Notas iniciais
Oieee! Estou de volta com a contagem regressiva para o fim da fic 09 capitulos agora... Já podem começar a teorizar como vai acabar, mortes? Casais? Destino do Negan? São muitas perguntas kkkkkk Antes de começar esse cap eu tenho que colocar um ALERTA DE GATILHO: contém algumas cenas que podem ser desconfortáveis para quem tem ataques de panico e depressão (tá no começo do capitulo) Eu sugiro que escutem "Ace of Hearts" da Zella Day (link embutido no texto) Boa leitura!

"Eu penso que eu estou quebrada
Quando eu tento ser aberta
Eu tenho o sentimento que eu estou desistindo
De uma coisa que eu amo, demais..."

Ace of Hearts — Zella Day

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• NATALIE COOPER •

De todas as coisas terríveis que podem acontecer a uma pessoa, algumas delas podem ser piores... Uma mãe ter que enterrar uma filha talvez não esteja nessa lista, mas uma mãe sequer poder enterrar a filha certamente está...

Eu escolheria arrancar minha própria mão se pudesse evitar aquela tragédia. Mas não era uma escolha. A morte de Luka me atingiu como um trem, acabou comigo...

Tudo que sobrou foi a dor, uma certeza absurda de que eu não suportaria perder mais ninguém, e a culpa...

A culpa é como um pequeno cupim que se aloja em uma parte de nós, não é grande coisa de início, mas rapidamente se multiplica e se alastra, toma conta da gente, até que tudo que existe e a culpa, tudo vira incerteza.

Não tinha sobrado muito em que eu pudesse me apegar, talvez não tivesse sobrado nada, eu era um barco à deriva, perdida. Minha mente era um oceano de lembranças ruins rodando em lopping infinito. Começou com Luka, mas logo uma dor puxou a outra e eu revivi todo o sofrimento que tinha enfrentado na vida.

Eu estava fora do controle, me afogando lentamente, era como lutar por minha vida dentro da minha própria cabeça. E eu estava perdendo essa luta... cansada demais para continuar.

Então, justo naquele momento, Daryl Dixon jogou outra bomba no meu colo e eu explodi. Sem controle dos sentimentos que escorreram de mim.

Uma parte sabia que tinha sido injusto, uma parte ainda tentava soar sã, mas naquele momento aquela parte era tão pequena que tudo que eu senti, quando coloquei meu sofrimento e mágoa, acumuladas por dez anos, para fora, foi alivio.

Foi como emergir por alguns segundos e finalmente respirar. Mas não durou muito...

Assim que deixei o escritório eu soube que tinha descontado em Daryl coisas que não importavam mais, não era justo, e mesmo que eu soubesse que a vida nem sempre fosse justa, a culpa me puxou para baixo de novo.

Eu estava afundando... E não era mais lentamente.

Meu desespero era tanto que eu mal me lembro de ter pedido para Carol ficar de olho no Petter, antes de deixar Hilltop. Não havia um rumo. Eu apenas senti que a comunidade me sufocava naquele momento.

Mas não era a comunidade, era eu mesma. Eu estava afundando, me afogando de novo, não em água, as lembranças e a dor eram como areia movediça se infiltrando nos meus pulmões e me impedindo de respirar.

Apoiei as mãos no joelho e arfei em busca de ar, eu estava sufocando, mesmo no meio da floresta era como se eu estivesse em uma caixa fechada, afundando na areia, sem ar, sem saída.

Tentei me acalmar, mas quando mais eu tentava menos calma eu ficava. Não havia um pensamento lógico, eram apenas todas as lembranças e sentimentos de uma vez.

Gritei. Gritei até que meus pulmões doessem e isso não aplacou coisa alguma dentro de mim, apenas atraiu os mortos na minha direção.

Observei os rostos decompostos se aproximando de mim e fiquei inerte, a mente longe... Será que aquelas pessoas ainda sentiam alguma coisa? Será que uma parte delas ainda se lembrava?

Fiquei tentada a descobrir, apenas uma mordida separava a incerteza da certeza. Desistir parecia tentador...

Por outro lado, eu podia apenas deixar que me devorassem de vez, eu não precisava arriscar, se não sobrasse nada de mim, também não sobraria nenhuma dor para sentir. Parecia fácil.

No entanto, quando o primeiro errante agarrou meu braço, meu corpo agiu por puro reflexo e eu já tinha uma faca fincada no cérebro da criatura. Era isso, minha mente estava exausta, mas uma parte de mim sabia que parar de lutar não era uma opção.

Eu ainda era mãe e mães não desistem. Mas esse pensamento não me causava qualquer conforto, muito pelo contrário, apenas me lembrava de Luka e da minha falha com ela.

Deixei que a raiva de mim mesma me consumisse e se derramasse para fora de mim, enquanto esfaqueava os errantes um a um. Os corpos foram se acumulando no chão, enquanto a gosma podre e negra deles se misturavam com as minhas lágrimas.

Quando acabou e eu percebi que não havia mais nada ao meu redor, também deixei meu corpo desabar ali. Fiquei deitada entre os cadáveres envelhecidos, desejando ser um deles, mas sabendo que nem isso me era permitido.

