Notas iniciais
Boooomm Diaaaa!! Percebam a minha animação nesse sábado maravilhoso, e isso é tudo mérito de vocês, é claro. Quase morri do coração com a repercussão do capitulo passado, batemos todos os records de Lifeline e eu nem sei o que dizer pra agradecer, fiquei muito lisonjeada com o carinho que vocês tem por essa fic. VOCÊS SÃO MUITO AMORZINHO, EU VOU CHORAR ASSIM! Pra começar eu tenho que agradecer as lindas Aquarius, Pamela lopes e Rafa Black, por presentearem nossa bebê Lifeline com recomendações. Foram 3 de uma vez só!!!! EU QUASE TIVE UM ATAQUE DO CORAÇÃO DE TANTA FELICIDADEEEE. Obrigada mesmo meninas, estou sem palavas! E claro que eu não posso deixar de citar todas as magnificas comentaristas que deixaram sua marquinha no cap passado: julietacapuleto, Lili Rosa (fica aqui um agradecimento mais que especial, porque essa linda comentou de uma vez em TODOS os capítulos), Amy Manson, Mary Noleto, NandaNascimento, Dreamer Girl, Pendragon, Valerie Malfoy, Belky, Cubo Mágico, Briar, isnotme, Pamela lopes, Aquarius, Reader Girl, Charlotte CollinsIIII, Julia Martins, Mahilia e Rafa Black GENTEEEE VOCÊS SÃO MUITO MARAVILHOSAS E PERFEITAS!! E vamo que vamo, que é hora da verdade, façam suas apostas, Daryl vai entender tudo errado de novo, ou ele finalmente vai descobrir a verdade? (Isso pareceu coisa de sessão da tarde, mas segue o baile) Boa leitura.

• DARYL DIXON •

Já assistiu um filme de mistério, onde uma simples cena explica tudo? Acho que é o que dizem: Uma imagem vale mais que mil palavras...

Era disso que aquela cena, acontecendo na frente dos meus olhos, se tratava. Era sobre revelação.

Foi como se, em um segundo, eu tivesse revivido os últimos dias e tudo se encaixasse como um quebra-cabeças completo. E aquele garotinho gritando "mamãe" era a última peça que faltava.

— Isso explica coisa muita coisa... — Rick comentou ao meu lado.

Todos ao redor tinham os olhos presos naquela cena de reencontro, incluindo Rick, Maggie e Ezekiel.

Minha mente começou a repassar cada mínimo detalhe, e eu me senti doente, meu estômago deu um nó em torno dele mesmo, isso é, um nó ainda maior, já que eu ainda tinha lembranças muito vívidas das imagens de momentos atrás entre Negan e Natalie. Eu vou matar aquele filho da puta, vou matar bem devagar.

— Ela estava protegendo a família. — Maggie constatou, e parecia um tanto arrependida. — Por isso ela queria ir embora.

E a mantivemos presa por dois dias. Comecei a me sentir ainda pior, aquilo era minha culpa...

Lembrei do meu encontro com o garotinho, e do quanto ele tinha me lembrado Natalie, eu devia ter percebido, ligado os fatos... Como eu podia ser tão burro?

Natalie estava a caminho do Reino quando nos esbarramos e eu, sem saber, tinha arrastado ela de volta, pra longe do garoto, deixando que meu grupo a mantivesse presa, a tratando como a pior das pessoas durante todo aquele tempo. Quão cretino eu era por isso?

Eu ainda não tinha conseguido tirar meus olhos dos três em frente a Alexandria. Foi quando algo mais se agitou dentro de mim, algo que eu abafei e descartei imediatamente, antes mesmo da minha parte consciente entender o que era.

Foi Rick quem deu o primeiro passo, deixando Michonne com Carl e caminhando até o portão.

— Natalie? — Ele chamou em um tom calmo, quase como se estivesse falando com Carl. Ela se virou para encará-lo. — Acho que talvez agora você queira entrar, aqui onde é seguro e onde temos suprimentos pra tratar sua perna... O que acha? Vocês estarão totalmente seguros, e serão meus convidados, eu prometo. Você pode seguir viagem quando quiser.

