Lifeline — Destiny Don't Give Up
6 Sherwood
Notas iniciais
• NATALIE COOPER •
Cerca de seis meses antes...
Cinzas e pó. Sangue e morte. Caos e destruição. Apenas isso havia restado da comunidade que eu costumava chamar de lar. Uma decisão impensada e muitas vidas perdidas.
Eu corria por entre os cadáveres de pessoas conhecidas, minhas pernas mal aguentavam com meu peso e meus pulmões, impregnados de fumaça, falhavam. Meus olhos ardiam e minhas mãos tremiam. Eu era apenas uma coisa naquele momento: uma mãe preocupada com os filhos.
Cheguei ao meu destino sem pensar em nada, nem mesmo nos tiros que ecoavam ao fundo. Meu coração parou por um segundo. Meus joelhos atingiram o chão e um pavor instantâneo tomou conta de mim.
Aquela que nos últimos meses foi minha casa estava em chamas, não havia como entrar, a fumaça negra escapava pelas janelas quebradas e as labaredas de fogo já haviam destruído grande parte da construção.
Eu tinha mandado Luka e Petter se esconderem ali, junto com Mike Park e outros dois meninos um pouco mais velhos da nossa comunidade. Aquilo não podia ser real, eu não podia tê-los condenado a morte.
— Eu ainda posso ouvir o choro deles. — Um cara surgiu do lado oposto, eu já o tinha visto com Negan, ele era um Salvador.
Ele manteve a arma apontada para mim, eu tinha sido pega desprevenida, mas naquele momento eu simplesmente não conseguia me preocupar com aquilo, apenas com Petter e Luka.
— Soube que seu filho estava aí dentro, minha intenção nem era essa sabe? — Ele sorriu, apontando a casa em chamas, apreciava aquilo, ergueu o queixo quadrado e se aproximou sem qualquer receio. — Mas crianças são imprevisíveis, então eu fiz o que era necessário... Negan ordenou mesmo que matássemos todos os garotos acima de dez anos.
O homem deu de ombros, ele não se importava, tinha um sorriso assassino e os olhos se mexiam freneticamente nas órbitas, como se estivesse drogado, e eu soube que não fazia diferença alguma para ele que Petter tivesse apenas nove anos.
Eu não conseguia me mover, era como se todo meu corpo estivesse paralisado, meu coração doía tanto que eu pensei que estava tendo um infarto. Meus filhos estavam mortos e de repente nada mais fazia sentido...
O Salvador se aproximou de mim e me ergueu do chão pelo braço como se eu fosse uma boneca de pano. Eu não conseguia pensar em nada que não fosse o corpo do meu filho agonizando nas chamas, todo o resto passou a não ter qualquer importância.
— Negan quer você. E ele consegue tudo que ele quer... — O homem silabou no meu ouvido e esfregou o nariz na minha bochecha, eu não sentia nada além de dor e vazio. — Temos uma regra no Santuário, sobre não se divertir com mulheres que não querem diversão. Mas sabe, não estamos no Santuário agora...
Eu ouvi sua risada como se fosse a quilômetros de distância, etérea como um sonho. Naquele momento, toda aquela maldita luta parecia em vão, sobreviver parecia ridículo.
Me senti ser arrastada e as coisas passaram anuviadas pelos meus olhos. O fogo fez o telhado da minha casa despencar, levando as paredes junto e levantando uma nuvem densa de pó e fumaça.
Minhas costas bateram contra algo duro, e as folhas amareladas de outono caíram da copa das árvores.
— Pensei que você lutaria mais... — Ouvi o homem rir e seu cheiro impregnou meu nariz, como se algo podre estivesse ao meu redor. Senti suas unhas arranharem meu busto, quando ele rasgou minha camisa em um só puxão. — As crianças lá dentro lutaram. Mas tudo bem ficar quietinha no começo, você vai gostar depois.
Fedor de carne queimada. Lábios pegajosos no meu pescoço. A realidade vinha e ia e eu podia ouvir os gritos dos meus filhos na minha mente, eu os via, consumidos pelas chamas.
Tudo aconteceu em um segundo.
Me lembrei do desespero que senti quando acordei no sétimo mês de gravidez totalmente ensanguentada. De pensar que estava perdendo o meu bebê, de rezar para que Deus não me castigasse pelos primeiros meses e o tirasse de mim. Do pavor de saber que eu teria que entrar em cirurgia, do terror de não ouvir choro algum quando ele foi tirado de mim. Do medo de que aquele bebe tão pequeno nunca saísse da incubadora e do alívio que foi segurá-lo nos braços pela primeira vez, e principalmente da promessa que eu fiz de não deixar nada de ruim acontecer com meu pequeno Petter Cooper, nunca.