Viver tinha se tornado uma tortura sem fim, como se os dias se arrastassem, sem previsão de esperança ou luz no fim do túnel.

Eu estava cansada... Cansada e infeliz. Se a vida era sobre escolhas, quando é que eu tinha escolhido aquilo?

Pensei em todas as decisões que tinham me levado até ali, uma após a outra me pareciam apenas um erro. Eu devia ter voado para a Europa com a minha mãe. Sem Negan. Sem reencontro com o Daryl... Talvez as coisas fosse mais fáceis.

Deixei que as lágrimas viessem sem controle, colocando tudo que eu tinha vivido nos últimos meses para fora. Eu não aguentava mais. Era um problema atrás do outro. Toda vez que eu pensava que melhoraria piorava. Havia algo que eu estava fazendo de errado e eu simplesmente não conseguia descobrir o que era.

Por que eu, Deus? Questionei mentalmente, enquanto soluçava em meio ao choro. O que eu fiz de tão errado pra merecer isso?

Cobri o rosto com as mãos e as lágrimas continuaram a correr livres. Dolorido. Em nada libertador como eu gostaria que fosse. Eu nunca havia me sentido tão sozinha e desamparada como naquele momento.

Por favor, só faz parar. Eu não aguento mais. Por favor...

Descobri o rosto e encarei o céu, vendo que aves negras sobrevoavam o local em círculos, como um mau-agouro.

Era como o sinal de que as coisas não iam melhorar...

Um dia alguém disse que "Deus sempre dá o frio conforme o cobertor". Talvez eu tivesse perdido meu cobertor pelo caminho, porque, naquele momento, o frio já estava congelando minha alma...

Eu não sei dizer quanto tempo eu chorei, mas sei que não foi o bastante, minhas lágrimas secaram e a angústia continuou dentro de mim, a dor e a culpa ainda estavam lá, grudadas na minha mente e enchendo cada pensamento meu de lembranças.

Me coloquei de pé, olhando ao redor com apatia. Aquele mundo morto era um reflexo de como eu estava por dentro...

Caminhei pela floresta meio sem rumo, mesmo que no fundo meus passos tivessem direção certa. Avistei a pequena cabana entre as árvores momentos depois.

Eu não sabia exatamente o motivo de estar ali, ou talvez eu soubesse, só não queria admitir isso para mim mesma.

Não bati na porta, sequer cogitei abrir a porta na verdade, eu sabia que estaria bloqueada com alguma coisa. Eu podia ter chamado apenas, mas ao invés disso entrei pela janela da cozinha minúscula, caindo em um tipo de armadilha barulhenta que devia estar ali para avisar dos errantes.

Olhei o ambiente sem grande interesse, era uma cozinha simples e rústica, muito pequena, de onde eu podia ver o único outro cômodo além do banheiro, por causa da mureta que separava os ambientes.

Notei que em cima da mesa havia um rádio e algumas ferramentas, que não estavam empoeirados como todo o resto ali. Foi nesse momento que Kane saiu do banheiro com uma faca em punho, como se estivesse pronto para qualquer ameaça que tivesse invadido a cabana de madeira.

Tive a percepção que ele estava apenas de cueca, com o dorso nu e um curativo no ombro, mas honestamente eu estava tão apática que não me atentei aquele fato.

— Natalie? — Ele abaixou a faca assim que me viu ali e cruzou o espaço entre nós em passos rápidos com um olhar preocupado. — Você está bem? Está ferida? Mordida?

Ele segurou meu braço, examinando todo o sangue em mim com atenção.

— Eu não estou ferida, não fui mordida, mas eu não estou bem... — Respondi um tanto apática, era como se eu estivesse dopada, grogue, vivendo no automático, porque de qualquer outra forma viver seria um fardo pesado demais para carregar.

— Não tem problema. — Kane tirou o cabelo grudado do meu rosto. — Você não precisa estar bem...

Havia um certo alivio naquilo, mas eu não disse nada. Kane me incentivou a andar, apoiando meu braço delicadamente.

— Vamos, ainda tem água encanada no banheiro.

Só então percebi que seu dorso tinha gotas de água e seu cabelo estava molhado.

Deixei que ele me conduzisse e assim entramos no banheiro, um cômodo ainda menor que a cozinha. Notei alguns materiais de primeiros socorros ali. Achei que seria certo perguntar como Kane estava, afinal o inchaço se seu rosto tinha diminuído, mas ainda havia cortes e hematomas por toda a parte.

No entanto, a pergunta que eu verbalizei não foi essa.

— O que eu preciso então...?

Kane piscou algumas vezes e então pareceu entender que minha pergunta tinha a ver com o que ele tinha me dito na cozinha. Porém ele não respondeu de imediato, apenas abriu a torneira da pia, molhou uma camiseta que estava por ali e começou a limpar todo o sangue no meu rosto.

— Você precisa de um tempo, só isso... — Afirmou compassivo, molhando a camiseta outra vez.

Deixei que ele passasse o tecido molhado no meu rosto, porque na verdade eu estava longe, meus olhos perdidos em ponto algum e minha mente revivendo toda aquela briga com Daryl. Eu me sentia como há dez anos antes, com todo o agravante das minhas dores recentes.

