Ligadas pelo destino

28 Capítulo 28- Respostas... Tão, tão distantes.


Notas iniciais
Hey, galeraaaaaa. To de volta, quem sentiu minha falta? Cri cri cri. Pois bem, capítulo novinho procês ihuuuuuu. Eu iria postar há uns dois dias, but, acabei sem querer querendo (sem querer mesmo) torcendo a mão putamente e agora o osso aponta para o céu e avante. Não queria deixar vocês sem um capítulo antes de eu ir, então... Espero que gostem. Desculpem os erros, mão lascada e tive que escrever devagarzim e com aquela coragem para revisar kkkk Bora lá, cambada...

Quase um mês já havia se passado e cá estava eu de frente ao volante de Francyne entrando em terras canadenses. O Canadá não é tão longe do Texas para a viagem ter durado todo esse tempo, mas tive que fazer algumas paradas importantes no caminho. Paradas essas que até agora não me renderam em nada. O que eu fiz? De acordo com uma lista de nomes que encontrei fuçando nas coisas do papai, descobri certas pessoas aliadas a ele e Russel que poderiam estar com os dois chips que restam ser encontrados. Isso poderia ser bem mais rápido se eu estivesse usando o aparelho que Quinn usava para rastrear os chips, porém, ele havia pirado de uns tempos pra cá e jazia travado e de nada me serviria. Égua de vida complicada essa que arrumaram pra mim. Eu bem que poderia, agora que estava longe, acabar com tudo isso tirando Bilbo daquele porta-malas e lhe entregasse uma arma. Sei muito bem o que ele faria em primeira instância, no entanto, tudo que meu pai fez e sofreu por minha causa teria sido em vão e longe de mim sujar sua memória dessa forma. Acima de tudo não sou covarde. Antony Lopez não me criou assim.

E agora a pergunta que não quer calar: O que eu fazia no Canadá?

Pra responder a essa pergunta tenho que explicar o por quê de ter levado Bilbo comigo. Motivo 1:

Ele era perigoso e não o deixaria perto de minha família ou da mulher que amo, apesar de nossa situação um tanto conturbada.

Motivo 2:

Pelo o que eu havia notado, aquele ser de sotaque estranho e de jeito tão gay quanto um unicórnio colorido do mal vomitado por um ursinho fofinho panda, era o braço direito do Gagarófsky ou o seu brinquedinho acariciador de pokebolas favorito. Então o tendo comigo, eu estaria um passo a frente daquele russo dos infernos, filho de uma quenga caolha e de um corno psicótico cheirador de galinhas. Pelo o que Bilbo me contou (lê-se que eu arranquei a força apertando seus mamilos e cantando ‘’um elefante incomoda muita gente’’ em seu ouvido 7287482832 vezes) descobri também onde provavelmente estaria o tal Carter que era o responsável pelo tal chip em meu cérebro e também pela traição a meu pai, levando-o a ser morto daquela forma tão cruel.

Acho que nunca falei sobre, mas não fui ao enterro de meu pai. Por que eu não quis? Lógico que não, mas pelo o que fiquei sabendo, não tinha um corpo para ser enterrado. Um soldado que estava com ele quando aconteceu, contou que um cara forte, de pele branca e olhos claros atirou contra seu peito antes de jogá-lo a um galpão da base que estava em chamas. Ou seja, seu corpo queimou até virar pó e se misturar ao vento. É horrível escutar isso quando estava esperando seu pai retornar do trabalho, na porteira da casa com seus biscoitos preferidos e leite pra acompanhar. Passei meses pra voltar a falar sem chorar sem parar. Eu tinha Rachel ao meu lado. Ela não me deixou sozinha um instante sequer. Um dos fatores pelo o qual eu me perguntava até hoje, como quando ela dizia me amar tanto e me traiu daquela forma. Eu odeio mentiras, por isso até com minha mãe eu me mantinha transparente a tudo que acontecia a mim, incluindo o fato de eu ser uma garota que apreciava doces lábios femininos. Agora vem Quinn, a que me fez repensar meus conceitos de nunca mais amar alguém sem limites como eu a amo, e agora vi simplesmente que ela também me escondia e talvez ainda esconda algo. Preciso dizer o quanto isso é frustrante?

Motivo 3

Quando eu chegasse ao provável esconderijo do tal doutor que participou na transformação dessa coisa que sou, tendo Bilbo comigo seria um passaporte até ele sem precisar talvez matar alguém ou me machucar, tirando o fato de que eu me recuperaria rápido, mas nem tanto assim. Por acaso, posso até agradecer por isso, eu sentia dores como qualquer pessoa. Talvez as aguentasse bem mais que alguém normal, porém ainda em meu profundo sentia que de alguma forma não era tão grotesca assim. Isso não queria dizer que eu ainda não me sentia completamente horrível sabendo que eu era um ser não identificado... Pelo menos por mim. Meu estômago revirava toda vez que eu me lembrava das palavras de Quinn:

‘’ Você é uma arma humana, criada simplesmente para deter bandidos altamente perigosos e conseguir se infiltrar em qualquer ambiente e se sobressair a essas situações extremas’’.

‘’ Uma pessoa normal aos olhos de todos, quando na verdade é um ser humano geneticamente modificado’’.

