Ligadas pelo destino

10 Capítulo 10- Pensamentos... O que fazer com tantos?


Notas iniciais
Bom... Aqui estoy, podem me chutar à vontade. Acho que demorei um pouquinho, não é? Mas gente do céu, to pra abilolar de vez com tanta coisa que ando fazendo. Sou estagiária de uma empresa como mecânica industrial, ainda estou em processo de formação estudando em uma escola técnica que ta me comendo os miolos, problemas pessoais, problemas alheios, problemas com meu video-game... Poxa, como vou terminar de zerar Resident Evil 4 pela décima vez? Fiquei triste agora. kkk Sem falar em mãe, pai (os dois não se bicam), irmãs, irmãos, cachorro, galinha,papagaio, ariranha, thundercat, a galinha pintadinha, o monstro debaixo da minha cama. Bem, esse capítulo foi algo de extremo pensar, pois é de grande importância para o recorrer da história. Eu andava pensando numas paradas e uma incrível e maravilhosa leitora chamada Emisonforever (espero não ter errado seu nickname) e resolvi juntar o útil ao necessário e nasceu esse capítulo de um parto normal e cansativo, então tratem ele com carinhokkkk Enfim, ela me pediu que tivesse um flashback Quinn, mostrando como tudo aconteceu para ela pousar daquela forma no colo de Santana. Tentei fazer o possível pra sanar todas questões de como a loira se sente ou pensa acima de tudo e saiu isso. Espero que não me matem. Vamos lá, é inteiramente com os pensamentos de Quinn:

Três meses antes:

POV Quinn:

Mais um dia se iniciava em minha vida naquele lugar. Parecia mais uma prisão do que lar. Eu sei, meu pai me explicou que era pra minha segurança, mas pra alguém da minha idade ficar trancado e com os passos limitados não era nada fácil, vamos convir. Ele tem lá suas parcelas de razão, por que não é toda dia que se descobre ser filha de um brilhante cientista do exército americano que agora também era um dos homens mais procurados do país. Então o que fazer pra passar o tempo por aqui? Tenho um método bem animado e alegre de fazer isso... Estudar. Bom, não é lá tão animado e alegre, mas pelo menos me mantenho focada em algo que não seja em toda confusão que, de alguma forma, estou inclusa. E pelo visto não saio daqui tão cedo, pois pelo o que meu pai me falou e pelo o que fui sondando por aí e até vivi... Só um verdadeiro milagre pra voltar ao que era.

Eu agora morava com meu pai e meu tio Lipe em uma base de refugiados militares que ficava na Alemanha há cinco anos. Essa base foi criada por meu pai, Russel Fabray. Ela foi uma forma de ajudar esses refugiados que vieram com ele depois da confusão instaurada nos Estados Unidos envolvendo o roubo de um dos chips codificados para detonações de bombas nucleares de destruição de grande escala. Que grande escala? Do tipo que dá pra recriar o Big Bang. Meu pai foi o inventor desses chips e como todo mestre, sua criação passou a perna nele. Perdeu o direito de morar no próprio país e ainda por cima é perseguido pela polícia americana que espera apenas ele colocar a ponta do pé no país para o enfiarem em uma cadeia e de lá só sair morto. Ele jura sua inocência e luta por ela. Acredito fortemente em meu pai e o amo acima de tudo, apesar de só saber de sua existência poucos meses antes de vir parar aqui.

Ele me salvou de mim mesma. Minha adolescência foi regada a desfrutes desnecessários e envolvimentos com quem não devia. Envolvimentos esses que me levaram até meu pai, que descobriu minha existência e lutou por mim até me levar com ele, fugida, mas fui de coração. Graças a minha querida mãezinha, eu acreditava que Russel Fabray não passava de um irresponsável que a engravidou e sumiu meses depois. Essa versão acabou sendo desmentida pela mesma quando ele apareceu na Inglaterra e me fez ver que a vida que eu seguia não me levaria nada. Fugi com ele sem que minha mãe ou o marido dela soubesse e estou até hoje com meu querido pai. Às vezes me perguntou por que o destino não me permitiu ter ficado com ele, não com minha mãe, que havia se envolvido com um canalha mafioso e me fazia acompanhá-la nessas peripécias marginais, me arrastando junto com ela para o fundo do poço.

Enfim, apesar de estar trancada por aqui, prefiro isso à vida que eu levava. Meu pai é o melhor que já me aconteceu. Voltei a estudar com uma tutora alemã que ela me arrumou e meus conhecimentos em várias áreas são elevados até pra alguém com graduação a nível superior. Falo no mínimo dez línguas diferentes, tenho conhecimentos médicos e tecnológicos, como invadir um sistema ou reprogramar aparelhos de rastreamento e seus derivados. Meu pai não me obrigou a nada, mas parecia interessado nessas minhas aprendizagens. Não poupou recursos pra isso. Passei pelos melhores especialistas que continham naquela base. No começo foi chato. Tanta coisa pra aprender, responsabilidades às pampas, ficar com a cara enfurnada em livros e revistas absorvendo conhecimentos que até então eu achava um saco e sem importância alguma. Com o tempo fui achando interessante e em seguida fiquei fissurada com aqueles assuntos militares e tecnológicos. Acabei fazendo aquilo por puro prazer, o que só agradou mais a meu pai e a meu tio Lipe.

Por isso aqui estou eu, Quinn Fabray, 24 anos de idade, sentada a uma mesa em pleno sábado estudando conceitos tecnológicos militares. Diferente do que eu estaria fazendo há cinco anos. Talvez já estaria totalmente bêbada, agarrada a alguém em qualquer canto badalado de Londres. Bem, sou uma nova mulher.

Escuto alguém bater na porta do meu quarto:

–Entre, por favor- concedi passagem e vejo Olga adentrar com um sorriso tímido no rosto.

–Senhorita, Fabray, seu pai a aguarda na sala de reuniões- disse com seu forte sotaque alemão.

–Obrigada, Olga. Estarei me encontrado com ele em instantes- ela assentiu, saindo em seguida.

