaçosa de Santana enquanto eu apenas as observava do lado de fora, sentada no chão próximo a elas- Não prefere entrar aqui com a gente, mamãe?

–Não, amor. Estou bem aqui.

–Tudo bem, então vem cá rapidinho- ela sinalizou para que eu lhe beijasse fazendo biquinho, e assim o fiz de forma brincalhona. Foi apenas um beijo tenro e comportado, pois minha filha estava logo ao lado, concentrada em seu patinho de borracha- Amo seu cheiro. Está sempre tão cheirosa.

–Pra não perder a noiva- ela riu demorado.

–Nem sob tortura eu te largo, mocinha- bicou meus lábios, me fazendo sorrir com seu jeito bobalhão- Viajamos amanhã, não é?

–Sim, a estrada estará mais vazia nesse começo de semana. Preparada?

–Só se você estiver.

–Estou, meu amor. Pode ficar relaxada- acariciei seu rosto suavemente, tendo os dedos em seguida beijados por ela, em seu jeito gostoso de galanteio.

–Mamá.

–Oi, bonequinha- Santana respondeu carinhosamente. Nos viramos a Beth, que tinha o olhar vidrado em algo.

–Patinhos de borracha morrem afogados?

–Não, por que?

–Porque esse aqui está de cabeça pra baixo dentro d'água. É doido, só pode- nós rimos da carinha de intriga dela- Anormal.

–Deve ter entrado água pelo pito. Deixe-me ver- Santana pegou o brinquedo e passou a analisá-lo sob o olhar curioso de Beth.

–Lugar estranho pra se colocar algo que apita. Ninguém apita pelo traseiro, ne- outra onda de risos se formaram entre a gente. Essa minha filha era uma figura.

–Puxou a você, viu?- brinquei cutucando Santana.

–É, culpada de novo.

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Algo crusciante se aproximava no dia seguinte. Santana e eu partiríamos e nada mais era pesado quanto isso para nós agora. Resolvemos deixar Beth com Kitty sob supervisão de dona Maribel, já que Santana encucou que a amiga era uma doida varrida incapaz de cuidar de nossa filha. Nossa, eu amo quando ela diz isso "nossa filha''. Fico tão feliz que tenhamos nos entendido e agora planejávamos nosso futuro depois que tudo acabasse, e, por favor... Que acabe logo.

–Tem certeza que não vai querer que eu vá com vocês?- Rob me perguntava pela milésima vez, quando Santana abastecia o carro com suprimentos e outras coisas que precisaríamos durante a viagem- Eu posso ser útil se, por acaso...

–Você sempre é útil, Robert- sorri para ele, tocando-lhe o cabelo em uma carícia quase que materna- Vamos ficar bem, pode ficar tranquilo.

–Mas, sabe, Santana não me parece muito legal- Rob apertou os lábios olhando para irmã com hesitação em deixá-la partir- Sinto que algo vai acontecer e tenho medo de que seja com ela- suspirei profundamente, dando atenção a minha noiva concentrada em colocar nossas coisas no porta-malas. San andava meio dispersa mesmo, como se algo a incomodasse ou preocupasse, porém como sei que ela mantém franqueza comigo, nem me aprofundei nisso. Creio que deve ser pela viagem.

–Eu cuido dela, está bem? Confie em mim, meu amigo.

–Tudo bem, mas qualquer coisa me avise, ta?

–Nem hesitarei- ele assentiu, me dando um abraço apertado, porém grandiosamente carinhoso. O irmão caçula de Santana havia se tornado um amigo valoroso para mim, um alguém que eu poderia confiar pelo infinito de meus dias- Hey, felicidade em seu romance. Torço muito por vocês.

–Valeu, Q. Vou ali tentar ganhar um abraço daquela turrona- sorri consentindo. O acompanhei com o olhar até o momento que ele abraçou a irmã em um aperto de urso, como se quisesse partí-la ao meio.

–Mama- Beth deu pequenos puxões em meu vestido- Eu quero ir com vocês.

–Eu sei, meu amor, mas não podemos levar você nessa viagem. Pode ser perigoso.

–Eu sei me proteger, sou forte.

–Claro que é- Santana concordou se aproximando e a pegou no colo- Você é uma Lopez agora, não é?

–Aga- a latina a beijou na bochecha- Mas eu ainda quero ir.

–Filha- disse carinhosamente, acariciando seu cabelo clarinho.

–Mamãe e eu voltamos logo. Vai ser chato, você não vai gostar- Santana fez careta para explicar- Lá é cheio de gente chata, rabugenta e que come criancinhas loirinhas, nham nham- brincou, fazendo Beth rir- Prometo te trazer um presentão, que tal?

