Notas iniciais
Atenção, conteúdo sexual mais intenso nesse capítulo. Se poderem responder a pergunta na nota final vou ficar agradecida. Quero agradecer a todos que estão acompanhando essa fic, mesmo o ship sendo diferente. Assim que essa fic finalizar (e está perto) vou retomar O Preço da Fama, então se acalmem, ok? Agora fiquem com esse capítulo quente e com uma reviravolta.

Blake estremeceu arqueando as costas, sua respiração saía em alçadas rápidas e carregadas, como se algo estivesse pressionando seu peito dificultando a entrada do ar.

Nas últimas semanas ela estava ligando para Raven duas vezes na semana, Blake chamou de “atividades noturnas secretas”. Era divertido. Elas conversam e não demorava para vir os flertes e provocações, a mulher mais velha tinha algo especial que a fazia queimar de desejo com tanta facilidade.

— Aaaah… Eu estou perto… Hum… — Blake ofegou ao telefone, ela sentiu o calor abrasador queimando seu ventre.

— Eu estou ouvindo, você é tão gostosa gemendo assim, faça mais, toque-se como se fosse eu te fodendo.

Nesse tempo, Blake se aproximou de Raven, ou melhor, da QueenBird. Além das ligações que ficaram mais confortáveis para ela e ao mesmo tempo, mais ousadas, agora as duas trocavam algumas mensagens de texto ocasionais. Era animador.

— Aah, sim… Foda-me! — Ela deixou seus dedos entrarem e sairem mais rápido em sua intimidade.

Blake sentiu seu orgasmo se aproximando.

— Isso, gatinha, vai, goze para mim.

Ela sentiu a sua liberação fazer seu corpo sacudir e Blake gemeu uma última vez. Suas costas bateram contra o colchão e sua cabeça descansou no travesseiro, seu cabelo estava levemente molhado de suor e seu pijama estava aberto deixando seu seios expostos. Ela tirou vagarosamente sua mão de dentro da calcinha e tentou recuperar o fôlego.

— Você veio rápido. — QueenBird comentou soltando um pequeno riso provocador.

— Estava… estava pensando em você. — Blake confessou ainda arfante.

— Adoro como você é dedicada.

— Falando nisso. — Blake se sentou na cama apoiando as costas na cabeceira. — Tem algo me preocupando.

— E o que seria?

— Me parece que não estou fazendo nada por você.

— Eu gosto de te ouvir, você acha que eu estaria nesse negócio se isso não me desse prazer? — respondeu um tanto aborrecida.

— Eu sei, mas eu também gostaria de fazer você se tocar. — Raven riu e Blake não soube dizer o que aquilo significava. — O que eu teria de fazer?

— Não sei, já faço isso a muitos anos, acho que já vi de tudo, mas não se preocupe com isso.

— No próximo sábado, posso ligar para você um pouco mais cedo?

QueenBird ficou em silêncio por alguns segundos.

— O que você está planejando?

Blake não conteve um pequeno sorriso meio travesso que se formou em seu lábios.

— É uma surpresa.

— Surpresa? Bem, não vejo problema de sábado ser um pouco mais cedo.

— Que bom, espero que você goste.

— Eu também espero gostar. — O tom de Raven ficou mais sério. — Você é nova, isso é evidente, mas já percebi que é dedicada, então, estarei esperando ansiosa para sua “surpresa”.

Blake sorriu e um rubor pintou suas bochechas, ela se sentia tão mais confiante falando com a QueenBird, como se sua voz fosse capaz de atrair as pessoas, isso a deixava vaidosa e ela podia deixar suas inseguranças de lado naqueles momentos. Era maravilhoso, Blake amava aquilo.

Saber que Raven estava ansiosa por sua surpresa a deixou ainda mais animada, Blake se dedicaria muito. Mas será que sua amante por telefone gostaria do que ela estava planejando?

Já era uma tarde tranquila da quinta-feira quando Blake fez esses questionamentos a si mesma. Seu dedos correram pelas laterais de seu notebook sem tocar nas teclas, na tela estava aberto um documento de texto, um conto erótico que Blake escreveu inspirada em Raven, ou melhor, na QueenBird.

Será que seu texto seria bem recebido? Será que ela conseguiria fazer a mulher mais experiente se excitar com suas palavras? Isso era tudo que Blake mais queria no mundo.

