Ligadas pelo destino

20 Capítulo 20- All of me


Notas iniciais
Hey, pessoal... Demorei, né? Mas acho que não tanto quanto antes. Pelo menos isso kkk Bom, sabe como é, vou desperdiçar o tempo de vocês falando a mesma coisa de como ando ocupada, então... Divirtam-se. Ah, e Queen Snixx, my bee, capítulo procê como prometido, Beijo mozinho. Melhorasssssss. Aviso: Proibido para menor de 18 anos, pois contém partes pequenas que podem ser engolidas.

–Cara, aqui faz muito frio!- exclamei me encolhendo nas cobertas e para mais perto de Rob.

–Estamos no Alaska, é natural.

–Dah- fiz careta ficando vesga, o que o fez rir.

Rob e eu estávamos deitados em um colchão bem no meio da sala. A luz estava apagada, apenas a fraca do abajur iluminava nossas vistas cansadas pelas batalhas já travadas em nossas poucas vidas. Deixei Quinn dormindo em meu quarto e, como estava sem sono, resolvi fazer companhia ao caçula cabeça de cenoura. Conversávamos sobre coisas aleatórias e ele deu na telha que queria saber mais sobre minha vida maravilhosa, só que não.

–Então, depois que foi embora de casa, o que fez?- suspirei por incontáveis segundos antes de responder.

–Vish, muita coisa. Não lembro nem de metade. Cheguei meio perdida, passei um tempo tentando me encontrar e nesse meio tempo fiz umas coisas que não devia, mas graças a uma grande amiga, a quem devo muito, achei um jeito de me firmar na vida. Não é lá muita coisa, mas pelo menos conseguia me manter e a meu filhote.

–Filhote?- Rob indagou arqueando o corpo para me encarar.

–MO, meu gato maluco- ele riu torcendo o corpo para voltar a sua posição anterior. Bateu aqui dentro a saudade de meu gato imprestável e gordo, que me causava muitos hematomas nos joelhos toda vez que me fazia tropeçar quando passava entre minhas pernas. É completamente maluco, entretanto totalmente importante pra mim, pois como eu, foi esquecido do mundo e vivia desgarrado a procura de um lugar pra chamar de seu e ser um dia amado.

–Sempre quis ter um gato, mas minha mãe era muito doentinha e mesmo ela dizendo que não teria problema eu ter um, ficava com medo de que lhe fizesse mal e desconversava dizendo que não queria mais, que dava muito trabalho cuidar de um- o garoto suspirou triste. Senti que seu corpo ao meu lado havia se tensionado. Eu mais que ninguém sabia o quanto doía pensar em alguém que ama tanto e já se foi. Sentia isso toda vez que canalizava os pensamentos em meu pai. É como se um pedaço de meu coração fosse arrancado toda vez que lhe tinha na mente. Meu irmão estava triste agora e apesar de me doer muito vê-lo dessa forma, não tinha palavras para confortá-lo. Por que simplesmente eu nunca achei as que me confortassem, então pude apenas abraçar sua cintura e deitar a cabeça em seu peito, tentando por esse gesto lhe passar tranquilidade. Eu nunca tive essa sensação de paz com nenhum de meus outros irmãos, com quem fui criada, mas Rob era tão tranquilo que me transmitia isso.

–Estou aqui.

–Eu sei- ele murmurou encarando o teto, acariciando minhas mãos em sua cintura com o polegar.

–Seria precipitado dizer que já te amo?- Senti ele se virar e depositar um beijo casto em minha testa.

–Então seríamos ambos precipitados. Eu mais ainda, pois eu já sinto isso muito antes, desde antes de saber que tinha uma irmã.

–Acho que você é gay, sério.

–Sou sim, mais lésbico que você- eu acabei gargalhando, levando-o a isso comigo.

Ficamos um tempo encarando o nada, cada um preso em seus próprios pensamentos. Aquele silêncio até que era bom. Eu tinha meu irmão, que parecia gostar de verdade de mim e um princípio de esperança em relação a Quinn e ao que poderíamos ter de firme. E essa casa é meio estranha, como tudo em minha animada vida, mas emanava paz como nunca senti por outro lugar, apesar de todo momento eu esperar uma entidade das bravas se manifestar de qualquer parte dela. Quinn, Rob e eu poderíamos viver tranquilamente aqui, é acima de tudo um bom lugar e bem confortável... Espera, estou cogitando viver com Quinn aqui? É, estou ficando maluca mesmo. Estava desenhando um futuro com uma mulher que nem ao menos tem certeza do que sente por mim. Sério, às vezes se passava em minha cabeça de que Quinn só me queira como um passatempo pra essa agonia de missão... Não sei se aguentaria mais uma decepção como essa.

