Ligadas pelo destino

27 Capítulo 27- Losing my religion


Notas iniciais
WHAT THE FUCKKKKKKKK... Capítulo novo? Mas já? Hein? Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar... IHUUUU. Não, eu não estou bêbada... Ou será que estou? kkkkkk Pois é, galera, capítulo novo foguete já saiu. Agradeçam a minha insônia por me encher o saco e me dar inspiração para meter mais essa bomba em seus coraçõezinhos... Eu sei, gosto de bombas, é por isso que uma vez quando criança, a professora me perguntou ''pequena gafanhota, o que você quer ser quando crescer?'' e eu disse singelamente, com uma cara psicopata ''uma terrorista''. Nem vou contar o desespero da minha mãe quando a professora contou isso pra ela, pois acho que se perguntou como uma criança de cinco anos pensava daquela forma e eu respondi: ''Foi o pica-pau''. Vinte anos depois, quando saí da clínica de reabilitação, eu desisti de ser terrorista e quis ser algo bem mais seguro, como ser mecânica. Com isso no máximo eu perderia um dedo, como o Lula e ficaria dizendo ''meus cumpanheiros'' kkkkkkk brincadeira, gente. Insônia dessa a gente dorgado. Pois bem, boa leitura a todos e podem preparar as cabecinhas pelo o que vem muhahahaahah

...Pronto, agora me conte logo o que está acontecendo. Do que aquele russo de merda estava falando?

–Eu tenho uma filha, Santana- ela disse de uma vez, me fazendo dar um passo pra trás surpresa.

–Filha?

–Sim, uma filha. E o pai... – parecia buscar forças pra continuar. Minha cabeça já revirava pelo o que viria- O pai, Santana... É David Karofsky.

–Espera... Acho que estou ficando maluca- eu disse rindo nervosamente- Eu juro ter escutado você dizer que tem uma filha com o Karofsky.

–Sim, eu disse- gente, essa foi a bomba do ano! Foi um susto tão grande que meu cérebro deu um giro 360 e um duplo carpado twister em minha cabeça. Eu estava bestificada encarando minha namorada, que por acaso me soltou essa dinamite na mão e nem se eu sentasse com o rabo nela, a apagaria. Paralisei ali, nesse mesmo instante, tentando incontáveis vezes dizer alguma coisa, mas na real o que acontecia era de minha boca abrir e fechar sem som algum.

–San...

–Como... – dei uma risada rápida de nervosismo novamente- Como isso aconteceu?

–Bom, como aconteceu, Santana... Do jeito tradicional, oras. Quando um homem e uma mulher se envolvem e vão...

–Não, pelo amor de Deus, não me conte uma coisa dessas. Vou ficar eternamente traumatizada em apenas ter me dito, quem dirá se eu pensar à respeito- eu tinha uma careta gritante de nojo. Parecia aquelas conversas de pais sobre sexo com os filhos pela primeira vez. Quer um exemplo fácil de explicar esse tipo de coisa para o filho que o irá fazer pensar bem no assunto? Diga que o homem é um plug e a mulher uma tomada. Quando chegar a hora certa e em precisão, esse plug se unirá a tomada e gerará energia para seja lá o que for ligar. Mas que não se deve introduzir qualquer plug na tomada, pois além de um encaixe errado e um choque da peste, a porra vai explodir bem no meio da cara dele. E se não quiser problemas na fiação ou uma protuberância errada na parede, que use o cacete do multiteste como proteção para checar se o plug funciona e se não tem nenhum problema que possa afetar a tomada e seus derivados que vierem. Entenderam? Bom, se ele não entender aonde quiser chegar com isso, pelo menos tem a chance de se tornar um bom eletricista- Eu sei muito bem como acontecem essas coisas, estou me referindo a como se envolveu com aquele satanás das profundezas do inferno.

–Hum... – ela pausou pensativa- Nós, bem... David e eu... Quer dizer, eu...

–Fala logo, mulher- gritei impaciente. Estava à beira de um colapso nervoso.

–David é meu ex marido- ela me respondeu hesitantemente, me lançando um olhar triste.

–Seu ex marido?- ela confirmou- Puta que pariu, Quinn, quando pensou em me contar uma coisa dessa?

–San, eu quis contar, palavra. Mas sempre travava. O medo de te perder e de atrapalhar nossa missão era terrível. Você precisa tentar entender meu lado.

–Tentar entender seu lado?- perguntei ironicamente- Quantas vezes eu te perguntei se tinha algo mais para me contar, Quinn? Foram infinitas vezes. Desde o começo eu queria estar a par de toda essa droga de situação e isso estava incluído. Mesmo que não estivéssemos juntas, não custava nada ter me dito que tinha mais esse adicional pelo o qual o russo quer te destruir. Sacanagem isso. Bem quando estávamos nos entendendo melhor.

–San... Amor, eu sei que errei em te esconder por tanto tempo isso, mas nos amamos. Lembra do que eu falei em nossa primeira noite juntas? Que aconteça o que acontecer, nosso amor ficará acima de tudo. Que tudo é apenas algo que pode ser esquecido e jogado fora junto com as coisas ruins de nosso passado- ela se aproximou, tocando-me no rosto. Eu sentia o peito doer, tentando impedir as milhares de coisas que chegavam ao mesmo tempo em minha cabeça e explodiam ali. Fechei os olhos no momento que a vi aumentar a intensidade das lágrimas em seus olhos tão lindos, e agora também tão tristes, eu de alguma forma sentia isso- San, eu... Nossa... Estou tão arrependida de ser fraca e não te contar sobre isso, mas eu não quero te perder. Eu amo você, mais que a mim mesma e me odiaria se isso de alguma forma interferisse em nosso namoro- a senti acariciar minhas bochechas com os polegares, carinhosamente. Eu estava me segurando a todo custo para não cair bem ali mesmo em um choro horrendo de sofrimento, mas continuei firme- Amor, vamos ficar bem, não é? San?- ela tentava a todo custo ter minha atenção, mas juro que não conseguia encará-la agora. Me sentia horrível, doída, machucada... Infinitas coisas passavam em meu peito agora- Santana? Está se sentindo bem? Amor, você está muito pálida.