Estava com o pensamento longe, quando meus olhos focaram em um pequeno pingo d'água que se soltou do cabelo de Kane. Por algum motivo minha atenção ficou presa naquele pinguinho, como quando uma formiga no chão parece mais interessante que o dever de casa.

Acompanhei a gota escorregar pelo pescoço de Kane e descer pelo ombro bom, passando pelo peitoral e continuando lentamente pelo abdômen.

Alguma parte da minha mente fez uma observação sobre o físico bonito de Kane e isso foi como um gatilho para algumas lembranças de algo que eu fazia muito na minha vida antes do apocalipse.

Algo que eu usei para afastar Daryl do meu pensamento por anos, funcionava por geralmente uma noite, distraia minha mente.

— Eu preciso parar de pensar... — Verbalizei algo que tinha acabado de passar na minha cabeça.

Considerando tudo que estava acontecendo talvez nem funcionasse, mas, se havia uma chance clarear meus pensamentos, por pelo menos alguns minutos, então valeria a pena. Talvez eu conseguisse montar um plano de ação com alguns momentos de clareza.

— Isso, talvez dormir um pouco seja bom e... — Kane ainda estava falando quando eu o interrompi.

— Eu preciso que você me faça parar de pensar. — Declarei desabotoando minha blusa.

— Okay... — Kane pronunciou a palavra como se pedisse calma, ao mesmo tempo que segurava minha mão, me impedindo de tirar a peça. — Você claramente não está pensando direito.

Era um plano um tanto desesperado, mas se eu fosse honesta comigo mesmo eu já tinha transado com caras que eu considerava e conhecia bem menos que o Kane...

O nome "Negan", tentou sair dar profundezas da minha mente, mas eu bloqueei imediatamente. Era uma página que eu tinha virado há anos, nem o meu primeiro erro e, aparentemente, nem o meu último.

Certamente o pior, mas não era culpa minha. Pelo menos era isso que eu dizia a mim mesma para me manter sã.

— Talvez eu não esteja pensando direito mesmo, mas eu estou falando sério. — Confirmei, usando um tom claro e decidido.

— Olha, eu não sou um bom homem, Natalie. Eu não sou o tipo que vai te falar pra colocar a roupa e ir embora. — Era quase irônico que Kane estivesse falando aquilo, enquanto abotoava a minha blusa. — Você precisa pensar melhor sobre isso... Eu não sou o cara que recusa esse tipo de proposta.

Aquilo me irritou um pouco, eu não era uma adolescente que não sabia o que estava fazendo, eu não estava bêbada, embora eu até quisesse estar, era apena sexo, um ótimo jeito de clarear a mente, só isso.

— Ótimo, porque esse não é o tipo de cara que eu preciso agora... — Retruquei, arrancando a camisa de vez e a jogando no chão.

Movi a cabeça para a esquerda e tirei o cabelo do rosto, enquanto Kane ainda me observava, como se ponderasse. Então eu usei a mão direita para abrir o fecho do sutiã e o deixei cair no chão também, ficando nua da cintura para cima.

Kane engoliu em seco, mas não tirou os olhos dos meus. Deu dois passos na minha direção e ergueu a mão, parando a centímetros do meu rosto, quase como se estivesse me esperando mudar de ideia.

Sete segundos, eu contei mentalmente, foi esse o tempo que ele levou para me tocar, escorregando os dedos pelo meu pescoço e envolvendo minha nuca enquanto me puxava para perto.

Os lábios de Kane cobriram os meus em um beijo que começou muito lento e foi se tornando profundo e íntimo de um jeito que eu não pensei que aconteceria.

Minha consciência tentou interferir, apontar todas as razões pelas quais era errado estar ali naquele momento, mas eu forcei minha mente a se calar, quando me aproximei ainda mais de Kane e fiz nossas peles nuas se tocarem.

Ele envolveu minha cintura e me girou no ar, dando alguns passos e encostando minhas costas no vidro frio do box. Tirou uma das mãos de mim e eu pude ouvir quando a água do chuveiro começou a cair.

Sem separar nossos lábios eu desabotoei minha calça jeans e a deixei escorregar até o chão junto com a minha calcinha, usando os pés para me livrar das peças, ao mesmo tempo que Kane fazia o mesmo com a boxer dele.

Quando a água gelada bateu no meu corpo quente, eu senti o choque de temperatura e tremi involuntariamente, então Kane deu um passo para trás, com se precisasse se certificar que estava tudo bem comigo.

Escorreguei as mãos pele peitoral dele, enquanto a água gelada escorria pelas minhas costas. Kane deu outro passo para frente, envolvendo meu corpo, percorrendo minha pele com as pontas dos dedos me causando arrepios ao beijar meu pescoço.

Eu queria dizer que estava ali totalmente, mas minha mente ainda vagava para longe volta e meia, no entanto, havia algo nas caricias de Kane que me faziam querer ficar ali e não era sobre o desejo que aos poucos se acendia em mim e percorria minhas veias, havia algo de único no toque dele, talvez porque eu conseguisse sentir que aquilo era sobre mim, sobre o meu prazer, não sobre o dele. Kane estava preocupado em me agradar e ele era bom nisso.

— Feche os olhos... — Sussurrou no meu ouvido, enquanto me virava de costas.

