Liga das Sombras
28 Será?
Notas iniciais
PVD — Charlie
Eu queria meu David de volta. Queria suas palavras no meu ouvido, queria o aperto de seus braços. Ian havia dito que ele tinha desligado a humanidade, que como o Governador explicou, ele era idiota imprudente e não estava nem ai.
Eu sei que se ele me ver se ele me abraçar, ele vai voltar a ser o meu amor, vai voltar a ser o David.
Será que voltaria mesmo? Será que ele me ama tanto assim? Claro que sim, eu sinto que sim. Eu sei que mesmo que por pouco tempo o que tivemos é real.
Era real quando ele me beijava. Era real quando ele me dizia que me amava.
Será que eu estou erada sobre o amor não vencer tudo? Seria que era mesmo a esperança a superar tudo? Ou cada um tem seu espaço na jornada da vida, imortal ou não?
Eu sei que ele vai me... eu não sei.
De repente todas as minhas certezas caem. Todas somem no ar.
– Pronta? – eu estava na porta da cela.
– Vamos lá.
A luz da cela é fraco, David esta deitado em uma cama com os braços sobre o rosto.
O Ian esta do meu lado muito calmo.
– David? – eu o chamo. Ele já sabe que é eu que estou aqui. E quero que ele corra para os meus braços. E me dê um beijo.
Mais ele não move nem um musculo.
E eu chamo de novo.
– David – minha voz sai desesperada.
Será que quando eles desligam a humanidade eles não conseguem mais lembrar? Não. Ele se lembrava do Ian, de mim com certeza iria.
O Ian estava encostado na parede, era impossível de ler as expressões no rosto dele.
David tira os braços de cima dos olhos e os coloca atrás da cabeça.
Lá estava o David, um pouco atido e cansado, e bom, um pouco mais sombrio. Mais era ele, era meu David.
– David – minha voz sai cheia de esperança.
– Charlie – David diz.
Como uma pontada fina toca meu coração. Uma agonia. Isso pode não significar nada, ele apenas se distraiu.
Eu dei um passo mais em frente. Pra me sentar na cama junto a ele.
– Não. – ele disse.
Eu me congelei parada.
– O que você quer, Charlie? – ele perguntou.
Ele já tinha falado duas vez. Doía tanto quando a primeira vez.
– Como assim, oque? – eu pergunto exaltada. – Eu vim te ver.
– Mais não quero ver você- ele disse.
– Você esta sem humanidade, é... é, so ligar. Volta pra mim. – eu falava como uma criança desesperada.
Antes de eu percebe lagrimas caiam do meu rosto. Olhei para onde o Ian estava, mais ele não estava mais lá.
Ele estava atrás de mim. ele me virou e me abraçou. E pela primeira vez eu me senti feliz por ele esta aqui.
Eu não devia ligar para o que ele fala. Não importa o que ele fala, já que ele esta desligado. Ele fala besteiras. E não liga pra nada. Eu não devia... é sem importância.
– Por que eu iria ligar? Por você? Não, eu estou melhor assim. Eu gosto assim. – eu podia ouvi-lo atrás do abraço apertado do Ian.
– Idiota – Ian falou – vamos embora.
Do lado de fora da Central batia um vento frio. Eu estava abraçado com o Ian ainda. Não queria soltar. Era reconfortante.
David.
– Você esta bem? – ele perguntou, enxugando as lagrimas do meu rosto.
– Não estou. Eu... – não consigo terminar a frase mais ele sabe o que é. Ele sabe o que eu iria falar. Eu sou uma merda.
Ele me abraça forte ate eu sentir apenas o seu perfume adocicado de madeira.
– Vai ficar tudo bem – ele dizia. Eu queria saber se ele dizia de verdade ou falava só por falar, mas não vou perguntar.
Ele solta um pouco o abraço. E me encara. E fica assim. Ele tira os cabelos da minha testa.
Não é pra mim fazer isso. Eu não devia.
Mas sim, era isso. Eu estava me inclinando para beija-lo. E dessa vez eu sabia o que estava acontecendo. E depois do que o David fez, ele merece. Depois dele me chamar de ‘Charlie’ ele merece.
Mais eu acabo não beijando a boca do Ian, eu beijo a bochecha. Ele havia desviado do beijo. Minha reação é meia... O QUE?
Ele fecha os olhos como se que merda eu fiz, mas ele diz:
– Charlotte, — ele começa.
– Tudo bem – depois de levar um fora a ultima coisa que quero ouvir- é por que eu levei um fora e que ele não gosta de mim daquele jeito.
– Olha, Deus sabe o quanto que te dar um beijo. Oh, ele sabe, e não só beijo.- ele disse e se formou um sorriso safado, os olhos dele rondaram meu corpo — Mas, eu quero que seja real. Eu quero que você me beije por que você quer, não por que acabou de levar um fora de quem te disse ‘eu te amo’.
Era verdade isso? Era isso que eu estava fazendo? Eu não queria ser essa pessoa.
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