Ligadas pelo destino
19 Capítulo 19- Criando laços
Notas iniciais
... O que tem de tão importante pra dizer a mim?- Quinn pareceu pensar por uns instantes e depois de um suspiro revelou:
–Rob é seu irmão- arregalei os meus olhos o máximo que pude.
–Como é que é? Ele é o que?
–Isso mesmo que você ouviu. Ele é seu irmão caçula- ela disse tranquilamente.
–Não... Isso só pode ser brincadeira!- dei alguns passos para trás, retirando algumas mexas de cabelos que caiam sobre meu rosto por conta da água do chuveiro- Não existe chance alguma desse garoto ser meu irmão, Quinn. Ele deve ter uns dezessete, dezoito anos. Nessa época meus pais estavam juntos. Meu pai nunca trairia minha mãe.
–Ao que me parece ele não traiu, Santana- ela se aproximou pegando minha mão, mas cruzei os braços cortando sua ação. Estava com muita raiva para carinhos agora- Se minha opinião valer alguma coisa pra você, acho que deveria falar com o Rob- voltei meu olhar para a água descendo pelo o ralo mais a frente e senti Quinn me encarar sem sair do lugar. Com certeza devia ter um olhar enraivecido pela forma que me portei, mas nem ligava. Não estava em plena consciência, então achei melhor ficar quieta para que não acabasse dizendo algo que machucasse a loirinha... Eu de cabeça quente sou outra pessoa.
–Será que poderia me deixar sozinha agora?- pedi ainda sem encará-la e pude ouvir um suspiro inconformado dela.
–Tudo bem- saiu como um murmuro. Quinn deu alguns passos alcançando um roupão no gancho fora do box. Após vesti-lo, saiu de onde estávamos, mas antes voltou-se fazendo com que eu a olhasse- Santana... Entendo que esteja com raiva pelo o que descobriu, decepcionada até mais por isso, porém Rob não tem culpa de nada. É tão vítima quanto você- eu nada disse, apenas gesticulei com a cabeça que entendia o que ela queria me dizer- Ele sempre quis te conhecer e me parece ser um bom rapaz. Vejo muito dele em você- caminhou até a porta- Olha, Santana... Ele também se sente sozinho.
E com essas últimas palavras, Quinn Fabray me deixou naquele banheiro debaixo daquela água que antes estava incrivelmente gostosa e agora eu nem sentia mais pelo o grau de dormência que eu possuía no corpo. E mais uma vez o destino estava me provando que eu não sabia de merda nenhuma de minha vida e muito menos da de meu pai, que mesmo morto ainda arrumava um jeito pra me atentar. Sério, eu amo meu pai mais que tudo no mundo, mas agora mais que nunca eu queria que ele tivesse vivo para além de abraçá-lo e dizer que o amo demais, lhe dar uns bons cascudos por tudo que andou aprontando por aqui. E agora tinha esse garoto, o Rob. Ainda me custava acreditar que poderia ter um irmão caçula filho de uma mulher que não era minha mãe e que meu pai possa tê-la traído. Não que dona Maribel seja um poço de dignidade, mas poxa, é a mãe dos filhos dele... Não que também os tais filhos valam alguma coisa, por que não... Até eu, humildemente falando. Danilo até que era legal comigo, mas depois que fomos crescendo, sei lá, ele mudou. Ao contrário de Enzo que sempre foi o mesmo demônio das profundezas do quinto dos infernos.
Pense numa pessoa chata, adicione com Satanás e multiplico por um milhão... O dobro disso era Enzo. Sempre enchia meu saco por tudo. Perdi a conta de quantas vezes fiquei de castigo por que ele aprontava alguma coisa ou até mesmo inventava algo sobre mim para que a mamãe me punisse. Adorava ver minha desgraça. Juro tê-lo visto agradecer aos céus quando eu tinha treze anos e rolei ladeira abaixo de bicicleta quebrando o braço, algumas costelas e ainda me ralei toda. Ainda tenho profunda certeza que foi ele que desparafusou a bicicleta para que eu me acidentasse. Mas deixa esse carma pra lá, por que agora pelo visto tem um irmão a mais pra me preocupar.
Encostei a cabeça na parede sentindo-a doer. Mais essa agora... Um irmão. Pelo azar sobrenatural que tenho, vai me dar trabalho que nem os outros. E agora? O que eu faço? Matar o garoto sei que não vou... Mandá-lo embora pode ser perigoso tanto pra ele quanto pra Quinn e eu. Ai, papai do céu... O que eu faço da minha vida? Sempre é assim: Uma felicidade, duas desgraças e uma dedada no olho. Logo agora que a loira pancada e eu tínhamos de alguma forma nos acertado. Foi MARAVILHOSO ao quadrado, cubo e o restante das formas geométricas. Sabe quando agora o sorvete no deserto se deixa ser deliciado? Pois é, agora eu sei. Hive Five! Sorriso modo planta carnívora.