Natalie passou os olhos pelas duas crianças primeiro, então voltou-os para Rick, encarando o resto da comunidade como se ponderasse, não olhou pra mim, em nenhum momento, e embora uma parte minha quisesse agir como se não fizesse nenhuma diferença, fez sim. Fez toda a diferença.

— Acho que é uma boa ideia. — Assentiu, colocando o garoto no chão e dando alguns passos em direção ao portão. Sendo aparada pela menina no mesmo instante.

A garota, que eu honestamente não lembrava o nome, passou o braço de Natalie pelo seu ombro, antes ajeitando o rifle que carregava.

— Eu estou bem, Luka. — Natalie afirmou, olhando a jovem de um jeito muito maternal.

Elas assentiram uma para a outra, mas mesmo assim a menina não se afastou e seguiu com Natalie para dentro dos limites de Alexandria, enquanto o pequeno Robin as rodeava, como se sua mãe fosse a única coisa importante no universo.

Dei um passo para trás e desviei os olhos da cena, passando a mão pelo rosto em frustração. Havia um gosto amargo de fracasso na minha boca. Eu só fazia as coisas erradas, repetidas e repetidas vezes.

Quando eu encarei o trio novamente, estavam parados perto de Ezekiel.

— Acho que devemos uma explicação, majestade. — A garota se pronunciou, e o cara que se dizia rei negou algumas vezes, colocando a mão no ombro dela em forma de apoio.

— Eu já entendi o mais importante. Fique com a sua família agora, Lucena. Acho que vocês têm mais pra conversar entre si do que comigo. — Sorriu para os três, bagunçando o cabelo de Robin e foi quanto Natalie lhe estendeu a mão direita.

— Obrigada, de verdade, obrigada por ter mantido os dois seguros sob seu teto por todo esse tempo. — Ela agradeceu em um tom sincero, e eu me senti ainda pior por tudo.

Merda, eu estava lá, eu tinha visto os dois, tudo teria sido diferente... Negan nunca teria colocado as mãos em Natalie novamente se eu tivesse agido de outro jeito.

Ezekiel, segurou a mão estendida e fez um aceno positivo, mais amigável com Natalie naqueles três segundos do que qualquer um de nós tinha sido nos últimos dois dias.

— Eu posso dizer agora? Por favor, por favor, por favorzinho! — Robin perguntou pulando de um lado para o outro, como um gafanhoto.

Natalie olhou do garoto para Lucena, um tanto confusa, e a jovem fez um gesto displicente com a mão, em seguida dando a entender que Robin podia seguir a diante.

— Eu não me chamo Robin, é Petter, com dois t's por que eu sou o segundo do meu nome. Robin era só um disfarce. — O moleque pareceu muito satisfeito em dizer aquilo em um folego só.

E aquela simples frase fez tanto sentido pra mim que chegou a doer. Não só pelo fato de Natalie ter nomeado o filho como uma homenagem ao pai, mas porque eu entendi que era pelo garoto que ela estava chamando naquela maldita cabana.

Se ele tivesse me dito o nome verdadeiro, quando nos conhecemos no Reino, eu teria feito a ligação. Ou, pelo menos, pensei que teria.

— Acho que eu vou ter que me acostumar com o seu nome de verdade então, sir Petter. — Ezekiel fez uma reverência formal, que o filho de Natalie copiou em seguida.

Rick fez um sinal, apontando a enfermaria, e seguiu com Michonne e Carl um pouco na frente. Natalie e as duas crianças seguiram logo depois, se envolvendo em uma conversa paralela como se nada mais no mundo importasse.

Por algum motivo estúpido eu segui alguns passos atrás, perto o bastante para ouvir a maior parte da conversa, mas ainda assim, separado deles, porque estava na cara que o trio tinha um mundo particular do qual ninguém mais fazia parte. Principalmente eu.

— Nome falso? — Natalie perguntou, com uma nota de humor na voz.

— Luka achou que seria mais seguro. — O garoto gostava mesmo de ficar pulando de um lado para o outro.

