Ligadas pelo destino
17 Capítulo 17- Cadê Santana?
Notas iniciais
–Não- eu me debatia para soltar meu braço, mas era em vão, Rob apesar de novo era muito forte. Santana trancou a porta por dentro e vi pelo vidro que ela havia corrido para o outro lado. Em seguida senti minha alma me abandonar quando escutei um tiro e vi Santana cair mais a frente- SANTANA!
–Vem- Rob me puxou para que o acompanhasse na corrida, mas eu me negava a isso. Deus, Santana caiu! Ela não podia... Não, céus, por favor, não aconteceu nada a ela. Santana estava bem, eu me nego a acreditar que ela me abandonou nisso.
–Me solte, Rob. Agora! Eu preciso ir ajudá-la- eu gritava me debatendo para que o garoto me soltasse- Ela pode estar machucada, não viu?
–Prometi a ela que cuidaria de você acima de tudo. Não importando o que acontecesse- suas mãos envolveram minha cintura e praticamente me arrastou até o carro.
–Precisamos ajudá-la, por favor- ele não retrocedeu me colocando dentro do carro de Santana. Rob tomou o lugar do motorista e deu partida ignorando minhas súplicas para que ele retornasse para ajudar Santana. Meu peito doía pela angústia de deixá-la naquele lugar, sendo que provavelmente estivesse ferida. Eu não sabia o que fazer, não podia contra Rob e sentia que o mesmo estava determinado a me tirar daqui. Me pergunto o por que dessa fidelidade toda com um pedido de Santana. Ele não tinha nada com ela, mas viajou quilômetros para ajudá-la nas entranhas do Alaska e agora estava todo determinado a me manter segura longe dali. Suas feições me lembrava alguém, mas não lembro quem e muito menos tenho cabeça pra isso agora.
Antes de sairmos da propriedade de meu professor tão querido, Rob ainda teve que tirar mais alguns capangas que se colocaram na saída para nos impedir de passar, atirando em todos sem ao menos sair do carro. Apesar da pouca idade era muito habilidoso lutando e mais ainda com armas, pois acertou a todos em nosso caminho diretamente no coração de forma perfeita. Não tive tempo de pasmar, Rob acelerou alucinadamente terreno a fora e a única coisa que pude fazer foi encarar o galpão onde deixamos Santana, do banco daquele carro que ia a uma velocidade exorbitante. Meus olhos estavam imersos em lágrimas recebendo milhões de pensamentos negativos de como a latina havia ficado naquele lugar. Eu queria voltar, Deus sabe o quanto, mas Rob não deixava por que pelo o que me parece à própria Santana ordenou isso a ele. Cheguei a sentir uma certa raiva de ambos por isso. Nossa! Eu estava desesperada como nunca estive em toda minha vida. Por favor, que nada aconteça àquela maluca. A ela não, eu suplico!
Quase uma hora se passou e chegamos à casa que Santana ganhou do pai. Como não estava em condições de explicar droga de caminho algum, entreguei o aparelho rastreador a Rob que o seguiu direitinho e cá estamos adentrando na casa. Minhas feições não eram as das melhores, me sentia horrível das mais diversas formas de se sentir assim. Senti que o garoto me acompanhava com o olhar e me aproximei da janela como se por milagre dos céus avistaria Santana chegando com aquele sorriso miseravelmente provocante e com uma piada na ponta da língua pra me irritar como sempre fazia. Minha cabeça estava um embaralho só. Meu coração perdia-se em batidas desesperadas por angústia de pensar em Santana sozinha naquele lugar e... Minha nossa, o tiro! Eu a vi cair e... Não, não vou pensar assim. Ela está bem, tem que estar. Que dor maldita é esse em meu coração? Nunca havia sentido isso antes. Não sei explicar o que é, mas sinto que algo dela se liga a mim, não consigo negar mais. Uma prova deste fato foi nossa noite de ontem. Céus, nunca tive um momento tão perfeito! Ela foi tão carinhosa e compreensiva, apesar da raiva que eu estava sentindo por ela me ter dito que ficou com aquelas duas desfrutadas, não consegui me manter longe daquele ser irritante. Ontem eu só queria ir o mais longe que conseguisse dela, mas não adiantou. Depois daquele desastre vergonhoso no gelo, decidi deixar meu corpo fazer o que ele tanto gritava que eu fizesse... Me entreguei a ela. Minha nossa, nunca me senti tão amada em uma noite só. Foi totalmente o contrário do que eu achei o que seria. Santana é possuidora de todo aquele ar de conquistadora sem vergonha que atiça todos os sentidos do corpo, mas era tão delicada quanto uma flor recém saída de um botão. Eu senti que minha pele queimaria até pelos mais singelos toques de seus dedos ou de sua boca. Seu corpo por inteiro me atiça miseravelmente, não posso negar. Depois do balde de água fria que levei, literalmente, quando ela me veio toda preocupada e carinhosa, meus muros caíram e quando me vi já a tinha sobre mim, me fazendo a mulher mais satisfeita das galáxias. Deus, essa mulher existe mesmo?
