Ligadas pelo destino
22 Capítulo 22- E que comece a festa! Parte 2
Notas iniciais
–Oi, mamãe- pela cara de quem viu alguém que já morreu, a matriarca Lopez se virou lentamente em nossa direção e com um semblante surpreso exclamou assustada:
–Santana?!- Santana suspirou.
–E que comece a festa!- a ouvi murmurar, passando os dedos entre os cabelos. Com certeza tentava segurar o nervosismo. Percebi seu olhar um tanto magoado, mas contido sobre a mãe. Rob e eu nos entreolhamos sem saber o que fazer ou dizer no momento, só permanecíamos ao lado de Santana para qualquer coisa. Sinceramente eu estava esperando uma reação adversa da senhora Lopez, pelo o que fiquei sabendo de como era a convivência dela com sua única filha, mas não é que ela me contradisse?
–San, filha... Oh, meu Deus!- a senhora rapidamente correu na direção da filha e a esmagou em um abraço assustadoramente forte. Santana parecia sem reação, seus braços estavam levantados longe das costas de sua mãe. Ela me olhou. Um olhar intrigado, desentendido e visivelmente surpreso- Minha filha, que susto que você me deu. Por onde você andou? O que anda fazendo? Não, primeiro me diga como você está. Eu fiquei doida...
–Espera!- Santana interrompeu a mãe, afastando-a de si. A latina mais velha a olhou intrigada- Por favor, vamos dispensar a fadiga de eu ter que ouvir a senhora dizendo coisas que eu nem mesmo quero saber.
–Mas, filha, precisamos conversar. As coisas acabaram saindo de meu controle.
–Pois é, mas está bom como está, dona Maribel Lopez- Santana disse indiferente aos pedidos de explicações de sua mãe. Estava diferente, amarga e de expressão fechada. Não me agradou nada vê-la assim e pelo visto nem a sua mãe- Não existe conversa. O que tinha a ser dito já foi e deixei isso tudo no passado no momento que pus o pé pra fora dessa casa. Só vim pegar o que preciso e sair o quanto antes desse lugar.
–Achei que tinha vindo me ver- a senhora tinha com uma expressão de desilusão em seu rosto marcado pelo o tempo.
–Me desculpe, mas preciso de algo que está nessa casa e eu o quero o quanto antes.
–E o que seria tal coisa?- sua mãe perguntou com um tom de mágoa na voz.
–Por acaso o papai lhe entregou algo para que guardasse com muita cautela?
–Não, tirando o dinheiro para as despesas enquanto ele tivesse ausente, Antony não me entregou nada- Santana bufou frustrada.
–Tudo bem. Quinn, use o rastreador- eu fiz que sim com a cabeça e peguei o aparelho na bolsa. Tive uma bela surpresa- Hum, San... Está travado.
–Droga- ela urrou estarrecida- Vamos procurar pela casa. Ele tem que estar aqui.
–Calma, San- Rob pediu tocando o ombro da irmã tentando tranquilizá-la com algumas palavras. A senhora passou a olhá-lo de forma estranha.
–É o filho do Antony, não é?
–Sim, senhora. Me chamo Rob- ele disse educado estendendo a mão a ela.
–Eu sei, te vi quando criança. Se tornou um rapaz muito bonito- foi verdadeira ao dizer isso.
–Obrigada, dona Maribel- ele corou com o comentário.
–Só digo a verdade, rapaz. Se parece muito com a sua mãe.
–Verdade, dela a senhora lembra super bem, pois foi a mulher que destruiu a vida.
–Santana!- eu a repreendi- Não fale assim com sua mãe. Vamos fazer logo o que devemos, por favor- pedi querendo apaziguar a situação. Santana deu de ombros.
–Eu sei disso, Santana e não há coisa maior que eu me arrependa. Só fica depois de ter errado com você.
–Tanto faz, venham- Santana ignorou a mãe e nos puxou para andar pela casa. Em um breve momento virei meu olhar para Maribel e pude vê-la enxugar as lágrimas por seu rosto. Me parecia bem real a tristeza daquela mulher e Santana estava sendo tão grossa. Mas vamos convir que pelo o que ela passou essa reação não é tão imprevisível.
– San, você está...
–Seguindo esse corredor encontra-se um quarto mais afastado de porta marrom. O quarto de meus pais. Rob vá até lá e procure pelo chip- ela me ignorou também, delegando aonde procurar. Ela segurava suas emoções a toda. Eu sinto isso- Quinn, pela porta da cozinha você pega um caminho que dobrando a esquerda te dá acesso ao porão. Eu vou até o QTI procurar por lá.
–Você também tem um QTI? Papai fez um pra mim também- Rob expôs.
–O que vem a ser QTI?
–Quarto de treinamento intensivo- Rob respondeu.
–Papai o usava para me treinar em segredo. Apenas ele e eu tínhamos acesso a ele- Santana emendou e Rob confirmou- Bom, não podemos perder tempo. Fabray, eu irei com você. Meu QTI fica no interior do porão- eu consenti e para lá fomos. Chegamos a encontrar a mãe de Santana novamente na cozinha, mas a mesma nem ao menos a olhou, seguindo mais que rapidamente até o porão.
