Ligadas pelo destino

23 Capítulo 23- E que comece a festa! Parte 3


Notas iniciais
E aê, galera nyahense... Tudo na sussa? Bom, eu não ia postar hoje por causa de uma meléfica dor de cabeça, massss minha mãe me impediu de dormir cedo. Eu iria logo dormir e quando vou realizar a ação do verbo, a véia loira aparece no quarto e diz educadamente ''fia de um jegue, vai tomar mais chá. Essa tua dor de cabeça é a sinusite forte. Ande, vá tomar o chá''. Mas me digam, por que mãe tem mania de te mandar tomar chá se ele ainda está sendo feito? É o prazer de nos ver cochilando sentado na cadeira feito um sem teto desgarrado, só pode. Daí, enquanto o chá fica pronto, resolvi dar uma passada e mandar mais essa loucura pra vocês. Ta grande feito a peste, mas espero do fundo da minha vesícula que curtam essa. De cabeça doendo, toda remexida, mas de coração procês. Curtam aí, crianças. Desculpem qualquer erro.

POV QUINN

–San, não... – não consegui concluir a frase. Meu peito apertava doendo como nunca doeu na vida. Céus, o que é isso que estou sentindo? Por que estou me importando tanto que talvez Santana tenha feito sexo com sua ex namorada? Ela era solteira, não era? Não sei, acho que se cansou de mim. Não, estou começando a ter profunda certeza que sim, Santana Lopez se cansou de mim. Achei que ela fosse diferente. Que era alguém que não desistia de seus ideais e acho que uma parte de mim torcia para que ela não desistisse pelo o que dizia sentir por mim, mas acho que a momentaneidade de seu amor por mim não foi mais que um mero interesse ou até mesmo um fetiche com a mulher que anda lhe trazendo certo tipos de emoções nunca antes retratada a ela, sei lá, curiosidade? Vingança? Não sei, só sei que aqui dentro do meu peito está doendo miseravelmente.

Rachel. Aquele ser pequeno, mas com tanto egoísmo em si capaz de mover montanhas. Ela acha que eu acreditei naquela conversa de que tudo o que fez a Santana foi um engano? Claro que não. Ela uma bela de uma gananciosa sem escrúpulos algum, que se vê sempre ao lado de quem está ganhando a batalha. Interesseira de uma figa! Santana é uma mulher incrível e com certeza quando a viu naquela feira, notou o que perdeu lhe traindo daquela forma terrível, eu me arrependeria. Não sei o que tem naquela latina que desperta coisas quem nem ao menos eu conhecia em mim, me mostrou o quão ignorante sou apesar de tantos estudos que tenho na vida. Simplesmente porque livro algum pode me proporcionar tanto prazer em apenas um toque quanto Santana me remete. Apenas seu olhar já me faz flutuar em meu interno. E agora, apesar de tudo, sinto que estou a perdendo. Por que se eu nunca a tive?

Fui horrível com Santana mesmo ela sendo tão carinhosa comigo (apesar das infantilidades rotineiras dela que me tiram do sério), sendo paciente e atenciosa. Tivemos nossos confrontos uma contra a outra, mas no fim ela sempre me protegia e não pedia nada em troca. Deus, sou tão idiota! Mas não posso sofrer por isso. Não por tudo que tem a nossa volta. Não quero a ver machucada e estando comigo é só o que pode lhe resultar. Entretanto, droga, não consigo me afastar. Algo nela me prende. Que diabos! Eu consigo passar por isso. Tenho que conseguir e vou ignorar o fato de que posso estar terrivelmente e assustadoramente apaixonada por aquela latina inconsequente, gabola, infantil, descuidada, sem juízo, mas magicamente de alma boa e pura e que possui um imã terrível que suga meus sentidos e me deixa bamba por aquele sorriso de covinhas.

Não consegui dormir a noite quase toda. Assim que vi Santana entrar na casa e minutos depois no quarto, tratei de fingir que já estava dormindo, a observando ficar parada no quarto escuro fitando cada partizinha do local e acredito que tendo lembranças de quando morava aqui. Ela apenas balançou a cabeça negativamente e foi para o banheiro, retornado de roupas trocadas e de banho tomado, exalando aquele cheiro hipnotizador de sua pele ao deitar-se ao meu lado e abraçar minha cintura. Não conseguia entender esse lado dela de ignorar certas coisas, pois mesmo estando um clima estranho entre a gente, ela nunca deixava de ser carinhosa e tranquila. Me abraçava assim durante a noite porque sabia de minha inquietude por dormir em lugares estranhos, me passando tranquilidade nesse simples gesto de dormir tão unida a mim. Ai, Deus, o que eu faço com essa mulher?

O dia chegava e nada de eu conseguir dormir. Minha cabeça martelava tudo ao mesmo tempo, fazendo-a doer sem limites. Senti Santana apertar o abraço em minha cintura, me puxando mais pra perto. Sei que era um gesto inconsciente de sua parte por estar dormindo, mas até que me fez bem senti-la em mim daquela forma. Com cuidado me virei para fitá-la em seu sono tranquilo com a cabeça encostada ao travesseiro, este quase escapando dali para fora da cama. Ela é tão linda, tranquila enquanto dorme mais ainda. Parecia que algo a reconfortava agora e me coração doía em pensar que talvez fosse pelo motivo de ter ficado com aquela baixinha oportunista e tão idiota, mas não mais que aquela latina por ter se prestado a isso. Meu semblante era de encanto vendo-a dormir, mas com certeza mudou quando a lembrança dela arrumando as roupas ao sair daquele celeiro e em seguida Rachel da mesma forma me veio a mente. Por que fez isso, San? Ela não te merece. Quem sabe eu... Não, acho que também não te mereço. Não por tudo que já fiz. Com certeza vai me odiar quando descobrir e sei que vai, é tão inteligente. Eu queria tanto poder te contar, San. Quem sabe assim repensaria e um dia me perdoasse? Eu... Não, esquece.

–Sabia que é feio ficar encarando as pessoas?- ela comentou ainda de olhos fechados. Não pude deixar de escapar um sorriso leve por ter sido pega. Nunca escapava dela quando eu fazia isso- É sério, Fabray, para com isso, está me assustando.

–Idiota!

–Bom dia pra você também, loirinha- ela riu dando uma profunda espreguiçada sentada na cama. Sentei na beirada do lado oposto e de costas pra ela- Tudo bem, Quinn?

–Estou bem. Melhor do que nunca e você? Pelo o visto está melhor que ontem- sim, fui irônica e petulante ao perguntar. Pelo visto aquelazinha da Rachel Berry a fez ficar relaxada por ontem a noite. Aquele sorrisinho não engana.

