Ligadas pelo destino
14 Capítulo 14- Confusão ao quadrado.
Notas iniciais
POV QUINN
Saí daquele museu com a cabeça ardendo de raiva daquela latina ordinária. Como é que pode arriscar sua segurança por um rabo de saia qualquer? E aquela tal de Lilian? Que disparate se jogar em cima dos outros assim, nem conhece a Santana e já foi lá se oferecer para aquela ingrata safada do caramba que estava se agradando das conversas da loira oxigenada e ainda ficou flertando com ela na minha cara. Ai, que ódio! Eu juro que mato a Santana quando nos encontrarmos. Eu vou bater tanto naquela cabeça que ela enfim criará juízo. Disse que estava gostando de mim e só bastou uma oferecida aparecer balançando a bunda que ela saiu correndo atrás feito um cachorro no cio. Ahhhh! Estava tão estressada que nem peguei Francyne, decidi ir andando até o hotel no intuito que minha cabeça fosse esfriando pelo caminho.
–Quem ela pensa que é pra me largar daquele jeito só pra pegar aquele ser estranho e totalmente desfrutável? Uma dama não se porta daquele jeito, se atirando pra qualquer um que viu dançando. Quer saber? Que as duas vão para o inferno! Eu não me importo. Aquelas duas se merecem. Uma não passa de uma vagabunda e a outra pega qualquer coisa que acha por aí. E depois vem me dizer que eu significo algo pra ela. Que tudo que aconteceu entre a gente foi uma coisa importante pra ambas e que eu... Me entregaria a ela... – ia resmungando pelas ruas de Seattle, totalmente enraivecida pela atitude de Santana em sair com aquela lá. E nosso enfoque nessa missão? Droga, eu não quero que ela fique com aquela garota. Ela não pode. Senti meus olhos arderem ameaçando minha vontade louca de chorar enquanto eu reclamava e me recordava das noites em que Santana me beijou dizendo que sentia algo por mim. Queria ignorar aquilo em meu peito. Devia mandá-lo pra bem longe de mim, mas não ia de forma alguma- Que droga! Eu não quero sentir isso. Devo ignorar, sempre ignorei. Não e não. Que raiva!- ia xingando Santana de todos os nomes feios que nem percebi que estava sendo seguida. Notei algumas sombras a meu encalço e apressei o passo dobrando uma esquina. Acabei me deparando com dois garotos empatando minha passagem. Tentei voltar, porém mais dois já estavam atrás de mim.
–Ora, ora, ora... O que uma moça tão fina e bonita como você faz andando sozinha tão tarde da noite?- o mais velho deles, um rapaz moreno alto, perguntou se aproximando de mim enquanto os outros apenas observavam. Eu já estava com muito medo, eles me olhavam de um jeito malicioso, isso estava me cheirando a coisas ruins- Esse bairro é perigoso, sabia? Não devia estar perambulando por aqui sozinha, gatinha.
–Muito obrigada pelo conselho, mas preciso ir agora- recuei meus passos para voltar por onde tinha vindo, mas ele foi mais rápido e me alcançou, pondo-se a minha frente segurando meu ombro.
–Calma, lindinha. Pra que tanta pressa? Que tal nos divertirmos um pouco?- ele me encarava com um sorriso de más intenções. Tirei sua mão de meu ombro rispidamente e tentei correr, porém o outro rapaz que estava mais atrás já havia se aproximado e me segurou.
–Me solte, por favor, ou irei gritar- dizia alto me debatendo contra os braços do estranho sem obter bons resultados.
–Se você gritar, gracinha. Te cortarei todinha- ele ameaçou tirando do bolso um canivete de cabo preto com uma serpente de prata incrustada formando o cabo- Começando por entre as pernas até sua testa branquinha- tocou com a ponta afiada em minha testa e o desespero começou a me bater.
–Não faça isso, por favor. Se for dinheiro que quer, dou a você tudo que tenho- apontei para minha bolsa.
–Ah, mas você vai dar sim, gostosa. Tudinho pra mim, do jeito que eu quiser- maliciosamente ele passou a ponta do canivete de meu pescoço até minha coxa, rasgando um pouco do tecido por ali e encarando cada ponto que tocava me dando nojo por isso. Aproveitei sua distração e o acertei com minha bolsa que o fez vacilar um pouco pra trás. Seu comparsa tentou me segurar, mas o acertei com um belo pisão no pé e saí correndo em disparada daquele lugar, porém não fui longe. Eu corria como nunca, sempre olhando para trás com medo de que estivessem me alcançado. Ia tão distraída que me choquei contra alguém e senti meu corpo congelar achando que era mais um daqueles bandidos que me perseguia. Antes de me desesperar ainda mais, senti um perfume conhecido naquele corpo, aquele calor de que eu tanto fugia. Fui levantando o rosto devagar na direção do que me segurava como uma certa força me passando tranquilidade e pude respirar novamente:
–Santana!- nunca senti tanto alívio em minha vida por estar vendo-a naquele momento. Ela não disse nada, apenas me encarava em grande seriedade, depois analisando cada canto do meu rosto. Acho que procurava algum machucado em mim e parou o olhar em um ponto pouco acima de minha testa aonde havia um pouco de sangue no local que aquele homem asqueroso pousou a ponta do canivete, depois viu que o tecido de meu vestido acima de minha coxa esquerda estava com um rasgo não muito pequeno, mas que mesmo assim podia-se ver partes mínimas de minha pele.