Entramos no local e estava tudo escuro. Santana tateou pelas paredes atrás de um interruptor já que o antigo não estava mais lá. Muitas tralhas espalhadas por todos os lugares tomaram forma depois que a luz fora ligada. Fiz careta vendo toda aquela bagunça de caixas e mais caixas com coisas foras e ao redor de si. Tenho total aversão a bagunça, o que me deu na hora uma sensação de enfartar com a visão ou até mesmo correr com uma vassoura, uma pá e um padre com um crucifixo, uma bíblia e um sermão muito forte para limpar aquilo tudo. Não, não tenho TOC, só não gosto de coisas sujas ou desorganizadas, coisa que acho que aquela latina tem uma verdadeira adoração, já que deixa tudo jogado por onde passa. Principalmente depois que se exercita. Sai fazendo um stripper até o banheiro com a maior cara de safada que só ela possui. Não que eu esteja reclamando, tirando o fato dela bagunçar tudo e eu sair que nem maluca limpando, vê-la andando de roupa íntima não é nada ruim. Aquele corpo é completamente perfeito, confesso que me deleito infinitamente ao por os olhos naquela pele morena gostosa e que me deixa quente só de pensar.
Santana se abaixou para pegar algo dentro de uma caixa e não consegui me conter para não reparar por toda extensão de suas costas e parar em um ponto específico. Pra minha infelicidade havia um espelho ao seu lado e parece que ela notou meu olhar pesado sobre si:
–Gosta do que vê, Fabray?- ela disse gabola. Senti meu sangue se esvair por ser flagrada.
–E-Eu não... Bem, eu...
–Hey, relaxa. Eu sei que você estava admirando apenas o detalhe dos bolsos traseiro do meu jeans- um forte tom de ironia foi soado no momento. Puxa vida, essa mulher não deixa de brincar comigo e me provocar nem quanto está perturbada?
–Eu não fiz nada, Santana. Foi impressão sua.
–Sei... – ela arqueou uma sobrancelha sorrindo de canto. Santana mesmo sem querer é extremamente sexy, tenho que admitir. Ficamos nos encarando nessa parcela de tempo. Ela então começou a se aproximar. Eu já sentia meu corpo começar a vibrar com aquilo, uma energia que saia só de Deus sabe onde me tomava cada vez que eu a tinha por perto, olhando pra mim tão penetrantemente e, nossa, ela está tão próxima. Meus olhos se fecham automaticamente esperando que ela me agracie com seus lábios nos meus quando sinto seus dedos tocando meu ombro esquerdo- Olha, você ganhou uma amiguinha aranha.
–O que? V-Você disse... Aranha?- arregalei os olhos no mesmo instante me deparando com Santana com algo entre os dedos, tentando não acreditar que fosse realmente esse ser que eu tanto tenho pavor na vida.
–Isso, essa bicinha feiosa- ela me mostrou o monstro mais de perto e minha reação foi de insanamente começar correr de costas gritando um ‘’Ai, meu Deus, que nojo!’’.
–Tiro isso de perto de mim, Santana- eu gritava desesperadamente tentando me manter longe daquela criatura sanguinária demoníaca. Eu realmente odiava aqueles bichos.
–Ela não faz mal a ninguém, Fabray... Hey, cuidado- ela tentou me avisar da besteira que eu iria fazer e aconteceu. Naquela coisa de correr de costas me encontrei majestosamente com um monte de caixas e caí com o bumbum encaixado em uma. Como um resultado da batida, uma caixa que se pendia mais acima veio de encontro a minha cabeça. Um silêncio constrangedor se instaurou no local. Santana não dizia absolutamente nada. Fiquei com vergonha de encará-la novamente depois desse desastroso deslize e quando finalmente o fiz, ela estava quase roxa segurando a risada.
–No creo- depois desse breve comentário ela explodiu em uma gargalhada que me virou do avesso de vergonha- Santa madre de dios. Filha de Deus, que barbeiragem linda de se ver- mais gargalhadas atômicas dela ecoaram pelo porão. Meu constrangimento só aumentava. Tentei me levantar para acabar logo com aquela palhaçada com minha pessoa, infelizmente não conseguindo e caindo de novo. A latina quase desmaia com mais essa.
–Sério que você vai ficar aí rindo de mim ao invés de me ajudar, Santana Texas Lopez?- eu resmunguei começando a ficar vermelha pela situação.
–Desculpa, Fabray. Não tem como... Eu vou morrer... Eu vou morrer, ai minha barriga- ela segurava o estômago curvada pra frente enquanto ria sem limites. Fechei a cara ficando emburrada- Hey, desculpa mesmo. Espera, vou te ajudar. Me dê sua mão.
–Ai, Santana- reclamei quando ela me puxou com muita força- Vai arrancar meus braços assim.
–Perdão, dona delicadinha presa em uma caixa- e ela continuava rindo. Eu juro que se ela não parar vou lhe dar um belo bofete.
–Vai devagar, Santana. Vai acabar... – eu mal terminei a frase quando ela me puxou a toda, ocasionando o choque cheio de efeitos entre nossos corpos. Seu sorriso nesse momento morreu, estávamos muito próximas... Muito mesmo. Sua respiração estava de encontro a minha, tornando-se uma apenas. Senti uma vontade aterradora de me grudar àqueles lábios mais que atrativos e gostosos. Notei seu olhar se dirigindo ora ou outra para os meus que ela queria também, porém quando eu seria a que tomaria coragem de realizar isso, ela se afasta e limpa a garganta olhando pra qualquer canto do porão que não fosse meus olhos.
–Hum, encontrei a porta do QTI. Até mais, preciso encontrar quanto antes esse chip- estava tão eletrizada com o que aconteceu que perdi a noção de como se fala, apenas gesticulando um sim com a cabeça.
Eu estava realmente, fisicamente impossível a mercê dos efeitos daquela mulher... Problema! Santana é realmente um problema na forma concreta da vida.