Essa última frase me preocupou. Céus, por que sou tão fraca em relação a ela? Até quando me obrigou a abandoná-la naquele pandemônio. Uma frase me veio à cabeça agora. Ela disse que me amava, duas vezes. E o que eu fiz? Fiquei fria como um iceberg, mas sinceramente não tenho certeza quanto a isso. Pode parecer muito frio de minha parte, mas aprendi com a vida que entre cada palavra dita vinda desses meios se tem um ‘’desconfie de mim’’ implícito. Caramba, isso assusta até a mim e agora estou falando ‘’caramba’’ que nem Santana. Suspirei em agonia passando a mão pela nuca em uma forma de buscar calma.
–Tudo bem?- Rob perguntou timidamente, posicionando-se ao lado da poltrona.
–Tem certeza que irá me fazer essa pergunta?- o encarei ríspida, isso fez com que se intimidasse com minha expressão de raiva e começasse a brincar com a ponta de sua camiseta listrada. Rob era um genuíno ruivo. Seus cabelos não eram tão longos, mas tocavam os ombros e aparentemente eram mais lisos que o meu. Pareciam ser bem cuidados. Em seu nariz e bochechas notava-se sardas bem leves distribuídas por algumas partes. Pela vermelhidão que tinha nas bochechas acho que ele estava envergonhado.
–Desculpa!- disse somente isso, esfregando as mãos em seus jeans desbotado pelo o uso de uma forma tímida nervosa que, se não fosse pelas circunstâncias, eu acharia super fofo.
–Desculpa? Depois de tudo isso você só me diz isso?- pus as mãos na cintura de maneira intimidadora- Como você pode a deixar sozinha naquele lugar?- ele ia argumentar alguma coisa, mas o interrompi já sabendo o que seria- Eu sei, ela te pediu que me tirasse de lá, mas Santana não é nada sensata quanto a tomar decisões. Ela é maluca, deveria ter deixado que pelo menos eu voltasse lá pra ajudá-la já que você pareceu se acovardar e fugiu de lá mais que rapidamente- eu gesticulava freneticamente em um misto de nervosismo e revolta que acho que o rapaz já estava pensando que eu o agrediria.
–Não fale assim, por favor. Não torne mais difícil do que já está sendo pra mim- Rob levou a mão aos cabelos ruivos e os afagou intranquilamente.
–Difícil pra você? Não sabe o que Santana e eu já passamos juntas nessa missão. Ela não merece isso. Preciso dela, eu a... – engoli em seco essa palavra que ardia em minha garganta- Isso não vem ao caso, mas saiba que não é pra você que a situação está complicada. Não sabe como isso está sendo horrível pra mim, tê-la deixado naquele lugar.
–Ah, senhorita Quinn, como sei. Pode ter certeza que até mais que você.
–Como? Você só conhece Santana há poucos dias. Como pode estar sendo pior pra você do que pra mim?- o questionei em total intriga. Cruzei os braços enquanto franzia o cenho o encarando profundamente.