–Como acha que estou me sentindo?- finalmente abri os olhos e a encarei com um olhar magoado- Acha que eu ficaria bem sabendo que a mulher que amo já pertenceu ao homem que eu mais odeio no universo e que por acaso é um dos responsáveis pela morte de meu pai? Um fato como esse é muito importante, Quinn. Pois essa filha de alguma forma ainda une vocês. Quer você queira ou não.

–Eu amo minha filha, Santana, e a quero de volta, mas em nada David ainda se impõe sobre mim. Não foi só a seu pai que ele prejudicou, ao meu e a mim também e nada mais quero agora que sua queda desse poder doentio que tanto lhe crescem os olhos.

–Oh, Diós- levei a mão ao peito, sentindo-o apertar. Era a senhora asma de sempre, que só apresenta em momentos tão ‘’legais’’ quanto esses. Minha cabeça não conseguia filtrar essas informações. Ainda estava naquela de ser um sonho e logo logo eu acordaria e esqueceria de tudo no dia seguinte- A bombinha!

–O que?- Quinn perguntou confusa.

–Eu preciso da bombinha. Agora! Não consigo respirar- comecei a ofegar, perdendo o controle da respiração. Senti que meus pulmões comprimiam e quando tentava puxar o ar, ele não vinha por nada, apenas sentia aquela dor terrível no peito.

–Minha nossa, eu havia me esquecido dessa asma- Quinn disse preocupada, me segurando pela lateral da cintura para me equilibrar, já que eu tossia bastante e sentia as pernas bambearem- Aonde deixou a bombinha, amor?

–Alaska- respondi com dificuldade.

–Tão longe, Santana? Já não disse para levar sempre consigo esse bendita bombinha?

–Que se dane! Eu lá sabia que essa droga voltava assim, Quinn?- tossia mais forte agora- Mas me recordo que papai sempre deixava uma aqui pra emergências. Procure no armário- eu apontei para o armário de coisas especiais.

–O que está acontecendo aqui?- Rob perguntou se aproximando com um semblante preocupado.

–A San está tendo um ataque de asma. Por favor, vá até o armário atrás de você e procure uma bombinha.

–Oh céus!- o escutei dizer agoniado e começar a correr, revirando os armários e acabando por bagunçar tudo ali.

–Tome, sente ela aqui- Nilo chegou logo depois com uma cadeira e me ajudou a sentar. Eu estava sufocando. Puxava o ar com toda a força, mas este nunca vinha. Fazia anos que eu não tinha uma crise dessas. Quinn estava de joelho ao meu lado, acariciando minhas costas de cima à baixo, tentando me manter tranquila. Abaixei a cabeça e a coloquei entre as pernas, lembro-me de meu pai ter ensinado essa tática a mim, mas nada mais rápido que bombinha para eu voltar a respirar direito.

–Droga, eu não encontro.

–Gaveta do meio- informei em um fio de voz- Merda, estou sufocando!- coloquei a mão no pescoço, sentindo a garganta ir se fechando.

–Calma, amor. Tenta se manter relaxada- Quinn pedia, me impedindo de tocar no pescoço, beijando minha bochecha.

–Tudo bem, vou relaxar enquanto morro sufocada. De boa- nem morrendo eu tomo jeito com essas ironias- Agora sei como um atum se sente.

–Encontrei!-Rob expôs, voltando rapidamente para entregar a bombinha a Quinn.

–Toma, San- deu a mim, que no mesmo instante posicionei na boca, para sugar todo o remédio que me faria ter controle dos pulmões novamente. Demorou um pouco para ir normalizando a respiração, mas para quem estava sufocando, aquilo era uma brisa em dia quente.

–Oh Diós, gracias- suspirei em alívio, deixando a cabeça encostar na perna, no intuito de ir me acalmando.

–Caramba, que susto, San. Só te vi assim uma vez quando era criança e não foi tão ruim- Nilo comentou, tocando em meu ombro- Se sente melhor?

–Vou ficando, irmão- o tranquilizei, dando tapinhas em seu joelho. Sentia a exaustão forte no corpo, como se eu tivesse corrido uma maratona em um pé só. Algo nada legal de se sentir. Rob se aproximou com um copo de água em mãos e se ajoelhou ao meu lado, me entregando.

–Toma, San. Bebe um pouco d’água.

–Valeu, moleque- ele balançou a cabeça positivamente, fazendo um bico meio infantil de quem segura um choro- Hey, você está chorando?

–Eu fiquei com muito medo, San. Te ver naquele estado me assustou pra caramba.

–Não fica assim, moleque. Estou bem, sério- ele se deixou chorar, apoiando a cabeça a minha perna. Lhe acariciei os cabelos querendo acalmá-lo, mas parecia que nada o consolava. Fiquei impressionada com o que via. Certo que éramos irmãos, mas ele estava como se eu tivesse morrido. Nilo deu a volta para se colocar ao lado do ruivinho.

–Calma, maninho, ela disse que está bem- ele afagou o ombro de nosso irmão, ajoelhando-se ao seu lado. Nilo tinha um semblante preocupado pela reação do moleque. Ele parecia destruído de verdade- Olha, a San quando criança, sempre teve essas crises de asma, mas ela sempre ficava boa depois. Vai por mim, é só ela não burlar a bombinha e os remédios que com certeza deve ter parado de tomar.

