Ligadas pelo destino

15 Capítulo 15: Treinamentos


Notas iniciais
Hey, povo. Tudo ok por aí? Olha, to nem demorando tanto com antes, to inspirada que só pra essa fic. Obrigada a todos por acompanhar. Ahhhh, gente... Ficaram sabendo do babado? Saiu por aí que Santana pedirá Brittany em casamento na sexta temporada de glee. Vai ser no terceiro episódio e pelo o que eu vi por aí sobre essa temporada... Vai dar o que falar. Aproveitem a leitura:

POV Santana:

Depois daquele desastre de noite que tive, segui com Quinn até o hotel e rapidamente pegamos nossas coisas, nos trocamos e rumamos em estrada, ainda sem destino. Apenas tínhamos que sair dali rapidamente antes que o tal russo mandasse mais alguém pra nos enfezar. A loira ainda não tinha mexido no aparelho rastreador depois que o ser de olhos puxados o tinha reprogramado e tirado seu vírus de lá, então seguimos noite a fora, guiadas apenas pelas estrelas e vagalumes em um cenário calmo e com poucos carros transitando pela estrada.

Apesar daquela tranquilidade toda enquanto eu dirigia, minha cabeça ia triturando tudo o que aconteceu durante esses dias de descobertas e confusões, de cabeçadas minhas contra meus próprios conceitos e... Quinn. Esse ser em um todo me deixava bagunçada de todas as formas possíveis. Aquele dia que nos beijamos pela primeira vez fora incrível... O melhor que eu já tive em anos. Mas como tudo em minha vida tem que ser bagunçado, ela me veio com uma conversa de que aquilo tudo não se passava de uma confusão em minha cabeça.

‘’Você está equivocada. Não sinto nada disso que disse e muito menos você, Santana. O que está acontecendo aqui é uma grande confusão pelo que nos alcançou nisso. Nada mais que isso. Você sempre acaba confundindo as coisas, Santana’’.

’Não temos nada. Fora termos que manter uma certa aliança por nossa jornada atrás dos chips de meu pai, não passamos disso... Aliadas a um propósito em comum’’.

Essas foram suas incríveis palavras. Nunca as esquecerei, de forma alguma. Ficam ecoando e ecoando em minha cabeça como um eco de caverna. Vem alto, vai diminuindo gradativamente e quando penso que sumiu, volta como um estalo em minha mente chegando a doer. Sinceramente não sei o que sinto, mas sei que é real. Nunca cometo equívocos desse tipo, pois algo em minha mente e coração não me deixam. Seja lá o que tiver aqui dentro por aquela loira é forte e sincero. Algo que nunca havia habitado meu ser e seus derivados. Nossa, cara, eu mataria por um sorriso sincero daquela mulher! Desde quando a conheci ainda não tinha visto qualquer expressão de alegria que seja no rosto dela, mas naquela noite eu pude sentir isso e foi tão bom. Foi como se minha alma abandonasse meu corpo e se pusesse a viajar por aí sentindo a liberdade de fazer parte do universo. E sabe o que é pior? Eu sinto que ela também sente alguma coisa, mas está tão presa a sei lá o quê, que se nega a isso. Odeio isso em mim... Essa mania de me contrariar pelo o que eu firmava comigo mesma, por que sempre acabava prejudicada com isso. Com Rachel apostei todas minhas fichas em um namoro que parecia perfeito demais e que acabei no final com um chifre maior do que eu e como uma sem teto pelas ruas de Nova York. Se não fosse por Tina talvez hoje estaria cantando ‘’Don’t worry’’ do Bob Marley por aí, rindo à toa e disputando um banco da praça e uma balinha de menta com um mendigo e... Enfim, com Quinn era totalmente diferente. Era como se eu sentisse raiva dela, mas não conseguisse sair de perto... Como se minha cabeça me dissesse ‘’se afaste’’, mas aí o restante do meu corpo ignorava essa parte e se deixava levar em um magnetismo assustador... Como se o corpo dela complementasse o que faltava no meu e por isso ficava tão difícil manter-me distante dela... Me sentia fraca longe dela, minha força se resumia naquilo que a mantinha ali perto de mim, mas ao mesmo tempo tão longe. Confuso, não? Bem, essa sou eu!

Agora, nesse momento, me sentia nada mais nada menos que a pessoa mais idiota do mundo. Cara, eu faltei abrir meu peito, arrancar meu coração e dar a ela, mas nem sequer demonstrou qualquer faisquinha de importância a isso. Que droga ela tinha naquele peito? A pedra filosofal? Caramba... Quando penso que dispensei aquela loira gostosa pra ir atrás dela me deu vontade de chicotear até perder o couro das costas. Ai, que macabro, gente! Não, deixa meus courinhos aqui mesmo. Um tapinha na cara, talvez. Isso, bem melhor... Bom, quando penso que perdi uma noite longa e prazerosa pra correr feito uma cachorrinha atrás da Quinn e no final, depois de tudo que fiz por ela, ainda receber um coice daquela jega loira... Cara, alguém me dá uma porrada bem no meio da minha cara de abestalhada, por favor?