–Me diga, senhorita Quinn, o que faria se tudo que acreditasse desmoronasse no segundo que lesse uma carta deixada por seu pai, que fora morto há anos, dizendo que sua irmã, até então de seu conhecimento por apenas descrições de seu pai e por uma foto antiga, precisaria de sua ajuda pra salvar um país que nem merece ser salvo, mas se caso se recusar seu pai será considerado pro resto da vida um desertor traidor que fora morto por que se voltou contra seu próprio país?- dizer que eu fiquei pasma com aquelas palavras ditas com tanto sofrer seria um eufemismo terrível. Ele estava querendo dizer que era... Não! Não pode ser- E ainda tem mais! O que você faria se enfrentasse dias de viagens pedindo carona para pessoas totalmente estranhas, que poderiam muito bem ser assassinos ou estupradores, para achar essa irmã distante e complicada? E quando finalmente você a encontra, ela te pede que a deixe em um lugar estranho que estará correndo risco de morrer só pra tirar a mulher que ela deixou o mais claro possível que a ama e que é de suma importância pra essa tal missão dar certo? Agora responda por mim como estou me sentindo.
–Você é...
–Irmão da Santana? De acordo com meu pai, sim- respondeu sentando-se em seguida a poltrona. Encostou a cabeça a um dos joelhos e alisou sua nuca calmamente- Isso tudo está me deixando maluco! Em um minuto sou apenas um adolescente sem direção ou algum tostão furado no bolso, tentando ajudar a mãe e no outro estou andando pelo Alaska atrás de uma irmã que eu nem mesmo conheço. Se alguém me contasse isso uma semana atrás, juro que eu riria até morrer de sua cara.
–Minha nossa!- eu exclamei estupefata pela revelação do garoto. Caminhei até o sofá que ficava de frente a poltrona em que ele estava e me sentei o fitando. Procurava em suas feições algum indício de mentira ou algo parecido e me veio que ou ele fingia muito bem, ou realmente eu estava de frente ao que seria irmã caçula da latina- Ainda está me custando acreditar nisso.
–Você acha que estou mentindo, não é mesmo?
–Não é que eu ache, mas com as circunstancias, toda e qualquer novidade deve ser avaliada com cautela- tentei ser o mais direta possível. Agora mesmo que devia ser cautelosa.
–Não seja por isso, senhorita- dito isso, Rob retirou do bolso de sua mochila, que não soltava por nada, um envelope amarelo como o que Santana e eu recebemos de seu pai. O abri e li calmamente o seu conteúdo, comprovando o que o garoto dissera.
–É, você é incontestavelmente filho de Antony Lopez. Conheço a letra dele em qualquer lugar- constatei devolvendo o envelope a ele.
–Conheceu meu pai?- não soube identificar com precisão o teor da pergunta, mas respondi o que pude pelo o momento. Há coisas que se deve guardar pra si mesmo, por que quem as retém frisa totalmente o sigilo.
–Por alto. Nossos pais foram grandes amigos e ele sempre me falava dele. Ocasionalmente eu possa ter aprendido a identificar coisas suas.
–Entendo!- Rob corrigiu a postura na poltrona- E quanto a ela? Como é minha irmã?
–Uma total bagunça- ele sorriu da careta que fiz. Suspirei profundamente pensando em tudo que já tinha vivido com ela até agora e senti que em meu peito um objeto de uma tonelada havia pousado só com o receio de que ela esteja mal- Sabe, Rob, Santana é do tipo de pessoa que não dá a mínima pra regras e muito menos pra quem as faz. Uma total descrente quanto à sociedade e completamente palhaça, nunca leva nada a sério por mais que eu reclame com ela sobre isso. No entanto, se precisar de ajuda, qualquer coisa que seja, ela move céus e montanhas para ajudar. Não sei o que seria de mim até agora sem ela. Odeio admitir isso, mas é a mais pura verdade.
–Então de alguma forma ela é especial?- soou mais como uma constatação do que uma pergunta. Ele se apoiou aos joelhos para me encarar melhor. Parei alguns segundos para lidar com os flashes sobre Santana que viam até minha mente e se dispersavam lutando por espaço. Toquei o meu dedo indicador nos lábios recordando que há não muito tempo Santana os devorava procurando sugar tudo que meu ser possuía por eles. Apenas isso já bastou para sentir meu corpo acender como uma tocha olímpica. Sorri levemente antes de responder a pergunta ansiosa de Rob, que me olhava com uma certa curiosidade. Me parecia um bom garoto apesar de tudo.