Natalie e Lucena trocaram um olhar e a mais nova deu de ombros, como se não fosse nada demais.

— Muito esperto, estou orgulhosa de vocês. — O elogio veio em um tom maternal e amoroso, que por algum motivo combinava muito com Natalie.

Senti um gosto amargo na boca, não soube dizer o motivo naquele momento, ou talvez eu até soubesse, mas não quis admitir.

— Claro que está orgulhosa, você é nossa mãe, seu trabalho é ficar orgulhosa da gente. — Petter devolveu como se aquilo fosse a verdade universal.

Todavia, foi outra coisa naquela frase que me chamou a atenção "nossa mãe", lembrei que no Reino o garoto dizia que Lucena era irmã dele, e pelo visto essa parte não era disfarce.

Por um segundo não entendi bem a dinâmica daquilo, mas imaginei que tinha sido uma coisa do apocalipse, aquele tipo de situação conseguia montar famílias inusitadas.

Foi quando eu percebi que não fazia sentido eu ainda estar ali, seguindo-os como um cachorro sem dono, aquilo não era sobre mim. Então dei meia volta e fui procurar algo útil pra fazer, mas a verdade é que minha mente não conseguia focar em nada mais, ela ficava vagando entre os momentos horripilantes com Negan e aquela cena no portão.

Tentei focar em ajudar a recolher os cadáveres, já era ruim o bastante que Sasha estivesse vagando como um errante fora dos muros, não precisávamos de outras pessoas fazendo o mesmo.

Sasha tinha se sacrificado por nós, eu sabia disso. Ficou claro na expressão de Negan que ele não esperava que ela estivesse morta naquele caixão. Morta Sasha era um trunfo perdido, e Negan não gostava de perder nada, eu entendia naquele instante.

Nunca havia odiado tanto uma pessoa como odiava aquele homem, era um sentimento tão visceral que até respirar se tornava difícil. Eu queria que ele sofresse, queria que pagasse por tudo que tinha feito com a Natalie...

Sem perceber, acabei na frente da enfermaria. Eu não tinha um bom motivo, ou melhor, uma boa desculpa, pra estar ali, mas eu cruzei a varanda e parei na porta do mesmo jeito.

As primeiras pessoas que eu vi foram Tara e Rosita, a hispânica havia levado um tiro, e por isso estava sendo tratada na enfermaria. Então percebi que elas estavam acompanhas por uma terceira figura.

O moleque baixinho e de cabelos castanhos muito claros, que pulava de um lado para o outro, bombardeando Tara com perguntas. O garoto levava jeito fazendo amizades, isso estava bem claro.

— Pequeno Gafanhoto, isso é um hospital, lembra o que eu te falei sobre hospitais? — Natalie repreendeu, mas mesmo aquela frase tinha um tom carinhoso e doce. Como toda a mãe devia ser... Ou pelo menos era isso que eu imaginava.

Entendi o apelido imediatamente, combinava com o garoto, eu não podia negar.

— Que as pessoas precisam de silêncio e calmaria pra se recuperar... — Ele parou o que fazia e deixou os ombros caírem, achei o gesto um tanto teatral e por isso engraçado. — Desculpa... — Pediu diretamente a Rosita, antes de começar a se afastar.

— Tudo bem, ele não estava incomodando. — A hispânica sorriu amigável, o que não fazia muito o estilo dela na verdade.

O que esse menino tem? Mel?

Ele estava seguindo em direção a mãe quando me viu, então acenou exageradamente.

Eu ainda estava encostado no batente, quando me lembrei que não tinha nenhum motivo plausível para estar ali. Movi a cabeça, apenas pra que o pequeno não ficasse sem resposta e fiz um gesto para Rick, que estava ao lado de Michonne em uma das macas.

Percebi que Natalie tinha os olhos fixos em mim, alternando-os entre o filho e eu, com uma expressão que eu não conseguia definir bem, mas me pareceu um misto de surpresa, desconfiança e medo.