Apoiei as duas mãos na parede, prevendo a penetração, que naquele ponto meu corpo já receberia com prazer. Mas isso não aconteceu, ao invés disso, Kane começou a lavar meu cabelo, massageando meu couro cabeludo com a ponta dos dedos, lenta e carinhosamente, descendo beijos pelo meu pescoço, ombros e costas, continuando a massagear meu corpo, me deixando afundar nas sensações que aquilo me causava, sem pressa...

Todo meu corpo estava arrepiado, a ponta dos meus dedos formigava e eu nem me dei conta que minha mente tinha desligado, não havia nada, apenas o silêncio e o desejo percorrendo minhas veias.

Kane segurou meu quadril, acariciando minha cintura com o polegar da mão direita, ao mesmo tempo que curvava o corpo sobre o meu e entrelaçava nossos dedos da mão esquerda, apoiando o peso do nosso corpo ali na parede a minha frente.

Senti a ereção dele pulsando atrás de mim, colada ao meu corpo, enquanto a mão direita de Kane fazia o caminho da minha cintura para o meu baixo ventre, tocando meu sexo com a ponta dos dedos, ao mesmo tempo que beijava meu pescoço.

Deixei um gemido escapar dos meus lábios, me rendendo a sensação embriagante que Kane me causava. Ele não fez nada mais do que me acariciar, colocando o tanto certo de pressão no meu clitóris. Não demorou muito para que um orgasmo intenso se alastrasse pelo meu corpo, fazendo minhas pernas ficarem bambas.

Kane me virou novamente para ele e beijou meus lábios com ardor, desligando o chuveiro e me levando para a cama que havia na sala, ainda molhados do banho.

Ele beijou cada parte do meu corpo, acendendo meu desejo novamente, sem nenhuma pressa de saciar a própria excitação. Mas quando finalmente aconteceu, quanto Kane me penetrou, foi lentamente, como se ele desfrutasse de cada parte de mim.

Eu me senti amada de um jeito que me apertou o peito, porque eu sabia que não podia ofertar meu coração a Kane com a mesma certeza e liberdade com a qual eu tinha ofertado meu corpo.

Quando chegamos ao clímax, quase juntos, eu me senti em paz, como se tivesse encontrado a calmaria no meio da tempestade, mas no fim, quando nossos corpos descansavam ofegantes lado a lado, ainda havia uma parte de mim que desejava a inconstância de um mar em fúria...

Porque amar não é uma escolha, amar é um evento cataclísmico.

E senti na pele, no peito e na alma, que eu era o evento cataclísmico de Kane, mas ele não era o meu...

Ele se virou para o meu lado e voltou a me acariciar, apenas um roçar de dedos leve e inocente no meu rosto, brincando com os fios do meu cabelo ainda molhado.

Kane disse algo ameno, talvez sobre a cabana, um assunto leve e aleatório, mas eu não estava prestando atenção nele de verdade...

Minha mente estava vazia finalmente, tinha conseguido o que eu queria, clareza de pensamentos, eu podia olhar para trás e ver meus erros.

Refiz meus passos, notando minhas falhas impensadas pelo caminho. Sair do Santuário, deixando coisas mal resolvidas, tinha sido a primeira delas. Eu devia saber que Negan não desistiria nunca...

— Você estava certo. Devíamos ter acabado com o Negan enquanto tínhamos a vantagem... — Comentei dando voz aos meus pensamentos. — Ele tem que morrer, ou isso nunca vai acabar.

Kane deu um sorriso compassivo, que me pareceu um tanto decepcionado, então tirou as mãos de mim.

— É... — Ele concordou em um tom constrito. — Ele precisa morrer.

Se levantou do sofá e saiu a procura de algumas roupas, separando uma camiseta para mim.

Eu percebi o que eu tinha feito, puxar aquele assunto, antes mesmo que nossos corpos esfriassem, não era exatamente muito correto da minha parte, mas nosso tempo era curto.

Os Salvadores logo estariam em Hilltop, afinal Negan sabia que todos que tinham escapado de Alexandria e do Reino não tinham outro lugar para ir.

Foi quando a ideia me ocorreu: lutar com Negan na frente dos portões de Sherwood fora um erro, assim como deixar que ele chegasse aos muros de Alexandria. Tínhamos que detê-lo antes que Hilltop tivesse o mesmo destino...

— Talvez possamos interceptar o comboio antes que os Salvadores cheguem em Hilltop, talvez afastar o Negan dos outros homens dele. — Propus, me apressando para vestir as roupas.

— Acha que é um bom plano? — Kane questionou enquanto vestia a própria camiseta com lentidão por conta do ombro.

— É o melhor que temos. — Reforcei. Na minha cabeça parecia o plano certo. — Acha que podemos interceptar o sinal de rádio do Santuário?

Eu era contra matar Negan antes, porque pensava que isso causaria o caos, mas talvez o caos fosse a única forma de vencer aquela guerra.

Kane me encarou por alguns segundos e então suspirou, quase como se estivesse se dando por vencido. Fez um gesto para que eu o seguisse até a cozinha e assim eu fiz, depois que terminei de me vestir.

— Era o que estava tentando fazer... — Ele apontou o rádio e as ferramentas sobre a mesa.

