Ligadas pelo destino

21 Capítulo 21- E que comece a festa! Parte 1


Notas iniciais
Curtam aí

Flashback de Santana- 6 anos atrás.

E mais um dia eu acordava com vontade de não acordar. Estranho, eu sei, mas se eu tivesse que topar mais uma vez com minha mãe e meus irmãos e me vierem com aqueles olhares tortos de sempre, eu juro que um sairá um ciclope dali... Garfo direto no olho. Sinceramente não sei o que eu ainda faço por aqui, sério... Não, eu sei sim. As duas pessoas mais importantes de minha vida estão nesse maldito Texas- lugar quente do inferno- mesmo que uma delas não esteja aqui propriamente dito. Papai estava sabe-se lá aonde em missão e é o único nessa casa que eu ainda consigo aturar. Só ele me entende e me aceita como sou, pois se já era um porre viver aqui sem fazer nada, quem dirá quando acabei de me assumir gay pra todo mundo?

Meu pai já sabia de tudo sem eu ao menos ter dito nada. Mas também era o melhor no que fazia e esse simples fato não seria despercebido por aqueles olhos de águia. Principalmente por que sempre me viu ficar feito uma idiota toda vez que minha vizinha tímida de frente passava pela rua e eu me perdia a observando caminhar, colocar o lixo pra fora, passear com o cachorro com autismo dela ou simplesmente ficar sentada na varanda de sua casa lendo algum livro. Eu ficava 100% vidrada naquela garota tampinha e que falava pelos os cotovelos nas aulas do colégio (estudávamos juntas em quase todos os mesmos horários) e que ficava vermelha toda vez que eu me aproximava e dizia um ‘’oi’’ pra ela.

Bom, está mais que na cara que eu gosto daquele toco de amarrar jegue e mais ainda agora que consegui que ela aceitasse namorar comigo e contasse a nossa família. Os pais dela nem ligaram. Logo por que os dois eram gays também, então nem tchum pra isso. Meu pai também nem disse nada, só que tivéssemos cuidado porque o mundo é cheio de gente ruim que vê isso com maus olhos, mas que estaria do nosso lado pra nos proteger e nos apoiar em qualquer escolha que tomássemos sobre isso. Até aí tudo bem, mas foi só minha mãe passar o estado de choque que ficou amarela, depois vermelha e por fim roxa e deu um duplo carpado twister fincado na minha cara e olhou pra mim virada no Satanás maléfico e disse:

–Isso não é coisa de Deus... Ela é uma menina, sabia?- olhei pra Rachel e me virei pra minha mãe novamente com um sorriso debochado.

–Claro que sei, né mãe. Se não soubesse não estaria dizendo que sou gay.

–Sua insolente- ela quase me dá um tabefe se não fosse meu pai se colocar entre a gente.

–Já chega, Maribel. Nossa filha veio educadamente e de livre e espontânea vontade nos contar de seu namoro com a pequena Rachel e para mim já basta. É melhor do que ter nos escondido e ficarmos sabendo por outras bocas. Sem falar que Rachel é uma ótima menina e não poderia escolher alguém melhor pra cuidar de nossa filha.

–Mas...

–Eu já disse que basta, Maribel. Amará menos sua filha por isso? Santana nunca nos deu trabalho, por que isso tudo? É só um namoro. Seria pior do que ela chegar grávida aqui ou que alguém chegasse nos avisando que nossa filhinha estava se drogando ou pior, morta?- ele a questionava com um semblante repreensivo. Me deu até vontade de rir, mas abafa. Por isso eu amava aquele velho... Me entende como ninguém nunca soube- Precisa rever seus conceitos do que é certo, Maribel. Não existe um dia sequer que não apareça reclamações de Enzo na escola e o que você faz? Fica submissa aquele moleque delinquente e atenção zero pra Santana que tem um boletim invejável pra sua idade. Seja mãe pra sua filha pelo menos nisso- mamãe abriu a boca por um instante e a fechou em desistência as palavras de meu pai.

–Tudo bem, a deixe fazer o que quiser. Depois não diga que não avisei- ela disse rispidamente e saiu a passos pesados para a cozinha.

–Papi- corri ao encontro de meu velho e o abracei o mais forte que pude, escondendo minha cabeça contra seu peito forte, mas ao mesmo tempo tão acolhedor- Te amo mais que tudo no mundo. Muito obrigada.

–Não precisa agradecer, minha nuvenzinha. Te amo e o que for melhor pra você nunca hesitarei em fazer. Você ama a pequena não é?- voltei meu olhar a minha pequena e ela me enviou um olhar e um sorriso tímido, mas claramente carinhoso.

–Mais que tudo no mundo, papai- ele beijou minha cabeça com carinho e me apertou em seus braços.

