Ligadas pelo destino

11 Capítulo 11- Lucy in the Sky with diamonds


Notas iniciais
Heyyyyy... Viu como sou mulher de palavra? Postei outro rapidinho. Não demorou nem uma semana. To sendo uma amiguinha legal. Aproveitem que eu não tenho a mínima ideia de quando vai sair o próximokkkk Eita que eu to inspirada pra fazer capítulo grandes... Torço para que gostem desse... Ta todo trabalhado na confusão kkk Mas vamos deixar de conversa e ir para o capítulo, mas antes... Muiiiito obrigada por comentarem. Tem gente desaparecendo, mas voltam logo, não é? Vou chorar, viu? kkkk Então, divirtam-se:

POV Quinn:

Já estávamos em nosso segundo dia de viagem. Nunca teve tanto silêncio dentro daquele carro como teve nessas últimas horas que se passaram. Santana continuava quieta e sem muitas palavras, coisa que pra mim era totalmente anormal já que aquela latina não ficava quieta um segundo sequer. Ás vezes achava que ela tinha a língua queimada do tanto que tagarelava. Sabia com certeza que na maioria das vezes que fazia isso era pra me tirar do sério, pelo fato de eu ser mais calma e dispensar certas conversas. Então porque eu não me sentia aliviada por ela enfim ter ficado quieta? Não devia estar feliz por isso? Estranho... Muito estranho!

Pra falar a verdade, aquele seu silêncio não me parecia nada saudável, mas do tipo que martela algo na mente que, por sua expressão séria, acredito que seja intenso. Sou boa observadora, sei quando alguém não está confortável com alguma coisa e Santana me parecia muito mexida. Com o que, vou ficar devendo, por que nem eu mesma sei e estou quase matando pra descobrir. Apesar daquele jeito dela, de alguma forma, algo instigava naquela latina. Algo que acabo me perdendo pensando... Algo que me parece que não a faz bem lembrar. Estou começando a me sentir mal por esse silêncio todo. Sei lá, o carro de repente ficou abafado e pequeno demais para toda aquela tensão entre nós. Não é de minha natureza me importar com alguém, a não ser meu pai, e agora estou aqui me sentindo estranha por que Santana, a latina mais pentelha do mundo, não fala comigo. Que idiotice minha! Que raiva de mim. Ah, que se dane. Estou nem aí mais, vou deixar isso pra lá e...

–Santana! Está tudo bem?- O que? Eu disse que ia deixar isso pra lá. Que saco de boca!

–Mhm, estou- ela murmurou, me enviando um sorriso fraco, voltando sua atenção pra estrada. Entortei a boca, buscando algo inteligente pra dizer e como não veio nada... Tentei qualquer coisa.

–Está cansada? Se quiser eu dirijo.

–Não, obrigada. Estou tranquila- apoiei o braço na janela do carro, pousando a mão sobre minha cabeça pensativa.

–Ainda falta muito para chegarmos?

–Não, só mais umas duas ou três horas- disse brevemente. Revirei os olhos, dando uma profunda bufada. Bom, eu tentei!

Uma hora se passou. Santana continuava na mesma e eu comecei a ficar entediada. Coloquei meus antebraços na janela do carro, apoiando meu queixo nos mesmos para observar a paisagem. Adorava aquela brisa batendo em meu rosto. O cheiro de natureza era deveras confortante, me dando vontade de ficar por aqui mesmo e esquecer o que me esperava mais a frente. Confesso que algumas coisas do meu passado me faziam falta.

Minha liberdade era uma delas. Sentir-se livre é a uma das melhores sensações que alguém pode ter. Viajar por aí sem ter medo que alguém esteja esperando você no aeroporto pra te matar. Usar seu nome verdadeiro para se apresentar as pessoas ou comprar, sei lá, pipoca no cinema. Comprar um carro e rodar pelas estradas sentindo o vento bater em seu rosto. Poder caminhar de mãos dadas com quem se ama pela rua ou praia (amo praia), aproveitando o que Deus nos deu com tanto carinho, com quem te completa e... Que te faz... Sentir-se no... Paraíso com apenas um... Olhar e um... Sorriso... (Por que olhei pra Santana enquanto pensava isso? Cara, que estranho!) Sei lá, mas é o sonho de qualquer garota achar um rapaz que a complete, a tratando com carinho, amor, zelo e a faça feliz com as pequenas coisas como... Te fazer sorrir por que retira um pedaço de galho de seus cabelos e brinca com isso fazendo você simplesmente... Suspirar por... Aquele sorriso com covinhas nas bochechas, cuja imagem que parece ser a única que quer se deparar para o resto da... Vida. Olha aí, de novo. Estou muito lerda hoje, que droga é essa? Para, para, para.

–Quinn!

–O QUE?- Santana me chamou calmamente e eu devolvi com um grito sem saber por que, a fazendo arregalar os olhos pelo susto. Saiu sem querer, juro.

–Calma, Fabray! Está possuída ou o que? Saravá, meu rei- odiava essas brincadeiras da Santana sobre meu humor. Quando ela fazia isso me dava vontade de atirá-la de dentro daquele carro- Menstruou, bebê?

–Vai se ferrar, Santana. O que você quer comigo?- perguntei ríspida. Ela conseguiu me tirar do sério de novo em fração de segundos.

–Primeiramente... Que não me coma. Tem chocolate no porta-luvas- revirei os olhos, cruzando os braços e desviando meu olhar para o longe pela janela- Segundo... Quero te pedir perdão pelo o que presenciou comigo hoje mais cedo- no mesmo instante quando ela disse isso, eu a encarei buscando palavras.

– Não precisa pedir desculpas- meu tom de voz mudou totalmente, ficando calmo e leve.

–Precisa sim. Não devia ter perdido o controle daquela forma, quando deveria ter escutado você e ido embora- ela disse sem me encarar- Agi por impulso e me deixei levar por provocações levianas. Pensei que nunca mais passaria por isso de novo, mas percebi que como tudo agora, o que eu pensava é apenas um borrão para o que eu ignoro.

–Santana, você não precisa se explicar...