–Quem fez isso com você?- perguntou seca me encarando profundamente nos olhos.
–Vamos sair daqui agora, eles... – antes que eu a puxasse para sairmos dali, os que me encurralaram na rua mais atrás chegaram com caras nada boas.
–Você vai me pagar por aquela bolsada, sua vadia- o que provavelmente era o líder se aproximava com raiva e com o canivete em punho apontado pra nós. Santana o encarava com um semblante indecifrável.
–Acho melhor você parar por aí mesmo- ela disse dando um passo na minha frente, cruzando os braços e entortando um pouco o maxilar.
–Por quê? Acha que sua pose de durona me assusta?- ele caçou gargalhando alto, sendo acompanhado pelos outros três. Santana não disse nada ou se mexeu de onde estava, simplesmente o encarava de forma segura- Olha, rapazes. Ela acha que pode com a gente- mais gargalhadas foram escutadas. Ele se aproximava com o canivete apontado para a latina- Péssimo dia pra dar uma de heroína, latina delícia- disse próximo e pude ver que Santana deu um sorriso debochado antes de tomar o canivete da mão dele, assombrosamente rápido, e dar com ele em seu nariz.
–Desgraçada!- ele vociferou dando alguns passos pra trás com a mão no nariz. Pelo barulho que fez do impacto do objeto metálico contra o nariz dele, eu podia apostar que se não tivesse quebrado, ia doer por longos dias. Percebi que seus companheiros ficaram um tanto surpresos com aquilo, se entreolhando entre eles. Santana apenas voltou a cruzar os braços e nem mesmo saiu do lugar que estava desde que eles chegaram- Vai me pagar caro por isso. Rapazes, mostrem a ela como tratamos vadias por aqui. Ah, Karofsky as quer vivas, mas nos deixou brincar um pouco com a latina.
–Espera!- Santana parou seus movimentos até ela esticando seu braço esquerdo com a mão aberta. Eu já temia o que viria a seguir e meu medo por nós só crescia, eles estavam em maior número. Eu sabia que não demoraria para David mandar mais de seus homens atrás de nós. Estava bem mais rápido do que de costume- Se vão querer continuar com isso, vamos ao plano: Como eu fui com a sua cara, cabeludo, deixarei você por último. Parece com um cãozinho que eu tinha quando criança- apontou para um rapaz de uns 18 anos, estatura mediana, extremamente ruivo e com sardas. Seus cabelos eram compridos tocando os ombros- Vou usar você pra derrubar os demais, depois seremos apenas nós dois e esse filhote de urso que vive em cima de sua cabeça- O garoto fez careta de confusão e seus companheiros sorriram debochando. Voltaram a se aproximar dela- Então ta- deu de ombros- Fique bem aqui, Quinn.
–San... – antes que eu argumentasse qualquer coisa, eu a vi acabar com a distância entre eles. Já de primeiro momento desviou do soco do primeiro, passando por entre o segundo e o terceiro rapaz em uma estrelinha sem tocar o chão com as mãos, como um mortal para o lado. O primeiro tentou agarrá-la pela jaqueta, mas Santana abriu os braços para que a peça saísse e rapidamente cobriu a cabeça do rapaz com ela, deixando-o sem visibilidade e socando o ar. O segundo deu um chute no alto que ela desviou e foi certeiro no que estava com a jaqueta na cabeça, indo abaixo. Santana deu um salto usando a perna do segundo garoto ruivo para tomar impulso e derrubar o outro com um chute direto nas costelas.
–Bom, agora só falta você, Weasley desconhecido- ela o olhou de um jeito divertido, indo a sua direção. Ele parecia um tanto assustado e recuou alguns passos, correndo até perto de um muro e de lá pegou um cabo de madeira- Bem, isso não estava nos meus planos- freou o analisando. Avançou na direção de Santana tentando lhe acertar com o objeto. Ela desviava de todas as formas possíveis. Meu coração estava querendo saltar de meu peito vendo-a correr perigos desse tipo. Certo que Santana tivera um ótimo treinamento para situações como essa, porém o medo de que ela se machucasse era assustadoramente grande. Profissionalmente falando, é claro. Não, vou parar de querer me enganar, eu me importava sim com ela. Não sei por que, mas me importava. E ela era um poço de confusão ambulante, não mede o que fala, muito menos suas ações e isso me irrita. Ela em um todo me irrita, por que mexe comigo e isso não é bom. Não gosto de me sentir assim em relação a alguém, principalmente se tal pessoa se chamar Santana Lopez e for à latina mais inconsequente, teimosa, irritante, impaciente, metida, gabola e que tem esse corpo, que é mais um pecado em alta definição. Mordi o canto de meus lábios lembrando-me desse detalhe, sentindo algo dentro de mim ganhando temperatura acima do normal pensando naquela pele quente, de cor caramelo, com curvas sensuais e... -Droga!- Saí de meus pensamentos quando o ruivo aproveitou que Santana havia vacilado por um instante, investindo o cabo na direção de seu rosto.