–Vou bem. Obrigada pela força ontem- me levantei sem encará-la, notando que Rob já não estava mais no quarto.

–Disponha, Santana- sorri educadamente, tentando mascarar a raiva que eu estava sentindo dela- Se importa se eu for ao banheiro primeiro?

–Não, vá lá- deu de ombros.

–Obrigada- sai de lá o mais rápido que pude. Não conseguia encarar Santana nos olhos depois de tudo. Podem me julgar, mas me sinto mal pelo o que ela fez e mais ainda por estar me sentindo assim. Estou confusa, não minto.

Santana e eu nos aprontamos e descemos juntas para cozinha em silêncio. Quando chegamos nos deparamos com todos da casa sentados a mesa para o café. Santana fora Rob tem mais dois irmãos, mas parece que apenas Enzo ainda mora com a mãe e vejam só: Rachel também está por aqui. Um ótimo jeito de começar o dia olhando para a cara daquela desfrutada. Ela estava sentada logo ao lado de Enzo, e ambos pareceram inquietar-se com a presença de Santana na cozinha. Sentamos de frente a eles na mesa e ao lado de Rob com Santana entre a gente.

–Bom dia, Tana!- Rachel cumprimentou Santana.

–Hey!- ela nem ao menos deu atenção a baixinha. Que foi? Usou depois descartou? Não entendo. Ou será apenas um teatro na frente de todos?

–Bom dia!- cumprimentei a todos.

–Bom dia!- dona Maribel veio até mim e me abraçou, fazendo o mesmo em seguida com a filha- Estão com fome? Preparei um café especial para vocês.

–Obrigada, senhora Lopez.

–Pode me chamar de Maribel, minha querida- ela disse simpática e eu consenti- Santana, filha, fiz seu bolo preferido. Prove um pedaço.

–Não precisa, eu me sirvo- falou parando a ação de sua mãe, que fez um singelo gesto positivo com a cabeça. A mesa estava silenciosa, apenas os talheres tilintando contra o prato era ouvido. Mas como nem tudo na vida é perfeito, o irmão de Santana, Enzo, resolveu se pronunciar.

–Então quer dizer que Santana Lopez resolveu voltar para casa? Bateu saudade, irmã?- era evidente que ele estava sendo sarcástico. Olhei para Santana que apenas deu um sorriso debochado de canto para responder.

–Não se sinta tão lisonjeado, irmãozinho.

–Foi pelo o que então?

–Não é da sua conta- ela o cortou de forma seca, sem ao menos tirar os olhos do seu prato.

–Vejo que continua educada e de bom gosto pra mulheres. Muito linda sua namorada- pela primeira vez naquele café Santana subiu o olhar pra algo, que no caso foi a mim, e depois para o irmão.

–Obrigada. Ela é sim muito linda. Não dê confiança a ele- ela disse a última frase próximo ao meu ouvido, para que apenas eu escutasse. Ela mentiu para me preservar do irmão? Se bem que pelas feições daquele rapaz já dava para perceber que não era de confiança- E bem, a única mulher que já me viu ficar foi com Rachel para deduzir se meu gosto é bom ou não.

–Bom, Rachel é linda e gostosa. Se namorou ela é porque tem bom gosto- ele disse olhando orgulhoso para a esposa. Sim, são casados. Notei quando vi as alianças em seus dedos. Rachel deu um sorrisinho se gabando pelas palavras do marido- Também notei pela mulher ao seu lado que seu gosto continua o mesmo. Deve ter ganhado uma grana pra pescar esse peixão, hein?

–Engano seu, irmão. Se olhar bem melhor verá que meu gosto nunca esteve tão melhor- apontou para mim com a cabeça- O seu que me questiona. Pegar a namorada da irmã... hum, inveja- eu não estava gostando nada do rumo que essa conversa estava tomando. Um que eu estava sendo mencionada na conversa quase como um produto, dois que Enzo me comparava a Rachel e três que pressinto que daqui a pouco isso se tenciona- Nem tudo se resume a dinheiro como você, Enzo. Tem pessoas que prestam no mundo, sem ofensas, Rachel.

–Não fale assim de minha esposa- Enzo parecia se alterar. Rachel tocou seu ombro, enviando um olhar repreensivo a Santana. Que mulher mais ordinária. Nossa, que ódio dela! Nunca tinha ficado com tanta raiva de alguém.

–Desculpe, não sei mentir- Santana cutucou.

–Eu...

–Já basta, vocês dois. São irmãos e devem se respeitar. Enzo, deixe sua irmã comer em paz. Não se cansa de brigas, filho?- Maribel os repreendeu. Santana franziu o cenho, dando um sorriso de canto. Com certeza caçoava do irmão.

–O que foi?- perguntei sussurrando para ela.

–O que foi o que?

–O porquê do sorriso.

–É a primeira vez que vejo minha mãe dar uma bronca em Enzo- nos encaramos e vi que existia uma pontada de felicidade nela.

–Não fique feliz por sua mãe brigar com seu irmão, é feio.

–Se vivesse minha vida naquela época, estaria estourando um champanhe por isso- apenas balancei a cabeça negativamente e voltei a comer. Por um lado ela tinha razão.

–Quer mais suco, Rob?

–Quero sim, dona Maribel. Muito obrigado- Rob levou o copo até a senhora para receber o líquido. O garoto sorria levemente para senhora que retribuía. Sua educação e carisma eram encantadores. Percebi que Enzo ficava mais inquieto.

–Por que isso tudo, mãe?

–Isso tudo o que, Enzo?- Maribel indagou suspirando profundamente. Acho que até ela havia cansado dos abusos do filho.

–Isso, mãe. A volta dessa coisa.

–Não fale assim da sua irmã. Ela é tão minha filha quanto você, já te disse isso- a senhora disse transparecendo calma. Santana continuava calada sem dar atenção a nada. Rob e eu nos entreolhamos sem entender. Ela levantou-se e foi até a pia deixar seu prato, lavando-o.

–Ela só nos trouxe desgraça, você sabe disso até mais que eu. Por culpa dela você passou meses chorando, Danilo foi embora e essa família se desfragmentou- ele agora se levantava e elevava a voz com a mãe- Passa anos sem pisar em casa e quando aparece fica toda sonsa e ainda traz esse moleque desgraçado, fruto das puladas de cercas do papai. Aquele vagabundo, ela puxou tudo nele, até na mediocridade e... – pronto, se Enzo queria a atenção de Santana ele acabou de ganhar. Aconteceu tudo muito rápido. Em questão de segundos, depois da besteira que ele falou, Santana o calou com um belo soco no rosto em que ele teve que se segurar para não cair em cima de Rachel.