Eu ficava a todo o momento procurando respostas para o que passava em meu peito, estava cada vez mais estranho e assustador o que provavelmente eu tinha por aquela mulher... Isso se tornou mais evidente antes de tudo que aconteceu com aqueles vagabundos do beco mandados pelo russo de nome estranho. Eu... Bom... Caramba, não conseguido explicar o que foi aquilo... Foi como se de repente meu coração estivesse ligado ao de Quinn por um instante e eu pudesse, por alguns minutos, sentir seu medo, agonia e... Ah, não entendi bulhufas de nada. Quando eu me recordo, vai ficando mais estranho ainda. Flashes daquele exato momento preencheram minha mente:

–Bom, Santana... Me fale sobre você. O que faz, o que gosta... Enfim, quero conhecer você por completo. 150%- Lili dizia enquanto procurávamos um lugar no terraço para nos sentarmos. Eu levava uma garrafa de champanhe, bem caro por sinal, que encontramos sobre alguma mesa do salão e ela tinha duas taças em mãos. Avistei umas caixas de madeira mais a frente e entreguei a garrafa a ela para ir pegá-las. Sentamo-nos perto de uma mureta da lateral do prédio e nos servimos da bebida- Vamos, pode começar a falar- ela pediu em um tom brincalhão. Eu suspirei curto e comecei com meu testemunho de vida, pulando as partes de minha missão suicida com Quinn e outras muito delicadas de meu passado, é claro. Lilian me encarava atenta a tudo, esboçando sorrisos e gargalhadas com as bobeiras que eu dizia pra aliviar a tensão de estar falando de minha vida a uma estranha... Gostosa, muito gostosa... Mas ainda uma completa estranha.

–E... Fim do tiroteio dentro d’água que eu chamo de vida- finalizei suspirando da mesma forma que comecei, fazendo uma careta que a fez rir.

–Nossa, lindinha, você passou por uns maus bocados- comentou com uma voz tranquila, colocando uma mexa de meus cabelos detrás de minha orelha, de um jeito carinhoso- Nem imagino como deve ter sido difícil e como conseguiu escapar disso tudo.

–Acredita que nem eu? Acho que meu santo deve ser muito forte ou o meu azar é tão grande que não consigo nem morrer.

–Ah, para- ela bateu levemente em meu braço enquanto eu ria- Sabe, você é muito linda. Não tem ninguém? Tipo, você está namorando ou enrolada a alguém, sei lá... Você é perfeita!- Lili disse timidamente ficando vermelha, mas não mais que eu... Apesar de minhas maluquices, eu ficava totalmente desconcertada com elogios, de todos os tipos, de garotas mais ainda. E Lili... PUXA! Era gata demais, cara. Cabelos loiros bem claros, olhos azuis mais claros ainda e o corpo? Puta que pariu o Pikachu... Era cada curva de se causar acidentes fatais, mas que com certeza amortecia com aquelas coxas fartas... Misericórdia!

–Ah- limpei a garganta, me recompondo de meu rubor e por outra coisa mais forte ainda. Quando perguntou se eu tinha alguém, Quinn apareceu em meus pensamentos como um relâmpago em chuva forte. Balancei minha cabeça para afastar tais coisas- Muito obrigada pelo elogio, senhorita- ela sorriu... Um sorriso muito lindo por sinal- E a resposta é não... Não tenho ninguém em especial. Bom, pelo menos não que me queira como quero- não devia ter dito isso, mas saiu naturalmente. Abaixei minha cabeça com uma expressão de derrota no rosto. Meus muros caíram naquele momento que deixei Quinn adentrar em meus pensamentos. Sempre que isso acontecia era como se eu fosse alvejada por tiros durante horas e mais horas, lentamente... Em uma tortura infinita.

