Ligadas pelo destino

34 Capítulo 34- Reiniciando Santana Lopez


Notas iniciais
Hey, galera... Como prometido, capítulo novinho e mais cedo. Acho que nem demorei tanto... Agoraaaaaaaa, esqueci o que eu ia dizer... obrigada por acompanharem e tudo mais. Desculpem qualquer erro, bora lá :-)

Beirando meu grau de paciência, eu estava parada há uns quinze minutos observando aquela algazarra que se alastrou assim que a tal loira avistou Santana no restaurante. Depois de uma bufada quase animalesca, ela pegou a primeira coisa que viu, que no caso fora um cabo de vassoura, e correu na direção de minha noiva com um semblante de que se a pegasse, com certeza a mataria. A latina de primeira instância tentou fazer as coisas se tornarem descontraídas, mas no momento em que a loira deu seu primeiro golpe, ela logo notou que a situação estava séria... Pelo menos é o que parecia.

–Britt, lindinha, eu achei que você fosse pacífica- Santana comentou durante sua tentativa de se manter ilesa quando Brittany a golpeava sem cessar, só que apenas conseguia acertar alguns jarros e mesas do salão, o que assustava as pessoas ali sentadas- Desculpa... Opa, desculpa... Ai, eu adoro esse doce!- ela se desculpava ao passar por cima da mesa, pegando um doce e provando um pouco, o que fez a senhora sentada a mesa fazer uma careta de intriga- Você precisa comer isso, Britt. Pra se acalmar- ela oferecia o doce a loira, que em um tapa jogou tudo para longe- Oh, Britt, tava tão gostoso!- a latina olhou penosamente o lanche no chão.

–Tente se manter calma durante meses de espera e preocupação com alguém que se gosta. Eu achei que estava morta... MORTA!

–Mas eu estou bem, não se preocupe- Brittany estava com o dedo apontado tão próximo do rosto de Santana, que a mesma havia ficado vesga olhando pro dedo em seu nariz. Odeio esse gesto mal educado que as pessoas fazem quando alteradas. Além do mais essa conversa toda estava me deixando impaciente-Não conte com isso por muito tempo- em mais uma tentativa de acertar Santana, a loira desferiu mais uma vez o cabo que acertaria a morena se ela não saltasse sobre uma mesa habilidosamente, porém ainda conseguindo derrubar algumas coisas que enfeitava ali. Os presentes que comiam no local começaram a se agitar com a confusão que a talzinha causava, e, dali em diante, só se ouvia barulho de coisas quebrando e Santana gritando para que sua agressora parasse, entretanto isso só fazia com que a outra se irasse mais- Eu sofria por informações suas, sua ingrata. Me deixou sozinha naquele apartamento estranho e sumiu, por meses. Sabe o quanto isso é angustiante?

–Eu...

–Não, você não sabe, Santana. Sabe por quê?- indagou irada, parando um instante para respirar.

–Brittany...

–Porque você, sua safada, estava se divertindo com aquela vadia enquanto Tina e eu nos remoíamos em preocupações e medos por estar, sei lá, morta.

–Espera!- me manifestei pela primeira vez, não gostando nem um pouco do rumo que aquela conversa estava tomando. Um que eu queria saber quem ela se achava para pedir satisfações a minha noiva e dois... Ah, ela não me chamou de vadia- Meça bem sua palavras para se dirigir a mim, sua infame. Eu nada tenho a ver com futricos de vocês.

–Futricos?- a amiga asiática de Santana perguntou, fazendo uma careta confusa- Sei que teve um ''fu'' no negócio delas, agora esse trico aí são outros quinhentos.

–Tina!- Santana fez uma cara repreensiva para a amiga, como se não quisesse que ela continuasse- Já falo com você, Quinn.

–Isso, Quinn, cala essa boca que meu negócio aqui é com essa cachorra.

–Não fale assim comigo, sua grossa- avancei um passo na sua direção, mas Santana logo me empatou. Eu nada faria com a loira, se era o que ela pensava, apenas queria encará-la a altura. Sou pacífica, mas não preciso aturar desaforos contra mim e minha noiva.

–Britt, precisamos conversar sobre tudo que aconteceu entre a gente. Ficou uma brecha ali e precisamos tapá-la- olhei para a latina, porém não obtive retorno desse gesto. Sério, isso não estava me agradando... Em nada mesmo- Por favor, me dê uma chance para me explicar.

–Explicar?

–Sim- Santana confirmou suavemente.

–Explicar?-a loira repetiu, balançando a cabeça inconformada- Não, deixe que eu me explique, Santana Lopez- pegou um pote com bombons e arremessou contra Santana, que felizmente desviou espantada- Eu achava que você era diferente, que era uma pessoa legal, correta e amável. Mas não, se mostrou totalmente o contrário quando se divertiu comigo e fugiu com aquela ali- apontou pra mim com desdém. Cerrei o olhar, cruzando os braços inquieta. Estava me segurando, Deus sabe o quanto eu estava. Respirei fundo para voltar a atenção para a cena que aquela exagerada estava causando.