–Não, Quinn. Eu não sou assim- cortou meu argumento. Percebi que ela apertou com força o volante como se repreendesse algo internamente- Só... – acho que algo a impedia de dizer o que queria naquele momento, travando. Santana balançou a cabeça negativamente, dando um sorriso meio nervoso- Me desculpe por ter gritado com você daquela forma. Posso ser tudo menos violenta ao extremo. Aquele foi um momento de fraqueza minha que não vai se repetir.

–Eu entendo você, Santana. De verdade- me ajeitei no banco para parear meu olhar ao seu perfil. Apesar de concentrada no caminho, vi que seu olhar se perdia em pensamentos. Não sabia quais, mas podia imaginar que ela não os queria ter- Todos temos nossos momentos de fraquezas e descontrole. Não vou mentir que não me assustei, mas foi por medo de que ele te machucasse- ela olhou pra mim rapidamente, com a sobrancelha arqueada em intriga- P-Por conta do que temos de fazer. Preciso de você inteira para conseguimos os chips e... Você sabe, por interesses profissionais- argumentei gesticulando de uma forma atrapalhada. Ela deu um sorriso de canto, meio debochado, e que com certeza era por meu jeito de tentar me explicar. Tinha raiva disso! Até em momentos sérios ela debochava da situação- Bom... Você me ajudou. Me defendeu daquele homem abusado e se alguém tem que pedir desculpas aqui, esse alguém sou eu. Deveria ter afastado ele, sei lá, mandado ele se ferrar e sair dali, mas meus conhecimentos não envolvem força bruta e sim mental. Travei ali na hora como uma tonta.

–Você não tem culpa de existirem idiotas como ele que não sabem se portar quando veem uma mulher, Quinn. Me arrependo do meu descontrole, não da surra que dei nele- disse, voltando a ficar séria. Eu escutava tudo atenta a cada palavra- Faria isso novamente quantas vezes fossem necessárias até ele aprender como ser um homem de verdade- parou um pouco antes da linha de um trem, quando o sinal de ‘’pare’’ fora aceso- Ele mereceu as pancadas. Só me arrependo por ter deixado me levar daquela forma e... Por ter tratado você com grosseria. Podemos não nos dar muito bem e sei que você me odeia, mas nunca vou te tratar mal por isso. Sei como se deve tratar alguém da forma que se quer ser tratada- abri a boca no intuito de dizer algo, mas nada saiu. Ela achava isso de mim? Que eu não gosto dela? Eu não desgosto da Santana, só que somos diferentes demais em todos os quesitos e ela me tira todo tempo do sério, mas não o bastante para odiá-la. Nossa, doeu em alguma coisa aqui dentro.

–Santana, eu não odeio você...

–Mas também não gosta, noto isso claramente- me cortou novamente. Depois não quer que eu fique zangada. Ela nunca me deixa terminar uma frase, me julgando antes de deixar me defender.

–E você me julga antes de me deixar completar uma frase. Já disse que não te odeio, você me tira do sério, isso é fato- cruzei os braços, emburrada.

–E você não me tira do sério, senhorita certinha? Já se escutou por acaso? Quando tira pra me esculhambar parece uma metralhadora desenfreada no Iraque- comentou, fazendo careta. A fuzilei com o olhar- Já vi porrada que dói menos, Mike Tyson albino magrela.

–Você que é idiota, latina irritante. Já vi macacos mais educados- rebati, fazendo uma expressão de superioridade, com a cabeça levemente erguida e um sorriso com um pequeno bico formado.

–Como é que é? Acabou de me comparar a um macaco?- protestou incrédula, colocando as mãos na cintura e me encarando- Você que não passa de uma britânica chata e mimada, que vive por aí querendo mandar nos outros com esse narizinho plastificado, arrebitada e que merece um puxão pra aprender tratar bem as pessoas.

–Com que direito você me diz essas coisas e... – arqueei a sobrancelha esquerda, confusa- Como sabe que eu sou britânica?

–E tem povo mais chato que britânico?- disse levantando as mãos, indicando a intensidade de suas palavras- ‘‘Oh, Jarbas, mastigue isso pra mim, por que meus dentes reais só servem pra morder minha própria língua inglesa”. Um nojo- ela imitou meu sotaque de forma exagerada, me fazendo ferver por dentro.

–Eu não falo assim, idiota- comecei a estapear seu braço, zangada, e ela sorria muito se defendendo. Conseguiu segurar minhas mãos, me puxando para perto. Quando eu digo perto, quero dizer bem perto mesmo de si. Nossos rostos estavam a milímetros de distância. Eu gelei com a proximidade, sentindo algo dentro de mim pulsar forte, mas tão forte que podia atravessar meu corpo. Ela mantinha aquele sorrisinho debochado que eu tanto odiava e que ia adorar desmanchar com um...

–BI BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII- escutamos buzinas nervosas de carros que haviam juntado, formando uma imensa fila atrás de nós. Ela me soltou e voltei para minha posição anterior, bufando de raiva, retornando com minha respiração normal. Santana ligou o carro, xingando algo em espanhol pelas buzinas ainda soando, como se pedissem para andar logo. Quando atravessamos a linha do trem, minutos depois ele passou por ela, desfilando seus majestosos vagões cor de prata, que pareciam nunca ter fim, assim como a confusão que se formava em minha cabeça.

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Enfim chegamos a capital americana. Como sempre, procuramos um lugar afastado do centro para nos alojarmos e dessa vez, foi em uma pousada. Nem pensar em ficar em um motel com Santana de novo... Nunca mais. Demos entrada em um quarto, com duas camas, a pedido dela dessa vez. Ela disse que pagaria até o dobro pelas camas separadas, me fazendo ter uma pontada de decepção por isso. Vai saber por que. Ao entramos onde íamos ficar, Santana jogou a mochila na cama, retirando de lá algumas peças de roupa e foi para o banheiro. Dei de ombros, pegando alguns aparelhos e livros sobre a mesa para estudar o lugar e possíveis rotas. Enfim, mapeando os pontos principais para fugas ou entradas. Santana saiu do banheiro minutos depois trajando roupa de corrida e tênis.