Mas como tudo bom dura pouco, logo meu sorriso morre no momento que recordo do que me aguarda agora. Um certo ruivinho na sala provavelmente esperando que eu fosse falar com ele. E sinceramente, ainda não sei o que fazer quanto a isso. Ele não me parece ser um garoto mal, está mais pra assustado do que assustador, porém uma coisa latejou aqui em minha cabeça. Desde a primeira vez que o vi, senti que tinha algo naquele garoto que me chamava atenção. Cara, não é todo dia que eu entrego um cheque de tudo que tinha pra uma pessoa que eu sequer tinha visto na vida e, que ainda, tinha trocado socos e pontapés comigo.
Depois de mais alguns minutos no chuveiro, me enrolei em uma toalha e fui para o quarto botar uma roupa confortável. A lesão em meu abdômen doía. Notei que Quinn havia ponteado aonde peguei um tiro de raspão. Não é que a loirinha sacava das paradas de curativos? Mas ainda estava doendo e eu precisava de um analgésico urgente ou uma bebida bem forte. Então de uma forma ou outra eu teria que descer e dar de cara com meu suposto irmão caçula que vamos convir... Não parecia nadinha comigo. Era como a beterraba ser irmã da cenoura.
Botei uma blusa larga dos Beatles e um shortinho branco fuleiro feio que só a peste, mas que achava maravilhosamente confortável e desci a passos quase grudados no chão até a sala. Encontrei apenas Quinn sentada a uma das poltronas lendo algum livro em uma língua que só Deus na causa, de pernas cruzadas (gostosamente de forma sensual) e uma xícara provavelmente de café em uma das mãos. Assim que sentiu minha presença, ela elevou lentamente seu olhar até mim, pousou o livro sobre a mesa e sorveu um pouco do conteúdo da xícara.
–Oi- disse afastando o livro sobre a mesa para que eu pudesse me sentar ali, de frente para ela.
–Oi- levemente alcançou meu olhar. Levou a xícara novamente aos lábios- Precisa de alguma coisa?- neguei com a cabeça, lhe enviando um sorriso fraco.
–O garoto foi embora? Não o vi por aqui- chequei pela extensão da sala e o que pude enxergar na cozinha e não havia sinal de Rob.
–Não, está lá fora na varanda desde antes que eu cheguei aqui- inclinei meu corpo para poder vê-lo pela janela. O ruivinho estava sentado sobre a grade da frente, encarando sabe-se lá o que. Suspirei, passando a fitar o joelho da perna cruzada de Quinn. Não estava nem um pouco à vontade com essa situação. Não tenho um histórico muito bom com familiares... Não era nenhum segredo que eles não me tinham em um lugar quentinho em seus corações. Foi por isso que em um jantar de família uma vez eu mandei todo mundo ir se lascar, derrubando a mesa com a comida e saindo gargalhando feito uma retardada maluca metendo o pé até nas galinhas que eu topava pelo o caminho- Não precisa ficar com medo.
–Quem disse que estou?- tentei parecer firme, porém não estava nem um trisco.
–E não está?- Quinn cruzou os braços, encostando-se por completo a poltrona.
–Não.
–Uhum- murmurou com desdém- Percebi.
–Hey, estou tranquila. Ponto!- consertei minha postura para parear nossos olhares. Quinn cerrou os olhos, levemente formando um bico de desconfiança em seus lindos lábios rosados- Pare de me olhar assim senão te belisco. Está me dando agonia.
–Só estou te observando.
–Está?- perguntei de forma maliciosa. Apoiei uma mão na mesa e levei a outra para a franja de maneira sensual- Vai lá... Pode me observar. Posso ficar mais apresentável se quiser- levei as mãos para a barra da blusa, fazendo menção de tirá-la. Quinn acertou minha perna com o livro pra eu parar- Quê? Só estou ajudando você a me observar.
–Santana... – apontou em minha direção como advertência- Deixe de brincar. O assunto é sério.
–Ok, parei- levantei as mãos me rendendo- Só queria descontrair.
–Acho bom você parar de tentar descontrair e ir logo falar com seu irmão. Está me dando dó vê-lo daquela forma.
–Se faz tanta questão, por que não vai você falar com ele? Está até com peninha do garotinho assustado- falei em um misto de petulância, desdém e uma possível pontada de ciúmes. Quinn não era de se opor por alguém, muito menos uma pessoa que não conhecia.
–Simplesmente por que o irmão é seu e não meu- ela rebateu rispidamente, mas com elegância. Isso é possível?- Se tiver um pingo de coerência e sensatez nessa cabeça que eu desconfio ser acéfala, irá falar com o rapaz.
–Ainda estou decidindo se devo- foi minha vez de cruzar os braços e fazer bico.
–Claro que deve. E uma coisinha, Santana... Você vai- acertou meu braço com o livro não muito forte, mas o suficiente pra doer e eu soltar um palavrão daqueles que a fez fazer cara feia pra mim- Ande, vá falar com seu irmão agora.
–Não vou!- exclamei decidida e ficando emburrada- Você não pode me obrigar a fazer isso.
–Ah não?
–Não- dei de ombros desdenhando- Nada que disser fará que eu mude de ideia.
–Nada de sexo por tempo indeterminado.