Ela foi rápida e protegeu sua face com o antebraço direito. Ele acertou o lugar por pelo menos três vezes e vi singelas expressões de dor dela. Como não acertou o rosto, ele investiu na cintura e ela agora protegia essa parte com uma das pernas, levantando-a de forma que o cabo acertasse sua canela. Meu peito apertava por isso. Minha vontade era de ir até lá e fazer algumas coisa pra ajudar, mas o que? Além de meu cérebro, não tinha nenhuma habilidade eficiente nessa questão. E com toda certeza Santana me crucificaria se ousasse em meter em uma briga como essa e ela tinha completa razão. Eu atrapalharia de todo jeito. A única saída era vê-la se machucando daquela forma e não poder fazer nada. Que droga!
Ele continuava tentando acertá-la. Pude ver o quão Santana é ágil, até mesmo de mãos nuas, sem nenhuma arma ou objeto para revidar, ela conseguia manter-se de igual a seu oponente. Seu corpo todo entrava em sintonia com o momento. Cada passo, movimentos das mãos, os golpes bem aplicados... Tudo. Como se ela se ligasse ao ar e ele comandasse seu corpo em movimentos leves e precisos, focando-se em seu próprio universo e desligando-se do que se passava no agora.
Nesse momento o rapaz ruivo girou o cabo no sentido horizontal, na direção do ombro de Santana. Ela inclinou o corpo pra frente tendo o objeto passado de raspão por suas costas que arrastaram alguns fios de seu cabelo negro. Frustrado por não conseguir acertá-la naquele local, ele desferiu o golpe para acertar o topo de sua cabeça e felizmente não obteve sucesso novamente. Santana afastou o corpo para o lado e quando o cabo atingiu o chão, ela pisou no mesmo, utilizando-se do pé livre para acertar o rosto do garoto. Meio tonto, ele ainda tentou levantar-se, porém Santana apoiou o joelho em seu estômago, segurando o cabelo dele e o puxando para que a encarasse de perto:
–E agora, hein? O que eu faço com você?- ele balbuciou alguma coisa que não entendemos- O que?
–Por favor, não me machuque- pedia com a voz um tanto falha pelo fato de Santana estar com o joelho comprimindo seu estômago- Eu nem devia estar aqui.
–Ah não devia?
–Não, senhorita. Ando com esses caras para me tornar descolado como eles. E como o russo lá nos ofereceu dinheiro, resolvi aceitar por que minha família está passando por dificuldades financeiras. Minha mãe precisará fazer uma cirurgia e não tenho esse dinheiro.
–E não acha que estudando em uma boa faculdade e trabalhando para ajudar não seria um meio mais favorável e digno para ajudar sua família?- Santana perguntou relaxando mais sua perna na barriga do garoto. Ele fez um gesto de cabeça concordando- Como você se chama, giz de cera laranja?
–Rob, dona.
–Que dona o que? Sou dona nem da minha vida, mandam em mim até do além- ela brincou fazendo-o dar um sorriso fraco- Olha, rapaz, escute um conselho de alguém experiente com esses assuntos de ‘’to ferrado da vida e foda-se o mundo por isso’’- eu observava os outros dois encrenqueiros gemendo de dor no chão e o outro estancando o sangue do nariz pelo canivete desferido em seu rosto. Ela estava tranquilamente ali conversando com o possível caçula do grupo, ignorando o fato de que ainda tinham três homens jogados por perto. Só sendo a Santana mesmo! Balancei a cabeça negativamente e voltei minha atenção para ela em sua conversa com o garoto- A vida nunca é como quereremos que seja. Oportunidades para ser algo bom na vida é difícil de encontrar, mas achar pessoas ruins que corrompem sua cabeça é bem mais fácil. Vai por mim, tem aos montes. Não deixe pessoas ruins decidirem seu futuro por você. Meta-se com cabeças pensantes do bem, não com merdas frouxos feito esses que te acompanham. Faça valer seu futuro, moleque. Prefere passar anos estudando, batalhando pelo o que quer, conseguir, ter um bom emprego e estabilidade na vida ou andar por aí fazendo o que os outros querem de ruim pra você e acabar com um pijama de madeira com sua mãe chorando e se lamentando pelo o resto de seus dias ‘’aonde foi que eu errei, senhor?’’ sendo que você mesmo foi o culpado disso?
–Quero ser alguém, moça. Dar orgulho para minha mãezinha.