‘’ Achei algo perturbador alguém querer quebrar as leis de Deus e criar um ser humano para ferir os outros. ’’

Minha cabeça ainda estava tão confusa quanto ensinar um cavalo a miar. Machucar pessoas me deixava mal, doente, me sentindo suja e desprezível. Já nem sabia como eu estava aguentando todas essas batalhas que sempre no final acabava ferindo alguém ou quem sabe provocando sua morte. Isso vai contra as leis da vida. Apenas Deus tem o poder e o direito de tirar a vida de alguém, não alguém como eles ou eu, por um motivo que nem deveria existir. Os seres humanos ao invés de perderem seu tempo tentando destruir uns ao outros e ao meio ambiente, deveriam estar procurando formas de resolver seus problemas com eles mesmos e com o planeta. Dúzias de coisas pesando na cabeça. Ainda nem sei como não caí pra trás com esse peso todo.

Chegamos rápido a Toronto. Procurei a hospedaria mais afastada possível do centro e lá me alojei. Levei Bilbo comigo até o quarto alegando ser meu pai demente. Alguns minutos depois, estávamos matando a fome enquanto eu cuidava de uma paradinha interessante. Bilbo estava algemado a janela por uma mão e com a outra ele comia quietinho como uma lady. O jeito dele às vezes me lembrava Quinn. Deve ser a saudade gritante de minha loira pancada. Eu sei que a essa hora ela deve estar me chamando de todos os nomes feios do universo e que também queima de ódio por tê-la deixado e ido embora. Mas ela terá que se conformar a esse fato, pois isso tudo está ficando perigoso demais para que ela participe. Não vou deixá-la correr perigo. Posso ainda estar chateada por conta dos segredos, no entanto, eu a amo acima de tudo. Bilbo cortou meu devaneio.

–O que você está fazendo?- questionou ao me ver ligar alguns fios a um aparelho quadriculado.

–Não é da sua conta- respondi rispidamente, sem parar o que fazia.

–Você vai me matar?

–Não, pelo o contrário. Vou te deixar vivinho da silva e ainda vou te soltar. Ehhhhhh- brinquei em uma falsa comemoração- Mas não comemore antes do tempo. Vai depender de você continuar vivo- terminei meu trabalho com o aparelho. Fechei seus lados com parafusos, dando uma última checada para ver se não faltava mais nada. Estava impecável. Às vezes é bom ser engenheira. A gente aprende cada paradinha legal- Prontinho, sir. Unicórnio russo- anunciei contente com o resultado de meu trabalho. Fui até Bilbo, que inquietou-se no mesmo instante- Quietinho, amorzinho, isso não vai doer nadinha.

–O que é isso que está colocando em meu pescoço?- perguntou aflito, tentando tocar o que eu amarrava. Dei um tapa em sua mão para que não tocasse.

–Tira a mão- apontei o dedo a sua direção como repreensão- Isso, meu rapaz, é um dispositivo que contêm um explosivo por acionamento à distância ou até mesmo pelo o toque a sua tranca depois de ligado. Ou seja... – pausei para me afastar dele, lhe mostrando um controle com apenas dois botões pequenos de cores diferentes-... Se você não fizer o que eu mandar, tentar dar uma de doido ou ainda tentar retirar a coleira, eu vou apertar esse botãozinho verde... — apontei o botão-E você, meu amigo homosexumal... Vai perder a cabecinha... Literalmente. Vai ser um CABRUMMM... PLOFT!- gesticulei algo explodindo, fingindo uma careta de dó, com um bicão brincalhão- A escolha é sua.

–E o que eu devo fazer?- indagou com um semblante visível de temor.

–Hum, abrir caminho para mim- retornei a mesa para terminar meu lanche- Irá me levar a esse esconderijo do tal Carter O’Donnell e me ‘’escoltar’’ pelo lugar até eu ficar cara a cara com ele. Ponyal, malen’kiy tsvetok? (Entendeu, florzinha?)

–Sim... Hey! Fala russo?

–Surpreso?- lhe enviei um olhar superior e voltei a meu sanduíche de frango.

–Pode-se dizer que sim. Você parece alguém tão...

–Incrível?

–Tonta e ignorante.

–Ai!- pus a mão no peito, insinuando estar ofendida.

–É o que eu acho- ele deu de ombro, re-encostando-se a parede.

–Bom, eu tenho lá minhas habilidades.

–Percebi- engoliu seu cinismo com um gole de refrigerante diet- Mas até eu devo admitir sua determinação. Se não fosse tão tonta e manipulável, eu lhe ofereceria uma aliança. Precisamos de pessoas de coragem como você.

–Não sou manipulável.

–Percebi isso também. Notei seu pulso firme com a Lucy- ironia foi pouco agora. Ri demorado.

–Ninguém me manipula e vou te provar isso ainda hoje- disse segura com minhas palavras. Levantei da cadeira e fui até a porta, parando para uma rebatida a la Santana Lopez- E a propósito, não sou eu quem está algemada a uma janela por estar pagando de vadia russa pra um filinho de papai mimado. Eu sei que Quinn me ama, mas e seu mestrinho de merda? Ele deve nem lembrar de você agora ou já teria mandado alguém vir te salvar. Então agora eu lhe pergunto: Quem aqui é tonto e manipulável?- ele parecia atingido pelas palavras, pois abaixou a cabeça, mergulhado em pensamentos- É, bebê... Chupa essa manga- dei o melhor olhar bitch e saí desfilando pela porta, trancando-a bem.

It’s Santana Bitch!

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POV ROB

Medo.