Ela tomou um susto quando um som característico de um celular vibrando em cima da mesa lhe atingiu os ouvidos. Blake estava em sua escrivaninha em seu quarto, o celular estava conectado ao notebook carregando a bateria, ela se inclinou olhando quem estava lhe ligando.

O rostinho sorridente de Ruby estava na tela com o nome da mesma logo abaixo, Blake puxou o cabo e clicou em atender levando o aparelho ao ouvido.

— Oi, Ruby.

— Blakyyyyyyyy! Nos temos de ir no shopping!

— Pra quê? — Blake corrigiu um erro ortográfico que seu olhos pegaram no texto a sua frente.

— Como por que? Esqueceu do aniversário da Yang? Vai ser na próxima semana, na sexta, temos de comprar os presentes, sem ela saber!

— Claro que eu não esqueci. — Blake se apressou a dizer, mas era uma mentira, ela realmente não estava lembrando do aniversário da amiga, a culpa lhe mordeu nesse momento. — Você já sabe o que vai comprar? — Ela disfarçou para sua mentira não ser descoberta.

— Talvez… o que você vai comprar?

— Eu não sei…

— Ótimo! Então vamos pensar juntas, duas cabeças são melhores que uma, né? — Ruby riu do outro lado da linha, mas Blake não achou graça.

— Tudo bem, vamos…

— No sábado, de tarde! Combinado! Até lá!

— Não, espera. — Ruby desligou e Blake ficou em uma situação complicada.

~**~

O sábado chegou rápido e Blake foi com Ruby para o shopping a tarde como ela prometeu.

— Você comprou um monte de coisas para você e nada para a Yang. — Ruby comentou tomando seu milk-shake de morango tamanho gigante.

— Foi mal, é difícil achar algo para ela, o que se dá a alguém que está fazendo 21 anos? — Ela respondeu se equilibrando entre um copo de chá gelado e várias sacolas em seus braços.

Fazia tempo que Blake não saia casualmente com uma amiga e ainda mais tempo que saia com uma amiga para fazer compras, talvez ela tenha exagerado um pouco. Mas como sua família tinha boas condições financeiras, ela nunca se preocupou muito com gastos, Blake se deu ao luxo de comprar alguns livros, mimos de papelaria como cadernos e canetas coloridas e algumas roupas, como Ruby havia dito, elas entraram em algumas lojas e no final, ela não comprou nada para Yang.

— Vamos tentar a loja de sapatos! Yang adora botas! — Ruby correu na direção da sapataria.

Blake a seguiu sabendo que não era uma boa ideia, provavelmente ela só acabaria comprando mais sapatos para si mesma.

Para sua surpresa, ela conseguiu comprar um par de tênis legais para a amiga loira, mas não sem adquirir outros três pares de calçados para si mesma.

Ela teve de levar Ruby para casa, já que a mesma não tinha um carro próprio, depois Blake voltou para sua casa chegando quase em cima da hora para seu encontro por telefone com a QueenBird.

Seus pais não estavam em casa, ambos saíram para uma festa de casamento de algum amigo deles. Foi por esse motivo que Blake marcou naquele dia e horário.

Blake pegou seu notebook e o levou até a cama sentando-se e deixando o aparelho sobre seu colo para ficar mais confortável. Gambol estava esticado todo preguiçoso ao seu lado. Ela preparou tudo e o terrível monstro da ansiedade estava mordendo sua barriga, mas ela respirou fundo, não queria parecer nervosa para Raven como se fosse a primeira vez.

Ela ligou para sua amante.

— Boa noite, gatinha.

Blake mexeu as pernas inquietas, ela gostava tanto quando QueenBird a chamava daquela forma, era tão provocador e instigante, um dia ela teria de dizer para a mulher como aquelas palavras mexiam com ela. Tinha certeza que Raven adoraria saber.

— Boa noite, você está pronta para o que eu preparei para nossa noite? — Blake sentiu suas bochechas queimarem, mas tentou soar tão confiante quanto podia.

— Me impressione. — Raven respondeu divertida.

— Você está confortável? Talvez demore um pouco.

— Sim, estou. — Blake notou uma leve curiosidade na voz da mulher.

— Eu escrevi algo especial para você. Uma história.

— Uma história? — QueenBird agora estava claramente intrigada.

