Ligadas pelo destino
12 Capítulo 12- Bem me quer, mal me quer... Dane-se!
Notas iniciais
Quando mais jovem, na adolescência, uma amiga uma vez me perguntou: ‘’Santana, será que o paraíso realmente existe? Se existe, como será ele?’’. Eu singelamente respondi: “A resposta pra sua pergunta é fácil, minha cara. Claro que o paraíso existe. Todos nós temos o nosso. O paraíso existe aonde nos encontrarmos na mais completa paz. Naquele, cujo momento, fará seu coração sentir-se imerso na mais completa tranquilidade, porém também estará tão acelerado que, a qualquer movimento de seu corpo, poderá desprender-se de seu peito chegando a doer. Esse, em minha opinião, é o melhor paraíso que podemos encontrar”. E sabe o que ela me disse depois de alguns segundos calada? Filosoficamente ela falou... Fiquei até emocionada na hora... Foi mais ou menos assim: “Pô, tu é mó gay, coisinha”. Pense na vontade doida de dar um sopapo bem no meio da cara daquele ser não identificado na hora. A pessoa vem com uma pergunta de tão intensa resposta como aquela, eu respondo a altura e aquele rascunho do capeta me vem com um comentário retardado desse tipo. “Se não queria que eu respondesse, não perguntava, demônio do quinto dos infernos’’, rebati na hora e sai da lá virada no samurai e...
Bem, o real fato de eu estar recordando disso nesse instante é por eu estar me sentindo como citei ainda pouco: Estava imersa na mais completa tranquilidade, mas ao mesmo tempo com o coração querendo pular da caxupeta de tão acelerado. Ter Quinn daquela forma era... Nossa! Não sei ao certo por quanto tempo ficamos nos beijando. Mas quem se importa? Que durasse um século, não ligo. Quanto mais durasse pra mim, melhor. Depois que provei daqueles lábios senti que os meus nunca seriam os mesmos sem eles. Era como se fossem feitos um para o outro... Encaixe perfeito. E não, não é por que bebi... Bem, um pouco disso também, porém não foi o bastante para eu fantasiar dessa forma. Pelo amor de Deus, alguém me diz o que essa mulher tem nessa boca que está me matando querendo mais?
– Dios, Quinn ... Tu boca es tan caliente! Me gusta mucho- quebrei o beijo dizendo em espanhol que a boca dela era tão gostosa e que eu gostava muito dela, de um jeito meio ofegante e com vontade de muito mais. Quinn gemeu com seus lábios quase pareados aos meus, enquanto sua testa ainda colada a minha estava suada igualmente a suas mãos que estavam em meu maxilar com as unhas semi cravadas a ele... Muito E-X-C-I-T-A-N-T-E. Senti sua respiração pesada tocar minha boca. Os pelos de seus braços estavam ouriçados por meus dedos alisá-los a todo o momento e em seguida chegando a sua nuca, passando minhas unhas delicadamente por toda sua extensão que a fez arfar pelo contato. Abri meus olhos em busca dos seus, tão lindos e brilhantes, mas ela os mantinha fechados de uma forma até forte, como se não quisesse abri-los de jeito algum- Está tudo bem?
–Está... Só me beija, por favor- ela pediu com a voz entrecortada, me puxando até com uma certa força para que eu voltasse a beijá-la e assim aconteceu. Quando nossas bocas se chocaram novamente, as cargas elétricas que antes senti voltaram acompanhadas de algumas amigas maiores e mais fortes... Achei que não pudesse sentir uma sensação melhor que da primeira vez, mas a segunda, terceira, ducentésima vez sempre é melhor, indiscutivelmente só melhora. Toda mulher é assim: Instigante, enigmática, forte,... Quente. Cada uma de suas formas e maneiras, porém todas de igual força e poder... As que te doma e aquece e as que te carinha e enlouquece... Linha por linha... Algo divino.
Um minuto... Tempo bastante pra se viver, não acha?
São 60 segundos de puro êxtase... De um e um segundo um revirar de olhos... Congela, ricocheteia, prende o fôlego e solta com força.
Ela me olha... Sorri com os olhos. Pensa que me engana... Oh, não... Sou formada em leitura corporal.
Mulher é um enigma... Vivaz e quente... Umas te ama selvagem e outras de um jeito inocente.
Eis aquela que me olha ao longe... De canto de olho, mas sinto que me estuda. Quando pensa que está se formando de mim, já chego com o diploma de sua alma.