Essa era a palavra que definia a todos nessa casa durante essas semanas que se passaram. Céus, Santana era mesmo muito louca e inconsequente. Como ela foge desse jeito sem avisar a ninguém, nem mesmo a mim que sou seu confidente e melhor amigo? Minha preocupação já estava atingindo os limites nesse quase um mês sem notícias dela. A pobre da Quinn quase enlouquece quando leu os dizeres no quadro assim que havia dado fé de seu sumiço. Ela até que conseguiu se fazer de forte por uns dias, mas quando percebeu que Santana realmente não iria retornar tão cedo, caiu em um desespero penoso. A loira quase me arrasta para a estrada no intuito de ir atrás de minha irmã, mas de nada adiantaria. Ela já devia estar bem longe a essa altura. E como dizia no recado para não procurá-la, eu não o faria. Por que? Porque simplesmente, apesar de achá-la maluca, eu confiava em minha irmã mais velha. Posso ser dado como tão louco quanto ela, mas que se dane. Ela confiava em mim então é recíproco.

Passei todos esses dias sem sair do lado de Quinn. Santana com certeza iria querer que eu fizesse isso, pois conhece o lado frágil da namorada. Ela passava horas e horas chorando desconsoladamente, dizendo sem parar no quanto Santana era irresponsável, inconsequente, desmedida e por aí ia. Então em seguida dizia o quanto a amava e que não se perdoaria se acontecesse algo a ela. Eu ficava tão confuso com aquilo e só balançava a cabeça concordando com tudo que ela colocava. Nilo a visitava também, mas não podia demorar por causa do inquérito que estava sofrendo sobre o que aconteceu do tiroteio com os capangas do Karofsky, então deixava sua esposa fazendo companhia para ela. Maldita hora que aquele idiota foi aparecer em nossas vidas! Entretanto, eu ainda acreditava que nada na vida era por acaso. Ainda tinha muita coisa para nos surpreender, esse fato era quase gritante.

Desci por alguns minutos para pegar o chá que dona Maribel fazia para Quinn. Aquela senhora era tão forte que em certos momentos eu me assustava. Nilo disse que nunca havia visto sua mãe daquela forma, pois antigamente era alguém amarga e sem vida, e apenas Enzo lhe era importante. Agora, percebe-se o amor que ela sente por Santana e no quanto se preocupa e sente-se arrependida por tudo. Converso bastante com ela e sinto isso, sem falar que ela até que é uma senhora simpática e doce. Não guardo mágoa de ninguém e, apesar de saber da rixa dela com minha mãe, eu deixei isso pra lá. Quem mexe no passado, adoece seu presente e mata seu futuro. Papai me ensinou isso.

–Vim buscar o chá da Quinn, mamãe. Já está pronto?

–Só um instante, filho- ela avisou em um tom carinhoso. Beijei sua bochecha, sentando-me a mesa para observá-la enquanto preparava o chá. Sim, eu havia desenvolvido um amor tremendo por aquela mulher e sentia que era recíproco. Ela até havia me pedido que a chamasse de mãe, porque sentia isso por mim, que eu era um de seus filhos. Eu de alguma forma precisava desse amor. Não que vá substituir o de minha finada mãezinha, mas sei que era isso que ela queria, que existissem pessoas que me amassem e cuidassem de mim. Sempre a sinto perto de mim, acariciando meus cabelos e dizendo ‘’vai ficar tudo bem’’- Como a pobrezinha está, meu filho?

–Triste, mãe. Muito triste- respondi com uma pontada de tristeza nas palavras- Estou com muita pena dela, mas por outro lado sei que Santana é conhecedora do que faz.

–Concordo com você. Tive uma época de grande afastamento com minha menininha, mas como mãe sei no quanto ela capaz e confio em suas habilidades- ela encostou-se a pia para continuar- Sei que ela me odeia, mas meu amor é maior que qualquer ódio que ela possa ter por mim.

–Ela não odeia a senhora, mamãe- fui até ela e abracei sua cintura- Todos temos nossos arrependimentos, mas a vida é feita disso. Cometemos erros, nos arrependemos e seguimos com as coisas. Ninguém é perfeito. Eu acredito em mudanças, na sua mudança e acredito mais ainda que minha irmã cabeça dura vai perceber isso também e vai lhe dar mais uma chance. Você é doce, carinhosa, sabe cuidar de quem ama e foi nisso que ela puxou de dona Maribel Lopez.

–Menino danado, vai me fazer chorar mesmo?- eu ri, beijando sua bochecha- Você é mesmo filho de Antony. Foi por esse jeito meigo, carinhoso, simpático e engraçado de ser pelo qual me apaixonei nele quando nos conhecemos.

–Queria ter tido mais tempo com ele.

–Não fique triste, meu pequeno. Sei que aonde ele estiver, se sente muito orgulho por você ser esse menino tão incrível.

–Obrigada, mamãe.

–Não por isso, meu menino vermelhinho- eu ri novamente, lhe abraçando apertado- Santa madre de Dios! Me esqueci de prender as galinhas. Você termina aqui com o chá?

–Claro!- ela me deu um último beijo na bochecha e saiu em disparada para o quintal. Fui até o fogão tirar a chaleira do fogo e despejar um pouco do chá em uma xícara. Estava preparando para subir, quando senti braços macios me rodearem e um beijo demorado no pescoço, que me arrepiou- Marley!

–Na mosca!- eu ri, virando-me para lhe receber com um selinho demorado. Bem, estávamos nos conhecendo bem nesses dias que se passaram. Ela mexia com meu coração, não posso negar. Era meiga e sensual ao mesmo tempo, apesar de Santana implicar com suas meias, eu achava um charme- É pra Quinn?- apontou para a xícara em minhas mãos. Eu confirmei- Como ela está?

–Na mesma. Chorando, se lamentando e querendo arrancar a cabeça de Santana.