–Então isso já me basta, amorzinho. Fica bem, ta? Tenho que ir, mas escute bem- eu o encarei- Não deixe que te façam mal ou que digam e te façam se sentir menor, porque você é mais que tudo isso, Santana. É a coisa mais perfeita de minha vida e que nunca vou me arrepender em ter. Se cuide, por favor. E se te aperrearem por aqui sabe onde guardo minhas armas- disse brincalhão me fazendo rir.

–Sei sim, uso a granada que o resultado é instantâneo e dá pra casa inteira. Por que uma missão bem sucedida é quando...

–O resultado for tudo pra gente, nada para o inimigo- ele completou minha frase e uniu nossas testas- Serei sempre o seu papi e melhor amigo. Nunca se esqueça. Sempre pra você, minha filha. Não esqueça: Se cuide.

–Tudo bem, papi. Quando volta?

–O mais rápido que eu puder, meu amor. Preciso resolver umas coisas.

–Tudo bem, só não se esqueça de voltar pra mim, ta?

–Nunca- beijou minha testa e saiu pela porta com a promessa que voltava logo pra mim. Fui até minha namorada e lhe dei um selinho pra selar logo nosso compromisso agora clareado para nossa família.

Com essa lembrança recebi as forças que me faltavam para levantar logo da cama e encarar mais um dia de agonia eminente. Mas pelo menos tinha minha linda e maravilhosa namorada para me dar o gás pra continuar e a lembrança das palavras de meu pai que voltaria logo e me tiraria desse maldito lugar. Fiz minha higiene matinal e depois de um belo banho desci pra tomar café e como sempre fui recebida com muito amor, carinho e bondade que toda família tem... Ah, vá né, Santana. Não fantasia. Pior que isso só dois disso. Nem parei pra dar bom dia, só peguei uma maçã da fruteira, lavei e sai correndo pra estrear meu carrão recém- consertado, velho, mas de boa vontade, minha pobre Francyne. Sentei em seu banco gasto que daqui alguns meses vou conseguir trocar fazendo bicos na oficina do amigo de meu pai Earl e talvez cortando algumas gramas, limpando piscinas ou até mesmo fazendo o dever de casa de algum preguiçoso rico. E assim ia vivendo.

Cheguei alguns minutos depois em minha escola de tortura e vejo minha namorada vir correndo em minha direção como uma bolinha de fogo ligada no 220:

–TANA!

–Meu Deus, cuidado, amor- eu alertei, mas ela pareceu não me escutar e se chocou contra mim que me fez bater com as costas na porta do carro- Ai, meu pâncreas.

–Desculpa, bebê. Machuquei você?- eu sorri forçadamente doída.

–Que nada, pequena. Estou gemendo por alegria em te ver- ela bateu de leve em meu ombro e depositou um selinho em meus lábios- Como você está?

–Com saudades suas- foi minha vez de lhe dar um selinho. Rachel atracou as mãos em minha nuca e juntou seu corpo ao meu- Como está o clima em casa?

–Melhor impossível. Eles me amam cada vez mais.

–Você brinca, mas sei que está triste com isso- suspirei profundamente lhe fitando, Rachel acariciou minha bochecha com o polegar- É a pessoa mais forte que eu conheço, mas se fecha assim não, ta? Pode te fazer mal guardar as coisas assim e fingir que nada está acontecendo.

–Eu sei, amor. Relaxa. Estou bem, sabe por que?

–Por que?- aproximei ainda mais nossos rostos e desviei para sussurrar em seu ouvido.

–Porque tenho uma namorada super gostosa que vou levar orgulhosamente ao baile mês que vem e que vai me presentear com uma boa noite de amor no quarto de hotel maravilhoso que irei reservar pra nós, porque maravilhosamente por obra do destino é meu aniversário também, o que acha?

–O que acho?- me encarou sapeca- Que preciso olhar umas lingeries novas. Sabe, pra nossa grande noite- dizia sugestiva, mordendo em seguida meu lábio inferior. Fui tentar aprofundar um beijo, mas ela se esquivou se afastando- Agora temos aula. Vamos?

–Ah não, amor, vamos cabular aula hoje. Me deixou na vontade- fui me aproximando sorrateira e com um olhar safado. Ela continuava se esquivando.

–Não, amor. Aula, vamos logo- apontou pra entrada da escola com um gesto mandão e pra lá rumei frustrada. Logo no corredor topamos com grandes amigos meus, os que eu tinha mais como família do que meus próprios irmãos. Ainda fico pensando o porque de Danilo ter mudado tanto comigo, éramos tão unidos. Mas deixa pra lá, meus amigos se aproximam.