Alma essa que grita por mim... Sim, eu escuto... ‘’Me tenha... Meu corpo diz que te quer’’. Fazer o que? Alma por alma... Fogo encarnado em pessoa... Não... Em um olhar.
Tudo mesclado... Seu desejo arruína meu passado. Por quê? Não sei, seu corpo é como uma droga... Droga essa que quero ter uma overdose... Pois tremendo já estou, mas de curiosidade por te despir com o olhar.
Corpo a corpo... Compartilhando calor... Pare, olhe em meus olhos. Sinta minha alma rasgar pelo fogo que seu corpo exala por mim.
Seu corpo é uma escultura... Meus dedos a contorna por completo... Sente sua pele arder? Isso... Consumi você. És minha agora.
Se brinca com fogo é por que quer se queimar... Em minha mente agora grudada está... Se acredita no paraíso te mostro aqui e agora... Olho por olho... Corpo por corpo... Qual a idade da sua alma? Não importa... Quero que dure o que tiver de durar.
Elas... Te sugam com todo esse desejo e intensidade... Indescritível? Claro que sim, mas com um olhar podemos descobrir tudo... Esse olhar que Quinn me lançava quando me tinha raiva... Quando, ah, parecia querer me bater e agora descontava em meus lábios enroscados aos seus. Tão gostosos lábios. Lábios agora quentes e inchados de tão feroz beijo.
Sinto suas mãos caminharem por meus braços, para cima e para baixo, de um jeito até carinhoso. Já a minha encontrou sua cintura e a apertou com força, fazendo-a soltar meus lábios por um gemido (maravilhoso por sinal), mas apesar disso ela não me olhou. Seus olhos continuaram escondidos dos meus, mas não importa... Quero mais sua boca. Puxei Quinn para continuar de onde paramos, seu corpo ia se encostando mais ao meu... Quente, muito quente. Minha mão em seu quadril criou vida e começou a explorar o local e foi descendo. Toquei suas coxas... Macias. Que parte do corpo de Quinn não era? Encontrei seu pescoço... Beijei-o por onde pude e senti suas mãos alcançarem meus ombros os apertando.
Estou ficando maluca, só pode! Estava quente como um vulcão... Minha pele ardia por essa mulher agora.
Minha mão agora subia por dentro do vestido de Quinn. Senti sua pele um tanto fria, mas isso não diminuiu o quão bom estava minha mão por ali, ia deslizando para cima e alcançou a lateral de sua calcinha... Quinn arqueou o corpo, senti meu coração palpitar, como outras partes específicas de meu corpo. Alisei a lateral da peça com o polegar, mas uma chuva grossa que despencou sem aviso me fez para com os movimentos.
–Ai, caramba!- Quinn disse saltando do capô rapidamente.
–Hey, Quinn... Volta aqui é só chuva. É água, não ácido sulfúrico- a chamei de volta, com a voz meio enrolada por conta da bebida, e a loira nem me olhou tentando entrar no carro.
–Não, Santana. Já está tarde e podemos pegar um resfriado se ficarmos debaixo dessa chuva... Caramba, essa porta não quer abrir.
–Mas que droga! Calma que eu vou aí te ajudar- me rendi descendo do capô também e mais uma vez me lascando com tudo no chão- Misericórdia, eu não podia nascer menos desastrada?- perguntei olhando para o alto. Quinn morria de rir mais a frente- Que foi?
–Você é um perigo, Santana. Pra si mesma mais ainda- lhe mandei língua o que a fez sorrir mais. Veio correndo na minha direção e pegou minhas mãos- Vem, deixa eu te ajudar, se ficar sentada nessa terra embaixo de chuva vai acabar brotando feito uma flor.
–É, até pode ser, mas me diz se não vai ser uma flor muito gostosa?- pisquei safada e Quinn revirou os olhos enquanto fazia força pra me levantar- Tu é muito fraca, filha. Deixa que eu me levanto.
–Santana, acho melhor não. Você vai... – ela mal terminou de dizer e quando me soltei, encontrei o traseiro no chão novamente.
–Ai, cacete- xinguei sentindo o traseiro doer pelo impacto.
–Olha a boca, Santana- Quinn me repreendeu se segurando para não rir, voltou a tentar a me puxar e dessa vez conseguiu. Andamos até a porta traseira esquerda de Francyne e entramos (na maior luta, coordenação motora zero agora).