–Lave sua boca para falar do papai e de meu irmão, seu cretino. Rob é o dobro do filho digno que você nunca foi- eu fiquei totalmente espantada pela ação enquanto via Rob correr para segurar Santana- Me solte, Rob. Há anos eu sonho em quebrar a cara desse desgraçado novamente.

–Calma, San. Ele não vale a pena isso tudo. Vai se machucar à toa- Rob disse tentando acalmar a irmã.

–Por Deus, meus filhos. Parem com isso, por favor. Vocês são irmãos- Maribel implorava, já com lágrimas nos olhos. Se colocou entre Enzo e Santana com as mãos nos ombros da filha- Filho, não fale assim de seu pai. Ele nunca deixou que te faltasse nada.

–Não defenda aquele idiota. Muito menos essa daí- Enzo ralhou massageando o queixo dolorido pelo o soco da latina- Se ela nunca teve o corretivo que merece irá ter agora.

–Para, Enzo. Não machuque sua irmã.

–Não se meta, Rachel- ele empurrou a esposa que quase se dá de encontro a mesa. Ia empurrar a própria mãe para alcançar Santana, mas a latina se soltou rapidamente de Rob e conseguiu interceptá-lo antes que conseguisse tocar em Maribel. Os dois deram de encontro contra o armário derrubando muitas coisas por ali. Rob puxou rapidamente Maribel para sair de perto da briga dos irmãos e a pôs ao meu lado. Eu estava congelada ali, sempre ficava assim quando me assustava. A cada segundo uma coisa caia no chão pelo confronto dos dois pela cozinha e na mesma intensidade que eles se enfrentavam, Rob tentava nos proteger daquilo tudo. Em um momento de distração de Santana, Enzo a agarrou pela cintura e os dois se projetaram porta a fora caindo no terreiro.

–San!- saí do transe para enfim tentar ajudá-la, mas Rob me segurou pelo o braço.

–Fique aqui e cuide de dona Maribel. Ela está muito assustada- me encarou também assustado com aqueles grandes e lindos olhos azuis, correndo para tentar parar com a briga dos irmãos lá fora. Respirei fundo e segui até onde a mãe de Santana tocando em seu braço.

–Está tudo bem?

–A culpa disso tudo é minha. Eles se odeiam e sempre vão se odiar e a culpa é toda minha- a senhora caía em um choro doloroso e eu abracei sem saber o porquê de ter feito isso, mas de alguma forma sentia que ela precisava.

–Hey, calma. Não se martirize dessa forma, Maribel- a guiei para que sentasse na cadeira que antes Santana ocupava.

–Não, Quinn, a culpa é toda minha. Nunca soube ser uma mãe para meus filhos. Sempre dava amor demais a Enzo e fazia vista grossa para o que ele aprontava enquanto Santana nunca recebia um abraço ou um ‘’parabéns, filha pelo A em matemática’’ ou ‘’Muito bem, filha’’ quando ela ganhava algum campeonato de vôlei. Eu sou uma péssima mãe e pago por meus atos até hoje. Tentei mudar, mas de nada adiantou. Perdi minha filha por uma besteira, Danilo não quer mais olhar na minha cara por isso e Enzo não toma jeito, parece que só piora- ela dizia em agonia. Meu peito apertou pelo o sofrimento pesado daquela mulher. Ela me parecia sim arrependida pelo o que fez, mas parece que por melhor que alguém se torne depois de cometer erros, cedo ou tarde as consequências deles aparecem para atormentar seus dias. Eu sei bem como ela estava se sentindo. Rachel sentou-se mais atrás recobrando o fôlego. Não serve nem para acudir a sogra. Fui rapidamente até a geladeira e pus água em um copo, entregando para a mãe de Santana, que tremia nervosamente- Santana nunca vai me perdoar por isso.

–Olha, Maribel. Conheço Santana há pouco tempo, mas posso lhe dizer com toda certeza do mundo que ela é uma mulher maravilhosa. É maluca, não posso negar, mas a melhor pessoa que tive a honra de conhecer- Maribel sorriu orgulhosa- Sei que ela não lhe odeia, só está machucada. Somente dê o tempo que ela precisa pra fechar aquelas feridas do passado. Ela vale a pena o esforço- disse isso me tocando que era um conselho que podia ser tomado por mim mesma- Rachel, será que pode cuidar dela pra mim? Preciso ver como estão as coisas lá fora.

–Ah, vai lá- ela disse meio grossa, vindo em nossa direção. Garota mais tosca!

–Muito obrigada, minha cara- disse educadamente. Diferente daquela lá, eu soube guardar muito bem minha educação. Rachel rolou os olhos e passou a dar atenção a sua sogra. Calma, Quinn, você é educada. Você é muito educada, Rachel não vale a pena suas forças. Com esse mantra fui rápido para fora no intuito de tentar ajudar, de alguma forma, o pobre do Rob com os irmãos brigões- Deus!- levei a mão à boca quando me deparei a confusão que parecia pior. Rob não sabia quem segurava e estava em uma agonia que deu pena. Os irmãos se engataram e saíram rolando pelo o chão feito duas crianças briguentas- Rob, está tudo bem com você?

–Eu desisto!- ele levantou as mãos para o céu e veio em minha direção limpando a poeira de seu corpo- Eu estou legal, mas aqueles dois parecem que nunca vão se largar- Enzo nesse momento jogava Santana com força para o lado, fazendo-a cair de costas em um estrondo. Ele levantou e se pôs para ficar em cima dela, mas foi parado com um chute na coxa que o fez cair vociferando milhares de palavrões, um mais feio que o outro- Não disse?- apontou para os dois que se levantaram ao mesmo e correram na direção um do outro, causando um barulho de impacto seco. Santana como era menor acabou caindo com o irmão por cima de dela, tentando lhe imobilizar. Com a mão livre ele lhe socava e Santana se esforçava para esquivar dos ataques

–Temos que fazer algo!- exclamei assustada com a cena- Ele vai matá-la.

–O que? O Enzo matar Santana?- Rob me enviou um olhar desacreditado- Não, isso não. Você acha que se um galpão cheio de bandidos armados não acabou com ela, esse doido do Enzo irá? Olha só- apontou para os dois inconsequentes no momento que Santana conseguiu sair debaixo de Enzo com uma joelhada no estômago- Ai, essa doeu!

–Tem razão- fiz careta pela feição de dor do rapaz- Mas mesmo assim, Rob. Isso tem que parar. Ela vai acabar se machucando.

–Sozinho eu não posso com os dois. Se seguro Santana Enzo parte pra cima, se seguro a Santana ela faz o mesmo. Estou de mãos atadas. Só se eu largar um pau na cabeça dos dois e quando eles desmaiarem a gente separa um pra cada lado.