Guardei meus livros em seus devidos lugares (odeio bagunça) e rumei até meu pai, encontrando-o sentado ao lado de meu tio Lipe à mesa de reuniões. Ambos pareciam sérios, diferente da forma que geralmente me recebiam. Estranhei o fato de ser chamada para encontrá-lo nessa sala, ele sempre ia até meu quarto e conversávamos tranquilamente. Agora estava enigmático e com um semblante preocupado, nada diferente de meu tio.

–Bom dia, papai... Tio Lipe- cumprimentei os dois, depositando um beijo em suas cabeças- A que devo a honra de ser chamada nessa sala onde acontece a mágica dessa base tão aconchegante?- brinquei, sentando-me de frente a eles.

–Filha, precisamos pedir algo de total importância a você- começou sério, me fazendo ficar da mesma forma. Aquilo já me preocupava de antecedência.

–E o que seria tal coisa?

–Pequena Q, não forçaremos você a nada, mas algo requer seus conhecimentos, coragem e força de vontade- foi a vez de meu tio falar. Franzi o cenho atenta- Como você sabe, o motivo de todos estarmos aqui fora por conta do roubo de um dos chips criados por seu pai- consenti- Pois bem, sabe também que os Estados Unidos meio que quer a cabeça de cada um nessa base e que conseguimos nos virar até agora, porém...

–Não estamos mais seguros- meu pai completou, meio agoniado- Nosso informante na base militar americana nos relatou que tropas militares estão sendo treinadas para um possível ataque a bases de refugiados militares e a nossa está no topo da lista. Precisam apenas de uma confirmação de nossa posição. Talvez ainda não deram as caras por que é território alemão, caso contrário já tinha posto isso tudo a baixo. Mas não podemos ficar firmados apenas nessa esperança de nunca conseguirem uma autorização pra invadir. Precisamos de segurança. Sonho por nossas vidas de volta.

–Também, papai, mas ainda não entendi aonde vocês querem chegar com isso tudo.

–Precisamos dos chips. De todos eles. Se juntarmos todos e acrescentarmos as provas que temos contra Karofsky, podemos provar a inocência de todos. Conseguindo isso, provavelmente teremos nossas vidas de volta.

–Isso é ótimo. Está aí nossa carta de alforria- falei animada com a notícia. Não sei por que essa cara de enterro dos dois- Como acharão os chips? Temos um, já é um bom começo.

–Procuramos por toda base alguém competente, habilidoso e sagaz para tal tarefa- tio Lipe se pronunciou- Muitos possuem essas qualidades, porém não podem colocar o pé no país sem serem mortos. Apenas uma pessoa se encaixa nisso tudo.

–E então? Quem seria essa pessoa?- perguntei intrigada com aquele suspense todo.

–Pequena Q- tio Lipe alcançou minhas mãos sobre a mesa e as colocou entre as dele- Essa pessoa é você- dizer que eu fiquei surpresa e assustada pela revelação seria um grande eufemismo. Simplesmente congelei. Meu corpo todo adormeceu. Isso nunca passou por minha cabeça, nem em um simples pensamento balela e agora recebo essa diretamente na cara.

–C-Como? Papai, isso é... Não posso fazer isso. Nem mesmo sei usar uma arma. Meus conhecimentos são mais técnicos e estratégicos. Como querem que eu ande meio mundo atrás de chips sem conhecimentos em batalha? Sem falar que com certeza atrairá a atenção do David, que vai conseguir uma forma de me matar e tomar os chips se eu os encontrar.

–Tenha calma, minha filha. Isso já foi pensado e repensado por nós. Temos a pessoa perfeita para te acompanhar nisso- passei a mão no rosto, tentando digerir cada palavra dita pelos dois- E você é mais que capaz nessa missão. Se não fosse por você nunca teríamos conseguido o primeiro chip. Quanto a seus conhecimentos, mescle-os com a pessoa que irá acompanhar você e tornarão quase indestrutíveis, pois as duas tiveram um excelente treinamento militar.

–Espera aí... Duas? A outra pessoa em questão é uma garota? Quem?

–Ela se chama Santana Lopez- papai disse, franzi o cenho achando aquele nome familiar.

–Santana Lopez? Lopez? Ela é a...

–É sim, minha filha. A situação requer isso- ele argumentou com um olhar tranquilizador- Santana é muito habilidosa devido a seus intensos treinos desde a infância. É forte, tem um ótimo condicionamento físico e conhecimentos importantes. Com certeza teria uma ótima carreira no exército. A conheço desde pequena e acompanhei muitos desses treinamentos, sei o que digo. Será uma valiosa aliada nessa jornada.

–Seu pai tem completa razão. As duas são mais que capazes para obterem um bom resultado. E como eu disse, minha florzinha, não iremos te obrigar a nada, mas temos tópicos importantes para nos preocuparmos. Nossa liberdade e a segurança de toda uma nação. Creio que Karofsky não quer essas bombas para brincar de fogos de artifícios. — meu tio comentou- O que me diz, pequena Q?- os dois me encaram buscando decifrar minha expressão apática e confusa perante aquilo tudo. Não sei, isso não é algo de se responder tão rápido. Era minha vida em jogo, não me achava capaz da forma que os dois disseram que seria. Nunca imaginava isso pra mim. Nem em um milhão de anos. Minha nossa! Eles queriam colocar a vida de bilhões de pessoas nas minhas costas, era isso? Mas que... Não existem palavras em meu vocabulário para me expressar sobre tudo o que atiraram em mim agora. Quem sou eu para fazer tal coisa? E nessa hora a ficha cai... BILHÕES DE PESSOAS, que corriam perigo caso esses chips caíssem na mão de alguém perigoso ou pior... Na de David Karofsky. O mal encarnado em pessoa. O que fazer diante disso?

–Eu aceito!- respondi depois de infinitos minutos, assustando os dois a minha frente.

–O que? Filha, você tem certeza?