Me perguntei se o menino já tinha falado que nos conhecíamos do Reino, mas julguei que sim, afinal ele era o tipo de criança que fala pelos cotovelos.

Rick atravessou a enfermaria e parou ao meu lado.

— Algum problema? — Perguntou, porém eu mal o ouvi, pois tinha minha atenção totalmente em Natalie.

Ela estava abraçada com o filho de novo, e prosseguia em sua conversa com a garota chamada Lucena. O menino disse alguma coisa, jogando a cabeça um pouco para trás enquanto falava, e Natalie o fitou com os olhos brilhando mais que nunca, então sorriu:

— Também te amo pequeno Gafanhoto, daqui até a Lua, ida e volta.

Senti um nó na minha garganta. Me dei conta que não tinha visto Natalie sorrir desde o nosso reencontro no Santuário, e aquele sorriso me trouxe um mundo de coisas ao mesmo tempo.

Aquele sorriso tinha sido meu um dia...

— Daryl? — Rick me chamou, e fui tragado para a realidade. — Algum problema?

Neguei algumas vezes, procurando algo para dizer que justificasse minha presença ali.

— Você não veio me procurar, não é? Veio ver a Natalie? — O Xerife afirmou certeiro, em um tom baixo para que não fossemos ouvidos.

— Não seja besta. — Tentei desconversar, procurando algo que funcionasse como um bom argumento. — Eu vim porque... porque vou dar uma volta lá fora, ver se ainda estão nos cercando.

— E precisa me avisar? — Rick tinha um sorriso divertido no rosto, de quem não tinha comprado minha desculpa.

Foi quando Maggie se aproximou, mudando o foco do assunto. Graças a Deus. Ela e Paul Rovia, tinha encontrado Sasha e um funeral estava sendo providenciado.

Estavamos todos certos de que a morte de Sasha não fora um simples acidente, ela havia se sacrificado por nós, pra nos dar uma chance.

Mas eu sentia que tinha falhado, com ela e com todos, Negan ainda estava vivo, ele era como uma sombra demoníaca pairando sobre nossas vidas e precisava ser eliminado.

Eu devia isso a Natalie.

— Tem só mais uma coisa que eu preciso fazer. — Maggie apontou o interior da enfermaria e Rick lhe cedeu passagem.

Primeiro a nova líder de Hilltop caminhou até Rosita, trocando algumas palavras com ela e Tara, pra se certificar que as duas estavam bem. Deu uma olhada em Michonne, que dormia no leito ao lado e seguiu para Natalie.

Maggie apontou uma cadeira, e pela postura e gestos entendi que ela perguntou se podia se sentar. Natalie e ela começaram uma conversa, que eu não pude ouvir bem de onde estava, mas, pelo pouco que captei, se tratava basicamente de um pedido de desculpas de Maggie.

Vi Natalie negar algumas vezes, com um sorriso compassivo nos lábios, e pelo movimento deles presumi que ela tinha dito algo como "você fez o melhor que podia com aquilo que sabia".

Aquilo era algo que eu podia perfeitamente imaginar a minha Bochechas falando, aquela postura, o sorriso. Achei que o Santuário tinha matado a melhor parte de Natalie, mas eu estava errado, ela ainda estava ali, ainda era a mesma pessoa, só tinha vestido uma armadura pra proteger as pessoas que amava.

E de vestir armaduras eu entendia bem...

Senti orgulho dela, mas ao mesmo tempo me odiei um pouco mais por não ter notado nada disso, eu tinha deixado meu ciúme me cegar, e isso só tinha feito Natalie sofrer mais. Eu podia ter ajudado, se não estivesse tão ocupado sendo cabeça dura.

Ou talvez eu simplesmente tivesse que aceitar que nada daquilo era sobre mim, Natalie mesmo tinha dito isso com todas as palavras...

Maggie tinha engatado uma conversa com Petter, que respondia animado, incapaz de parar quieto em um lugar só.

Rick observava a cena, parado ao meu lado, com um olhar bastante analítico.

— Você disse que faz quantos anos que vocês não se veem, mesmo? — Perguntou, e seus olhos ainda estavam presos no menino.