— Funcionou? — Questionei interessada.

Kane puxou uma cadeira e se sentou, ligando o rádio antigo e mexendo em alguns botões, após alguns segundos de estática eu pude ouvir um dos Salvadores.

— Sim. — Kane apontou o rádio com as duas mãos e eu assenti satisfeita, puxando uma cadeira e me sentando também.

— Como fez isso? — Apontei o aparelho, me referindo ao fato de Kane ter transformado um rádio em um receptor de sinal.

— Aprendi quando era moleque, Kelvin gostava de escutar o sinal da polícia... — Ele deu de ombros como se não fosse nada demais.

Percebi que não sabia nada sobre Kane, ao passo que ele parecia saber muito sobre mim, mas quando a voz de Negan veio do rádio, esse pensamento se esvaiu para dar lugar ao meu ódio.

Os salvadores estavam vindo, o que significava que o tempo era ainda mais curto do que eu imaginava.

Eu e Kane combinamos os últimos detalhes do plano; pelas informações que tínhamos ouvido, Negan estava em um carro no fim do comboio. Com a ajuda de um mapa traçamos a provável rota dos Salvadores e escolhemos o local exato onde separar o carro de Negan dos outros seria mais fácil.

Sendo honesta, Kane tinha muito mais visão estratégica que eu, minha mente entrava no automático às vezes voava longe, os pensamentos estavam voltando a ficar sobrecarregados e eu fazia o possível para me manter concentrada.

Depois de tudo combinado deixamos a cabana, não tínhamos um grande arsenal e nossas munições eram limitadas, mas se o plano seguisse como queríamos, não precisaríamos de muito, Negan devia estar com dois ou três Salvadores no carro e mesmo que estivessem bem armados, o elemento surpresa podia nos dar a vantagem que precisávamos.

Tínhamos que sair naquele instante para preparar as coisas, precisaríamos de um carro e um veículo grande, como um ônibus ou um caminhão, assim poderíamos bloquear a rua.

— Talvez seja uma boa ideia pedir reforço para os seus amigos de Hilltop, envolver todos no plano pode nos dar mais vantagem, além de ser um ótimo elemento surpresa. — Kane argumentou enquanto deixamos a cabana e começávamos a caminhar.

Eu não precisei ponderar a ideia por mais de dois ou três segundos para negar.

— Não. Eu não quero chamar por reforço. Não vou contar para nenhum deles o meu plano. — Fui categórica e não deixei espaço para uma contra argumentação.

Kane não precisava saber meus motivos.

— Tudo bem. — Ele ergueu as duas mãos como quem diz "você que sabe" e continuou a caminhar ao meu lado.

O pequeno centro comercial onde interceptaríamos os Salvadores ficava a menos de uma hora dali, no entanto pretendíamos achar um carro por perto, chegar com tempo de vantagem era essencial para que o plano não tivesse falhas.

Qualquer pequeno deslize e Negan podia virar toda a situação contra nós novamente, e eu não pretendia ficar nas mãos daquele homem de novo, por isso todos os detalhes tinham que ser perfeitos.

Eventualmente, depois de algumas tentativas com veículos abandonados na estrada, encontramos um que funcionou depois de um reparo rápido no motor de arranque.

— Temos pouco combustível, o suficiente pra ir, mas a volta é incerta. — Kane declarou descendo do carro, enquanto eu fechava o capô.

Ele moveu o ombro machucado e aparentou desconforto, e isso me fez pensar sobre o que eu estava fazendo... "Incerteza" era uma palavra que se encaixava bem naquela situação.

Eu estava agindo movida pelos meus sentimentos, isso era bem claro, mas era justo com Kane? Dá última vez que eu tinha agido de acordo com meus sentimentos para encontrar meus filhos, eu o coloquei em uma enrascada...

Era evidente o motivo pelo qual ele estava ali comigo, e esse era o ponto, Kane estava esperando coisas de mim que eu não podia dar... Não era justo.

— Você devia voltar. — Declarei sendo fria.

— Como é? — Kane franziu as sobrancelhas em total confusão.

— Você devia voltar e descansar, não é certo eu levar você. — Reforcei, sem de fato encará-lo.

— Okay... — Ele se colocou na minha frente, como se pedisse calma. — Tenho certeza que existe um motivo totalmente plausível na sua cabeça, pra você estar me dizendo isso. Mas acredite em mim, não tem a menor chance de eu te deixar entrar de cabeça nesse plano sozinha.

Ergui meus olhos para Kane e o encarei por alguns segundos, pensando em como explicar o que eu estava fazendo.

— Olha... — Suspirei e passei a mão pelo rosto, aquela conversa era exatamente o tipo de coisa que eu queria evitar. — Você está aqui porque pensa que, por causa do que aconteceu...

— Ah... entendi. — Ele me interrompeu, quando eu não consegui terminar a frase, negando algumas vezes e soltando um riso sem humor.

— Eu não quero que você pense que o que aconteceu entre a gente foi mais que...

— Eu não penso isso, Natalie. — Kane me cortou de novo, e parecia bem certo do que dizia. — Eu te conheço, lembra? Te conheço melhor do que você imagina. Eu sei porque você está aqui sozinha, sei porque não pediu reforços, sei porque foi a mim que você procurou e não o Daryl.