–O amor é assim mesmo- rimos ao mesmo tempo, e ficamos nos encarando por alguns segundos sem dizer nada. Ela tinha belos olhos que me deixavam anestesiado, sem conseguir olhar para outra coisa. Eu nunca me apaixonei antes, mas pelo o que Santana me dizia sentir por Quinn, acho que esse sentimento agora, essa sensação de bobeira e moleza no corpo, indicava que eu estava enfim entendendo o que ela me dizia com tanto fervor. Antes eu acreditava que o amor era como um passarinho recém-saído do ovo, que sua mamãe lhe alimentava e o aquecia durante a noite, tornando-o tão ligado a ela quanto seu coração ao peito. Mas agora, quando conheci Marley Rose, meu conceito não era tão diferente... Porém a ligação não era com sua mãe, mas sim com o universo, porque só sendo desse tamanho para consegui guardar tanta coisa dentro de si. Aquela sensação do primeiro voo do passarinho foi a minha ao ver aquela morena. E agora, quando o passarinho abriu as asas e voou sobre as árvores, próximo as águas do mar, viu seu reflexo de felicidade ali e por fim pousou na montanha mais alta, sendo agraciado pelos ventos da liberdade... Foi a sensação quando ela adentrou meu coração e cavou fundo ali, se alojando- Hey, fala alguma coisa- ela disse brincalhona, pelo meu estado de transe.

–Você é extramente linda.

–E você exagerado- ela havia ficado vermelha, me acompanhando nisso.

–Exageradamente apaixonado por você- Marley ajeitou os cabelos, sorrindo boba para mim- Se eu dissesse agora que te amo, apesar de nos conhecermos há tão pouco tempo, o que você faria?

–Diga que saberá a resposta- eu sorri largamente, deixando a xícara na pia para abraçar sua cintura e lhe encarar bem de perto.

–Eu amo você, Marley Rose- ela levemente sorriu, fechando os olhos- Namora comigo?

–Só se você me der um beijo de tirar o fôlego agora.

–É pra já, moça- dito isso, beije-lhe os lábios carinhosamente, acariciando sua bochecha. Voltei a agarrar sua cintura, sentindo-a passar os braços por meus ombros e me apertar mais a seu corpo. Encostei Marley na mesa e a ergui um pouco nos braços para poder beijá-la melhor. Nossas bocas se buscavam com paixão e quando o ar faltou, nossas testas se encontraram por alguns minutos.

–Também amo você, Rob.

–É?

–Aham- eu parecia um idiota apaixonado lhe encarando e ela riu- Sabe, o chá de sua cunhada vai esfriar.

–Diós, é mesmo- fiz careta, colocando-a de volta no chão- Depois nos falamos.

–Com toda a certeza- ela me disse brincalhona. Lhe dei um selinho demorado e saí correndo com o chá para o quarto de Santana. Quinn já havia despertado e mantinha-se agora quieta e calada, olhando para o aparelho rastreador dos chips.

–Oi.

–Oi- ela disse levemente, voltando a atenção a mim.

–Te trouxe chá de camomila. Mamãe que fez.

–Obrigada, Rob. Você é um doce- eu sorri em retorno, entregando a xícara a ela, que assoprou o líquido antes de levar a boca.

–Como se sente?

–Abandonada?- fez um bico penoso de tristeza e já dava pra perceber algumas lágrimas se formarem a seus olhos esverdeados- Se pelo menos a droga desse aparelho destravasse, eu a encontraria.

–Hey, vai dar tudo certo. Acredita, vai.

–Eu tento- ela enxugou algumas lágrimas que escorregavam por seu rosto, tomando mais um gole de chá- Mas Santana merece uns cascudos.

–Eu te ajudo a dá-los nela quando retornar.

–Só cuide para que ela não corra- disse descontraidamente, levando-me a rir demorado- Acha que ela volta?

–Com toda certeza. Santana só está confusa, você sabe tanto quanto eu- ela abaixou o olhar pra xícara e passou a brincar com a mesma- Só nos resta torcer pra que ela fique bem.

–Ela não tinha esse direito de me deixar- Quinn não se aguentou e caiu em um choro sofrido. Corri até ela e peguei a xícara de sua mão, colocando-a no criado-mudo perto da cama. Sentei do seu lado na cama e a abracei pela lateral, tendo ela encostada a meu peito.

–Ela teve seus motivos, Q.

–Mas eu não quero perdê-la.

–E não vai, relaxa. Santana te ama- e o choro só aumentava- Shiiii, se acalma. Eu estou aqui com você- lhe abracei apertado enquanto ela chorava agarrada a meu braço. Nunca tinha visto Quinn dessa forma tão destruída. Na verdade nunca vi ninguém dessa forma. Me deu uma pena tão profunda, que até vontade de chorar havia me dado. Engoli o choro a seco e beijei o topo da cabeça da loirinha.

–Obrigada, Rob. Não sei como eu estaria sem você.

–Não precisa agradecer. Gosto muito de você.

–Eu também. Você é um amor. Santana é uma ordinária, mas vocês tem algo em comum. A alma maravilhosamente boa.

–Santana é ótima. Agora descansa.

–Você fica comigo? Pelo menos até eu conseguir dormir? Fico com medo sozinha nesse quarto- eu ri demorado.

–Claro que fico.

–Obrigada mais uma vez- a senti abraçar minha cintura e se ajeitar melhor a meu peito. Acariciei seus cabelos levemente. Ela chorou mais um pouco até cair no sono. Estava tão assustada, tadinha.

–Santana, sua maluca. Aonde estiver... Tome cuidado.

