Ligadas pelo destino
30 Capítulo 30- Humm... Legal!
Notas iniciais
O dia amanheceu estupidamente frio. Tamanha cinco da manhã e o céu estava escuro como uma meia noite de lua fraca e triste. Papai hoje acordou com a macaca afetada, batendo em minha porta às quatro e meia da manhã. Adolescentes normais de dezesseis anos a esse horário estariam dormindo tranquilamente, agarrados a seus travesseiros ou a suas namoradas baixinhas e estupidamente gostosas, que por acaso lhe dariam uma boa primeira noite de sexo. Entretanto, no meu caso, por obra do capeta a minha teve que ir embora mais cedo, alegando ter algo "importante" pra resolver no dia seguinte. Sei não, acho que Rachel tem medo de fazer sexo comigo, só pode. A gente ficava lá naquele amasso todo, mão pra lá e mão pra cá, corpo no corpo, suspiros de agrado e por aí ia, mas era só eu ameaçar colocar a mão por debaixo de sua saia que parecia dar choque em suas pernas e ela pulava um quilômetro de distância de mim e do meu desejo ardente por aquele corpo.
Hey, não que eu seja uma ninfomaníaca amante viril no cio insaciável, só que chega uma época que o desejo aflora desgraçadamente por quem se ama e a quer toda e completamente, que a cada momento que se passa só piorava a situação. Poxa, eu sou uma adolescente em desenvolvimento, preciso de umas paradinhas sexuais de vez em quando e Rachel me deixava mal dar uma pegadinha de leve em seus peitinhos de azeitona. Brincadeira, gente... Se eu falo isso pra ela, já era pra mim.
Bom, eu não queria só sexo com Rachel, eu queria amá-la por inteiro, mas se ela não se sentia pronta, tudo bem eu a respeitaria. Porém ela não me falava nada, se queria ou não fazer. Só ficava naquela: me provocava, me provocava e me provocava mais ainda, então a gente se beijava com vontade e se amassava legal. Então ficava aquela coisa quente quase pegando fogo e ela de repente parava tudo, inventava uma desculpa cabeluda e saia me deixando naquela situação que não se aliviava nem "manualmente", se é que me entendem. Agora chega meu pai, bate na porta de madrugada, fica me chacoalhando feito verdura no liquidificador e sai gritando "Santana, treinamento de campo". Era a pior coisa que alguém poderia ouvir frustrada sexualmente e sendo acordada de madrugada. E detalhe: num domingo.
Meu Deuuussss... Eu odiava treino de campo, ardia lá dentro do ovário todo vez que eu tinha que fazer um. Nah! Era pior do que treino interno, pois meu pai me levava para um lugar afastado e até mesmo complicado de chegar e me fazia executar coisas que só Deus na causa de pesadas. Teve uma vez que ele me levou até o meio do mar e me fez praticar saltos mortais dentro de uma mini canoa. Detalhe número 2: era um lugar predominante de tubarões brancos, que estavam só esperando que eu caísse da canoa para um jantar a la Santana Lopez. Me arrepio só de lembrar, ui. Ele me disse que fazendo esses tipos de coisas, eu estaria preparada para quaisquer situações de extremo risco. Minha mente estaria mais treinada para um pensamento estratégico rápido e ainda moldaria meu corpo para diversos tipos de ambientes.
Cinco da manhã já se aproximava e meu pai estacionava em uma praia que eu nunca tinha visto e nem sabia da existência dela. Eu saí a contragosto do carro. Estava muito frio, por sorte eu havia me agasalhado bem e agora observava toda extensão da praia vazia. A maré estava baixa, apenas o barulho das águas e de alguns pássaros se ouvia ao longe. Era até uma linda paisagem que banhava meus olhos sonolentos, mas ainda preferia estar jogada em minha cama, no 18382282881 sono. Me encostei ao carro de meu pai e fiquei olhando para as águas indo e voltando para a praia. Ao fechar os olhos, senti a brisa gelada, porém reconfortante tocar minha pele e causar arrepios por todo o corpo. É, até que era uma calmaria legal...
–Santana!
... e que agora acabou.
–Diga- respondi seu chamado com cara de tédio.
–Como?- ele me encarou com a mão no ouvido em ironia. Aquilo era uma cobrança pela forma que eu deveria me dirigir a ele durante nossos treinos. "Treinar a subordinação". Pro inferno com a subordinação, eu queria era dormir, pombas.
–Senhor?- sorri igualmente irônica, cruzando os braços.
– Exatamente. Sou seu superior e assim que deve se dirigir a mim- recordou, me encarando em superioridade. Não disse que ele tinha acordado com a macaca hoje? Ele não agia assim comigo, nunca mesmo. Papai sempre foi mais carinhoso que minha mãe.
– Desculpa, senhor. Não mais o farei- minha chateação estava evidente, mas preferi evitar um confronto com ele. Meu humor terrível logo causaria isso (puxei dele isso, que fique claro).
– Venha cá, Santana- ele me chamou mais a frente e apontou para o além das águas- Um mar intranquilo só gera problemas. Fica inavegável, tortuoso e perigoso para quem se aventura nele nessas condições. Entende?
– Sim, senhor- entendi foi nada, mas gesticulava que sim que era pra ele continuar e me deixar em paz.
– Como o mar agitado, uma pessoa da mesma forma pode ser destrutiva. Mas até nas piores tempestades se encontra a calmaria logo depois- e eu continuava gesticulando como se estivesse interessada na aula- Ache um ponto em que sempre encontrará essa tranquilidade. Se achar que estiver se perdendo, naquilo que a conforta será seu caminho de volta. Entendeu?
– Acho que sim, mas o que isso tem a ver com meu treinamento nesse lugar?- perguntei coçando a cabeça. Não que eu tenha piolho, mas quando eu ficava nervosa ou intrigada e até mesmo desconcertada, eu tinha essa mania chata- Explica aí que estou boiando nessa lagoa.