E lá estava tudo que eu queria evitar de uma vez só. Quanto mais eu tentava fugir do assunto mais eu me enrolava nele.

— Eu e ele brigamos, mas... — Tentei explicar que aquilo não era uma troca, que eu não estava escolhendo Kane ao invés do Daryl, porque, na verdade, tudo que eu queria era não pensar em nada disso.

Homens tinham a mania de entender tudo errado sempre...

— Isso não é sobre nenhuma briga, ele não está aqui agora porque você o ama, você provavelmente brigou com ele porque o ama... — Kane completou com algo muito mais certeiro do que eu mesma teria explicado. — É por isso que ele não está aqui agora, você o ama demais para arriscar. Você não quer perder mais ninguém. Você não suportaria.

Ele não tinha tirado a conclusão errada, na verdade, Kane tinha entendido exatamente o que eu estava pensando, coisas que eu andava escondendo de mim mesma até, e eu sequer tinha dito uma palavra sobre.

Era verdade, eu não queria Daryl ali e não era por causa da briga, era porque colocá-lo em perigo estava fora de cogitação, não só porque por causa de Petter que precisava do pai, mas porque eu amava Daryl. E sim, era meio irônico admitir tudo aquilo, depois que ele tinha se declarado e eu havia colocado um ponto final em tudo...

— Por isso foi a mim que você procurou hoje, você o ama, mas não quer lidar com sentimentos agora, porque doí, e você está exausta de toda a dor... — Kane foi certeiro outra vez, usando um tom calmo e compassivo que não combinava com aquela verdade feia sobre mim que o atingia pessoalmente. — Foi por isso que você veio atrás de mim, você não queria sentimentos e eu era risco baixo, é por isso que eu estou aqui também, se eu morrer, você aguenta o tranco, porque eu sou descartável.

Abaixei os olhos ao ouvir a verdade, eu estava usando Kane, exatamente pelos motivos que ele citou. Eu não queria saber de sentimentos, sentir implicava em dor, e eu estava exausta da dor, por isso eu tinha me afastado de Daryl, porque meu amor por ele doía, tinha doido por dez anos e eu tinha medo que continuasse doendo.

Eu não tinha suporte para aguentar mais nenhum tipo de dor naquele momento.

— Me desculpe, eu... — Tentei dizer algo que tornasse minha atitude menos condenável, mas a verdade é que não havia nada a dizer.

Eu tinha sido uma filha da puta nas últimas horas, com Rick, com Daryl, com Kane... Eu sempre condenei pessoas que eram insensíveis com outras pessoas apenas porque estavam machucadas, e era exatamente esse tipo de pessoa que eu tinha me tornado...

— Não peça desculpas por ter prioridades nesse momento. Você não estava me enganando, Natalie, você sequer tentou mentir... — Kane revirou os olhos, como se tudo aquilo que eu estava condenando na minha mente não fosse nada demais. — Eu sou um homem adulto, eu sei onde estou me metendo e eu certamente sei a diferença entre apenas sexo e paixão.

Tive que piscar algumas vezes pra acreditar que ele realmente tinha dito aquilo. Qualquer outro homem me chamaria de vadia manipuladora.

Kane respirou fundo e colocou as mãos nos meus ombros em um gesto de apoio, era como se ele entendesse tudo que eu estava passando...

— Talvez lá, com eles, você tenha que ser perfeita, talvez eles tenham colocado esse fardo sobre os seus ombros. Mas comigo você não tem que suprir nenhuma expectativa, se você tiver que ser egoísta pra passar por isso, então seja egoísta comigo e não se envergonhe disso. — Aconselhou, e aquele foi, provavelmente, o conselho mais libertador que alguém já tinha me dado na vida. — Eu sou um homem cheio de defeitos, não tenho direito de pedir perfeição de você, então não se sinta na obrigação de ser um modelo de altruísmo comigo.

Foi naquele momento que eu percebi uma diferença crucial entre Kane e Daryl; Kane via meus defeitos como parte de mim, isso não mudava a forma como ele me olhava, na verdade era como se, quanto mais ele visse meus defeitos, mais ele me admirasse... Com Daryl era o oposto, desde que nos reencontráramos, cada pequena atitude errada minha era condenada por ele, o jeito que ele me olhava quando via meus defeitos não tinha nada de admiração...

Ele tinha olhado para mim daquela forma durante todo o tempo que passou no Santuário, era um olhar de crítica e reprovação, o mesmo que ele tinha me lançado várias vezes desde então, mesmo depois do Santuário. Era como se Daryl tivesse me colocado em um pedestal inalcançável, onde eu era perfeita, ele tinha me idealizado e não aceitava que eu podia ter defeitos.

Por isso ele tinha se surpreendido quando não reagi bem a declaração dele, Daryl me via como a garota altruísta e empática que sempre compreenderia o péssimo timing que ele tinha...

Mas eu estava exausta de entender a dor das pessoas, estava farta de esperar pelo tempo dos outros, sendo que ninguém entendia a minha dor, ninguém esperava o meu tempo...

Ninguém até o Kane...