–Aonde você vai?- perguntei, dessa vez mais calma.

–Correr- respondeu breve, fechando seu casaco até o pescoço.

–Mas já está ficando tarde, Santana. É perigoso correr por aqui à uma hora dessas, principalmente por que...

–Eu preciso, Quinn. Se não quiser me ver enlouquecer aqui dentro me deixe ir sem broncas, protestos, argumentos ou qualquer coisa que queira dizer ou fazer como costuma comigo- calei-me nesse momento. Não disse que algo a perturbava?- Vou tomar cuidado, prometo.

–Ok, preste atenção no que vai fazer- alertei hesitante em deixá-la sair, mas foi o jeito. Parecia mesmo precisar fazer isso. Ela fez um gesto com a cabeça concordando e saiu, me deixando com uma pulga atrás da orelha- É Quinn... Acho bom ir trabalhar enquanto a latina corre por aí socando árvores- revirei os olhos suspirando.

Voltei ao que fazia e por ali fiquei por quase uma hora. Quando senti fome, pedi pizza pelo telefone e comi sozinha naquele quarto simples de pousada, sentindo uma droga de preocupação por já se passarem duas horas e Santana ainda não havia voltado da tal corrida. Já era quase meia noite e nada dela chegar. Comecei a tamborilar os dedos na mesa impaciente, temendo o que pudesse ter acontecido com aquela maluca por aí. Quando já me preparava para levantar e ir atrás dela, eis que surge Santana de repente pela porta:

–Hey, isso são horas? Já ia atrás de você achando que tinham te matado- ralhei, vendo-a passar por mim, me ignorando- Santana, estou falando com você!

–Estava por aí, Quinn- respondeu indo até a mesa, pegando uma garrafa d’água e tomando um pouco do conteúdo em um longo gole.

–Não faça mais isso, ouviu? Temos que focar em nossa missão e... – eu monologava, e ela não dava à mínima. Deu as costas pra mim, começando a tirar o casaco e em seguida a blusa fina que tinha por baixo, ficando apenas de top. Eu freei com as palavras com a visão da pele descoberta de Santana, principalmente seu abdômen perfeitamente trabalhado pelos treinamentos e esportes que eu sabia que ela já havia praticado quando mais nova. Santana se virou na minha direção, começando a me olhar de cima a baixo, fazendo eu me sentir nua ao seu olhar misterioso e um tanto... Sexy?

Tirou os tênis e meias, ficando apenas de calça moletom e top. Começou a andar até mim e acho que quase tenho um enfarto por isso, principalmente por que pegou minhas mãos e começou a me puxar até o centro do quarto. Mas o que ela quer comigo agora, senhor? Estou com medo... Muito medo. No entanto esse medo me parece... Bom. Mas que...

–Santana, o que está fazendo?- indaguei agoniada, puxando minhas mãos das dela.

–Tire os saltos!

–O que?- fiquei totalmente incrédula pelo pedido- Não vou ficar descalça.

–Tire os saltos agora- pediu autoritária. Meu corpo todo tremeu com aquela voz firme e olhar mais firme ainda sobre mim. Não tive outra alternativa a não ser fazer o que ela ‘’pedia”.

–Pronto tirei e agora? Vamos brincar de roda?- tentei parecer brincalhona, porém irônica.

–Muito bem... Agora me ataque.

–Oi?!

–Você não é surda- disse um tanto ríspida.

–Que é isso, Santana? Eu não vou te atacar coisa nenhuma- me neguei aquilo, saindo de fininho- Que droga anda usando? Só pode estar ficando doida achando que eu... – nem deixou eu terminar a frase, me puxando pelas mãos para voltar pro mesmo lugar- Pare com isso agora.

–Faça o que eu estou pedindo, Fabray- caramba, como ela podia ser tão sensual me chamando por meu sobrenome? Pare com isso, Quinn. Ela está testando sua paciência agora.

–Já disse que eu não vou fazer isso e ponto- disse firme, cruzando os braços em forma de protesto.

–Não, tudo bem... Mas acha que eu sempre estarei perto pra te proteger quando alguém atacar você? Acha que consigo defender você à distância? E seu eu falhar e for pega ou sei lá, morta? O que vai fazer, Quinn Fabray?- meu estômago começou a embrulhar por aquelas palavras. Nunca queria pensar nessa possibilidade dela se machucar ou pior... – Pensar não derruba ninguém, Quinn. Acha que seus estudos vão te salvar de uma faca colocada no seu pescoço? Ou que seu papaizinho vai tirar o bumbuzinho dele daquela cadeira, seja lá onde ele esteja, pra vir arcar com as merdas que ele fez só pra proteger a filhinha dele quando um... – não esperei ela terminar a frase e lhe dei um tapa certeiro na face direita. Eu não queria ter feito isso, mas a forma que ela falou do meu pai me machucou de verdade. Faça tudo comigo, mas não meta meu pai no meio.

–Não fale assim do meu pai- disse alto, apontando o dedo em sua direção. Ela apenas sorriu com deboche (como sempre).

–Ah, não gosta que eu fale a verdade? Pois bem, ele ferrou com a gente. E com certeza te mandou aqui por que é covarde o bastante para mandar a própria filha morrer por ele- senti meu sangue ferver por tais palavras de Santana e fui a sua direção tentando-a acertar novamente, porém desviou com destreza de outro tapa- Só sabe isso, Fabray? Papai não te ensinou a dar um soco nos outros, só em si mesma?

–Idiota!- gritei, aumentando a velocidade dos golpes, mas não conseguia acertá-la nenhuma vez. Cheguei a encostar em seu ombro, mas apenas passou de raspão. Droga de mulher rápida!

–Vamos lá, Fabray. Sou muito rápida pra você ou pro seu ego? Talvez para tudo- ela provocava mais, me fazendo ficar com mais raiva ainda da hipocrisia de Santana- Cuidado ou vai quebrar uma unha, já que a única coisa que faz com essas mãozinhas é manicure.