–Bom, isso quer dizer que treinaremos suas emoções.
– E como se treina isso? Yoga?- questionei ficando revoltada- Que merda é essa, pai? Vai me fazer executar aquelas posições ridículas?
– Olha as palavras, Santana- levantei as mãos em sinal de ‘’tá tudo tranquilo, relaxa’’, mas revirei os olhos assim que ele tirou a vista de mim- E a propósito... Isso tem tudo a ver com seu treinamento.
– Como?- ele estava de costas, preso a algo além do grande céu escuro.
–Quando chegar a hora você saberá, agora tire suas roupas.
– O que? Nesse frio?- eu agarrei meu casaco com força, torcendo para que aquilo fosse brincadeira de meu pai.
–Está com top e short por baixo, não é?
–Sim, eu sempre saio pra treinar com eles. Mas em quê isso implica?
–No fato de que você só as usará durante todo o treinamento de hoje. Agora tire as roupas e fique com as de baixo.
–Eu não vou...
–Me obedeça, Santana- ele soou duro e assustador, o que realmente me deixou invocada.
–Sim, senhor- eu o encarei em decepção pela forma que estava me tratando, mas meu respeito por meu pai não havia morrido. Me deixou sozinha e foi para a beira da praia observar o mar enquanto eu tirava minhas roupas rispidamente com uma raiva daquelas. "Calma, Santana, é só um treinamento... A droga de um treinamento" eu dizia como um mantra para não surtar e me afogar naquelas águas geladas- Tudo certo, estou pronta- eu informei, tentando não transparecer fraqueza, mas de alguma forma tentando também cobrir meu corpo para afastar o frio horrível que ardia minha pele.
–Muito bem, quero que comece com duzentas flexões, cem abdominais e depois corra daqui até a árvore que marquei com uma bandeira azul trinta vezes.
– Está a quantos metros daqui?- perguntei começando a me aquecer.
–Basicamente uns quinhentos metros.
–Quinhentos metros?- indaguei estupefata.
–Foi exatamente o que ouviu. Comece agora- ele sequer me olhou e saiu me deixando ali com cara de que iria morrer.
– Puta que pariu. Inferno de vida!- reclamei, me abaixando para começar com os exercícios.
Horas já haviam se passado, eu estava tão morta que nem sabia quantas. Já havia terminado os exercícios que meu pai havia me dado e agora eu estava a alguns metros na água longe da praia, fazendo flexões de cabeça pra baixo, usando dois tocos como apoio. Minhas pernas estavam para o alto enquanto eu fazia força para flexionar os braços contra os suportes para que eles ficassem quase que completamente esticados e elevassem meu corpo.
–... 195... 196... 197... — eu contava já com as forças nas últimas, em uma exaustão digna de pena.
–Força, Santana! Mantenha-se concentrada a seus objetivos- ele me incentivava da areia da praia, de braços cruzados e semblante fechado. Minha vontade era de mandá-lo ir se ferrar, droga de exercício do capeta. Ai que ódio! Ai que vontade de matar! Deixa estar, vou colocar pimenta no colírio daquele velho cabeçudo.
–... 198... 199... — não fazia ideia a que horas estávamos, só que meu corpo já gritava desesperadamente por um descanso e o suor já havia tomado conta de mim por completo, que eu o sentia escorregar pelas costas e se misturar a água azulada mais abaixo-... 200. Ai, droga!- não aguentei mais e caí dentro d'água, deixando-a abraçar por completo meu corpo quase morto. Meus braços e pernas pareciam pesar uma tonelada e com toda a dificuldade do mundo consegui me pôr de pé, apoiada a um dos tocos que eu estava ainda agora nas flexões. Eu ofegava agarrada ao toco, tirando o cabelo molhado que caía nos olhos, e ao firmar os pés na terra imersa, dei de cara com papai já próximo de mim, me encarando em avaliação.
–Você está bem?
–E-Estou, só ferradamente exausta- ele sorriu levemente e me ofereceu a mão para me ajudar a levantar e eu a aceitei.
–Isso é bom.
–Por que?- perguntei franzindo o cenho. Ele nada disse, apenas se posicionou atrás de mim, com as mãos em meus ombros-Papai?
–Bom, porque agora podemos começar com o treinamento.
–O que?- mal tive tempo de me virar para encará-lo e senti ser empurrada com força para dentro d'água. Eu nada entendia, mas tentava a todo custo retornar a superfície por estar assustada com a situação e o jeito sinistro de meu pai desde o primeiro momento que pisamos nessa praia. Consegui me reerguer para falar- O-O que é isso, pai? Está tentando me matar?
–Concentre-se, Santana- ele sem demora me mergulhou novamente dentro d'água, segurando em meus ombros para me firmar ali até que eu ficasse sem ar. Eu me debatia desesperadamente para buscar fôlego.
–P-Pai, pára... Pára, eu não aguento mais. M-Meu corpo intero dói- eu praticamente suplicava para que ele acabasse logo com aquela tortura, mas continuava imparcial a tudo.
–Concentre-se, Santana. Lembre-se do que eu te falei e encontre sua calmaria na tempestade.