Recordei da primeira vez que eu vi Luka, do medo em seus olhos, das mãos nervosas, do receio dela de falar a verdade sobre todos os terrores que aconteciam com dentro daquele orfanato. Da profunda dor no meu peito quando vi as lágrimas dela, de decidir naquele instante que, contra todas as probabilidades, ela também era minha responsabilidade, eu ainda podia sentir as mãos dela entre as minhas quando pedi que ela confiasse em mim e quando fiz a ela a mesma promessa. Ela não tinha nascido de mim, mas também era minha filha.
E eu tinha falhado com os dois, tinha sido incapaz de protegê-los. Aquele homem rindo no meu ouvido tinha tirado meus filhos de mim. Um ódio visceral e incontrolável se espalhou pelo meu corpo.
Os lábios do Salvador ainda estavam exatamente no mesmo lugar do meu pescoço quando eu reagi. Dei uma joelhada entre suas pernas e peguei sua automática. Eu mal mirei antes de descarregar o pente. O espanto ainda estava em seus olhos quando o corpo já sem vida despencou no chão.
Fiquei olhando o sangue se espalhar pela grama verde, o fogo consumia os últimos vestígios da minha casa e, ao longe, os tiros tinham parado. Estava acabado. Sherwood tinha perdido a batalha. Eu tinha perdido tudo.
Aquela vingança violenta não tinha me trazido paz alguma, era só mais uma coisa pra me assombrar. A arma atingiu o chão no mesmo instante que os meus joelhos. Gritei, de dor, de ódio, de arrependimento.
Perdi a noção do tempo. O arrastar de pés característico dos mortos e seus grunhidos quase cômicos se misturavam aos meus soluços. Eu podia ver seus vultos se aproximarem, nublados pelas lágrimas abundantes nos meus olhos, eu não queria vê-los, não queria saber se eram amigos ou inimigos. Eu simplesmente esperei que eles me alcançassem, porque não havia mais nada ali pra mim.
Ao longe um vulto se aproximava em uma velocidade diferente, eu ouvi os tiros e vi os corpos caírem, mas não tive vontade alguma de reagir. Não importava mais.
Conforme minha vista foi clareando, fiquei confusa por um instante, o homem que eu tinha acabado de matar se aproximava de mim plenamente vivo, olhei o cadáver no chão e vi que ele ainda estava no mesmo lugar, ri histericamente. Eu estava morta, por isso tinha dois Salvadores idênticos ali, um de pé e um caído na poça de sangue com vários buracos no peito.
Conforme o homem foi se aproximando percebi que seus olhos se focaram no chão, ele pareceu surpreso, me encarou por alguns momentos e depois o próprio cadáver. Eu não soube distinguir as emoções que seu rosto transmitia e nem me importei o bastante com isso.
— Levanta! — Ordenou, com a arma apontada pra mim, mas ainda encarando o corpo no chão.
Eu não obedeci, eu já estava morta mesmo, que diferença faria?
Minha risada cessou quando ele deu outro passo na minha direção, comecei a perceber que havia algumas sutis diferenças entre os dois, além das roupas, corte de cabelo e barba, havia algo na postura, um jeito de caminhar e de me encarar.
Quando fui erguida do chão, mesmo que sem gentileza, como da primeira vez, percebi que os dois homens não eram o mesmo. Eu não estava morta.
Tentei me desvencilhar em um ataque momentâneo de fúria, mas aquele novo Salvador não era tão descuidado como outro, em alguns segundo sua arma estava em baixo do meu maxilar e seu corpo me mantinha imobilizada contra a mesma árvore de antes.
Nossas orbes se encontraram e não havia naquele olhar o mesmo instinto assassino que no outro, não havia aquela loucura psicótica, apenas um tipo de vazio inexplicável.
— Meu irmão fez isso com você? — Perguntou, vendo minha blusa aberta e eu não respondi. Claro, eram gêmeos, me senti estúpida por pensar outra coisa. — Feche a blusa.
Ignorei sua ordem, cuspindo em seu rosto como resposta. Se ele quisesse atirar em mim que atirasse, não fazia diferença.
— Crianças de cinco anos cospem. — Retrucou, limpando o rosto com as costas da mão e dando um passo para trás, me empurrando sem tato algum e me forçando a andar, enquanto eu me debatia. — Você deve ser a famosa Natalie Cooper.
O vi encarar o corpo do irmão no chão uma última vez, enquanto agarrava meu braço e apontava a arma na minha cabeça. Não parecia haver qualquer desejo de vingança, mesmo que estivesse claro que eu era a assassina do gêmeo.
Ele continuou me empurrando pelo caminho, enquanto eu tentava voltar ou revidar a todo momento.
— Você é insuportável. — Constatou, meio entediado. — Seu corpinho bonitinho não vale todo esse sacrifício... Estou curioso pra saber o que o Negan viu em você.