–Brittany, me escuta. Não foi propositalmente que sumi, tem muita coisa em jogo.

–Ah, claro que tem, né?- apontou pra mim nada singelamente com a cabeça. Mantenha-se calma, Quinn. Santana resolve isso- Só espero que a saúde dela esteja em dia. Existem doenças venérias que se pega com a língua, sabia?

–Ah, não- aquele foi meu estopin- Agora você pegou pesado.

–Estou falando alguma mentira?- me provocou com um sorrisinho de deboche-Sua cara já diz tudo. Achei que Santana fosse uma mulher de bom gosto.

–Acho bom você pensar muito bem em como fala comigo- alertei com toda calma que havia me sobrado. Brittany deu de ombros e se aproximou de mim, ficando bem perto.

–O que vai fazer a respeito, loirinha?- roçou os dedos em meus ombros como se tivesse retirando alguma poeira dali- Ou será que não vai querer sujar suas roupinhas de idosa?

–Oh céus, ela não fez isso- Santana fez uma careta de apreensão, com os olhos arregalados- Brittany, não mexa com ela, por favor. Quinn não é assim.

–Cala a boca, Santana. Meu papo agora é com a ''Quinn''- disse em tom de deboche, voltando-se para mim novamente, que já respirava pesado, juntando toda a compostura que havia me sobrado para aguentar aquilo. Me deu vontade de chorar, não nego, mas não queria parecer fraca para aquela mulher- Então, loira?- apontou pra mim de maneira ameaçadora.

–Não aponte para mim dessa forma, por favor. É falta de educação.

–Ah, desculpe. Não posso apontar assim?- voltou a repetir o gesto, como se me desafiasse.

–Oh céus... Ela fez isso- Santana levou a mão a testa, virando-se afetada para a amiga- Salvem suas vidas. Quinn vai explodir- a latina gritou, fazendo sua amiga asiática arregalar os olhos.

–Bom, vejo que mais uma vez meus costumes requintados irão por água baixa- tirei levemente uma mecha de cabelo de minha testa, sorrindo de lado- Eu avisei.

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POV SANTANA

Sabe aquelas vezes que em certas ocasiões você vê a vida passar pelos seus olhos? Pois é, no momento que Britt apontou o dedo para Quinn, gesto que a loira tanto amava-só que não- eu vi até a vida de quem eu não conheço passando por meus olhos. Mais ou menos assim: Uma menininha perdendo seu primeiro dente. Uma velhinha depilando as pernas na janela de um apartamento causando um enfarto do velho da janela vizinha. Um cachorro fazendo cocô na rua e um executivo pisando nesse presente, gritando um grande ''WHAT THE FUCK, BITCH'' olhando pro sapato. Ou a vida de um cara que conhece uma gata na balada, leva ela pro motel nos pegas doidos e na hora H descobre que é a mesma é um travecão pintudo e vai parar em um hospício cantando ''Its rain the man, aleluia''... OH, Dios! Isso não ia prestar. Quando eu já estava quase tendo um ataque cardíaco esperando Quinn arrancar a traquéia de Brittany com a unha, minha loira apenas franziu os lábios e avistou na mesa algo que lhe interessou. Ela então foi até lá, pegou uma torta, provavelmente de morango e voltou até Britt, que franziu o cenho.

–Olha, espero que não seja alérgica a morangos.

–Não, eu não sou- béééééémmmm, resposta errada, loirinha. Quinn exibiu um sorriso psicopata, aterrissando com a torta por todo rosto de Brittany e em seguida em seus lindos cabelos loiros. Levei a mão a boca em espanto, notando o arregalo assombroso de olhos de Tina.

–Sua... — a loira maior travou pelo estado ''tortado'' que se encontrava- Ah, mas você me paga- foi até uma mesa e de lá trouxe um prato de macarrão.

–Espera, não faça isso, esse molho mancha- Quinn tentou se defender, mas foi inevitável... Brittany esfregou o prato de macarrão em seu cabelo. As duas se entreolharam como um olhar de morte, e dali em diante, aquilo se transformou em uma grande guerra de comida, onde os cabelos loiros e lindos das duas sumiram debaixo de doces, molhos, cremes e por aí ia. Tina logo se desesperou, se arremessando por cima de um balcão para se proteger, mas ao levantar a cabeça para rir das duas, levou uma bela torta perdida na fuça. Não tive tempo de rir disso, pois precisava impedir que as duas loiras de embolassem de vez. Os clientes que comiam no restaurante viraram um bando de formigas inquietas. Uns corriam para se salvar da lambança e outros se juntavam em euforia, alastrando um completo caus dos infernos. O dono logo apareceu e passou a correr, junto com outros funcionários, atrás dos clientes para conter a confusão, mas parecia algo em vão no momento.