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POV Santana
Respira, respira... Ufa! Meu coração estava pulando feito um louco em meu peito. Maldita mulher que me deixa afetada ao ponto de me esquecer de como respirar. Depois que cheguei ao QTI de meu pai, tive que separar uns minutos de minha vida para reaprender como funciona um pulmão. Fazia tempos que eu não precisava usar a droga da bombinha. Mas que droga! Quer dizer que só porque fiquei perto daquela maluca tive um ataque doido de asma? Pois bem, está aí a prova de que ela pode me matar sem ao menos se mexer. Novo super poder formado: A capacidade de dar um fim a Santana com apenas o olhar do gato de botas. Rakstofili! (palavra que não existe, mas que eu criei para não falar um palavrão daqueles e vier alguém aqui me processar por eu ter arrancado o olho de alguém com uma santa de uma mal criação. Obrigada, de nada).
Já quase recuperada do homicídio culposo contra mim, finalmente me dou conta de onde estou. Era o lugar que meu pai me formou, me fortificou para a vida e que passamos a melhor fase de minha vida: Quando eu o tinha comigo por mais de um dia. Quando me despreguei do chão, me emergi em um transe que revivia meu passado em flashs que consumiam minha mente sem pudor. Fui alisando os aparelhos, os móveis, o tatame e tudo que eu encontrava que já foi tocado por meu pai e que faz parte de meu passado de boas coisas, em partes. Não queria quebrar esse momento, mas tinha que começar a procurar esse bendito chip que podia ter se enfiado debaixo do sovaco de um elefante ou até mesmo no inferno, entre os dedos com cheiro de enxofre do capeta, do que aqui nesse lugar. Que sorte que eu tenho, hein? Estou pensando em escrever um livro que pode se chamar ‘’Dez coisas que eu odeio em mim, entre elas meu azar bonito e cheiroso’’, ou até mesmo ‘’As crônicas de uma latina azarada. A loira, o chip e o azar’’. Vai vender mais que livro para aumentar seu potencial na cama. Com apenas 200 parcelas de 1938792324224 dólares você adquire o seu e ainda recebe gratuitamente mais uma parcela de 827878723 e uma boneca de vodu cheia de agulhas espetadas da garota que tomou seu bofe ou bofa ou daquela tia que fica gritando ‘’olha a paçoca’’ às seis e meia da manhã de um domingo na porta de seu quarto. Você não vai se arrepender, efeito instantâneo.
Bom, percebe-se que eu não estou nem um trisco normal. Mas deveras, não é? Não quero transparecer, mas daqui pra mais tarde eu saio daqui carregada toda amarrada em direção a um manicômio cheio de galinha.
Comecei a revirar tudo que eu via pela frente, mas nada do chip. Não encontrei nada. Me senti totalmente frustrada por isso, torcendo para que Quinn e Rob já tenham encontrado esse danado para que possamos sair o quanto antes daqui. Sério, estou sufocando nesse lugar.
–Aonde você colocou esse chip, papi?- perguntei observando o quadro que estampava nossa foto quando eu tinha por volta de dez anos, com ele me segurando no colo e mordendo minha bochecha enquanto eu ria sem parar. Ele queria que aquele lugar significasse além de concentração, respeito, equilíbrio e capacidade pra mim, mas como um refúgio das coisas que iam me acontecendo. Debaixo uma frase emoldurada: ‘’Como aluna me inspira e como filha me deu o mundo”- Me ajuda aqui, meu velho. Sabe o que esse lugar me faz sentir sem você aqui- quase supliquei pra figura sorridente de meu pai na foto.
Resolvi sair dali logo antes que não conseguisse mais, me encontrando com Quinn ainda revirando a bagunça do porão de cara feia. Ela odeia ao quadrado bagunça.
–Achou?- fiz que não com a cabeça sem forças pra responder. Ela me enviou um olhar compadecido que fiz questão de não encarar para não jogá-la sobre aquelas caixas e pecar por longos dias com aquele corpo infeliz de gostoso. Viu? Mesmo com a cabeça rodada essa mulher ainda mexe miseravelmente comigo. Não vejo a hora disso tudo acabar e eu ir pra léguas de distância daquela maluca. Não vou mais sofrer por quem não me quer. Chega, vou virar freira como aquelas que parecem um pinguim de vestido.
Ajudei a loira a botar aquele porão abaixo, ou no caso acima, já que o porão fica embaixo ou tanto faz que direção essa merda tome, contanto que o viado daquele chip desse as caras logo... Eu sei, sou lesada... Voltando, mais de duas horas se passaram e nada de nada foi encontrado naquela montanha de entulho. Só está faltando um zumbi aqui pra se tornar um apocalipse, se bem que minha cara de frustração não está longe de ser comparada a um.
–Porcaria dos infernos... Eu acho o Sadam Russeim aqui, mas não acho a droga desse chip. Tem certeza que está nessa casa, Quinn?
–Está, Santana. Já disse que o rastreador de meu pai nunca se engana- ela firmou deixando de lado a última caixa que faltava olhar.
–É, esse bendito rastreador que seu papai criou. Só vive travado, esse peste. Seu pai bem que poderia vir buscá-lo para enfiar no...
–E aí, meninas, encontraram alguma coisa?- Rob apareceu interrompendo meu belo discurso. Quinn apontou o dedo indicador pra mim como repreensão e eu devolvi com um gesto infantil de dar língua.
–Dá pra crescer, Santana? Precisa amadurecer- Quinn atirou com seu jeitinho esnobe.
