Lifetime

5 Bad trip I couldn't get off


Notas iniciais
(The Kids Aren't Alright — Fall Out Boy)

O alarme do celular de Max começou a tocar e a garota se recusava a sair de seus sonhos. Abraçou o travesseiro e abriu os olhos devagar, olhando para a luz do sol que aquecia suas coxas. Deslizou o dedo na tela do celular, parando o barulho irritante, dando espaço para os pássaros cantarem sem batalhar com o alarme.

Era segunda-feira e ela não falava com Nathan há quase dois dias depois de todo aquele drama que havia ocorrido. Ela não lhe mandou mensagens tanto como ele também não. Mas ainda assim, ela procurou checar seu telefone e seu e-mail em caso de qualquer notificação do garoto. Nada.

Pôs-se sentada sobre as cobertas amassadas e encarou o chão durante alguns segundos. Espreguiçou-se e bocejou duas vezes antes de se levantar. Analisou seu quarto e viu a bagunça que se espalhava ao seu redor. Havia pacotes de comida jogados por todo o carpete e latas de refrigerante acumuladas em alguns cantos. Sem contar os farelos. Estava mais que na hora de fazer uma boa faxina naquele local. Max pegou um dos sacos de lixo na gaveta da escrivaninha e estendeu-o, pegando a vassoura que guardava também. Começou a varrer os farelos e juntá-los na pá, logo jogando-os dentro do lixo. Alguns minutos depois, começou a coletar as latas e os pacotes, jogando tudo dentro do saco e fechando-o por fim. Pegou seu cesto e colocou as roupas sujas dentro, que, por mais que não fossem muitas, eram suas favoritas, e ela tinha de lavá-las.

Como havia acordado cedo, tinha tempo de tomar banho e se arrumar, mas ainda assim, não era tempo suficiente para levar as roupas à lavanderia, então contentou-se com o banho. Pegou seus produtos de higiene e levou-os aos chuveiros, onde tomou um banho rápido e pacífico, já que não havia ninguém por lá. Quando saiu, encontrou Juliet, que sorriu para a garota e adentrou o local. Max caminhou de volta ao quarto, pegando uma blusa marrom com a estampa de uma coruja dourada e seu casaco cinza, acompanhados de seus jeans favoritos e os sapatos confortáveis. Deixou o cesto das roupas sujas acima do sofá e pegou sua bolsa transversal, deixando o quarto.

Enquanto seguia seu caminho para fora dos dormitórios, avistou Nathan saindo de um dos quartos, ajeitando a jaqueta. Max procurou esconder-se para não ser vista, o que fora uma atitude infantil, mas ela não queria ter de conversar com ele, tudo estava muito estranho entre os dois. O garoto enfiava seus braços pelas mangas da jaqueta e ajeitava os cabelos enquanto caminhava. Quando chegou à porta de saída, uma garota loura saiu do mesmo quarto e acenou para ele, sorrindo e perguntou se ele havia anotado o número dela. Max não conhecia a menina, mas pelo que se lembrava, ela parecia estar nas festas do Vortex Club. Nathan assentiu com a cabeça e acenou de volta, saindo.

Por um instante, o coração de Max pareceu estar prensado em seu próprio peito, e ela continuou escondida naquele canto. Posicionou as costas contra a parede, já sabendo o que havia ocorrido ali. Respirou fundo e ajeitou a alça novamente, saindo do canto e caminhando na mesma direção que o garoto estava. Desceu a escadaria e caminhou para fora dos dormitórios, com certo peso na consciência.

Max pôde observar o movimento do lado de fora. Vários alunos saíam dos dormitórios e caminhavam em grupos para a escola. A garota estava só, e sentiu-se muito mal pela cena presenciada anteriormente. Logo, viu Nathan encostado na parede de tijolos, fumando seu cigarro e soltando a fumaça de modo lendo e... sedutor?! A garota o encarou durante alguns instantes, mas ele fingiu não vê-la ali, o que tornou tudo pior. Ela apenas aproximou-se dele e segurou a alça de sua bolsa.

— O que você quer, Caulfield? — Disse enquanto tragava.

— Você vai me buscar hoje na última aula? — Ela não o olhava nos olhos, os seus estavam fixados em seus próprios pés.