Lili e eu ficamos em um silêncio um tanto estranho, pelo menos pra mim. Antes que eu me desculpasse por minha caída de cabeça no chão, senti a mão da loira segurar meu queixo e me puxar para um selinho. Ficou assim por alguns segundos e logo senti seus lábios se aprofundarem aos meus me deixando sem reação, apenas lhe dando liberdade para que continuasse. Sua boca era macia, tinha um sabor gostoso de champanhe com morango, provavelmente este outro vinha de seu brilho labial e era agradável, mas não tanto como o gosto de abacaxi dos lábios algodoados e vermelhinhos de Quinn... Tão confortantes como dormir em nuvens ao som de Fur Elise de Beethoven enquanto é acariciada pelo o corpo todo com penas, as mais macias de todo o universo. Mas que merda, cara! Eu aqui, com uma gata dessas me beijando, e fico divagando com Quinn? Aquela loira mal agradecida, cara de sardinha... Ai, por que, sua burra? Por que tinha que se deixar envolver pelo pacote? Só tinha que andar com aquele embrulho por aí, pegar as tranqueiras dos chips e entregar à loira e estes sãos e salvos para o papai dela e sendo assim o meu ficaria livre de todas as acusações em cima dele... Só isso, mas não... Tinha que me apegar à loira... Tinha que me abobalhar por sua beleza divina, por que ser humano nenhum chegava aos pés do brilho daquela deusa caída nesse mundo. Ou será um anjo? O mais lindo de todos os céus e... Tá bom né, sua viada? Para com essas coisas ou eu mesmo me dou umas chineladas.

Saí de meus devaneios quando senti que a língua de Lili brincava com a minha e eu nem retribuía, nem estava ligando pra nada, como um morto vivo, só que numa versão mais tapada... Enfim, a loira estava beijando sozinha. Sério, que doido isso! Nunca tinha ficado assim não, qual o termo certo? Dormente? Tonta? Confusa? Nada, é broxa mesmo. Sai daqui, Quinn! Sai desse corpo que não te pertence... Não por opção minha... Ah, vai pra baixa da égua! Tenho que parar de fantasiar com o inexistente. Tirar essa... Ai, porra... Ela me mordeu? Caraca, doeu! Lili quase arranca meu lábio superior com os dentes, me fazendo ter uma explosão de realidade e me assustar. Acho que ela gostou dessa minha reação estranha e agarrou meu cabelo em um puxão forte. Beijou meu pescoço com urgência ainda agarrada a meus cabelos:

–Ai, Quinn- gemi sentindo cócegas por onde ela beijava, sou muito, mas muito sensível no pescoço, e acabou saindo o nome da loira pancada.

–Quem é Quinn?- ela perguntou confusa, parando com seus movimentos.

–Quinn? Quem é Quinn... Eu não sei, não falei isso... Não conheço ninguém com esse nome- me consertei atrapalhada.

–Mas você falou ‘’Ai, Quinn’’.

–Eu falei ‘’Ai, cupim’’. Acho que tem cupim nesse caixote. Falei isso e você fantasiou esse nome que eu sequer conheço- dei de ombros, gesticulando freneticamente com as mãos. Tentava a todo custo tirar de minha cabeça que aquela loira tomou por posse meus pensamentos.

–Ah, tudo bem. Quinn, cupim, capim... Tanto faz. O que me importa é sua boca gostosa- disse maliciosamente... Com uma ênfase enorme nessa palavra, pode ter certeza... Pra tanto que quase fico cega com aquele sorriso brancamente sacana. Cadê aquela menininha tímida de minutos atrás? Que pomba gira forte, sô- Se assusta não, morena... Eu tiro já já essa tal mulher que te escarra de sua linda cabecinha.

–Quinn?

–Hã?

–Sim, eu disse sim... Pra que, eu não sei- ela gargalhou, me assustando. Eu estava nervosa sem saber o motivo. Algo dentro de mim estava bagunçado, como se me quisesse de alguma forma longe dali, mas resolvi ignorar. Quinn não me manipularia como uma marionete sem valor... Eu faço meu próprio destino.

–Ai, latina... Você é um pecado, sabia?- a loira se aproximava mais, escorregando suas mãos por minhas coxas- Espero que esse caixote seja bem resistente.

–Jesús!- exclamei mais assustada que excitada. Me sentia estranha, como se algo me puxasse pra longe... Bem, estava precisando tirar minha cabeça desses pensamentos... De Quinn mais precisamente. E se eu não a tinha, como diz aquela frase mesmo? Ah, se não tem tu... Vai tu mesmo.

Puxei Lili pelos cabelos sem pudor algum e grudei sua boca na minha com selvageria, senti que ela gemeu por isso. Sentou-se rapidamente em meu colo, lutando pelo controle da situação comigo. Tadinha dessa criança! Santana Lopez nunca recebe comandos de ninguém! Forcei seu cabelo pra trás de um jeito bruto e mordi com força seu pescoço. Ela gritou de excitação, mais ainda, pois minhas mãos apertavam suas coxas empurrando seu vestido apertado para cima para que ela pudesse se posicionar melhor em meu colo. Lili agarrou-se a minha blusa, usando como apoio para voltar a sua antiga posição e me beijou aproveitando suas mãos na peça pra desabotoá-la. Aquilo estava quente. A loira já movia seu quadril no meu e, por um movimento, senti sua excitação na calcinha vermelha que usava. Apesar dessa pegação toda... Acho que só ela estava curtindo aquilo. Não que ela não seja bonita, gostosa e tal, mas... Minha cabeça não estava ali naquele momento, naquele lugar... Estava longe, em outra dimensão, com um outro alguém e, nossa, parece precisar de mim. Acho que me chama... Meu coração apertou no momento que uma hipótese pousou sobre minha mente... Alguém precisava de mim.