–Sabe, Quinn... Não estou nem aí para o que você acha de mim. Estou cagando e andando pra você. Vive sua vida que eu vivo a minha- devolvi grosseiramente, e não me importando por ser, notando seu olhar bravo pra cima de mim- E respondendo a sua pergunta, Rob... Não achamos droga nenhuma nesse lugar. Estou vendo que vir aqui foi uma completa perda de tempo, como tudo na vida desde o momento que conheci você, Quinn- ela entreabriu a boca para falar algo, mas este não veio- Vou procurar em outros cantos da casa, aconselho o mesmo a vocês- saí de lá sem escutar respostas ou resmungos de Quinn e fui vagar pela casa, mas nada eu encontrava.
Cabisbaixa eu sentei na varanda. Não tinha forças nem sanidade mental para continuar a procurar a porcaria daquele chip que parecia nem mesmo estar por aqui. Rob e Quinn não demoraram a se juntar a mim, compartilhando meu silêncio catastrófico com eles. Não ousava olhar pra Quinn, eu estava odiando demais a situação para encontrar motivos naqueles olhos magníficos para aumentar a minha raiva. De repente ouço a porta de frente se abrindo e me atrevendo a olhar para trás me deparo com minha mãe me encarando timidamente.
–Acharam o que procuraram, filha?
–Infelizmente não. Estou em surto- passei nervosamente a mão pelos cabelos na tentativa de me tranquilizar.
–Calma, sei que vai achar. Nada aqui foi mexido depois que se foi- ela tocou em meu ombro, o que reagi em me afastar rapidamente. Toda vez que minha mãe se aproxima de mim, a ferida do meu coração começava a arder miseravelmente. Quinn e Rob só observavam minha quase nada interação com minha progenitora.
–Temos que achar- evidenciei forte isso.
–Aonde vão ficar essa noite?
–Não pensamos ainda nisso, mas deve ter algum hotel ou pousada por aqui. Acho que me lembro de alguns.
–Sinto muito, filha. Mas com a festa da colheita todos os hotéis e pousadas estão lotados. Por que não ficam aqui? Temos quartos vagos, o seu eu nunca deixei que mexessem para quando você voltasse- ela sugestionou de uma forma até meiga, mas meu coração foi no calcanhar e voltou só de pensar em passar uma noite nessa casa.
–Ah não. Aqui eu não fico- balancei os braços feito um boneco de Olinda de forma negativa.
–Filha, mas aqui...
–Não... Não, não, não, não... Não quero- os três me encararam naquela crise de negação e minha mãe pareceu entristecer-se por isso, mas que se dane. Eu não gosto desse lugar- Eu preciso pensar e aqui não ajuda nada.
–Filha, pensa bem. Espera- ela pareceu lembrar-se de algo- A festa da colheita era a sua preferida quando morava aqui. Por que não dá uma passada lá para se divertir e espairecer e pensa na minha proposta?
–Não estou com pique pra festas.
–Hey, San. Vai ser bom pra você. Já me falou do quanto adorava essa festa. Vamos todos com você- Rob ajudou nas mutretagens da velha minha mãe.
–Concordo com o Rob- agora Quinn também entra no balaio de gato contra mim. Valeu, gente. Estou vendo o quanto sou querida. O olhar de minha mãe encheu-se de esperança.
–Tudo bem, mas só por alguns instantes. Tem uma pessoa que quero ver por lá- os três concordaram ao mesmo tempo.
Quinn, Rob e eu pegamos a estrada. Uns quinze minutos de minha casa. Quer dizer, casa de meus pais, da minha mãe... Sei lá de quem era aquilo. De longe já dava pra ver as luzes estrondosamente brilhantes da roda gigante. Meu pai me levava todos os anos a essa feira, desde quando eu era um bebê. Sempre amei aquilo tudo. Muita gente vem de longe para participar. Quando finalmente achei uma vaga para estacionar dona Francyne, tranquei tudo nela e me adentrei com meus acompanhantes no lugar que tinha tanta gente, que eu já não sabia mais nem quem era eu. Tinha que me abraçar pra não me perder de mim.
–O que tanto procura, Santana?- Rob me perguntou quando nos aproximávamos de uma barraca de cachorro quente.
–Uma pessoa muito especial- respondi analisando o lugar atrás da senhorinha que eu considero como avó desde uma pestinha desdentada- Ali está ela. Adélia?
–Santanita?- uma senhora de cabelos grisalhos me encarava com os olhos umedecendo a cada centímetro que eu me aproximava dela- Dios, que hermosa!
–Linda está você, minha gata- a abracei apertadamente- Como vai, Adélia?
–Melhor agora que te vi antes de bater as botas.
–Ah para.Você está uma adolescente ainda. Está com quantos, dezesseis ou dezessete?
–Quem dera- nós rimos- Hey, hermosa, não vai me apresentar sua namorada muito linda e o rapaz lindinho de fofo ao seu lado?
–Hum, muito obrigada- Fabray disse ficando vermelha feito um pimentão. Engoli a seco ‘’sua namorada’’. Não sabe que órgão eu daria para que isso fosse minha realidade- Ela não é minha namorada, Adélia. É uma... – o que ela era mesmo minha, meu Deus?- A filha de um amigo de meu pai. E o moleque do lado é meu irmão caçula Rob.
–Um prazer em conhecê-la, senhora- Rob ofereceu a mão a mulher mais velha e lhe enviou um sorriso educado.
–Nossa, que galã. Dá ele pra mim, hermosa?- todos rimos- Filho caçula do Tony. Me lembro bem de ele ter me falado sobre o rapaz. E falando disso, sinto muito por tudo, pequena. Soube da galinhagem que te aprontaram que fez você sair daqui sem se despedir da sua Adélia.
–Deixei isso no passado, Adélia. Peço desculpas por não ter me despedido, mas não estava raciocinando quando dei um fora daqui. Só queria ficar bem longe o mais rápido possível.