–E aê casal eca!- Kitty brincava, me dando um abraço e depois em Rachel- Fiquei sabendo que contaram pra família. Como foi?- os demais me olharam esperando a resposta.

–Uma maravilha- ironizei revirando os olhos- Nada menos que eu esperava de minha mãe e do Enzo. Danilo não disse nada e papai nos apoiou. Normal.

–Hey, latina. Relaxa, uma hora eles acordam e vão ver o quanto você é um máximo. Se não tivesse namorada eu iria adorar ser o senhor Santana Lopez- Finn brincou me abraçando pela lateral- Vamos lá, hoje vou dar uma festa em casa. Estão afim?

–Nem precisa perguntar duas vezes- eu disse fazendo os demais rirem- Viva a una grande fiesta!

–Viva!- os demais gritaram chamando a atenção dos outros alunos que transitavam pelo corredor.

–Opa! Ouvi a palavra festa. Aonde, quando e a que horas?- Enzo apareceu sei lá de onde (aposto que das profundezas do inferno) todo animado. Finn me encarou e eu revirei os olhos pela cara de pau de meu irmão. Ele sabia que nenhuma alma boa naquela escola gostava dele, principalmente meus amigos. Até os cachorros que passavam na rua mudavam de direção pra não cruzar com ele- Diz aí, pessoal. Sabem que sou fã de festas.

–E de estragá-las, né, Enzo Lopez?- Kitty desdenhou fortemente.

–Não tenho culpa se um bando de idiotas gostam de mexer comigo quando estou me divertindo- todo mundo ficou quieto. A conversa e a alegria morreram assim que ele chegou. Nusga!

–Acho que precisa rever o conceito dessa palavra, Enzo. Principalmente a quem se refere, porque dessa escola, cidade, país e planeta, o cara mais idiota do mundo que eu vejo é você- a loira atacou com uma pose bem bitch que só ela tem, fazendo os demais se segurarem pra não rir. Enzo ficou irritado.

–O que foi, loirinha? Essa marra toda é porque sempre me quis só que nunca quis você- ele foi se aproximando, mas Kitty fez um gesto pra que parasse.

–No dia que eu quiser você, Enzo, eu mesma faço um favor pra minha sanidade mental e me mato- muitos ‘’uhs’’ foram escutados. Eu estava quieta ao lado de Rachel, abraçada a sua cintura por instinto protetor e vendo toda a malhação de Kitty com Enzo e nem estava gostando... HAHAHA- Prefiro morrer a ter algo com você. Não sabe o quanto me enoja.

–Sabe, senhorita vadia doce- Enzo disse com uma carranca zangada se aproximando de Kitty, ficando bem perto- Você precisa aprender o que é um homem de verdade pra saber reconhecer um, não esse Zé Mané do seu namorado que vende coxinhas na feira pra comprar pão para o bando de macacos que ele chama de família. Você precisa de um corretivo e sei quem pode te dar.

–E acho que não vai ser você, não é, irmão?- me coloquei entre os dois. Enzo deu um passo pra trás- Logo porque Kitty não precisa de corretivo. Só um bônus por te enfrentar já que idiotas são seus amigos que te aguentam.

–Chegou quem estava faltando. Santa Santana Lopez- debochou com um sorrisinho a altura das palavras.

–Fala demônio Enzo- igualei no sorriso.

–Não precisava isso, só estávamos conversando.

–Conheço bem suas conversas- gesticulei com o olhar pra que Kitty fosse para perto de Finn. Ninguém nunca sabe o que vem da cabeça de Enzo- Olha, Enzo, Kitty é minha amiga. Não só minha como de muitos que prestam dessa escola. Mesmo não gostando de confusão não vou medir forças pra te partir ao meio se tocar nela ou em qualquer um que seja de minha simpatia. Finn, Ryder e Puck confirmam o que eu disse, não é?

–Completamente- Finn cruzou os braços com uma pose durona. O restante dos rapazes fizeram o mesmo.

–Uou uou... Eu entendi o recado. Mas eu não queria confusão- ele tinha as mãos levantadas em sinal de rendição- Não está mais aqui quem falou.

–Chega, Enzo, segue seu caminho- eu disse sinalizando para que ele nos deixasse em paz.

–Tudo bem, já estou indo. Mas sabe, Santanita: O que bate volta. E ainda quero saber da festa.

–Vaza daqui, Enzo- disse rispidamente e ele saiu dando gargalhada- Idiota!

–Hey, amor. Deixa ele pra lá. Temos aula de matemática agora. Vamos, Tana?- Rachel disse terminando de pegar os livros em seu armário.