–Pai... — e mais uma vez minha cabeça estava mergulhada na água, tendo eu gritando ali com centenas de bolhas saindo de minha boca e as mãos apertando desesperadamente as do papai no intuito de que ele me soltasse e desse fim aquela humilhação que eu estava sendo submetida. Já sentia o corpo desfalecer pelo oxigênio que me faltava adicionado a meu esgotamento físico. As palavras de meu pai ecoavam em minha mente, ficando ainda mais fortes que a sensação de morte que eu sentia me alcançar. "Encontre sua calmaria na tempestade" isso se repetiu infinitas vezes em minha cabeça e a raiva no peito só me fez acrescentar essas palavras como uma extrema vontade de acabar com minha situação explodindo tudo. Eu só queria pelo menos uma vez na vida ser uma adolescente normal, que dormia até o horário de ir pra escola, que pudesse sair quando desse na telha com os amigos, que aproveitasse a namorada como tinha que aproveitar e que mais ainda... Não precisasse ser afogada para a droga de treinamento- ME SOLTE AGORA!- gritei depois de aplicar extrema força mediante a todo ódio que eu tinha no peito, a ponto de arremessar meu pai para alguns metros longe de mim e dentro d'água. Ele emergiu e ficou a me encarar espantado, competindo com o meu olhar irado. Eu estava ofegante, com ambos os punhos cerrados em extrema força e com a sensação de que os olhos ardiam em chamas.
–Respire fundo- papai disse, indicando com um gesto de mãos para eu tivesse calma- Santana, respire bem fundo e se mantenha calma.
–Vá para o inferno, seu louco- eu explodi com a vontade absurda de chorar por tamanha raiva que estava sentindo agora.
–Filha, isso tudo é importante para seu treinamento, agora se mantenha calma. Eu precisei te esgotar, fazer com que seu emocional se bagunçasse e se mesclasse com sua determinação. Pode não ter sentido agora tudo isso, mas um dia terá, confie em mim.
–Não se aproxime de mim- eu o parei, com um olhar de morte em sua direção- Idiota!
–Eu sou seu superior, Santana. Exijo seu respeito- ralhou apontando pra mim.
–Pro inferno com isso! Você é a droga do meu pai, então aja como tal e não faça eu me sentir assim.
– Santana...
–Pro inferno! Eu vou embora- lhe dei as costas e saí com raiva da água.
–Você não entende, filha, não posso fazer diferente- ele argumentava, mas de nada adiantava-Droga, o que quer que eu faça?
–Que você morra!- eu gritei de longe, deixando as lágrimas caírem por meu rosto enquanto eu o encarava. Ele parou me olhando de um jeito triste. Voltei a caminhar, pegando minhas coisas dentro do carro e retornei pra casa a pé mesmo. Estava com tanta raiva que fiquei irracional.
Durante o caminho aquelas palavras raivosas soaram em minha mente:
Que você morra... Que você morra... Que você morra...
–Pai! acordei sobressalta pela lembrança que tive naquele sonho tão perturbador. Aquilo aconteceu em meu último treino com o papai antes dele fazer sua viagem sem retorno. Nós acabamos fazendo as pazes algumas horas depois, mas mesmo assim aquela lembrança ainda me deixava horrivelmente assombrada e há tempos eu não a tinha. Sentei na cama desorientada, e só fui acordar daquele pesadelo quando escutei um resmungo baixo de Quinn ao lado de Beth na cama. As duas continuavam a dormir tranquilamente agarradas uma a outra. Fiquei aliviada por nâo ter acordado elas, e mais aliviada ainda fiquei por ter aquele sonho como apenas uma lembrança ruim. Olhei no relógio ao lado da cabeceira e exatamente quatro da manhã piscava na tela, me fazendo bufar por aquela droga ter estragado meu sono gostoso de descanço. Senti aquele pontinho avermelhado causado pela picada da seringa começar a doer novamente. Não era uma dor estrondosa, porém mesmo assim chegava a me incomodar. Bufei por isso também, pois já sabia que eu não conseguiria voltar a dormir.
Levantei cuidadosamente para não acordar Quinn e a pequena Beth dormindo tranquilamente ao meu lado e fui até o banheiro para lavar o rosto e afastar aquela sensação ruim que aquele sono me trouxe. Ergui a blusa de frente ao espelho para checar a bendita picada que hora ou outra me incomodava e parava do nada, encontrando o mesmo ponto avermelhado e questionante de dias atrás. Toquei nele mas nada senti a não ser a textura de meu dedo contra a pele e dei de ombros para voltar a lavar o rosto. Estava muito cedo, mas aquela lembrança me deixou realmente perturbada. Eu precisava extravasar isso e já sabia como.
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Pov Quinn
Fazia tanto tempo que eu não dormia tão bem. Sim, eu ainda estava chateada com aquela latina inconsequente por seu sumiço repentino, mas a felicidade por tê-la ao meu lado novamente e ainda mais por ter me devolvido minha filhinha, não deixava espaço para a mágoa e o rancor de ser abandonada.
Eu havia despertado no dia seguinte sentindo um vazio imenso naquela cama. Como sentia os pequenos braços de minha menininha em minha cintura, era por Santana que meu corpo alertava a ausência. Abri os olhos e olhei por cima de Beth, constando que de fato Santana não estava na cama.
–San?- chamei baixinho, mas em lugar algum ela se materializava. A porta do banheiro estava aberta, então ela também não estaria ali, pois até para lavar somente as mãos Santana a fechava. Saí delicadamente do abraço de Beth e fiz minha higiene matinal rapidamente para poder procurar minha namorada fujona. Não que eu seja grudenta, mas ainda me sinto assustada por seu sumiço. Se isso acontecer de novo, sou capaz de enlouquecer, sem eufemismo algum. Passei pela cozinha e dona Maribel já estava tirando um bolo de aroma delicioso do forno. Abriu um lindo sorriso a me ver.
–Bom dia, filha!
–Bom dia, dona Maribel- ela deixou o bolo em cima da mesa para me cumprimentar com um abraço apertado- Por acaso viu Santana hoje? Não a encontro pela casa.
–Vi sim, minha querida. Desci para tomar água de madrugada e topei com ela na escada. Eu perguntei para onde ela ia com tanta pressa e me disse em resposta "preciso esvaziar a cabeça"- ela falou, imitando a voz de Santana de uma forma engraçada- Disse que não era pra me preocupar e saiu pela cozinha agoniada. Isso explica alguma coisa?