— Sim, um conto que escrevi pensando em você. — Blake sentiu certo orgulho de si mesma.

— Eu não sabia que você era escritora.

— Bem, eu gosto muito de ler e as vezes escrevo algo de minha autoria, não é grande coisa.

— Deixe que eu julgue se é grande coisa ou não, leia para mim.

Blake se ajeitou melhor para ver a tela de modo que suas mãos ficassem livres para segurar o smartphone.

“Você está em sua sala de aula vazia quando escuta a porta abrir, você observa uma de suas alunas entrar.”

Blake enfatizou sua voz para que soasse o mais sensual que ela podia.

“— Professora, eu lhe trouxe algo, um presente só para você.”

Ela falou parecendo se dirigir diretamente a Raven.

“Ela se aproxima e você a toma em teus braços, seu corpo firme e bem feito se moldando as suas curvas. Você encosta seu lábios no ouvido na jovem moça e sussurra sensualmente:

— Você já é meu presente.

— Ah, professora… Hum…”

Blake gemeu no aparelho imitando o som que a personagem fez. Raven riu do outro lado.

— Tudo bem? — Ela perguntou receosa que estivesse fazendo papel de boba.

— Tudo, continua. Quero ouvir sua voz. — Raven disse.

Ela sorriu para o incentivo e voltou a ler com uma voz suave e carregada de desejo.

“Você beija seu pescoço, a fazendo gemer seu nome em voz alta enquanto suas experientes e famintas mãos prendem sua cintura a trazendo para mais perto de você.”

Blake soltou mais gemidos fugindo ser a aluna sortuda.

“— Hum… Eu te quero tanto, professora, quero que me tome com suas mãos.

Você podia sentir o desejo da garota entregue em suas mãos, você a tomaria, você a faria tremer de prazer com suas próprias mãos e isso era tudo que ela queria, isso era tudo que você queria.”

Sua voz saiu cheia de luxúria.

“Você a empurra até que estava a pressionando contra a parede, sua avidez se fez presente enquanto a beija com paixão, despejando seu desejo ardente enquanto sua mão adentra atrevidamente por baixo de sua camisa, desfazendo os botões liberando mais de sua pele.

Você sente a maciez de sua pele em seus dedos, você beija seu pescoço arrancando suspiros pecaminosos da sua pobre aluna que sempre era reduzida a uma bagunça de desejo e necessidade por seu toque.

— Aaaah, huum… eu amo como você me toca… tão bom.”

Blake gemeu alto.

“Você deixa sua mão tocar a intimidade dela e se regozija com os deliciosos gemidos que suas hábeis mãos são capazes de dá.”

Ela ouviu um pequeno riso vindo de Raven, talvez fosse sua imaginação, mas parecia um pouco afetado.

— Continua, garota. — QueenBird falou depois que Blake ficou alguns segundos em silêncio.

“Você sente seus dedos dentro da intimidade de sua aluna que arfava e gemia por seu nome, ela agarrava-se em seus ombros como se sua vida dependesse disso. Dependesse de seu toque, sim ela precisava de você. Só de você.”

Blake falou sedutoramente. Como se ela estivesse dizendo aquelas palavras diretamente para Raven. Ela já estava sentindo sua calcinha molhada, mas controlou o desejo de tocar a si mesma.

“Você sente a intimidade úmida e quente dela, você a sente estremecer em seus braços.

— Você é tão boa nisso, eu amo como você me toca, amo como você me faz perder a cabeça e esquecer de tudo.”

— Sente é?

Ela se surpreendeu quando ouviu a voz de Raven naquele momento.

— Você gosta quando eu te toco? Você é uma garotinha muito depravada.

Blake sentiu seu rosto se avermelhar, mas inegavelmente um sorriso besta se formou na sua boca ao perceber que a QueenBird estava simplesmente entrando no personagem.

“— Ah, não diga isso, professora, eu sou uma boa menina. Diga que eu sou uma boa menina.”

Ela improvisou fingindo uma voz passiva e inocente. Blake não podia saber com certeza, mas pelas dicas que captou durante suas ligações anteriores, ela tinha o pressentimento que Raven gostava quando ela demonstrava passividade e uma certa dose de libertinagem disfarçada com uma camada de falsa inocência. Ela esperava que estivesse dando certo e estivesse apertando os botões certos para seduzir a QueenBird.