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POV SANTANA

A noite fria canadense já nos havia alcançado. Estávamos agora de frente a mansão onde o doutor pironbeta estaria escondido segundo Bilbo. Eu passei um tempo observando por um binóculo toda extensão do casarão luxuoso, procurando possíveis saídas para uma fuga caso precisasse. Bilbo dormia tranquilamente nos bancos de trás de Francyne, só esperando o momento de entrarmos no lugar... E este momento era agora. Fui até a parte da frente do carro e abri o porta-luvas. Tirei de lá a Glock que Olívia deu pra mim alegando ser de meu pai. Era uma bela pistola personalizada, com uma serpente sinuosa e ostentando poder envolta a ela. Fui até o porta-malas, peguei duas kunais e as escondi na cintura. Pus munições extras na jaqueta, juntamente com o controle da coleira explosiva de Bilbo. Em uma mochila coloquei o restante das coisas que eu poderia precisar nessa invasão silenciosa e altamente suicida, pois era somente eu contra um mundo de gente armada até o fígado. Meu nível de loucura estava ultrapassando os limites da sanidade agora.

–Hey, princesinha, acorda!- bati na janela traseira para acordar o russo dorminhoco, que se assustou.

–Agora?

–Já- ele bufou, abrindo a porta para sair- Qual o plano?

–Entrar tranquilamente, pegar o cientista e sair tranquilamente. Entendeu?

–Maluca- eu ri concordando mentalmente. De mochila nas costas, e a garganta que não passava um fio de cabelo, comecei a andar com Bilbo até a entrada da casa, já dando de cara com um ser com o dobro do meu tamanho no portão. Eles conversaram algo em russo, que se meu entendimento estiver certo, era ou ‘’ela está comigo’’ ou ‘’estou te devendo um penico’’, mas acho que era a primeira opção. Estou vendo por que é tudo intenso em mim, até meu retardamento. O gorila lá me olhou analisador e em seguida permitiu nossa passagem. Tentei sorrir simpática, mas deve ter saído uma careta assustadora. Andamos por mais uma porrada de corredores, sempre dando de cara com homens mal encarados e com até os bigodes empunhando uma arma. Bilbo perguntou algo a um dos guardas e ele respondeu apontando para as escadarias infinitas mais a frente. ‘’É hoje!’’ choraminguei baixinho. O russo e eu seguimos pelas escadas, onde havia no fim do corredor a frente de uma sala de portas duplas enormes- Ele está ali- Bilbo apontou para o lugar.

–Vamos então.

–Eu não, aquela sala é sinistra. É ali que ele faz uns experimentos quase que satânicos.

–Quer ter sua cabeça sendo juntada por um canudo, senhorita?- ameacei, lhe mostrando o controle de sua coleira explosiva, que estava escondida pela gola de sua camisa. Ele bufou me acompanhando. Bilbo abriu as portas e fui a primeira a entrar no lugar, me deparando com a sala mais sinistra do universo. Cheia de mesas entocadas com substâncias estranhas, prateleiras com feto de animais e até mesmo de humanos dentro de vidros, um telão com a anatomia de alguém passando entre quadros de imagens, juntamente com informações dessa pessoa e sua situação por batimentos cardíacos e monitoramento das atividades cerebrais. Dava pra perceber que a tal pessoa era alguém bem novo... Na verdade, era uma criança. Era loira, aparentava uns cinco ou seis anos, a pele era branquinha e os olhos... Santa madre de Diós! Ela era a cara de Quinn. Será que... Não! Não poderia ser.

–Eu não acredito! Carter deve está maluco- Bilbo gritou mais atrás, mais assustado que eu com o que via. Ele correu, passando por mim e foi até uma espécie de cama que estava em pé, virada com as costas para nós. Se desesperou quando viu algo ali e tratou logo de tirar quem quer que estivesse ali- Beth, menina, acorde! Por favor, abra os olhinhos.

–Titio Bi?- escutei uma vozinha fraca e em seguida Bilbo erguia uma criança, que parecia a da tela e a abraçava forte.

–Você está bem?

–Estou, só com sono- a pequena dizia em um forte sotaque russo, coçando os olhos em sonolência- Quem é ela?

–Uma amiga do titio- ele a pegou pela mão e a trouxe para perto de mim- Diz pro tio Bi o que você está fazendo aqui.

–Não sei direito, mas eu estava com o papai em Moscou quando vieram me buscar dizendo que minhas férias haviam começado. Depois não me lembro mais de nada.

–Aquele canalha!- Bilbo vociferou irritado- Meu mestre não deve ter consciência disso. Esse idiota deve estar ficando maluco.

–O que está acontecendo aqui, cara? Quem é essa garotinha?-perguntei intrigada com toda aquela situação.

–Essa é Elizabeth Karofsky. Bom, pode acrescentar um Fabray aí também- respondeu com desdém e minha cara veio abaixo. Eu estava diante da filha de Quinn, tão linda e loira quanto a mãe.

–É a filha de Quinn?

–Você conhece minha mamãe?- a menina tinha um brilho de alegria nos olhos. Me agachei para poder ficar da sua altura.

–Conheço sim, ela é minha namo... Amiga. Me chamo Santana.

–Sou Elizabeth, mas pode me chamar de Beth- ela disse de forma encantadora, me estendendo a mão para um cumprimento e assim o fiz. Era tão delicada quanto uma bonequinha de porcelana. Tão Quinn que me assustava.

–Beth, espere aqui um segundo, por favor- ela sorriu em resposta assentindo. Peguei Bilbo pelo o braço e lhe arrastei para outro canto- O que essa garotinha faz aqui?

–Eu também quero saber disso, Santana- ele parecia estar com muito ódio. Pelo o jeito que falava com a pequena, notava-se que tinha um grande carinho e até amor pela criança. De repente a porta se abriu e um homem negro aparentando uns quarenta anos entrou na sala, nos encarando assustado.