No entanto, o pior disso tudo é que eu encontrava alguns indícios de que ela possa talvez sentir por mim o que eu sinto por ela. Já a peguei várias vezes me encarando enquanto eu dirigia, com um olhar que só quem ama reconhece no outro. Todavia aquela raiva toda que ela exalava por mim poderia ser desejo reprimido, o que constatei com nossas noites incríveis de amor... Sim, amor, por que pelo menos de minha parte era algo tão especial quanto a própria natureza de se viver e ela, Quinn Fabray, loira dos olhos em um sol se pondo, fazia eu me perder a seu redor, como um lobo faminto perto da carne fresca, mas que não tinha certeza se poderia ser sua ou se algo o impediria de saboreá-la. Sinto que ela tem algo por mim, só não sei o que é, espero que seja bom isso, que pela primeira vez na vida eu seja contemplada também, por que dar mais que receber e amar sozinha é muito foda. Ela poderia negar, mas algo me diz que tem alguma coisa ali, seus gestos a traem a todo o momento, como quando discutimos e ela sai, voltando sempre em seguida. Cara, vai por mim, em um briga quando uma mulher se afasta nunca é pra ir embora. Pode ser pra tomar distância pra te dar uma voadora, menos pra ir embora.

Aquilo até que me fascinava de sua parte, aquela marra toda, seu jeito de se emburrar com facilidade, os princípios de sorrisos que ela reprimia para não me dar corda e mais ainda quando ela lutava para se render a mim e sempre no final acabava por ser algo tão alucinadamente forte e incrível que me fazia repensar minha sanidade. Tudo nela chamava minha atenção, mas sua indecisão me machucava, totalmente, apesar de eu dizer que estava tudo bem... Mas não estava mesmo. Sou paciente, porém há coisas que doem demais pra se fingir que não acontece. Um suspiro involuntário escapou de meus lábios.

–Ela parece ser difícil!- Rob comentou parecendo adivinhar meus pensamentos.

–Parece né? Pura verdade- deitei a cabeça no braço para elevá-la e olhei na direção do quarto- Escalar o monte Everest com os dentes, sendo banguela e sem usar as mãos é fichinha perto da complexidade de Quinn. Eu mais que ninguém sei disso.

–Você a ama?

–Acho que desde a trombada gostosa no posto de gasolina. Quando eu dei a bela de uma reparada nas pernas maravilhosas dela. Seus olhos me queimam, irmão- falei de forma dramática, sacudindo Rob enquanto ela se acabava de rir de minha situação- E aquele corpo? Dios, perfecto, totalmente perfecta visión de la quema de paraíso.

–Que bueno!

–Sí, Hermano... Que bueno! Mucho mucho.

–Por qué no dices eso?

–Peor que dije, pero em lugar de recibir uma reciprocidad, viene con um ‘’ah, San, lo siento, pero tengo que madurar algunas cosas. Mi atención se centra en esta misión’’. Solo bla bla bla- disse a ele que eu já a tinha dito que a amava, só que em troca recebi um ‘’me desculpe’’, e não existia nada mais frustrante. Quando dei por mim já havíamos engatado uma conversa em espanhol e nem nos demos conta disso. Papai era filho de espanhóis e apesar de ele nascer nos Estados Unidos, não deixaram suas raízes serem esquecidas e o idioma era predominante em casa. Da mesma forma ele criou a mim e a meus irmãos no Texas e pelo visto Rob também, pois seu espanhol era perfeito.

–Isso te deixa mal, não é?- deitou de lado para me fitar com aqueles olhos grandes azuis.

–De certa forma sim, mas nada do que eu já não esteja acostumada- tentei não demonstrar minha frustração, mas estava muito amuada pra isso. Rob tocou meu braço em uma forma de tentar me passar tranquilidade.

–Vai dar tudo certo. Não entendo muito dessas coisas de relacionamentos, mas sei que mulher é um ser complicado e que paciência e muito chá de camomila é a chave pra conviver com vocês.

–Mulheres são complicadas?- arqueei a sobrancelha em sua direção.

–Oh, se são! Vocês perguntam, vocês mesmas respondem e ficam com raiva da própria resposta. Dios, como uma cebola... Muitas camadas.

–Você está me saindo um belo de um machista- bati em seu braço e ele riu.