Aquela mesma sensação que eu tive, quando vi Natalie abraçando o filho no portão, voltou, mais consciente daquela vez, quase tangível, uma ideia, nascida da semente que Rick tinha acabado de plantar na minha mente, tinha acabado de criar raízes, mas eu ainda não estava pronto para encarar as coisas de frente, então fiz como de costume e deixei em um canto escuro da minha mente.

Minha falta de resposta, ou a minha cara fechada, fizeram Rick dar de ombros.

— Okay, não está mais aqui quem perguntou. — Ele deu meia volta e caminhou para o leito de Michonne.

Natalie participava da conversa naquele momento, mas os olhos dela seguiram para mim e assim ficaram por um tempo, como se houvesse algo mais entre nós do que apenas aquela distância enorme, algo não dito...

Mas eu desviei o olhar, deixando a enfermaria, temendo que eu estivesse entendendo tudo errado de novo, como sempre.

Uma patrulha do lado externo dos muros era mesmo uma boa ideia. Vi Carol ao longe, acompanhada de Ezekiel, mas apressei o passo para não ser visto por ela, eu ainda tinha que explicar por que tinha mentido sobre Glenn e os Salvadores, e não estava com cabeça pra nada disso no momento.

Atravessei os portões, mas estar do lado de fora de Alexandria, mesmo que entre as árvores não me trouxe qualquer conforto.

Fiz a patrulha tentando me concentrar, observando rastros e obrigando minha mente a não vagar de volta para Natalie Cooper.

Por fim, eu soube que tinha que voltar, não podia ficar ali fora para sempre... Infelizmente.

Quando entrei em Alexandria percebi que o lugar estava muito mais cheio que o de costume, as pessoas se espalhavam pelas ruas, trocando suprimentos e frutas, conhecendo umas às outras, em um clima de companheirismo que eu não entendia bem.

Estávamos em uma guerra, o otimismo no rosto de cada um deles era estranho. Sim, tínhamos vencido uma batalha, mas era mesmo uma vitória?

Enquanto Negan estivesse vivo, enquanto ele não pagasse por tudo que tinha feito, eu não conseguia considerar qualquer calmaria uma vitória.

— Oi! — A voz infantil me abordou e eu percebi Robin, quer dizer Petter, andando ao meu lado.

De onde aquele menino tinha saído?

— Oi. — Olhei para os lados enquanto falava, me certificando que ele estava ali sozinho. — Você não devia estar com a sua mãe?

— Eu estava, mas vim com o Cabeça de Melancia pegar umas frutas pra ela e para as outras meninas na enfermaria. — Mostrou a cesta, enquanto ainda saltitava ao meu lado.

Percebi que havia um caderno de mão lá dentro, mas não dei importância pra isso.

— Veio com quem? — Perguntei confuso.

Petter arregalou os olhos em uma expressão cômica, abrindo um enorme sorriso amarelo, de quem é pego no meio de uma travessura.

Deus, como eu não me dei conta? Ele é a cara da mãe, até o sorriso. Exatamente o mesmo sorriso adorável e bochechudo.

— Com ninguém não, esquece! — Se apressou em responder. — Eu só queria pedir desculpas por ter mentido pra você lá no Reino...

Ele sorriu, e por algum motivo me senti conectado com ele.

— Você só estava protegendo sua família, não me conhecia. — Dei de ombros. O garoto não tinha feito nada de errado afinal.

— Mas eu sabia que você tinha encontrado com a minha mãe lá dentro. — Revelou e eu não compreendi bem o motivo.

A verdade é que o menino me deixava meio atordoado, antes mesmo de eu saber quem ele era isso já acontecia, mas naquele momento, era uma sensação ainda mais forte... Uma pequena ideia que tinha criado raízes e estava brotando, mas que eu insistia em abafar.

— Eu ouvi quando disseram que você tinha sido prisioneiro no Santuário, e já que minha mãe era prisioneira também, eu deduzi. Eu disse que sou um garoto esperto. — Petter continuou explicando, e percebi que ele tinha a mesma mania da mãe dele, de ficar falando demais.