–Cala essa maldita boca- fingi que ia para um lado e ela caiu, indo para onde eu queria. Acertei-a com um tapa mais forte dessa vez, deixando a marca certa dos cinco dedos em sua bochecha. Ela virou o rosto pelo impacto, dando um sorriso sarcástico com a respiração um tanto descompassada pela movimentação no quarto. Eu não estava diferente, parecia bem mais ofegante que ela- Não devia ter dito isso- disse com a voz meio entrecortada, me virando para sair dali, no entanto ela pegou minha mão e me puxou com força, fazendo nossos corpos se chocarem rapidamente. Ficamos cara a cara, olhos nos olhos e as bocas... Bem próximas, dividindo a respiração. Senti meu corpo arder com isso, aqueles olhos me penetravam fundo e aquele sorriso... Suspirei pesado com aquilo- Santana, para...

–Não. Ainda não acabei com você- dito isso ela me girou, me deixando com as costas agora coladas a sua parte da frente do corpo- Você sabe no que está metida. Livros não vão proteger você de um bandido, suas mãos e pernas sim- pegou minhas mãos e as colou nas minhas próprias coxas. Suspirei mais uma vez e mais profundo... Suas mãos estavam quentes em minha pele gelada- Como você, menina muito estudiosa sabe, existem certas partes no corpo humano que podem ser as mais delicadas e fracas a certo choques, não é Fabray?- perguntou sussurrando a meu ouvido.

–S-Sim- respondi em um murmuro, sentindo as pernas ficarem moles como um macarrão já cozido.

–Pois bem, use-as a seu favor em um oponente em uma batalha corpo a corpo- mãe do céu... Vou morrer aqui mesmo, me segura- Vamos ver... Bem aqui na cabeça- indicou tocando um pouco acima da minha testa- Aqui- deslizou seus dedos até meu pescoço, colocando meus cabelos para o lado oposto. Senti meu sangue parar de correr por meu corpo sentindo o de Santana ficar cada vez mais quente em contato com o meu, que parecia estar ficando com hipotermia de tanto gelado que estava- Costelas- suas mãos foram para debaixo da minha blusa, tocando o lugar indicado por ela. Arqueei meu corpo quando senti seus dedos em minhas costelas e mais ainda por que seu hálito quente roçava em minha nuca, me arrepiando por inteiro. Ela fazia tudo isso da forma mais sexy que já vi na minha vida. Por que ela tinha que ser tão sexy?- Abdômen... Um pouco acima do umbigo, pra ser mais específica- não, por favor, não toque aí... Tarde demais. Comprimi até onde deu minha barriga, me encostando mais ainda a dela- Quadril- segurou com as duas mãos meus quadris, de forma firme e forte, pousei minhas mãos sobre as dela, fechando os olhos com força, enquanto um gemido fujão escapava de meus lábios, que eu já mordia com tanta força reprimindo tudo que me vinha naquele momento- E por fim, virilha, joelhos e pés- finalizou retirando suas mãos de dentro de minha blusa, reclamei em pensamento por isso, depois reclamando também em pensamento por reclamar por isso... Pronto, estou mais que confusa agora.

–P-Por... P-Por... Por que fez isso, Santana?- eu perguntei pausadamente como se tivesse sido sedada ou até mesmo drogada, por que era assim que eu me sentia agora... Drogada e fora de mim.

–Você precisa aprender a se defender, Fabray. Posso não estar presente quando mais precisar. Sempre vou te proteger de tudo e qualquer coisa, mas pode haver um dia que eu não vou poder fazer isso e não quero que se machuque. Você é capaz de lutar pelo o que quer, só precisa ter força de vontade- disse calmamente ainda no mesmo lugar. Mordi o canto de meus lábios, sentindo aquela revirada doida no estômago pelas palavras de Santana. As famosas borboletas me agraciavam com sua presença- Me desculpe pelo o que disse sobre seu pai. Aquilo foi apenas para motivar você a me atacar. Não acho isso dele, mesmo não o conhecendo.

–Sem problemas, entendo- disse meio lerda ainda pelos efeitos que ainda estavam presentes em meu corpo.

–Entendeu o que te expliquei?- ah, claro, prestei muita atenção no que você dizia enquanto me deixava nesse estado de dormência, senhorita Lopez!

–Entendi sim, Santana.

–Que bom, agora já pode matar um, pantera- brincou, saindo detrás de mim rapidamente. Quase caio quando ela fez isso. Gente, não sinto minhas pernas agora- Vou tomar banho agora, ok?- eu assenti e ela entrou no banheiro cantarolando. Eu me joguei na cama, afundando minha cara no travesseiro, sussurrando para mim:

–Santana, será que poderia devolver minha sanidade, por favor?!

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No dia seguinte, quando acordei já passava das dez da manhã. Santana já tinha acordado e sabe-se lá aonde havia se enfiado. Encontrei uma bandeja com café da manhã sobre a mesa com um bilhete e o abri encontrando letra de Santana com os seguintes dizeres: ‘’Fabray, se um dia acordar, coma tudo e seja feliz enquanto vou comprar correias pra Francyne. Na volta te trago um boneco do Ken pra combinar com sua cara de Barbie Ranzinza’’. Sorri, balançando a cabeça negativamente com a infantilidade daquela garota. Vontade de dar uns bons cascudos naquela cabeça. Por falar nisso, minha mão está doendo pelos tapas que dei nela ontem. Me arrependo totalmente disso. Sou uma amante, não uma lutadora.

Quando ela chegou, seguimos até o endereço que marcava no rastreador dos chips. Ele dava uma imensa loja de doces que ficava em uma das ruas mais movimentadas de Washington. O lugar era surpreendentemente grande e cheio de tudo que era tipo de doces, balas, chocolates e a loucura toda que mata uma criança só de chegar perto. Santana ficou malucamente encantada por tudo. Tinha de tudo em formato de chocolate e doce por aí. Santana saiu arrastando um bocado de coisa, comigo atrás a fazendo devolver dizendo que dava cárie e fazia mal ao coração. Ela fazia bico e ficava emburrada como uma criançona birrenta. Deixei que ela pegasse apenas uma barra de chocolate e um algodão doce, isso já bastava de açúcar para o ano todo. Apesar desse encanto todo de lugar, reparamos que havia algo errado ali, pois muito empregados estavam amontoados em um canto, confabulando alguma coisa. Estava uma verdadeira bagunça em alguns setores.