–Ela vai daqui a pouco. Agora temos reunião com o treinador. Vamos, San?- foi a vez de Kitty dizer, arrancando um olhar zangado de Rachel. Elas duas não se bicavam por minha pequena ter muito ciúmes de mim com ela, estava fissurada de que a loira gostava de mim. Kitty treinava vôlei comigo e Rachel não gostava nada nada disso, já me pediu até pra deixar de jogar por esse detalhe.

–Amor, o campeonato se aproxima. Nos vemos mais tarde?- Rachel fez que sim com a cabeça e saiu zangada, eu a segurei pelo cotovelo e delicadamente a encostei no armário- Hey, não vai me dar nem um beijinho?

–Você não precisa ir?- ela disse desdenhosa cruzando os braços que eu prontamente descruzei e me apossei de sua cintura.

–Não sem antes ganhar um beijinho da minha anãzinha.

–Bom, pessoal, essa é nossa deixa. Momento mela mela agora- Puck disse saindo arrastando quem podia pra nos deixar sozinhas.

–Para, Tana. Já disse pra não me chamar assim.

–Mas você é minha anãzinha gostosinha, amor- beijei seu ombro e fui subindo.

–Você acha que vai me dobrar com essas carícias?

–Talvez. Estou conseguindo?

–Talvez- ela deu de ombros enquanto eu beijava agora seu pescoço- Não vai treinar?

–Vai me dar um beijo?- ela me deu um selinho rápido.

–Pronto.

–Assim não- capturei seus lábios iniciando um beijo calmo. Senti Rachel agarrar em meus ombros e ir juntando mais nossos corpos- Bom, assim que é um beijo de despedida.

–Chata- rimos juntas.

–Eu amo você, minha pequena- lhe encarei nos olhos para dizer isso.

–Também amo você, meu amor. Pra sempre.

–Pra sempre.

–Santana? Acorda!

–O que foi, gostosa? Quer mais um beijinho- agarrei a nuca de quem me cutucava e fui puxando pra mim.

–Sai, sua doida. Sou eu- senti ser empurrada pela barriga e continuei puxando.

–Vem cá, gatinha. Dá um beijinho aqui.

–Meu Deus, quer me abusar, Santana? Me solta- abri os olhos e me deparei com um monte de cabelos ruivos batendo em minha cara.

–Rob?

–Sim, achou que fosse quem? Lindsay Lohan?- caçoou saindo de cima de mim- Estava sonhando com quem?

–Com o demônio- ele riu de minha cara e o acertei com o travesseiro. Só agora havia me dado conta que tinha adormecido na varanda. O frio estava de lascar, mas mesmo assim acabei pegando no sono depois de passar horas segurando choro depois da tensão com Quinn em meu banheiro. Estava mal, sem eufemismo algum. Aquilo mexeu comigo miseravelmente. Nem quando tomei um puta chifre de Rachel (nem sei por que sonhei com aquela cachorra). Já pararam pra pensar que ex é que nem verme? Pode passar o tempo que for sem ter nada, mas quando se manifesta é um estrago. Só tinha sonhado com Rachel e estava toda jururu agora.

–Tudo bem, San?- meu irmão perguntou depois de alguns minutos só me encarando.

–Devo estar- me consertei no banco e o encarei- Sabe, moleque, se eu fosse você nunca me apaixonaria. Vai economizar neurônios nessa cabecinha acenourada.

–Deixa disso, sua chata- ele me devolveu a travesseirada que me fez semicair no banco- O que foi dessa vez? Espera, não me diga... Brigou com Quinn novamente?

–Eu não briguei com ninguém. Ela que está me tirando de idiota e eu odeio isso.

–Já parou pra pensar que se vocês só conversassem ao invés de ficarem se pegando e brigando ao mesmo tempo, não chegariam logo a uma solução mais cabível?- eu o encarei com a boca entreaberta- Seria bem melhor. Aposto que seu eu entrar na casa e topar com Quinn vai estar com uma carranca de quinhentos metros como a sua, que na verdade é uma simples casca pra camuflar sentimentos reprimidos.

–Acho que assim está melhor, Opha ruiva.

–Teimosa- Rob cruzou os braços emburrado.

–Chato- me joguei sobre ele e caímos desajeitados no chão. Saímos rolando parando na neve. Rob conseguiu se soltar de mim e pegou um punhado de neve, jogando no meu rosto- Moleque, você me paga por essa.

–Se conseguir me pegar, Maricota.

–Maricota é lá- saí correndo em sua direção jogando bolas de neve o quanto eu conseguia- Pare agora e lute como um verdadeiro Lopez.

–Assim?- mais uma bola de neve acertava meu rosto. Ele era ótimo de mira, percebo isso desde a batalha doida no galpão. Acho que papai nos treinou para diferentes funções. Ele atira e eu bato. E se ele estava abusando de suas habilidades... Que tal eu mostrar um pouco das minhas? Assim que Rob jogou outra bola, dei um mortal para o lado e impulsionei o corpo para dar mais velocidade a bola que atirei, acertando de forma certeira em seu nariz- Boa, Santana.