–É, Rob. Relaxa aí, cara.

–Desculpem minha bobeira, mas estou cansado de perder pessoas com quem me importo tanto- ergui seu rosto para limpar as lágrimas que escorregavam livremente ali. Uma das coisas que percebi em meu irmão caçula é seu jeito sentimental de ser e de não ter medo de demonstrar o que sente. Uma qualidade um tanto rara nos homens, devo convir.

–Relaxa, não vou permitir que você sofra mais.

–Nem eu, pequeno gafanhoto- o ruivinho riu pela forma que Nilo o chamava- Vem cá, vou te levar pra tomar um ar e comer um pedaço gigante do bolo de cenoura que a mamãe fez hoje de manhã. Vai se sentir bem melhor.

–Nilo tem razão. Vá com ele, moleque.

–Mas e você?

–Eu vou ficar bem. Pode ir- Rob assentiu, deixando um beijo casto em minha testa. Nilo fez um gesto para que o caçula o acompanhasse e assim ele o fez. Tudo ficou um grande silêncio doloroso. Eu me mantive naquele jogo de tentar não mergulhar nas sombras de pensamentos perturbadores e de imagens nebulosas que era tão fácil se perder nelas. Quinn estava sentada a um dos aparelhos de musculação me encarando sem piscar. Tratei de em primeira instância voltar a respirar como manda o contrato para depois retornar aquele assunto que quase me matou ainda agora. Achei que não pudesse ter mais aquele tipo de ataque maluco em que eu sentia os pulmões desaparecerem dentro de mim e darem espaço a apenas uma pedra pesada, que eu puxava para garganta e ela retornava em um estrondo. Isso foi um grande alerta para que eu me lembrasse de que não era imortal e precisava de meus remédios, que eu joguei fora assim que eu saí daqui. Tive sorte de não morrer agora. Acariciei a nuca e voltei a deitar a cabeça na perna, recobrando um pouco da consciência perdida no ataque. Uma grande dor de cabeça se instaurou agora, só o que me faltava.

–San?

–Que foi?

–Não me odeie, por favor- a voz embargada da loira alcançou meus ouvidos. Não me deu um pingo de coragem de lhe encarar agora.

–Eu não odeio você- sentei ereta para lhe encarar- Só estou decepcionada.

–Amor...

–Chega!- ela chorava intensamente agora. Eu não me permiti a isso também, apesar de querer acompanhá-la naquilo. No entanto, chorar pra mim sempre foi considerado um ato de fraqueza e, apesar de tudo que sou, não permitiria que me taxassem como fraca também- Quero que me conte agora mesmo, sem cortes, tudo. Inclusive o por quê de você ter sido escalada para a recuperação dos chips. Eu sei muito bem que de onde você vem, lá onde seu pai se entoca, deve ter pessoas bem mais capacitadas para encabeçar isso. Isso sempre me intrigou e quero agora respostas para tudo.

–Você não prefere falar disso quando estiver recuperada? Acabou de ter uma crise horrível de asma.

–Me sinto ótima. Agora fale- cruzei os braços, indiferente a seus argumentos. Quinn mordeu o canto dos lábios e puxou uma cadeira para sentar-se de frente a mim.

–Tudo bem- em sua postura impecável de moça refinada, Quinn respirou fundo para começar a falar- Existem sim muitas pessoas capacitadas na base de refugiados que meu pai criou na Alemanha. Eles poderiam ingressar na missão facilmente por suas grandes habilidades de infiltração e êxitos em grandes batalhas, mas apesar de todos esses atributos, eles não conhecem David tão bem quanto eu conheço e muito menos têm toda confiança quanto meu pai tem a mim. Eu tinha isso a meu favor- ela estava seriamente hesitante, mas sempre respirava fundo antes de continuar- Não foi só você que teve treinamentos para coisas desse tipo, Santana. Antes mesmo de receber a missão de recuperar os chips, eu já era testada em diversas áreas. Só que no meu caso era da parte estratégica e tecnológica. Posso invadir qualquer computador que eu quiser, como você consegue derrubar um homem com quase o dobro de seu tamanho e peso. Possuímos habilidades diferentes, mas se mescladas, as chances de termos êxito na busca seria aumentada.

–Por que a mim e não qualquer outra pessoa habilidosa para te acompanhar? Já me explicou que foi pelo treinamento que tive com o papai, mas sinto que tem algo mais aí.

–Foi por escolha dele- arqueei a sobrancelha, intrigada- Na verdade, eu tinha que levá-la comigo antes que eles achassem você também. De uma forma ou outra você estaria envolvida nisso, mesmo se eu não fosse atrás de você para me ajudar.

–Como assim?

–Você, Santana... Pertence ao governo americano.

–Como é que é? Não sou nenhum produto que possa pertencer a alguém- agora a merda tinha explodido bem na minha cara. Eu já não entendia mais porra de nada, minha cara já estava lavada, passada, dobrada e atirada bem ali no chão e agora a sentia ser pisoteada.

–Oh, meu Deus, Santana. Você nunca parou pra pensar no por que de ser mais forte, mais rápida e mais habilidosa do que a maioria das pessoas? Em como pensa com grande rapidez em situações de risco extremo?- eu mantinha meu olhar inquieto para baixo, enquanto ela gesticulava freneticamente minhas ‘’grandes habilidades’’ fora do normal- Não é por acaso que você possui conhecimentos avançados de engenharia sem ao menos ter feito um curso ou algo parecido. Isso faz parte de suas habilidades de sobrevivência- eu gargalhei debochadamente.