“— Então eu irei agradar a minha professora.”

— Como você irá me agradar? — Raven perguntou do outro lado da linha simulando uma voz provocadora.

“— Com o presente que eu trouxe.”

Blake mordeu o próprio lábio, ela não precisou fingir estar com desejo, porque ela estava sedenta de verdade.

— Deixe-me ver.

“Você se sente sendo empurrada até a mesa, ela paira perto de você, ela desliza seus lábios por sua pele macia para baixo. Ficando de joelhos, ela olha para cima diretamente para você, seus olhos cheios de desejo lhe implorando por permissão. Você sorrir e colocar sua mão sobre a cabeça dela a guiando para o local onde você mais precisa dela.

Ela passa as mãos ávidas por suas pernas, você pode sentir seus dedos desejosos percorrendo sua pele e provocando sua própria excitação.

Você sente que ela quer você. Ela deseja você. Ela te quer tanto…

— Eu te quero tanto… eu quero sentir seu gosto, por favor. Você é tão maravilhosa, eu a desejo mais do que tudo.”

Blake esperou um pouco para ver se Raven respondia novamente, mas ela só ouviu a respiração um pouco irregular.

— Continue.

Ela ficou mais determinada, sentia que estava chegando perto de onde Blake realmente queria. Ela entonou sua voz mais sensualmente possível.

“Você sente seus lábios roçando suas pernas, ela te beija, ela te beija com desejo, você sente suas mãos explorando a extensão de suas pernas. Você enrola seus dedos no cabelo macio dela e a traz para mais perto de si. Agora sua excitação está lhe enlouquecendo, você também a quer. Você precisa que ela lhe der esse prazer.”

Blake notou a respiração arfante no telefone, ela ficou mais empolgada, mas tentou manter a concentração, apesar da vergonha e de seu próprio libido. Estava chegando o momento.

“Você sente os lábios dela tocar em você, um beijo apaixonado e molhado na sua intimidade. Você se sente tão quente…”

— Você está se sentindo quente agora? — Blake perguntou diretamente para a QueenBird, sua mão vagou para seu sexo e brincou com a bainha de sua calcinha. — Eu estou bem quente agora.

— Garota… — Raven disse com a leve sugestão de riso nervoso em sua voz. — Você tá me deixando quente, continua. — Ela sentiu a respiração mais errática e uma dificuldade na pronúncia das palavras, o que era bem incomum, a mulher mais velha era sempre firme e provocadora.

Blake sorriu para si mesma, ela tinha certeza que QueenBird estava se tocando, podia estar disfarçando, mas era um forte palpite. Ela tinha de empurrar mais.

“Ela provoca você usando sua língua.

— Hum… Tão bom, eu vou te fazer gozar com a minha boca.”

— Ah, inferno. Sim, faça isso, use sua boca em mim! — Raven disse agora não mais disfarçando sua voz arfante.

— Você gosta disso? Gosta quando eu faço isso? — Blake arfou junto agora deixando seus dedos chegarem em seu sexo e começando a se estimular.

— Sim, foda-me, gatinha.

“Você está sentindo seu orgasmo chegar conforme ela te estimula com a boca.

— Você se sente tão bem, venha para mim, eu quero te sentir vir!”

Ela ouviu Raven gemendo do outro lado da linha e de repente um som mais grave e profundo, Blake soube que ela estava perto, ela redobrou os esforços e começou a gemer alto no aparelho acompanhando sua amante.

Ouvindo um palavrão soltado pela mulher mais velha, Blake sorriu triunfante ao perceber que ela conseguiu fazer a QueenBird gozar e ela simplesmente se deixou vir também, seu orgasmo como um prêmio por todo o seu trabalho.

— Você veio. — Ela disse respirando com dificuldade.

— Sim… — Raven respondeu arfando.

— Você gostou? — Blake não conseguiu disfarçar a empolgação em sua voz.

— Inferno, isso foi demais, mandou muito bem.

Blake riu em uma bagunça de embaraço e orgulho. Agora que havia acabado, ela foi tomada pela vergonha, nunca imaginou que um dia faria aquilo, mas mesmo assim, cheia de seus próprios desejos, ela estava tão orgulhosa de si mesma, depois de tantas sessões onde as coisas sempre aconteciam de forma unilateral, Blake conseguiu retribuir e isso a excitou imensamente. Todo aquele poder que ela descobriu que tinha, o poder de fazer a mulher mais velha sentir tanto prazer quando ela era capaz de proporcionar a Blake.