–Meninas... Hey, vocês vão... — tentei apaziguar as coisas, mas Brittany correu na toda, pulando em Quinn que caiu com ela por cima de si-... Se machucar- fiz careta encarando as duas rolando no chão- Isso vai deixar marcas, ui.

Isso poderia ser até sexy...

–Tira a mão dos meus peitos, vaca... -

...senão fosse tão maluco.

–Tudo bem, já chega. Vocês duas se soltem agora- fui rápido puxar quem estava por cima- e por estarem tão meladas não se sabia quem era quem- Vem cá, Quinn.

–Eu sou a Brittany- a loira raivosa batia em meus braços que envolviam sua cintura fortemente.

–Serve pra você também- puxei Britt mais pra trás e logo vi Quinn se levantar e correr em nossa direção- Opa, calminha-segurei agora Quinn, pela lateral de sua cintura, tendo-a se debatendo e me batendo para sair. Segurando Quinn, Brittany vinha e lá ia eu parar a loira alta, mas então a outra loira avançava e eu ficava naquele vai e vem sufocante, onde eu já tinha me sujado toda, do rosto até os pés. Estava uma latina de gosto mais ruim do mundo- Tina, acode aqui- gritei pela asiática, que saiu detrás do balcão fazendo careta de nojo.

–Ai meu aplique divoooooo. Já era minha chapinha- passava a mão no cabelo com cara de choro em um desespero exagerado- Meu cabelinho lindo... Ai, eu vou dermaiarrrr- e CATAPLOFT, a cara de pastel foi abaixo.

–Eu mereço- balancei negativamente a cabeça para aquela outra maluca e me voltei a meu suplício- Quinn, solta o cabelo da Brittany.

–Eu vou comer sua alma e cuspir na Santana, essa cachorra- meu Deus, Quinn ta possuíada.

–Quinn, pára... Britt, não morde a perna da Quinn...- a loira pernuda pegou distância, largando Quinn.

–Banzaaaiiiiiiii- ela voltou correndo e pulou em cima de nós duas.

–Ai, meu fígado- reclamei quando as duas caíram sobre mim e passaram a brigar ali mesmo- Eu vou morrer- murmurei quase sem ar, tentando me arrastar dali. Já não bastava meu estado fraco, definhado, molenga, quebrado e agora tem mais essas duas além de quererem se matar, queriam acima de tudo me matar, e isso me acabava mais ainda. Depois que consegui sair debaixo das duas, consegui puxar Quinn e antes que Brittany dessa a louca de novo, um dos funcionários, Artie que trabalhou comigo quando aqui pertencia ao entojado super gay, a segurou no último instante.

–Britt, pare. Você não é dessas coisas. Não se rebaixe a tanto- ele pediu, fazendo uma senhora força para conter Brittany já que além de um mulherão perfeito, ela era mais alta que ele.

–Olha o que ela fez comigo, Artie- Brittany reclamava, apontando para o corpo.

–Olha o que VOCÊ fez comigo- Quinn passou a mão por seu rosto alvo escondido por toda aquela meleca de coisas misturadas- Meu estado está deplorável.

–As duas estão deploráveis. Deus do céu, estão horríveis.

–Cala essa boca, Santana- Britt disse raivosa e Quinn me acertou com vários tapas. Credo, sobrou pra mim.

–VOCÊS- um senhor gordo e barbudo apareceu do nada com um semblante nada amigável- Deem o fora do meu restaurante... Vocês também, senhoritas Pierce e Chang.

–Mas Paolo...

–Sem mas, Brittany. Saiam agora- a loira abaixou o olhar e passou por mim meio xoxa.

–Britt...

–Me deixe em paz, Santana- ela disse apontando pra mim, sumindo em seguida com Artie que a acompanhava.

–Quinn, amor, você está bem?- tentei tocar no rosto de Quinn, mas a mesma bateu em minha mão antes que eu o fizesse.

–Me deixe em paz. Vá atrás da sua ''namoradinha'' lá- disse desdenhosa, saindo do restaurante também, emburrada como Brittany estava. Fiquei com a maior cara de bunda murcha, sem saber o que fazer.