–É isso aí, moleque. Vem cá- levantou-se estendendo a mão para ele- Quando isso tudo acabar e eu estiver liberada dessa maluqueira que estou enfiada, me procura em Nova York que te auxiliarei para conseguir uma bolsa em uma faculdade boa de lá. É só chegar na Columbus Academy e procurar por Santana Lopez. Sou conhecida naquele lugar.
–Vou sim, muito obrigada.
–Não tem de que- Santana foi até sua jaqueta, ainda na cabeça de um dos homens, e a pegou- Obrigada por segurar pra mim- ele fez um gesto obsceno levantando o dedo do meio pra ela que sorriu por isso, vestindo a peça de roupa. A latina vinha a minha direção, mas parou de repente. Colocou a mão no bolso da jaqueta, tirando um papel e o fitando por um tempo, como se pensasse a respeito sobre o conteúdo que havia ali. Deu de ombros e retrocedeu seus passos até o garoto ruivo de nome Rob. Santana estendeu a mão para ele entregando o papel:
–O que é isso?- perguntou um tanto intrigado.
–Pra ajudar com a cirurgia de sua mãe- foi então que ele desdobrou o papel, arregalando os olhos pelo o que se deparou- Não sei se é o suficiente, mas já dá pra alguma coisa.
–Minha nossa! Isso é mais que o suficiente. Dá e sobra, dona Santana- ele dizia espantado. Até mesmo eu estava dessa forma. Aquilo era um cheque. Santana estava dando seu dinheiro a ele? Mas por quê? Eles não brigaram ainda pouco? Sinceramente... Minha cabeça deu um belo de um nó agora. Não estou entendendo nada. Mas se bem que se tratando de Santana toda surpresa é pouca- Agradeço a gentileza, mas não posso aceitar seu dinheiro- devolveu o papel a ela, porém esta não aceitou.
–Aceite, estou dando a você por livre e espontânea vontade. Melhor do que se você roubasse por ele e fosse preso, que é o que te aguarda se não deixar essa vida pra trás- Santana cruzou os braços, virou-se e começou a se retirar. Quando já estava próxima a mim Rob a chamou- Santana!
–Eu!- parou, virando seu olhar para ele.
–Nunca vou me esquecer do que você fez por mim. Juro pela vida de minha mãe que terá daqui pra frente em mim lealdade e fidelidade mais do que qualquer um, pois confiou em minhas palavras sobre a saúde de minha mãe e me ajudou mesmo sem me conhecer- aproximou-se dela e segurou sua mão- Serei eternamente grato por isso.
–De nada, Romeu Weasley- ele riu- Você pode me agradecer tirando o nosso rastro de David. Enrola ele até que Quinn e eu estejamos fora da cidade.
–Ok, dona Santana. Farei o possível- ela fez um gesto confirmando com a cabeça- Mas não é comigo que deve se preocupar quanto a isso. O Mickey é o que fala diretamente com ele- apontou para o homem que Santana o acertou com seu próprio canivete, o mais abusado. Ela o encarou e o mesmo inquietou-se, começando a correr. Rob fez menção de ir atrás, mas a latina o parou:
–Relaxa que de rato eu entendo- juntou do chão o canivete do homem que corria e o apontou na direção do mesmo. Levei a mão à boca apavorada pelo o que eu achava que iria acontecer. Santana tinha menção de matá-lo? Deus!
–Santana, não!- eu gritei, gesticulando para que ela parasse, mas só esperou o momento certo para atirar o canivete na direção do tal Mickey. Meu coração disparou, senti que iria sair pela minha boca. Porém quando eu pensava o pior, o objeto atingiu de forma certeira a manga da camisa do bandido, o prendendo a uma cabine telefônica. Arregalei os olhos o quanto pude. Como ela conseguiu isso?
–Na mosca!- ela comemorou dando um soco no ar- Ou melhor... No rato!
Só depois que senti o ar retornar a meus pulmões, dei atenção ao que Santana e Rob faziam mais a frente. Parecia que eles ‘’conversavam’’ com Mickey. Rob segurava o comparsa de David com uma gravata enquanto a latina dizia alguma coisa pra ele e pelo o que me pareceu... Não era nada agradável. Alguns minutos depois o ruivo largou o homem que saiu correndo em disparada rumo a sabe Deus onde. Ela e o garoto deram as mãos, se despedindo. Vou para onde eu estava, me enviando um sorriso brincalhão:
–Oi, Fabray, tudo bem? Tenho uma coisa especial pra você.
–E o que seria?- perguntei com um semblante em um misto de assustado por tudo que aconteceu nesse espaço curto de tempo e ainda de raiva por ela ter ficado com aquela loira no museu, me deixando voltar sozinha pro hotel.
–Isso aqui- ela se aproximou mais de mim e deu um beliscão um pouco acima de minha cintura.
–Ai, Santana. Está ficando maluca? Isso doeu- reclamei massageando o local- O que deu em você?
–O que deu em mim? Você ainda pergunta, sua maluca?- indagou aumentando seu tom de voz em repreensão- Eu que pergunto ‘’o que deu em você’’. Por que saiu sem Francyne? Te mandei ir pegar as chaves dela e ir para o hotel.