–Ainda não viu nada- nem deu tempo de Rob limpar a neve do rosto. O interceptei pela cintura e ele tombou pra trás comigo em seu colo. Se virou para o lado tentando me imobilizar, com um pouco de dificuldade deslizei a perna por seu peito e por um impulso monstro o fiz girar pra trás e acabei ganhando o poder da força- Perdeu, playboy.

–Você que acha- com a mão livre Rob passou neve no meu rosto.

–Moleque escroto!- ele caiu na gargalhada e continuamos assim por um bom tempo. Quando estava com ele era como se eu voltasse a ser criança.

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POV QUINN:

Passou-se um dia após aquela conversa sem fundamentos com Santana no banheiro. Não consegui rebater, espernear, retorcer, nada... Depois do que aconteceu entre a gente no mesmo lugar, pareceu que minhas palavras morreram, que meu cérebro morreu. Quando enfim recobrei a consciência de meus atos ela já não estava mais comigo e a meu ver também estava bem chateada comigo.

Meu Deus, como algo nunca antes tomado questão por mim pode estar agora roendo minha mente? Não quero machucá-la, juro pela vida de meu querido pai, mas acredito que paciência é uma bela virtude. Santana tem que entender, mas eu não quero perdê-la. De alguma forma aquela latina é importante. Nunca fui tão bem tratada por alguém dessa forma, um carinho e um cuidado que chego a me perguntar se ela realmente existe ou é apenas a parte de um delírio meu se apossando de meus opostos e o materializando em Santana. Horas depois ouvi gargalhadas e gritos vindos de fora e a avistei brincando com o irmão na neve. Ela parecia uma criança perto do garoto. Eu achava muito bonita essa amizade entre os dois, era como se tivessem crescido juntos e isso era muito bom. Pelo o que sei sobre Santana, com exceção de seu pai, a família dela não lhe era tão amorosa. Então com Rob aqui pelo menos ela teria a atenção que merecia, algo que eu ainda não pude lhe dar, que meus conceitos e preceitos ainda me impedem de fazer. Eu não a odeio, mas a outra frase de tão grande intensidade pode estar pairando em meu peito, porém alguma coisa ainda me impede de me entregar a isso. Ilusão. Pode ser essa a palavra que me impede, pois acho que o que tenho por Santana é uma ilusão de uma imperfeição que me completa.

Resolvo descer para olhar a comida que deixei no fogo para nosso jantar. Um detalhe: Ainda não contei a Santana sobre nosso próximo destino e não sei com que cara a irei encarar devido a esse fato e o outro anterior a ele. Ao passar pela sala dou graças a Deus que ela não está ali. Pelo jeito ainda estava com o irmão vendo alguma coisa de seu carro que tinha dado defeito. Melhor assim, tentarei evitar ao máximo nosso reencontro.

–Oi, Quinn, quer ajuda com algo?- Rob apareceu minutos depois, afagando os braços para espantar o frio.

–Obrigada, Robert. Quero me livrar logo dessas louças para não se amontoarem. Pode cortar os legumes para sopa que estou fazendo para nosso jantar.

–Tudo bem. É com essa faca?

–Sim, cuidado, por favor- ele fez uma espécie de malabarismo com a faca e alguns movimentos que eu chutei ser de luta, parando com a faca de ponta amparada na palma de sua mão. Fiquei totalmente espantada e bestificada com aquilo. Rob deu o sorriso sapeca que estou acreditando ser característico dos Lopez.

–Vou ter sim.

–Meu Deus, você e sua irmã ainda irão me matar do coração- ele riu começando a cortar a cenoura.

–Está no sangue- concordei mentalmente, recordando do que já passei com a doida da irmã dele. Das fugas alucinantes às noites quentes de sexo que já tivemos. Parei uns instantes para tomar coragem e fazer uma pergunta ao rapaz.

–Robert... Posso te fazer uma pergunta?

–Até duas, mas com uma condição.

–E o que seria?

–Me chame só de Rob. Robert me lembra minha professora bigoduda de química. ‘’Robert, não exploda a sala’’- ele fez uma voz fina imitando a professora que citava. Eu ri terminando com as louças- Rob soa bem melhor.

–Pois bem, Rob... Santana... – ele me encarou esperando a pergunta- Você sabe se ela está muito chateada comigo?