–Como nunca tive antes, papai. Tio Lipe tem razão. Devemos nos preocupar com todas aquelas pessoas que perderão suas vidas para sanar um capricho doentio de David- meu pai fechou os olhos com força, dando um profundo suspiro. Levantou-se e veio rapidamente na minha direção, me envolvendo fortemente em seus braços.

–Me perdoa por estar te pedindo isso. Não queria... Filha, eu não queria... – ele não conseguiu continuar, desabando em um forte choro.

–Papai, eu sei. Apesar dos poucos anos que estou com senhor, aprendi a ter princípios. Preciso dar um sentido a minha vida. Isso me ajudará a me reavaliar por tudo que já fiz com as pessoas e até mesmo com o senhor, meu pai- acariciei seu rosto carinhosamente- Seja forte por todos nós como sempre vem sendo. Essas pessoas precisam de um líder e eu, além disso... De meu pai.

–Eu sei, filha, mas como você mesma disse: Poucos anos que estamos juntos. Passei muito tempo longe de você e agora te mando pra um perigo extremo.

–Calma, ok? Vai dar tudo certo. Confia em mim?-ele assentiu, enxuguei suas lágrimas com o polegar- Então estamos acertados.

–Admiramos sua coragem, pequena Q. Vejo muito de seu pai em você- tio Lipe disse me dando um beijo na testa- Que a força esteja a seu lado.

–Obrigada, tio- o abracei também- Agora precisamos confabular sobre a forma que chegarei até os Estados Unidos. E essa tal de Santana, como a encontrei?

–Pois é, Quinn... Santana. Você precisa saber umas coisinhas sobre ela antes de encontrá-la.

–Tipo o que?- questionei intrigada.

–Bom, ela não faz ideia do que seja tudo isso. Uma de suas tarefas será explicar tudo a ela e tentar fazê-la lhe ajudar- arregalei os olhos, sentindo aquele trem passar por cima de mim agora.

–Isso vai ser uma longa viagem.

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Parti um mês depois da Alemanha rumo a EUA. Tudo foi feito em completo sigilo. Desde a minha saída da base até o aeroporto da capital alemã, com nome e sobrenome trocado, novo visual e com o coração querendo fugir do peito. Fui orientada do que precisaria fazer e de como conseguiria chegar até os chips, através de um aparelho rastreador inventado por meu pai, mas o que ainda comia meu cérebro era como eu convenceria a tal Santana Lopez a me acompanhar na busca por esses códigos. Quem em sã consciência aceitaria participar dessa sina de morte? Eu não, se não conhecesse a gravidade da situação.

Depois de infinitas horas naquele avião, pousei em solo americano. Me instalei em um hotel de Los Angeles e comecei minha busca pela latina que disseram poder me ajudar. Levei quase um mês para achá-la e quase o mesmo tempo para estudar seus passos, pois teria que achar uma forma de me aproximar cautelosamente sem que a assustasse ou me assustasse. Sei lá, hoje em dia espero tudo das pessoas. Eu a observava desde que saía de seu apartamento até retornar. Trabalhava em um restaurante meio caído, com um patrão suspeito e fazia faculdade de engenharia. Uma boa faculdade, vamos convir. Tinha um jeito meio estranho e aqueles óculos era uma coisa deveras engraçada. Eu sem querer acabava rindo de algumas situações que a via passar durante toda sua trajetória, como uma vez ela foi perseguida por um cachorro e subiu em uma árvore para se proteger, ficando por lá por umas cinco horas até o animal desistir e ir embora. Ela ainda caiu da árvore quando foi descer, fazendo eu me perguntar se realmente era aquela Santana Lopez que tinha todo aquele treinamento e capacidade de me ajudar com a empreitada em favor do país. Sei não, pra mim aquela era apenas uma nerd atrapalhada e com péssimo gosto para carros, levando em conta o que ela possuía que é bem antigo por sinal. Enfim, uma garota normal, meio maluquinha, mas completamente normal.

Cheguei ao quarto de hotel que estava hospedada e fui me despindo até o banheiro. Estava precisando urgentemente de um banho demorado e morno. O dia fora exaustivo. Ficar indo de um lado por outro seguindo Santana me deixou completamente derrubada. Debaixo do chuveiro, deixei aquela água magnífica deslizar sobre meu corpo, torcendo que levasse junto com ela toda tensão impregnada a ele. Em minha cabeça rondava as malditas preocupações do que aconteceria daqui em diante, mas uma coisa foi mais intensa em meus pensamentos: Santana Lopez. A garota estranha, com óculos horríveis e grandes. Não sei o porquê de meus pensamentos serem de maioria voltados a ela. Sei lá, acho que por conta do impasse de tentar conseguir sua ajuda estava me deixando sobrecarregada e acaba que aquilo que é meu objetivo do momento está sendo mais relevante em me preocupar... Mas lá no fundo acho que é por conta do jeito dela. Aquele jeito largado, atrapalhado e torto de ser de alguma forma chamou minha atenção. Hey hey, Quinn Fabray... Vamos! Vai ficar se torturando por aquela garota? Não e não. Tem coisas mais importantes que requerem minha atenção.

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Levantei cedo no dia seguinte e fui dar uma espiada na latina. Consegui um quarto de frente para o apartamento dela, me dando total visão do lugar. Como ela era alguém meio relapso, sempre se esquecia de fechar as cortinhas do quarto, me deixando à vontade pra espiar. Peguei meu binóculo e fui dar uma checada, encontrando ela ainda dormindo tranquilamente. Passou-se um tempo e ela não acordava. Chequei o relógio e vi que já havia se passado quase uma hora do horário dela sair. Foi então que ela acordou, saltando da cama rapidamente na direção do banheiro, me fazendo rir da expressão de agonia nela por estar atrasada. Meu sorriso desabou no instante que ela apareceu no quarto apenas de lingerie procurando alguma roupa limpa no terrível monte de roupas sujas pelo local. Nossa, que coisa, não?

–Nossa, pra uma nerd desengonçada, até que ela tem um corpo bonito- disse, me repreendendo mentalmente por tais palavras. Mas fazer o que, Santana tinha um corpo perfeito. Papai tinha razão, ela possuía um ótimo condicionamento físico, mas por que vivia daquela forma largada? Eu hein, cada um com suas esquisitices.