–Humm... Um video-game que vem com uma pistola para matar zumbis e bandidos ou zumbis-bandidos?

–Me assombra você querer isso, mas sim, eu trago- elas cruzaram seus mindinhos em um gesto infantil e mais uma vez Santana beijou sua bochecha demoradamente, abraçando-a calorosamente depois- Tchau, minha filha. Fica bem, ta?

–Sentirei saudades, mamá.

–Também, bonequinha- Santana disse durante o abraço, com Beth chorosa agarrada a ela com força- Se despeça da mamãe agora. Amo você.

–Te amo também- me entregou rapidamente Beth e foi para o outro lado, provavelmente tentando não chorar, mas pude notar que derramou algumas lágrimas pelo caminho. Ela se fazia de durona, porém era mole como manteiga quando ninguém olhava- Mama?

–Oi, bebê.

–Me faz um favor?

–Claro, o que quer?

–Não esqueça de abraçar e acariciar os cabelos da mamá quando dorme. Assim ela não tem pesadelos- não pude segurar as lágrimas que agora caíam sem limites.

–Tudo bem, amorzinho. Amo você, muito muito- a abracei forte e só a larguei quando Kitty veio pegá-la para que pudéssemos partir logo.

Partimos em silêncio. Não um silêncio pesado ou ruim, mas de intensa reflexão. O caminho até Nova York foi tranquilo, Santana dirigia concentrada e vez ou outra fazia uma careta até que engraçada, se não fosse o fato de que ela suava muito. Estava ficando agoniada com aquilo até que ela de repente freou o carro, parando em um acostamento, saindo do carro sem demora para vomitar mais a frente. Saí em seguida e fui até ela sem nada entender.

–San? Amor, o que foi?

–Não sei- ela respondeu fracamente- Meu estômago está horrível.

–Você está gelada- segurei seus cabelos para que não os sujasse- Acabou?

–Parece que sim- a auxiliei cuidadosamente até entrar no carro no lado do passageiro e fui pegar um litrinho d'água no porta-malas para dar a ela- Obrigada.

–Se sente melhor?

–Bem melhor.

–Que bom, eu dirijo agora.

Tomei seu lugar ao volante e continuei nosso caminho, sem me desligar dela um instante. Aquilo realmente me preocupava. Notei que ela pegava algo no porta-luvas.

–Balas... Pro gosto ruim na boca- mostrou a mim, levando-as depois até a boca.

–Está doente, San?

–Apenas um mal estar que não me abandona.

–Tenho remédio em minha bolsa, se quiser.

–Eu já tomei- Santana se encolheu no banco para me olhar- Já passa, relaxa. Só preciso dormir um pouco.

–Tomara, não gosto de ver você assim.

–Quer beijar meu dodói pra sarar?- brincou, fazendo biquinho.

–Sem graça- ela riu, ligando o rádio. Queria logo que essa viagem acabasse para que ela se aliviasse logo e melhorasse. Sorte que seu organismo é forte o bastante para curá-la rapidamente. Porém uma coisa tomou meus pensamentos e eu torcia para que isso não tivesse nada a ver.

Ao estacionar muito tempo depois em terras novaiorquinas, Santana quis logo ir atrás de sua amiga asiática, Tina. Ela ainda trabalha naquele restaurante estranho em que eu, vergonhosamente, peguei Francyne e onde tudo praticamente começou. Ao nos ver, ela pulou um balcão assombrosamente rápido e quase derrubou Santana quando a abraçou.

–Hey, olhinhos puxados... Que saudade dessa sua cara de pastel.

–Idiota, que susto você me deu, desalmada- a baixinha acertou um tapa no ombro de Santana, que vacilou alguns centímetros para trás, rindo intensamente- Por onde andou?

–Isso é uma longa história- revirou os olhos- Mas preciso te contar algo antes. Boas notícias.

–Espera- sua amiga a parou rapidamente- Também tenho uma pra você e não é nada boa.

–E o que é?- Santana perguntou de cenho franzido. Antes que Tina respondesse, a porta da cozinha se abriu em um estrondo e a loira petulante, a tal de Brittany, urgh, saiu de lá com uma cara nada boa, usando um uniforme igualmente ao de Tina.

–Santana Lopez!

–Puta que pariu- Santana arregalou os olhos ao ouvir a voz da loira- Agora ferrou!

Notas finais
Etabirosca... o que será que Britt vai fazer com Santana? Vocês preferem pãncreas latino fatiado ou picado? Kkkkkkk espero que tenham gostado. Mais uma vez obrigada a todos. Beijo no coração. Paz!