Conseguimos acesso até a sala do dono da loja e batemos na porta. Ele se chamava Tom Vincent, ex cientista forense do FBI. Havia se formado junto com meu pai e trabalhado com ele por anos, mas se aposentou quando aconteceu a confusão com os chips e agora trabalha com invenções com tipos diferentes de doces e chocolates, tornando-se um dos mais conhecidos da região. Ouvimos sua voz consentindo nossa entrada:

–Bom dia, senhor Vincent. Precisamos urgentemente falar com o senhor- me adiantei a dizer, o vendo andar meio agoniado pela sala mexendo em papéis e gavetas.

–Ah, sinto muito, mas agora, como você pode ver, estou enforcado de coisas pra resolver. Esse lugar está um verdadeiro caus- ele disse, andando de um lado pro outro sem nos encarar. Santana estava quieta, apenas observando os passos dele, como quem analisa.

–Tom... Precisamos de verdade- resolvi chamá-lo pelo primeiro nome, no intuito de causar algum efeito e que bom que deu certo. Ele parou por um instante e virou nos olhando.

–Quinn Fabray... Quanto tempo, não é?- dirigiu-se a mim, com um olhar sério, porém com um sorriso leve- Achei que nunca mais veria você depois de tudo que aconteceu.

–Nem eu a você, Tom, mas creio que já sabe o porquê de minha presença aqui- olhei-o da mesma forma séria, notando que Santana me encarava com o cenho franzido. Sabia que ela estava confusa com nossa conversa.

–Sei sim, mas aviso que sua viajem até aqui foi à toa. Não estou com o chip. Bem, estava até algumas horas atrás.

–Como assim?- Santana perguntou preocupada- Não acredito que passei quase dois dias na estrada para chegar até aqui e voltar com as mãos vazias.

–Pois é, senhorita. Se vocês repararam, isso aqui está um inferno. Alguém entrou na loja antes de abrirmos e saqueou algumas coisas por aqui, que incluem papéis importantes, arquivos confidenciais de quando trabalhava para o FBI e também... O chip que seu pai me confiou.

–Isso não pode ser possível! Tem ideia de quem seja?- indaguei preocupada.

–Não, e sabe de uma coisa, Quinn?- eu neguei- Mesmo seu eu tivesse o chip nunca o daria a você. Aprendi a lição- abaixei meu olhar, sentindo uma pontada na consciência por aquelas palavras.

–Mais um integrante de seu fã clube, Fabray?- Santana brincou, cutucando meu braço.

–Cala a boca, Santana!- a repreendi, fazendo cara feia para ela- Isso é passado, Tom. Vim em nome de meu pai.

–Pode vir a mando da rainha, mas não mudará meu conceito sobre você, minha cara. Sabe o que falam de paus que nascem tortos, não é mesmo?

–Hey, vai com calma aí, Tom sem o Jerry. Não precisa apelar pra grosseria. Ela não tem culpa de nascer azeda assim... Ai, Quinn!- a cortei lhe dando um beliscão no braço- Doeu!

–E essa foi à intenção- virei para Tom- Mesmo assim agradeço a você por nos atender, Tom. Adeus!- saí da sala puxando Santana.

–Hey hey hey, espera aí, Fabray. O que vamos fazer agora?- Santana perguntou enquanto andávamos até a saída- Não fazemos ideia de quem pegou o bendito chip.

–Não se preocupe. Temos o rastreador, lembra?- ela deu de ombros e entramos no carro.

Andamos um tempo pela cidade esperando o aparelho fazer seu trabalho e indicar onde seria o lugar. O ponto indicava para a próxima rua à direita, para onde Santana seguiu.

–Pare ali- pedi apontado o lugar- O sinal está indicando aquele bar mais a frente. Vamos.

Entramos no bar rapidamente e começamos a sondar o lugar atrás do ladrão da doceria. Nos separamos, indo cada uma para um lado do salão. Eu fui me misturando com as pessoas que dançavam com o aparelho em mãos dando bipes curtos e ritmados, indicando que a pessoa que estava com o terceiro chip estava por perto. Nem precisei do aparelho para saber quem era o tal cara, reconheci Nic à distância e me parece que ele também me reconheceu, por que largou o que estava fazendo e começou a correr pelas pessoas na pista.

–Ai, droga. SANTANA!- comecei a gritar por ela, seguindo por onde Nic entrava- SANTANA!

–Oi- apareceu do meu lado me assustando.

–Achei ele. É um dos homens de David- fui explicando enquanto corríamos até a saída.

–Mas não era ele que devia estar correndo atrás de nós, não o contrário?

–Ele está mais pra ladrão pessoal. Apenas pega as coisas e encaminha para David Karofsky. Aqueles outros são os ogros que cuidam dos assuntos mais brutos- esclareci, procurando Nic pela rua- Droga, aonde foi que ele se enfiou?

–E eu que sei? Talvez ele tenha a capacidade de se teletransportar como o Noturno do X-men- antes que eu rebatesse a brincadeira, ouvimos sons de um carro acelerando loucamente mais a frente- É ele!

–Entra- Santana disse e entramos rapidamente em Francyne. Ela ligou o carro fazendo todo procedimento para dar partida e olhou pra mim com um sorriso sapeca no rosto- Agora vou te mostrar o que é potência- eu franzi o cenho intrigada e ela acelerou. Senti que meu coração quis trocar de lugar com meus olhos com a velocidade que atingimos.

–Oh, céus!

POV Santana

Cara, amo velocidade! Amo essa sensação de adrenalina que emerge do meu corpo quando desafio meus próprios limites. Me sinto viva como nunca me sentia normalmente. E agora minha menina corria como uma deusa por aquelas ruas de Washington, mostrando que não precisa ser moderna pra ser veloz.

–Santana, tenha mais cuidado- Quinn gritava, com as mãos ficadas ao banco e com uma cara engraçada de medo.