–Oh céus!- murmurei preocupada com aquela maluca, mas nada poderia fazer. Se Rob, forte e treinado, não conseguia e eu? Acabaria esmagada pelos irmãos.

–Vejo que não mudou, irmão. Continua batendo como uma mulherzinha.

–E você continua a mesma vadia sem sal- ele rebateu a zombaria da irmã, limpando o sangue do canto da boca enquanto Santana fazia o mesmo. Ambos estavam sujos de areia e sangrando em algumas partes do rosto, mas o rapaz estava mais- Ainda acha que sabe bater?

–Me responda você. Eu sei bater?

–Não o suficiente pra me ganhar- nesse momento ela soltou uma gargalhada potente, segurando a barriga.

–Sou suficientemente melhor em tudo para ganhar você, irmão. É sujo e mau caráter. Posso ser tudo, mas sempre joguei limpo com você e com todo mundo nessa droga de lugar.

–Isso, cospe no prato que comeu, sua idiota. Por isso que mamãe sempre preferiu a mim do que você. É fraca, medíocre e uma completa covarde- ela apenas bufou e bateu as mãos na parte de trás da calça.

–Eu não me importo nem um trisco do que você pensa de mim, Enzo. Não vou morrer, porque se acha melhor que eu. Cada um com seu achar, meu caro- ela deu de ombros e se pôs a andar para onde Rob e eu estávamos- Já cansei dessa merda de briga. Continue sem mim.

–Vai, foge, sua covarde desgraçada. Mostre o quão molenga é- Santana o ignorou continuando a andar- Está vendo, loirinha? É com isso que você está. Com essa covarde sem valor. Aposto que é ela uma negação na cama, o que me diz?- bom, acho que é comigo agora. Minha vontade era de dizer que ele estava totalmente enganado. Santana nunca deixou a desejar comigo em nossos momentos íntimos. Mas ao invés disso fui mais condizente:

–Escute, Enzo. Sua mãe está assustada com essa situação de seus filhos em guerra, então aconselho a ambos que parem já com isso antes que ela passe mal.

–Você é muito gostosa, loirinha!- ele ignorou meu argumento, fazendo esse comentário inoportuno. Fiquei boquiaberta- Desde que bati o olho em você, tive mil e uma fantasias com esse corpinho branquinho. Garanto que posso te dar um sexo melhor que o dela. Deixe eu...

–Cala a boca!- Santana se pronunciou rispidamente- Nem ouse chegar perto dela.

–Ora, ora, ora... Você parece que gosta mesmo da loirinha- ele zombou sorrindo- Bom, então dará mais gosto ainda transar loucamente com ela- a provocação surtiu efeito, pois Santana partiu a toda a direção do irmão. Ele encurtou a distância, desferindo um soco na Irmã, que não lhe deu tempo de completar o golpe. Segurou o braço de Enzo e se impulsionou saltando para detrás dele, segurando seu braço esquerdo para o alto, assim entortando a coluna do rapaz para o lado, e este começou a gritar de dor- Está bem, Santana. Está doendo muito, para.

–Você não queria minha atenção? Bom, agora estou dando tudo a você- ela entortava mais ainda, ignorando os gritos de dor de Enzo.

–Ai, vai me partir, sua idiota. Mamãe!

–Agora não é tão machão, não é? Chamando pela mamãe, Enzo. Que feio!- ela zombou sem parar o que fazia. Rob e eu corremos para ajudar.

–Para, San. Você ganhou. Deixe-o ir- Rob pedia tocando o ombro da irmã.

–Não me toque. Ele vai ter o que merece.

–San, escute seu irmão- foi minha vez de pedir- Não vai querer fazer nada que se arrependa drasticamente depois. Não vai se sentir bem se machucar seu irmão, apesar de tudo.

–Ah, agora você se importa com o que eu sinto?

–Por favor, San, pense bem. Não faça isso- tentei deixar de lado o que ela disse.

–Quer saber de uma coisa, Quinn? Vá cuidar de suas ‘’coisas importantes’’ enquanto eu cuido de acabar com esse aqui. Já cansei de ser destratada.

–Ai, droga!- Enzo gritou sofrido. Não sabia que Santana tinha tanta força. Deus!

–Você vai sentir o peso de suas idiotices, Enzo. Se me achava uma nada, vou te provar que posso ser tão ruim quanto você- ela agora inclinava o corpo para o lado, apertando mais a imobilização.

–San... – quando Rob e eu mais uma vez íamos tentar intervir, braços moreno rodearam Santana. E quando eu pensei que seria alguém querendo machucá-la, um rapaz alto e forte conseguiu soltá-la de Enzo e a segurou forte contra os braços.

–Me solta... Me solte agora- ela gritava batendo com os punhos contra o peito de quem a havia puxado enquanto este tentava pará-la.

–Miserável! Vai me pagar...

–Opa! Você fica frio aí- Rob segurou Enzo antes que ele desse início a outra briga- Viu o que ela é capaz de fazer, então relaxa, cara- minha preocupação estava toda acima de Santana e de como ela se sentia agora. O rapaz moreno ainda tentava contê-la em uma revolta aterradora.

–Hey, relaxa. Sou eu, não vou te machucar, San- por um instante ele conseguiu que ela enfim o olhasse e gradativamente Santana foi ficando mais tranquila e parou de batê-lo.

–Nilo?- ela indagou ofegante. Ele sorriu levemente para ela.

–Sou eu, irmãzinha.

–Seu idiota- mais uma vez ela batia nele, só que não demorou para que ele lhe abraçasse e a segurasse forte contra o peito.

–Eu sei, pequena. Fui sim um grande idiota. Me perdoa, me perdoa- notei que ele começara a chorar e ela o acompanhava nisso. Logo me dei conta de que aquele rapaz era Danilo, irmão mais velho dela. Não tinha como negar a semelhança. Apenas o pobre Rob não tinha nada a ver com o pai e os irmãos, a não ser o sorriso e o caráter da latina e Antony. Danilo, Santana e Enzo eram realmente muito parecidos. Tirando o fato dos rapazes serem mais altos, os três possuíam perfeitos traços latinos, de uma pele morena charmosa- Você é minha irmãzinha. Nunca devia ter dado ouvidos aquele idiota. Sei que me odeia por tudo, mas, por favor, me perdoa- ela não dizia nada, apenas chorava abraçada ao irmão.

–Eu nunca te odiei, Nilo. Só me perguntava por que tanto me odiava. Nunca te fiz nada- Santana se soltava do irmão para encará-lo.

–Eu não te odiava, San. Só que Enzo me envenenava contra você. Ele dizia que você dizia ao papai que eu não prestava, sabe, que virava sua cabeça contra nós.