–Não faz ideia do quanto, meu caro!
–Acha que ela está bem?- olhei diretamente em seus olhos e me deparei com o desespero de um rapaz preocupado com a irmã que nem mesmo conhecia direito.
–Torço pra que sim. Santana sabe se cuidar- eu torcia internamente pra isso. Angústia é pouco para o que estou sentindo agora.
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A noite já se aproximava e nenhum sinal de Santana. Minha cabeça doía como nunca doeu antes, como se tivesse um congo colado a meu ouvido que batiam nele freneticamente. Eu passei esse tempo todo sempre da mesma forma. Ou ficava sentada no sofá encarando a porta esperando Santana entrar por ali, ou ficava a janela na esperança de vê-la chegar ao longe. Rob não saiu de meu lado um instante. Sentia seu olhar preocupado sob mim, uma vez ou outra me perguntava se estava bem ou se precisava de alguma coisa e eu sempre agradecia com um sorriso forçado. Era um menino bom, notei isso. Até que me lembrou um pouco Santana, apesar de tão diferente em aparência. Enquanto Santana possuía traços latinos lindos, com olhos castanhos brilhantes e uma pele gostosa morena, Rob era ruivo de pele bem branca e olhos azuis claros. Se visse os dois juntos e não soubesse o bastante para duvidar da raiz disso, eu diria que eram tudo menos irmãos. Mas conhecendo a vida como eu conheço, não contesto mais nada.
–Já se passaram quase dez horas e não tivemos qualquer sinal dela- comentei em agonia- Precisamos voltar lá agora. Você pode tentar me impedir, Rob, mas estou decidida. Ela precisa de mim- firmei aquilo indo pegar meu casaco jogado sobre o sofá.
–Santana pediu que esperássemos aqui- Rob argumentou me seguindo pela sala. Fui decidida até a porta e ele me parou segurando meu braço- Não é uma boa ideia. Seremos dois contra vários. Sem falar que você não tem nenhum treinamento desse tipo, seria suicídio.
–Ela está sozinha naquele lugar, Rob- puxei meu braço de sua mão, já com lágrimas nos olhos- É a sua irmã. A vida dela vale menos que uma promessa?- o rapaz fez uma expressão de temor e tristeza que chegou a me dar pena. Parecia sofrer com essa situação. Não estava diferente de mim, totalmente sem saber o que fazer ou como tratar a situação. Ambos só queríamos que ela estivesse bem.
Antes que Rob falasse algo, ouvimos um barulho de carro se aproximando da casa. Rapidamente o garoto me puxou para ficar longe da porta:
–Quinn, atrás do sofá- ele mandou e foi isso que fiz. Me posicionei atrás do móvel, vendo Rob apagar todas as luzes da sala. De arma em punho, se colocou ao lado da janela, observando por pela fresta da cortinha quem havia estacionado na frente da casa. Passou-se alguns minutos em total silêncio, o que realmente estava me assustando. Eu temia que de alguma forma os homens de David tivessem nos encontrado e agora estivessem prestes a colocar a casa abaixo para nos capturar. Porém, mais do que isso, eu temia que Santana tivesse sido pega por eles, ou quem sabe... Não, isso não pode ser possível. Ela não pode ter morrido. Senti meu peito apertar por esses pensamentos, tentando o máximo que podia ignorar a dor no peito pela angústia de não ter notícias daquela maluca. Deus, onde essa mulher havia se metido?
–Tem certeza que esse é o lugar certo?- ouvimos uma voz masculina perguntar do lado de fora e percebi que Rob tencionara o corpo pelo o que via.
–Eu não acredito! Santana?- franzi o cenho confusa. Talvez estivesse ali a resposta pra minha pergunta de um tempinho atrás.
–Como assim? É ela?- indaguei intrigada.
–Sim, é a Santana- confirmou espantado e a primeira reação que tive foi me pôr pra correr até a porta. Ela estava ali e eu precisava saber se estava bem.
–Hey!- Rob me interceptou rapidamente- Vamos com calma. Não sabemos em que condições ela está. Se nos aproximarmos assim pode ser perigoso para segurança dela.