–Espera aí! Vamos ver se eu entendi: Você está querendo dizer então que eu por acaso sou algum tipo de cyborg?

–Não, Santana... Estou querendo dizer que você é uma arma humana, criada simplesmente para deter bandidos altamente perigosos e conseguir se infiltrar em qualquer ambiente e se sobressair a essas situações extremas.

–Mas me sinto normal, como qualquer outra pessoa.

–E o objetivo é exatamente esse, que você seja uma pessoa normal aos olhos de todos, quando na verdade é um ser humano geneticamente modificado. Um exemplo disso foi no galpão de meu antigo professor. O ferimento em suas costelas deveria ter te matado. Não pela gravidade, mas pela grande perda de sangue e as condições climáticas do Alaska. Em seu organismo existem defesas intermediárias, que são uma espécie de escudo para protegê-la enquanto as células mortas se repõem a uma velocidade extraordinária. Você é perfeita, Santana.

–Mas e quanto a minha asma? Se eu fosse tão perfeitamente criada assim, eu não teria essas crises tão fortes.

–Você não tem asma, Santana. Como seu corpo tem tudo intensificado, seu lado humano às vezes fraqueja quando seus sentimentos estão conturbados. Isso lhe causa um colapso nervoso. Uma consequência às células artificiais implantadas ao óvulo quando você foi gerada. Queriam um soldado perfeito, com grandes habilidades e um rápido desenvolvimento, mas tinham que atentar ao fato de que ele também deveria ser humano ou pelo menos parecer incontestavelmente com um. Para que não perdesse o controle caso houvesse um falha, como o caso de um computador.

–Minha nossa senhora! Isso é louco demais para acreditar- coloquei a mão na cabeça e tentei me levantar, mas acabei caindo de volta na cadeira. Ainda me sentia muito tonta. Com uma dessas mais ainda.

–Eu sei, meu amor, no seu lugar eu também estaria assim, mas é a verdade. Foi por isso que hesitei tanto em te contar. Não queria que ficasse assim.

–Isso é insano, Quinn. Como acha que eu ficaria? Meu Deus, eu sou uma aberração- eu estava completamente perturbada. Isso explicava muita coisa. Como eu aguentava aqueles treinamentos tão pesados para uma criança. Como eu conseguia praticar todo e qualquer tipo de esporte e ser ótima naquilo. Como eu melhorava rapidamente de uma lesão em meu corpo. Em minha infância, quando eu tinha dez anos, eu cavalgava com meu pai, quando meu cavalo perdeu o controle e me jogou a uma altura de quase quinze metros de uma ribanceira. Eu caí desajeitada, batendo com a cabeça fortemente contra o chão. Aquela altura para uma criança daquela idade seria fatal, mas o máximo que tive foi um desmaio de alguns minutos e um galo enorme na cabeça, que sumiu em menos de duas semanas. Eu aos doze anos já tinha o corpo completamente formado e músculos espalhados por todas as partes. Aos quatorze, me envolvi em uma briga com um cara com quase o dobro de minha altura e o deixei desacordado no chão sem ao menos me tocar. Como eu era tão idiota para não notar essas anomalias gritantes em minha vida?

–Não, San. Você não é uma aberração. Isso é algo que a deixa ainda mais especial- Quinn tentou me tocar, mas a evitei, enfim conseguindo me levantar e andar a passos vacilantes até o armário e me firmar ali.

–Isso tudo significa que não sou filha de meus pais?

–Não, você é sim filha de Antony e Maribel Lopez- bom, pelo menos isso. Deus,estou enlouquecendo aqui- Eles foram escolhidos para serem os que gerariam você. Mas foi meu pai que desenvolveu todo o projeto. Ele é seu criador, Santana, e Antony foi escolhido porque além de ter uma ótima genética, era o único em quem meu pai confiava para proteger e treinar você- o mundo agora girava sem parar e minha cabeça não tinha mais direção- Quando eu soube, tive uma reação parecida com a sua. Achei algo perturbador alguém querer quebrar as leis de Deus e criar um ser humano para ferir os outros. Por isso eu era tão ríspida e hesitante com você. Mas acabou se mostrando alguém mais humano que qualquer um que eu conheça. É tão boa, doce, engraçada e transmite tanta felicidade, que eu às vezes me pergunto se é você mesmo que leva consigo tanto poder de destruição. E foi exatamente por esse motivo que seu pai não quis devolvê-la quando chegou o tempo determinado pelo o governo. Os chips não servem apenas para acionar as ogivas nucleares... Mas como também controlam você e a autodestroem, pois há um chip auxiliar implantado a seu cérebro assim que você nasceu- levei a mão a boca, sentindo um choque extremo contra as paredes de minha sanidade- Seu pai a amava mais que tudo no mundo e não queria deixar que lhe tornassem alguém sem escrúpulos e mal, que a fizesse perder a humanidade que lhe sobrou e muito menos que a matassem. Quem conhece você, meu amor, a ama no mesmo instante. É tão especial que o restante é relevante.

–Todos mentiram pra mim, Quinn. Eu me sinto um lixo- dessa vez não impedi que as lágrimas envolvidas a meu peito saíssem sem pudores. Estou tão confusa. E-Eu... Me mate, Quinn.

–O que?- ela me olhou assustada- Amor, não pense assim.