–Calma, criança. Eu te entendo. Até eu se pudesse já tinha me tacado fora daqui se não fosse minha coluna de velha- ela acariciou meu rosto enquanto eu ria do comentário. Adélia sempre foi muito bem humorada. Ela já foi babá de meu pai e minha também. Quando eu cresci ela se aposentou e em todos os anos, na feira, vende cachorro quente para arrecadar uns trocados pra cuidar de seu monte de cachorros.
–Eu não acredito no que meus lindos olhinhos estão vendo- escuto uma voz absurdamente exagerada gritar alguns metros atrás de mim- Santana Lopez, sua vadia sem coração.
–Kitty, sua cachorra?- me virei, arregalando os olhos ao ver minha antiga amiga do colégio.
–Senhora Kitty cachorra pra você, seu ser ingrato- eu corri para abraçá-la. Ela quase me esmagou entre os braços. Rob e Quinn observavam tudo sem entender p de nada- Como você some assim, sua maluca? Que saudade.
–Eu tive que ir, loira desmiolada. Sabe bem o porque- ela me soltou do abraço para me encarar.
–Sei sim e sinto muito. Eu sabia que aquela vadia não prestava desde o começo. Mas pode ficar despreocupada, quando soube o porque de você ter saído sem se despedir da gente, eu dei um belo corretivo naquela múmia anã.
–Bateu nela?- perguntei surpresa. Kitty nunca foi violenta.
–Até ficar com câimbra- não consegui segurar a risada- Ah vá, ela merecia uns tabefes, né? Ninguém faz minha latina deusa sofrer. E San, me deu vontade de dar um beijo na sua boca agora- foi aí que eu ri mesmo. Notei Quinn emburrar mais a frente- Mas, sou uma moça comprometida e não posso matar esse fetiche.
–Que pena então- fingi estar frustrada por isso- E aí, comprometida com quem?
–Adivinha, cunhadinha?
–O que? Com Danilo?
–Exatamente- não fiquei tão surpresa porque já sabia da paixão platônica da loira pelo meu irmão mais velho.
–Nossa, fico muito feliz por vocês, mas...
–Mas?
–Sei lá, Danilo era um partidário do Voldenzo- Voldemort com Enzo. Apelido mais que carinhoso que dei pro capenga do meu irmão do meio.
–Danilo nunca foi mal, Enzo que mexia com a cabeça dele. Você vai ver quando o ver, ele quase enlouquece quando você se foi, San.
–Nossa!- exclamei absorvendo tudo. Danilo nunca foi bruto nem nada comigo, mas me evitava e olhava torto pra mim toda vez que nos topávamos pela casa, o que me levava a acredita que ele também não gostava nem um trisquinho de mim.
–Hey, relaxa. Nem tudo que parece é- a loira disse parecendo adivinhar meus pensamentos.
–Pois eu espero que seja, porque não estou acreditando no que estou vendo- ouvi aquela voz miserável,que da última vez que me deparei com ela, foi quando gritava por meu nome enquanto eu fugia de casa. Me virei lentamente como se um século se passaria, mas eu não completava a volta- Oi, Tana!
–Rachel?
–Eu mesmo, meu amor- meus olhos quase saiam da minha cara. Lá estava ela, a última pessoa com quem eu queria topar nessa cidade. Eu não sabia o que estava sentindo. Talvez uma vontade de cavar um buraco e me enfiar toda dentro. Mas continuei firme.
–Hum, agradeceria se você não me chamasse assim, por favor, minha cara estranha- eu disse fria. Por um breve momento olhei pra Quinn que agora se inquietava perto de Rob, que me encarou com um olhar de ‘’aguenta firme aí’’.
–Mas é claro que me conhece, Tana. Nunca me esqueceria.
–Nego sua existência, minha querida, como uma espinha indesejada- Rachel fez um olhar de ‘’ai, doeu’’. Quinn continuava a encarando sem expressão alguma. Parecia que tinha congelado no lugar- Pessoal, vamos? Kitty, nos falamos depois. Foi muito bom rever você- a loira me deu um abraço apertado e um beijo na bochecha. Quinn veio até mim e segurou minha mão de uma forma até possessiva, o que me fez a encarar com o cenho franzido. Acabei ignorando esse fato e me pondo a andar com Quinn assim agarrada a mim como uma porca em um parafuso.
–Tana, espera- Rachel nos alcançou, pegando em minha mão que Quinn segurava, desenlaçando-a dela para pegar para si. A loira a olhou nada amigavelmente- Me diz, o que veio fazer aqui depois de tanto tempo?
–Acho que isso não é da sua conta, Rachel.
–Eu preciso saber- ela foi persistente, o que já estava me tirando do sério. Primeiro me soltei de sua mão. Já sabia aonde ela queria chegar.
–Se for pra me deixar em paz, Rachel. Não, eu não voltei por você, foi por meu pai. Satisfeita?- rolei os olhos para voltar a andar com Quinn e Rob e mais uma vez ela me infernizou
–Espera, eu... – antes que Rachel começasse a cacarejar de novo, escutamos uma quebradeira mais a frente.
–Enzo!- Berry e eu dissemos ao mesmo tempo, adivinhando de quem se tratava.
–Deus... Tana, será que você poderia me ajudar?- ela pediu e fiz um não com a cabeça super evidente- Por favor...
–Vamos, pessoal- chamei, mas algo me impediu de andar de novo.
–Vamos lá, matem esse bêbado desgraçado- Rachel me olhou com aquela cara de cachorro esfolado quase me explorando.