–Bom, Fabray... Enfim sós.
–Santana... – Quinn disse de forma longa, como uma repreensão, enquanto eu a encarava maliciosamente me aproximando dela deslizando pelo banco.
–Fabray... – brinquei a imitando no tom e me aproximando mais ainda. Ela colocou suas mãos em meus ombros para me impedir de avançar, mas eu virei meu rosto beijando uma delas. Ia subindo o beijo por todo seu braço até chegar no pescoço e ficar ali por um tempo, voltando a fazê-la se arrepiar por completo- Você está tão gelada!
–Estava na chuva, você queria o que?- ela retrucou sendo a Quinn de sempre e eu sorri lhe encarando.
–Sem problemas... Estou quente por nós duas- ela balançou a cabeça negativamente e me fisgou para outro beijo intenso. Me aconcheguei mais a seu corpo, abrindo um pouco suas pernas ficando entre elas. Quinn fincou suas unhas em minhas costas, me fazendo gemer quando as senti ir descendo até minha cintura... Estava maluca por estar com ela daquela forma. Tão maluca que o mundo de repente começou a girar e quando vi, por um movimento em falso, cai entre o vão dos bancos da frente e os de trás.
–Santana!- Quinn disse me encarando naquela posição de bêbada de fim de festa- Você está bem?
–Estou ótima, Quinn... Sabe, eu gosto de cair entre os bancos de Francyne de vez em quando... Dá uma paz de espírito desgraçada- ela tentou segurar, mas começou a rir sem parar com a mão na barriga- Isso, ria de mim... Fico feliz que te divirto com minhas asneiras.
–Não, Santana, só que... Meu Deus, isso é hilário. Você está parecendo uma tartaruga encalhada- e explodiu em uma intensa gargalhada agora.
–Rir das desgraças dos outros é pecado, Fabray... Deus castiga. Cadê seu lado inglês quando se precisa dele?- retruquei emburrada. Tentei me levantar, mas foi um esforço em vão- Vai ficar rindo ai ou vai me ajudar aqui?
–Nossa, desculpa... Estou fraca de tanto rir.
–Você é fraca de nascença, agora me dê sua mão- Quinn ainda rindo me ofereceu a mão, mas minha super visão distorcida de bebum me agraciou- Uma já basta, Fabray... E para de mexer essas mãos.
–É só uma mão e está quietinha aí na sua frente... Nossa, você bebeu demais.
–Você acha? Minha nossa!- ironizei e ela conseguiu pegar minha mão e me puxou para onde estava antes da minha babaquice de segundo atrás.
–Pronto, está salva agora- ela brincou me endireitando no banco- Pode agradecer depois.
–Eu vou te dar é uns beliscões, sua chata. Ficou rindo ali de mim naquela situação- emburrei, encostando minha cabeça na parte mais alta do banco no intuito de que o mundo parasse de girar.
–Ah, para... Você fica lindinha toda bebinha- ela caçoou me cutucando.
–Fico né, sua viada?- resmunguei colocando a mão no rosto- Nossa, minha cabeça está girando.
–Calma- Quinn ajoelhou-se no banco e mexeu em algo do porta-malas, retirando de lá uma garrafa de água e me entregando- Toma, vai melhorar.
–Obrigada- tomei alguns goles e entreguei de volta a ela. Quinn mexeu no porta-malas novamente e de lá tirou um lençol que eu sempre levava comigo quando ia acampar e se aconchegou a meu corpo, puxando meu braço para que eu a abraçasse enquanto deitava em meu peito e nos cobria- Confortável?
–Muito, dona bebinha- nós duas rimos e eu a puxei ainda mais pra perto de meu corpo- Obrigada, San.
–Pelo o que?- perguntei, rindo pela forma que me chamou. Nunca me senti tão bem sendo chamada assim.
–Por hoje, por tudo... Há anos não me divertia assim- murmurou meio molenga de sono.
–De nada, moça... Precisando, estamos aqui- ela sorriu- Eu também não... Rir assim não era algo que eu fazia muito, apesar de ser meio pirada.
–Te acho incrível... Seu jeito é incomum, mas especial como nenhum outro já visto por mim- fiquei em silêncio meio assustada pelas palavras dela... Bom, pra quem era xingada todo dia isso era quase um Nobel da paz.