–Mas é a pura verdade. Fico imaginando uma relação entre duas mulheres. Jesús, não sei como ainda estão vivas.

–Nem eu- torci o nariz, lembrando dos ‘’arranca rabos’’ que eu já tive com Quinn nesse tempo todo de convívio e acabei rindo do nada, pois eram hilárias as vezes que isso acontecia- Essa conversa toda me deu fome.

–Em mim também- Rob alisou a barriga sinalizando isso.

–Vamos ver se sobrou alguma coisa do jantar que Quinn preparou- eu me levantava ao falar- Eu queria que ela dirigisse tão bem quanto cozinha. Acho que ela só vai aprender a fazer uma baliza quando fogão vier com ré- Rob gargalhou me acompanhando até a cozinha.

–Que está sendo machista agora, hein?- cutucou brincalhão.

–Só digo a verdade- dei de ombros. De repente parei bruscamente Rob- Não conte a ela que eu disse isso ou terá uma irmã a menos. Quinn zangada é o debônio.

–Só se me der o maior pedaço da torta de chocolate que ela fez de sobremesa.

–Ah, não moleque. Isso não é negociável... – saímos correndo até a cozinha e o céu foi o limite depois.

////////////////////////////

Fomos dormir tarde naquela brincadeira, nunca tinha me divertido tanto como ficando de bobeira com o moleque. Realmente era muito bom ter um irmão que significasse mais do que apenas ser filho do mesmo pai ou da mesma mãe, mas sim alguém amigo e confidente, sem falar que te diverte com as coisas mais simples que existem. Com Rob parecia que eu havia voltado a ser criança. Em um momento estávamos muito melosos eca, depois rolávamos na porrada e era gargalhada o dia inteira. Ele era muito tímido, mas mesmo assim sabia ser engraçado e divertido. Fizemos uma bela bagunça na cozinha que Quinn quase nos fez limpar com a língua.

Falando nela, depois da conversa que tivemos na cozinha, ainda não tínhamos conversado sobre aquele assunto e um mês acabou se sucedendo nisso. O aparelho rastreador ainda não tinha dado sinal de vida, o que visivelmente notava uma enorme preocupação da loira com isso, mas eu não tomei parte, deixei que se ela precisasse de ajuda que me pedisse. Não ia ser grudenta demais com ela, ficar tentando forçar que ela gostasse de mim. Se isso acontecesse viria naturalmente, mas não escondo o quanto isso me frustra. Não estávamos brigadas, nem nada parecido, só resolvi dar espaço a ela, não queria sufocá-la, por que apesar de eu dizer que teria paciência com o tempo que ela havia me pedido, não conseguia ficar perto dela sem evidenciar o quanto eu a amava e desejava. Convenhamos agora que ninguém aguentaria ficar perto de quem se gosta nessas circunstâncias, então eu optei em ficar quietinha no meu canto, como uma criança tranquila que eu nunca fui.

Eu até que estava gostando de ficar nessa casa mal assombrada do bem, já não me incomodava tanto depois de um mês que eu estava aqui, no entanto eu estava entediada agora. Nossinhora! Rob havia saído pra comprar umas coisas que Quinn havia pedido na cidade mais próxima, a loira tinha se enfiado eu sei lá onde e eu estava toda avoada, sem ter o que fazer e comecei a girar não chão feito um tatu eletrocutado. Depois que eu fiquei putamente tonta, comecei a andar pela casa na procura do que fazer melhor, parando um pouquinho na cozinha pra tomar água, no intuito de aliviar meu enjoo por ficar rodando. Sério, sou 90% retardada e os 10% restantes é de tapada. Eu hein!

Quando cheguei na sala, me deparei com o piano lindamente negro de meu pai. Mordi o lábio inferior sentindo dar aquela pontadinha infantil de vontade de bulinar. Fazia anos que eu não sentava de frente a um piano, era uma das atividades que meu pai me fazia praticar na infância e essa era a que eu menos reclamava em fazer. Não era lá tão ruim. Deslizei os dedos por todas as teclas sentindo sua textura, ousando arriscar algumas notas para checar sua afinação e estava razoável. Em um suspiro de pensamentos fechados, minha mente se focou no que já me aconteceu e está acontecendo,transformando-se em uma melodia aleatória, mas que tinha todo significado pra mim. Isso saltou direto de meu peito como uma flecha a mil quilômetros por hora e no ar se desfragmentou, impregnando o ambiente. Precisava nesse momento exorcizar o que eu sentia.