–Eu nunca fiz isso, eu juro.

–Eu sei, maninha. Vamos esquecer aquilo- ele acariciou as bochechas de Santana, que tocou a mão do irmão em seu rosto- Deus, como você está linda. Não sabe o quanto senti sua falta, tampinha.

–Hey, eu cresci- ela fingia ficar emburrada, fazendo-o sorrir- Também senti sua falta.

–Vem cá, tampinha- agarrou a irmã nos braços e a apertou com felicidade. Juro que senti um misto de alívio e felicidade por ver que a latina estava enfim solucionando certas bagunças de seu passado com os irmãos. Bem, como pelo menos dois deles- Vem, vamos cuidar desses machucados.

–Eu posso fazer isso- me ofereci timidamente. Danilo apenas arqueou a sobrancelha sorrindo pra mim e consentiu.

–Hey, e quanto a mim?- Enzo perguntou sentado no chão, com a mão nas costas.

–Você pode ir para o inferno, Enzo- Danilo disse, fazendo Santana e Rob rirem.

–Vem, eu te ajudo- Rob se ofereceu para ajudar o irmão.

–Não, sai de perto de mim, coisa estranha- empurrou Rob sem educação e saiu andando para casa, mas afastado de nós que ajudávamos Santana.

–Vem, Rob- chamei o garoto que tinha um semblante de tristeza depois que Enzo fez aquilo- Hey, está tudo bem?

–Está. Eu só queria ajudar- respondeu cabisbaixo.

–Eu sei, não dê ouvidos para aquele mal educado. Enzo precisa aprender muita coisa- peguei seu braço- Deixe-o pra lá. Vem comigo ajudar a maluca da sua irmã?

–Sempre- ele riu e eu o acompanhei. Como uma pessoa em sã consciência destrata uma pessoa tão meiga quanto Rob? Realmente Enzo só podia ter problemas sérios. Aquele menino é um doce. Chegamos a cozinha. Encontrei Santana sentada em uma cadeira próxima à mesa, tendo Enzo o mais distante possível dela encostado ao armário que bateram no início da briga.

–Rob, será que poderia pegar o kit de primeiro socorros no carro de Santana, por favor?

–Claro.

–Obrigada- ele sorriu levemente e foi pegar o que pedi- Me deixe ver seu rosto, San.

–Não será preciso, Quinn. Estou bem- ela afastou seu rosto quando fui tocá-lo.

–Você está sangrando, Santana. Claro que é preciso, agora me deixe cuidar de você.

–Isso não te soa tão familiar, Fabray?- ela provocou. Acho que se referia a quando pediu para que ficasse com ela e a deixasse ser o que eu precisava. Bom, apenas Santana sendo Santana.

–Vire o rosto para seu lado esquerdo, por favor- pedi, ignorando a indireta.

–O kit- Rob chegava me entregando a maleta.

–Obrigada, Rob. Preciso de água, por favor.

–Pra já- ele pegou a água em um recipiente e me entregou. Precisava limpar os ferimentos para checar a gravidade deles. Felizmente não era nada grave, apenas cortes superficiais.

–Só vou precisar fazer um curativo básico. Isso vai arder- toquei o algodão com álcool em sua sobrancelha que continha uma leve lesão.

–Ai, Quinn. Porcaria de coisa que arde. Cacetada- ela reclamava dramaticamente abanando o local.

–Para, nem arde tanto assim- a repreendi continuando com os cuidados.

–Liga não, moça. Santana é uma molenga mesmo- Danilo comentou rindo juntamente com Rob. Santana fez um gesto malcriado para ele, que repreendi com um tapa na perna- Bonita sua namorada, tampinha.

–Ela...

–Obrigada. Me chamo Quinn Fabray, muito prazer- cortei sua resposta negativa, cumprimentando seu irmão mais velho.

–O prazer é todo meu. Sou Danilo Lopez. E só disse a verdade, você é uma moça muito bonita.

–Acho bom não repetir isso, senhor Danilo Lopez.

–Eita- Danilo fez careta ao ver Kitty entrando- Oi, amor. Ela é bonita, mas você é a mulher mais linda do mundo.

–Seu safado. Estou de olho- ela arqueou a sobrancelha, recebendo um selinho de Danilo- Oi, meninas. Sou Kitty Lopez.

–Muito prazer. Quinn Fabray- nós apertamos as mãos.

–Então se casaram mesmo?- Santana perguntou enquanto eu voltava com o curativo.

–Completamente. Sempre amei esse bobão, só que ele nunca me notou- Kitty apertava a bochecha do marido.

–Nilo sempre foi lerdo pra tudo.

–Você que é. Quando era criança não sabia subir uma escada sem cair.

–O que isso tem a ver?- Santana perguntou fazendo careta.

–Sei lá, mas você caía. Parece que não tinha força nas pernas.

–Eu tenho agora, quer experimentar?- ela afrontou levantando a perna.

–Não, pelo amor de Deus. Não vou aguentar apartar outra briga, estou todo dolorido já- Rob pediu fazendo bico e tocando o braço esquerdo onde provavelmente doía.

–Oh, Deus! Que dó do bebê- Santana caçoou e em seguida jogou uma bolinha de algodão no irmão caçula- Seu fracote.

–Teu pai- todos riram da cara que Rob fez.

–Então, você está de volta pra ficar?- Danilo perguntou e dava pra perceber em seu olhar que tinha esperanças nisso.

–Não, Nilo. Só de passada. Vim buscar algo e quando encontrar, vazo daqui- ela mudou o semblante para sério.

–Que pena! Então vamos tornar sua estadia memorável.

–Está pensando no mesmo que eu, amor?- Kitty perguntou com um sorriso sapeca.

–Oh se estou. Churrasco Lopez!

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Santana a contragosto acabou aceitando o churrasco especial que o irmão queria fazer para ela. Dona Maribel se ausentou no momento da briga e se trancou no quarto, não querendo ver ninguém. Sinceramente eu estava totalmente compadecida a dor daquela mulher, mas é melhor que fique sozinha um tempo para refletir. Ajuda mesmo. Bom, em questão de minutos, com uma simples ligação de Kitty, dezenas de pessoas chegava a casa Lopez e uma verdadeira festa se instaurava pelo local. Santana em instantes fora engolida pela multidão de pessoas querendo saber por onde andava e o que fazia, e eu a perdi de vista. Fiquei conversando com Kitty. A loira era realmente muito simpática, apesar de eu não querer admitir ter sentido ciúmes dela com a San na feira, mas esquece. Eu realmente estava me dando bem com ela.

­-Então, Quinn, como conheceu a gatona Lopez?- Kitty me perguntava, dando um gole em sua bebida depois.