–Sim, foi de grande ajuda, muito obrigada.
–Disponha, criança- sorriu pra mim e eu retribui da mesma forma, saindo dali em disparada para o lugar que eu tinha quase 100% de certeza que Santana estaria.
E pelo visto acertei ao encontrá-la se exercitando no QTI totalmente concentrada a uma sessão de flexão. Uma música estrondosamente alta ecoava por todo lugar que eu sequer conhecia, mas julgava ser de alguma banda de rock pesado. Deus, era cada grito que me assustava. Realmente perturbador. Ela gostava muito disso, de rock, alguns eram até bons de se ouvir, mas em compensação outros me davam dor de cabeça toda vez que ela os colocava. Sou uma grande amante de música clássica, jazz, sacra, contemporânea, R&B e entre outros. Já Santana era puro rock, ela exalava isso por todo seu corpo perfeito e era até sexy isso nela. Toda e completamente sexy... E estava com um olhar sério e firme, parecia estar chateada, sim parecia, mas não tinha ideia do quanto aquilo mexia com minha estrutura, com o meu, hum, libido. Nossa, que vergonha estar pensando em algo desse tipo, porém Santana era incrivelmente perfeita e ainda tinha aquele corpo que exalava sexualidade abundante... Oh, céus, só posso estar doente pois minha pele ia ganhando cada vez mais temperatura ao admirar Santana se exercitando, subindo e descendo nas flexões, daquele jeito suado, a pele brilhando e escorrendo pelo suor trabalhado, e tão séria... Esse incômodo entre minhas pernas estava me agoniando. Mas daí, ao observar melhor suas feições, percebi que naquele olhar sexy de seriedade trazia consigo uma profundidade de algo que a perturbava. Santana estava perdida em algum lugar.
Fiquei naquele transe todo de pensamentos em dúvidas que quase não percebi o momento em que ela parou de fazer os exercícios, desligou o aparelho me encarando curiosamente e se inclinou para trás com aquele olhar aterrador de sexy, com um sorriso de lado de um jeito safado.
–Perdeu alguma coisa, Fabray?
–Sim, perdi minha namorada, você a viu?- ironizei cruzando os braços.
–Hummm... -colocou a mão no queixo, fingindo pensar- Talvez, como ela é?
–Bom, primeiramente ela se chama Santana Texas Lopez.
–Mhm, é um nome bem esquisito, mas continua- continuava com a mão no queixo, em um falso interesse.
–Ela é morena, uma latina pra ser mais específica. Da sua altura, seus olhos, seu sorriso e hum... — pausei como se eu pensasse um pouco- Bom, e com o corpo trabalhado como o seu.
–Ela deve ser bem gostosa então- ponderou se aproximando sem tirar aquele olhar provocador que só ela tinha.
–Bom, até que sim, no entanto ela é muito metida- e ela ficava cada vez mais próxima e perigosamente sensual- Muito metida.
–Hum, entendo. Mas em minha opinião... -chegou perto e me encarou demorado. Quando eu achava que ela me beijaria, apenas deu um sorrisinho e passou a me rodear avaliativamente. Deus, ela estava me provocando terrivelmente e meu corpo já me traia a seus movimentos- Em minha tão humilde opinião... Pra ter alguém assim, tão gostosa e deliciosamente delicada quanto você... hum, tem que ser bem cheia de si mesmo- parou novamente de frente pra mim e me olhou de cima à baixo- Deliciosa!
–Ela é bem prepotente também- desconversei, passando por ela. Pude ouvir uma risadinha baixa. Ela deveria estar se divertindo horrores com essa brincadeira. Santana era tão infantil.
–O que mais ela é?
–Irritante.
–Irritante?- elevou uma sobrancelha, se aproximando agora.
–Nossa! Bem irritante- eu tentava me segurar para não rir de sua expressão- Bem inconsequente e inoportuna também.
–Quantos adjetivos bons em uma pessoa só- comentou sarcasticamente, colocando-se por trás de mim e fungando em meu pescoço.
–Não sabe o quanto- mascarei um suspiro, tomando um rumo diferente do seu.
–Mas com isso tudo, por que namora com ela?
–Sei lá, porque talvez ela seja uma bela safada boa de cama- ela parou com as mãos na cintura e boquiaberta.
–Ah é? Que bom saber, senhorita Fabray.
–Quem manda ser metida?- dei ombros em uma postura superior.
–Tudo bem, vou te mostrar o quão metida ainda posso ser- Santana deu um sorrisinho de canto, que me assustou, e passou a vir rápido a minha direção. Minha reação foi de correr no sentido da porta, mas não demorou muito pra que ela me alcançasse- Vem cá, sua loira pancada.
–Ai!- gritei batendo em suas mãos para me soltar quando ela me agarrou pela cintura e saiu me arrastando até o tatame que usava pra treinar, fazendo com o que eu caísse ali, sentando em meu quadril e prendendo meus braços acima da cabeça- Me solte.
–Não, não, dona.
–O que vai fazer, me torturar?- provoquei, arqueando a sobrancelha.
–Hum, boa ideia!- antes que eu dissesse algo, Santana soltou-me os braços rapidamente e passou a fazer cócegas em minha barriga.
–Pare, Santana! Vai me fazer urinar nas calças.
–Só se retirar tudo o que disse sobre mim.
–Não foi mentira alguma, então não retiro nada.
–Então eu não vou parar, hahaha pra você, minha querida.
–Ai, Deus!- eu tentei me soltar diversas vezes até ir perdendo todas as forças de meu corpo, gargalhando sem parar. Eu nunca tinha passado por algo desse tipo e apesar da agonia do ato, era algo de grande divertimento, pois ela ria sem parar de minha situação.