–Você precisa e sabe muito bem disso. Se eles me acharem, vão me transformar em algo horrível, então acabe com isso aqui e agora- não, eu não enlouqueci, se é o que estão pensando. Eu nada mais queria dar um fim aos planos dessas pessoas sem juízo de me transformar em alguém que machuca pessoas. Eu não gosto disso. Nunca gostei- Eu não quero machucar pessoas, Quinn. Seja coerente e faça o que é certo- fui a passos trêmulos até o armário de armas e de lá peguei uma pistola. Retornei até Quinn e peguei carinhosamente sua mão e depositei a arma ali. Ela me encarava desacreditada, chorando copiosamente.

–Não- ela me devolveu a arma gritando- Eu não vou fazer isso com você, Santana. Eu a amo.

–Se me ama de verdade, sabe que é o certo a se fazer- lhe acariciei os cabelos e a abracei apertado- Ache um meio de pegar sua filha de volta, encontre alguém que lhe faça feliz e a ame tanto quanto eu te amo... E vá pra bem longe dessas loucuras- senti seu corpo estremecer contra o meu. Ela parecia tão assustada que não teve a reação de me abraçar- Eu amo você, Fabray.

–Não faça isso, por favor- ela suplicava e eu já sentia suas lágrimas molharem minha blusa.

–Faça- lhe entreguei a arma novamente, aplicando um selinho demorado a seus lábios antes de me afastar- A parte que ainda me torna humana é minha consciência... Atire aqui- levei o cano até minha cabeça- Atira, Quinn.

–Não- ela se negava em desespero.

–Atira, Quinn- dessa vez fui ríspida e apertei sua mão com força para que puxasse o gatilho. Eu chorava controlada, diferente de Quinn, que já soluçava me encarando sofrida. Minhas forças foram se esvaindo, o que me fez vacilar e cair de joelhos. Apoiei as mãos no chão e respirei ofegantemente.

–San...

–Não... Aproveite minha fraqueza- não deixei que ela se aproximasse. Com muito esforço me pus de joelhos e a encarei ali em pé de arma em punho- Seja forte pela primeira vez na vida e atira.

–Eu não vou.

–Que droga, Quinn, isso é escolha minha- fui dura com ela, tentando me manter consciente, pois já sentia meu corpo desfalecer- Deve ser por isso que perdeu sua filha. É uma fraca e incapaz de fazer o que é certo. Agora pegue a porra dessa arma e atire em minha cabeça agora.

–Deus, não- ela gritou, jogando a arma o mais longe que pode e me abraçou de joelhos naquele chão frio. Nosso sofrimento se tornou um só, pois meu choro se tornou aterrador, me deixando ainda mais sufocada- Eu amo você, meu amor. Não desiste de si mesma assim. Por favor, não me deixa sozinha.

–O que eu sou, Quinn?- indaguei perdida em um desespero sem medidas, sentindo tudo ao meu redor começar a girar rapidamente, sem dar chance para que eu acompanhasse. Eu precisava morrer, por que ela não entendia isso?

–San?- ela chamava por mim, percebendo que meu corpo amolecia e meus olhos não conseguiam se manterem abertos. Em segundos tudo escureceu, igualmente minha vida agora.

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POV QUINN

Deus, nunca tinha chorado tanto na vida! Só Ele sabe o quanto que eu sofri guardando esses segredos de Santana e sabe mais ainda minha vontade de que tudo aquilo fosse mentira. Eu sei, parece algo tirado de um quadrinho qualquer, mas era a pura e dura verdade sobre Santana Lopez. Ela foi projetada em laboratório para vir a ser uma arma americana contra os mais terríveis terroristas que lhes fossem uma grande ameaça. Seria tudo perfeito senão fosse Antony Lopez se negar em entregar a filha ao governo, pelo qual foi um dos motivos que resultaram na caçada contra o exímio agente do exército. Eram tantas coisas em jogo e o principal era o fato de que se eles a tivessem, ela nunca seria a mesma depois. Seria usada como um ser qualquer e, que por qualquer defeito que desse, seria com toda certeza descartada como um brinquedo defeituoso sem valor. Santana não era um monstro ou um robô sem vida, como eu acho que ela está se sentindo, mas uma humana de habilidades e forças aumentadas. Ela poderia envelhecer, ter filhos, uma família, sei lá, viver normalmente. Entretanto, toda essa capacidade pode fazer crescer os olhos de pessoas de má fé e gananciosas como David, transformando-a em alguém manipulável e desumano.

Santana não foi a primeira pessoa a ser planejada dessa forma. Na verdade, foi a única que deu certo até agora. Meu pai me contou uma vez, que além de Santana, outros foram criados, mas sem sucesso. Os que conseguiam ser gerados, com um certo tempo perdiam controle e se tornavam perigosos. Outros não aguentavam a carga de aditivos ao corpo, vindo a definhar e tornarem-se vegetativos e inúteis. Já Santana, além de desenvolver todas as principais habilidades com êxito, ela havia se tornado alguém importante com seus projetos e invenções, como o incrível aparelho pelo qual conseguiu me rastrear em outra cidade. Seu lado humano aflorou tão quanto sua capacidade aumentada. Percebi desde o primeiro momento que a vi e isso a torna completamente especial, mesmo que ela não perceba ou queiro aceitar isso.

Me quebrei completamente quando ela me pediu que eu tirasse sua vida. Céus, eu nunca faria algo desse tipo. Mais fácil que eu tire minha vida do que a dela. Acho que Santana ainda não tem noção do quanto eu a amo. Nunca me imaginei sentindo algo tão grande por alguém como sinto por ela. Eu durmo pensando nela. Eu acordo pensando nela. Eu passo o dia inteiro pensando nela... Deus, eu respiro a Santana agora. Como se não existisse mais nada que segurasse na terra se não fosse ela. Nunca pedi isso pra mim, estar tão dependente de alguém, mas acredito que tudo tem um propósito e o meu é ficar com ela e enfim fazê-la feliz como nunca ninguém fez, apesar de todas as coisas conturbadas que já passamos e infelizmente ainda vamos passar.