–San, vamos lá. Acima de tudo ele é nosso irmão. Pense em sua mãe e no papai- Rob interviu pelo cabeçudo lá e não consigo dizer não para meu ruivo desmiolado.
–Inferno ao triplo- quase furei o chão com uma pisada- Tudo bem. Vocês duas fiquem atrás da gente- as duas consentiram, apesar de Quinn parecer querer dar uma tamancada inglesa na Rachel e a mesma parecer querer fazer o mesmo com a loira com sua plataforma.
Assim que nos aproximamos, dois caras seguravam Enzo para que o outro o enchesse de bolacha. Eu poderia me senti feliz por isso, mas pior que não consegui.
–Hey, três a um é covardia até mesmo contra o babaca do Enzo- eu disse tomando a atenção dos agressores- Seja lá o que ele tenha feito, é pecado bater em dementes.
–Obrigado pelo elogio, irmãzinha- Enzo dizia com a voz mais encachaçada do mundo. Chega ardeu meus olhos do bafo de etanol vindo de sua boca quase torta de pancada.
–Ninguém acenda um cigarro aqui, pelo amor de Deus. Bebendo pouco hein, irmão?
–Só um pouquinho- ele sorriu com os dentes sujos de sangue da porradaria. Ele não aprende mesmo, senhor.
–Pois bem, larguem o traste do meu irmão e me deem o restante dele para levá-lo para nossa mãe, que uma hora dessas já orou até para os santos de Nárnia para tirar esse maluco de confusão.
–Sinto muito, Santana. Mas esse idiota vai pagar pelo o que fez, deu em cima de minha mulher agora vai arcar com consequências.
–Ele tomou a minha e nunca estive melhor- pude ouvir Quinn rir. Bom, primeira piada que ela ri em público... Mucho estranho.
–Foi um mal entendido- Rachel se defendeu.
–Foi sim, a língua dele foi parar na sua garganta por acidente, assim como outras coisas também foram parar aí dentro.
–Não foi bem assim.
–Por que elas sempre dizem isso?- o cara que batia em Enzo comentou.
–Eu me pergunto todos dias desde que essa aí me deixou com chifre até no nariz- eu dei ombros- E aí, cara, solta ele logo. Você conhece minha mãe desde moleque. Vai fazer isso com sua madrinha?
–Vou não, foi mal aí, Santana- ele se desculpou pegando Enzo e jogando pra mim, que sai da frente pra que ele conhecesse o chão por uns minutos- Você é uma pessoa legal ao contrário desse aí. Você fez falta.
–Precisa se desculpar não,cara. Conheço bem a peça. Brigadão- apertei a mão do cara- E eu não sei que fiz falta? Sou a mais gostosa dessa cidade.
–Concordo, que pena que sempre gostou de outra fruta- ele brincou sorrindo.
–Podre, mas gostei- muitas gargalhadas foram ouvidas- Qualquer dia desses passo aí pra uma cerveja.
–Falou!
–Vamos lá, traste. Levanta essa cara do chão- eu mandava batendo com meu all star lindão na perna do Enjoado.
–Não posso, eu morri.
–Vontade de que isso seja verdade não me falta.
–Vai lá, San. Ajude seu irmão- Quinn me pediu de forma meiga. Tocou meu ombro e o afagou com delicadeza. Não tem como negar um pedido desse jeito. Oh loira que me maltrata.
–Tudo bem. Rob!- gesticulei que era pra Rob pegar de um lado enquanto eu pegava do outro. Enzo pesava pra cacete. Fomos o arrastando até Francyne para levá-los para casa, já que Rachel não fazia ideia onde Enzo havia deixado o carro deles.
–San, você está bem?- Quinn me perguntou no caminho. Ela ia ao meu lado no carro. Passou a mão por meus cabelos carinhosamente, o que fez meu corpo ir perdendo a tensão enquanto ela mantinha sua mão ali- Não come desde cedo.
–Estou bem sim, relaxa. Com tanta coisa a fome me abandonou- expliquei fazendo de tudo para não fechar os olhos com as carícias de Quinn em meus cabelos.
–Eu entendo, mas quando chegar na casa de sua mãe, procure comer algo, por favor. Faz mal ficar tanto tempo assim sem comer nada.
–Quer mesmo que ficamos naquele lugar?
–Era seu lar, San. Não é pra sempre. Só até achar o que precisamos. Vai ser rápido, prometo- vou confessar que amava quando Quinn soltava esse jeito meigo comigo. Geralmente ela fazia isso para me acalmar... E pelo visto estava conseguindo.
–O que você acha, Rob?- o garoto enfim disse algo, tentando afastar Enzo que a todo momento ficava tentando o agarrar durante a viagem.
–Concordo com a Quinn. Ficando lá temos mais chance de ter êxito na busca. Corta tempo de estar indo lá toda hora... Para, Enzo- ele virou de costas para meu outro irmão bebum. Queria que Enzo fosse metade do que esse garoto é- Sem falar que lá deve ter uma cama bem mais gostosa que esses bancos de Francyne. Você está precisando de um soninho, irmã.
–Vocês dois são uns traíras- Quinn e Rob riram- Eu aceito.
–Boa menina- a loira acariciou minha bochecha. Automaticamente peguei sua mão e a beijei. Não conseguia conter isso. Reparei pelo espelho que Rachel não parava de olhar para Quinn e eu com uma cara de serial killer de trinta centímetros prestes a atacar.
Enfim chegamos a casa de meus pais e fomos arrastando Enzo até seu quarto, já que o crianção ali nunca saiu de casa. O jogamos na cama como um saco de batata.