////////////////////

POV QUINN

Um mês havia se passado como um raio. O aparelho rastreador de meu pai ainda não havia destravado e isso me preocupava. Nem quero imaginar o que pode nos acontecer se ele parar de funcionar, entretanto, embora meu receio acima disso, algo estava tomando meus pensamentos... Santana Lopez. No que se perdurou nesse mês ela quase não falou comigo. Até mesmo suas brincadeiras e piadas de sempre em relação a mim estavam ficando escassas. Ela dormia mais com Rob que comigo e raramente me fazia uma carícia ousada enquanto estava deitada comigo em sua cama. Era mais carinho e eu percebia que me encarava durante o sono, não sei. Não lembro de ter dito algo que pudesse a chatear, a não ser pela conversa que tivemos depois daquela brincadeira infantil na cozinha. Será que esse é o motivo pelo qual estava me ignorando? Será que ela já se cansou de mim?

Eu estava no quarto de Santana terminando de ler meu livro da Becca Fitzpatrick, Sussurro, que ganhei de meu tio Lipe, que alegou ser um ótimo livro. No início não me simpatizei muito pelo livro, pois não era muito de meu feitio, mas o seu decorrer era incrível, instigante, belo e provocante. Concordei internamente com meu tio sobre o livro, adorei, passou a ser um de meus preferidos. Bem, estava tão entretida com o livro quando uma linda melodia alcançou meus ouvidos e logo em seguida uma voz a complementou divinamente, me prendendo por incontáveis minutos.

What would I do without your smart mouth
Drawing me in and you kicking me out

Got my head spinning, no kidding
I can't pin you down
What's going on in that beautiful mind
I'm on your magical mystery ride
And I'm so dizzy, don't know what hit me

But I'll be alright

O que eu faria sem sua boca esperta
Estou me arrastando e você me está me dispensando

Estou com a cabeça a mil, sem brincadeira
Não posso te forçar a nada
O que está se passando nessa bela cabeça
Estou passando pelo seu mistério mágico
E estou tão confuso que não sei o que me atingiu
Mas eu vou ficar bem

My head's under water
But I'm breathing fine
You're crazy and I'm out of my mind

Minha cabeça está embaixo da água
Mas estou respirando bem
Você é louca e eu estou fora de controle


'Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I'll give my all to you
You're my end and my beginning
Even when I lose I'm winning
'Cause I give you all of me
And you give me all of you oh


Porque tudo de mim
Ama tudo em você
Ama suas curvas e todos os seus limites
Todas as suas perfeitas imperfeições
Dê tudo de você para mim
Eu te darei meu tudo
Você é o meu fim e meu começo
Mesmo quando perco estou ganhando
Porque te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você oh

Desci correndo guiada pela música e me deparei com Santana ao piano, em uma bolha que a isolava do restante do mundo. Estava de olhos fechados e cantava e tocava com tanta paixão que parecia que seus dedos sequer tocavam as teclas do instrumento. Acabei por me encantar com aquela visão como uma boba. Eu sabia que ela tocava desde criança, mas não fazia ideia que tinha uma voz tão linda e perfeita, causadora de anestesia na mente de uma forma tão gostosa que não se quer escutar mais nada na vida, só aquilo, apesar da música ser um tanto triste e romântica ao mesmo tempo.

How many times do I have to tell you
Even when you're crying you're beautiful too
The world is beating you down
I'm around through every mood
You're my downfall, you're my muse
My worst distraction, my rhythm and blues
I can't stop singing
It's ringing, in my head for you
Quantas vezes tenho que te dizer
Que mesmo quando você está chorando você continua linda
O mundo está te massacrando
Estou por perto a todo o momento
Você é minha ruína, você é minha musa
Minha pior distração, meu ritmo e tristeza
Não consigo parar de cantar
Está tocando uma música em minha cabeça para você

My head's under water
But I'm breathing fine
You're crazy and I'm out of my mind

Minha cabeça está embaixo da água
Mas estou respirando bem
Você é louca e eu estou fora de controle


'Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I'll give my all to you
You're my end and my beginning
Even when I lose I'm winning
'Cause I give you all of me
And you give me all of you

Porque tudo de mim
Ama tudo em você
Ama suas curvas e todos os seus limites
Todas as suas perfeitas imperfeições
Dê tudo de você para mim
Eu te darei meu tudo
Você é o meu fim e meu começo
Mesmo quando perco estou ganhando
Porque te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você oh
Me dá tudo de você

Ousei me aproximar, sentando ao seu lado no banco do piano. Ela ao menos me notou fazer isso, apesar de tão próxima de si. Deus depositou todo seu carinho na voz daquela latina inconsequente. Nossa, como canta bem! Não sei sequer caracterizar seu tom como não sendo divino e surreal. Mas... Essa música, não sei, parecia endereçada a… Mim? Espera, ela estava cantando pra mim? Não… Era sim pra mim. Deus, vou chorar… O que isso significa? Fiquei confusa agora. Acho que era a emoção que ela colocava na música, não sei, era um tom triste, mas apaixonado como eu havia dito. Eu estava a fazendo mal por me amar, era isso?