–Vamos lá, Fabray. Dê o braço a torcer que eu te solto. Sabe que não tem como me ganhar nisso.
–Não!- gritei me desmanchando em gargalhadas, que já estavam me fazendo perder o fôlego. Ela apenas deu de ombros e intensificou as cócegas. Eu me contorcia por completo e minha barriga já doía por tanto que eu ria. Vi que esse era o momento de pender para o outro lado- Tudo bem, já deu. Eu retiro o que eu disse.
–Como?
–Ai, Santana, retiro tudo que eu disse de você, que é irritante, prepotente e tudo mais.
–Hum... Agora diga o quanto eu sou uma boa namorada, que faço um sexo bem gostoso e que sou incrível.
–Ah, não, você está forçando- reclamei, aproveitando que ela tinha parado para tentar escapar.
–Diga, Quinn Fabray.
–Está bem, eu digo- me dei por vencida quando ela retornou com as cócegas.
–Sou toda ouvidos.
–Idiota!- ela riu, se endireitando para me encarar- Céus! Você, Santana, é uma boa namorada, faz um sexo gostoso como ninguém e é incrível. Pronto, agora me solte.
–Por favor?
–Por favor, me solta- eu pedi agoniada em quase um choramingo.
–Tudo bem, está livre- Santana saiu de cima de mim, com uma gritante expressão vitoriosa. Antes que ela levantasse, a segurei pelo pescoço e a joguei no chão. Agora eu que sentei em seu quadril. Ela se sentou comigo ali e aproximou nossas faces- Oi, gatinha!
–Idiota!- a acertei no ombro, ouvindo sua gargalhada zombeteira. Santana levou os dedos até uma parte de meus cabelos e colocou alguns fios para trás de minha orelha.
–Eu quero um beijo.
–Você não merece um.
–Por que?- ela sussurrava, com certeza na tentativa de me ludibriar.
–Porque você não presta- eu disse na maior cara de lerda pelos efeitos que ela estava me causando agora.
–Você bem que gosta- passou de leve seu nariz pelo meu, deixando um selinho em meu queixo.
–Pior que sim, mas nada posso fazer.
–Claro que pode.
–É?O quê?
–Isso!- me puxou pela nuca para um beijo intenso e rápido. Abandonada minha nuca, ela partiu para a cintura e a apertou enquanto eu envolvia sua nuca. Depois de mais beijos trocados, ao passar a mão por seu abdômen que eu tanto amo, notei um pontinho diferente um pouco abaixo das costelas. Parei o beijo para olhar aquilo- O que foi?
–Esse pontinho aqui, nunca havia notado.
–Hum, não é nada demais- ela deu de ombros e passou a beijar meu pescoço, mas eu a parei. Aquilo me intrigou.
–Espera, pontinhos vermelhos não crescem do nada e esse não estava aqui antes. Conheço cada partizinha do seu corpo.
–Isso é formidável, minha cara lady. Sinto-me lisonjeada por seu apresso a meu humilde corpo- ela disse imitando exageradamente meu sotaque.
–Engraçadinha!- olhei feio pra ela e a mesma deu uma risadinha sapeca, piscando pra mim- Deixe de brincadeira e me fale como isso apareceu aí. É um pontinho estranho. Parece algo feito com agulha.
–Não é nada, já disse- tirou meu dedo de onde eu tocava e entrelaçou os demais aos seus- Quando me encontrei com Carter, em uma singela distração, ele fincou uma seringa bem aí onde você tocou ainda agora.
–Deus, San, o que ele injetou em você? Doeu ou algo parecido?
–De início até que não, mas alguns minutos depois senti uma dor alucinante, que foi daqui até minha cabeça e ardeu forte- ela explicava, me deixando aflita por cada palavra sobre a agonia da tal dor- A sensação foi horrível, nunca senti nem nada parecido, mas apesar de achar que tivesse morrendo,simplesmente a dor sumiu depois. Como se nada tivesse acontecido.
–Deus, San, isso foi muito perigoso. Poderia ter matado você. Como ficou depois, ainda sente algo?- perguntei em alto grau de preocupação. Aquilo não era bom sinal, Carter não fazia nada por acaso- Amor, estou realmente preocupada com você. Carter é muito perigoso, ele...
–Hey, calma, loirinha. Eu estou bem. Depois que o efeito passou, nada mais sinto. Acho que o tiro saiu pela culatra para ele.
–Como assim?
–Bom, se sua intenção era de me matar, só lamento para ele, pois estou eu aqui vivinha e o mesmo não pode ser dito para o tal doutor morte- enruguei a testa.
–Ele morreu, é isso?
–Eu o matei, é isso- ela respirou fundo, abaixando o olhar. Aquilo de alguma forma a incomodava, pois sei bem que Santana odiava matar pessoas e até mesmo machucá-las.
–Ele atacou você, nada mais justo.
–Não se encontra justiça em matar pessoas...Em nenhuma parte. Mesmo que ele tenha desgraçado minha vida, me sinto horrível por isso- tinha um semblante de tristeza agora- É um fardo que carregarei para o resto de minha vida. Mas quando a adrenalina atinge meu corpo, as consequências me fogem. É como se eu desligasse e eu não gosto disso.
–Sinto muito, querida- toquei seu rosto carinhosamente, acariciando-lhe a bochecha. Ela sorriu levemente, pegando minha mão para beijar demorado- Você precisa ser examinada. Essa injeção pode deixar sequelas em você, mesmo que poucas. Nunca se sabe o que sai da cabeça daquele sádico.
–Não precisa, me sinto bem. Pode ficar relaxada.
–Sabe que nunca fico.
–Mas deveria-senti que ela me puxava lentamente pra mais perto de seu corpo- Sinto que está tensa.