–Você não manda em mim, senhorita Lopez- cruzei os braços emburrada.
–Minha nossa! Você parece que é bipolar, mulher- andei até a calçada mais próxima ignorando suas palavras e me encostei a um muro- Não sabe que é perigoso andar por aí sozinha há essa hora da noite? Caramba, eu te entreguei a chave do meu carro. O que você queria mais?
–Que você viesse comigo, sua idiota- estourei, me arrependendo do que eu disse- B-Bom... Nós temos que ir embora e... — me atrapalhei nas palavras feito uma boboca. Santana me olhava com aquele sorriso irritante de provocação. Minha vontade era de socá-la o quanto eu pudesse por ter feito aquilo e por agora estar rindo de mim- O que aconteceu aqui foi nada menos que culpa sua por que resolveu ficar no museu com aquela atirada sem vergonha ao invés de ir embora comigo.
–Culpa minha? Eu lá tenho culpa que você é uma loirinha britânica mimada, que só pensa no próprio nariz e que pode fazer o que quiser de mim que eu vou lá como um cachorrinho abanar o rabo para cada coisa que diz? Pensou errado, queridinha. Ninguém me faz de idiota. Essa época já passou- a encarei um tanto confusa.
–Aonde você quer chegar com isso?
–Você fica querendo me manipular, Quinn. Acha que tem esse poder sobre mim só por que está mais por dentro dessa merda toda de nossos pais, mas saiba de alguma coisa... Você está tão ferrada quanto eu, temos direitos e deveres iguais e o principal- se aproximou- Você não é nem um trisquinho assim melhor que eu- disse mostrando um pequeno espaço que fazia entre o polegar e o indicador.
–Eu nunca disse que era melhor que você, Santana- falei com raiva. Ela não podia falar isso pra mim. Não tinha direito de achar essas coisas sobre mim. Minha nossa!- Não sou essa megera que você diz que eu sou. Sou mais focada, centrada e com propósitos de vida mais importantes que o seu, mas nunca te desvalorizei. Apesar de você ser absurdamente teimosa e nunca levar a sério as coisas importantes que estamos fazendo. Pra você tudo na vida é motivo de piada.
–Ai, caramba. Você quer o que? Que eu ande chorando e me lamentando pelos cantos por que tenho um azar desgraçado que nem quando eu to na merda eu deixo de me afundar cada vez mais?- ela gesticulava com o tom de voz alterado- Quer saber de uma coisa? Vamos parar com isso. Não quero fazer algo do que posso me arrepender segundos depois. Vamos pegar Francyne para irmos embora- Santana tentou puxar minha mão para irmos, mas tirei meu braço antes.
–Vá você sozinha. Irei caminhando- disse firme, dando alguns passos para começar a andar.
–Deixa de frescura, Fabray. Não era você que queria sair logo daqui?- me impediu de andar, se colocando a minha frente.
–Foi, mas acho que a loira peituda lá está te esperando pra vocês se deflorarem por aí. Me deixe em paz, Santana. Não vou a lugar algum com você- tentei passar por ela, mas não tive muito sucesso.
–Primeiramente: Ninguém usa mais essa palavra ‘’deflorar’’ hoje em dia. Está precisando se atualizar, filha- revirei os olhos, dando de ombros- Segundo: Por acaso está com ciúmes de mim, Fabray?
–Claro que não, mas que petulância- gesticulei que não com a cabeça até que freneticamente, tentando convencer não só a ela disso como a mim mesma. Ela não tirava aquele sorriso que eu tanto odiava, me provocando juntamente com aquele olhar safado. Meu corpo parecia querer explodir em algo que eu ainda não sabia descrever o que. Ela mexia comigo e terrivelmente já tinha noção disso. Que ódio!- Não sei de onde você tira essas coisas.
–Então se não se trata disso, por que a revolta toda?
–Por que você é uma idiota completa- bati com as duas mãos, uma em cada ombro dela. Queria descontar minha raiva a todo custo e ninguém melhor pra isso do que a própria pessoa que me fazia ficar assim.
–Hey, vai com calma aí, gata selvagem- ela segurou meus pulsos, me impedindo de continuar- Pare com isso e vem logo comigo.
–Não vou- bati o pé, de uma forma até infantil, mas firme. Não iria a lugar nenhum com ela.
–Ah não vai?
–Não. Nunca dou pra trás com minhas decisões- cruzei os braços e a encarei em uma pose cheia de segurança. Ela não poderia fazer nada contra mim mesmo.
–Ok- Ou poderia?- Foi você quem pediu.
–O que vai fazer?- ela nada disse. Veio até mim descruzando meus braços e em seguida me segurou pela cintura, colocando-me em seu ombro- Santana! Coloque-me no chão agora.
–Não, minha cara. Cansei de brincar de mamãe e menininha birrenta- começou a andar comigo daquele jeito.
–Deixe de brincadeira. Me solte, eu exijo.