–Tudo bem- respirei fundo tentando segurar a vontade de correr até ela. O homem falou mais alguma coisa, Rob retornou para sua posição de vigília monitorando o que acontecia lá fora. Encostei o ouvido direito na porta no intuito de me interar a situação, quando aconteceu... Aquela voz que eu tanto almejava escutar por essas horas todas de angustias entoou do outro lado, senti meu coração querer saltar do peito:
–Hey, Fabray... Desentoca daí de dentro que aqui está frio pra cacete- Santana pediu com toda sua delicadeza ao contrário. Estourei em euforia e mais que rapidamente abri a porta dando de cara com uma Santana toda machucada e sendo amparada por um senhor desconhecido. Não consegui descrever a terrível sensação que senti ao vê-la daquela forma. Santana tinha arranhões pelas partes visíveis de seu corpo assim como vários hematomas também. Notei que a blusa branca que ela usava por debaixo da jaqueta tinha uma marca grande de sangue.
–San!- balbuciei preocupada com a gravidade daquilo.
–Calma, Fabray! Estou bem- ela disse me enviando um sorriso leve- Bom, senhor papai Noel, obrigada pela carona em seu trenó que cheira a sardinha- tanto Rob, que acabara de se juntar a nós, quanto eu estranhamos aquilo. Santana nem naquele estado deixava de brincar. O senhor era branco de barba grisalha e barriga sobressalente, parecia aqueles papais Noel de shopping- Sei que não fui uma garota muito comportada nesses tempos, mas ainda quero meu exemplar do The Walkind Dead de volta. Agradeço a atenção e boa noite- dito isso ela apagou. Rob e eu corremos para ampará-la e ele a pegou nos braços com um semblante preocupado. Provavelmente estava muito fraca. Toquei seu rosto acariciando sua bochecha. Graças a Deus ela só dormia, devia estar cansada pelo o que aconteceu. Apesar do susto por sua condição tão judiada, me senti aliviada por ela estar aqui comigo.
–Leve-a para dentro, Rob. Segundo andar, quarto ao lado da escada- ele assentiu acatando meu pedido- Muito obrigada, senhor. Não sabe o quão agradecida fico por tê-la trago de volta para nós- peguei as mãos do senhor de forma tenra e agradecida.
–Que é isso, criança, precisa agradecer não. Achei a coitada vagando pela estrada e fiquei com pena. Estava toda machucada e falando coisas estranhas. Algo como ‘’preciso sair dessa por que ainda não tive a oportunidade de dar um ursinho de pelúcia para a loirinha emburrada. Quem sabe assim ela goste mais de mim’’- mordi meu lábio inferior sentindo aquelas palavras. Santana era tão carinhosa comigo, apesar de ainda achá-la cafajeste, tinha momentos que eu achava bonitinho o seu jeito moleca de ser. Era até um charme- Isso tem algum significado pra você?
–Tem sim, na verdade significa muita coisa e uma delas é que Santana é maluca- ele riu.
–Você deve ser a loira que ela falou tanto na viagem.
–Acho que sim.
–Ela gosta de você, moça. Não sei o acontece entre vocês, mas pra ela é importante- eu franzi o cenho, lhe dando total atenção- A latina bagunceira ali me parece uma boa menina. Cuidado com aquele coração... É bom demais pra ser quebrado.
–Hum, obrigada pelo conselho- lhe enviei um sorriso sincero, mas desconsertado. Aquelas palavras me atingiram de uma forma inexplicável- Agradeço novamente pela gentileza de tê-la trago.
–Foi um prazer ajudar, criança. Melhoras pra doidinha lá- se despediu de mim, partindo para sua continuar com sua viagem.
Fiquei alguns minutos lá fora processando o que ele havia me dito... Apesar de toda essa confusão, a última coisa que eu queria na minha vida era machucar Santana. O que nos acometia era forte, algo que ia além do que nós duas acreditávamos e agora com mais essa de termos essa... Não sei denominar com temos, ou se temos alguma coisa, mas apesar de eu não conseguir dizer que a amava também, por que nem eu mesma tenho certeza nisso, algo por Santana ardia aqui meu peito. O que eu mais temia era que isso pudesse vir a ser minha ruína.