–Hum, nos esbarramos em um posto de gasolina- ela riu.

–Só sendo a Santana mesmo- concordei- Estão juntas há quanto tempo?

–Juntas você quer dizer...

–Namorando.

–Não, nós não namoramos.

–Então é um rolo daqueles?

–Pode-se dizer que sim- fiz uma careta que ela julgou engraçada. Tomei um pouco de minha cerveja, procurando Santana por entre o mundo de pessoas pelo infinito quintal da casa, porém não a via.

–Seja lá o que tiverem, lute por isso. Santana vale a pena- o que? Ela leu meus pensamentos?

–Eu sei, só é complicado. Tem coisas maiores além disso- nem sei por que lhe contei aquilo. Ou deve ser por conta da bebida ou realmente eu tinha me dado bem com Kitty.

–Olha, escute um conselho de quem entende dessas paradas. Se realmente conhecer o coração dela, irá perceber que ela é a maior e melhor que qualquer coisa que está te empatando de dar o próximo grande passo- eu apenas a encarava sem ter palavras para comentar- Eu disse que entendia- ambas rimos- Vem, vamos procurar nossos Lopez.

Andei com Kitty atrás de Santana e Danilo até encontrar uma amiga dela chamada Marley que disse ter ouvido Danilo dizer que ia cortar lenha com os irmãos. Era meio que uma tradição deles isso. Vai entender? Marley nos acompanhou para mostrar onde estavam e encontramos algumas garotas ao pé de uma cerca observando algo. Nos aproximamos pra ver o que era e meu coração quis saltar do peito. Santana estava sem a blusa, só de top e calça, suada enquanto desferia um golpe de machado contra uma madeira, que se partiu ao meio. Rob e Danilo, que estavam ao lado dela, comemoravam o feito da irmã e Enzo rolava os olhos com cara de tédio. Os rapazes também estavam sem camisa exibindo seus corpos perfeitos. Os Lopez têm uma genética maravilhosa, devo admitir. Até Rob com apenas 17 anos já tinha o corpo bem formado, com abdômen definido e tudo. Mas não era nele que minha visão focou, e sim na latina sem juízo mais linda do mundo.

–Oi, com licença, meninas. Espero que não estejam babando naquelas perfeições do universo, porque um deles me pertence e não vão quer me ver cobrar tarifa por estarem encarando minhas coisas- Kitty disse singelamente às garotas que praticamente suspiravam pelos irmãos em trajes nada discretos. Não vou mentir dizendo que não me incomodei com isso, mas Santana é muito linda. Não tem como não admirar.

–Grossa!

–E com o salto fino que dói na cabeça. Tchauzinho- as garotas saíram reclamando, sendo dispensadas por Kitty. Ela, Marley e eu tomamos os lugares das garotas e ficamos observando os irmãos naquela espécie de brincadeira. Eles pareciam se divertir cortando madeira e bebendo suas cervejas. Deus, aquela mulher é incrível de todas as formas. Sexy daquele jeito mais ainda, eu me perdia olhando para cada canto daquele corpo maravilhoso- Deus abençoe Antony Lopez aonde ele estiver. Ele soube dar cria, viu? Até aquele traste do Enzo é gostoso. Mas deixo claro que o meu Nilo é bem mais- Marley e eu rimos do comentário.

–Quem é o ruivinho?- Marley perguntou um tanto vermelha.

–É Rob, o caçula dos irmãos Lopez- respondi sem quebrar o olhar em San sorrindo e mostrando aquelas covinhas que tanto amo em suas bochechas.

–Não sabia que tinha mais um. Muito menos que era ruivo, mas ele é lindo- acho que Rob ganhou uma admiradora. Marley tentava esconder, mas um olhar malicioso pairava no ruivinho.

–Nem eu, descobri agora.

–Uma longa história- eu disse tomando mais um gole da cerveja para engolir aquela imagem de Santana fazendo uma dança engraçada, mas sexy ao mesmo tempo. Como em um filme, nós três suspiramos ao mesmo tempo olhando para os irmãos que nos convinha.

–A Tana continua linda e sexy como sempre. Em pensar que eu abri mão daquele corpo perfeito- Rachel disse se aproximando. Deus, o que essa mulher faz aqui? Eu juro que toda vez que ela fala me dá vontade de esquecer toda minha educação e marcar cinco dedos naquela cara sem vergonha.

–Vaca- Kitty cantarolou ao meu lado, me fazendo rir- E aí, Rachel, veio buscar o Enzo para ir tirar leite de suas tetas?

–Me erra, Kitty- Rachel disse escorando os antebraços na cerca- Meu marido eu posso ver a qualquer hora, mas a San, quero matar a saudade daquele corpo perfeito.

–Você é muito petulante- eu disse calma, por fora, porque por dentro eu fervia em ódio por aquele ser desprezível.

–Me chamou de que?

–Acho que falei alto o suficiente pra você ouvir- respondi tranquilamente, bebendo minha cerveja sem demora. Ouvi Kitty e Marley rindo.

–Olha aqui, sua metida, eu nem te conheço para que fale isso de mim- Rachel apontava o dedo para meu rosto enquanto dizia isso.

–Primeiramente tire esse seu dedo da minha cara, porque é falta de educação. Já devia saber disso- me virei a ela, encarando com desprezo, mas sem perder a compostura- E depois, também não lhe conheço, mas sei ler bem as pessoas e o que tirei de você é que não passa de uma oportunista petulante que não possui o mínimo de vergonha na cara. Santana não é um brinquedo que você tem, enjoa, descarta e quando finalmente nota que ele vale a pena, quer brincar de novo. Ela não merece isso e muito menos vai aceitar você depois de tudo- eu não tinha certeza da última frase, mas minha raiva estava tão alta, que qualquer coisa era horrivelmente intensa. Rachel me encarava boquiaberta.

–Cara, gostei dessa garota! É isso aí, Quinn- Kitty tocou em meu ombro como incentivo.

–Quem você pensa que é pra falar assim comigo?- a baixinha se aproximou perigosamente de mim com o dedo apontado.

–Alguém que gosta muito da Santana e que só quer seu bem- aquele dedo em meu rosto estava me deixando irritada. É falta de educação.

–Você está é com medo de que eu a tome de volta, loira azeda. Olha, é só eu fazer assim que ela volta pra mim abanando o rabinho.

–Ela não é cachorro pra fazer isso- discordei ajeitando minha franja que já caia nos olhos de tanto eu balançar a cabeça para tentar afastar os maus pensamentos da cabeça. Aquela noite ainda não sumiu de minha mente.

–Mas sabe? Ela costumava ser a minha cachorra. Comia aqui na minha mão e posso muito bem fazê-la comer de novo- ela cruzou os braços com um sorrisinho de deboche nos lábios.