–Cuida que o filho é teu- disse pra Rachel que observava tudo quieta. Parei um instante para observar todo o quarto, recebendo as lembranças do dia fatídico que tudo em minha vida começou a mudar- Vamos, Rob.
–Obrigada, Tana.
–Não agradece ela, é uma vadia- Enzo disse todo embolado e em seguida caiu da cama. Balancei a cabeça negativamente observando o estorvo que aquele cara tinha se tornado para dona Maribel e qualquer um com cérebro.
–Tanto faz. Tchau- disse seca como uma folha em um deserto e segui com o garoto para a sala onde Quinn e minha mãe nos aguardava.
–Quinn me disse que vão ficar- minha mãe disse com entusiasmo.
–Foi, só até achar o que eu quero- falei sem encará-la. Não sei, olhar nos olhos daquela mulher não me fazia bem. Principalmente porque sempre parecia triste demais e isso mexia comigo.
–Só te ter por perto já me é suficiente.
–Que seja!- minha rebeldia começava aflorar. Em minha adolescência nunca fui ríspida com minha mãe, mas ela parece meiga agora, antes me dizia coisas que doía mais que uma faca no coração. Como uma vez que ela comentou que queria que eu tivesse morrido no parto do que me ver com uma garota. Isso pra quem estar se descobrindo é terrível, mais ainda vindo de quem se ama tanto como uma mãe- Onde nos alojaremos?
–Como eu já disse antes, não deixei que tocassem em algo no seu quarto. Está da mesma forma que deixou. Você e sua namorada podem dormir nele e o rapaz fica no antigo quarto do Nilo.
–Não somos namoradas- esclareci vendo Quinn ficar vermelha como quando Adélia perguntou de nós. É, estava na cara minha loucura por aquela mulher.
–Oh, achei que fossem. A forma que se olham e, sei lá, não entendo muito dessas coisas da modernidade jovem- ela disse de uma forma engraçada.
–Então você não se incomodaria se ela fosse minha namorada?- cutuquei sua ferida, mas ela simplesmente negou.
–Não, aprendi a aceitar que o amor age de formas diferentes em todo mundo. Acho Quinn uma moça formidável e muito educada. Adoraria a ter como nora- Quinn estava um arco-íris de vergonha e eu ri por dentro. Meu Deus, esse fingimento está forte demais ou a velha tomou jeito.
–Tudo bem, dona Maribel. Mas Rob dorme com a gente. Quero meu irmão perto de mim, aonde eu possa vê-lo- ta doido que eu deixo meu caçula a mercê desse povo doido? Esse moleque é tudo pra mim assim como... Vamos deixar pra lá. Mas Enzo está por aqui e bêbado. Ninguém sabe das doideras que esse maluco é capaz.
–Não vejo o porque, mas tranquilamente. Daqui a pouco passo para deixar alguns lençóis limpos a vocês.
–Entregue-os a eles. Eu vou procurar algo pra comer. Nos vemos daqui a pouco no quarto- me dirigi a Quinn e Rob.
–Se quiser eu posso fazer algo pra você, San.
–Não precisa. Sei me virar, dona Maribel- ela consentiu e eu saí vagando pelos corredores. Preparei um sanduíche básico e fui me deleitar do mesmo. Quando estava perto de acabar, notei que as luzes do celeiro estavam ligadas. Olhei no relógio e já se aproximava das uma da manhã. Fiquei curiosa e fui ver quem era. Poderia ser um ladrão, sei lá, era bom prevenir. Da porta vi uma silhueta pequena e fui entrando. Dei de cara com Rachel dando comer a uma vaca. Vendo-a assim, tão tranquila e meiga com a vaquinha sua prima, pude por um momento relembrar a minha Rachel, a que me apoiava, amava incondicionalmente e não andava mentindo por mim e conhecendo os aposentos do meu irmão pinguço. Ela estava com o corpo mais formado, as pernas continuava cada vez mais gostosas... O corpo estava perfeito. Para, Santana, vai ficar tarando a ex agora? Mas que ela estava gostosa, ela estava. Tomou um puta susto quando reparou minha presença no lugar:
–Jesus- ela pôs a mão no peito, de olhos esbugalhados me encarando- Nossa, que susto.
–Você estava tão tranquila com sua prima que nem notou minha presença- disse com sarcasmo e um sorrisinho de lado- Agora entendo o porque de você gostar tanto de curral.
–Você como sempre muita engraçada, Santana- ela rolou os olhos terminando de alimentar sua parenta.
–Nunca mudo- dei de ombros.
–Muda sim. Você nunca me tratava mal e agora me ofende a cada frase que sai de sua boca.
–Porque antes você não andava mentindo as minhas costas e dando o quanto podia a meu irmão sem futuro- ela me encarou sentida. Oh mulher da raça ruim.
–Já disse que foi um mal entendido.
–Ele te forçou a algo?
–Não, nem um pouco.
–Então não foi um mal entendido ou vai dizer que por ele ser muito parecido comigo você nos confundiu, ignorando o gritante fato de ele ter um pinto e eu não? Acha que pintos nascem assim, do nada?- ironizei forte, sem tirar o sorrisinho de superioridade.
–Dá pra parar de brincar e me escutar?- ela pediu. Largou as coisas da vaca e veio para perto.
–Dá pra você largar de ser mentirosa e admitir que é uma vaca que dava uma de puritana toda vez que eu tentava enfiar a mão por dentro da sua calcinha e foi só meu irmão falar ‘’vem, mimosa’’ que você não hesitou em transar com ele como uma vaca suja? Sem ofensas, prima da Rachel- me dirigi a vaca.
–Faço questão de deixar você enfiar sua mão aonde quiser em mim agora- se ofereceu.