Me doeu o coração ao vê-la daquela forma pelo o que soube, mas de alguma forma senti o alívio pairar sobre o peito por não ter mais que guardar aqueles segredos comigo. Pode parecer maldade não tê-la contado sobre tudo antes, mas me digam se não fariam do mesmo jeito se quisessem protegê-la e mais ainda impedir que sofresse tão quanto eu a vi sofrendo daquela forma? Quando ama alguém de verdade, tudo é pouco do que se quer fazer para mantê-la bem. E ainda tinha minha filha, que Bilbo ‘’atenciosamente’’ fez o favor de contar a Santana daquela forma tão URRRR. Eu tive vontade de batê-lo por tal coisa, pois pretendia, em não muito tempo, contar a minha namorada sobre eu ser mãe. Mas não, ele tinha que ser tão pretensioso e arrogante a ponto de jogar em minha cara o meu grande erro de já ter me deixado levar por David. Apesar de ser mãe da filha dele, eu nunca o amei. Eu achava que sentia alguma coisa por aquele monstro, mas nada mais foi pelo encanto por todo aquele poder que ele tanto ostentava. Não me orgulho de meu passado ambicioso e submisso aos ideais alheios, porém há somente uma coisa do qual não me arrependo: Minha filhinha. Eu tinha duas grandes garotas em minha vida e se dependesse de mim, eu as teria eternamente em meus braços.

Depois que Santana perdeu a consciência em meus braços, o que muito me assustou, eu fui correndo até os rapazes para que me ajudassem a levá-la para o quarto. Esse era um dos pontos negativos de mesclarem tantos fatores a um organismo humano. Criaram alguém poderoso, mas de fraquezas dolorosas. Os irmãos de Santana se preocuparam ao extremo pelo estado fraco da irmã e mais ainda quando tive que contar toda a situação a eles. Foi difícil fazer com que eles acreditassem sobre o que realmente Santana era, mas glórias aos céus por ela ter irmãos tão compreensíveis apesar da gravidade da situação. Nilo me disse algo ao que me deixou realmente emocionada ‘’Confesso que isso me perturba de verdade, mas não sabe o quanto aquela garota é especial. E mesmo que ela fosse de outro planeta, ainda continuaria sendo minha irmãzinha’’. O mundo precisa tanto de pessoas assim!

Já havia anoitecido. Santana ainda dormia serenamente em seu quarto. Fiquei o tempo inteiro ao seu lado para que quando acordasse, fosse eu a primeira pessoa que se deparasse. Eu estava sentada em uma cadeira ao lado da cama, segurando uma das mãos de Santana entre as minhas, enquanto a fitava com um semblante penoso, mas grandemente carioso e apaixonado. Tão linda se apresentava e mais ainda quando descansava em tranquilidade.

–Perdão por trazer a você tanta infelicidade, meu amor- beijei-lhe os dedos da mão carinhosamente- Eu a amo tanto, mas tanto, que trocaria de lugar com você em suas conturbações sem ao menos pestanejar. Merece toda a felicidade do mundo.

–Não fui feita para a felicidade, Quinn- ela disse com uma vozinha fraca, abrindo lentamente os olhos para me fitar.

–Você é a felicidade, meu bem- afastei uma mecha de seu cabelo para trás da orelha- Como se sente?

–Como se um elefante tivesse sambado em cima de minha barriga- sorriu levemente, tentando se sentar, mas voltando a deitar com a mão na cabeça- Nossa! Estou desorientada e sentindo doer cada osso de meu corpo.

–Como lhe disse antes, San, tudo em você se intensifica, então seu desgaste emocional torna-se físico também- ela piscava os olhos várias vezes, acariciando a nuca- Seu estado de desorientação é por esse fator, mas também devido o calmante que lhe dei por toda a agitação que passou. Não queria que piorasse.

–Tarde demais, Fabray. Não tem como piorar essa merda... Ai, minha cabeça vai rachar no meio!- ela reclamava fazendo uma careta dolorosa.

–Espera, vou pegar algo pra você- fui até a cômoda onde minha bolsa estava e de lá tirei um comprimido para dor de cabeça. Peguei um copo com água e lhe entreguei com o remédio. Ela rapidamente o engoliu e voltou a deitar com a mão na cabeça.

–Eu ainda tinha esperanças de que isso tudo fosse um sonho.

–Eu sinto muito, San.

–Pare de dizer isso, Quinn. Não irá mudar nada ficar repetindo a mesma ladainha- sim, ela estava sendo grossa. A dor de cabeça devia estar horrível mesmo- Deveria ter puxado aquele gatilho.

–Eu nunca faria isso, Santana. Teria que me matar antes- disse firme, sentando-me ao seu lado na cama.

–Sabe o que vai acontecer se eles me acharem, não é? Tanto você quanto minha família correm perigo estando perto de mim.

–Eu não me importo. Também não irei deixar que levem você- ela riu debochadamente.

–Mal consegue se proteger, quem dirá a nós duas- deitou-se de lado, de costas para mim- Vai por mim, Fabray, quando chegar a hora, vai querer ter puxado aquele gatilho- a partir daí o silêncio se apossou do quarto. Ela ficou tão quieta que eu achei que pudesse ter voltado a dormir, mas era pouco provável. Minha cabeça explodia de preocupações e arrependimentos, que efervescia como um comprimido para azia. Olhando para uma das pessoas que mais amo no mundo daquela forma, destruída como se não houvesse um amanhã, me fez ver o quão egoísta fui em ter pensado primeiro nessa missão do que minha vida com ela. Eu a queria muito, e me baseando agora nas palavras de Nilo, nem que fosse de outro planeta. Tirei os sapatos e me deitei ao seu lado, abraçando-a pela cintura. Logo ouvi um suspiro profundo vindo dela e minutos depois ela se virou para mim, me encarando com um semblante indecifrável- O que mais sabe sobre mim?