Acordei desses pensamentos quando ela saiu porta a fora, correndo atrás o mais rápido que podia, a tempo de vê-la sair catando pneus no seu Maverick antigo. A segui até a faculdade e fiquei escondida em frente até o fim de sua aula. Assim que ela parou no posto resolvi agir. Ela vinha na minha direção meio desligada e me choquei contra ela:

–Não olha por onde anda, não?- ela reclamou, pegando seus óculos que havia caído no chão- Quase me atravessa.

–Calminha aí, latina zangada. Foi só uma distração- fiz teatro, consertando meu vestido que acabou subindo um pouco depois da batida. Notei que ela deu uma visível reparada em minhas pernas.

–Uhm, tudo bem, só preste mais atenção da próxima vez- ela parecia desconcertada por ter visto que notei onde seus olhos estavam e achei até fofo esse seu embaraço.

–Prometo que irei- disse com um sorriso sínico em meus lábios, notando seu embaraço por meus movimentos sinuosos. Bom, acho que ela se agradou de mim! Isso soou estranho, mas posso usar a meu favor- Até mais, irritadinha.

–Até- nos despedimos e sai. Andei alguns metros, virando meu rosto para observá-la por cima do ombro esquerdo, lhe enviando um sorriso provocativo. Ela me olhou meio espantada, passando a mão na cabeça enquanto suspirava.

Bom, tinha algo a meu favor!

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Agora estava parada em frente ao local de trabalho de Santana, tomando coragem para entrar e dar meu próximo passo: Contar tudo a ela. Decidi isso quando estudei-a mais de perto. Cara a cara, pude perceber o quão ela parecia tranquila e que não oferecia risco tentar me aproximar ainda mais. Fiquei mais aliviada por estar enfim acabando com essa perseguição toda e a droga desse teatro. Essa não sou eu de agora, mas o meu eu antigo e não queria que isso se tornasse frequente. Apesar dos segredos que me rodeavam. Dei uma profunda suspirada e adentrei o local, me sentando a uma mesa na espera de ser Santana a que iria me atender. Ela veio na minha direção, parecia meio desconfortável:

– B-Boa tarde, senhorita, deseja pedir agora?

–Ora, ora, ora... Se não é a latina marrenta do posto de gasolina- brinquei, continuando com meu teatro de mulher fatal- Anda me seguindo?

–Se alguém estiver seguindo alguém, eu diria que é você, por que eu trabalho aqui.

–Touché- sorri com a rebatida dela- Então... Santana- disse lendo seu crachá- Me traga uma omelete com bacon e um suco de laranja.

–Ok, trarei daqui a pouco seu pedido- ela saiu meio que tropeçando nas coisas pelo caminho e eu a observava de longe- É, essa é a garota com uma supercapacidade de me ajudar com a missão. Valeu, papai. Acho que me ferrou legal agora- comentei para mim mesma, achando aquela mulher uma furada total. Se ela mal conseguia falar com uma pessoa, quem dirá encabeçar uma luta para a proteção do país. Se não fosse a foto que meu pai me dera, começaria a acreditar que havia errado de pessoa.

Minutos depois ela apareceu com meu pedido, resolvi tentar puxar algum assunto para conseguir me aproximar dela, sei lá, criar confiança entre nós:

–Aquele carro ali na frente é o seu?- perguntei apontando para o veículo.

–É- me respondeu brevemente, enquanto me servia.

–Você tem bom gosto- arqueei a sobrancelha, achando meu comentário exagerado. Ela apenas me agradeceu saindo dali sem me deixar continuar- Mas que droga!- reclamei, bufando por aquilo- Como é que vou me aproximar dela se evita contato humano?- senti raiva e quando virei meu rosto, vi Bilbo e Toni entrarem no restaurante. Arregalei meus olhos, disfarçando para que eles não vissem. Caramba, como foi que eles me acharam? Faz cinco anos que não via nenhum dos dois capangas mais chatos de David. Saí antes que eles percebessem, ficando ao lado de algumas plantas. Tive que pensar rápido, precisava agir logo sem colocar Santana em perigo nem a mim mesmo. Ainda precisava conversar com ela, mas com aqueles dois seria impossível. Algo me veio a mente e seria isso ou nada. Esperei que Santana se aproximasse e mais uma vez me choquei contra ela:

–Caramba- ela reclamou, devo ter batido com muita força.

–Parece que de alguma forma você me atrai- não sei por que raios disse isso, mas acabou saindo. Seria isso verdade? Não, claro que não. Nem gay eu sou, principalmente pelo fato daquela garota não ter nada a ver comigo. Senti sua respiração pesar, ela devia estar nervosa por aquela aproximação toda. Aproveitei seu estado de dormência para cautelosamente retirar a chave do carro dela do bolso de seu avental- Até mais... Foi um prazer conhecer você.

–Até- ela murmurou e eu saí mais que depressa na direção do banheiro, escapando pela janela. Tão clichê, mas foi o jeito. Quase caio, não sou de realizar esses feitos.

Entrei no carro e dei partida, rezando para que o mesmo não morresse ali mesmo antes que eu conseguisse fugir. Desses carros antigos pode se esperar de tudo, mas ele foi contra minhas expectativas, rasgando os ventos quando o acelerei. Vi Santana correndo tentando alcançar o carro, mas parou com a mão no peito, encarando eu levar seu querido carro. Aquilo me doeu sem ao menos saber o porquê e por toda a viagem e o dia que se sucedia, aquela imagem dela me olhando daquela forma tão penosa ardeu em minha cabeça de forma dolorosa. Juro que não queria fazê-la sofrer, mas foi necessário. Muitos dependiam disso, meu pai dependia disso... Minha consciência dependia disso.