–O que vocês fazem aqui?

–Entra!- saquei a arma para ele ameaçadoramente e indiquei para que entrasse. Fui até ele e o empurrei para o meio da sala, trancando a porta com um suporte feito de ferro que encontrei por ali- Quem é você?

–Carter O’Donnell- Bilbo o chamou antes que ele mesmo dissesse o nome e o cumprimentou com um belo soco na fuça- O que ela faz aqui?

–Estou fazendo testes para o novo vírus para a cura de sua pneumonia- ele respondeu, tocando o maxilar doído pela porrada.

–Seu sádico, ela é apenas uma criança.

–É o progresso, meu querido- ele tinha um sorriso maquiavélico no rosto. Bilbo voltou a avançar sobre ele, mas dessa vez o impedi.

–Calma aí, rapaz. Vai cuidar da garotinha- lhe empurrei na direção de Beth, que nos olhava assustada- Bom, agora vamos a nós.

–O que você quer comigo?

–Que retire o chip que colocou em minha cabeça assim que nasci.

–Santana Lopez?- ele indagou, com um sorriso espantosamente alegre. Eu confirmei e ele quase me abraça, se não fosse eu apontar a arma novamente em sua direção.

–Não se aproxime de mim- o alertei com um olhar de pouco amigos e ele levantou as mãos em sinal de rendição- Então, pode tirar o chip de minha cabeça?

–Não.

–Merda!- praguejei com raiva- Mas que droga, cara, o que deu em sua cabeça pra fazer isso com alguém?

–O futuro, criança. Me jogaram uma proposta e só dei o que eles queriam. Alguém perfeito- me apontou de cima a baixo- Bom, faltam umas coisinhas aqui ou ali, mas não se altera o fato de sua incrível capacidade. O corpo está perfeito, a musculatura... Tudo. O trabalho de uma vida.

–E quanto a Russel Fabray?

–Um idiota que se acha o que nem de perto é. Quem a projetou fui eu. Quem cuidou das análises fui eu... Você é totalmente minha. Ele de nada sabe, apenas levou o crédito- ele dizia prepotente, lançando um olhar de desdém quando falava do pai de Quinn.

–Não sou de ninguém. Eu que mando em minha vida, decido meu futuro e no que serei- expus segura, apontando o dedo na cara do enfezado.

–Discordo, filhinha... Você é maior do que acha. Só precisa se entregar a quem pode te fazer uma deusa e eu sou essa pessoa.

–Eu juro que se falar isso de novo, eu te faço engolir seu próprio braço- ameacei brutalmente.

–Esse poder todo é fascinante- sorriu animado. Pegou um gravador do bolso, apertou um botão e o levou até a boca- Cobaia cento e cinquenta aprovada. Santana Lopez é perfeita, emana poder e determinação. Precisamos aumentar a dosagem de...

–Ah cala essa boca- bati rispidamente no gravador, que o fez voar pra longe. O peguei pela gola da camisa e o trouxe pra perto- Você vai tirar a porra desse chip de minha cabeça e vai tirar agora... – de repente senti algo cutucar abaixo de minhas costelas e soltei o maluco com tudo no chão. Era uma seringa fincada ali- E essa seringa?

–Sabia que esse dia chegaria. Você veio até mim então não podia deixar passar. Sempre levo uma comigo- eu tinha a profunda certeza de que aquele cara tinha um problema sério no juízo e não era pouco. Ficou rindo feito um psicopata olhando pra mim e apontando pra seringa em minhas costelas.

–Não sinto nada- dei de ombros, encarando aquele troço em mim.

–Como não? O efeito deveria ser instantâneo- ele me encarava confuso- Deveria ter dado certo.

–Mas não deu- fiz um bico de indiferença.

–Você é um erro. Um grande erro. Não é o que eu queria, é fraca- disse do nada, tentando se levantar- Isso deveria ter derrubado você, se fosse especial.

– Cara, isso não me machucou- retirei lentamente a seringa até a agulha ficar a mostra, revelando um líquido azul brilhante em uma gotinha na ponta- Mas e a você?- sorri sapeca pra ele, atirando a seringa em sua direção que acertou em cheio seu pescoço. Ele pôs a mão no local, dando um grito de dor que ecoou por toda a sala. Ouvi Beth choramingar mais atrás e ao me virar, me deparei com aqueles olhinhos amedrontados familiares e tentei sorrir para deixá-la tranquila- Vamos tirá-la daqui- disse a Bilbo, que concordou pegando a pequena pela mão e se colocando a andar com ela ao seu lado. Antes que eu chegasse a porta, uma dor aguda no local da picada me atingiu fortemente, fazendo-me parar com a mão ali.

–O que foi?- Bilbo perguntou tocando em meu ombro.

–Não sei, mas dói muito- me inclinei pra frente em total dor, vomitando sem aviso e quase caindo no processo se não fosse por Bilbo me segurar- Ai, droga, o que fez comigo?- o doido caído mais a frente apenas ria sem parar enquanto sangrava pela garganta, com certeza havia acertado a carótida- Fala, seu maluco. O que é isso?

–O progresso- dito isso, ele caiu morto, me encarando. Caí de joelhos, com a mão na barriga, sentido-me intensamente tonta. Senti que ia morrer em instantes e estranhamente meu corpo inteiro dava pra ser sentido. Principalmente por algo que passava por minhas veias e chegava a minha cabeça, ardendo miseravelmente. Gritei de dor, encostando a cabeça ao chão. Meu nariz começou a sangrar, juntamente a meus ouvidos. Realmente não achava que sairia daqui viva.