–Que você é incrível, perfeita e que a cada minuto faz meu coração descompassar por um simples olhar.

–Me sinto lisonjeada por tamanha admiração, mas estava me referindo a meu mais novo e mirabolante carma-ela tinha ironia nas palavras- Eu quero saber sobre como fui projetada e o que pode acontecer se esse tal chip falhar em minha cabeça. Corre risco desse diacho dar um curto e fritar meu cérebro?- tive que me segurar pra não rir da forma que ela falou. Longe de mim ser insensível por sua situação, mas Santana até séria dava vontade de rir.

–Não, meu amor. Acredito que isso não seja possível, meu pai sabe o que faz. Com certeza há infinitas proteções em seu córtex cerebral e no chip mesmo, que a protegerá de qualquer dano que venha sofrer- eu explicava enquanto acariciava seu rosto tenramente- Você já caiu de uma altura de quinze metros e bateu a cabeça com muita força contra o chão. Apesar disso, tem a cabeça normal, como qualquer outra pessoa.

–Eu não contaria com isso se fosse você- disse brincalhona e dessa vez não pude deixar de rir. Instantaneamente, beijei-lhe os lábios de maneira demorada, levando uma das mãos para seu maxilar, o acariciando. Senti a mão de Santana repousar sobre meu quadril e puxar meu corpo para mais próximo do seu.

–Como pode nessa situação ainda brincar, Santana?

–Se eu não brincar, vou acabar surtando e sabe disso- olhei no profundo de seus olhos, balançando positivamente a cabeça- Não quero me tornar um monstro, Quinn.

–E não vai, meu amor. Confio na sua ternura. Até mesmo meu pai, um cientista ateu, admite que Deus depositou muito amor em você, pois ele não soube como alguém criada em suas condições poderia se tornar mais humana que todos nós. Você é especial, San- ela ficou quieta, abaixando o olhar para o pingente de meu cordão.

–Seu pai e suas criações me dão uma raiva! Isso só me dá mais vontade de chutar seu traseiro- eu balancei a cabeça negativamente. Acho que somos poucos os que admiram e aprovam o trabalho de meu pai- Ele por acaso é meu pai também?

–Nossa, não, San. Ele é apenas seu criador- ela suspirou aliviada. Sinceramente, acho Santana incrível, mas não me aguentaria se fosse minha irmã. O desejo que tenho por essa mulher é coisa de outro mundo.

–Teve mais alguém envolvido nisso?

–Somente mais um cientista. Ele foi o responsável pela implantação do chip. A ideia de colocar um em sua cabeça veio dele. Meu pai não aprovou isso, ao contrário dos ‘’grandes’’ da corporação. Ele achou isso perigoso pro caso de apropriações de algum inimigo a esses meios seus.

–Como ele se chama?- ela parecia muito interessada a esse assunto e não tiro sua razão, mas quanto menos informações, menos sua cabeça se atolará com essa problemática. Pelo menos por enquanto.

–San, não acha melhor descansar agora? A carga emocional que sofreu hoje foi muito grande para você- ela negou com a cabeça.

–Quero o nome do cientista, Fabray- exigiu autoritária. Eu tinha medo da forma que ela me olhava, mas era algo que a envolvia então não podia negar isso a ela.

–Carter O’Donnell.

–Ele está com seu pai na Alemanha?

–Ah não, meu bem. Ele foi um dos principais que se viraram contra nossos pais quando tudo aconteceu- ela franziu o cenho, se ajeitando para me encarar melhor- Carter se juntou ao pai de David para derrubar meu pai e quem estivesse do seu lado para a criação de um novo Estados Unidos livre de terrorismo. A ambição falou mais alto, e ao que me parece, é um dos aliados mais valiosos de David aqui no país.

–É um homem de grandes aliados, seu ex marido, hein!- o olhar de mágoa tomou seu belo rosto, o que me fez mais uma vez beijar-lhe os lábios.

–Eu juro a você, por tudo que me é mais sagrado nesse mundo, que David não significa mais nada em minha vida. Eu nada mais quero agora que ele seja preso e que a justiça seja feita por tantas atrocidades que cometeu, inclusive por te me impedido de ficar com minha filha- nesse momento minha voz embargava pela lembrança daquele monstro arrancando meu bebê de meus braços- Peço perdão por ter lhe escondido isso, mas não sabe o remorso que eu tenho por ter me envolvido com aquele crápula sem coração. É por isso que tanto anseio em encontrar logo todos esses chips para conseguir assim ter meu bebê de volta- Santana me fitou o tempo todo em completo silêncio, com um semblante pensativo e com um resquício de outro sentimento que não pude decifrar, pois se colocou ereta na cama e ficou a observar algo invisível no teto- Sei que há tantas perturbações em sua vida, Santana, e vou entender que não me queira mais por esse motivo, mas saiba que a amo e sempre vou amar.

–Todos temos algo em nosso passado que nos envergonha- ela comentou depois de um tempo em completo silêncio- Fique tranquila, tudo pra você vai se ajeitar.

–Você me perdoa?

–Não tem o que perdoar, Quinn. Dessa vez vou acreditar que quis me proteger com todos esses segredos- eu tinha um sorriso em completa alegria por suas palavras- Mas... Não vai querer me enfrentar caso tenha algo aí dentro que me diz respeito e não quer me contar. Nunca retrocedo passos, entendeu?