–Rob! Já estou indo, meu rapaz. Não saia daí pelo amor de Deus- disse agoniada, levantando e indo até a porta. Quinn gargalhou me observando sair- Sua monstra sem coração- me dirigi a ela da porta, tinha um sorriso de vitória desenhado nos lábios. A loira fez um gesto pra que eu seguisse e foi o que fiz bufando mais que tudo na vida.
Ao sair, o encontrei sentado no mesmo lugar. Tinha a expressão em um misto de serenidade e preocupação, a mesma que vi quando nos encontramos no galpão. Era um rapaz bonito, mas de aparência assustada, daquelas que se deduz ter de alguma forma sofrido muito na vida. E era apenas um garoto, tão novo pra ter tanta expressão de sofrimento. Isso de alguma forma me doeu. Teria algum significado? Bom, acho que descobriria agora.
–Hum, Hey!- limpei a garganta para me pronunciar.
–E aí?- ele virou-se pra mim em um sorriso tímido, porém com os olhos úmidos. Parecia estar chorando. Ao me aproximar notei que tinha em mãos a foto de uma mulher tão ruiva quanto ele.
–Bonita moça- comentei sentando ao seu lado na grade- Namorada?
–Minha mãe- respondeu sorrindo tenramente pra foto- Se chamava Eleonor.
–Ela...
–Faleceu- engoli minhas palavras ao ouvir aquilo- Assim que você me deu aquele cheque, imediatamente corri pra casa para contar a minha mãe que havia conseguido o dinheiro para sua cirurgia- ele pausou, deixando escapar um suspiro triste- Mas quando eu cheguei vi um monte de carros estacionados em frente e alguns paramédicos saírem da casa com algo em um saco preto em cima de uma maca... Era minha mãe, ela se foi e eu não estava lá pra me despedir- ele tentou segurar, mas quando me aproximei tocando seu ombro, deixou-se cair em um choro sofrido. Aquilo me doeu de verdade. Sabia muito bem que sentimento de perda era aquele. Quando perdi meu pai achei que nunca conseguiria me recuperar da dor terrível que isso causa.
–Eu sinto muito, garoto. Sei bem como é isso- acariciei suas costas para lhe passar tranquilidade.
–Imagino que sim, quando o nosso pai morreu deve ter sido difícil pra você também, não foi?- ele perguntou enxugando os olhos para se recompor. Isso foi o suficiente pra que eu recuasse pro outro lado, sentindo-me incomodada pela pergunta. Não pela pergunta em si por que foi sim muito difícil aceitar que meu pai havia partido, me deixando sozinha nesse mundo maluco, mas foi pelo ‘’nosso pai’’ que ele disse. Isso ainda me intrigava e eu precisava de 100 % de certeza desse fato.
–É por isso que vim falar com você, garoto. É mesmo meu irmão como disse a Quinn?- ele baixou o olhar começando a brincar com as mãos- Diga a verdade. Não farei nada a você se estiver mentindo a mando de alguém. Deixarei que vá embora são e salvo- sim, isso foi uma ameaça amigável- Agora se persistir na mentira, sujando a imagem de meu pai... Não vou poder garantir sua segurança, por que tenho toda certeza do mundo que as mãozinhas delicadas da Quinn não vão conseguir me controlar quando minhas mãos alcançarem seu pescoço. Aí cosas malas podem acontecer. Compreendes?
–S-sim, San-San-San- dei um tapinha nas costas dele pra ‘’desengagar’’.
–Viu? Deu pra notar que eu sou uma irmã bem carinhosa, então vamos ao que interessa pra eu não precisar mostrar o quanto carinho ainda posso dar- brinquei apoiando o cotovelo a minha coxa, levando o punho ao queixo. O encarei atenta.
–Eu não... – pausou como se buscasse coragem de continuar- Não estou mentindo, Santana. Apesar de tudo que está acontecendo, de eu me sentir perdido nesse labirinto de confusões lançadas em mim em menos de uma semana, digo a você com todo orgulho no mundo que sou Robert McCurdy Lopez. Filho de Eleonor McCurdy e Antony Lopez- disse tão seguro de si que por um segundo cogitei em acreditar no que ele dizia. 1... Passou o segundo.
–Tudo bem, Robert Mc não sei o que Lopez. Me conte sobre ‘’nosso pai’’- fiz aspas com as mãos, com olhar de descrença pra cima do garoto.
–Não, deixa pra lá. Você não está levando isso a sério- saltou da grade e se pôs a andar bravo. Fiquei tentada a deixá-lo ir e me livrar de um problema, mas algo começou a apitar em minha cabeça para segui-lo.
–Oh merda de vida. Eu mereço!- pulei de onde estava sentada e sai correndo descalça pela neve no encalço do moleque emburrado- Hey, moleque, espera aí- alcancei a barra de sua blusa e a puxei para que parasse de andar- Calma, sô. Olha, me desculpa, ta? Não foi minha intenção chatear você. Mas poxa, alivia aí pra mim. Não é todo dia que se descobre que o pai tinha um caso com outra mulher e consequentemente um filho com ela.
–Meus pais não tinha um caso. Eles eram casados- falou em tom bravo. Ele revirou os olhos e continuou a andar. Fiquei socando o ar por querer dar meia volta e ir embora, mas não conseguir.