–Veja bem, senhorita Rachel Berry. Nós ingleses somos conhecidos por sermos educados e de boa postura, mas sabe, até as maiores tradições podem ser quebradas por um instante...

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POV SANTANA

Quantas coisas podem acontecer em um milésimo de tempo? Em um minuto eu estava tomando café com minha ‘’família’’, no outro eu estava me estapeando com meu irmão e quase matando ele, no outro era arrancada para os braços de meu irmão mais velho calado e ausente, mas que descobri que me amava e sentia minha falta e no final me encontrava com meus três irmãos Nilo, Enzo e Rob bebendo e brincando de rachar madeira, como quando éramos crianças, apesar do ruivinho nunca ter feito estava adorando. Era uma espécie de terapia para nós, como controle das intensidades que a vida nos enviava, então descontávamos na madeira e no goró.

–Então é verdade mesmo, papai teve um filho fora do casamento e você que cria agora?- Nilo perguntou encarando Rob, que ficou desconcertado.

–Parece que sim, mas relaxa que o garoto é legal. É o melhor- ofereci o punho para Rob bater e ele o fez sorrindo para mim- Doidera, né?

–Muy loco, hermana. Pero bienvenido a la família, pequeño. Salud!- Danilo deu boas vindas ao garoto e propôs um brinde.

–Salud!- Rob e eu batemos as garrafas de cerveja na de Nilo. Enzo continuava emburrado com as costas do machado encostada no ombro. Seu rosto estava todo marcado. Acho que peguei pesado com o coitado... Bem feito.

–E tenho que dizer, tampinha... Bela chica- Nilo maliciou o olhar pra mim e eu sorri lembrando de minha loira complicada, mas linda como a flor mais pomposa do jardim dos céus. Que gay, cara!

–É sim, mano. Muito linda- divaguei por um tempo pensando nela quando Nilo fez uma careta intrigado, olhando mais a frente.

–Pelo visto luta bem também.

–O que?

–Sua chica, irmã. Olha pra trás- sem entender nada, virei meu olhar para onde Nilo apontava, arregalando os olhos em seguida ao me deparar com Quinn Fabray agarrada ao lindos bebelos de Rachel.

–Minha nossa senhora!- saí correndo o mais rápido que pude para evitar uma desgraça que com certeza ia acontecer. Rachel realmente tinha conseguido despertar o Quinng Kong. Os rapazes me acompanharam na corrida e saltamos a cerca, vendo o estrago que Quinn fazia na anã- Fabray do céu, quando te ensinei defesa pessoal não era pra sair matando as coleguinhas por aí não- agarrei sua cintura começando a puxá-la enquanto suas mãos se concentrava nos tabefes em Rachel.

–Sua ordinária! Ela não tira o dedo da minha cara. Quantas vezes vou dizer que isso é falta de educação? Me solte, Santana ou vou bater em você também- ela ameaçava dando uns belos pescotapas em Rachel, que parecia desesperada tentando se soltar. A loira a segurava pelos cabelos com uma mão e dá-lhe tapa com a outra. Seria até sexy, se não fosse um massacre- Escute bem, sua baixinha miserável. Se tocar nessa latina idiota de novo eu te parto no meio, entendeu? Ela é minha agora- hein? Virei objeto pra pancadaria agora? Dela? O que? Como? A zoeira foi tão grande que fiquei vesga. Rob ajudava Enzo a puxar Rachel enquanto Nilo e eu tentava conter a fera da Quinn.

–Me solta, sua louca. Santana, contenha ela.

–Quem disse que eu consigo? Rachel, o que em nome de Deus você disse pra ela ficar assim? Quinn endiabrou- eu usava mais força pra puxar a loira, quase sem sucesso, sorte que tinha treinamento pra briga de arara. Brincadeira, só que consegui. Em um puxão forte consegui soltá-la de Rachel, fazendo-o pará-la de costas pra mim, grudada a meu corpo. Ela estava muito ofegante e se agarrava com força a meus braços. Não vou negar que isso era até excitante- Hey, calma. O que foi, gatinha? Sou eu- disse a seu ouvido, tentando tranquilizá-la em um abraço por trás.

–S-Santana...

–Eu- só comecei a afrouxar o abraço quando vi que já tinham levado Rachel daqui. Ela se virou lentamente para me encarar- O que foi tudo isso?- ela me surpreendeu com o belo de um tapa em cheio no lado esquerdo de meu rosto.

–Sua idiota inconsequente!- saiu correndo em seguida, me deixando mais perdida que cego em tiroteio. Sempre sobrava pra mim essas coisas, nossa senhora.

–Mas... O que? Ela... Eu... Hein?- passei a mão aonde ela tinha me acertado sem entender porra nenhuma- Kitty, o que...

–Vá atrás dela, San. Vocês precisam conversar- a loira aconselhou tocando em meu ombro.

–Tudo bem- me despedi dela e saí em disparada para tentar acompanhar a loira doidona. Quinn tinha fumado capim, só pode. Perguntando pelo caminho consegui encontrar seu paradeiro. Ela tinha se escondido no celeiro onde Rachel me agarrou noite passada. A encontrei sentada na escada mais ao fundo com as mãos no rosto. Provavelmente chorava- Quinn?

–Sai daqui.

–Eu...

–Sai daqui, Santana Lopez. Eu te odeio- disse rispidamente, se levantando da escada. Nunca a tinha visto chorar desse jeito.

–Uau! Obrigada pelo carinho, mas só saio daqui quando me explicar o que foi aquilo?- fiquei à uma distância segura pra não tomar outro coice dela hoje. Minha bochecha ainda ardia.

–Foi tudo culpa sua, sua idiota. Você é a culpada de eu estar assim e me odeio por isso. Nunca me deixo levar por ninguém. Está vendo o que deu eu por acaso ter aberto uma exceção- ela tentava limpar as lágrimas que caiam aos montes.

–Eu sou a culpada? Eu? Ora, me compre um bode, Fabray. Você que me provoca o tempo todo, me enche o saco, me esconde as coisas e por acaso fez o favor de me fazer ficar apaixonada por você. Não é bem do meu feitio gostar de tomar patada quando na verdade só quer amor- rebati a acusação à altura, o que a fez parar me encarando- Vamos lá, me explique em nome de Deus o que você quer afinal?

–Você, droga!- ela gritou e mais lágrimas eram derramadas. Ela estava totalmente fora de si- Mas não sei se devo querer isso.

–Eu sei pra que me quer, Quinn.

–Sabe?- ela franziu o cenho arrumando o cabelo todo bagunçado, me olhando com aqueles olhinhos de cão que caiu da mudança.