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Horas depois estacionei em Las Vegas. Tratei logo de procurar um lugar pra ficar, achando uma pousada escondida nos confins do lugar. Depois de dar entrada pedindo um quarto, me joguei na cama sentindo minha cabeça a ponto de explodir. Nunca tinha me esgotado dessa forma. Mais no meu psicológico do que fisicamente. Isso tudo estava mexendo de uma forma extrema comigo e o pior que ainda se tratava do começo. Apenas o maldito início de uma maldita jornada que me fez desejar intensamente voltar para o meu tédio na base militar alemã. Peguei rapidamente no sono, acordando no dia seguinte já recuperada do dia anterior. Fui até o carro de Santana e comecei a procurar por algo por ele que conseguisse trazer Santana até mim. Encontrei uma coisa que me chamou atenção: Um sensor óptico na tranca do automóvel. Não parecia dos que eu havia estudado com alguns dos agentes especiais na base, mas um novo e melhorado. Daí lembrei que Santana estudava engenharia e que ela poderia tê-lo feito.

–Nossa, devo admitir que a garota pode não ser das mais focadas, mas possui muita inteligência nessa área. Caramba, que sistema bem feito e organizado- comentei o analisando por completo- Bom, acho que achei uma forma de trazer ela até aqui, carrinho- mexi em suas configurações através de um de meus aparelhos de análises, aumentando seu sinal de receptação. Com certeza Santana não deixaria que eu levasse seu carro dessa forma sem procurá-lo e aquele sensor seria sua ponte até mim.

Paguei minha estadia na pousada e fui dar uma volta pela cidade. Parei em uma loja de roupas e fui comprar algumas peças novas, já que as minhas ficaram no hotel em Nova York e eu só estava com a que vestia. Saindo do provador, notei que Santana estava perto de seu carro, procurando algo e sorri comemorando mentalmente por ter conseguido êxito em meu plano. Peguei uma peruca por perto, troquei de roupa e sai pelos fundos sem que ninguém me notasse. Consegui chegar até o carro e sai dalí rapidamente, vendo Santana tentar me alcançar quando percebeu que eu fugia. Inacreditavelmente ela conseguiu quase me acompanhar na corrida. Cadê aquela nerd molenga de ontem? Dobrei uma rua e vi que ela não estava mais atrás, porém na próxima esquina a latina saltou de um beco me assustando e começou a saltar sobre os carros que entrava no seu caminho. O que era aquilo a mulher biônica? Santa mãe. Acelerei o que podia e segundos depois ela me seguia agora em uma moto. Ela não desiste mesmo! Graças a Deus, por isso.

Saí de sua vista, dando a volta pela cidade. Agora podia seguir para onde realmente precisava seguir... Até o segundo chip que estava com Olívia Tribiani em seu restaurante cassino. Olívia era uma ex agente especial da CIA, uma das pessoas a quem o chip fora confiado por meu pai, mas ainda tinha um problema... Ela não confiava em mim. Mas não entrarei em detalhes pelo por que, pois é um assunto um tanto delicado para ocasião. Após conversar com ela e escutar um sonoro: ‘’ Você sabe que eu não posso te ajudar. Peço que se retire do meu restaurante nesse momento, por favor’’. E foi o que fiz, segui meu caminho de volta frustrada. Santana não conseguiu me achar e agora me arrisquei à toa. Olívia nunca me daria o chip sem a latina. Quando descia a escada dei de cara com Santana que não estava nada alegre em me ver. Implorei para que ela me ajudasse, mas a mesma só parecia me odiar pelo o que fiz. Saiu de lá assim que ouvimos a chegada dos dois idiotas que me seguiam, me deixando aflita.

Tentei fugir pela cozinha, mas fui pega no ato. Toni me prensou contra a parede, com um sorrisinho sínico no rosto:

–Pensa que vai aonde, vadia?

–Me solte, Toni. Não cansa de ser o cachorrinho de David?- tentava me soltar a todo custo, mas como eu podia contra um cara com o dobro de meu peso e grande como uma muralha?

–Quero ver você fugir agora, sua cachorra traidora- ele disse apertando suas mãos em meu pescoço, me deixando sem ar. Quando já estava sentindo meu corpo desfalecer, Santana aparece e acerta Toni com uma frigideira que cai desacordado mais a frente. Cai de joelhos, puxando toda respiração me tomada por aquele idiota. Ela voltou por mim? Caramba, Santana voltou pra me ajudar. Aquilo era surreal, pois acho que se fosse eu em seu lugar, não faria a mesma coisa.

Ela me tirou dos meus devaneios, me puxando pela mão, seguindo até seu carro para que fugíssemos daquele lugar antes que aqueles dois acordassem. Que alívio eu senti por estar ao seu lado naquele carro. Não sei por que estava sentindo toda essa calma perto dela, mas não podia negar que me sentia segura perto de Santana. Ela me passava uma tranquilidade até estanha, apesar de sua expressão nada amigável encarando a estrada. Ela parou em uma rodoviária e me disse poucas e boas dizendo pra eu sumir da sua frente e nunca mais dar as caras, sem ao menos me dar chance de explicar o que estava acontecendo. Aquilo me doeu fundo. Eu sei que não fui nenhum anjo usando aquele método nada convencional de trazê-la até aqui, mas não merecia ser tratada daquela forma. Foi então que ela me jogou um punhado de dinheiro dizendo que era para ir embora daqui que estaria segura. Espera aí, ela se importava comigo? Mas por que ao invés disso ela não me levou com ela? Não, simplesmente ela me largou naquela rodoviária e foi embora.

–Droga! Eu estava quase... Droga, droga, droga.

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Quem foi que disse que me dei por vencida? Peguei o ônibus sim como ela mandou, mas para segui-la até Nova York. Quando cheguei nem me dei ao luxo de ir até meu quarto de hotel e me projetei na porta do apartamento daquela latina cabeça dura e bati freneticamente até que ela me atendesse. E foi o que fez, ficando espantada por me ver ali. Despejei o que estava no meu peito e meu juízo quase explode quando vi saindo de seu quarto uma loira que me olhou de uma forma nada legal. Senti tudo dentro de mim ferver quando se referiu a minha pessoa daquela forma: ‘’Quem é ela?’’ hahaha Quem é você, minha querida? Achava o que, que era dona de Santana? Faça o favor e saia daqui antes que eu te mostre como se voa pela janela de um apartamento. Aquela vadia me afrontou e quase saímos no tapa, sendo apartadas por Santana que segurou a abusada a minha frente, impedindo-a de se aproximar. Que ela viesse, eu estava lá me importando em dar uns belos bofetes naquela cara oxigenada dela. Se toca, garota! A loirinha dona de si saiu de lá bufando quando Santana pediu que ela nos desse tempo e eu sorri vitoriosa. O que Quinn Fabray quer, Quinn Fabray consegue. Lei da vida.