–Espera, moleque. Até parece que é filho da Fabray- o alcancei novamente- Cara, estou tão confusa quanto você, entende? Não posso simplesmente dar de cara com alguém que diz ser meu irmão, abrir os braços e dizer ‘’ah, vem cá, mano... Dá cá um abraço... Quer uma cerveja?’’- disse com sarcasmo, gesticulando freneticamente. Ele apenas me encarava com um olhar de mágoa- Será que a gente poderia conversar lá dentro que está bem quentinho?- abracei o corpo em busca de me aquecer. Rob mudou seu semblante pra preocupado e rapidamente me pegou no colo, apertando-me em seus braços (até que fortes) e se pôs a andar até a casa.
–Deus, Santana. Você não pode ficar nesse frio. Está debilitada- disse um tanto agoniado. Minha cara era daquelas que não entende porra nenhuma e fica parecendo uma retardada de boca aberta.
–Hey, cara. Estou bem- cerrei os olhos lhe encarando enquanto me levava de volta para a varanda. Sentou-se comigo ao seu lado, me envolvendo a uma manta que achou não sei aonde.
–Onde você...
–Eu preciso te aquecer- ele cortou minha pergunta, friccionando suas mãos em meus braços- Como pode andar com roupas impróprias pra esse frio e ainda correr pela neve descalça? Quer ficar doente? Devo concordar com Quinn quando diz que você é totalmente maluca, Santana- fiquei o encarando sem ação por tamanha preocupação para com minha pessoa- Precisa tomar cuidado. Por favor, não se...
–Hey, calma, moleque. Estou bem, é sério- toquei seus ombros para que parasse. Seu olhar mantinha-se triste, parecia realmente verdadeiro, eu sentia isso... Droga, céus, esse garoto seria mesmo meu irmão?- Rob, poderia me contar tudo que sabe, por favor?- dessa vez fui sincera com a pergunta. Profundamente Rob sugou o ar, enriquecendo os pulmões com o oxigênio gelado do Alaska.
–Minha mãe uma vez contou como conheceu nosso pai- ele começou. O encarava atenta procurando não interromper- Foi no colégio, quando ambos começaram o ensino médio. Eles acabaram se apaixonando, ficaram juntos por um tempo até sua mãe aparecer dizendo que estava grávida dele. Eles já haviam tido um rolo antes, ao que me parece. Papai íntegro como era, não deixou que a garota ficasse mal falada e se casou com ela. Falei com papai. Ele me confirmou os fatos e disse que nunca amou sua mãe, mas tinha responsabilidades com ela- aquilo bateu em meu peito como o Wreking Ball que eu dei nos bandidos no galpão.
–Quer dizer então que meu pai nunca amou minha mãe?- ele confirmou com um sorriso fraco de canto- Se não a amava por que ainda teve mais dois filhos com ela?
–Ele queria de alguma forma aprender a amar sua mãe e ter filhos com ela talvez fizesse algo que não fosse carinho virar uma coisa maior, mas nunca foi. Sempre amou minha mãe- encostei as costas no banco, entortando o maxilar e afagando os cabelos, descrente do que eu estava ouvindo. E quanto mais cavava... Nossa!
–Como aconteceu entre o papai e sua mãe? Digo, quando eles voltaram a se ver?
–Há uns dezenove anos. Parece que papai havia rompido com Maribel antes de sair em missão na áfrica. E por uma coincidência maluca, acabou encontrando minha mãe que na época era enfermeira do exército. Reacendeu o que o destino apagou, resultando no reatar de seu romance, um casamento na base e um ano depois em meu nascimento.
–Mas eu me lembro muito bem que nessa época ele ainda voltava pra casa em suas folgas e era as mil maravilhas com a mamãe, como um casal normal seria- isso saiu mais pra mim mesma do que pra Rob, procurando brechas pra quebrar essa fachada que estava cada vez mais transparente.
–Era tudo farsa. Ele fazia isso pra manter um ambiente familiar equilibrado pra vocês- finalizou fitando suas mãos que tinham os dedos entrelaçados. Um silêncio torturante se instaurou naquela área da frente da casa. Em minha cabeça as famosas minhoquinhas começaram a fazer uma balada heavy metal.
–Aquilo poderia ser tudo, menos um ambiente familiar. Muito menos ainda equilibrado- disse já exaltada. Me levantei começando a andar de um lado pro outro em total confusão. Acho que tinha perdido a capacidade de raciocinar como um ser humano normal- Eu estou tentando fixar essa merda em minha cabeça. Não consigo acreditar que tudo que vivi era a porra de uma mentira. E eles lá, dois fingidos que não podiam olhar na cara da merda dos filhos e falar o cacete da verdade. Que droga!- chutei algo que não sabia que estava grudado no chão, machucando meu pé- Desgraça de vida!- vociferei massageando o pé. Rob fez menção de se levantar pra me ajudar- Não, fica bem aí. Não vai querer chegar perto de mim agora. Sou capaz de arrancar sua cabeça com um tapa- gesticulei fechando o punho com ódio. Sentia que minha cabeça queimava em brasas... Meu cérebro roia aos poucos em uma dor agonizante, mas com certeza não doía mais que meu coração- Eu... Eu não tive vida. Simplesmente vivi a merda de um teatrinho que os covardes de meus pais inventaram pra manter a imagem perante pessoas com as almas mais nojentas que o pior lixeiro do mundo.