–Sempre estou- dei de ombros, indiferente a esse fato.
–Hum, sei uma forma muito boa e eficaz de tirar tensão desse corpinho gostoso- me olhou sugestivamente para depois beijar meu pescoço demorado, levando-me a suspirar e gemer altamente por agrado.
–Eu bem que iria adorar esse seu método especial de relaxamento, mas um pequeno ser meu já deve a essa hora ter acordado e me procura enlouquecendo a todos da casa- ela riu em meu pescoço, o que me fez a acompanhar pelas cócegas que me causaram.
–Ela é uma garotinha muito esperta.
–É sim. Me lembra muito meu pai, tanto na inteligência quanto o seu rostinho delicado- expus em encanto por minha menina ter se tornado tão esperta e linda.
–Ela me lembra você. Não conheço seu pai pessoalmente, mas acredito que a bonequinha seja a sua cópia fiel.
–Me parecia com ela na sua idade.
–Deve ser- Santana sorriu concordando.
–Ela não tem nada de David... Nada.
–Um ponto a seu favor. Não precisará assim toda vez que a ver, se lembrar da cagada que fez pegando um merda daqueles. Porque, filha, que gosto pra namoro você tem, hein!- fez uma careta de desaprovação- Um é um russo dos infernos, filho da puta trombadinha e a outra é doida que vê unicórnios fumando charutos e nem ao menos sabe o que diabos é... Acho bom prestar atenção com quem se relaciona- soou brincalhona, me beliscando levemente a cintura só para me fazer rir .
–Pára, você é perfeita à sua maneira.
–Você que é por me aturar.
–Pode ser também- nós duas rimos. Ela me deu um beijo demoradamente carinhoso e afundou o rosto em meu pescoço- Preciso ir. Elizabeth já deve ter acordado.
–Tudo bem- nos levantamos juntas. Peguei em seu braço.
–Chega de exercícios, vá tomar um banho.
–Ah não, amor, só mais uns minutinhos- ela fez bico, com uma carinha de pidona.
–Banho, Santana Lopez- apontei para a porta em autoridade e ela seguiu por ela resmungando.
–Essa mandona chata, filha de um cabrito...
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Fomos conversando pelo caminho inteiro, e em muitas vezes eu pedia que ela vestisse pelo menos uma blusa por conta do frio que fazia naquela manhã e pelo fato de estar apenas de top esportivo e um short curto. Santana tinha o corpo perfeito, então não faltariam olhares indiscretos para ela e aquilo me incomodava. Entramos na cozinha e logo de início me deparei com Elizabeth sentada a mesa ao lado de Rob e conversando com o mesmo, que parecia rir horrores do que ela o contava.
–Mama!- ela gritou eufórica a me ver e veio correndo a minha direção. A peguei no colo, beijando sua bochecha enquanto ela me abraçava a nuca.
–Bom dia, bebê.
–Dobroye utro, mama!(Bom dia, mamãe!) Aonde você estava? Não a vi quando acordei.
–Fui procurar Santana, precisava perguntar-lhe algo.
–Culpada!- Santana disse mais a frente, pegando uma maçã- Ah, bom dia, bonequinha.
–Bom dia, San- ela respondeu com seu sotaque ainda se moldando, por isso era ainda tão forte. Coloquei uma pequena mexa de seu cabelo atrás da orelha. Beth tinha arrumado o próprio cabelo e já estava arrumada impecavelmente. Soube por ela ontem que aprendeu fazer as coisas por conta própria, pois já era crescida para que fizessem por ela. Me senti tão orgulhosa de minha pequena, mas isso de alguma forma aumentou meu remorso por não ter lutado por ela e ter sido a mãe que ela precisava. Deus, como fui fraca!- Mama?
–Oi?
–Você ficou séria de repente- ela me olhava curiosa, franzindo a testa e fazendo um bico ultramente fofo com a cabeça levemente torta pro lado. Notei que isso era algo característico dela quando algo lhe intrigava- Você está bem?
–Estou sim, bebê. Só estava pensando.
–Papai me disse que pensar dá dor de cabeça, mas sempre achei o contrário. Como por exemplo, se alguém ver um poste e não pensar em desviá-lo, vai dar com a cabeça nele e aí ela vai doer. Então isso aplica no contrário, não é?- argumentou em meio a uma confusão inocente, o que fez a todos na cozinha rirem.
–De alguma forma sim, meu amor -expliquei, beijando- lhe a bochecha demoradamente. Crianças são realmente tão adoráveis quando não implicam com algo- Já fez seu desjejum?
–Ne (Não). A abuela estava me servindo nesse exato momento.
–Abuela?- indaguei elevando uma sobrancelha.
–Aga (Sim). Dona Maribel pediu que eu a chamasse dessa forma. Abuela- ela pronunciava pausadamente mas o forte sotaque russo atrapalhava- É assim?- perguntou para a mãe de Santana que sorriu em resposta.
–É sim, querida. Mais ou menos isso. Mas sou sua abuela.
–Viu, mama, ela é minha abuela- ouvi Santana rir mais a frente por conta da pronúncia arrastada de Beth.
–Assim, Beth- ela virou-se pra latina- Toque a língua nos dentes superiores da frente... A-bu-e-la- Santana demonstrou pausadamente.
–A-bu-e-la... Assim?
–Exatamente. Estrelinha na testa pra você- a latina bateu palmas, acompanhada de Rob e por fim Beth que entrou na brincadeira.
–Vem cá que eu te ensino umas expressões maneiras, Beth- Rob disse, fazendo Beth se agitar em meu colo para voltar a mesa. Assim que a coloquei no chão, correu em disparada até o caçula Lopez, passando a conversar animadamente com ele. Meus olhos brilharam por tamanho encanto de estar vendo aquele serzinho que saiu de mim. Como Deus é perfeito! Era tão pequenininha ao sair de mim e agora estava crescida, tão esperta e encantadora que eu agradecia a Deus todo momento por pelo menos algo meu ser tão bom, apesar de sentir que não a merecia por tudo que já fui e fiz. Algo de que irá me assombrar pelo o resto de minha vida.