Give me all of you

Cards on the table, we're both showing hearts
Risking it all, though it's hard

Me dá tudo de você

As cartas na mesa, estamos mostrando os nossos corações
Arriscando tudo, apesar de isso ser difícil


'Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I'll give my all to you
You're my end and my beginning
Even when I lose I'm winning
'Cause I give you all of me
And you give me all of you

Porque tudo de mim
Ama tudo em você
Ama suas curvas e todos os seus limites
Todas as suas perfeitas imperfeições
Dê tudo de você para mim
Eu te darei meu tudo
Você é o meu fim e meu começo
Mesmo quando perco estou ganhando
Porque te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você oh



I give you all of me
And you give me all of you oh

Te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você oh

Ela finalizou a música e ficou por mais alguns segundos de olhos fechados, como se retomasse o fôlego.

–Nossa, isso foi incrível!- comentei quebrando o silêncio e ela se assustou.

–Santa madre de Diós, cabrita lilás... Que susto dos infernos, Fabray- ela pôs a mão no peito ofegante, quase caindo do banco, o que me fez rir- Céus, quer que eu morra de susto, garota? Quase que meu coração para.

–Você que estava concentrada demais e não percebeu que eu me aproximei. Se fosse uma cobra te morderia- cutuquei suas costelas de forma brincalhona, totalmente fora do meu normal de agir com ela. Santana revirou os olhos em resposta. O que foi isso? Inversão dos papéis?- Hey, eu não sabia que cantava tão bem. Está de parabéns, linda música pra uma mais linda ainda voz.

–Obrigada- ela agradeceu timidamente, amaciando o braço de forma desconcertada.

–Não sabia que você tinha a capacidade de ficar tímida- brinquei sorrindo.

–Claro que fico, você que nunca me elogiou antes pra que eu ficasse assim.

–Tudo bem então- ela deu de ombros, começando a brincar distraidamente com algumas teclas do piano. Parecia distante- Faz tempo que não toca?

–Alguns anos. Achei que seria legal fazer mais uma vezinha de nada.

–Deveria fazer mais coisas desse tipo, é realmente muito lindo. E a música...

–O que tem ela?- perguntou um tanto hesitante, afastando algumas mechas de seu cabelo negro que caiam no rosto.

–Nada. Como disse antes, achei linda. Como se chama?

–All of me do John Legend. Tina que me indicou e achei significante, pois quando alguém se entrega por completo a alguém, acaba aprendendo a agraciar tudo nessa pessoa. Até seus piores defeitos e incertezas. Mesmo que estes às vezes acabem lhe machucando- ela disse em um levantar de sobrancelhas e um bico emburrado nos lábios. Espera... Isso foi uma indireta? Não, foi sim uma indireta, que doeu por sinal.

–Imagino que seja- optei em dizer apenas isso. Seus olhos indicavam cansaço e me fitavam serenamente e de forma questionadora, mas sexy. Sua boca era tão chamativa, até mesmo quando não estava com aquele sorrisinho torto de provocação e afronta com minhas estruturas que sempre acabavam tremidas por ela. Automaticamente ou magneticamente, escolham vocês, eu fui me aproximando dela. Levei as mãos a sua cintura e minha boca a dela, porém para meu desprazer ela se afastou a milímetros de que eu conseguisse lhe beijar. Franzi o cenho e a boca ao mesmo tempo, formando uma careta de confusão. Fazia tempo que não trocávamos um beijo mais intenso e mesmo assim ela nunca me negou um- O que foi?

–Nada- deu de ombros e apoiou o cotovelo no piano com o olhar perdido em alguma coisa dali. Estava dispersa, sua atenção não estava aqui, nesse tempo... Achei até engraçado, apesar de estranhar. A imitei no gesto de encostar-se ao piano e busquei seu olhar naquela posição. Estava visivelmente entediada e parecia ter algo mais. Deslizei para mais perto dela e alisei com a unha do indicador de seu joelho até a cintura e ela apenas olhava pra direção de meus movimentos sem expressar nada muito grande. Em mais uma tentativa de conseguir um beijo seu, segurei seu maxilar e o trouxe pra mim. Nossos narizes se tocaram e uma dança de minha cabeça foi iniciada para ganhar seus lábios, mas sem sucesso, pois ela se virou no mesmo instante, me fazendo beijar sua bochecha.