–Uhm, a noite está tão linda pra dar uma caminhada- disse ignorando meu protesto- Se não fosse esses zumbidos de mosquitinhos loiros ficaria perfeita.
–Sua latina idiota!- eu socava suas costas com tudo que podia, mas apenas consegui arrancar uma gargalhada zombeteira dela- Eu vou matar você, Santana.
–Ui, poderosa!- mais gargalhadas dela. Ia me pagar por isso, pode ter certeza. Continuou caminhando comigo em seu ombro reclamando e batendo nela de todas as formas possíveis. Uma senhora que estava colocando o lixo para fora nos encarava meio espantada- Calma, senhora. Esse bicho está comigo e contido. Não é mais um risco pra sociedade, pode ficar tranquila. O que tem de loiro tem de manso. A cara feia assusta, mas não mata.
–Idiota.
–Também amo você- ela ironizou. Propositalmente fez um movimento no ombro, me fazendo dar um pulinho naquela posição que doeu um pouco minha barriga. Nossa, como eu odeio essa latina!
Andamos por mais tempo. Estava me sentindo a Fionna naquele filme Shrek quando ele a salva da torre, mas ela não quer ir com o mesmo porque tratava-se de um ogro. Estava naquela mesma posição, sendo levada contra minha vontade por aquele ogro latino tosco sem um pingo de educação em sua cabeça de vento. Bom, vamos convir que meu ogro era muito mais lindo que o da princesa e seu cheiro era como algo que nunca havia preenchido minhas narinas, dando-me uma sensação de êxtase mesmo estando em uma situação deveras embaraçosa como aquela. E o sorriso? Aquele desgraçado, irritante e gostoso sorriso... Espera aí... Eu disse meu ogro? Não acredito que falei isso. Quinn Fabray... Ela de minha não tem nada. Nem eu quero que seja... Nada. Só me atrapalharia em meus propósitos. Pare de pensar nisso e se concentre em sair dessa situação revoltante...
–Santana, agora já basta. Me coloque no chão, por favor- pedi calmamente.
–Ok, senhorita. Já que foi tão educada e estamos há poucos metros de meu possante... Simbora pra labuta- sorriu brincalhona. Aproveitei que começamos a andar lado a lado e nem sei o que deu na minha cabeça, mas corri a toda na direção de Francyne- Hey, volta aqui, sua maluca- Santana gritava começando a correr atrás de mim, que estava esforçando ao máximo para que as pernas me obedecessem e corressem como nunca. Olhei pra trás e ela se aproximava rapidamente.
–Vai, droga!- eu pedia/implorava pra que a porta de Francyne do lado do motorista abrisse. Quando eu enfim consegui, Santana aparece e fecha a porta do carro com força. Acho que com a mesma força que ela fechou a porta me empurrou contra a mesma, mas não me segurou, apenas me encarava.
–Pirou de vez, foi? O que te deu pra sair correndo assim feito uma doida?
–Queria ir pra bem longe de você- admiti sem encará-la, inquieta.
–Iria repetir aquela bobagem de roubar meu carro na minha cara? Achou que conseguiria novamente, sua doida? A Santana molenga de dias atrás já não é a mesma. Acabei de derrubar quatro caras maiores que nós duas e você, esse frango albino molenga, acha que escaparia de mim tão fácil?
–Me deixe sair- empurrei seus ombros. Santana segurou minhas mãos e me chocou mais uma vez contra a porta do carro, de forma não muito forte, mas o suficiente pra eu gemer fraco com impacto- Pare com isso, que droga! Você não entende que não quero ficar perto de você.
–Já chega!- ela gritou enraivecida, batendo com força no vidro ao meu lado a ponto de sentir meu corpo vibrar- Sua loira mimada filhinha de papai. Você não manda em nada nessa merda. Muito menos em mim- apontou se dedo indicador em minha direção.
–Tire esses dedos de meu rosto. Isso é falta de educação- bati em sua mão para afastar.
–Tão requintada essa moça- ironizou, rolando com os olhos- Que pena que não caio nessa de ‘’Santa Quinn Fabray’’. Algo em você me tira o sossego. Não sei o que, mas é um misto de insegurança, dúvidas, receio e...
–E... – a incentivei continuar, porém a mesma parou um instante, como se pensasse e lutasse para não dizer o que tinha passando em sua cabeça naquele momento. Ela abaixou o rosto por um momento, balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso um tanto debochado pra si mesmo.
–E desejo, talvez- revelou me fazendo arregalar os olhos não só por isso, mas pela forma que ela me olhou. Um olhar pesado e enigmático. Ai, meu coração! Eu não ouvi isso. Não, minha cabeça está me enganando. Ai, pai, ela está se aproximando de mim- Quem sabe excitação, tentação... Pecado. Mas com toda certeza calor- levou sua boca até meu ouvido e sussurrou lentamente- Muito calor.