A latina me deu uma boas broncas de novo e quase esgoto meus argumentos para tentar fazer com que ela me escutasse, mas só fez isso quando revelei sobre seu pai. Com muita luta consegui que ela fosse me encontrar em um restaurante e quando a mesma aceitou, senti que me peito aliviou os mil quilos que pairavam sobre ele naquele instante. Mas confesso que não gostei nada de saber que ela voltaria para aquele apartamento para ficar com aquela abusada de instantes. Sei lá, não sei o que deu em mim pra sentir aquele embrulho no estômago por pensar que ela estaria ficando com ela ou até mesmo... Vamos deixar isso pra lá. Não sei, me deixa mal pensar nisso.

No nosso encontro ela finalmente me deixou esclarecer tudo e quase me trucida lá mesmo quando revelei de quem sou filha, mas quando novamente toquei no nome de seu pai e mostrei sua carta destinada a ela, percebi o quanto isso a deixava instável. Ele era muito importante para aquela latina. Sei isso profundamente, como já disse... Sei tudo sobre ela. De alguma forma me doeu vê-la daquela forma, por que também amo muito meu pai e não quero imaginar um dia perdê-lo, principalmente daquela forma como ela perdeu o dela. Quando Santana aceitou me seguir, confesso que me assustei. Foi de uma forma forte... Intensa e pelo seu olhar havia se tornado algo mais que pessoal... Um assunto de libertação da alma.

Mais uma vez aqueles idiotas apareceram do nada e saíram furando o restaurante que estávamos com balas. Santana me surpreendeu mais uma vez em nos tirar daquela confusão de uma forma nada convencional, mas brilhante. Escapamos bem e em direção ao nosso retorno a Las Vegas. No caminho expliquei tudo a ela que foi me mostrando uma pessoa que leva tudo na brincadeira. Como eu disse, foco não é uma palavra que se integra em seu dicionário. Ela me irritava com suas brincadeiras e sua forma de se expressar, me provocando a todo momento, me tirando do sério, sem se importar com o que eu dizia e fazia. Meu mau humor é algo terrível e ela só o piorava mais com suas ações, brigávamos mais que dialogávamos. Quando ela sumiu da lanchonete fiquei doida a caçando pelo lugar, com medo que os rapazes a tivesse pego e feito o pior, mas sabe o que aquela maluca fez? Mudou. Senti que meu queixo cairia a qualquer momento pela visão que estava tendo de uma Santana totalmente de roupas novas. Na verdade ela toda estava diferente, até o olhar estava cada vez mais gabola e provocante, me fazendo engolir a seco como me encarou. Tive que respirar profundamente pra não dar uns bons cascudos nela, mas me segurei por certos pensamentos que não deviam estar em minha mente começaram a se revelar.

Conseguimos com êxito o segundo chip. Olívia ficou recusa a nos entregar, no entanto algo em Santana a fez voltar atrás. Acho que a tranquilidade que ela transparecia não era só pra mim, mas para quem estivesse próxima e sentisse aquela intensa energia que ela exalava de seu corpo. Estranho, sei, porém real. Era como se apenas estando próxima a ela todos os problemas desapareciam, sendo transportada para um lugar imerso em paz e tranquilidade. Sem dúvidas nenhuma Santana me deixava assim: Remexida, mas tranquila.

Os dias que se sucederam foram regados a provocações e brincadeiras que me fizeram sentir vontade de explodir Santana, mas no fundo acabava me dando vontade de rir do que aquela latina maluca dizia e fazia. Para ela era tudo prático e fácil demais. Me senti dormente quando tivemos que dormir juntas, principalmente por conta do efeito estrondoso que ela causava em mim. Quando me deitei ao seu lado senti que no mundo só havia ela e eu, banhadas em conforto e paz. Aquele quarto de motel me fez sentir medo. Aquela escuridão lá fora me pareceu mais assustadora que qualquer escuridão. Fui me afastando na direção de Santana, encaixando meu corpo de costas ao dela, ficando de conchinha. Peguei sua mão e passei por minha cintura, apertando-a a mim e fui sentindo aquele efeito que só aquela latina me causava... O de tranquilidade. Meu corpo ganhou leveza e meus olhos peso suficiente para me fazer romper as barreiras do sono e me entregar ao momento. Dormi como nunca mais havia dormido.

Mas pior que no dia seguinte me assustei estrondosamente quando ela me pegou no flagra naquela posição. Meus planos incluíam acordar antes dela e me afastar, porém acabei ultrapassando o tempo calculado. A tratei com meu intenso mau humor para desviar sua atenção do que aconteceu e me tranquei no banheiro, quase morrendo de tanto rir de como ela havia tratado a situação. Ah, que coisa! Mas foi assim que continuamos nossos dias, brigando, nos xingando, ela me provocando com as brincadeiras, como quando fez aquilo pra me tomar o rastreador do papai. Tê-la daquela forma sobre mim, me fez sentir tudo que nunca senti na minha vida. Bom ou ruim? Isso eu também quero saber. Sem falar do ódio que eu sentia daquela recepcionista que investia de forma irrelevante para cima de Santana, a ponto de tentar agarrá-la enquanto revisava Francyne (nome estranho para um carro... Tão Santana isso). Senti vontade de matar aquela mulher no instante que ela pôs as mãos em Santana. Não era ciúmes... Claro que não. Só achei um baita desfrute daquelazinha em querer tomar a latina para si. Nada disso, aquele corpo era... Deixa pra lá.