–Ela deu seu nome a um boneco de neve e ficou socando ele até desmanchar- eu congelei de espanto- É brincadeira, relaxa- eu balancei a cabeça negativamente. Ele apesar de tímido era bem brincalhão- Mas o boneco existe e ela deu seu nome a ele. Só que ao invés de socá-lo, ela fica imitando sua voz e alguns gestos que ela diz que você faz demais, dizendo o quanto é chata.

–Acho que talvez eu tenha dado um motivo para ela estar assim- evitei transparecer a pontada de decepção na voz, mas pareceu mais clara que cristal.

–Relaxa, Quinn. Conheço a maluca da minha irmã há pouco tempo, mas sei que aquele coração bate adoidado por você e que logo tudo se ajeita. Ela quer muito você, o que me leva a outra questão- Rob me fitou sério e profundo- Você a quer também?

–Como...

–Se sente o mesmo que ela.

–Bom, Rob, é difícil- enxuguei as mãos em um pano de prato, mascarando o nervosismo que a pergunta me causou.

–Às vezes as coisas são difíceis porque as pessoas fazem que sejam- disse como se fosse a coisa mais simples do mundo- Acho que se pensar um pouco as respostas sejam mais claras. E tomara que fique, porque apesar de gostar muito de você e te achar uma boa pessoa, Santana é minha irmã e se isso vai de alguma forma a fazer mal, eu te aconselho a dar logo um fim nessa situação. Minha irmã é uma ótima pessoa e sinto que ela sofre.

–Sofre?

–Sim, sofre. E eu não quero que isso dure mais. Vê-la assim me deixa mal também- nem vou dizer o quão remexida fiquei por dentro com as palavras do garoto- Eu sei o quanto essa missão que nossos pais nos enfiaram é importante não só pra nós, mas pra todo mundo desse país. Entretanto, tem coisas que nos levam a um impasse entre a razão e a emoção e às vezes, só às vezes, a emoção pode ser a chave pra muitas coisas boas aqui dentro- apontou para seu peito- Acabei. Ainda vai precisar de mim?

–Não, Rob. Pode ir, muito obrigada.

–Disponha- sorriu levemente- Vou ver se Santana precisa de mim. Até mais, Quinn- gesticulei um ‘’tchau’’ para ele e o vi sair cozinha a fora.

É, mais caraminholas postas em minha cabeça. Obrigada, vida.

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O jantar estava pronto. Tomei um banho rápido para espantar o frio e me encontrei com meus companheiros de viajem para nosso jantar. Eles esperavam minha chegada para que começássemos juntos e ao me deparar com Santana, notei que ela ignorava minha presença, pois nem ao menos meu olhar ela buscava. Frustrada, cansada e com fome, fui me servir após os dois Lopez. Rob gentilmente puxou a cadeira pra que eu sentasse e agradeci educadamente. Sem dúvidas um bom garoto, tão parecido com o pai quanto Santana.

Comemos em silêncio, apenas o barulho das pratarias sobre a mesa não deixava que a quietude tomasse conta da cozinha. Eu não conseguia não encará-la. Por tudo que aconteceu e mais ainda por Santana ser tão linda. Uma beleza única. Estava emburrada, mas isso não diminuía meu encanto. As palavras de Rob ecoaram em minha mente, me fazendo em minutos perder a fome. Muita coisa precisava ser esclarecida e tenho que começar por ordem de importância... Nosso próximo destino.

–San?- ela parou de comer e hesitantemente me dirigiu a palavra. Somente isso.

–Pode falar.

–Precisamos conversar.

–Pode falar- repetiu de forma seca.

–Se quiserem eu posso sair...

–Não, você está com a gente agora. Deve ficar a par de tudo que acontece- ela disse parando o irmão. Respirei fundo tomando coragem- O que aconteceu?

–O aparelho destravou.

–Nosso destino?

–Nosso destino.

–Muito bem, já estava demorando. Pra onde agora?- enfim Santana me deu atenção. Seu olhar estava um misto de curiosidade e chateação que travei pra responder. Ficaram agora os dois me encarando com o cenho franzido- Vamos lá, Fabray. Não temos a noite inteira.

–Dallas, Texas.

–O que? Você disse...

–Dallas, Texas- ela estava chocada. Sua respiração pareceu descompassar. Rob tinha um semblante preocupado na direção da irmã- Sinto muito, San- tentei alcançar sua mão na mesa, mas ela se afastou.

–Eu não vou.

–Como?

–Isso mesmo que ouviu, Quinn... Eu não vou- ela levantou-se e saiu meio atordoada, era evidente. Fiz menção de me levantar para ir atrás dela, mas Rob se adiantou.

–Deixa, eu falo com ela. Isso é muito delicado pra se tratar assim- consenti com um gesto de cabeça e ele saiu seguindo-a. Não vou conseguir sem ela, Santana não pode me abandonar agora. O que vou fazer se ela não for? Oh Deus!