–Como eu imaginava... Me ferrei... Eu me ferrei e vou me ferrar. Ai, droga- chutei uma cadeira, que assustou algumas pessoas- Desculpa, desculpa... Tinha uma aranha enorme na cadeira. Salvei a vida de vocês- falei pro dono do lugar, que me encarava de olhos cerrados. Quando olhei mais atrás, vi a mão de Tina pelo lado do balcão. Ela ainda estava caída, com uma careta engraçada- Dios, tinha que ser você, Tina- eu ri da maluca, pegando-a pelo pé. Comecei a arrastá-la pelo salão daquele jeito, arrancando risadas das pessoas que sobraram no restaurante- Pois é, cara de pastel. Sobrou só eu e você parecendo uma defunta... Como sempre foi.

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Deixei Tina em seu apartamento depois rumei para o meu apertamento (sim, leu certo, apertamento), tendo que abrí-lo com a chave extra que eu deixava debaixo de um extintor de incêndio, já que deixei a outra, pois Brittany havia ficado dormindo. Quinn entrou com tudo, sem dizer nada e achou logo o banheiro se trancando lá, bem para confabular formas de me matar enquanto durmo. Sentei em minha cama, oh tão gostosa cama, que eu havia conseguido comprar assim que comecei a trabalhar no restaurante e a vender alguns pequenos projetos. Esse lugar não é tão luxuoso, tão confortável, tão nada de nada, mas era algo que eu havia conseguido do meu suor, da minha luta, então me era sim muito especial. Em cada canto havia uma história de minha vida louca de Nova York.

Procurei por MO por todo apartamento mas não o encontrei, deveria ter sido levado por Tina. Falando nela, me contou no carro que Britt agora morava com ela. As duas haviam se tornado grandes amigas, então resolveram dividir o apartamento, já que ficaria mais barato para ambas. Droga, eu precisava falar com aquela loira e precisava muito. Não queria ir embora ou continuar com tudo sem antes ficar bem com ela. Brittany era especial demais para mim de alguma forma. Quinn passou muito tempo no banheiro, estava muito suja (eu deveria ter tirado uma foto). Bati na porta.

–Amor, vou precisar sair- avisei, mas não obtive resposta. Apenas ouvia o barulho do chuveiro- Quinn?

–Tchau, Santana- revirei os olhos para o tom grosso que ela empregou nesse simples ''tchau''.

–Também te amo. Não demoro- não esperei outra resposta, se é que eu teria uma, e saí para o ap de Tina, mas antes tive que me limpar na pia da cozinha mesmo, já que eu estava também bem melecada. Cheguei sem demora, batendo na porta da asiática freneticamente.

–Sabia que temos campainha, gênio?- ouvi a voz de Tina se aproximando- Santana?

–Não, é a Cher- ela revirou os olhos enquanto eu entrava- Cadê a Brittany?

–No banho tirando toda aquela meleca... Urgh- ela fez careta de nojo, me acompanhando- Vai com calma, ela ainda está um tanto frágil por aquela confusão.

–Tudo bem, eu sei.

–O que ela faz aqui?- Artie perguntou saindo da cozinha- Não quero ela perto da Britt.

–Por que? Você é dono dela por acaso?- rebati grosseira- Onde é o quarto dela, Tina?

–É o perto do vaso.

–Valeu- agradeci Tina e rumei para o quarto, só que Artie me parou, colocando a mão em meu ombro- Não faria isso se fosse você.

–Não vou deixar que vá até ela e muito menos que a machuque novamente.

–Cara, sério, me pegou em uma péssima hora, então alivia pra mim- pedi na maior calma do mundo, porém ele parecia não querer retroceder.

–Você não passa aqui, agora vá embora.

–Tuuuudo bem- eu ri pra Tina depois para ele- Veja só, meu caro rapaz- em fração de segundos segurei sua mão e torci seu pulso para cima. Artei soltou um grunhido forte de dor e foi se abaixando até se ajoelhar-Eu vou entrar, falar com a Britt, fazer as pazes com ela e você vai ficar quietinho e calado aí, pois geralmente eu sou uma pessoa bem legal, mas agora no momento estou cansada, me sentindo horrível e com uma puta dor de cabeça e facilmente posso me encher e te virar do avesso aqui mesmo. O que me diz?

–Solte ele, Santana- Tina tentou tirar a mão de Artie presa a minha, porém não teve êxito- Droga, Santana, desde quando você é tão forte?

–Ai, ai, ai, ai, vai quebrar meu pulso- Artie reclamava enquanto eu apenas o encarava com um sorrisinho travesso.

–Que foi? Você não é o bravinho de minutos atrás?

–Santana...

–Solte ele- antes que Tina falasse algo, Britt interveio, aparecendo na porta do quarto- Eu falo com você, Santana.

–Muito bem- sorri, soltando o magricela.

–Britt...