Seguimos nossa viagem até Washington e logo nas nossas primeiras sete horas de viagem, o desastre nos alcançou. Eu estava despreocupada encostada ao carro quando um cara abusado veio conversar comigo. Apesar de não dar confiança a ele e ao amigo, ficou insistindo que eu devia sair com ele, coisa e tal. Ele me dava nojo com aquela cara de safado e bafo de bebida forte, mas apenas travei quando ele se aproximou. Agradeci mentalmente quando Santana apareceu cortando o barato do idiota que a olhou de forma maliciosa, me fazendo sentir mais raiva ainda dele. A latina exagerou nas palavras, mas a apoiei em tudo que dizia, queria sair dali o quanto antes, tentando prevenir um desastre. Minhas expectativas foram para o buraco quando ele começou a provocar Santana daquela forma. Ela parecia tentar se controlar e tentei a ajudar, tirando-a dali, mas o panaca continuava com as provocações. Tentava a todo custo fazê-la ir comigo e quando estava quase conseguindo, eis que o bêbado se pronuncia fazendo-a perder toda a calma que tentava transparecer:

–Pode fugir, mas saiba que eu sei muito bem como fazer essa loirinha ter um sexo de verdade. Aposto que a faço gritar meu nome em segundos, não é vadia?- senti ela apertar com força minha mão, virando-se com um olhar sombrio para o cara.

–Santana, por favor, não...

–Não, Quinn. Entra no carro- ela soltou-se de minhas mãos, cortando meu argumento de uma forma fria.

–San...

–Entra no carro- disse de forma grossa, me assustando- Eu vou te ensinar a ser menos idiota- ele deu um sorrisinho gabola:

–Vai? Pois vem que eu quero ver...

O sangue esvaiu de meu corpo no momento que Santana fez o que ele disse e foi em sua direção a passos pesados. Fiquei parafusada no chão sem reação, ela não me parecia a Santana calma de sempre, mas alguém movida pelo ódio agora.

–Vem cá, não é machona? Me mostre o quanto- ele provocou e eu senti que aquilo só a deixou mais irada. Aproximou-se dele, desferindo um soco certeiro em seu nariz que o fez cambalear alguns centímetros com a mão no mesmo- Olha, ela bate forte!

–E só estou começando- Santana disse, batendo com a sola do pé no peito dele, fazendo-o encontrar o chão rapidamente. Deixou que o mesmo se levantasse, com dificuldade, e que se aproximasse tentando golpeá-la e ela apenas desviava com destreza sem conseguir tocar um fio sequer de seu cabelo.

Eu ficava naquela aflição vendo tudo sem poder fazer nada. Santana era muito habilidosa, percebia isso com o decorrer das vezes que a vi em ação. Pude rever meus conceitos sobre ela. Aquela nerd me fazia engolir cada vez mais minhas palavras a seu respeito, quanto sua destreza provada nessas vezes. Meu pai me contou que a latina foi criada para ser uma arma poderosa que futuramente poderia ser de grande utilidade para o país em missões de grande porte. Ela foi treinada para infiltração, combate, confrontos diretos, uso de todo e qualquer tipo de armamento. Apesar de meus estudos intensos, não chegava nem perto das habilidades de Santana. Ouvi muitas vezes meu pai se referir a ela como ‘’o futuro da América’’ e com o tempo vou dando mais valor a suas palavras.

O cara bêbado estava se dando mal, pois a cada movimento que ele fazia Santana o usava contra o mesmo que até agora não conseguiu nem chegar perto. Ele correu na direção da latina, a agarrando pela cintura, mas quando se achava que a derrubaria, ela apenas o segurou abaixo dos peitos e o jogou para o lado. Girou caindo de forma estrondosa de costas no chão. Coloquei a mão na boca, me assustando com aquilo.

–Santana, pare. Vai acabar se machucando- eu gritei, fazendo menção de me aproximar. Ela fez um sinal com as mãos para que eu ficasse no mesmo lugar.

–Não, Quinn. Ele ainda não aprendeu a lição. Aprendeu, bebê?- Santana provocou e vi que o bêbado agora parecia muito zangado, levantando-se com as mãos nas costas- Isso, vem cá, rapazinho. Bate bem aqui- apontou afoita para o próprio rosto, que ele deu um soco sem demora. Ela apenas virou o rosto com a pancada e deu um sorrisinho de ironia- Agora que já se divertiu... É a minha vez- dito isso ela saltou em seu pescoço, sentado-se em seus ombros e inclinando seu corpo para trás em seguida, apoiando suas mãos no chão. Ele tombou pra frente em um mortal enquanto ela caía sentada em seu peito, desferindo socos em seu rosto- Cadê o valentão, hein? Cadê o desgraçado que força mulheres a ficar com ele, anh? Vamos, me mostre sua valentia, seu miserável- ela continuava com os golpes que ele tentava a todo custo se desviar, mas era em vão, Santana era muito rápida.

Aquilo me assustou completamente. Ver Santana daquela forma me aturdia. Vê-la perdendo seu jeito tranquilo e tenro por uma besteira com aquele cara me fazia me odiar por não ter tentado impedi-la. Corri rapidamente tentando segurar seus braços para que parasse, mas ela era forte demais pra eu conter.

–Santana, para.

–Me solte, Quinn. AGORA!- ela gritou como nunca fez nem perto comigo, me fazendo estremecer, porém continuava firme a segurando- Me deixe. Não quero machucar você.

–E não vai, San, por favor, faz isso por mim. Pare com isso- ela pareceu ficar atordoada pela forma que pedi, acariciei suas costas tentando lhe enviar calma e segurança.

–Mas, Quinn... Ele te desrespeitou. Não ouviu da forma que ele se referiu a você? Me deu nojo- ela dizia com a respiração descompassada, mas ainda continuava no mesmo lugar.

–Eu sei... Eu sei, mas deixe isso pra lá. Não quero que se machuque. Vem, por favor- lhe estendi a mão. Ela a olhou hesitante, mas a aceitou. Puxei-a com cuidado e fui lhe conduzindo até o carro.