— Não — soprou a fumaça para cima e torceu o nariz. — Pegue uma folga disso tudo. Preciso pensar sobre esse acordo.

— Entendi — disse ela, virando-se para sair, esperando qualquer parada do garoto, mas sem sucesso.

A garota deu a volta completa e caminhou em direção à escola, deixando a área dos dormitórios. Sua primeira aula seria com o Mr. Jefferson, e pela primeira vez durante seu período letivo, ela não estava empolgada para a aula começar. Caminhava só e com seus pensamentos destruindo sua mente inocente. Quando subiu os degraus da fachada da escola, encontrou Warren com seu celular em mãos. Ele parou de digitar quando a viu e sorriu bobo, acenando para a garota.

— Max — disse com um tom de entusiasmo na voz e guardou o celular no bolso. — Tudo bem?

Ela já sabia que ele notaria sua expressão triste assim que a visse. Warren era um tipo de scanner humano, e conseguia ver tudo através de simples traços. Seu sorriso tornou-se em uma linha reta, um tanto curvada para baixo de preocupação.

— Não muito, mas não é nada que não vá melhorar.

— Sabe que pode contar qualquer coisa para mim, certo?

— Sei, mas não há necessidade.

— Quando quiser, já sabe... — o garoto disse em um tom um tanto decepcionado.

Max assentiu e sorriu fraco para ele, acenou em despedida e adentrou a escola. Os corredores estavam cheios e vários alunos analisavam as portas de vidro, cobertas por anúncios de empresas, lojas e até mesmo dos clubes. Max passou reto por aqueles alunos e pelos jogadores de futebol que praticavam bullying com alguns alunos. Idiotas. Quando estava perto da sala de Mr. Jefferson, encontrou Kate em seu armário, com um livro em mãos.

— Oi, Kate — disse ao abrir seu armário também. A garota pareceu levar um rápido susto e abriu um sorriso tímido.

— Oi, Max — disse e fechou seu livro, devolvendo ao armário. — Você está bem?

— Sim, e você?

— Bem. Perguntei porque você parece meio deprimida — a garota fechou seu armário e colocou as mãos sobre a saia. — Tem a ver com o Nathan?

— É, sim. Como você sabe?

— Todos sabem, Max — a garota soltou uma risada tímida adorável.

A garota se sentiu constrangida durante alguns segundos. Nathan não era uma ótima companhia, já que descontava sua raiva em qualquer um que surgisse à sua frente, e Kate provavelmente já fora uma de suas vítimas. A pobre, doce, Kate. Seu rosto era como porcelana pintada por anjos e seu cabelo, por mais que bagunçado, fazia ela parecer tão bem. Seus olhos límpidos e seus lábios inocentes. Às vezes Max sentia vontade de abraça-la e guardá-la em seus braços para todo o sempre. A garota fez um sinal de entrada para a morena. Max sorriu e adentrou a sala de Mr. Jefferson junto da loura, ambas em silêncio.

Max sentou-se na mesma cadeira que sempre se sentava, toda aula. Colocou sua bolsa ao lado da mesa e despejou o caderno e o estojo velho por cima, preparando-se para a entrada do professor. Logo, enquanto olhava para a porta, Victoria apareceu rebolando com seu celular em mãos. Ela sorriu malicioso para Max e sentou-se no lugar de sempre também. A morena não estava com humor para lidar com mais essa, então resolveu ignorar todas aquelas atitudes ridículas e pôs-se a prestar atenção no professor que havia acabado de adentrar a sala.

Quando a aula acabou, Max pegou suas coisas e organizou-as na bolsa, deixando a sala com passos lentos, sem pressa alguma para partir para a sala de Artes. Enquanto caminhava, ouviu estalos do sapato de Victoria no chão e virou-se para trás, a tempo de vê-la correndo para alcança-la. A garota parou de frente para Max, olhando-a com confusão estampada no rosto.

— Max, você tem alguns minutos? — Perguntou enquanto ajeitava o cardigã.

A garota assentiu.

— Mas terá que falar andando, estou quase atrasada para a próxima aula.

A loura assentiu desta vez.

— Queria falar sobre o Nathan. — Max sentiu todos seus músculos se contraírem, mas fingiu estar bem.