–Quinn!

–Esse nome de novo?- ela me encarou incrédula. Eu me sentia atordoada. Meu coração palpitava forte no peito. Tinha sim algo errado e eu tinha que tirar isso a limpo.

–Olha, Lili, você é muito linda... É mais gostosa ainda, mas... Preciso ir, acho que esqueci o forno ligado- desci-a calmamente de meu colo e sai andando sem olhar pra trás.

–Mas... Santana! Vai me deixar assim, poxa?

–Desculpa!- gritei de longe consertando minha blusa semi desabotoada.

–Vai me ligar pelo menos?

–Vou sim, beijo- desci as escadas o mais rápido que pude, sem ao menos escutar a despedida da loira.

Meu coração batia como um louco. Sentia que minhas pernas me abandonariam logo. Meu corpo inteiro estava estranho. Tinha com certeza algo errado e nem precisou eu andar muito pra constatar isso. Me deparei com Francyne ainda estacionada em frente ao museu, mas aí a desgraça me abateu: Cadê meu carma loiro?

–Quinn!- chamava por ela, olhando pelos vidros de Francyne, mas nada da loira. Fechei meus olhos com força... Cabeça a mil por hora, preocupação queimando meus miolos, porém lembrei-me do que meu pai me ensinou para manter a calma: Ajoelhei-me no chão, com o joelho esquerdo apenas, pousei a mão direita em meu peito sobre o coração e me concentrei em suas batidas aceleradas. Busquei o controle de mim naquele gesto, respirando devagar e profundamente. De olhos fechados, centrei minhas forças, minha energia, no meu objetivo que era achar Quinn e por Deus... Que ela estivesse bem. Parece estranho, mas meu pai me ensinou isso para concentração em treinamento e para controle de minha respiração quando tivesse uma crise forte de asma.

Consegui minha concentração de volta e me pus a andar rapidamente, sendo guiada, incrivelmente, pelo perfume da loira que ainda pairava pelas ruas geladas de Seattle. Não sei se era por causa de meus treinamentos que me permitiram aguçar meus sentidos ou se Quinn tinha um perfume que de tão bom impregnava todo aquele ar. Graças aos céus, depois de alguns minutos vagando pelas ruas, consegui achá-la. Na verdade foi ela quem me achou. Vinha correndo distraída ao ponto de se chocar contra mim com força. Sua respiração estava descompassada, parecia assustado com alguma coisa. Notei claramente isso quando a fiz me encarar. Senti minha alma ferver de ódio quando vi que Quinn tinha um corte na testa e no vestido. Ah não... Alguém ia pagar por isso.

Um bando de arruaceiros apareceu. E, juntando um mais um, já sabia que foram eles os que perturbaram a loirinha e isso não ficaria barato. Dei o que eles mereciam, pouco do que eu podia fazer, mas sabia que ela iria ficar assustada se me visse perder o controle novamente. Não sei qual força me alcançou, pois consegui me conter para não fazer uma besteira com aqueles caras, embora vontade não me faltava. Depois da surra homérica que dei nos enfezados, um deles me chamou bastante atenção. Eu meio que me vi naquele garoto... Perdido, sem saber o que fazer e com apenas uma certeza na vida: o amor incondicional por sua mãe que jazia doente e precisando de cuidados médicos urgentes. Percebi que ele era um bom garoto... Precisava de instrução, mas com certeza tinha um coração nobre. Ajudei como pude e ajudarei ainda mais, só vou precisar de uma folguinha básica da vida e agora do tal russo que ao que me parece vai ficar um bocado zangado comigo por que toda capanga que ele me manda cheio de si, eu devolvo com um olho roxo e o ego arrebentado. Que venha! Ainda tinha muita água nesse rio pra seguir. Tive com uma conversa bem animada com o líder deles que, indiscutivelmente, iria pensar duas vezes antes de cruzar nossos caminhos novamente.