O Salvador praticamente me arrastava, enquanto eu via minha comunidade destruída, vários corpos no chão, a maioria com tiros na cabeça, alguns focos de incêndio e devastação por toda a parte. Eu sabia que era culpa do Negan e decidi que o mataria, mesmo que isso também me matasse, eu não tinha nada a perder. Eu faria em nome dos meus filhos, mesmo que isso não me trouxesse paz alguma, mesmo que isso não os trouxesse de volta.
Estávamos caminhando em direção a entrada de Sherwood, quando meu captor parou sem aviso e me vez encará-lo. Em um movimento rude, puxou as duas partes da minha camisa e deu um nó mal feito, já que ainda segurava a arma, fez isso com tanta brusquidão que minhas costelas estralaram.
— Tenho certeza que você não quer que seus peitos sejam a atração especial do dia. — Puxou mais um pouco e eu grunhi de dor, sendo novamente arrastada no instante seguinte.
Na entrada da comunidade os homens de Negan esperavam em formação, percebi que não havia muitas baixas entre eles. Logo ao lado em uma fileira curta tudo que tinha restado do meu pessoal, apenas mulheres, reconheci Cyndie e a pequena Rachel, cabisbaixas, como todas as outras.
E, bem no centro, Negan ostentava sua implacável Lucille, Natania logo ao lado dele, seu olhar frio e postura ereta.
— Aí está ela! — Ele apontou, como se eu fosse a convidada de honra de uma festa.
Caminhou na minha direção com um sorriso ferino nos lábios, tentei avançar para alcançar sua garganta, cheia de raiva, mas o Salvador atrás de mim segurou meus braços e me manteve no lugar.
Negam riu, olhando ao redor por um instante antes de focar no homem atrás de mim.
— Onde está meu Bennet preferido, Kane? — Perguntou em um tom de troça, que fez meu captor apertar ainda mais meus braços
— Kelvin está morto, Chefe. — O tal Kane respondeu firme. — Nossa nova amiguinha descarregou uma arma no peito dele pelo que eu percebi.
Ele puxou meus dois braços, me obrigando a ficar bem de frente a Negan.
— Eu estou tentando ajudar você, Coração, mas assim fica difícil, sabe? — O déspota assassino comentou, como se realmente se importasse. Fingido, hipócrita. — Sinto muito por isso, Kane, seu irmão certamente não poderá ser substituído, não existe ninguém como ele.
Percebi o sarcasmo escondido naquela frase, já que os dois irmãos eram exatamente iguais.
— Eu vou acabar com você, seu desgraçado filho da puta! — Praticamente rosnei, tentando me jogar novamente contra Negan, mas Kane rodeou meu corpo com os braços, me imobilizando enquanto eu me debatia. — Eles eram só crianças! Seu psicopata assassino!
Os olhos de Natania focaram nos meus pela primeira vez, havia medo neles.
— Mike? — Ela questionou, como se já soubesse a resposta.
— A casa estava em chamas, eu não... — Tentei responder, mas nada coerente saiu, o neto dela estava morto, assim como meus filhos.
— Você disse garotos acima de dez anos, Mike e Petter tinham nove! — Cyndie se impôs e Negan a olhou de uma forma que a fez calar imediatamente. Natania implorou silêncio para a neta.
Os olhos de Negan seguiram até mim novamente, percebi que aquelas mortes não eram exatamente do agrado dele. Claro que não, sem Petter ele não tinha qualquer coisa contra mim, ele não tinha como me controlar...
Mas aquele olhar durou apenas um instante, o líder dos Salvadores pareceu recobrar o controle logo em seguida, como se um outro plano ainda mais perverso tivesse se formado em sua mente.
— Nove, dez... Kelvin Bennet deve ter esquecido de pegar as certidões de nascimento dos pequenos. — Riu, como se aquilo fosse uma piada, mudando o humor para algo mais sério e pesaroso logo em seguida, se aproximando ainda mais de mim. — Eu mesmo o puniria por essa falha, mas acho que você já fez isso, não é, Coração?
Eu odiava aquele maldito apelido!
Kane Bennet me apertou ainda mais forte quando eu me debati descontrolada, eu queria arrancar a cabeça de Negan com as minhas próprias mãos, eu tinha que fazê-lo pagar por tudo aquilo, não importavam as consequências.
— Eu disse que não queria derramar o sangue de ninguém. Mas você me forçou, armou uma guerra, se recusou a colaborar, isso é tudo sua culpa, Natalie, não vê? — Perguntou, como se estivesse realmente penalizado com a situação, como se fosse inocente de todas as atrocidades que tinha feito desde que nos reencontráramos. — Todos os seus amigos estão mortos por sua causa. A família da Natania aqui, está morta por sua causa.
Parei de tentar me debater e encarei Natania, que tinha a mão de Negan em seu ombro. Será que ela realmente acreditava naquilo?