— Agora vamos acabar com aquele maldito. — Ele deu o assunto como terminado e se afastou de mim, para a porta do passageiro. — Tenho certeza que matar o Negan vai fazer a gente se sentir melhor, pelo menos por alguns minutos. Depois... bom, depois a gente vê.

Concordei e assumi o volante. Quando Negan estivesse morto, eu finalmente poderia respirar aliviada e então teria algum tempo para pensar sobre os outros aspectos da minha vida... Até lá, matar aquele déspota era o meu único objetivo.

No entanto, quando liguei o carro, eu ainda tinha uma pergunta que não saia da mente, olhei para Kane por alguns segundos e a postura dele era calma, como se nada tivesse mudado.

— Se você sabia de tudo isso. Por que veio? — Questionei ainda com os olhos nele.

— Você tem as suas prioridades, eu tenho as minhas, é simples. — Kane respondeu neutro e também me encarou por alguns instantes. — Digamos que eu sou seu Valete de Copas.

— O que isso significa? — Franzi as sobrancelhas sem entender muito bem.

— Não importa. Não agora. — Ele desconversou dando de ombros e fazendo um gesto banal com a mão direita. — Vamos, ainda precisamos achar o outro veículo, lembra?

Assenti e respirei fundo, talvez fosse melhor deixar aquele assunto de lado mesmo.

Chegamos no centro comercial depois de alguns minutos e felizmente não foi difícil achar um caminhão que servisse para bloquear a passagem, depois que eu tirasse Negan da pista principal.

Kane ficou encarregado do caminhão e eu fiquei no carro, esperando pacientemente.

Meus dedos estavam apertados em volta do volante e minha audição estava focada em qualquer som que anunciasse a chegada da caravana dos Salvadores. Eu mal respirava... Havia um medo latente no meu peito, se aquele plano desse errado minha mente denunciava o terror que eu viveria.

Não era sobre vida ou morte. Morte naquele ponto seria até uma dádiva; ficar não mãos de Negan novamente era meu verdadeiro temor.

Ao mesmo tempo em que eu entendia que enfrentar Negan daquele jeito era um risco, eu também sabia que, enquanto ele estivesse vivo, eu nunca teria paz. Ele tinha um problema pessoal comigo, não era sobre a guerra, não era sobre o grupo. Era sobre eu e ele. Sobre minha negativa em atender seus desejos caprichosos. Negan era como um menino mimado que não aceitava "não" como resposta.

E eu tinha dito "não" para ele... Era disso que se tratava.

Ouvi, finalmente, os carros se aproximando. Posicionei o pé no acelerador e coloquei a mão direita no câmbio, pronta para engatar a marcha...

Os primeiros veículos passaram em alta velocidade, eram muitos, Hilltop estava em clara desvantagem numérica. Respirei fundo e minha mão esquerda tremeu no volante. Comecei a contar para me acalmar...

Um... Dois... Três...

Assim que reconheci Negan e mais três Salvadores dentro de um dos carros meti o pé no acelerador. Meu veículo atingiu o dele em cheio, na lateral do motorista.

O impacto foi tão forte que me desnorteou por um momento. Torci para que fosse o bastante pra ter acabado com aquele maldito, mas é claro que eu nunca teria tanta sorte...

Quando ergui a cabeça vi Negan e um os dois Salvadores no banco de trás se mexendo. O motorista parecia morto.

Tive tempo apenas de me abaixar antes que um tiro me atingisse. Preparei e atirei também, errando Negan, quando ele pulou para fora do carro.

Atrás de mim Kane já havia posicionado o caminhão atravessado na rua, de modo que não tinha como ninguém passar por ali.

Pulei para o banco de trás e saí pela porta do passageiro. Usando a lataria como vantagem e assim escapando de outro tiro. Tentei conseguir uma mira, mas Negan se esgueirava entre os prédios como um covarde e atingi-lo foi impossível.

Percebi que um dos Salvadores me tinha na mira e teria me acertado se o tiro de Kane não tivesse cortado o ar primeiro. O homem cambaleou para trás e o outro correu para o lado oposto.

— Vai! — Kane incentivou, seguindo na direção do Salvador e apontando para a rua pela qual Negan tinha corrido.

Virei a esquina na maior velocidade que a dor da batida me permitia, havia vidro no meu cabelo e alguns cortes finos no meu rosto.

Olhei ao redor e não encontrei Negan, ele provavelmente tinha se enfiado em um dos prédios, então passei a prestar atenção no rastro... Infelizmente, rastrear no asfalto não era tão fácil e tive que seguir com cautela.

Arma em punho e coração disparado. Eu virei mais uma esquina, foi quando vi sangue fresco na entrada de uma loja. Um tiro ao longe tirou um pouco meu foco por um segundo e eu desejei que Kane tivesse levado a melhor contra o Salvador.

Entrei na loja pé ante pé, reprimindo a respiração ofegante, para ser o mais silenciosa que eu podia, era um tipo de loja de conveniência, com várias prateleiras vazias e muita coisa no chão. O som característico de algo sendo pisado atraiu minha atenção e eu já estava prestes a disparar, quando Negan saiu do meio das prateleiras.