–Sério, o que foi? Estou com mau hálito ou o que?- perguntei já ficando irritada com sua indiferença comigo. Geralmente era ela que iniciava algo entre a gente. Sei que não temos nada sério, mas eu precisava agora urgentemente de um beijo seu. Parecia provocação.

–Já disse que nada. Estou cansada, só isso. Vou tomar banho. Até mais.

–Tchau- minha voz quase não saiu por tamanha surpresa de seus atos. Fiquei totalmente sem reação vendo-a subir as escadas para seu quarto- Mas o que foi isso?

////////////////////////////////

Depois de uma hora dividida entre tentar descongelar do que presenciei com Santana e tentar me ocupar pra esquecer disso, rumei para seu quarto no intuito de ir tomar um bom banho quente. Não encontrei Santana lá, será que ainda estava no banheiro?

A porta estava entreaberta. Coloquei apenas a cabeça para dentro, checando se a latina havia saído, mas pra minha surpresa a encontrei no local e um detalhe: Ela dormia tranquilamente na banheira. Mordi o lábio tentando lutar contra a vontade de entrar e antes que eu sangrasse a boca, foi o que eu fiz. Entrei, ficando ao seu lado. Santana era tão diferente dormindo. Como se uma pessoa totalmente doce e meiga tomasse conta de seu corpo nesse momento. Ajoelhei-me detrás dela e flexionei as mãos em seus ombros, obstinada a relaxá-la, pois acho que o que tinha presenciado na sala fora um princípio de estresse dela. Só isso significaria sua ausência para meus princípios de tentativa de lhe fazer carinho.

–Quinn?

–Relaxe- ordenei quando ela despertou ao sentir a massagem que lhe fazia.

–O que você está fazendo?

–Tentando relaxar você, para não sentir mais vontade de lhe arrancar a cabeça se for ausente comigo novamente.

–O mundo não gira ao seu redor, Fabray!- ela retrucou com uma voz rouca e gostosa de preguiça. Seus olhos agora fechavam de prazer pelo o que eu lhe proporcionava com a massagem- Cara, que gostoso isso! Aprendeu a fazer aonde?

–É a primeira vez que faço.

–Deveria fazer mais coisas desse tipo, é realmente muito lindo- ela usou minhas palavras de nossa conversa na sala e eu sorri. Escutei um gemi de agrado seu- Devo acrescentar que muito gostoso também.

–Afaste-se, por favor- apesar da expressão educada no final, meu tom de autoridade era forte. Ela me encarou confusa, mas me acatou. Me livrei de minhas roupas sob o olhar pesado e evidentemente de desejo de Santana em meu corpo e sentei-me detrás dela dentro da banheira, voltando com a massagem.

–Isso é bom... Realmente muito bom. Sinto que posso ter um orgasmo com isso apenas- ri com a comparação- Nossa! Hum... – mais um gemido de satisfação de Santana que mexeu com minhas estruturas.

–Você gemendo assim está me deixando excitada- expressei alto, ficando vermelha depois. Não era pra ter saído aquilo. Como resultado escutei uma gargalhada alta de Santana.

–Seus seios rijos tocando minhas costas já te entregaram- ela zombou me fazendo ficar mais desconcertada ainda.

–Santana, pare, está me deixando envergonhada- acertei seu ombro com um tapa.

–A culpa é sua- ela deu de ombros e me encaixei ainda mais a suas costas. Resolvi fazer algo mais envolvente, o que me assustou por que nunca tive muita iniciativa em envolvimentos sexuais como esse- Mas calma que está bom.

–Quem sabe eu possa melhorar?- sussurrei em seu ouvido da forma mais sensual que eu conhecia.

–UI!- ela disse brincalhona, mas dava para perceber nitidamente seu deleite em ouvir aquilo- Será que eu vou gostar disso?

–Quem sabe?- escorreguei as mãos dos ombros de Santana até sua cintura. Uma das mãos parou ali enquanto a outra seguia até sua intimidade. Céus, eu nunca me imaginei fazendo isso com uma mulher e agora estava decidida a fazer aquela latina pagar por ter me ignorado daquela forma... E ela pagaria. Eu tinhas os dedos brincando com seu clitóris, depois escorregando para sua entrada e retornando para o clitóris de forma lenta- Então, está gostando?