–Toma cuidado, Fabray!- estava tão mergulhada em meus lamentos e encantos, que não vi quando Santana se aproximou- Fiquei sabendo que na maioria dos casos de escorregadas em babas, acontece a quebra de bacia, rugas e envelhecimento precoce das nádegas.
–Sem graça- ela riu pelo nariz, colocando-se do meu lado.
–Está estranha, o que foi?
–Beth. Não mereço a filha maravilhosa que tenho.
–Nenhum de nós merece nada de bom que ganhamos na vida. Porém acho que essa é a forma de Deus nos mostrar que a perfeição não escolhe um lado, só mostra qual devemos optar para mantê-la. Beth é o resultado da vida que o cara lá de cima quer pra você- me virei para Santana e lhe abracei forte, sem me importar com quem estivesse olhando.
–São momentos como esse que eu me recordo do por quê de amar tanto você.
–Não esquece do sexo maravilhoso- disse maliciosa a meu ouvido em um sussurro seguido de um leve beijo no pescoço, mas não obstante a meu estado arrepiado-Depois do café, prepare a pequena gafanhota ali para as compras. Ela precisa de mais coisas, inclusive uma cadeirinha de proteção em Francyne. Eu quase que a amarrei até o pescoço na viagem com medo de que aqueles cintos não a protegesse se Deus sabe o que acontecesse- ela olhava de maneira preocupada para minha filha- Vou aproveitar esse tempo do café da manhã para providenciar logo. Tome café, não demoro chegar com as coisas.
–Amor, agradeço a preocupação, mas não será preciso. Eu providencio isso mais tarde.
–Não, as coisas acontecem rápido demais. Volto rapidinho, palavra- Deus, eu não mereço essa mulher. O que tinha de maluca, tinha de encantadora.
–Tudo bem. Obrigada por cuidar da gente.
–É minha queda por loiras falando mais alto- eu ri, lhe dando um tapinha no ombro.
–Tome cuidado.
–Sempre tomo.
–E eu sou asiática- ela soltou uma gargalhada potente, me beijando rapidamente e tomando cuidado para que Beth não nos visse. Me deixou ali depois de um selinho, bagunçando o cabelo do irmão caçula ao passar por ele.
–Como estão os ovos com bacon?- perguntou a Beth.
–Estão maravilhosos, San. Quer provar?
–Não, prefiro uma bonequinha loira cheia de ovos com bacon na barriga- ela pegou Beth e a ergueu para morde-lhe a barriga de forma brincalhona, arrancando gargalhadas gostosas dela. Eu amava esse seu jeito brincalhão com minha filha. A deixava contente e dava pra sentir que isso fazia bem a ambas, pois em Santana fugia-lhe aqueles pensamentos ruins e a Beth as lembranças de seu antigo lar e das atrocidades que deve ter presenciado quando a latina a resgatou. Tudo isso era afastado por suas gargalhadas que só crianças possuem e que contagiam a todos- Hummm, é realmente muito bom.
–Ai, minha barriguinha- Beth tentava se soltar de Santana com suas mordidas falsas mas que provocavam intensas cócegas- Socorro, mama- ela esticava os bracinhos para que eu lhe ajudasse, fazendo um biquinho meigo de agonia.
–Solte minha filha, sua doida- peguei ela de Santana, que estreitou os olhos e abriu e fechou as mãos como garras, ameaçando pegá-la de volta.
–Te pego outra hora, mocinha.
–Nãooo- Beth gritou, se encolhendo em meu colo e escondendo o rosto a meu pescoço.
–Até daqui a pouco... Urrrrr — Santana grunhiu feito um bicho e saiu fazendo careta pra minha filha, que se desmanchava em risadas a meu pescoço. Santana sabia ser mais infantil que Beth. Em um breve momento minha namorada trombou com sua ex na entrada da cozinha. A baixinha petulante olhou de cima a baixo Santana e sorriu com malícia para ela.
–Bonito corpo!- passou a alisar o abdômen latino (o meu maravilhoso abdômen), mas foi parada no mesmo instante por Santana.
–Pára, Rachel- ela a afastou de si- Não provoque minha namorada.
–Não estou- ela continuava com as investidas e minha vontade de tirá-la dali a tapa já me consumia- Só amo esse seu corpo.
–É? Que bom pra você. Paz, Rachel- Santana saiu de lá, deixando Rachel com um olhar de ódio. A baixinha passou por mim nada contente.
–Desgraçada de sorte- a ouvi resmungar, rindo internamente por isso. É, baixinha, perdeu.
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Santana depois de meia hora nos pegou em casa e juntas partimos até um shopping próximo. Ela não deixou que eu de forma alguma pagasse pelas coisas que compramos para Beth pelas lojas e depois de horas rodando pelo lugar, paramos em uma lanchonete que tinha uma espécie de parquinho para crianças brincarem enquanto os pais comiam. Beth mal comeu seu lanche e saiu correndo em disparada para o balanço e lá em questão de minutos fez uma porção de amiguinhos, esquecendo-se de mim e Santana conversando mais atrás.
–Acho que você exagerou na quantidade de coisas que comprou para Beth- apontei para as sacolas espalhadas pelo chão perto da mesa.
–Ela é criança e uma menina, então tem suas precisões- disse naturalmente, observando-a brincar pelo parquinho.
–Está mimando minha filha, isso sim.
–Que nada, Fabray. Cala a boca- lhe acertei uma batatinha pela chatice- Reparei há pouco na loja que você observava lingeries. Comprou alguma?