–San... Santana, me-me deixe, por favor. Preciso sair daqui agora- reuni todas as forças que restaram de meu corpo para empurrá-la pra longe e sem muito esforço, me fez voltar pro mesmo lugar em um estalo.
–Não, precisamos falar sobre isso. Pare de querer me enganar, Fabray- apoiou os braços, um de cada lado de minha cintura na porta, mas sem me tocar. Inclinou um pouco seu tronco na minha direção, me olhando profundamente nos olhos, talvez de forma avaliativa a meus movimentos- O que você está escondendo aí, hein, Fabray? O que esses olhinhos tão bonitinhos absorveram e agora fogem de mim como o diabo foge da cruz? Está queimando comigo dessa forma, loirinha? Sinto daqui... Acho que posso estar conseguindo derreter esse gelo que você tem aí dentro... A frieza te abandona agora?
–Santana... Pare com isso- parei sua aproximação, pondo minha mão direita entre nós. Ela tombou a cabeça pro lado com aquele sorriso miseravelmente safado encarando meus lábios. Quase perco meus pulmões quando ela passou a língua pelos lábios, os umedecendo. Me perdi naquele simples movimento, mordendo o canto de meu lábio inferior como por instinto. Parecia que meu corpo me traía, deixando-se levar pela clara provocação daquela latina. Um misto de raiva e excitação me tomavam. Sim, eu podia negar tudo, menos essas sensações impiedosas que Santana me causava sem ao menos me tocar como agora. Seus olhos pareciam me comer pela forma pesada que me encaravam, meu coração palpitava... Minha mente embaralhava e o calor que exalava daquela morena ia acabar me consumindo se não saísse rapidamente dali- Sai, me solte agora se não gritarei. Vai querer ser presa?
–Não faria nada que você não quisesse agora, Fabray. Seus olhos quase que me imploram por isso nesses exatos minutos- e seu corpo se aproximava, prendendo minha mão entre nós. Eu tinha que acabar com isso- Você não faria isso. Não chamaria ninguém.
–Ah é?- minha raiva crescia mais. Quem ela pensa pra me chamar de covarde? Pois foi que ela quis dizer- Veremos, Santana Lopez. SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE. ESSA MULHER ESTÁ TENTANDO ME MOLESTAR.
–O que? Ficou maluca, sua doida?- ela tentava tampar minha boca- Quinn, se controla.
–Me deixe em paz, Santana. Não...
–Ah, cansei disso- Santana me interrompeu acabando com o espaço que existia entre nossos corpos, prensando seus lábios contra os meus de forma forte e possessiva. Nesse instante minhas pernas fraquejaram, suas mãos agora seguravam minha cintura firmemente, grudando suas garras ali. Gemi pesado e mordi com força seu inferior, fazendo-a me soltar- Ai, Quinn- ela reclamou e nos segundos seguintes só escutou-se um sonoro tapa que eu deixei em sua face morena. Santana virou o rosto e sorriu de lado. Juro que pensei que ela iria revidar ou algo parecido, mas apenas tocou o canto dos lábios com a língua- Sabia que você tinha um lado meio sado masoquista mesmo.
–Não faz isso- pedi sem sucesso. Depois a única coisa que vi foi a rapidez que ela grudou nossos corpos e lábios. Tentei empurrá-la de mim, batendo nela como pude, mas só serviu para Santana segurar meus braços e prender por detrás de meu corpo contra a porta- Santana!- dessa vez seu nome saiu de minha boca mais como um gemido. Minha revolta não foi o bastante. Por quê? Por que de alguma forma eu não queria isso. Como sei? Simplesmente deixei que aquilo me tomasse e deixei que sua língua maravilhosa adentrasse em minha boca e começasse a brincar com a minha ali. A boca dela agia sobre a minha com maestria. Sentia sua língua explorar a minha, acariciando e puxando para poder chupá-la de uma forma rápida e que causou um estalo.