–Está me parecendo mais uma tortura, mas vai continua que estou gostando. Um dia você me acompanha.

–Metida!- disse ao seu ouvido, lhe repreendendo com uma senhora mordida na orelha, o que resultou em um gemido forte dela.

–É a realidade.

–Cale a boca e se concentra.

–No que?- caçoou me olhando de canto com um dos seus sorrisos mais safados. Eu apenas sorri de volta e pela primeira vez maliciosa para ela, a penetrando sem pudor algum com dois dedos. Santana cravou as unhas em minhas coxas e quando aumentei o ritmo das estocadas em seu sexo, ela deitou a cabeça em meu ombro e mordeu meu queixo com força. Gemi pela dor gostosa que isso causou- Está se mostrando uma menina muito má, Fabray.

–Nunca disse que eu era boa.

–Até que eu gostei, sabe, moça ‘’sou toda pudores e nhé nhé nhé’’.

–Cale a boca, nem nisso você se concentra- a repreendi com estocadas mais fortes.

–Fazer o que se sou boa com a boca- lambeu meu queixo. Aproveitei para capturar seu lábio superior, puxando-o com pontinha dos dentes. Santana gargalhou zombando.

–Babaca!

–Gostosa- mais uma lambida em meu queixo e com a mão livre estapeei seu braço- Diós, vai lá, Fabray... Estou quase- a vi morder os lábios, elevando a cabeça para o alto em êxtase e arquear ainda mais seu corpo ao meu. Acrescentei um terceiro dedo e me agraciei com o aumento de seus gemidos e alguns gritinhos misturado com uma risada divertida quando toquei seu abdômen e lhe causou cócegas, o que me levou a rir da sua infantilidade até na hora do sexo. Não precisou de muitos movimentos dentro de Santana para que ela viesse a mim logo em um majestoso orgasmo.

–Perfecto!- ela exclamou de forma exagerada- Pausa pra recobrar a consciência e coordenação motora. Brilha brilha estrelinha, Quinn Fabray ninfomaniacou.

–Deus do céu, Santana, você é maluca- comentei, me movimentando detrás dela para mudar de lugar e sentar em seu colo.

–Você só piora a situação- entortou a boca, deitando a cabeça na borda da banheira ainda um pouco ofegante- Agora vem cá. Ainda não estou totalmente relaxada.

–Ai, sua doida- reclamei quando ela me puxou de repente para colar nossos quadris e morder meu ombro.

–Gosto de te ver assim, toda molhadinha, dona muy guapa.

–Você que é uma tosca boa de cama, só isso- ela me encarou com uma expressão fechada por instantes, balançou a cabeça positivamente com o maxilar torto, puxando de forma bruta meu quadril pra se encaixar ainda mais no dela, ditando o movimento de atrito de nossos clitóris.

–Santana- seu nome escapou de meus lábios quando uma onda de prazer se aproximou de meu corpo. Acordei do transe brutal que Santana me cobriu e comecei a me movimentar mais sobre ela, abraçando sua nuca enquanto a sentia subir com beijos até meu maxilar e o morder forte. Os dedos dela deslizavam pelas minhas costas, aplicando quase nenhuma pressão, mais ainda sim mandava ondas de choque pela minha pele. Devagar suas mãos se moveram na minha pele, para o lado do meu estômago para finalmente descansar nas curvas do meu quadril. Abaixo da minha orelha, eu senti seus lábios se pressionarem contra o meu pescoço, seguido por outro beijo um pouco mais abaixo, então outro e mais intercaladamente outros mais intensos...Arqueei a cabeça para dar mais espaço para que ela se apossasse de meu pescoço em chupadas e mordidas urgentes que me fazia gemer como uma louca, tentando repreender a todo custo isso. Santana espalmou as mãos em meu bumbum e ergueu meu corpo para que tomasse meu seio esquerdo ao mesmo que tempo que massageava meu sexo com a ponta dos dedos.

–Hummm...

–Não se prenda, Quinn. Se veio atrás de mim por prazer, tenha menos a gentileza de gemer como manda o script.

–O que?- indaguei sem entender.

–Deixa eu te mostrar o que- sem muita gentileza ela inclinou seu corpo no meu para me fazer deitar do outro lado da banheira, ficando entre minhas pernas, puxando-me pelo quadril sem pudor para encostar nossos sexos vorazmente e começar a se movimentar em mim com força. Eu gemi alto com a violência da cena, que apesar de me assustarem um pouco, só serviram pra aumentar terrivelmente minha excitação.