–Querida Quinn, Santana Lopez e velocidade não combinam com a palavra cuidado- ela disse afoita, mudando de marcha- Se segura, estamos nos aproximando- senti que ela gemeu, se agarrando ainda mais ao banco. Pareei Francyne ao carro dele, me debruçando na janela pra falar com ele- Hey, amiguinho, pare o carro pra nós batermos um papo. Você tem algo que nos pertence.

–Vocês não são donos de nada. Não passam de terroristas bem vestidos. América é uma doença, nós somos a cura. Abaixo ao sistema americano!- ele gritava com um forte sotaque russo, gesticulando freneticamente com as mãos.

–Ih, rapaz... É doido, essa criança- comentei, desviando de uma moto que passou entre nossos carros- Estaciona aí, criança, que eu te compro um sorvete. Seja um menino bonzinho.

–Vai se ferrar! A única coisa que tenho pra vocês é isso... – o idiota jogou o carro contra Francyne e por sorte fui mais rápida desviando.

–Moleque hijo de puta. Está me deixando com raiva. Pare a droga desse carro agora- ralhei séria. Quinn a essa altura já estava mais branca que papel pela corrida em alta velocidade que estávamos. Dessa vez ele sacou uma pistola e disparou na nossa direção- Quinn, fique abaixada.

–Ai, Deus. É hoje que eu morro. Santana, vamos tentar outra hora- a loira pedia agoniada, com a cabeça quase entre as pernas.

–Calma, que eu pego ele, Fabray. Só mantenha-se abaixada- ela colocou as mãos na cabeça e acho que começou a rezar baixinho. Coitada da branquinha! Mas eu não vou deixar que aconteça nada a ela, isso pode ter certeza- Hey, seu idiota, só está complicando mais as coisas pro seu lado- gritei em uma distância mais segura. Ele começou a recarregar a arma.

–Vá se ferrar, sua vadia!

–Olha a boca, seu moleque. Está merecendo umas palmadas nesse traseiro magro e branquelo- vociferei e ele voltou a atirar, descarregando mais um pente. Muitos carros freavam bruscamente, batendo-se uns contra os outros na tentativa de escapar das balas. Já estava ficando impaciente com essa perseguição toda. E agora a raiva me subia quando notei que um dos tiros havia arranhado a pintura do capô de Francyne- Ah, não... Você não fez isso- sorri de forma nervosa- Agora ele achou. Se ferrou, moleque- desacelerei, ficando perto da traseira do carro dele- Quinn, pegue o volante.

–O que? Enlouqueceu de vez, Santana?- Quinn perguntou incrédula, consertando sua posição no banco.

–Acho bom você pegar. Vou mostrar para aquele garoto que ninguém mexe com minha menina- soltei o volante, me projetando pela janela, sentando-me na mesma. Quinn rapidamente segurou o volante, tomando meu lugar dirigindo.

–Santana, você é maluca! Está tentando se matar, sua idiota?- a loira brigou, tentando controlar o carro que havia se desestabilizado.

–Só mantenha a velocidade em linha reta, que o resto fica por minha conta e Fabray... – ela me encarou meio assustada- Te vejo lá na frente- dei um último sorriso e deslizei até a frente do carro no capô, me equilibrando de cócoras- Mais perto, Fabray.

–Ai, meu Deus, essa mulher é louca- consegui ouvir a loira dizer dentro do carro, sorrindo pelo comentário. Ela fez o que pedi e se aproximou mais da traseira do carro do tal Nic.

–Aí, Fabray. Mantenha assim- me posicionei inclinando meu corpo mais pra frente e quando vi a oportunidade, saltei no teto do carro. Deslizei um pouco para o lado, quase me lascando dali de cima- Ufa... Quase que eu vou- comentei, dando um suspiro de alívio. Fui escorregando meu corpo pelo teto do carro, parando um pouco ao lado da janela do motorista, colocando minha cabeça pela mesma- Búh... Peguei você, paquito- ele se assustou, girando o volante rapidamente e quase nos chocou contra um caminhão- Hey... Aprendeu a dirigir com quem, com o filho do Eike Batista?

–Sai de cima do meu carro, sua maluca- ele gritou, começando a andar em zigue-zague para que eu caísse.

–Maluca é quem te pariu- retruquei, tentando segurá-lo pela camisa, porém ele batia na minha mão para soltar- Então vai se fazer de difícil, não é? Adoro pessoas difíceis- escorreguei para o outro lado. Me inclinei pra abri a porta e por ela entrei com um pulo- Cheguei, amorzinho.

–Sua... – nem deixei terminar, o calando com um belo de um soco na fuça. Ele bateu a cabeça no vidro e eu me apressei a segurar o volante, mas o carro se descontrolou batendo contra a lateral de uma ponte. Fomos direto para um rio, afundando cada vez mais. O cara estava desacordado com a cabeça repousada no volante. Eu me apressei para achar o chip rapidamente para dar o fora daqui antes que desse de cara com o Nemo no fundo do oceano. Comecei a revistar os bolsos da bela adormecida ali, encontrando-o em sua calça. Analisei todo o carro e como sairia dali, tentei abrir o vidro, mas não obtive sucesso. Foi então que achei a arma dele, usando o cabo para quebrar o vidro e rapidamente o veículo todo se inundou. Me preparei pra sair, porém parei lembrando do russo revoltado ao meu lado. Bom, ele era ruim, mas não podia deixá-lo morrer daquela forma. Peguei-o com certa dificuldade e finalmente consegui sair dali, emergindo das águas. Nadei até terra firme e puxei Nic até mais acima, distante da água. Me deitei no chão pra recuperar o fôlego.

–Caramba, estou precisando de férias!- disse deitada de bruços no chão. Escutei a voz de Quinn se aproximando e continuei na mesma posição.

–Santana? Você está bem?- ela perguntava me chacoalhando como se eu tivesse morta, no entanto ainda não respondi querendo brincar um pouco- Santana? Caramba, ela não responde. Ai, pai... O que eu faço?