–Coma mais vegetais, moleque- baguncei os cabelos dele, e já que estava levantando-se, acabou caindo sentado quando fiz isso- Foi mal aí. Ponha gelo nessa mão- pisquei pra ele, indo até Britt, mas parando no meio do caminho ao reparar que ela estava apenas de toalha. A loira me olhou questionadoramente por olhá-la daquela forma, mas apenas respirei fundo e entrei em seu quarto. Ali dentro não era tão grande, mas bem organizado e aconchegante. Vários ursinho de pelúcias enfeitavam um armário e mais alguns estavam organizados sobre sua cama de casal- Antes de qualquer coisa eu quero te pedir desculpas e...

–Espera!- ela pediu fechando a porta- Espera eu me trocar primeiro- falando isso ela soltou o lado que prendia a toalha, revelando seu corpo perfeito e completamente nu. Arregalei os olhos, limpando a garganta para tentar desviar meu olhar dali.

–O quê? Nada que você não tenha visto ou tocado antes- sério que ela tinha que me lembrar disso logo agora?

–Okaaaay- disse de forma longa, tirando o olhar daquelas curvas maravilhosas e passei a observar o monte de ursos e bonecas. Pra uns, lindinhos e fofos. Para mim, assombrosos e assustadores... Deus que me livre, esses sorrisinhos são macabros demais.

–Pronto- ela alertou- Agora pode começar.

–Tudo bem, como eu dizia... Quero te pedir desculpas por tudo em primeiro lugar.

–Se for só isso, tudo bem. Está desculpada, agora pode sair com sua consciência limpa- notei um certo sarcasmo em sua fala.

–Não é bem assim, Brittany.

–E como é então? Me explique, por favor- pediu, cruzando os braços levemente.

–Conheci Quinn poucos dias antes de você me procurar em meu apartamento. Aconteceu que ela roubou meu carro e fugiu para Vegas, o que me fez ir até lá e tentar recuperar Francyne. E bem, quando consegui, ela resolveu aparecer querendo falar comigo e mais uma vez me encheu a cabeça de minhocas.

–E você escolheu a ela... Boa garota-revirou os olhos com ironia.

–Tudo que Quinn fez foi por um propósito. O de que eu me juntasse a ela atrás de umas coisas para livrar o nome de meu pai como desertor do país. Lembra que eu te contei sobre ele?

–Lembro sim e sinto muito.

–Obrigada- ela sorriu levemente- Tudo que falei a você foi uma tramóia que fizeram contra meu pai.

–E o que isso tem a ver com a tal Quinn?

–Tem tudo a ver. A história é a seguinte:

Contei tudo a ela, referente a minha missão com Quinn, querendo sanar qualquer dúvida que pudesse ter sobre eu tê-la deixado por safadeza para seguir Fabray, o que de nada era verdade, pois tudo começou sem eu querer nada... Até mesmo querer algo com Quinn. Britt ora ou outra ficava estupefada com o que eu contava, principalmente pelo fato de eu ter sido gerada em um laboratório pelo pai de Quinn. Quando eu acabei com meu ''testemunho'', a loira estava ultramente pasma com tudo.

–Minha nossa... Parece coisa de cinema.

–Pois é, agora imagina meu susto- suspirei, permitindo agora que eu pudesse me sentar. A coluna logo agradeceria por isso.

–Entãoooooo- Britt murmurou compridamente, sentando ao meu lado em sua cama- Quer dizer que você não fugiu com a tal loira porque tinham um caso, e sim por conta de uns problemas de seus pais?

–Isso- confirmei sentindo o peito ir aliviando por ela enfim ter entendido meus motivos- Você me perdoa, Britt? Por favorzinho- fiz bico, juntando as mãos perto do peito.

–Ah, pára, isso é golpe baixo. Não sabe o quão fofa fica fazendo isso- eu ri, recebendo um pequeno empurrão de seu ombro contra o meu- Apesar da história parecer algo estranho e beeeem saído de uma cabeça doida feito a sua, eu acredito. Perdoo você, Lopez.

–Ufa, que alívio, loirinha. Tirou o peso de um elefante do meu peito.

–Relaxa! Sei que dei um surto bem exagerado lá no restaurante, e que talvez isso tenha custado o meu emprego, mas, olhando bem pra você agora, com calma e como antes, dá pra tirar de seu jeito que não faria aquilo de propósito comigo.

–Ter essa cara de lesada as vezes é até uma vantagem- ela riu, fazendo que não com a cabeça- Mas fico feliz mesmo que estejamos bem agora. Mmm, estamos bem agora, não é?- indaguei, fazendo uma careta de aflição.