Bufei sentindo a cabeça querer sair do corpo de tanta raiva. Eu lutava pra não deixar que minhas lágrimas caíssem por quem não merecia agora. Estava realmente com muita raiva, como nunca estive antes. Saber que meus pais fingiam estar juntos enquanto ele tinha outra família, uma de verdade, vivendo talvez bem melhor com um filho, me arruinou os pensamentos. Deus, quando isso ia melhorar? Rob permanecia em silêncio, apenas me observando em uma revolta sofrida chutando e socando tudo que eu encontrasse por perto.
–Eu valho tão pouco assim pra não saber da situação de meus próprios pais? Eu não passo de uma nada mesmo...
–Não!- Rob se pronunciou do nada, me assustando- Nunca mais diga isso, San. Você não é um nada. É a pessoa mais incrível e determinada que eu tive a honra de conhecer- eu parei com a revolta, o encarando ofegante e surpresa por suas palavras- E eu sempre quis te conhecer, desde que meu pai me contou que eu tinha uma irmã mais velha que valia a pena tomar como exemplo. Confesso que no início senti ciúmes da maneira admirada e orgulhosa que ele falava de você pra mim e de como você era a única coisa que ele não se arrependia de sua antiga vida. Mas depois, passei a sentir admiração e encanto por essa irmã tão legal, descolada, de coração puro e que quis todos os dias no infinito de meu ser conhecer. Por que é um pedaço bom desse mundo tão maluco e que eu, mesmo sem te conhecer pessoalmente, já sentia um orgulho tão grande de você. Mas não tão grande quanto o amor que eu já tenho por minha irmã maluca, mas maravilhosamente perfeita como ser humano- meu coração pareceu que parou em meu peito e sumiu. Meu estômago já havia entrado em convulsão e se inquietou dentro de mim. Só Deus sabe o quanto aquelas palavras me atingiram.
Rob ainda estava sentado e agora parecia mais vermelho do que era o seu normal. Estava desconcertado pelo desabafo, mas ao mesmo tempo aliviado por tê-lo feito. Eu ainda estava ofegante, comecei a sentir arder os olhos por conta das lágrimas que eu tentava com todas as forças segurar, mas essas filhas de uma mãe me traíram e em cascata escorregaram por minhas bochechas que eram vizinhas de um bico infantil de tristeza com uma pontada filha da puta de felicidade por que parece que agora eu teria alguém do meu sangue, vivo devo ressaltar, que parecia me amar. Acho que se fosse dar uma nota pela bobeira que eu estava agora, olhando pra meu irmão caçula recém-descoberto das profundezas das safadezas de meu pai, eu diria que ia além de uma dízima periódica, mas sim todos os infinitos números matemáticos.
–Hum, sabe, moleque... Quanto ao que eu disse sobre dar um abraço em um irmão que aparecesse do nada... Sabe que eu blefei, não é?- ele abriu um sorriso tão lindo quanto o que só meu pai sabia dar quando eu o fazia sorrir, que engoli todas as palavras negativas a ele... Rob era realmente meu irmão, eu senti e sinto isso... Agora mais ainda. Em um impulso ele correu até a mim e me envolveu em um abraço tão apertado que acho que perdi umas três costelas e estourou o silicone que eu não tinha... Mas que se dane... O moleque é meu irmão, cara!
–Céus, não sabe por quanto tempo eu sonhei com isso- ele disse me apertando ainda mais. Eu tinha a cabeça encostada a seu peito, apesar de novo o moleque era grande e forte. Nossa, era tão confortante, como se eu já o conhecesse há tanto tempo... Como já fosse parte da minha vida só que andava perdido de mim- Achei que me mataria quando soubesse que o papai teve um filho com outra mulher.
–Não risque essa possibilidade... Ainda estou decidindo- disse enxugando as lágrimas agora de felicidade e riu disso beijando o topo de minha cabeça.
–Pode deixar, ficarei atento- foi minha vez de rir- Vem cá. Aqui está frio- me puxou para retornar ao banco, sentando-se comigo e me envolvendo com a manta. Encolhi as pernas, tocando meus joelhos a suas coxas e ele me abraçou pela lateral do ombro. Ficamos em um silêncio confortável agora, o fitei de onde estava, analisando seu perfil enquanto perdia o olhar no teto. Era um rapaz muito bonito, forte, mas parecia um pouco inseguro. Não tão diferente de mim, mas não diria que fosse meu irmão se tivesse que deduzir, a não ser por um detalhe.
–Você tem o sorriso do papai- comentei quebrando aquele momento de calmaria entre a gente. Toquei a lateral direita de seu pescoço- Ele também tem esse sinal feio no pescoço... Parece uma folha de maconha com prisão de ventre- ele sorriu fazendo careta.
–E você é ele por completo. Até esse negócio que faz com a sobrancelha- ele imitou um gesto que eu nem sabia que eu fazia com tanta frequência, levantando-a enquanto ri de canto. Algo meio sacana- É como se o tivesse vendo agora em minha frente.