–Vocês não vão sair daqui dessa forma- nos viramos e o bêbado agora estava um revolver em punho- Vai me pagar por isso, latina maldita- observei aquilo tudo em câmera lenta. Ele com a mão no gatilho, puxando aos poucos e Santana me puxando para detrás de si, no intuito de me proteger. Em seguida escutamos um tiro. Fechei os olhos com força achando que foi ele que havia disparado, mas como nem Santana ou eu tínhamos caído procurei de onde vinha. O dono do posto estava há poucos metros de nós com uma espingarda apontada para o alto.

–Não acredito, Larry. Já me cansei de você causando confusão por aqui- ele se aproximou do cara- Cai fora daqui, seu monte de bosta ou eu mesmo te mato- o tal de Larry saiu mais que rapidamente dali, lançando um olhar mortífero para nós- Me perdoem pelo idiota do Larry. Esse cara é um terror por aqui. Se eu puder fazer alguma coisa por vocês é só pedir.

–Não, senhor. Estamos bem, obrigada- eu disse, recuperada do susto. Peguei Santana pela mão e a levei até o lado do passageiro de Francyne. Ela não estava com condições de dirigir. Tomei o volante e saímos daquele lugar o mais rápido que podia. Santana não dizia uma palavra sequer, encarando o teto do carro em total quietude, nunca tinha a visto daquela forma e aquilo chegava a ser torturante.

–Pare o carro- disse de repente, me espantando.

–O que?

–Pare a droga desse carro antes que eu pule dele em movimento- pela forma frígida que ela disse aquilo até levei a sério a ameaça, parando o carro um pouco mais a frente. Ela rapidamente saiu porta a fora, andando até um monte de pedras que ficavam uns quinze metros de onde estávamos. Pegou algumas e começou a jogar contra a outra, destruindo tudo que estivesse por perto. Chutava, gritava e socava o que podia. Congelei completamente vendo aquilo. Na verdade, alguém me diz o que era aquilo? Recuperei os movimentos do corpo e saí correndo do carro até ela antes que se machucasse.

–Santana... Hey, vai se machucar- dizia tentando manter a calma, mas parece que ela não escutou ou apenas me ignorou continuando o que estava fazendo- Hey, pare com isso- tentei segurar sua mão, mas Santana a puxou bruscamente sem mesmo me encarar. Consegui ver sua expressão inquieta, como se não tivesse controle do seu corpo, pois o ódio a havia consumido. Acabei me desesperando sem saber o que fazer. Sabia que aquilo era uma forma dela extravasar sua frustração, mas o medo que ela se machucasse ainda era grande. Como conseguiria afastá-la disso? Nossa, quanto mais eu achava que conhecia Santana, mais eu me dava conta de que existia um abismo entre nós e o que guardávamos em nosso interior. Vê-la daquela forma me deixou de uma forma que não sabia explicar, mas meu peito apertava e minha cabeça se contraía de confusão. Ela continuava naquela revolta e durante aqueles socos, pontapés, gritarias, coisas voando de um lado para o outro, tive que ajudá-la e mesmo não sabendo como, fiz o que meu coração mandou... A abracei por trás, cessando seus movimentos.

–Q-Quinn... Me solta, por favor- ela pediu em um sussurro, com a voz entrecortada pelo cansaço de seus atos- Eu preciso fazer isso senão explodo.

–Não, San. Você precisa se acalmar ou vai acabar se machucando- argumentei da forma mais calma que consegui próximo a seu ouvido. Sentia seu peito com a respiração descompassada e o ar sendo puxado com uma certa força. Meus braços estavam em sua cintura, apertando-a com força enquanto apoiava meu queixo próximo a sua nuca- Vem comigo. Vamos sair daqui. Você precisa tomar um pouco de água- senti que ela deu uma forte suspirada, apertando os punhos com força. Senti seu corpo, próximo ao meu, começar a relaxar aos poucos. Ela abaixou a cabeça, passando a mão por seus cabelos negramente lindos e segurou em minhas mãos para que a soltasse. Fiz isso quando senti segurança de que ela não voltaria a fazer aquilo e ela virou-se, ficando de frente pra mim. Me olhou profundamente por segundos, se aproximando lentamente. Sem dizer nada, parou a milímetros de mim, levando sua mão esquerda até meus cabelos. Respirei profundamente quando senti seus dedos em minha cabeça e pisquei de forma demorada. Ela franziu o cenho fitando algo e o retirou:

–Guardando souvenir do estado, Fabray?- brincou, me mostrando que tinha tirado um pedaço de galho de meus cabelos.

–Idiota!- chamei, sorrindo levemente pela brincadeira e por ela me parecer bem melhor- Vamos?

–Vamos- andamos lado a lado até o carro e ela tomou a direção novamente.

Seguimos viagem. Uma parte de mim estava mais tranquila sabendo que eu consegui de alguma forma ajudar Santana, mas a outra ainda se preocupava pelo o que aconteceu. Resolvi deixá-la quieta. Por que apesar dela parecer mais tranquila, sentia que ela travava uma luta consigo mesma para manter-se inerte. Nunca passou pela minha cabeça que aquilo seria possível e que Santana estaria tão machucada com algo que chegasse a esse extremo. Não sei, tinha medo do que viria. Tinha medo de ser dona de novos tormentos dela. Tinha medo de como ela reagiria quanto tudo isso acabasse e as verdades fossem postas a sua frente. E acima de tudo... Tinha medo do que nos esperava. Tínhamos uma ligação, mas nenhuma das duas sabia de que tipo.

Notas finais
Bemmmmm... O que acharam? Sei sei, ficou grandeeeeeee, mas foi preciso e também não teve lá tanta graça, mas o momento pedia seriedade. Vocês entendem, né? Obrigada por tudo. E não se preocupem, o próximo não demorar muito dessa vez. Estarei com todos os esforços voltados a essa fic essa semana pra agradecer por tudo e esperem uma boa surpresa no próximo capítulo. Vamos lá, me digam o que estão achando que posto mais rápido ainda. Beijo pra todos e obrigada pelo carinho.