— Nathan? Mas não é você a melhor amiga dele?

— Eu achava, mas vi que ele não me conta mais nada — disse a loura, com preocupação no rosto. — Ele diz estar saindo com você, e por incrível que pareça eu fiquei feliz, pois você é boa influência. Mas sempre está com garotas novas e eu acho uma atitude ridícula.

— Por que ridícula? É a vida dele, não?

— É ridículo porque ele quer chamar atenção, Max — Victoria soltou em um tom mais grosseiro e se recompôs. — Não se faça de desentendida.

— Eu realmente não entendi...

— Bom, mas não era sobre isso que vim falar. Você sabe se ele está tomando os medicamentos corretamente?

Medicamentos?! — Max pareceu um tanto confusa.

— Ele não lhe contou? — Victoria surpreendeu-se.

— Hm, não. Não tinha ideia.

— É, parece que eu realmente não sei de nada — disse a jovem ao virar-se em outra direção.

Max notou que a outra estava partindo para outro canto e correu atrás da loura, posicionando uma mão em seu ombro para chama-la, até que a alta virou-se na direção da pequena e colocou uma mão sobre a cintura. Victoria tinha o dom de parecer uma rainha o tempo todo.

— Mas, Victoria, por que ele gostaria de chamar atenção?

— Muito bonitinha você, Max — a garota soltou uma risada aguda. — Posso não saber do mais recente, mas sei muito bem da personalidade do nosso Prescott. E passar três dias seguidos dormindo com alguém diferente, ainda mais dentro do campus, não é à toa.

— A garota da festa era de fora...

— Não sei do que está falando, mas sim, ele não se arrisca muito de pegar as garotas da escola — Victoria sorriu mais uma vez e colocou uma mão sobre o rosto da garota pálida. — Você já entendeu meu recado.

A outra garota, ainda confusa, avistou a outra partir e permaneceu inquieta nos próprios pensamentos. Quando a loura afastou-se, Max começou a caminhar em direção da sala de Artes, que era logo no final do corredor, próxima às escadas do segundo andar.

Três dias seguidos, três garotas diferentes. Max não sabia dessa. Só havia visto ele com uma delas, mas se Victoria dizia, provavelmente era fato. Sentiu-se um tanto desolada por não ser uma das opções, mas logo afastou este pensamento, seguindo a caminhada. Quando estava próxima à porta, ouviu alguém gritar por seu nome e virou-se na outra direção, vendo Dana em seu armário, fazendo um sinal para que a outra garota se aproximasse. Com passos silenciosos, andou até ali, parando de frente para a líder de torcida.

— Max, desculpe chama-la agora, sei que tem aula, mas é urgente — disse quase que em desespero.

— Não tem problema, estou adiantada — disse com calma, soltando um sorrisinho. — De que precisa?

— Das notas da aula de Ciências. Warren disse que estavam com você.

— Ah sim, já terminei de copiar — procurou pelos papéis dentro de seu caderno e entregou-os para Dana.

Assim que entregou as três folhas, Dana começou a agradecer e a fazer um discurso sobre como ela estava feliz que havia conseguido todas aquelas anotações senão se daria mal na prova que teriam em duas semanas. Mas Max não prestou atenção em quase nada, pois seus olhos estavam completamente fixos no canto escuro, atrás da escada, onde duas figuras estavam quase fundidas. Qualquer um que passasse por ali não veria, ao menos que estivesse no mesmo local que Max, e assim como ela, com seus olhos fixos ali durante um tempo. Uma das figuras ela já sabia quem era, apenas pela jaqueta vermelha. E a outra ela reconheceu de suas aulas de Artes. Não era a mesma daquela manhã, essa tinha os cabelos pretos e a pele quase branca.

Depois de um bom tempo encarando, o garoto virou as posições atrás da escada, deixando a garota em sua frente, começando a beijar seu pescoço, puxando a alça da regata azul da outra menina, mas seus olhos fixos em outra pessoa.Max. Quando os olhares se encontraram, a garota sentiu seu coração palpitando de nervoso e sorriu para Dana, saindo dali, adentrando a aula de Artes.

Naquela aula, Nathan e a outra garota não marcaram presença.