— Todo mundo aqui sabe da sua culpa. Por isso fiz um acordo com sua nova líder. — Negan explicou, apontando Natania. — Ela me entregaria você, como uma prova de seu comprometimento a minha causa, e eu deixaria o que restou de sua bela comunidade em paz. O tipo de acordo irrecusável, devo dizer.
Encarei Natania, totalmente incrédula, enquanto ela mantinha seu olhar duro e impassível, passei meus olhos por todas as outras mulheres e elas não me encararam, a não ser Cyndie que baixou a cabeça logo em seguida.
— Você convenceu minha filha a isso, ela morreu por sua causa, o pai de Cyndie morreu por sua causa, era você que tinha conexões com Negan, podia ter feito um acordo da primeira vez que encontramos com os Salvadores, lutar não era a resposta. Agora meu neto também está morto. Você já causou mortes o bastante, agora chega... — Declarou controlada e eu senti cada palavra me atingindo como facas.
Na minha ânsia de lutar por Sherwood e pelo que era certo eu perdi tudo, inclusive as coisas pelas quais eu estava lutando.
Negan olhou dela para mim e fez uma careta, exatamente o tipo de careta que um amigo faria ao ver outro se ferrar com a mãe. Eu o odiava tanto naquele momento, que odiei a mim mesma por ter dormido com ele um dia.
Mas no fundo Natania estava certa, muita gente tinha morrido por minha culpa, inclusive meus próprios filhos...
— Ela está brava... — O assassino, líder dos Salvadores, comentou como se não fosse nada, apontando Natania. — Por ela eu te mataria aqui mesmo, sabe? Mas eu te conheço, Coração. Temos história, vou te levar para o meu Santuário e tenho certeza que, com o incentivo certo, você vai perceber que somos a nova ordem mundial, não tem outra saída a não ser fazer parte disso.
Negan tentou tocar meu rosto, porém eu me esquivei com violência, Kane continuou me imobilizando para que eu não atacasse seu chefe. Estava pronta pra gritar que preferia morrer ali mesmo, do que fazer qualquer coisa que envolvesse aquele psicopata, mas algo de um tom quente no topo de uma árvore chamou minha atenção.
Lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos no mesmo momento. Lucena estava escondida entre a folhagem, sua jaqueta, em um tom desbotado de roxo, era o que havia chamado minha atenção, ela segurava Petter, tampando a boca dele, para que nenhum som denunciasse sua posição.
Eu não sabia como ou quando eles tinham escapado e não importava, só uma coisa passou a importar naquele momento. Eles estavam vivos.
Foi quando tudo mudou. Eu não podia arriscar mais nada, eu não podia fazer nada que os colocasse em perigo outra vez. Eu teria que permanecer viva pelos meus filhos, não importava como.
— Você matou meu filho, Negan... — Choraminguei, abaixando a cabeça e usando o choro que era de puro alivio ao meu favor. O déspota não sabia da existência de Luka, ele não a conhecia, eu teria uma chance se ela fugisse com Petter, mas para isso todos tinham que continuar acreditando que os dois estavam mortos, inclusive o pessoal de Sherwood.
— Você sabe que não fui eu, Coração... Se você tivesse confiado em mim, ele estaria nos seus braços agora. Ele cresceria feliz no Santuário. — Tocou meu rosto, como se me consolasse.
Eu sabia que era mentira, aquele homem não era nada além de um assassino psicopata, ele não sentia remorso ou se importava com ninguém.
Kane me arrastou para os portões, em direção a um furgão, e as poucas mulheres que haviam sobrado em Sherwood olhavam a cena. O dobro de Salvadores esperava. Eu soube naquele momento, que se quisesse manter Petter e Lucena vivos, eu teria que me deixar levar.
Enquanto era puxada e jogada na traseira do furgão, olhei para as árvores discretamente e movi meus lábios sem proferir som algum "Corram. Eu acho vocês. Prometo".
Vi as lágrimas dos dois quando concordaram em conjunto e observei Kane fechar a porta, deixando que o furgão se afastasse, sabendo que meus filhos ficariam sozinhos e sem proteção. Foi devastador, era como partir meu coração em mil pedaços, mas não era pior do que o que eu senti quando pensei que estavam mortos.
Eles eram fortes, eram espertos, podiam sobreviver. Tinham que sobreviver. E eu os encontraria de novo em breve. Eu faria de tudo pra isso.
Deixei que o ódio em minhas veias se transformasse em determinação e coloquei a vida dos meus filhos acima de qualquer vingança. Se Negan ficaria vivo ou morto passou a não importar mais, tudo que eu tinha que fazer era fugir dele, encontrar Petter e Luka para levá-los o mais longe possível de Washington.
Lutar não era mais meu objetivo. Fugir era.
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