–Claro que estamos- se inclinou para me abraçar, me apertando nesse gesto. Não pude deixar de me deleitar com seu maravilhoso perfume floral, bem docinho, porém não era enjoativo. Ao me soltar, Brittany não retrocedeu muito, apenas o suficiente para me encarar de perto e me dar a maravilhosa visão de seus lindos olhos cor do céu em um belo dia. Em meu passado nem um pouco distante, assim que pus pela primeira vez os olhos naquela loira, sempre almeijei, sonhei, supliquei por uma oportunidade como essa... Pelo menos ficar tão perto dela como estou agora... Talvez perto o bastante para que eu pudesse, uhmm... Beijá-la. Aqueles lábios sempre foram tão convidativos, oh se eram, e mais ainda macios para se pôr entre os lábios e acariciá-los assim, mas, não era algo que me permitia agora. Eu nem deveria estar assim, pois em meu dedo algo circular simbolizava meu recente grande compromisso com minha loira. Porém acho que Brittany não compartilhava de meus pensamentos, pois estava tão mais perto e se aproximando cada vez mais- Britt...

–Shiii- ela encostou seu dedo indicador em meus lábios e sorriu levemente-Você é tão linda!

–Brittany... — e mais uma vez ela me interrompia tampando meus lábios, só que dessa vez com os seus em um beijo nada romãntico. Sabe aquelas vezes que alguém te beija de sopetão e vocẽ, mesmo amando outra pessoa, corresponde no sustou ou sei lá, no automático? Eu já havia provado desses lábios antes, tão doces e maravilhosos lábios, mas parecia que eu havia me desligado do mundo agora. Sério, não sei o que aconteceu comigo na hora, mais parecia que meu corpo tinha adormecido, e acordou no instante que senti Brittany sentar em meu colo e ir me deitando na cama, roçando seu corpo no meu sensualmente-Britt, não...

–Eu sei que você quer, San, então me deixe mostrar o que te esperou esses meses todos- disse sobre meus lábios, mordendo de forma sexy meu o inferior, e não era pra eu ter gemido por isso, mas gemi. Cacetada! As mãos de Brittany foram para meu abdomên com uma intensão clara de suspender minha blusa em arranhadas arrepiantes, mas apesar de bom, de gostoso, eu não poderia...E nem queria. Eu já amava uma mulher, e apesar de tudo que aconteceu entre mim e Quinn, não era a que me beijava agora que eu queria.

–Britt, eu... — disse meio ofegante enquanto agora ela beijava meu pescoço. Juntei todas as forças de meu corpo para pará-la e me sentar com ela ainda em meu colo- Por favor, não faça isso. Quinn e eu...

–Eu sei, ela até que é bonitinha, mas não pode te dar o que eu posso, San. Cara, faça o que quiser com meu corpo- pegou minhas mãos e colocou sobre seu bumbum para que eu apertasse- Com ela é passageiro.

–Não, não é- disse seriamente, retirando as mãos dos atributos dela.

–Claro que sim, por que não seria?- deu de ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo.

–Porque eu a amo, Britt.

–Ama?- confirmei com toda certeza do mundo, em um olhar sereno para ela. Ela abaixou o olhar e notou algo mais ao lado. Era minha mão que tinha a aliança de noivado- Vocês...

–Sim... Vamos nos casar em breve. Britt- tentei tocar seu rosto, porém ela saiu de meu colo, acuada.

–Me desculpe, eu não, mhm, não deveria ter feito... Me desculpe, eu não sabia- ela me olhava agora envergonhada, abraçada aos cotovelos. Vê-la daquela forma me doeu, de verdade.

–Britt, não... Por favor, não me peça desculpas- fui me aproximar dela mas a mesma fez um sinal com a mão para que eu não continusse- Eu queria que soubesse que você é muito especial pra mim, sempre foi apesar de interagirmos tempos depois, mas, Britt, eu nada posso fazer contra isso. Estou tão ligada a ela, a quero tanto, que até dói... E como dói- a loira fechou os olhos, deixando cair algumas lágrimas- Por favor, não chore. Você não merece ficar triste por mim, eu não valo tanto.

–Pra mim sim- murmurou, limpando uma lágrima que caía sobre o queixo.

–Loirinha... Eu juro que não desejei isso, mas aconteceu. Se nada disso acontecesse, se não tivesse Quinn, com certeza era por você que eu iria querer me apaixonar, casar, ter filhinhos lindos e loiros, mas...

–Você preferiu a mulher que só te traz sofrimento. Bela escolha- a loira sorriu sarcástica.

–Não é bem assim. Ninguém escolhe por quem amar- essa situação estava me deixando mais mal do que eu já estava.

–Tanto faz- ela foi sair, porém segurei seu braço.

–Você me ama?

–O quê?- indagou de cenho franzido- Eu não...

–Perguntei se você me ama.

–Eu... Bem... — arqueei uma sobrancelha, lhe enviando um olhar de '' é isso aí''- Amar é uma palavra muito forte. Eu sempre tive uma imensa atração, curiosidade por você.

–Então...

–Ah, Santana... Não sei, eu quero você.