–E você não é tão chata como eu achava que fosse... É até um ser humano gostável- ela me deu um tapinha na perna e eu sorri. Ficamos em um silêncio confortável em que só se ouvia a respiração de ambas. Ela estava quieta, poderia apostar que estava dormindo, mas não estava. Me encarava esse tempo todo e o engraçado que não me incomodei por isso. E olha que eu odeio quem me encare por muito tempo, mas ela não me deixava assim. Estava até gostando de ser observada agora por aquela loira tão instigante. Queria tanto saber o que pensava, porém preferi não perguntar- Oh, Quinn... É a Quinn, parece a Quinn e cheira a Quinn. E o nome dela rima com capim. É tão ranzinza que deixa qualquer um maluco... E é tão branca que parece um sabugo. É loirinha como uma sereia... A mãe a ama tanto que lhe deu nome de ovelha- comecei a cantar, quebrando o silêncio e ela saiu de sua posição pra me estapear no ombro.
–Caramba, como você é sem graça- eu gargalhava já ficando quase sem fôlego enquanto ela continuava a me bater. Segurei seus braços e a fiz voltar pra mesma posição que antes- Idiota!
–Também te amo, Fabray- ironizei escutando-a dar uma risada baixa.
–Pois eu odeio você.
–Tudo bem, vou fingir que acredito- acariciei sua mão em minha cintura, deixando um beijo casto em sua cabeça- Boa noite, Quinn.
–Boa noite, San- ela depositou um selinho demorado em meus lábios, abraçou minha cintura e descansou sua cabeça próxima a meu pescoço. Fechou seus lindos olhos e se aprofundou no cansaço... Bom, eu também estava precisando muito e com ela desse jeito perto de mim seria a melhor noite da minha vida... A melhor de todas.
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Os raios de sol atravessaram os vidros de Francyne e alcançaram meus olhos, gemi me incomodando com aquela claridade que chagava a doer minha cabeça. Fui abrindo os olhos devagar e dei com a vista em cabelos loiros jogados sobre o rosto da zangada mais lindinha que eu amava implicar todos os dias. Ela dormia tranquilamente agarrada a minha blusa como se eu fosse escapar e com a cabeça preguiçosamente encostada a meu ombro, com um biquinho leve em uma respiração tranquila... Achei até fofo. Pisquei meus olhos algumas vezes sentindo a cabeça pesar um pouco por conta da bebedeira de ontem à noite, mas apesar disso nitidamente veio em minha mente tudo o que aconteceu entre Quinn e eu. Cada beijo e carícias que trocamos... De como sua boca é tão maravilhosa e que posso estar tão viciada a ela que é apenas isso que me passa agora, repetir tudo aquilo e muito mais. Caramba, isso é muito louco! Como uma pessoa pode mexer tanto com outra assim a tal ponto de fazê-la se esquecer da grande merda que está enfiada até o pescoço agora? Por que meu coração está batendo feito louco por ela apenas estar encostada a mim dormindo de uma forma até... Meiga? Nossa, como os olhos dela são lindos! Sinto que brilham quando se encontram aos meus. Parecem que me chamam... Não, sei que me chamam, por que todo meu corpo ganha leveza em sua direção. O que eu não faria para vê-los todo dia?! Deus, isso chega a ser perigoso!
Vou contra minha sensatez levando minha mão até seu rosto alvo o acariciando com cuidado. Senti que ela despertava. Quinn abriu os olhos devagar acostumando-se com a claridade e me encarou. Devolvi o olhar só que ao invés de surpresa, como era o seu caso, eu a olhei de forma calma e sorri levemente.
–Bom dia!
–Bom dia!- ela disse ainda com a mesma expressão. Peguei uma mexa de seu cabelo e coloquei atrás da orelha. Ela parecia incomodada. Se afastou de mim, sentando-se mais para perto da porta. Fiz algo errado? Sei lá, ela me olhava estranho.
–Algum problema, Quinn?
–Não, só estou com dor de cabeça... Acho que bebi demais ontem- ela dizia enquanto amarrava o cabelo em um coque bagunçado.
–Somos duas, minha cara... O mundo ainda não parou pra eu descer- comentei brincalhona, mas ela continuava com a mesma expressão séria. Deve ser a ressaca, só pode. Não me lembro de ter feito nada que a aborrecesse. Ou fiz?
–Será que podemos voltar à viagem agora? Quero ver se encontramos algum posto de gasolina ou até um restaurante por aqui pra comprar algumas coisas como remédios e mantimentos.