–Sim-cruzei as pernas, voltando a meu lanche.
–Hum, que bueno! Posso ver?- perguntou ansiosa.
–Não- respondi indiferente, comendo lentamente minhas batatinhas.
–Como não?- ela franziu o cenho, escorando os cotovelos a mesa.
–Não é o momento.
–E quando será?- vi que a curiosidade lhe consumia, juntamente com a malícia.
–Me convide pra sair que eu posso pensar em mostrar a você- retruquei provocativa, me inclinando sobre a mesa para sussurrar a ela- E com um detalhe a mais: Diretamente no corpo e sem nada acrescentado... Deixo que retire como quiser- quando retornei a meu lugar, me deparei com sua expressão de surpresa, de boca aberta.
–Não sei se fico assustada ou terrivelmente excitada com esse seu súbito momento de provocação que me fez ovular agora- eu gargalhei, tomando um pouco de suco enquanto sentia o olhar pesado e de desejo de Santana- Aonde quer ir?
–Me surpreenda... Que eu surpreendo você- passei o pé sensualmente por sua perna por debaixo da mesa, encarando-a com a sobrancelha levantada em um ar sexy de flerte.
–Santa madre di Diós... Não sabe o quanto te quero agora- tentou pegar meu pé que a acariciava, mas eu o afastei no mesmo instante- Eita mês difícil! Amor, vamos sair daqui. Me deixou ligada agora- fez um bico adoravelmente pidão.
–Isso é uma conversa para outra ocasião... Ficará por sua conta- ela ia dizer algo, mas Beth apareceu repentinamente.
–Tenho sede, mama- ela estava ofegante e suando bicas.
–Sente-se um instante, Elizabeth. Está muito suada- ela assentiu, vindo até mim para que enxugasse seu rosto com uma toalhinha.
–Quer refri, Q2?- Santana ofereceu a ela, que fez que sim com a cabeça e aceitou o copo de refrigerante.
–Spasibo, San.
–Disponha- devolveu cordialmente. Beth passou a tomar sua bebida enquanto eu agora amarrava seus cabelos para que pudesse correr sem que eles caíssem em seus olhos- Fez muitos amigos, bonequinha?
–Sim, fiz três. Foi meio difícil falar com eles em primeiro momento porque se embolaram com o meu "estranho jeito de falar enrolado" como Paul, o menino gordinho disse, mas eu aprendi a falar devagar pra que eles me entendam e todo mundo fique feliz- ela explicava balançando as perninhas ao falar e ao beber seu refrigerante- Um menino, o Alex, perguntou se eu queria ser sua namorada, mas eu achei melhor não. Ele é tão loiro e de olhos claros quanto eu. Nossos filhos nasceriam parecendo aqueles ratinhos brancos de laboratório. Prefiro morenos- deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Santana e eu rimos de mais uma pérola de Beth. Ela se concentrou no copo da bebida gelada, deixando a mim e Santana naqueles olhares, compartilhando pensamentos pecaminosos. Ela realmente mexeu comigo a ponto de fazer aflorar esse meu lado ardente em desejos e a ânsia pelo calor que só o corpo dela emanava sobre o meu. Que pecado! Mas um ótimo pecado- Vocês namoram?
–O que?- indaguei surpresa pela pergunta.
–A forma que vocês se olham, não sei. É como o papai olhava para suas fotos e me falava sobre você- olhei para Santana e a mesma me enviou um olhar de incentivo e fez menção de sair, mas gesticulei para que ela ficasse- Você ainda ama o papa?
–Filha, eu... -respirei fundo pra continuar- Aconteceram muitas coisas. Seu pai e eu não funcionamos mais juntos. Eu amo Santana agora e é com ela que estou e quero sempre estar- Beth ficou em silêncio por um tempo, me deixando temerosa por sua reação. Era algo muito complexo para uma criança entender e não queria perder minha filha mais uma vez. Santana deslizou a mão sobre a mesa e colocou sobre a minha para me passar tranquilidade.
–Você ama minha mama, San?
–Como o Ken ama a Barbie sinistra dele- minha pequenina riu, colocando a mão sobre a minha e de Santana unidas.
–Humm... Legal- ela deu de ombros e desceu de meu colo, saindo correndo em disparada para junto de seus amiguinhos.
–Legal? Isso quer dizer o que?- Santana questionou nervosa- Gente, alguém me responde aqui que eu to surtando. Isso significa o que? Hein? Puta que pariu, estou tendo um ataque cardíaco- ela colocou a mão sobre o peito de forma dramática, o que me fez sorrir intensamente. Corri até ela, sentando- me em seu colo e beijando sua bochecha.
–Calma, sua doida. Ela adora você, não vê?
–Não sei, só que se eu tenho um coração, ele vai sair pela minha boca a qualquer instante- pegou um copo de refrigerante e tomou de uma vez só. Beth realmente tinha deixado Santana na pressão. Eu ri- Quinn, não ria. Quase morro.
–Boba, sei uma forma muito boa de lhe acalmar- comentei sugestiva a seu ouvido.
–É? E qual é?- fiz menção de beijá-la, mas desviei para o ouvido.
–Me leve pra jantar amanhã que conto a você.
–Diós!- ela choramingou, deitando a cabeça em meu ombro- Hum, eu topo. Prepare a lingerie que já sei pra onde te levarei.
–Aonde?- perguntei curiosa.
–Gosta de comida mexicana?
–Namoro uma latina, então tenho que gostar- ela riu- Eu adoro.
–Pois vai gostar pra onde te levarei... Espero que goste de dançar, muchas chicas de lá adoram.
–Santana- alertei me precavendo das traquinagens dela.
–Hey, relaxa. E vista algo leve... Nossa noite será muy caliente.
–Será interessante- ela capturou rapidamente meus lábios.
–Muy interessante!
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