Saí daquelas lembranças sentindo a cabeça doer por tantas coisas em um período tão curto de tempo. Depois daquela bagunça toda com Quinn, que tive meu coração furado com chave de fenda e um trilhão de agulhas de tricô, agora em viagem, íamos em silêncio no carro. Notei que ela dormia tranquilamente com as pernas encolhidas no banco, com meu lençol de emergência cobrindo boa parte seu corpo. Tentava a todo custo tirar minha cabeça daquele ser ao meu lado. Admito que adorava vê-la dormir. Já me peguei encarando-a assim durante nossas noites juntas no mesmo quarto. Assim era adorável... Sua tranquilidade era minha tranquilidade, sem exageros. Reparei que ela moveu as pernas e o lençol desceu um pouco. Fez uma expressão de insatisfação que provavelmente era por conta do frio. Cuidadosamente recoloquei o pano no mesmo lugar que estava e ela tranquilizou. Até sorriu, fazendo eu me perder naquele simples gesto. Parecia que sonhava e, apesar de tudo que está acontecendo entre nós e pelo o que me disse depois do que ambas nos permitimos sentir, eu desejava que todos seus sonhos fossem tranquilos e que pelo menos ali tivesse paz e quietude. Sério, queria odiá-la, mas ainda não tinha essa capacidade. Deus, que loucura foi essa que me meti? Eu sabia de uma coisa: Teria que protegê-la como eu pudesse. Começaria de uma forma até simplória, mesmo que ela não quisesse, e eu estava certa de que não, mas nem ligava. Aquela loira teria que aprender a se defender... De uma forma ou de outra.

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A noite nos abandonou, dando lugar aos raios de sol que atravessavam os vidros de Francyne e atingiam meus olhos atentos a paisagem. Dirigi a noite toda sem parar um instante para dormir. Não conseguia, muitas coisas na cabeça pra isso. A loira, pelo contrário, dormiu a viagem toda, acho que talvez por conta dos comprimidos para dor de cabeça que tomou antes de partirmos de Seattle. Bom, pelo menos com ela dormindo não discutiríamos por horas como nas viagens anteriores e também poderia descansar depois daquela confusão com os capachos do russo.

Escutei Quinn se mexer no banco. Provavelmente despertava:

–Hum, bom dia, Santana!

–Bom dia!- não levei meus olhos a ela, apenas continuei atenta ao caminho.

–Parece que eu nunca tinha dormido na minha vida- comentou espreguiçando-se. Reparei de canto de olho que ela organizava seu cabelo bagunçado, olhando-se no espelho retrovisor do seu lado. Quinn era linda até assim, acordando desconjuntada pela posição que dormira no banco. Seus cabelos loiros compridos brilhavam quando eram tocados pelos raios do sol, esvoaçando-se pelo vento entrando pela janela, trazendo o aroma gostoso de baunilha de seus fios dourados direto até minhas narinas, me embriagando terrivelmente. Tentei manter minha concentração na estrada, mas estava difícil, mais ainda quando senti que ela me encarava. Reuni forças em meu corpo para não virar meu olhar a ela, porém era como querer que o oxigênio não fosse minha fonte natural de respiração. Meu rosto lentamente foi colocado em sua direção, pareando nossos olhares. Quando encontrei aqueles olhos cor da esperança, vi meu desespero refletido neles, como um todo, e minha cara de boba encantada por aquele ser a minha frente. Dá raiva a querer e não ter retorno do que sinto, mais ainda por que de alguma forma sinto que ela esteja querendo o mesmo, mas não me dá a chance de ser o que ela precisa. Sou encantada por olhos, mais por seus significados do que seu design natural feito por Deus. Os dela me diziam muita coisa, confundia também, porém eram atraentes a minha percepção, a minha curiosidade... A minha razão.

Quebrei aquela conexão entre nossas visões, consertando minha posição no banco. Quinn suspirou, dobrou o lençol com que passou a noite e o colocou nos bancos de trás.

–Não vi quando você parou para passarmos a noite. Aonde foi?

–Lugar nenhum. Não parei- respondi tranquilamente. Ela inquietou-se:

–Como assim não parou? Dirigiu a noite toda?- indagou em um tom de incredulidade. Confirmei com um gesto de cabeça- Meu Deus, Santana. Está horas sem descansar. Sei que deve estar exausta por ontem. É perigoso dirigir nesse estado a noite inteira.

–Você está bem?- perguntei ignorando o sermão.

–Estou.

–Então caso encerrado- Quinn bufou zangada. Ela odiava quando eu não ligava para seus argumentos, mas que se acostumasse... Nunca dei nem pros de meu pai.

–Me deixe pelo menos dirigir pra você descansar agora.

–Relaxa aí, Fabray. Está com fome?

–Santana!

–Hambúrguer, aí vamos nós- falei alto levantando aos mãos.

–Infantil!

Ri demorado da cara emburrada dela e segui para a lanchonete mais próxima da cidadezinha que chegamos. Bem alimentadas, voltamos a nosso caminho ainda sem rumo. Quinn ia dirigindo imersa em pensamentos enquanto eu tirava um cochilo deitada nos bancos de trás do carro. Ela ia escutando algumas músicas aleatórias no rádio de Francyne, pude escutá-la cantarolar baixinho algumas delas. Apesar do volume de sua voz, consegui ouvir o quão doce era quando cantava, ela possuía um timbre suave e tranquilo que dava prazer de ouvir por horas e mais horas. Consegui relaxar, caindo no sono com a voz de Quinn ecoando em minha cabeça... Foi ótimo dormir assim.