Depois desse meu breve momento de reflexão perturbante, fui até a cozinha aonde tinha visto uma maleta de primeiros socorros e rapidamente me encontrei ao lado de Santana na cama cuidando de seus ferimentos. Ela tinha muitos machucados pelo o corpo e o que mais me preocupou foi o corte que tinha no abdômen. Tive que pontear. Agradeci mentalmente por ter passado por um treinamento intenso de primeiros socorros e outras coisas nessa linha de precisão. Apesar de tudo, de seu estado, foi impossível não admirar sua beleza. Santana era a pessoa mais irritantemente linda que eu já vi. Seus traços latinos eram perfeitos e aquela boca? Nossa, um pedaço do paraíso repousava naqueles lábios carnudos. Perfeição talvez seja a palavra dessa visão que estava tendo da serenidade de Santana.
–Ela vai ficar bem?- Rob perguntou quebrando meus pensamentos. Ele estava tão quieto observando Santana sentando no pé da cama que nem percebi que estava aqui.
–Vai sim, o corte não foi tão profundo. Os outros são superficiais, não demora muito ela já vai voltar a nos irritar por aqui- ele riu pela primeira vez. Muito fofo esse garoto, tinha as mesmas covinhas nas bochechas lindas de Santana.
–Tem certeza? Ela parece muito machucada- ele disse agoniado. Eu também estaria se minha irmã, que eu só havia conhecido há poucos dias, estivesse dessa forma.
–Calma, Rob, ela só está cansada. Está dormindo tão tranquila que nem parece que passou por aquilo- o rapaz olhou sua irmã na cama e se aproximou sentando-se ao seu lado. Timidamente pegou a mão de Santana e a levou aos lábios em um beijo carinhoso.
–Eu fiquei com medo de perdê-la também. Só a tenho na vida agora- o olhei penosamente. Era tão novo para estar passando por isso- Sabe, sempre foi apenas nós três. Minha mãe, meu pai e a mim. Ele era do exército então só o víamos poucas vezes por ano. No entanto, nunca deixou que me faltasse nada, tanto financeiramente quanto como pai. Sempre me senti bem amado por ele- ele relatava sem tirar os olhos de Santana- Quando ele se foi, minha mãe adoeceu. Tive que me manter firme por ela. Principalmente quando uma tal de Maribel que se dizia esposa verdadeira de meu pai, tomou tudo que ele nos deixou. Tive que trabalhar e estudar ao mesmo tempo para pagar os remédios de minha mãe.
–Maribel, mãe de Santana?
–Parece que sim. Minha mãe me contou pouco antes de falecer- seus olhos estavam imersos em lágrimas. Parecia machucado, mas o olhar tenro que lançava sobre Santana mostrava o quão ele já amava sua irmã e se importava com ela.
–Sinto muito por sua mãe- toquei sua mão me solidarizando a sua dor.
–Eu também, mas sei que ela está melhor agora. Esse mundo está muito louco pra se viver ultimamente- concordei mentalmente com ele. Nada está fácil mesmo hoje em dia. Tudo está mudando radicalmente, eu quem o diga. Rob agora acariciava os cabelos de Santana- Ela é tão linda! E mais ainda diferente de mim. Será que vai gostar de mim quando souber que sou seu irmão?- indagou temeroso, dava pra ver isso nitidamente em seus olhos tão azuis.
–Santana é uma pessoa maravilhosa, Rob. Converse com ela que as coisas se ajeitarão.
–Acho que não consigo. Faria esse favor pra mim?- me pediu com um olhar tão penoso que senti meu coração apertar. Não gosto de meter em coisas desse tipo, nunca gostei.
–Olha, Rob, isso é entre vocês, não sei...
–Por favor, Quinn... Você é muito importante pra ela. Santana é louca por você, é nítido. Por favor... Estou desesperado- ele juntou suas mãos implorando. Rob parecia um animalzinho indefeso e apesar do desconserto pelas palavras quanto ao que Santana sente por mim, o que fez meu estômago efervescer, resolvi retroceder com meus princípios.