–Mas não me ama- ela mordeu o canto dos lábios, encanada- Estou com Quinn e me casarei com ela não só porque a quero e sinto atração por ela, pois isso são apenas adicionais ao que queima aqui dentro por aquela mulher- apontei para o peito- Mas se me vejo em um futuro com ela é porque meu coração já fez sua escolha... E é Lucy Quinn Fabray que ele quer... Eu a amo mais que tudo em minha reles vida.

–Mulher nenhuma gosta de ser rejeitada, Santana. Eu te quero e sempre mostrei isso.

–Não estou rejeitando você- ela deu uma risadinha pelo nariz, como se discordasse- Você é uma mulher incrível e completa, só que...

–Eu não sou ela- Britt baixou o olhar, inconformada- Vá embora, por favor.

–Britt...

–Por favor, Santana. Quero ficar sozinha- apesar de meu peito doer, foi isso que fiz. Deixei um beijo tenro na testa de Britt para então ir embora.

–Droga de vida!- soquei a parede, sentindo a mão doer pra cacete- Aiiii, cara...

–Miau!

–MO?

–Miau!

–Morte, é você, seu gato azarado- ele me olhou preguiçosamente, em uma pose entranha de gato se limpando. Peguei ele no colo e o apertei forte, ouvindo um grande miado desesperado para sair- Senti tanta sua falta, seu miserável maluco. E está tão gordo que se te empurro, bola legal- beijei sua cabeça enquanto ele me arranhava como sempre fazia quando agoniado porque o abraçava forte- Vem, vamos conhecer sua nova mamãe.

/////////////////////

Cheguei logo em meu apartamento, escondendo Mo em minha jaqueta para que o síndico não o visse, já que não sabia que eu havia ficado com ele. Ao entrar, deixei ele em sua antiga caminha com uma gostosa carícia em sua cabeça gorda. Joguei um punhado de ração que trouxe da casa de Tina em sua vasilhinha e ele ficou lá terminando de se matar de comer. Infeliz guloso! Encontrei minha loira mexendo em algo de minha estante e corri até ela para lhe pegar no colo e girá-la como uma criança. Ela bateu em meus ombros, rindo, para que parasse, e quando o fiz, a abracei apertado como se nunca mais pudesse fazer isso.

–Que foi, San?

–Eu te amo- beijei seu ombro várias vezes- Te amo tanto... Tanto.

–Também amo você, meu amor- ela retribuiu o abraço calorosamente, porém algo a fez parar.

–O que foi?- franzi o cenho, vendo-a se desprender de mim. Quinn me olhou desconfiada e se inclinou um pouco para me cheirar. Fez uma careta enojada- O que foi? Estou fedendo?

–Está fedendo a piranha- cruzou os braços- Esse perfume barato não é seu- apertei as sobrancelhas sem entender. Puxei um pouco da blusa para reparar no que ela dizia, e, ah... O perfume de Brittany tinha empregnado em mim. Eita, merda!

–Não é nada que você está pensando.

–E no que eu estou pensando, Santana Lopez?- perguntou autoritária.

–Que eu fui falar com a Brittany para me desculpar, então a gente se desculpou e ela me beijou achando que eu estava disponível e acabou que eu disse pra ela que te amava, que iria casar com você porque era a tampa da minha panela e enfim eu tinha descobrido que não era uma frigideira sem tampa, mas sim uma mala sem alça com tampa, porém mala não tem tampa e sim forro, então você é o forro da minha mala, mas pensando aqui fica dentro e não fora, isso implica muito nos fatos já que o importante é a lagartixa e não o rabo que ela deixa pra trás- parei para respirar fundo- Acho que me embolei toda.

–Sim, você se embolou e eu nada entendi- Quinn tinha a boca torta pro lado em confusão. Cocei a cabeça sorrindo.

–Desculpa, to meio nervosa- ela inclinou um pouco a cabeça pro lado, de cenho trancado- Mas, o importante é que, Quinn... Eu amo você e iremos logo ter uma vida maravilhosa juntas. Nada nem ninguém vai nos impedir disso, porque não deixarei, nem que eu morra para que isso aconteça. Só quero que saiba que mulher nenhuma me provoca como você faz, me faz sentir coisas que nunca senti ou pensei que sentiria, ou me faz querer ser alguém melhor, pois você já o meu melhor. Amo tudo em você, esse seu jeitinho esnobe e granfino só me deixa cada dia mais excitada e te desejando cada vez mais. Entendeu o quanto te amo?- Quinn me encarava boquiaberta e com as sobrancelhas levantadas.

–Bom, eu... — limpou a garganta, apontando com o polegar para o banheiro mais atrás- Eu só ia pedir que tomasse banho, já que eu fiquei muito tempo no banheiro até você sair, então de quebra tiraria esse cheirinho ruim de perfume de quinta do corpo. Mas respondendo sua pergunta- riu pelo nariz- Entendi sim.