–Ah, claro. Vamos daqui a pouco. Preciso checar umas coisas antes- ela consentiu e saiu do carro. Aquelas conhecidas minhocas que, comiam meu cérebro quando algo não me cheirava bem, começaram seu trabalho em minha cabeça. Aquilo parecia mais que uma ressaca. Estava muito estranho, oh se estava!
Meia hora depois pegamos estrada novamente. Encontramos uma espécie de bar pelo caminho e lá conseguimos tomar banho e nos alimentarmos. O dono era uma pessoa bacana e sua esposa vendia remédios, então conseguimos uns ótimos comprimidos para dor de cabeça e entre outras coisas. Quinn continuava naquela quietude de sempre, só que mais assustadora. E, pelo simples fato de termos nos beijado por quase toda a noite passada, algo apitava em minha cabeça que esse era o motivo de ela estar toda estranha, mais do que o normal. Resolvi deixá-la quieta... Quem sabe ela não estava bem mesmo por conta da bebedeira que tivemos e eu fico aqui fantasiando besteira quando devia estar prestando atenção na estrada? Oh vida da moléstia!
Dirigi pelo dia inteiro, dando paradas curtas e poucas. Chegamos a Seattle pela boca da noite e nos alojamos em um hotel dessa vez. Estava cansada demais para sair pela cidade atrás de uma pousada, então resolvemos correr esse risco. Quinn nos registrou usando sua identidade perfeitamente falsificada e fomos encaminhadas ao nosso quarto. Íamos dormir juntas novamente, parece que isso ia se tornar frequente. A todo o momento eu encarava cada movimento de Quinn. Cada expressão facial, corporal, sei lá, tudo. Eu prefiro a Fabray de ontem à noite. Engraçada, solta, que sabe conversar e me entende. Nunca em uma conversa em toda a minha vida me fez tão bom quanto a que tive com ela e aquele beijo com certeza nunca sairá de minha cabeça... Nunca. De todas as bocas que já beijei, nunca uma me fez tão refém quanto a dela. É simplesmente incrível o poder que essa mulher tem sobre minhas forças agora... Credo, isso soa estranho. Vamos parar por aqui que ela está vindo na minha direção:
–Santana, se importaria se eu fosse tomar banho primeiro?- perguntou meio tímida e quase não me encarou. A olhei em silêncio por um tempo, como se estudasse o que se passava nela. Queria estudá-la, descobrir o que raios essa mulher tinha. Será que beijo tão mal assim pra tê-la deixado tão afetada desse jeito? Modéstia parte, nunca ninguém reclamou- Santana?
–Oi?- acordei de meu devaneio feito uma tonta enquanto ela aguardava minha resposta- Ah, pode ir sim, não tem problema.
–Obrigada- consenti passando a mão por meus cabelos e suspirando vendo-a ir para o banheiro.
–Santa madre di Diós. Quando ela fica me xingando toda hora eu reclamo. Agora se está calada demais, reclamo também... Ah, vá pra puta que pariu com essas merdas de minhocas na cabeça.
Fiquei assistindo um pouco de TV enquanto ela estava no banho. Assistia a um jornal famoso do país e eis que me deparo com uma notícia que chamou bastante minha atenção:
‘’A polícia de Washington está toda mobilizada a encontrar o responsável pelo atentado a uma das mais conhecidas lojas de doces do país e a um famoso restaurante cassino de Las Vegas, muito conhecido por sua singularidade e boa recepção... ’’
–O que você está vendo?- Quinn apareceu já com roupa de dormir.
–Um jornal. Acho que estão falando de Olívia e Tom- respondi e ela sentou-se ao meu lado na cama prestando atenção ao que o repórter relatava.
– Aumenta o volume, por favor.
–Ok- fiz o que ela pediu e ele continuou:
‘’Ambos os lugares sofreram ataques similares e com um intervalo de um dia. De acordo com algumas fontes seguras, os dois locais foram brutalmente revirados e depois ateado fogo a eles, tendo as suas estruturas consumidas por completo pelas chamas e sem nenhum vestígio sendo deixado para análise para a perícia criminal. Infelizmente os respectivos donos dos locais foram vítimas fatais desses ataques. Sendo que uma das vítimas se chamava Olivia Tribiani e o outro Tom Vincent, ambos ex-militares aposentados. A polícia deixou escapar que isso pode ser obra da máfia russa comandada por um dos homens mais procurados não só pelos Estados Unidos, mas também por mais 35 países incluindo a própria Rússia por tráfico, terrorismo e homicídio, David Karofsky. Agora a polícia procura uma ligação mais forte com Karofsky a esses fatos chocantes e o porquê de tais atrocidades. Mais informações estarão sendo transmitidas por aqui no decorrer da semana. Boa noite a todos’’.