— Eu estou tão feliz agora por você ter gostado. Eu queria retribuir um pouco do prazer que você me deu. — Blake sentiu seu rosto aquecido, ela não deveria ter tanta vergonha depois do que fez, mas não podia controlar, sua barriga parecia se revirar.

— Você me surpreendeu, em todos esses anos, não tinha ouvido nada assim. — Dava para perceber o fascínio na voz da QueenBird e Blake se sentiu ainda mais envaidecida. — Você realmente é uma garota interessante.

Blake se surpreendeu com o elogio, o que ela quis dizer com interessante? Ela se achava tão sem graça, era estranho pensar que alguém estaria usando tal adjetivo sobre ela. Apesar de saber que aquela imagem que ela tinha de si mesma era fruto de seu antigo relacionamento.

— Eu gostaria de saber um pouco mais sobre você.

— Saber sobre mim? — Blake arregalou os olhos, até mesmo Gambol levantou as orelhas atento, o pequeno felino sentindo o súbito desconforto de sua dona.

— Sim, me diga um pouco de você e prometo que digo um pouco de mim. — Blake se mexeu desconfortável, ela tinha vontade de se expor mais para Raven, quem sabe até encontrar pessoalmente com ela, mas ela não tinha coragem, como a mulher mais velha reagiria ao saber que ela era a amiga de Yang? — Mas se você não se sentir bem com isso…

— Eu sou… — Blake começou. — Eu tenho o cabelo preto e que vai até o meio das costas. — Ela estava tão constrangida ao falar de si mesma. — Sou branca e meu olhos são de cor âmbar.

— Vou pensar em você desta forma. — Raven disse. — Eu sou-

— Não precisa me contar! Eu…

— Quer manter sua fantasia?

— Hum…

— Entendo, eu respeito, eu realmente fiquei curiosa com você, mas respeito sua posição. — Raven falou. — Espero que possamos continuar a nos falar.

— Sim, vamos sim, eu adorei hoje.

— Eu também. — Raven arrastou a voz de forma sedutora. — Você foi ótima, mal posso esperar para a próxima vez que você vai aprontar.

~**~

Nos dias seguintes, Blake pensou bem em sua última conversa com Raven. A mulher mais velha disse que ela era interessante, seria mentira se dissesse que aquilo não inflou seu ego, fazia tempo Blake não se sentia tão envaidecida. Ela estava experimentando algumas roupas e se olhando no espelho.

A desculpa que ela deu a si mesma era que estava escolhendo a roupa que usaria no aniversário de Yang.

Mas a verdade era que Blake estava experimentando uma sensação que lhe parecia tão alienígena, era um sentimento que ela só poderia identificar como soberba, era um orgulho de si mesma, um sentimento de superioridade, Blake nunca se sentiu assim.

A pessoa que ela estava vendo no espelho era bonita e mais segura do que a figura que normalmente a encarava. Blake atribuiu essa mudança as suas ligações com Raven. Ela não estava só bem por causa do prazer, mas também estava se sentindo sensual e desejada, especialmente depois da última noite.

Ela estava desfazendo os botões da camisa nova e tirou a peça de roupa, Blake olhou para si mesma, ela havia ganhado um pouco de peso nos últimos dois anos, foi logo depois de seu último e único namoro… Blake ficou meio desleixada, mas agora ela sentia que deveria voltar a se cuidar mais, se valorizar e se amar do jeito que ela é.

De modo algum isso era para Raven, Blake queria fazer isso por ela mesma. Ela queria se sentir bonita, queria se sentir desejada, queria sentir aquele poder quando conseguiu causar prazer na mulher mais experiente.

Blake pensou em como QueenBird disse que estava curiosa e queria saber mais sobre ela. Sua mão vagou para sua cintura onde a calça preta começava, e se ela pudesse fazer Raven a desejar ainda mais? Não! Ela não podia se expor, não podia estragar tudo, acabar com o segredo, mas… e se ela pudesse fazer aquilo e ainda manter o segredo?

Ela pegou seu celular e abriu a câmera, Blake puxou o cós da calça um pouco mais para baixo de modo que sua cintura ficou exposta com a alça de sua calcinha junto com uma parte bem pequena de sua virilha. Ajeitando a câmera para que seu rosto não aparecesse, Blake tirou uma foto de seu reflexo no espelho.