–Prefiro enfiar minha mão no triturador de carne ou na boca de um jacaré com um ano que não se alimenta- fui me afastando conforme ela se aproximava. O cheiro do perfume da pequena polegar alcançava minhas narinas. Sempre amei aquele perfume no corpo de Rachel. Droga, ela cheira gostoso.
–E aquela loirinha?
–Qual? Já fiquei com tantas, que por sinal sempre foram melhores do que você- strike um.
–Primeiramente nenhuma nunca vai te fazer sentir como eu já te fiz e posso fazer- ela disse maliciosa.
–Concordo, não são todas que vão me tacar um chifre de cinco quilos quando meu irmão bebum oferecer uma DST de brinde se transar com ele- strike dois.
–Não ligo pra suas gracinhas- ela deu de ombros- Falo da loirinha que ficava de cute cute com você no carro. Muito sonsinha.
–Não a chame assim. O que Quinn tem de sonsa você tem de alta- strike três and game over, bitch- Bom, já estou indo dormir. Falar com você me deixa com menos neurônios do que conversar com sua prima, dona vaca- combo extra, hadoukennnnnn, little bitch.
–Hey- ela me parou na porta e me puxou para dentro- Essa marra toda é saudade que sente de mim. Sei que aquela loira nunca vai te satisfazer como eu.
–Não, Quinn é perfeita.
–Tão perfeita que parece que apenas de tem como passatempo- tocou lá dentro, na ferida profunda- Ela tem cara de riquinha. Conheço muitas, só querem experimentar depois descartam como roupas que usam um dia e já enjoaram.
–Para- pedi afastando-a- Isso já está indo longe demais.
–Covarde.
–O que?- me voltei a ela com a sobrancelha arqueada.
–Covarde- ela sabe como isso me irrita- É por isso que a loira lá não te quer, por isso que eu dormia com seu irmão... Porque você é muito covarde- um sonoro tapa estalou quando minha mão se encontrou na cara daquele pônei maldito.
–Não sabe o quanto eu estava me segurando para fazer isso- eu disse começando a ficar ofegante de raiva.
–Ah é? Isso só serviu para ficar mais excitada com você- dito isso o anão dos infernos saltou olimpicamente em cima de mim e se atracou a meus lábios. Tentei me afastar, tentei lutar, mas com a cola que aquela mulher tinha entre as pernas e algo dentro de mim formigando, dei com tudo com ela na parede e a beijei ferozmente em seguida. Eu precisava disso, não posso negar. Rachel tomava minha língua vorazmente e mordia meus lábios querendo sanar tudo que nos rasgou por esses anos. Da parede eu joguei Rachel em cima de um monte de feno, me colocando entre suas pernas. As mãos dela foram até minha blusa e começou a desabotoá-la durante a seção de beijos que pareciam infinitas. O gosto de sua boca continuava o mesmo... Saborosíssimo. Minha blusa estava completamente desabotoada e agora tinha Rachel beijando meu abdômen e descendo. Empurrei ela brutamente pelos ombros para voltar a se deitar no feno como uma vaca que ela é e eu não nego, até faço uma propaganda na polishop ‘’Compre uma vaca e ganhe um anã de brinde’’. Apertei suas coxas sem pudor, subindo por dentro de sua saia para apertar sua intimidade por cima da calcinha. Rachel gemia sofrida, senti que estava terrivelmente excitada.
–Sabe aquelas vezes que transávamos de forma selvagem e eu te fazia gemer e gozar como uma louca, e tinha espasmos até quase perder os sentidos?- perguntei sem parar com a tortura acima da calcinha.
–Claro que lembro, San. Só você me fazia senti assim, completamente satisfeita na cama- sua voz já estava languida- Lembro sim, lembro muito- dei outra apertada. Lambi do vale dos seus seios até o ouvido para falar:
–Que bom que lembra porque aquilo tudo só vai ficar em sua lembrança- soltei seu maxilar que a fez cair de costas completamente no feno- Te falei que iria lembrar de mim quando precisasse de sexo de verdade. Agora vou dormir. Boa noite, vaquinha- saí de lá toda bitch. Toda desgrenhada com a calça aberta e a blusa toda violada, mas marquei a noite da pequena lá. Ninguém brinca com Santana Lopez.
POV San off
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POV QUINN
Eu já tinha tomado banho e estava devidamente vestida esperando Santana para dormirmos. Rob parecia que já havia pegado no sono na cama com rodinhas que foi colocando no chão para ele. Santana disse que iria fazer um lanche e que não demoraria, mas já havia se passado mais de meia hora e nada dela. Pensei em descer, mas achei melhor não, iria parecer muito grudenta, isso não daria certo com ela. Resolvi então observar a noite que estava simplesmente linda em um clima mais ameno, faltando apenas Santana para me abraçar e passar a noite assim comigo. Ao olhar pela janela meu coração simplesmente para... A latina saindo do celeiro com as roupas desalinhadas e abertas. Ela sai abotoando a calça e em seguida a blusa com uma expressão evidente de satisfação no rosto. Eu mordi o canto dos lábios torcendo para que não fosse o que eu estava achando, mas minha esperança morre quando vejo Rachel, aquela ordinária, sair do mesmo celeiro poucos minutos depois também consertando suas roupas. Aquilo parecia um gritante pós-sexo e de repente tudo que eu queria agora era chorar até que o mundo acabasse... Será que Santana já me esqueceu rápido assim? Ou o amor pela ex sempre existiu e estava apenas adormecido? Céus, perdi Santana sem ao menos lutar por ela. Aquela latina idiota. Eu não acredito que Santana fez isso comigo.
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