Desliguei a televisão boque aberta com o que acabara de ouvir. Caramba, esse homem era um monstro cruel. Pra que fazer aquilo? Minha nossa, meu corpo inteiro se arrepiou e eu nem sei por que. Olhei para o lado e Quinn não parecia nem um tanto surpresa pelo o que aconteceu a Olívia e Tom, mais estranho ainda.
–Por que você não parece surpresa por isso?- perguntei intrigada, virando meu corpo para que ficasse de frente a ela.
–Já estava demorando para que ele começasse a pegar pesado. Muito a cara do David usar esses meios nada convencionais para conseguir algo de suas vontades obscuras- ela disse da forma mais natural que já havia visto na minha vida, o que me assustou de verdade.
–E o que isso significa?
–Que ele está furioso- parei no meio do caminho, sentindo minhas palavras ficarem entaladas a minha garganta- E é só o começo.
–Você parece o conhecer muito bem, Fabray. Tem alguma coisa que ainda não me contou sobre vocês?- questionei mais intrigada ainda por suas palavras tão seguras em relação ao tal David Karofsky. Quinn calou-se e seus olhos ficaram inquietos, fazendo-a virar o rosto para uma direção longe de mim- Então tem, não é? Existem mais coisas que eu possa não estar sabendo, é isso?
–Claro que não, Santana- levantou-se da cama e caminhou até a janela cruzando os braços e encarando a paisagem por ela- Eu sou do tipo que estuda seus rivais e aliados. Da mesma forma que estudei você para aprender a lidar com o seu jeito de agir, tive que estudá-lo para aprender pensar de igual forma.
–Por que então a não surpresa pela a atrocidade que ele pode ter feito aos amigos de seu pai? Eu que nem os conhecia direito estou totalmente chocada com tudo.
–Não é que eu não esteja chocada com isso, pois estou, porém temos formas diferentes de tratar as coisas, Santana. Prefiro ficar quieta pensando. Temos muitas coisas pra nos preocuparmos agora- concordei com seu argumento me levantando e indo a sua direção, ficando por trás dela e abraçando sua cintura. Ela meio que se assustou com o contato, mas nada fez ou falou.
–Sabe que se algo te incomodar pode dividir comigo, não sabe? Não sei o que temos, ou se temos alguma coisa, mas de alguma forma fomos ligadas a isso por um propósito. Eu posso estar ficando maluca, mas você mexe muito comigo e sei que acontece o mesmo com você sobre mim. Parece que algo em mim não é o mesmo se não estiver perto de você nem que esteja brigando comigo ou me xingando. Apenas que esteja ao meu lado me tranquiliza e isso assusta, mas acho que não vivo mais sem poder sentir o que me proporciona agora- despejei tudo próxima a seu ouvido e ela continuou calada, encarando o nada e isso estava me dando agonia por estar me abrindo dessa forma para ela e a mesma ficar muda de repente- Fala alguma coisa, por favor.
–Você está equivocada. Não sinto nada disso que disse e muito menos você, Santana. O que está acontecendo aqui é uma grande confusão pelo que nos alcançou nisso. Nada mais que isso- ela enfim disse algo que, desastrosamente, doeu aqui dentro- Você sempre acaba confundindo as coisas, Santana.
–Sério que acha isso? E sobre ontem?- Quinn ficou calada de novo me fazendo ficar com raiva. A virei para que me encarasse quando fosse me responder, se é que ela iria fazer isso. Ela encarou o chão, toquei seu queixo e o puxei para que me encarasse- Tudo que aconteceu não significou nada pra você? Nada mesmo? Por favor, me diga o contrário por que não foi o que pareceu quando quase se entregou a mim noite passada se não fosse aquele chuva e o fato de eu ter me desastrado toda com aquela bebedeira. Não posso estar enganada quanto a isso- ela desviou seu olhar encarando o chão- Olhe nos meus olhos e me diz que não significo nada pra você... Quinn, me explica isso, por favor.