A foto ficou surpreendentemente boa e não aparecia seu rosto, ela estava de sutiã preto e parte da calça abaixada. A intenção era que ficasse sexy, mas ela achou apenas comum, talvez não fosse uma boa ideia afinal.

Blake queria que Raven a desejasse, pelo que ela viu no site, a QueenBird não se importava tanto com esses detalhes, mas ela queria mais, queria realmente despertar um interesse genuíno da mulher, Blake queria ter esse poder, o poder de fazer as pessoas a desejarem.

Seu estômago começou a revirar de nervosismo, será que ela deveria enviar essa foto? E se Raven não gostasse dela? Não, ela tinha de parar de pensar nisso, olha todas as coisas que Blake foi capaz de fazer! Até leu uma história erótica para sua amante por telefone. O que uma foto poderia significar diante de tudo que ela já fez?

Se ela foi capaz de impressionar Raven com sua voz, por que não seria capaz de impressionar ainda mais? Blake ainda levou um momento de hesitação, será que ela ficaria chateada de receber aquilo? Será que ela deveria avisar ou perguntar antes?

Ela afastou aquelas inseguranças com um balançar de cabeça e simplesmente clicou em enviar.

Blake digitou uma mensagem logo após:

“Não sou boa em me descrever, achei que manda uma foto era melhor, espero que isso não te incomode.”

Ela foi boba em ficar esperando uma resposta, duas horas depois e Blake já estava achando que estragou tudo. Mas o toque sutil do aparelho indicou que uma mensagem havia chegado.

“Você sabe como fazer uma aposta alta.”

O que aquilo significava? Blake sentiu uma pontada de decepção quando não recebeu nenhum elogio. Mas ela jogou esse sentimento de lado.

“Aposta? O que você quer dizer?”

Blake enviou a nova mensagem e aguardou a resposta.

“Qual é sua intenção de me enviar uma foto?”

Ela ficou um tempo pensando nisso, tinha algo a mais por trás desta pergunta? Blake não chegou em conclusão alguma então ela resolveu mandar de volta a pergunta:

“Qual você acha que foi minha intenção?”

Blake ficou com medo de aquilo ser interpretado como uma resposta mal criada, mas logo chegou a resposta de Raven:

“Acho que você quer se arriscar em um novo nível.”

Ela congelou, de repente ela sentiu um calafrio percorrer sua espinha e a sensação de que estava pisando em um território perigoso. Antes que Blake pensasse em algo, QueenBird lhe enviou outra mensagem:

“Vou deixar claro que sua aparência não é um fator determinante para mim. Você me chamou atenção por causa de sua história, eu acredito que você tem muito a oferecer e podemos nos divertir ainda mais, caso você queria.”

Por isso Blake não esperava:

“O que você quer dizer?”

Blake deveria saber o que estava chegando, mas mesmo assim, se surpreendeu com a mensagem seguinte:

“Gostaria de me encontrar pessoalmente com você. O que me diz?”

Se ela fosse honesta, aquilo era tudo que Blake mais queria. Mas não dava, era impossível, a não ser que ela contasse a verdade e esperasse que Raven não se importasse com… não! Não tinha como dar certo, não logo de cara.

“Eu vou pensar nisso.”

Foi o que ela respondeu, Blake pensou que a única forma seria contar a verdade de forma devagar. Sim, era isso que ela faria, era um plano.

Uma pena que Blake não o colocou em prática imediatamente.

~**~

Blake estacionou seu carro nos fundos da casa de Yang, era noite de sexta-feira, todos os anos os amigos se reuniam para o aniversário da amiga. A loira sempre foi popular na escola, então sempre havia várias pessoas além dos familiares mais próximos. O senhor Taiyang preparava alguns hambúrgueres na grelha logo ali, Blake podia ver a fumaça subindo atrás da cerca e a algazarra de vozes conversando e rindo.

Ela deu a volta na cerca, suas botas novas de cano curto e salto pequenos afundando na grama do jardim, em suas mãos a caixa do presente que Blake comprou junto de Ruby.

— Blakyyyy! — De repente um furacão loiro surgiu a sua frente e a esmagou em um abraço que deixaria um urso com inveja.