–Vai ficar tudo bem- senti a mão de Beth acariciar minhas costas levemente. Aquele gesto tão límpido e simples me fez sorrir, apesar da dor. Ela ajoelhou-se do meu lado e sorriu pra mim, pegando minha mão e beijando- Pro dodói sarar.

–Obrigada- agradeci simpática, esquecendo o fato de que estava morrendo ali, na frente da filha de Quinn. Mais minutos se passaram naquela agonia até que tudo de repente cessou. A dor foi sumindo até não sentir mais nada, a não ser um leve enjoo. Com a ajuda de Bilbo e da pequena, me coloquei de pé, respirando fundo. Peguei a bombinha no bolso e puxei o ar naquilo até ir melhorando a sensação de agonia que ainda me acompanhava.

–Está melhor, San?

–Estou sim, pequena. Muito obrigada- ela deu de ombros de um jeito fofo e pegou na minha mão- Vamos!- Bilbo foi a nossa frente, nos guiando. Descemos a escada rapidamente e lá estava o guarda nos encarando intrigado. Ele de repente sacou a arma, desconfiando da situação e puxei Beth rapidamente para dentro de uma sala enquanto ouvia os tiros já soarem pelo corredor- Fica aqui, tá?- ela assentiu assustada e a ajeitei num cantinho que a deixaria protegida para poder ir cuidar dos russosn infernais lá fora. Assim que ele parou de atirar, eu corri rapidamente, me impulsionando na parede para fugir dos novos tiros e com êxito o acertar na barriga. Chutei sua arma pra longe e apontei o cano da minha a sua cabeça, mas não tive coragem de atirar. Porém, Bilbo não foi tão misericordioso e fez o que eu não consegui.

–Nunca hesite em matá-los. Poupe um e voltam cinco- eu fiquei bestificada por ele ter feito aquilo.

–Está do lado de quem agora?

–De Beth- Bilbo disse seriamente, passando por mim para checar a porta. Ela realmente era importante pra ele. Rapidamente pegamos a menininha e corremos para achar uma saída, seria pelos fundos, se já não tivesse tão entupido de guardas- Por ali- ele indicou uma escadaria e pra lá fomos, sempre com cautela porque tínhamos alguém importante com a gente. Paramos antes de um corredor. Deixei a pequena com Bilbo, retirando as kunais da cintura. Havia três caras do outro lado e silenciosamente acertei as facas nos dois de uma vez só. O terceiro me percebeu ali e atirou. Em um mortal pro lado, saquei a kunai na manga de minha jaqueta e lancei contra ele, acertando sua garganta. Na base da faca havia um furo onde um fio quase imperceptível estava seguro, o que me permitia puxá-la de volta. Ao sair dele, girei-a no ar, acertando mais outro que chegava, só que dessa vez fincou em sua cintura. Escorreguei por debaixo dele, dando a volta para que o fio enrolasse em suas pernas e mãos e o prendesse, fazendo-o cair.

–Agora, parceiro, me dê uma saída daqui limpinha de russos armados- ordenei gentilmente a seu ouvido.

–Ao norte, onde recebem o lixo. Vá por essa porta atrás de você e vire a esquerda- ele disse sofrido.

–Brigadinha. Bilbo!- chamei por ele, que apareceu com Beth e a entregou pra mim. Só esperou que eu saísse para atirar no rapaz. Beth estava em minhas costas, já que era pequenina demais para correr tanto. Já estava muito cansada. Chegamos a saída e lá não havia ninguém, demos graças por isso.

–Cuide dela, por favor- Bilbo pediu acariciando a cabeça de Beth.

–Você não vem?

–Não. Preciso ficar para dar um jeito na situação- eu o encarei visivelmente espantada- Ela estará mais segura com você. Passar esse tempo contigo me fez perceber no quão idiota eu fui por seguir essa vida. Beth é a única coisa que me importa agora, então, em nome de tudo que é mais sagrado cuide dela e de Quinn também. Elas merecem.

–Estou sem palavras agora.

–Que estranho- ele riu- Ah, antes que eu esqueça- pegou algo no bolso da jaqueta e me entregou- Saiba que tem alguém de inteira confiança em mim.

–Como?- era o penúltimo chip.

–Estava na sala do doutor O’ Donnell. Encontre o que falta e dê um fim a isso. E tenha cuidado, David não tem alma- apertei sua mão amigavelmente.

–Nunca me esquecerei disso, cara.

–Eu sei. Conte a ela sobre mim quando for mais velha- beijou o topo da cabeça de Beth, que já havia dormido em minhas costas.

–Com toda certeza.

–Obrigada. Agora vai- eu acenei com a cabeça e saí correndo o mais rápido que pude para fora da mansão. Da porta, apertei o botão vermelho do controle que no mesmo instante desprendeu a coleira do pescoço do russo e caiu no chão.

–Vou te deixar ficar com a cabeça.

–Fico agradecido- nós rimos. Voltei a minha fuga com a pequena em minhas costas e em alguns minutos avistei Francyne em seu esconderijo. Com uma delicadeza que eu sequer sabia que existia em mim, repousei Beth nos bancos traseiros. Calmamente dei partida e nos colocamos na estrada de volta para o Texas. Isso não estava em meus planos. Depois que falasse com o doutor, eu seguiria viagem até encontrar os chips restantes e o entregaria para o superior de meu pai no exército e sequer nomearia Quinn nisso para mantê-la isenta a tudo, mas ao invés disso, acabei voltando pra casa com a filha dela, construindo uma aliança com Bilbo, um de seus piores inimigos e matando o doutor que me transformou nisso. Realmente nada na minha vida acontecia como eu planejava. É capaz de eu ir pescar peixe na lagoa e puxar o Michael Jackson fazendo seu famoso “AAAUU’’ de lá no anzol. Que monte de...