–Meu Deus... Que susto- Quinn gargalhou de meu estado aflito e me beijou demorado- Quase me mata de susto, loirinha.

–Eu sei. Consigo ser malvada quando quero- foi minha vez de rir, apertando sua cintura- Eu confio em você, meu amor. Mulher nenhuma vai quebrar isso, nem aquela talzinha, sabe por quê?

–Britt é uma pessoa legal, não chame ela assim, mas por quê?

–Porque muitas podem querer você... — roçou seu nariz no meu, fazendo menção de me beijar, mas parando no último instante-... Mas só eu a tenho- eu sorri serenamente para ela, que tomou minha boca em um longo beijo apaixonado, sem demora para enroscar sua língua com maestria na minha, do jeito que eu tanto gostava, até me deixar sem ar- Agora vai... Vá tomar seu banho.

–Tuuuudo bem. Quando minhas pernas acordarem eu vou- Quinn gargalhou bastante, mordendo meu queixo- Eu já volto.

–Aguardarei ansiosa- piscou marotamente para mim, que me deixou mais mole. Mulheres... Por que tão viciantes?

Deixei-a com toda sua gostosura e fui tomar um banho de misericórdia... Eu estava realmente precisando de um. Quinn me disse que iria sair para comprar algo para comermos, ficando assim somente eu e MO no apartamento, vendo algumas coisas em meu laptop que estava largado em qualquer canto do quarto. Ela não demorou muito com as coisas e logo estávamos alimentadas e prontas para uma bela noite de sono. Quinn foi a primeira a deitar, eu parei para tomar um pouco de água quando aconteceu. Um tremor horrível tomou conta de minhas mãos, o que resultou na queda do copo e da jarra no chão. Eram ambos de vidro, então fizeram um barulho enorme. Senti aquela dor horrível no estómago de novo, a ardência que ia das costelas até a cabeça parecia ter piorado e logo meu nariz pingava sangue em gotas grossas.

–Não- murmurei assustada- De novo não... Aqui não.

–San?- Quinn apareceu com uma carinha gritante de sono e antes que eu dizesse algo, minhas pernas fraquejaram, me fazendo ir abaixo em um estrondo- SAN!- ela correu até mim, e ergueu minha cabeça enquanto eu respirava descompassado- Amor, fala comigo.

–E-Eu.. Ai, Quinn, dói muito- reclamei, me cotorcendo inteira no colo dela.

–O que? O que dói, amor?

–Tudo... Merda! Dói tudo- notei que ela chorava ao ver meu estado.

–Eu preciso levar você a um hospital- disse em agonia- Consegue levantar?

–Não... Vai passar, tem que passar... Sempre passa- minha voz estava fraca como o restante de meu corpo.

–San, você está muito mal!- exclamou em uma crescente preocupação.

–Não é a primeira vez que passo por isso. Eu aguento- puxei a blusa para estancar o sangue que vinha do nariz- Se eu for a um hospital, eles irão nos encontrar. Não sei o que tenho, mas passo por essa. Só fique comigo, por favor.

–Oh, amor- ela me apertou em seus braços e beijou o topo de minha cabeça- Eu sabia que isso não iria dar certo. Aquele monstro não tinha o direito de fazer isso com você.

–Ai, Deus- reclamei em mais uma onda de dor pelo meu corpo- Como assim?

–A injeção que você me relatou que ele lhe aplicou- me virei melhor para encará-la- Eu já tinha minhas suspeitas, mas com todos esse efeitos aterradores que estou vendo você sofrer agora e antes, isso se concretizou... Ele está reiniciando você.

–O quê?- indaguei em um fio de voz- Me explica isso, Quinn.

–Essas reações que está sofrendo agora é seu corpo, seu organismo e tudo mais, lutando contra essa ameaça inserida a você- pegou a blusa de minha mão e passou a limpar meu rosto enquanto suas lágrimas de aflição se despendiam de seu belo rosto- Ele a deixou frágil, Santana... Está minimizando você para...

–Para atacar quando eu estiver nas últimas-complementei horrorizada com aquilo- O que eu posso fazer pra impedir isso?

–Nada, amor-enxugou as lágrimas rapidamente. Eu já sentia o corpo mais leve, com dores em menor escala- Mas eu sei quem pode.

–Quem?

–Meu pai... Russel Fabray.

–Ah, não... Era só o que me faltava!

Notas finais
Genteeeeeee... Pronto, pra quem tava pra me matar pra querer saber dos paranauês de Santana, está lá. Parece confuso, mas... é mesmo confuso kkkkk muitas surpresas os aguardam. Agora, me digam o que acharam coçando o dedinho no espacinho abaixo para comentar, ihuuuuu beijão e obrigada por tudo. Beijo na orelha.