–Tudo bem, verei o que posso fazer- ele abriu um lindo sorriso de agradecimento. Santana começou a despertar, Rob saiu do quarto em disparada, provavelmente com medo de encará-la pelo o medo que estava sentindo.
–Fabray... Bémm- ela alcançou meu nariz e o apertou fazendo esse som estranho, o que me fez sorrir por sua infantilidade.
–Idiota!
–É tão bom acordar e ver você. Principalmente quando me diz essas palavras tão carinhosas- ironizou se ajeitando pra sentar na cama. Fez uma careta de dor.
–Está tudo bem?- perguntei preocupada e ela capturou minhas mãos.
–Melhor agora- beijou-as, puxando para que eu me aproximasse- Só me preocupei em como vocês chegariam.
–Santana, não seja tão relaxada consigo mesma. Poderia ter morrido.
–Mas não morri. Estou bem aqui na sua frente implorando por um abraço- fez um biquinho fofo, não pude negar. Agarrei-a em meus braços sentindo toda tensão de meu corpo ir se esvaindo. Deus, como eu ansiei em poder fazer isso novamente.
–Não faça isso novamente, por favor. Fiquei angustiada- quebrei o abraço para encará-la- Tenho vontade de bater em você por isso.
–Pois bata o quanto quiser... Sadomasoquismo ajuda a apimentar a relação- brincou mordendo o lábio como uma provocação.
–Sem graça- dei um tapinha em sua perna.
–Foi brincadeira- riu de minha zanga- Mas sabe, sei de um jeito melhor de me machucar... Sei lá, tipo mordendo minha boca enquanto me beija- arranhou levemente meu braço, o que me fez arrepiar. Me encarava profundamente com aquele olhar safado, mas que sempre me dava vontade de pular em cima dela.
–Pare, está machucada- afastei suas mãos de mim e me levantei- Precisa descansar.
–Tudo bem- levantou as mãos em sinal de rendição- Mas nem vou dizer que quando estava naquela confusão eu só pensava em você e em como essa sua tatuagem ‘’Mary tem uma cordeirinha’’ é super sexy.
–Santana!- eu a reprendi voltando a me sentar ao seu lado- Isso não se faz, bisbilhotar as pessoas.
–Hey, você mordeu meu umbigo e eu reclamei? Não. Sou uma moça bem legal- eu ri balançando a cabeça negativamente- Amo te ver sorrindo. Na verdade amo você por inteira.
–San... Não faz isso, por favor. Já disse que ainda não amadureci pra isso- Santana capturou minhas mãos e beijou como quando acordou.
–Você dizendo isso não me fará deixar de te amar- eu suspirei baixando o olhar- Isso só acontecerá se me provar definitivamente que não sente o mesmo por mim, Lucy Quinn Fabray. Caso contrário... Ainda terei a sensação de que perdi meu coração pra você- mordi meu lábio por nervosismo, Santana sempre me deixava assim, toda mexida.
–Não sei o que dizer- disse ainda sem encará-la. Santana puxou meu queixo delicadamente para parear nossos olhares.
–E não precisa. Só siga o que seu coração te mostrar- ela acariciou levemente minha bochecha com seu polegar- O que ele diz agora?
–Que você é uma idiota- disse beijando-a intensamente em seguida. Nossos lábios se chocaram com força, a ouvi gemer, mas como não parou o que fazia, deixei de lado. Deitei meu corpo sobre o dela e senti suas mãos habilidosamente começaram a puxar meu vestido. Sentei em suas pernas para que tivesse mais espaço para retirar a peça e quando o fez, passou a beijar meus seios por cima do sutiã que já bastou pra eu gemer agarrando-me a seus cabelos negros. Aproveitei pra puxá-la no intuito de dar atenção a seu pescoço em beijos e chupadas quentes que a fez agarrar a meus quadris de forma forte e gemendo pesado a meu ouvido.
Quando senti as mãos de Santana adentrarem minha calcinha pela lateral e agarrar-se a meu bumbum possessivamente, já imaginava o que viria... Ela faria me sentir viva novamente, era coisa do outro mundo o sexo com Santana. E era mais quente ainda... Isso agora estava quente e nem mesmo eu sabia o porquê de estar fazendo isso, só que eu queria... Ah como eu queria ter aquela mulher de novo.
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