Eu gemia um tanto descontrolada com minha própria coordenação motora, pois minhas pernas me traiam amolecendo enquanto sentia o quadril de Santana prensar o meu contra o carro com força, como se fosse se fundir a mim. Quando ela esqueceu-se de minhas mãos presa entre minhas costas e o carro, levei-as até seu pescoço arranhando o local cima à baixo, descontando as sensações que ela me fazia sentir agora. Senti a morena suspirar enquanto me beijava. Isso foi o suficiente pra sentir meu corpo me abandonar. Minhas pernas fraquejaram. Santana me amparou, me apertando mais a Francyne e em um impulso envolveu minhas pernas em sua cintura, e entre elas se posicionou cada vez mais perto do que pulsava tanto por ela agora. E eu odiava isso. Não queria que Santana tivesse esse efeito em mim, mas meu corpo não queria me obedecer. Queria mais e mais daquela latina, que agora dava atenção a meu pescoço em chupadas nada comportadas... Sugando todo meu ser, minha alma, o que tinha em mim... Nossa... Alguém pode me explicar que sensação dos céus era aquela? Arranhei forte suas costas, escorregando minhas mãos para seu abdômen e apertei o local com toda força que tinha. Senti que meus membros superiores rasgariam aquele tecido que cobriam aquela parte de Santana que tanto mexia com meus pensamentos... A barriga mais gostosa que já tive a vontade de pôr os olhos e que agora estava tão próxima da minha, me causando os calafrios mais torturantes do universo
Meus dedos estavam ficando roxos por tamanha força que eu aplicava naquela parte. Mas também pudera, Santana mordia sem pudor meu pescoço, arqueei o quanto pude para deixá-la ainda mais à vontade com os movimentos. Segundos depois puxei Santana pelos cabelos para que voltasse a me beijar. Escorreguei meus lábios por seu queixo e o mordi, ela os capturou pra si novamente e continuou com sua mágica de me fazer perder todo ar dos pulmões com um simples beijo. Bem, acho que estou com febre. Isso ou aquela mulher era assombrosamente quente e estava querendo me derreter contra aquele carro. Santana apertava minhas coxas de forma bruta, como se as pertencesse e não quisesse dividir com ninguém. Deus, aquilo era humanamente impossível. Estava à beira de um orgasmo sem mesmo Santana ter me tocado mais intimamente. Aquilo não passava de um amasso, nada comportado por sinal, mas não menos que isso.
Colapso! Isso que meu corpo estava entrando agora... Totalmente em colapso. Santana ia acabar sendo minha ruína.
Foi com isso que minha mente teve um choque de realidade... Tudo que já aconteceu até ali e muito antes disso:
‘’Me perdoa por estar te pedindo isso. Não queria... Filha, eu não queria... – ele não conseguiu continuar, desabando em um forte choro’’.
‘’Papai, eu sei. Apesar dos poucos anos que estou com senhor, aprendi a ter princípios. Preciso dar um sentido a minha vida. Isso me ajudará a me reavaliar por tudo que já fiz com as pessoas e até mesmo com o senhor, meu pai’’.
Meus olhos abriram quando flashes de minha me atingiram. A voz de meu pai... Me quebrou cada palavra... Cada expressão... Aquela noite em que tive a destruição de mim mesma.
‘’Eu não acredito que fez isso comigo... Por favor, me diga que é mentira... Me diga que não foi você... Por que mentiu pra mim? O que ganhou com isso? Você pode querer se enganar achando que pertence a esse mundo, mas alianças de sangue nunca quebram. Ligações feitas pelo destino são como cordas que te prendem alguém até mesmo sem querer’’
Senti minha cabeça rodar e empurrei Santana com as pernas para que se afastasse de mim:
–Pare- andei meio cambaleante até a árvore mais próxima para tentar me equilibrar como podia... Minhas pernas ainda estavam distantes de minha percepção. Notei que Santana ainda estava parada no mesmo lugar, com a testa encostada a porta de maneira ofegante- Você... Você tem que parar de me beijar dessa forma, Santana. Não sou nenhuma de suas vadias pra me tratar como um objeto de suas brincadeiras doentias quando quiser. E-Eu tenho princípios.
–Sínica!
–O que?- indaguei surpresa pela palavra dirigida a mim- Me chamou de que?
–De sínica- repetiu já de fôlego retomado. Esperou alguns segundos para voltar a falar- Quer mais? Pois bem... Hipócrita, mentirosa, arrogante, infeliz... Vou até parar aqui antes que diga coisas que me arrependerei.
–Mas o que... Com que direito você me fala tais palavras?- perguntei incrédula. Cruzei meus braços e me aproximei com um semblante raivoso.
–Com o mesmo que você me faz de idiota- ela me encarou pela última vez, consertou sua blusa e se dirigiu até a porta de Francyne- Se quiser ir por aí sozinha feito uma maluca desmiolada, que vá. Nunca mais irei atrás de você novamente- entrou no carro e trancou a porta com um estrondo.
Mordi meus lábios segurando minha vontade esmagadora de chorar, mas me mantive firme. Esperei um momento para poder me refazer. Fui até o lado oposto de Santana no veículo e suspirei profundamente antes de abrir a porta e entrar. Ela nem mesmo me encarou, continuou com sua postura fitando o horizonte pelo para-brisas. Eu não devia ter deixado as coisas irem por esse lado. Pouco me importava como seriam tais coisas em minha vida. O importante era finalizar isso tudo, mas acho que devo algo a Santana. De alguma forma me sentia mal por essas minhas recaídas para com ela... Nunca devia ter acontecido desde o começo. Precisava deixar isso claro pra ela, por que acho que devia estar sendo o mesmo para sua cabeça.
–Santana... Quero me desculpar pelo o que aconteceu e...
–Quinn?- ela me interrompeu. Virei meu rosto em sua direção.
–Sim, Santana- disse em um tom calmo.
–Você me faria um favor?- franzi o cenho pela pergunta, mas resolvi dar atenção a isso. De alguma forma devia isso a ela.
–Claro. O que é?
–Vá para o inferno!
Acho que nem preciso comentar como essa frase me fez sentir agora.
Fale com o autor