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Três horas se passaram e Santana e Rob ainda estavam no andar de cima. Eu nem sei descrever o nível de preocupação que eu estava por isso. Por Santana e por sua quase que eminente desistência da missão. Não consegui segurar o impulso de ir até ela e fui. Os irmãos estavam no quarto dela, na sacada mais precisamente. Santana estava abraçada a cintura de Rob enquanto ele a envolvia com os braços de uma forma protetora e tranquilizadora ao mesmo tempo. Como o rapaz era mais alto que ela, a latina repousava a cabeça no peito do irmão e estavam em um silêncio tranquilo, cada um preso em pensamento. Rob notou minha presença e sorriu:

–Oi, Quinn. Vem aqui, vou deixar vocês conversarem sossegadas- ele soltou a irmã do abraço- Hey, fica bem, tá? Vou deixar você com sua loirinha. Pensa bem no que conversamos.

–Tudo bem, moleque, obrigada- ela enxugou as lágrimas das bochechas e abraçou Rob novamente, recebendo um beijo casto na testa. Nunca a tinha visto chorando e isso me doeu o coração.

–Precisa agradecer não. Boa noite, Quinn.

–Boa noite, Rob- ele me deu um abraço carinhoso e saiu. Santana voltou seu olhar para a vista da sacada e eu fiquei pregada no chão sem saber o que fazer.

–Vai ficar me encarando aí a noite inteira ou vai me dizer o que quer? Vamos lá, dê seu melhor pra me convencer a voltar praquele inferno- ironizou apoiando os cotovelos no parapeito.

–Eu sei o quanto isso está sendo difícil pra você, Santana. Aquele lugar te traz péssimas recordações.

–Pode crer, minha cara, você não sabe.

–Sei sim- me aproximei ficando ao seu lado- Eu sei como é. Você acha que eu quero voltar pra Londres e me deparar com minha mãe novamente depois que eu fugi de lá?- ela me encarou de cenho franzido- Sim, Santana, eu também fugi de minha cidade natal, de tudo e de todos pra ficar com meu pai no exílio.

–Ora vejam só, a Fabray é uma fugitiva como eu. Interessante. Que devassa!- ela brincou me fazendo rir.

–Por isso eu sei o quão ruim é retornar a um lugar que me faz mal, mas você sabe tanto quanto eu que o que fazemos agora é muito importante. Nossos pais lutaram por isso, por nosso bem estar e seu pai... Deu sua vida por isso.

–E ficou mal falado depois.

–Pessoas xucras, apenas isso- ela suspirou profundo. Toquei em sua ferida- Sinto por ter tocado nisso, não quis magoar você.

–Tudo bem, não posso fingir simplesmente que ele está aqui, não é?- apenas concordei com um peso no coração. Assunto chato esse- E da mesma forma não posso fingir que isso, essa jornada toda não está acontecendo. Odeio isso tudo, mas é por meu pai. E agora também por meu irmão, a coisa mais importante de minha vida agora.

–E com razão, precisamos dar um futuro aquele garoto. Ele é muito especial.

–Com certeza é. Ele me lembra muito meu pai- Santana exibia um sorriso orgulhoso ao falar do irmão- Só fico preocupada em ele estar metido nisso. Nem quero pensar no que ainda nos aguarda por aí.

–Também não, San, mas vamos dar um jeito, ok?

–Tudo bem. Não tem outro jeito. Você tem ideia de onde esteja o próximo chip?

–Tenho e você não vai gostar nada em saber- fiz uma careta mordendo o canto do lábio. Santana pareceu captar com um olhar receoso.

–Na casa de meus pais? Por favor, diz que não.

–Sinto muito, San.

–E não pode ficar melhor- ela levou a mão à nuca e a acariciou de forma nervosa- Eu já suspeitava. Meu azar anda muito quieto.

–Eu sinto muito, sério.

–Hey, pare de se desculpar. Não tem culpa de nada. Ah se eu pego quem começou isso- ela cerrou o punho e soltou uma bufada pesada que competiu com meu suspiro receoso- Agora vou deixar você dormir quietinha aí. Boa noite.

–San?- segurei seu braço pra que não saísse, ignorando o fato de milhares de ondas elétricas transitarem por meu corpo com esse simples toque- Vai dormir com seu irmão de novo?

–Vou sim, você quer espaço e eu estou te dando.

–San, por favor, dorme aqui comigo.

–Quinn...

–Por favor, a imensidão desse quarto me assusta. Me tranquiliza te ter por perto.

–Ao menos assim, não é?

–San, para. Não me deixa aqui sozinha, preciso de você- ela me olhou hesitante. Depois de um suspiro profundo ela desistiu.