Acordei algumas horas depois sentindo uma brisa fresca tocar meu rosto. O cheiro de mar alcançou meu nariz, me fazendo ter lembranças boas de minha infância com meu pai em praias que ele me levava para passear em viagens de férias. Apenas ele e eu curtindo a companhia um do outro e da natureza. E foi nessa sensação de lembranças boas que me veio uma ideia:

–Fabray!- toquei em seu braço e ela deu um pulinho de susto no banco.

–Céus! Que susto, Santana!

–Nossa, assustadinha essa moça- brinquei cutucando sua costela. Bateu em minha mão como repreensão.

–O que você quer?

–Entre a esquerda naquela curva- indiquei o lugar e, apesar do olhar de desconfiança de Quinn a mim pelo espelho, a loira acatou. Oh, milagre! Pela primeira vez na vida ela fez algo sem me questionar ou brigar por minhas escolhas. Um verdadeiro milagre. Minha cara rachou com essa.

Estacionamos em uma praia e pelo o que me pareceu, estava vazia. Melhor ainda pra colocar em prática o que eu tinha em mente.

–O que viemos fazer aqui?- Quinn me questionou curiosa. Fiz uma varredura do lugar apenas observando até onde meus olhos podiam alcançar e sorri me agradando do que vista.

–Vamos brincar de lagoa azul. Já pode tirar suas roupas- falei brincando com um sorriso sapeca e ela me fuzilou com o olhar, colocando as mãos na cintura naquela pose assustadora que significava ‘’fala logo senão te mato aqui e agora’’- Calminha aí, Fabray. É brincadeira- ela não disse nada, apenas cruzou os braços- Agora é sério... Viemos pra cá pra eu poder treinar você.

–O que?- ela desfez sua pose, dessa vez ficando incrédula- Que brincadeira é essa agora, Santana?

–Já disse que agora é sério. Irei treinar você, por curto tempo, mas irei- Quinn tinha a boca aberta tentando dizer algo- Terá que aprender a se defender, Fabray.

–M-Mas... Espera! Isso está fora de cogitação. Eu não entendo dessas coisas brutas, Santana.

–Será melhor pra você se fizer esforço pra tentar entender, minha cara- comecei a retirar meus sapatos e os coloquei no chão da parte dos bancos de trás de Francyne. Quinn me encarava meio assombrada- Um exemplo bom disso aconteceu ontem. Não se lembra? O que acha que aconteceria a você se eu não tivesse chegado a tempo?- a loira silenciou-se. Pareceu pensar e eu já imaginava o que- É isso aí, loirinha. É duro, mas encarar os fatos de que dessa vez eu estou certa e você equivocada- uma cutucada singela como um hipopótamo tentando dançar balé.

–O que você tem em mente? Digo, meu corpo não tem preparação pra esse tipo de coisa- juro que te tudo que ela falou só escutei ‘’meu corpo’’. Aquele corpo perfeito e alvo, que atiçava meus pensamentos mais quentes... Pronto, Santana. Aqui, amiga. Foco nos objetivos agora. Quais eram mesmo?

–Mhm... Coisas básicas de autodefesa. Fácil fácil. Até uma rã aprenderia- dei de ombros. Ela ficou me encarando com aquele olhar analítico e eu fiquei tentando adivinhar o por que dele. Acho que ela procurava alguma falcatrua de minha parte. Mantive minha expressão tranquila para firmar minhas palavras e ao que me pareceu ela acreditou.

–Tudo bem, mas meça seus pensamentos, Santana Lopez. Se estiver querendo aplicar em mim alguma de suas brincadeiras sem graça, juro pela rainha que se arrependerá pelo resto de sua vida- vish, aquilo foi uma ameaça? UAU, amei, cara.

–Palmas pra você, Fabray! É essa marra que eu quero em nossos treinos- a aplaudi, dando um de meus sorrisos sapecas... Aquele de que quer ver o circo pegando fogo- Sei que não posso te deixar nenhuma Kill Bill de uma hora pra outra, mas pelo menos uns socos já pretendo que saia dando.

–E como faço pra conseguir isso?