Levei quase dois dias pra chegar a Dallas porque Francyne inventou de dar um problema no motor em que eu quase tenho que me vender pra conseguir arrumar. A peça era muito cara e não tinha levado muito dinheiro comigo, sem falar dos remédios para a pneumonia da pequena, que ainda tossia muito. Beth havia se mostrado uma boa passageira. Melhor que a mãe dela, devo convir. Conversávamos sobre diversos assuntos, principalmente sobre Quinn. A pequena se mostrava muito interessada na mãe que ela disse conhecer apenas por fotos e pelo o que seu pai falava dela. Contei o que sabia e o que podia, pois não ia logo de cara dizer pra garota que eu por acaso era namorada da mãe dela. Era uma criança e crianças são bichos imprevisíveis. Vai que a menina surta e se joga do carro em movimento? Aí quando eu chegasse onde a mãe dela e dissesse ‘’Hey, por acaso achei tua filha’’ e ela ‘’Sério, cadê?’’ eu ‘’Perdi. Deve estar chegando na China uma horas dessas, bolando’’. Não dava né, bicha?

Chegamos em Dallas já pela noite. Quando passei pela porteira, ouvi latidos de cachorros e logo em seguida uma porrada de gente se atropelando para passar pela porta. Vi até minha avó, dona Alma, no meio daquela confusão quase sendo pisoteada. Será que ela já usava dentadura? Sei lá, eu até que acho esse negócio legal. Porque só assim a pessoa consegue escovar os dentes e cantar ao mesmo tempo. Credo! Hihihi. Estacionei o carro próxima a casa, mas a uma distância segura da população Lopez revoltada com minha pessoa. Saí sozinha do carro, com a maior cara de sonsa. Já escutava de longe a voz enraivecida de Quinn.

–Com licença, por favor, deixe-me passar. Ela vai me ouvir- shhi, de hoje eu não passo- Santana Lopez.

–Deus!- ela apontava pra mim com um olhar de ódio ardente. Cocei a nuca, já imaginando no quanto eu escutaria, mas não seria essa a hora- Hey!- a parei antes que me alcançasse-o meu pescoço mais precisamente- levantando a mão em sua direção- Antes que você me aniquile com seu olhar raio laser Quinng Kong, eu tenho algo pra você. Tem alguém naquele carro doida pra te conhecer.

–É? Quem?- ela perguntou, cruzando os braços em um semblante que eu já temia por minha vida e de minhas próximas gerações. Antes que me derretesse com aquele olhar apimentado, fui até Francyne e abri a porta traseira, auxiliando Beth a descer. Assim que ela viu Quinn, abriu um sorriso magnífico para ela.

–MAMÃE!- a pequena cópia de Quinn deu um grito que escutaria em Marte e correu na direção da loira, que estava paralisada encarando a pequena figura se aproximando e se agarrando a suas pernas.

–Beth?- ela disse tentando acreditar no que via.

–Sou eu, mamãe.

–Oh, meu Deus. Minha filha- Quinn pegou a filha nos braços e a abraçou forte, quase partindo a pobre criança no meio. Ela chorava emocionada, que daquela distância podia vê-la tremer e amolecer o corpo. Percebi o quão feliz eu tinha a feito ficar nesse instante, principalmente Beth que pode ter em concreto a mulher que tanto admirava pelos retratos. A felicidade delas e de quem encarava a cena ficou um pouco distante quando o lugar da picada com o líquido estranho doeu novamente, só que dessa vez foi tolerável. O que diabos aquele homem injetou em mim? Se era pra me matar não deu certo, mas e aquela dor maldita em que eu senti meu cérebro fritar? Bom, atentando para o que Quinn havia me dito, eu tinha a capacidade de recuperação acelerada que me permitia repor células mortas e eu sei lá o que mais. Então quem sabe eu me curei do que quer que tenha sido aquilo que ele colocou em mim? Não sei, algo em mim dizia para não me preocupar, mas por outro lado... O temor habitava em meu ser. Me liguei a Quinn novamente e esta me enviou o olhar em um misto de emoção, agradecimento, raiva, intriga e muitos outros que eu não pude decifrar, mas que com certeza queria respostas. Respostas estas que nem eu mesma tinha.

Nem toda pergunta tem sua resposta... Pelo menos não as minhas.

Notas finais
E aí, o que me dizem, hã? Quem acha que a Quinn mata a Santana no próximo levanta a mão kkkkk Que loucura, doido. Gente, se soubessem o que tenho em mente para o fim dessa fic, que já está um tanto próximo, vocês pirariam o cabeção muhahahah Mas relaxem. Bem, pessoas gostosas, digo, maravilhosas, semana que vem eu viajo e só Deus sabe quando retorno ou se retorno, então fic que é boa não faço ideia quando retorna, então, mesmo com a pata ferida (autora cachorra) irei tentar atualizar antes de ir. Então, se eu não postar até sábado que vem já sabem. Deixo aqui meu beijo a todos e meu muito obrigada. PAZZZ! PS: Espero de coração que vocês leiam as fics que indiquei. São boas mesmo, vão por mim. PS 360: Quem tiver uma fic, tanto faz já em andamento ou no início, pode me avisar aqui que eu leio com todo prazer e se me agradar demais, confio no talento de vocês, irei recomendá-la tanto lá na sua fic quanto aqui na minha. Gosto de ler histórias, sou amante da leitura e ainda de quebra chamo mais gente pra curti-las. Uhuuuuuuu É, muito remédio pra dor faz isso. BEIJOOOO.