–Não acho... O pai não era gostoso assim como eu- pisquei sapeca.
–E humilde, diga-se de passagem- ele caçoou rolando os olhos, ri batendo em seu ombro- Me desculpe.
–Pelo o que?- me ajeitei no banco para que pudesse ficar da altura de seus olhos mais azuis que os de Brittany (momento boa nostalgia... IHUUUU). Que Quinn nunca aprenda a ler pensamentos, pelo amor de Deus.
–Penso que de alguma forma tenho culpa do que aconteceu...
–Hey, tem não... Você nem era nascido- puxei seu queixo para que voltasse a me encarar- Muitas vezes sofremos por escolhas alheias. Só lamento que você esteja passando por isso sendo tão novo. Mas relaxa, acho que São Pedro já deve ter dado uma boa chinelada no traseiro do papai por ele ser tão safado- Rob trocou o olhar sério por uma sonora gargalhada que eu acabei acompanhando por ser tão gostosamente contagiosa. Ele encostou sua testa a minha em um gesto carinhoso e acariciou minhas bochechas com os polegares.
–Pode parecer exagerado, mas me preocupo demais com você. É só o que tenho no mundo agora e manterei firme minha promessa a você, serei fiel e leal por tudo que me fez e agora mais ainda que descobri que é minha irmã. Papai ia querer que eu ficasse com você e te ajudasse.
–Não sei, acho perigoso pra você se meter nisso, moleque- o adverti, lhe lançando um olhar hesitante. Não sabia o que ainda nos aguardava e nem se eu iria continuar com aquilo- Tem certeza que é isso que vai querer pra você?- ele respirou fundo antes de responder:
–Minha vida estará aonde você estiver, minha irmã- tentei engoli o nó que se formava em minha garganta, querendo chorar de novo. Tentei apenas sorrir, beijando sua bochecha demoradamente.
–Não adianta tentar me conquistar por que sou gay até o último fio de cabelo da minha sobrancelha- empurrei seu ombro pra se afastar e me levantei. Ele riu. Estendi a mão pro ruivinho- Vem cá, vamos pra nossa casa.
///////////////////////////////////
Retornamos pra sala, ele ia me contando umas coisas de sua infância pelo o curto caminho e nos deparamos com Quinn de aparelho em mãos quase grudado na fuça, com uma expressão de chateação no rosto. Pareceu não notar nossa presença, Rob sentou-se em uma poltrona de frente a ela enquanto eu me posicionava ao seu lado no grande sofá marrom da sala.
–Que cara é essa, loirinha?- perguntei olhando o aparelho por cima de seu ombro. Ela bufou o jogando em cima da mesa.
–O rastreador está travado. Não me deixa analisar o chip que você conseguiu no galpão- encontrou as costas no sofá massageando as têmporas.
–Não funciona mais?- perguntei com uma pontada de preocupação na voz. Rob apenas observava nossa interação.
–Funciona sim, mas depois que tentaram invadir seu sistema, ele se alto protegeu e acho que agora está reparando algum dano ao programa que Hataki inseriu nele. Só depois que destravar vou poder saber o que se deu a isso tudo- ela disse frustrada. Passei meu braço por ela, alcançando seu ombro do outro lado e a puxando mais para meu corpo.
–Calma, meu carma... Vai dar tudo certo- depositei um beijo demorado em seu pescoço e ela se afastou ruborizada.
–Pára- disse baixo, indicando com a cabeça que Rob nos observava.
–Relaxa, Fabray... Meu maninho ali não liga pra essas coisas. Não é, moleque?- Rob sorriu gesticulando um sim com a cabeça.
–Espera, vocês se acertaram?- ela virou seu corpo em minha direção, surpresa.
–Claro, somos Lopez... Está no sangue superar paredadas na cara- ela me olhou confusa- Calma, uma hora você entende. Só saiba que esse cara de cenoura ali é meu irmãozinho- Rob me fitou sorrindo largamente- É a única família que tenho agora, e eu cuido de minha família, bem... De alguém dela que goste de mim.
–Me candidato a essa vaga- Rob brincou timidamente, ficando vermelho em seguida. Escutei um ‘’own’’ baixinho vindo de Fabray e mantive meu olhar de carinho que até me assustou para o ruivinho a minha frente.
–Ela é sua- ofereci o punho para ele bater contra o seu, e ele o fez- Fala alguma coisa, Fabray.
–Ele é um fofo, você nem um pouco. Não diria que é seu irmão- a encarei com os olhos cerrados.
–Que delicadeza, Fabray! Sabe, acho que em outra vida deve ter sido uma cobra do tanto que é gentil e delicada. Fico até com medo de tanto carinho para com minha linda pessoa- disse sarcasticamente, cruzando os braços e com um sorrisinho de deboche montado nos lábios que eu sei que ela odeia.
–Pois é e já no seu caso deve ter sido um orangotango ou um primata próximo. Sua educação é uma inspiração pra sociedade- rebateu a altura enquanto voltava a atenção a seu livro de língua estranha.
–Pelo menos não sou mimadinha cheia de fricotes que devia ter no mínimo um empregado pra cada parte do corpo ou fio de cabelo bem tratado por um cabeleireiro pra cada dia da semana e santo no calendário.