–Acho que uma respiração boca a boca seria um bom começo.

–Santana! Sua idiota- começou a socar meu ombro, me fazendo rir muito da cara de raiva dela- Minha nossa, você não toma jeito mesmo. Brincadeira sem graça.

–Ui, ela ficou preocupadinha comigo... Bonitinha- apertei suas bochechas, recebendo um tapa nas mãos- Vamos embora.

–E o chip?

–Está na mão- tirei-o do bolso e entreguei a ela.

–E quanto a ele?

–Deixa dormir mais um pouquinho. Depois que algum animal morder a bunda dele vai embora rapidinho- Quinn deu de ombros- Vem, é perigoso ficarmos por aqui agora- saímos dali rapidamente e pegamos a estrada novamente.

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Paramos rapidamente em um posto de gasolina para eu trocar de roupas já que as minhas estavam totalmente molhadas. Comprei algumas coisas na lojinha e seguimos viagem até então sem destino, pois Quinn ainda não havia analisado o chip que consegui ainda pouco. Rodamos por horas e a noite nos alcançou, trazendo consigo as maravilhosas estrelas que iluminam nosso caminho agora. Pelo o relógio de Francyne já se passavam das dez, eu já estava cansada e vi pelo jeito molinho de Quinn que ela também. Desviei nossa rota mais a frente, entrando em um caminho de terra e o segui por alguns metros.

–Pra onde você está nos levando, Santana?- a loira perguntou meio sonolenta.

–Já viajei por aqui. Conheço um lugar bom pra passarmos a noite. As pousadas e hotéis estão há quilômetro daqui, não aguento rodar nem mais um metro- expliquei estacionando debaixo de uma enorme árvore- Bom, chegamos.

–Não tem perigo de sermos abordadas por alguém aqui?- preocupou-se, olhando tudo ao redor.

–Que nada. Hoje em dia quase ninguém dá valor para as belezas que a natureza nos oferece- ela franziu o cenho estranhando minhas palavras. Saí de Francyne, sentando-me sobre o capô, apoiando minha cabeça nas mãos. Minutos depois Quinn juntou-se a mim timidamente, pedindo permissão para sentar-se ao meu lado. Ficamos um tempo em um silêncio confortante, apenas olhando para o céu sentindo aquela calmaria maravilhosa que as dádivas de Deus nos transmitem.

–Obrigada- Quinn disse de repente, me fazendo encará-la.

–Pelo o que exatamente?

–Por ter me acompanhado até aqui. Por aceitar participar disso. Por nunca desistir apesar da forma que trato você e por... Me salvar daquele homem- me olhou profundamente. Suspirei com a proximidade de nossos rostos- Você fez por mim em dias o que muitos não fizeram em minha vida toda.

–De nada, então- ela sorriu- Sabe, nós podemos não nos entender na maioria do tempo, mas isso não nos impede de comemorar nossa vitória de mais cedo.

– O que?- sorri brincalhona, descendo e indo até o porta-malas.

–Quando passamos no posto de gasolina há algumas horas, vi isso e me deu vontade de fazer. Há muito tempo não me dou o prazer de tomar uma deliciosa cerveja- ri, sendo seguida por Quinn- Você bebe?

–Não muito, mas acompanho você- ela disse aceitando a cerveja e tomando um gole- Nossa... Faz séculos que eu não tomo uma. Achei que já tinha esquecido o gosto.

–Pois é, loirinha. Velhos costumes vindo á tona. Acho que não tomo uma desde minha adolescência...

Engatamos uma conversa que durou horas e foram as melhores de toda minha vida. Não sei se foi a bebida, mas Quinn havia se soltado um pouco mais e nós duas ríamos muito das história de ambas do tempo da escola.

–Então quer dizer que você perdeu uma aposta e foi vestida de mulher gato pra escola? Insano isso. Acho que eu ia preferir a morte.

–Foi o que eu quis, mas ninguém deixou que eu me suicidasse. Deixaram que eu passasse essa vergonha na frente de centenas de alunos- ela caiu na gargalhada e não pude achar coisa mais linda que seu jeito meigo de rir. Quinn apesar de seu jeito meio dura de sempre, tinha uma delicadeza tão intensa que às vezes tinha medo que se a tocasse pudesse quebrá-la. Aquela sua pele maravilhosamente cheirosa e branquinha atiçava meus desejos mais profundos... Hey hey hey, a bebida já está me afetando. Vamos ficar por aqui, Santana Lopez- E quanto você, Quinn Fabray... Como era na escola? Sempre foi mandona assim?

–Hum, pior... Minha mãe costumava dizer que eu mandava até no diretor. Nunca fui de aceitar um não de alguém- ela disse, tomando em seguida mais um gole de sua cerveja. Encarei aquele movimento, desejando muito ser a boca daquela garrafa que agora encontrava-se perto daqueles lábios tão lindos... Ai, caramba, vou enlouquecer!

–Sei bem como é. Por que será que estou aqui mesmo, hein?- brinquei, arrancando mais uma gargalhada dela- Eita... Minha cerveja acabou e a sua?- ela levantou a garrafa mostrando-a vazia- Ok, vou pegar mais. Só um minuto. Opa!- fui descer e acabei errando o passo, indo abaixo.

–Minha nossa, você está bem, Santana?- Quinn perguntou tentando segurar a risada intensa que veio segundos depois.

–Caramba, sou um desastre!- disse me levantando e limpando a parte detrás do meu jeans- Calma, loira, sou indestrutível.

–Você está é muito bêbada, isso sim- apontou pra mim fazendo careta.

–O termo certo é ‘’alcoolicamente afetada’’- ela riu, balançando a cabeça negativamente- E ainda aguento muito mais- ela levantou as mãos em sinal de rendição. Peguei mais cervejas e as entreguei a Quinn, ligando o som de Francyne para abrilhantar mais a noite. Here comes the Sun dos Beatles começou a soar de forma suave, fiz uma dancinha engraçada fazendo Quinn rir da minha besteira- Então, Fabray...

–Então, Santana... – ela brincou e foi minha vez de rir.

–O que quer fazer agora?