–Fácil! Utilize-se da mesma força que usa pra me acertar com suas palavras... Só concentre isso em seus punhos e será invencível- touchéééééééé, casquinha de sorvete! Eita que seu mordo a língua morro envenenada! A loira me olhou com uma cara de cachorro que caiu da mudança que me deu dor no pâncreas- Bom, agora vá se preparar. Vou dar uma olhada por aí e já retorno para começarmos ok?- ela consentiu e me pus a andar de costas sem quebrar meu olhar do dela. Não sei por que fiz isso, mas só fui perceber minha bobeira quando tropecei em uma pedra e caí desajeitada de traseiro no chão. Quinn tentou segurar a risada, mas esta foi eminentemente rápida. A loira ria como eu nunca tinha a visto rir. Gargalhava mesmo e acabou me contagiando, era muito gostoso ouvir esse som vindo dela, bem melhor que uma bronca pode ter certeza- A pedra armou pra mim e se moveu na minha direção pra que eu caísse- brinquei arrancando mais uma risada dela. Limpei a areia da parte de trás de meu jeans, mais precisamente em meu traseiro, e fui explorar o lugar.

Não sei por que ninguém visitava muito por aqui. Era realmente muito lindo. Uma paisagem confortante de um dia ensolarado. Caminhei descalça pelas águas do mar que tocavam as areias, sentindo mais lembranças de momentos como esse com meu pai, evidenciando a falta monstra que eu sentia dele. Antes que eu me pusesse a chorar por conta disso retornei ao lugar em que deixei Quinn e a encontrei de roupa trocada. Não tinha palavras pra descrever a beleza daquela mulher naquele traje tão simples. Estava em um short jeans não muito curto, com uma blusinha branca de mangas curtas e um pouco transparente, mas era o bastante para conseguir ver seu sutiã também branco por debaixo. Nem vou dizer o quão seco eu engoli com essa visão. Era uma provocação? Não. Quinn não era disso. Pode não ter sido de propósito, mas mexia atomicamente com minhas estruturas. Oh se mexia!

Parei alguns segundos para recuperar minha capacidade de raciocinar e encurtei nossos caminhos:

–Vejo que já está pronta, Fabray. Siga-me, por favor- ‘’não olha pra baixo, Santana. Focaliza no rosto dela’’ Dizia como um mantra pra manter meus olhos longe daquela visão e... Santa mãe, eu vi o umbigo dela! Mordi forte meus lábios pra me repreender, que doeram.

–Então, pode começar- disse cruzando os braços.

–Bom, levei anos pra chegar a essas habilidades que você já deve ter notado em nossas confusões diárias- ela assentiu com um gesto de cabeça- Enfim, como eu mesma disse, serão poucas aulas, mas farei o possível pra deixar você pelo menos mais ‘’protegível’’ para quando eu estiver ocupada ou até mesmo ausente e não precisar me preocupar tanto se você estará segura e se poderá fugir caso precise- tarefa impossível, me conscientizei disso.

–Ok, sou toda ouvidos.

–Quando comecei a treinar com meu pai, ele me explicava que o segredo pra aprender estar em sintonia com as coisas a seu redor, precisava estar em sintonia consigo mesma. Mesclar suas energias com a natureza de uma forma que se sinta parte dela como se fossem uma- me afastei um pouco da loira e comecei a me movimentar sendo guiada pelo vento que batia em meu corpo. Era como uma dança, mas nesta parecia que eu queria pegar o ar com as mãos. Minhas mãos reproduziam movimentos sincronizados com os pés, meu corpo conversava com cada partezinha minha, repassando a energia que se formava de minha concentração. Quando eu fazia isso me prendia a um mundo só meu... Um mundo em que meu corpo ganhasse leveza a ponto de flutuar em uma prazerosa sensação de poder- E enfim, terá a força dos elementos da natureza a seu favor. Encontre seu ponto de equilíbrio em você e trabalhe nisso- Quando virei minha atenção a Quinn, sorri da expressão bestificada da loira- Calma, Fabray, jaja você entende.

–É, tomara. Por que eu achava que isso era do tipo ‘’três passos pra cá e dois pra lá’’

–Ah não é não, minha cara- ambas rimos- Vem cá- ela se aproximou- Postura é tudo, como no balé. Deixe que seu corpo trabalhe por você, reflexos servem pra isso e todos temos eles. Só precisar acordar esses danados pra que fique mais atenta. Vou mostrar a você alguns movimentos simples, mas importantes para uma boa defesa, ok?

–Ok- ela assentiu.

Fiz demonstrações de defesas não tão difíceis, só que precisavam de uma boa concentração para serem executadas. A loira me olhava com atenção. Fitava cada movimento meu, ouvia cada instrução, tudo o que eu dizia e pedia que fizesse era acatado sem hesitações dela. Me senti até estranha por conta disso, mas deixei de lado pra não acabar com a tranquilidade que estávamos agora. Evitei até comentários sarcásticos ou brincadeiras costumeiras... Só queria que aquela paz durasse o máximo que eu pudesse.

–Pronto, Fabray. Agora vamos colocar em prática- ela me olhou meio assustada- Calma, prometo pegar leve com você. Só farei o que eles farão se te pegar e sabe... Acho que eles não vão pegar leve, então...

–Oh céus!- sorri brincalhona e me aproximei dela.