–Não tinha tantos empregados, minha cara. Tinha dez apenas... Mas pelo menos sou bem educada e tenho requintes... Sei que apesar da boa educação que teve é uma bela de uma ogra safada até no oxigênio de seus pulmões- afastou alguns fios de seu cabelo que estavam no rosto com a ponta dos dedos, de uma forma emburrada.
–Hum, mas você bem que gostou dessa minha safadeza toda noite passada, e de manhã... No chuveiro... – disse maliciosamente ao seu ouvido, percebi que ela ruborizou.
–Santana!- me repreendeu desconcertada- Poderia pelo menos uma vez na vida me respeitar?
–Depende da ocasião- mordi sua orelha, levando um tapa no braço. Comecei a rir de sua expressão de vergonha.
–Mhm, se me derem licença, estarei na cozinha- saiu da sala quase como um foguete, vermelha feito um pimentão. Fiquei a vendo sair com um sorriso diferente dessa vez, o de encanto. Acho que Rob percebeu:
–Estão juntas?- voltei meu olhar a ele- Digo, namoram?
–Bem que eu queria- passei a mão nos cabelos suspirando frustrada.
–Por quê? Pela forma que se olham eu achei que tinham alguma coisa- ele pareceu confuso.
–E de alguma forma temos, maninho. Mas é complicado demais pra te explicar agora e... Ainda é muito bebê pra entender- brinquei fazendo biquinho.
–Pra sua informação faço dezoito esse ano- deu de ombros, fingindo mágoa.
–Está bem, senhor muito homem- me aproximei dele e depositei um beijo no topo de sua cabeça- Vou ali ver se dobro a loirinha emburrada. Me acode se eu gritar pedindo ajuda?
–Sempre- ambos rimos- Boa sorte com ela.
–Valeu, moleque!- ele fez um gesto positivo com o polegar e assenti indo pra cozinha. Peguei um pano de prato branco que tinha por perto e comecei a balançar- Eu vim em paz!- ela estava em frente a pia, lavando alguns copos e pratos. Apenas virou me encarando por alguns segundos, cerrou os olhos e retornou ao que fazia. Suspirei rolando os olhos ‘’hoje tem’’ pensei. Resolvi aos poucos ir me aproximando dela. Arregacei as mangas compridas de minha blusa e passei meus braços por sua cintura tomando a esponja de suas mãos. Apoiei o queixo em seu ombro pra sussurrar em seu ouvido- Olha, se colocar os braços pra trás, ficaremos parecendo uma só.
–Uhum... Por acaso já viu alguém branco de braços latinos?- perguntou e eu tinha certeza que segurava uma risada.
–Como não? Não vê o Rob? Pediram um Antonio Banderas e mandaram Ed Sheeran no lugar- dessa vez a risada saiu mesmo que ela não quisesse.
–Sinceramente, não sei de onde tira essas coisas.
–Também não, minha mente foi pedida por encomenda- ela balançou a cabeça negativamente e tomou a esponja de volta para continuar com seu trabalho- Sabe, adoro esse coque bagunçado que faz com os cabelos. Fica muito sexy- sussurrei rouco no seu ouvido. Pude ver que alguns pelinhos de sua nuca se ouriçaram- Sem falar que fica um espacinho pro pecado bem aqui- biquei com os lábios a parte descoberta de sua nuca, o que a fez arquear o corpo para frente.
–Santana, pára!- resmungou. Mas eu tinha certeza que gostou- Tenho que terminar isso aqui logo. Precisamos comer, sabia? Você mais ainda. Passou horas vagando por aí nesse frio danado e até agora não comeu nada.
–Quem disse que não?- o tom da indagação foi além do que realmente significava. Quinn entortou o pescoço para me olhar de canto, boquiaberta.
–Deus, como você é safada!- começou a me desferir esponjadas. Segurei seus braços e a empurrei contra a pia, prensando meu quadril ao seu.
–Vai me dizer que não gosta?- mordi meu lábio inferior encarando-a de forma sapeca com a sobrancelha esquerda arqueada. Seus olhos esverdeados que eu tanto amava, me encaravam em um misto de zanga e desejo que me fizeram sorrir internamente por estar conseguindo chegar aonde eu queria... Mexer mais ainda com ela- Sabe, Fabray, acho que você deve ficar muito sexy de camiseta molhada?
–O que?- sem dar tempo de ela franzir o cenho, peguei a esponja, mergulhei na água e passei na parte da frente superior de seu vestido. Bom, não era uma camiseta, mas não diminui no quão excitante foi aquela visão.
–Hum, foi melhor do que eu imaginei- soou como brincadeira, mas falava sério. Foi tipo UAU, JESÚS... Farol acesso, fon fon.
–Foi?- ela perguntou sensualmente. Achei estranho, mas me deixei levar. Eu tinha fortes suspeitas de que Quinn tinha algum problema psicológico sério.
–Uhum, verdade verdadeira. Quer que eu jure de mindinho?
–Não será preciso- seu olhar era de matar até quem era imortal- Pode soltar minhas mãos? Quero tocar você- nem precisou um segundo pedido. Levantei as mãos, colocando-as para de trás de minha nuca.