–Santana, você e eu... – parou uns instantes e respirou fundo me encarando com o queixo um tanto trêmulo como se fosse chorar, mas não quisesse- Me desculpe, mas você está enganada. Não temos nada. Fora termos que manter uma certa aliança por nossa jornada atrás dos chips de meu pai, não passamos disso... Aliadas a um propósito em comum- aquilo me doeu de verdade. Nossa, nunca senti nada igual. Me afastei de seu corpo, a fitando a uma certa distancia.
–Então é isso que acha?- perguntei me sentindo contrariada, custando acreditar que as palavras que Quinn me dissera fosse verdade. Eu sentia que não.
–É o que sei... Me desculpe- senti meu peito arder, mas eu não desisto, não quando acreditava que algo não estava certo.
–Sério, estou custando acreditar nisso. Aquele beijo, Quinn, não foi um nada por acaso. Eu nunca, ouve bem, nunca me senti nem perto como senti quando nos beijamos sobre o capô e dentro de Francyne. Sou idiota, não burra- retruquei um tanto magoada, me alterando a cada palavra dita- Significou muito para mim, mais do que tudo que já fiz na vida.
–Desculpe, mas a mim não. Pra falar verdade nem me lembro do que aconteceu. Bebi demais, vai ver por isso me excedi daquela forma. Há tempos não bebia, exagerei e deu no que deu- me impressionou a frieza pela qual ela me desferia tais palavras como uma faca encravada direto em meu coração- Eu não... – não aguentei que ela falasse mais nada e a puxei para um beijo violento. Precisava tirar aquilo por mim mesma, aqui e agora- Santana, pare...
–Não, preciso disso- a empurrei contra a parede de forma grosseira e colei meu corpo ao dela como se fosse me fundir ao seu. Meus lábios estavam sobre os seus ferozmente, não deixando que nenhuma parte deles ficasse sem ser explorado, tomado, mordido, sugado, enfim, tudo a que tinha direito nesse momento de raiva que havia tomado meu corpo. Senti que ela estava cada vez mais entregue a meus movimentos e carícias em seu corpo, pois cravou suas unhas a meu quadril que me senti queimar por todo meu interno e externo. Desci minhas mãos até suas coxas e arranhei dali até um pouco abaixo de suas costelas por dentro de sua camisola fina. Quinn gemeu pesado contra meus lábios e eu avancei em seu pescoço de forma possessiva e forte, arrancando ainda mais gemidos dela. Suguei, mordi e beijei subindo até sua boca e a possuindo de novo, senti que algo em mim pegava fogo. De repente me desprendi de sua boca e encostei nossas testas, já suadas, e a encarei vendo-a ainda de olhos fechados e recuperando o fôlego- Me... Me diz agora que isso não significou nada, por que acredito que se eu me aproximar mais uma vez de você assim, sinto que posso perder o controle, te jogar em cima daquela cama e possuí-la por tantas horas que sentirei minha mão doer por dias.
–S-Santana- ela gemeu próxima a mim e suspirou forte em seguida- Me perdoe, mas o que você procura em mim não existe. Nem nunca vai existir. Aquilo... Isso que aconteceu foi um grande erro. Não sou o que você quer e temos que nos focar apenas em terminar nossa missão- ela saiu de meus braços e fiquei encarando a parede sentindo algo ruim dentro de mim ir se formando- Me desculpe mesmo.
–Não peça desculpas... Eu que devo. Por ser tão idiota e ingênua achando que um dia ia encontrar um coração dentro de você, Quinn- me virei, lhe enviando um olhar chateado, machucado, ofendido... Tudo misturado- Nunca mais falarei disso com você, esqueça, pois eu esquecerei. Quer focar nessa merda que me enfiou? Me foco e nada mais terá de mim.
–Santana...
–Não- interrompi seu argumento- Seja lá o que você é... Não me importa mais- saí dali deixando-a boque aberta e entrei no banheiro me enfiando debaixo do chuveiro. Me senti a pessoa mais idiota do mundo por estar me sentindo assim. Mas que se dane! Uma simples mulher não faria isso comigo. Quinn despertou algo em mim adormecido por muito tempo e o matou logo em seguida. Um segundo sentimento de revolta habitou meu peito agora. Algo que há tempos não sentia. Parece que nunca fui boa o bastante para alguém me amar, mas sempre fui um alvo para todos me acertarem com tudo que tinha em mãos. Que seja, isso não acontecerá de novo. Santana Lopez não será a vítima novamente, podem escrever.
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