–Concentre-se ok?- Quinn positivou com a cabeça e eu comecei.

A loira se pôs na postura que eu lhe indiquei, mas parecia acuada, com medo, sei lá. Levei a mão até seu ombro, ela fez um movimento para afastar, mas rapidamente a segurei ali e, com um giro de seu corpo, a imobilizei.

–Está morta!- toquei meu dedo indicador em seu pescoço indicando como se fosse uma faca. Ela bufou chateada e eu a soltei- Mais atenção a meus movimentos, Fabray. Preveja meus passos.

–Está bem. Novamente, por favor- ela pediu um tanto afoita. Dei de ombros e me posicionei.

Segui da mesma forma a sua direção e fiz praticamente o mesmo movimento, só que dessa vez fui direto a seu pescoço. Quinn abaixou sua cabeça desviando, mas descuidou-se de seus braços. Segurei uma de suas mãos, girei meu corpo para trás do seu, imobilizando seu braço direito:

–Morta novamente- levei o mesmo dedo a seu pescoço. Ela pareceu ficar impaciente.

–De novo.

–Não, acho que já está bom por hoje- soltei-a, indo na direção de Francyne.

–Eu disse de novo, Santana. Vamos- mandou. Aquele olhar zangado me deu medo, admito.

–Tudo bem, mas vamos com calma que hoje é seu primeiro dia.

Voltei a atacá-la. Percebi que ela tinha melhorado com seus reflexos, só que ainda estavam lentos demais pra mim e consequentemente a segurei pela terceira vez. Ela não se deu por vencida e resolveu atacar... Estava com raiva. Acho que era uma boa hora para descontar isso não é? Eu desviava sem muito esforço, porém algumas vezes ela conseguia me surpreender tocando em meu braço e quase finalizando uma imobilização. Quinn enraivecia-se quando não conseguia atingir seus objetivos e aquela fúria poderia ser uma boa arma para nossas batalhas futuras, se bem colocadas.

–Opa!- brinquei quando ela tocou meu ombro. Sua mão vinha em direção a meu rosto e, quanto mais eu desviava, mais seus movimentos aumentavam- Está rápida Fabray, mas... – Sentei-me no chão e dei uma rasteira em Quinn que a fez cair próxima a mim. Girei meu corpo, me pondo sobre ela- Ainda sou a mais rápida aqui.

Eu sorri pela brincadeira, mas a loira estava séria me encarando. Nossos olhos se encontraram. Senti que minha alma agora era sugada por aqueles olhos intrigantemente lindos. Seu olhar se dividia entre minha boca e meus olhos, levei a mão esquerda até seus cabelos e coloquei uma mexa por trás de sua orelha. Em um impulso invisível meu rosto já estava próximo ao seu... Magneticamente eles se atraíam e quando quase fisguei sua boca, alguém aparece limpando a garganta:

–Com licença, senhoritas. Desculpe estar interrompendo, mas queria saber se estão com algum problema- um senhor de uns 40 anos perguntou- Sou Leoni, guarda dessa região.

–Ah, muito prazer, senhor Leoni. Me chamo Santana- apertei sua mão lhe enviando um sorriso educado- Minha amiga e eu só paramos pra descansar. Estamos bem sim, obrigada.

–Tudo bem. Qualquer coisa, meu posto fica há cem metros daqui.

–Muito obrigada- agradeci e nos despedimos. O senhor se foi, mas eu fiquei aqui nesse mesmo lugar, ainda tentando acalmar o coração.

–Santana!- Quinn chamou, me tirando da dormência que sempre me encontrava dessas proximidades minhas com ela.

–Ah, oi. Algum problema?- me aproximei dela. Estava sentada a um dos bancos de Francyne com as pernas pra fora, segurando o localizador.

–Ele bipou.

–Novo destino?

–Novo destino- confirmou me entregando o aparelho. Respirei fundo quando vi o nome do próximo lugar que iríamos. Era longe, bem complicado de se chegar, eu diria, e algo aqui dentro me dizia que seria memorável.

–É, Fabray... Chegou a vez de esfriar- brinquei, lhe lançando um olhar cansado- Espero que goste de frio... Alaska... Aqui vamos nós.

Notas finais
Então, nem sei se gostaram muito do capítulo, mas este só será ponte da loucura que se sucederá no próximo e prometo que vai ficar melhor kkkk E aí, que tal me agraciarem com suas opiniões sobre a história pra eu saber se estão gostando? O próximo já tem boa parte escrito então, me agradem que eu agrado vocês kkk É brincadeira, gente, sem pressão, quero que curtam de verdade, mas sempre é bom saber como estão achando do que se passa aqui. Me dá até mais gás pra escrever e quem saber antes do fim de semana não venha outro? Depende de suas cabecinhas kkkkk Beijão e obrigada por tudo.