–Ok. Só vou ver se meu irmão precisa de alguma coisa e volto pra ficar com você, tudo bem?

–Tudo bem, muito obrigada, San- disse em uma euforia que não pode ser contida. Notei que ela se segurou para não rir de minha infantilidade.

–Até daqui a pouco.

–Até.

Enquanto Santana ia onde o irmão e ficava um tempo com ele, eu corri pra tomar um banho caprichado para quando ela voltasse. Usei os cremes mais cheirosos que eu possuía e fiquei esperando-a na cama. Ela chegou quase uma hora depois e seguiu para o banheiro sem ao menos me olhar. Mas tudo bem, quero relaxar. Mais alguns minutos lá dentro ela retornou em sua roupa de dormir e se deitou ao meu lado, desligando seu abajur.

–Boa noite, Fabray!

–Hum, boa noite, San- ela deitou de bruços com o rosto virado pro outro lado. Suspirei em frustração e me aquietei em meu lado. Se era ser ignorada que você queria, Quinn... Conseguiu. Eu reclamei cruzando os braços e bufando. Mas eu não iria conseguir dormir sem ter contato com ela, estar com Santana ao meu lado sempre me fez ter uma boa noite de sono. Nunca dormi melhor. Querendo ou não ela me importava. Mesmo que querendo não querer, me aproximei sorrateiramente dela. Com cuidado encostei meu queixo em seu ombro e abracei sua cintura com o braço esquerdo. Mesmo ela me ignorando eu queria estar com ela e seria assim que passaria a noite. Pelo menos estava comigo.

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Duas semanas se passaram rápido. Seria uma viagem longa até o Texas e após tudo pronto partimos todos a contra gosto. Confesso que já estava me apegando aquela casa. Até que tinha tudo que eu precisava. Uma boa cozinha, quartos maravilhosos, uma lareira que fazia um calorzinho gostoso, uma biblioteca perfeita e uma ótima companhia dos irmãos Lopez. Um era o oposto do outro, mas isso os completava. Rob era um perfeito cavalheiro e ótimo para se ter uma conversa. Bem letrado, educado, coerente, centrado e muito bonitinho, um amor de menino que fazia de tudo pra me manter entretida na viagem, já que Santana ficava o tempo todo calada, presa em pensamentos torturantes que a faziam sorrir e falar minimamente durante nossa viagem. Nunca a vi tão quieta, mas entendia seu lado. Eu também estaria se estivesse voltando para Londres. Definitivamente meu lugar não era ali, principalmente com minha mãe lá. Mas isso não é algo a se comentar.

Percebi que chegávamos no Texas quando o calor intenso nos alcançou. Dallas é um lugar até que bonito e charmoso, mas pelo o olhar copenetrado de Santana, percebo que ela não admira sua cidade natal. Seu corpo parecia tencionar a cada quilômetro, metro e centímetro que nos aproximávamos de sua antiga casa, onde sua mãe e seus irmãos talvez ainda moravam. Torcia pra que não, pois seria um problema a menos para enfrentarmos. Seria rápido: entraríamos na casa, pegaríamos o chip e iríamos embora o mais rápido que pudéssemos daquele lugar. Não queria que ela ficasse mais mal do que já aparentava.

Santana estacionou de frente a uma casa, que mais parecia uma chácara e apertou forte o volante como se pudesse passar toda tensão de seu corpo naquele gesto.

–San...

–Estou bem, vamos logo-ela disse seca, desligando o carro. Rob e eu fomos os primeiros a sair, Santana saiu depois como se cada pé pesasse uma tonelada. Na porta da frente escutamos vozes exaltadas e ao notar que a porta estava aberta, Santana a empurrou e fomos explorando a sala cada um com seus conceitos.

Ao entrar naquele lugar que um dia Santana já chamou de lar, senti que ela ia se tencionando cada vez mais a cada passo que dava em frente. Rob ao seu lado tocava seu ombro ajudando-a a continuar. As vozes exaltadas se aproximavam, duas senhoras discutiam na cozinha e uma delas, a morena, me lembrava muito Santana, o que me levou a constatar que se tratava de Maribel, sua mãe. Depois de alguns minutos apenas observando a discussão, a latina resolveu se pronunciar em um pigarreio.

–Oi, mamãe- pela cara de quem viu alguém que já morreu, a matriarca Lopez se virou lentamente em nossa direção e com um semblante surpreso exclamou assustada:

–Santana?!- Santana suspirou.

–E que comece a festa

Notas finais
E aêêêêêêê? Como foi? Preparados pra grande loucura no Texas? Quem quer ''E que comece a festa parte 2'' diga Vamooooooo, sapoha kkkk Beijão, galera.brigadão por tudo aí. PAZZZZZZZ