–Santana!- gritei a plenos pulmões quando mordeu meu seio e se esfregou ainda mais em mim com volúpia.

–Isso, Quinn, se deixe descontrolar. Se voltou é por que gosta de como eu faço com você, de como eu te tomo dessa forma- lambeu do vale de meus seios até a boca, me deixando completamente arrepiada e a seu mercê. Arranhei um pouco acima de seu bumbum, abraçando suas coxas com as pernas, enquanto me perdia em seus movimentos fortes e precisos sobre mim... Céus, aquilo era surreal- Pelo menos nisso você admite gostar de mim, de como transo com você. Ou quem sabe é apenas assim que me quer por perto, como consolo pra sua abstinência sexual.

–Santana, o que... – não consegui formular nenhum argumento ou pergunta para rebater aquela revolta do nada de Santana, pois já sentia o efeito devastador de meu orgasmo se aproximando e comprimindo minha barriga. Ela tinha tomado minha capacidade de raciocínio- Ai, meu Deus- gemi forte, agarrando-me com força a seus ombros enquanto tremia sem limites. O orgasmo de Santana chegou segundos depois, tombando sua cabeça em meu peito ofegantemente — O que... O que... Céus, o que significa isso?

–Que não precisa de mais tempo pra pensar em nada. Já sei pra que eu sirvo pra você e não vou deixar que isso vá adiante- sentia sua respiração quente bater contra minha pele, me arrepiando terrivelmente, pois ainda estava sensível por conta do orgasmo de pouco tempo- Prometi a mim mesma que nunca mais deixaria que me fizessem de idiota e aqui estou eu de novo quebrando minha própria convicção. Não será por que te amo que serei tão ordinariamente submissa a você.

–San, não é isso. Eu nunca faria isso com você. O que foi...

–Você me ama?

–Já conversamos sobre isso- eu mal conseguia manter o olhar no dela. Meu peito ardia como louco de vontade de chorar. Não queria machucá-la. Nunca foi minha intenção, palavra- Foi por isso que eu evitei ao máximo um envolvimento desse tipo com você. Eu temia que chegaria a esse ponto. Tínhamos que nos manter no profissional, mas...

–A idiota aqui se apaixonou- mordi o canto dos lábios, tentando manter o choro preso na garganta.

–Sinto muito por isso, San. Gosto de você de verdade, mesmo.

–Mas não me ama. Relaxa, um dia eu aprendo- saiu sem demora da banheira, parando na porta- Você é fria, Quinn... E o pior que sempre vou amar o inverno- e em seguida se retirou do banheiro sem ao menos usar uma toalha. Como sempre não deixou que eu me explicasse, que eu, sei lá, fizesse algo pra mudar seu conceito sobre mim e me frustrei com isso. Soltei todo choro que eu tinha preso e desabei naquela banheira enorme. Minha cabeça queimava miseravelmente por tudo que aconteceu em tão pouco tempo. Eu magoei Santana, me magoei com isso e agora nem sabia o que pensar sobre nada, a não ser chorar que nem uma idiota. Eu não mereço isso, ela muito menos, mas as circunstâncias nos odeiam.

E sabe o que poderia piorar agora? Um certo aparelho que passou um mês inteiro travado começar a apitar do nada onde o deixei jogado no chão, me dando um certo receio de olhá-lo. Quando tomei coragem para pegá-lo, senti como se achasse a peça que faltava pra desgraça ficar completa... Nosso próximo destino na procura dos chips aparecia na tela e meu peito só apertou quando chequei todas as informações contidas: Dallas, Texas. Exatamente onde Santana nasceu e algo já me fazia temer o local da estadia do chip... Em sua antiga casa, onde a família que ela abandonou há anos mora.

Definitivamente não poderia ficar melhor.

Notas finais
E aêêêêêê... Muito drama, muito sexo, exagerei em alguma coisa? Me clareiem essas coisas, pois tenho medo de deixar a desejar e se ficar ruim e ninguém gostar terei que pegar meu banquinho e sair de fininho kkkk Vamos lá, espero que tenham gostado. Agradeço os comentários maravilhosos de todos. PS: Pessoas lindas de minha vida, to com uma fic nova e Brittana pra quem ama de coçarão. Se chama A liberdade em um olhar. Quem quiser dar uma passada lá e dizer o que achou, será oompalumpamente legal. Agradeço de antemão. PAZ!