–Sei lá, eu era acostumada a ler um pouco há essa hora, depois ia dormir- deu de ombros.

–Caramba, Fabray. Você é muito chata... Eu fazia o mesmo- pisquei o olho de forma brincalhona, arrancando mais uma risada dela- Que tal dizermos algumas curiosidades que cada uma possui? Sei lá, algo que ninguém além de nós sabe.

–Tudo bem- ela concordou com a sobrancelha arqueada. Dessa vez Lucy in the Sky with Diamonds, também dos Beatles começava a tocar… Eu amava essa música, umas das minhas preferidas deles- Começa você já que deu a ideia.

–Ok... Bom, eu toco piano desde os cinco anos. Aprendi com meu pai e já fiz algumas apresentações, mas acabei desencanando na adolescência. Meus amigos nunca souberam que eu tocava.

–Nossa! Amo pianos. Também toco, sabia?

–Brindamos a isso- levantei minha cerveja e bati contra a dela. Rimos bastante- Agora a sua.

–Eu... Fiz aula de balé dos meus sete anos até perto dos dezessete. Deixei não por opção minha, amava dançar, mas tive que fazer por problemas familiares- ela fez uma expressão triste que chegou a me doer.

–E eu já coloquei taxinhas na cadeira do meu tio e disse que foi meu irmão mais velho, Danilo- Quinn sorriu intensamente, me fazendo sorrir também, mas por tê-la feito ficar melhor.

–Você era do mal, Santana- concordei fazendo uma cara mal- Eu sempre fui quieta demais. Meio fechada e com poucos amigos.

–Se sorrisse mais, quem sabe não tivesse tido bem mais amigos?- brinquei, recebendo um tapa de leve no ombro- Meu nome do meio é Texas.

–Eu já sabia e vamos convir que sua mãe é muito criativa- zombou de mim, fingir ficar emburrada. Ela foi puxar minha mão e como estava meio grogue, escorreguei o braço, caindo com o rosto quase colado ao dela. Ambas ficamos em silêncio apenas nos encarando- O meu primeiro nome é Lucy. Mas sempre preferi ser chamada de Quinn.

–Uhm... Lucy in the Sky with Diamonds- cantarolei o refrão da música que tocava e ela sorriu- Sua mãe gostava de Beatles?

–Isso. Essa era música preferida dela. Me colocou esse nome por que a Lucy descrita na música tem um pouco a ver comigo.

– Lucy é um nome lindo... Para uma ovelha- caçoei sorrindo intensamente, sendo repreendida por outro tapa no braço.

–Ok, Santana Texas Lopez.

–Touché... Mas o seu é melhor, sem dúvidas. Concordo plenamente com sua mãe sobre a música- disse sussurrando. Aquela proximidade estava me sufocando. Aqueles olhos, de alguma forma possuíam uma força atrativa terrível que, quanto mais se olhava pra eles, mas se queria ficar perto. Seu cheiro estava me embriagando em segundos, o que eu só conseguia com horas de bebidas.

–Santana?- Quinn me tirou de meus devaneios, tocando meu braço. Segurei sua mão e as levei até meus lábios, depositando um selinho demorado nela. Senti que ela gemeu por isso e a encarei:

–Eu tenho outra curiosidade que queria dividir com você. É mais uma vontade que uma curiosidade.

–E o que seria?- ela perguntou, piscando lentamente enquanto me aproximava ainda mais dela. Sua respiração pareceu pesar cada vez mais.

–Eu quero muito, mas muito mesmo saber... Qual é o gosto de sua boca- ela apertou com força minha mão que ainda segurava a sua. Sua boca se entreabriu tentando dizer algo, mas as palavras se descompassaram juntamente com sua respiração.

–San...

–Shii- coloquei meu dedo indicador em seus lábios a interrompendo, mas também aproveitando para sentir a textura dos mesmos e pode ter certeza que algodão nenhum na face da terra poderia ser tão macio- Agora não dizemos nada- troquei meus dedos por meus lábios nos seus. Céus, que boca maravilhosa era aquela! Pude sentir o gosto de bebida, mas quem disse que aquilo importava? Aquela mulher tinha os lábios mais macios do mundo, que me fazia sentir medo de machucá-los por tanta delicadeza. Senti seu corpo estremecer quando pedi passagem com minha língua em sua magnífica boca, intensificando aquele beijo que eu esperei tanto em tê-lo e agora tinha total liberdade de explorá-lo. Ela apoiou uma de suas mãos em minha nuca, juntando mais seu corpo contra o meu e pude sentir o quão entregue ela estava pelo momento, aprofundando ainda mais o colar de nossos lábios... Os movimentos gostosos de sua língua contra a minha... Poderia morrer agora que iria completamente satisfeita- Sabe, Quinn... Prefiro isso aos tapas que você me dá- disse quebrando o beijo quando precisei de ar.

–Ah, cala a boca, Santana- ela me puxou novamente, reconectando nossos lábios em um beijo tórrido e com desejo. Quinn prendeu meu lábio inferior entre os dentes, colocando sua cabeça para o lado oposto e o puxando com força me fazendo gemer abafado. Deitei meu corpo sobre o dela, levando minha mão para lateral de seu corpo tão macio quanto sua boca, sentindo agora ela gemer quando meus dedos tocaram a pele descoberta de sua barriga. Tudo naquela garota me acendia agora... Aquela boca, aquele jeito e aqueles olhos... Droga de olhos instigantes que eu amava mergulhar neles... Posso entender agora sobre o que a mãe dela disse quando a comparou a música dos Beatles... Está com aquela garota era como poder tocar o céu com um simples levantar de mãos. Era uma garota com olhos de caleidoscópio... Que possuía o sol nos olhos e que... Fazia me encontrar dentro de mim mesma novamente.

Notas finais
Eita... E aí, deu pro gasto? Me digam o que acharam e se for pra xingar... Façam isso não, machuca, sabe? kkk Brincadeira, são livres para dar a opinião que quiser e se ficarem em dúvidas por algo envolvendo a fic, sou toda ouvidos. Beijo e obrigada novamente por acompanharem.