–Eu quero você, Santana- ela voltou o olhar a mim. Encostei minha testa na sua e cruzei nossos olhares- Esqueça o que a vida te traz e se concentre no que você possa trazer a si mesma.

–Pode ter certeza que irei- Santana arqueou uma sobrancelha, e na seriedade de um olhar, fechou os olhos e me beijou pesado. Senti sua língua adentrar minha boca e a cobrar com paixão. Eu não sabia o que sua expressão significava, mas me fez tremer por dentro- A Terra só gira para um lado, Fabray, e uma hora ou outra, as coisas voltam a se chocar.

–San...

–Shiiii, preciso que me abrace agora, por favor- a abracei o mais forte que pude, apesar da intriga que tomava meu ser- Amo você, Quinn Fabray.

–Amo você também, meu amor...

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Acordei no dia seguinte sentindo um vazio enorme ao meu lado na cama. Lado esse que uma certa latina deveria estar repousada. Senti uma agonia ir crescendo no peito quando não a encontrei no quarto. Vesti um robe e saí correndo pela casa a sua procura. Ninguém a tinha visto, nem mesmo Rob que era seu fiel escudeiro. Isso me preocupava cada vez mais, principalmente por seu jeito sombrio ontem, que me assustou como nunca havia assustado.

–Ela deve estar no QTI- Rob ponderou, tomando um gole de seu café. Era cedo, e mesmo não querendo acordá-lo, tive que fazer isso, pois me preocupava a que fim tinha dado Santana.

–É uma possibilidade. Você iria comigo até lá?

–Claro- ele sorriu levemente, levando a xícara até a pia e lavando-a. Andamos lado a lado até o quarto de treinamento de Santana e meu coração espremeu-se quando não a encontramos ali. Nem mesmo Bilbo estava lá. Isso não era nada bom.

–Céus, onde ela está?- indaguei para mim mesma, colocando meu cabelo para trás em discórdia dos atos de Santana.

–Diós!- ouvi Rob se lamentar mais atrás e me virei, arregalando os olhos para o que vi escrito em uma lousa perto do tatame.

‘’NINGUÉM MEXE COM MINHA CABEÇA! Eu faço meu futuro.

Não tentem me procurar... Eu saberei’’

–Oh pai... O que você irá fazer, Santana?

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POV SANTANA

Beirando o colapso da existência, eu trilho o caminho de minha sanidade. Expresso minha arrogância, erradio meu algoz de vida em um fio de temperança. Minha cabeça soa mais como uma bomba relógio que travou no último traço que a fará detonar. Sentia meu peito transpassar a agonia, deixando-a de lado para dar lugar a adrenalina de ter o punho cerrado e transferir um soco de uma tonelada na cara do destino. Sob meu pé o acelerador sofria do peso de meu ódio claro e sombrio, buscando vingança de quem me transformou nesse ser de meio termo. Então era por isso pelo qual sempre me senti diferente... Porque agora nem mesmo encontro palavras para nomear o que na verdade era. Odiava fazer pessoas sofrerem, vê-las sofrendo ou sendo acometidas a uma injustiça infernal. Minha expressão fechada só demonstrava o quão fechado meu coração estava nesse instante. Nada que dissessem ou fizessem me fariam voltar com meus objetivos agora. Ouvi os gritos abafados de Bilbo no porta-malas de Francyne, mas isso de nada adiantava. Ele me ajudaria no que tinha em mente. Com tantas questões em minha vida agora, só tinha certeza de uma coisa:

Queria respostas... E não importando como, eu as teria.

Notas finais
Eitcha p**** (vou colocar logo até os asteriscos pro Nyah não ter trabalho de vetar)... Gente, a Santana é geneticamente modificada como o feijão? Uhm, pois é kkkkk Brincadeira gente...Mas ela é sim geneticamente modificada. Essa latina é mais especial do que imaginamos e agora está virada na confusão. O que vocês acham que isso vai dar? Me contem, amo suas deduções. E sim, como vocês viram eu ainda não me fui, mas vou tentar o postar o quanto puder até isso acontecer. O próximo já está meio caminho andado, então me façam felizes que uma mão lava a outra. Não desapareçam pessoal, o gás de um autor é saber que tem alguém gostando do que ele faz. Ah, outro recadinhos para os que me acompanham. Quero deixar aqui recomendações de duas ótimas fics, que se eu fosse sem indicá-las a vocês, me odiaria pelo resto da vida. A primeira se chama Trama & Sedução da lindíssima, simpática e maravilhosa autora (é sério, ela manda benzão) Lima Prates. Galera, vocês vão amar. É quente, envolvente e muitoooooo intensa. Sem falar que a autora é uma pessoa maravilhosa e as tratarão super bem. Vão lá, link ta na mão: http://fanfiction.com.br/historia/548737/Trama_Seducao/ E a outra, importante e perfeita de tal forma, de minha querida amiga e parceira Harry Potterana, RayssaF. Outra incrível autora que mexe com nossa imaginação e nos faz mergulhar em um mundo intenso de aventuras e magia, literalmente kkkkk Adoro a autora, super simpática e engraçada. Ó só o link: http://fanfiction.com.br/historia/500571/Junto_e_Misturado/ Pois bem, ambas fics maravilhosas e de autoras incríveis que merecem toda sua atenção e carinho e ah... São Brittana. Deixo aqui meu beijo pra todo mundo e minha promessa de o quanto antes postar. Sejam legais me digam pelo menos um ''OI, JC'' ou ''Beijo, JC''. Vai alegrar um bocado esse coração tristinho B( Obrigada a todos que comentam e acompanham. Outro beijo. PAZZZZZZ!