— Feliz aniversário, Yang. — Ela disse rindo com certa dificuldade por esta presa entre os braços fortes da amiga.

— Valeu, saca que eu pedi para o papai fazer um peixe para você, eu acho que é truta, você gosta de truta né?

Yang arastou Blake com um braço envolvendo seus ombros, no centro do jardim iluminado por luzes armadas nas árvores, a churrasqueira quente com o senhor Taiyang ali conversando animadamente com dois velhos amigos.

A senhora Summer estava ajeitando a mesa e recepcionando alguns convidados.

— Aqui o seu presente. — Blake ofereceu a caixa e Yang a abriu rapidamente.

— Uou! Legal! Esse modelo de tênis é irado! — Yang se animou, mas Blake notou que tinha algo a incomodando.

— O que foi? Isso é por que tá ficando mais velha? Achei que você ficaria feliz por agora poder beber legalmente. — Blake brincou meio sarcástica, agora a amiga loira tinha a mesma idade que ela, 21 anos.

Yang riu.

— Não é isso, é que… — Ela parou de repente e seu sorriso desapareceu do rosto, Yang olhou fixamente para frente e Blake sentiu um tremor percorrer seu corpo até perceber que a amiga não estava olhando para ela e sim para algo atrás dela.

Blake se virou para ver o que a loira estava vendo e se deparou com um par de olhos vermelhos a encarando diretamente. Seu sangue gelou até que seu corpo parecia um iceberg errante à deriva no mar aberto.

— Você veio. — Blake ouviu a voz de Yang ao seu lado, ela nem registrou direito, seu cérebro parecia mingau.

Raven a encarou diretamente, olhando nos olhos de Blake, desvendando cada um de seus segredos. Ela sabia. Blake não podia esconder nada daquela mulher.

Ela sabia quem Blake era.

— Você me convidou, não é? — Raven disse se voltando para a filha.

— Sim, que bom que veio. — Yang esfregou a mão na nuca, ela sempre fazia isso quando estava nervosa.

— Fiquei feliz quando recebi seu convite. — Raven olhou para Blake assim que terminou de dizer aquilo.

Yang notou os olhares estranhos e resolveu intervir.

— Ah, deixa eu apresentar, essa aqui é minha melhor amiga, Blake! Blake, essa é minha mãe biológica, Raven!

Blake engoliu a seco.

Merda, Yang! Merda!

Raven a olhou fixamente por um instante, seus olhos abaixaram e sua mão levantou.

— É um prazer te conhecer, Blake.

O jeito que ela pronunciou seu nome, um arrepio correu por sua espinha, era medo? Blake não sabia dizer o que era. Mas uma coisa ela tinha certeza, Raven sabia que ela era a Kitty e sabia que Blake a conhecia antes do DesireCalling.

— É um prazer te conhecer. — Blake apertou a mão dela sentindo-se a pior pessoa do mundo, ela quase poderia chorar naquele momento, só seu atordoamento a impedia de passar tal vergonha.

Raven apertou sua mão e deixou seus olhos se encontrarem mais uma vez. Blake nunca havia a visto tão de perto, e ela estava absolutamente aterrorizada com a figura a sua frente. O queixo estava tenso e seus olhos tinham um brilho colérico como se uma tempestade estivesse presa ali dentro, Blake estava certa que a mulher poderia bater nela a qualquer momento.

— Obrigada por cuidar de Yang, você é uma boa amiga. — Raven disse com uma voz tão gentil que nem parecia dela.

Mas aquela gentileza só deixou Blake com ainda mais medo.

— Não- não é nada. — Ela abaixou a cabeça escondendo seu rosto, ela não conseguiria fazer aquilo, tinha de sair dali.

— Ei, Blake, vem aqui me ajudar com os cupcakes. — Ruby pulou para o meio da conversa quando notou que Raven havia chegando, a clara intenção da ruiva era deixar mãe e filha conversarem e Blake estava mais do que contente em se afastar da mulher.

O que ela faria? Ela não podia encarar Raven. Blake estava ferrada.



Notas finais
Me digam uma coisa, vocês querem ver um orange dessas duas? Talvez a próxima atualização demore um pouco, estou pensando em postar o cap 4 e 5 juntos. Por enquanto, me digam o que acharam do capítulo 3? O que será que a Raven vai fazer agora?