–Sei sim. Me quer como consolo pra sua vida frustrante- e isso doía pra caramba.

–Não, Santana, como sempre você entendeu as coisas de forma errada- ela andava de um lado para o outro em nervosismo- Ai droga, será que você poderia pelo menos vestir uma camisa? Não consigo pensar com você assim.

–Ai, desculpa de te incomodar por minha barriga estar de fora, mas me diz... E como são as coisas então? Me explique porque eu já estou ficando maluca- Quinn tentava não manter contato visual comigo. Acho que com toda aquela adrenalina da briga com Rachel e agora essa discussão comigo está aumentando o libido da moça. É, gente, isso acontece nas melhores famílias. Enfim ela me encarou e parecia que algo a incomodava- Fala, Quinn, que ‘’coisas’’ que estão te incomodando tanto pra estar fodida assim da vida.

–Ai, droga, eu te amo, Santana. Eu... Deus... Te amo tanto que está doendo ignorar isso- se fosse descrever minha cara agora, seria tipo aquela do menino do filme Esqueceram de mim. Perdi até a capacidade de falar, tentando lembrar as vogais, consoantes, o alfabeto, ABC dos Jackson 5, tudo. Meu coração pulava loucamente por isso. Não conseguia nem encará-la mais. Estava em choque e paralisada- San? Fala alguma coisa, por favor.

–Eu... – bufei forte, acariciando os cabelos de forma nervosa e confusa. Percebi que ela se aproximava- Não. Fique aí, por favor.

–San, me desculpe.

–Te desculpar? Eu, senhor, estou em choque- afastei a franja com a mão e a outra repousava em minha cintura- Como você me afasta, me usa, me diz o que quer e agora vem com essa de que me ama? Qual é a jogada dessa vez, é medo de que eu não siga com você na missão?

–Deus, não. San, não acredito que pense isso de mim.

–Mas você dá por onde. Já parou pra pensar como me trata, como fala comigo? Poxa, Quinn, eu disse que te amava inúmeras vezes. Me entreguei a você de corpo e alma sem pedir nada em troca, até aguentar vir aqui estou tentando por você. Só estou aqui porque precisa de mim. Acha que eu voltaria nesse lugar se não fosse por você?

–Eu lutei, Santana. Lutei pelo o que sinto por você com medo do que eu possa lhe causar, mas você com esse jeito provocador, meigo e puro não ajudou em nada- ela disse mais calma agora- Eu amo você, San. Juro que é de verdade. Encontrei tudo de bom em você que não encontrei nem metade nas centenas de pessoas que conheci em minha vida- senti tudo em mim revirar depois de suas palavras.

–Mas por que deixou que me sentisse mal achando que não gostava de mim? Isso foi pior do que tomar um tiro- minha mágoa começava a se apresentar. Ela não me parecia segura para responder.

–Eu fui burra, San. Culpada de te fazer esse mal, mas amando você tanto que acho que posso morrer a qualquer momento por isso. Mas não quero te fazer mal, San. Céus, não sei o que será de mim se eu te perder por isso- ela levou a mão a face, enxugando as lágrimas que se mostravam mais fortes, que a loira já soluçava- Me perdoa por lhe fazer mal. Eu não queria machucar você, mas de uma forma ou outra consegui fazer o contrário. Eu amo você, a quero como nunca quis nada na vida, mas não vou pedir a você que fique comigo sem saber o que nos espera.

–Me ama mesmo?- indaguei tentando ignorar os trilhões de borboletas que pairavam em meu estômago.

–Com todas as forças de meu ser- ela disse em um olhar de lágrimas correndo e sentimentos confusos- Mas se quiser pensar sobre isso...

–Eu quero- a cortei antes que terminasse.

–Tudo bem, San. Mais uma vez me desculpe por tudo- eu apenas fiz um gesto positivo com a cabeça e a vi passar por mim de cabeça baixa. Meu corpo tinha ondas estrondosas percorrendo-o sem espaço de tempo. Minha cabeça revirava miseravelmente junto a meu estômago que não estava aceitando nem saliva quando eu tentava a engolir. E por fração de segundos o mundo parou e um estalo forte deu em minha cabeça. Era agora ou nunca.

–Quinn?

–Oi, San- ela parou na porta limpando as lágrimas pelas bochechas.

–Já pensei- disse a olhando sério.

–Pensou? No que?- respirei fundo antes de dizer.

–No porque de dizer que me ama... – ela fazia cara de que ia ouvir poucas e boas- E ainda não ter vindo aqui me dar um beijo.

–O que?- ela tinha um semblante confuso.

–Loirinha cabeçuda... Eu faço de tudo... Mas nunca consigo ficar brava com você- abri o maior sorriso do mundo para ela, que parecia petrificada- E aí, vai me negar um beijo? Garanto que vai gostar- disse brincalhona. Quinn em instantes sorriu grande, colocando a mão na boca como se não acreditasse no que estava acontecendo.

–Latina irritante.

–Loira pancada- ela correu em minha direção e agarrou minha nuca forte e grudou a meus lábios dando início a um beijo gostoso, com o gosto salgado de suas lágrimas, mas isso não quebrou o quão maravilhoso foi esse momento. Envolvi os braços em sua cintura e a apertei alí o quanto pude. O beijo se aprofundava cada vez mais e agora sentia sua língua procurar pela minha com sagacidade. Amava os lábios daquela mulher e o gosto de sua boca mais ainda. Aquela boca que se encaixava a minha com paixão ia me deixando cada vez mais envolvida. Sentir aquela pele, que se dizia agora minha, contra minha agora era como encontrar o paraíso e se perpetuar por ali. A tomei no colo e me sentei em um degrau da escada, sentindo-a morder meu lábio inferior e puxá-lo em seguida. Dei atenção a seu pescoço em carícias com lábios, chupando ali por um breve momento de insanidade. Ela gemia arranhando meus braços, me puxando pelo queixo para encará-la.

–Eu amo você, Santana Lopez. É tudo que eu preciso, nunca duvide disso- sussurrou com os lábios próximos aos meus. Não tive palavras nesse momento. Estava com medo de que fosse um sonho perfeito, mas se fosse, queria terminá-lo provando a boca daquela mulher intrigante enquanto ele perdurasse.

Sonhar é bom, mas ter uma realidade proveitosa ao lado de quem se ama é melhor ainda.

Notas finais
Muita coisa, muita coisa... Fico legal essas paradas? Espero de verdade que tenham curtido. Gosto de saber do que acham da história, então bem no finalzinho cocem o dedo no teclado comentando. Agora, ao som de Patience do Guns'n Roses, eu me despeço de vocês. Bom começo de ano pra todos. PAZ!