Ele segurou minha mão para o alto e o tiro atingiu o teto. Entramos em uma luta corpo a corpo, na qual era evidente que eu tinha desvantagem. Negan me empurrou contra uma das paredes e bateu minha mão ali, para que a arma voasse no chão, consequentemente ele também teve que largar a Lucille, mas ainda havia uma arma e uma faca em seu cinto.

Tentei atingi-lo com um soco, usando minha mão livre, mas Negan se defendeu com o antebraço ao mesmo tempo em que agarrava meu pescoço me enforcando contra a parede.

Senti o ar rarefeito cortar meus pulmões, enquanto Negan ria, com aquele humor venenoso e debochado.

— Você está sendo uma garotinha muito malvada hoje, Coração. — Ele apertou mais seus dedos ao redor da minha garganta, ao mesmo tempo em que aproximava o rosto do meu e mudava o tom para algo nojento e malicioso. — Eu adoro!

Usei meu último fôlego para reunir toda a minha força e subir o meu joelho, atingindo Negan em cheio entre as pernas. Ele cambaleou para atrás emitindo uma exclamação de dor, junto com um palavrão e eu escorreguei pela parede, tentando aspirar todo o ar que podia, ao mesmo tempo em que me arrastava pelo chão em busca da minha arma perdida.

Quando me virei com o dedo no gatilho, Negan já estava saindo pela porta da loja e eu o errei por centímetros, atingindo seu braço de raspão apenas.

Me coloquei de pé e impulsionei meu corpo para fora também, colocando Negan na mira novamente. Eu poderia ter dado o tiro perfeito, se uma flecha não tivesse passado a centímetros do meu rosto, quando errou a cabeça de Negan.

Eu e o maldito líder dos Salvadores olhamos ao mesmo tempo e Daryl descia a rua pelo lado oposto de onde tínhamos vindo.

Ele pareceu surpreso ao me ver ali e eu presumi três coisas; primeira: minha posição saindo da loja tinha impedido que ele me visse, por isso a flecha quase tinha me acertado; segunda: Daryl tivera a mesma ideia que eu e também tinha vindo atrás de Negan, provavelmente havia se guiado pelos tiros e nos encontrara ali; e terceira... aquele era um péssimo momento para que ele aparecesse.

Era o elemento inesperado que podia colocar tudo a perder e, de fato, colocou. Eu perdi o foco quando vi Daryl ali e aquilo foi o bastante para que Negan recuperasse o controle, me puxasse pelo cabelo, colocasse a faca no meu pescoço e usasse meu corpo como escudo.

Kane descia a rua pelo lado oposto, também com a arma em punho, mas parou quando viu a situação.

Daryl de um lado, Kane de outro e Negan com uma faca no meu pescoço bem no meio, eu praticamente podia sentir a lamina cortando minha pele, provando que qualquer movimento brusco resultaria em um corte fatal.

Previ a tragédia se formando e meu corpo todo tremeu.

Negan, com o rosto escondido atrás da minha cabeça, tocou meu pescoço com os lábios e pude senti-lo sorrir.

— Mas que surpresa fodidamente maravilhosa temos aqui! Minha Natalie, meu Daryl e meu Kane no mesmo lugar. Acho que hoje é meu dia de sorte! — Comemorou, enquanto os outros dois pareciam receosos até de se mexer.

Eu desejei que algum deles atirasse, mesmo que isso significasse minha morte certa. Não me importei, se eu pudesse levar Negan comigo para o inferno seria uma vitória. No entanto eu sabia que nenhuma deles arriscaria minha vida daquele jeito, por mais que odiassem Negan...

— Solta ela ou eu vou...! — Daryl ameaçou em um tom violento e Negan riu como se tivesse ouvido uma piada, antes mesmo que a frase fosse finalizada.

— Vai o que, Daryl? Soltar essa coisa aí, antes que eu me irrite e corte a porra desse lindo pescocinho?! — Negan devolveu em um tom equivalente, que era ainda mais ameaçador e firme. — Vocês dois, armas no chão agora! Todas elas!

Daryl e Kane tinham os olhos focados em mim e Negan, mas se encararamm rapidamente depois que eu movi minha cabeça negativamente com descrição, indicando que eles não deviam largar as armas, mas, como se chegassem a uma conclusão muda os dois ignoraram minha negativa e começaram a se desarmar.

— Parece que hoje é a porra do meu dia de sorte mesmo! — O humor de Negan mudou para algo animado. — Vamos, me sigam, caralho! É hora de termos uma conversinha...

Saiu me arrastando pela rua, usando meu corpo como escudo enquanto andava de costas, pra poder ficar de frente para os outros dois.

Eu não sabia para onde estávamos indo, mas de uma coisa eu tinha certa: o joguinho cruel e depravado que Negan tinha planejado para nós três era ruim... Muito ruim.

Notas finais
Deixarei que vocês digam o que acharam, porque eu tô meio parcial para um lado nesse capitulo kkkkkkk Como vocês viram eu mudei o rumo das coisas aqui de novo, na série quem vai atrás do Negan é o Rick, isso não acontece aqui, Natalie e Daryl é quem tem essa ideia (a mesma ideia, mesmo quanto estão ferrados são OTP kkkkk) Bom acho que agora tá todo mundo ferrado... O que vocês acham que vai rolar agora? Só pra vocês saberem o próximo se chama "Jogos Mortais" Bjss e até!