–Fique à vontade- pisquei sugestivamente.
–Ah, vou ficar sim- após dizer isso, deu um passo para trás e pegou o esguicho da pia, dirigindo-se com ele a minha direção, jorrando água em minha cara.
–Puta que pariu, Fabray!- eu tinha a boca aberta, encarando minha roupa quase toda molhada- Ah, vai ter volta, coisa pálida.
–Santana, não... – mal conseguiu completar a frase e eu tomei o esguicho de sua mãe a molhei também. Acabou que aquilo tudo se transformou em uma guerra maluca de água e nos molhamos todas, feito duas crianças traquinas.
–Péssima ideia brincar com água nesse frio- eu disse com o estômago doendo de tanto que ri de nossa situação. Quinn não estava tão diferente.
–Dessa vez devo concordar com você- seu queixo começava a tremer de frio e por um impulso joguei o esguicho de volta na pia e a abracei.
–Pelo menos nisso, né?- ela deu de ombros- Obrigada.
–Não tem de que. Se quiser que eu jogue água gelada na sua cara de vez em quando, vou adorar fazer.
–Não é isso, sua chata- ela riu fazendo uma careta adoravelmente sapeca- Me refiro ao incentivo, a força que me deu para falar com meu irmão. Se não fosse por você nunca saberia o quão maravilhoso é aquele moleque.
–Nossa, eu... Não sei o que dizer, San- notei que suas defesas foram caindo, mas só serviu pra aumentar meus armamentos nucleares. Hã?
–Não precisa dizer nada. Só exista, meu amor. Isso já o suficiente pra mim- pareceu que a loira tomou um choque meio doido pela forma que se assustou. Putz grila, falei demais.
–Como me chamou?- bom, ou ela era surda ou o susto mexeu com a coordenação de mente daquela ser humana.
–De meu amor- repeti. Já tinha jogado a merda e pisado em cima fazendo moonwalker, agora que lidasse com o cheiro. Hã? De novo. Quinn está me afetando seriamente- É o que você é... Meu amor.
–San...
–Desculpa, desculpa- cortei seu resmungo, ela suspirou abaixando o olhar- Sei que me pediu pra ir devagar, mas... Deus, Quinn, fica difícil ver você, ficar assim tão próxima e poder te tocar como vinha sonhando há dias e não poder dizer o que está ardendo em meu peito. Essas palavras ardem em minha garganta como se eu tivesse engolido carvão flamejante- disse tudo em um fôlego só. Ela apenas me encarava com seu agora tão constante olhar de pena, que doía tanto em mim. Levou suas mãos até minha nuca e a acariciou indo pra meu queixo, fazendo o mesmo.
–Me odiaria se te pedisse pra ter um pouco mais de paciência?
–Conhece uma forma de fazer meu coração parar sem que eu morra?- ela elevou os olhos, retornando aos meus mordendo seu lábio inferior... Estava nervosa- Só assim pra que eu consiga ignorar o fato de que te amo mais que tudo na vida, mesmo conhecendo você há tão pouco tempo... Mas se quiser, paramos aqui e agora. Se for o que realmente quiser... É só pedir que eu respeitarei sua decisão, mesmo morrendo por dentro- eu exibia tristeza no olhar. Quinn não disse nada, apenas puxou-me com força para selar seus lábios aos meus em um beijo feroz e desesperado. A parte traseira de meu corpo foi se encostando ao armário, enquanto as mãos de Quinn se agarravam a minha blusa molhada e apertava com força entre os dedos. Minhas pernas bambeavam quando senti sua língua quente procurar a minha e um gemido fraco escapou entre nossos lábios, tão sedentos um pelo o outro... Eu sentia. Quando já estava na hora de procurar fôlego, nossas testas se encontraram e uma Quinn ofegante se pronunciou:
–Nunca vou pedir isso a você. Simplesmente por que não sei o que diabos tem em você que não me deixa ficar longe, Santana Lopez- beijou-me profundamente e lento- Mas ainda estou confusa com umas coisas... Quero estar 100% se eu for me entregar por completo a alguém um dia.
–Então tenho chances de ser esse alguém?- perguntei esperançosa buscando os olhos de Quinn, que por sua vez buscou meus lábios, os saboreando intercaladamente. Suas mãos foram para meus quadris e os apertaram escorregando para o abdômen, o que me fez arquear o corpo sentindo esfriar cada vez mais aquela área. Seus dentes prenderam meu lábio inferior entre eles e soltaram em uma dor mais que excitante- Isso foi um sim?- minha indagação saiu sôfrega e ofegante. Ela riu sensualmente antes de responder:
–Isso foi um com certeza- nem deu tempo de dizer nada, Quinn saiu correndo me deixando naquele estado de resfriamento como se tivessem me enfiado direto na criogenia por um século. A encarei sair da cozinha, me enviando um último olhar com um sorriso verdadeiro... Até que enfim, meu Deus. Levantei as mãos agradecendo aos céus freneticamente, dando uns pulinhos de uma forma meio infantil pela cozinha, atônita.
–Papai do céu... Eu ainda caso com essa mulher!
Fale com o autor