E ainda era estranho pensar na minha bochechas como mãe de alguém. Era como se a vida simplesmente tivesse passado enquanto eu estava estagnado no mesmo lugar.

— Foi por isso que se aproximou de mim, por causa da sua mãe? — Questionei neutro. Apenas para fugir dos meus próprios pensamentos.

— Não. Eu achei que você precisava de um amigo. — A resposta veio simples, quase como se fosse óbvia e novamente me lembrou a Natalie de Dawsonville.

Era impossível não ficar balançado pelo garoto, ele confundia minha mente e me fazia imaginar coisas que eu não queria.

— Mas então, você e minha mãe? — O começo da frase foi como um choque, que me deixou alerta, pensando que entraríamos em algum tipo de conversa estranha sobre passado. Mas Petter foi mais simples e atual que isso: — São amigos, parceiros, estão trabalhando juntos...?

A pergunta fazia sentido, já que a mãe dele estava ali em Alexandria, conosco, durante um ataque de Negan e talvez o garoto não soubesse do real motivo pra isso.

— Foi isso que ela disse? — Perguntei, querendo saber o que Natalie contou sobre toda aquela situação.

— Não tive tempo de conversar sobre isso ainda. Minha irmã ainda está explicando o que aconteceu nos últimos seis meses, acho que vai demorar um pouco. — Petter deu de ombros e o modo como ele se referiu a Lucena me fez pensar em uma outra vertente para minha teoria anterior.

Natalie tinha uma família, dois filhos, mas nenhum... Não consegui dizer a palavra com "M", mesmo na minha mente. Imaginar que Natalie tinha seguido em frente com outro homem ainda era uma facada pra mim, mesmo que esse homem não fosse Negan...

Talvez fosse até mais dolorido se esse homem não fosse o Negan, se fosse alguém bom e honesto, que tinha dado uma vida boa e feliz para Natalie. Esse homem devia ser o pai de Lucena, isso explicava a relação de todo mundo ali.

Era uma teoria mais plausível que a ideia que germinava em minha mente, mesmo contra a minha vontade.

Olhei para Petter novamente, medindo seu tamanho. Natalie tinha seguido em frente bem rápido...

— É melhor você voltar, elas devem estar com fome... — Falei neutro, querendo me livrar do garoto antes que isso me trouxesse mais questionamentos e teorias desnecessárias.

Petter não retrucou, apenas concordou, dando alguns passos para longe.

— Tchau, Daryl! — Ele acenou já no caminho da enfermaria.

Eu estava com aquele gosto amargo na boca de novo, aquele gosto de derrota, o gosto horrível de esperar a vida toda por algo e se dar conta de que a outra parte não estava esperando também.

Balancei a cabeça, como se precisasse espantar todos aqueles pensamentos e tentei me ocupar de outras coisas. Tínhamos o enterro da Sasha e de alguns outros Alexandrinos, então me coloquei a abrir covas.

Depois disso, Maggie, Ezekiel e Rick se reuniram em um palanque improvisado para um tipo de discurso no qual eu até tentei prestar atenção, mas não consegui.

Os planejamentos para o restante da guerra estavam começando, assim como todos os preparativos para que Alexandria não ficasse vulnerável durante esse tempo.

No meio da tarde, descobri que Rick tinha alocado Natalie em uma das casas, mas não deixei que ele me falasse nada sobre a breve conversa que os dois tiveram, eu queria manter minha mente longe dela, mesmo que isso parecesse impossível.

Tentei acumular o máximo de tarefas, e quando a noite caiu eu estava em casa, me preparando para ficar de guarda nos muros, enquanto Rick preparava Judith para ir com ele até a enfermeira, onde Michonne permanecia de repouso. Foi nesse momento que alguém bateu na porta.

Como Rick estava sentado no sofá, calçando a pequena, eu mesmo fui abrir. Assim que girei a maçaneta meu corpo ficou paralisado, Natalie estava bem ali na soleira da porta.

— Natalie... Oi... — Tentei parecer natural, mas na verdade eu sequer sabia o que "natural" significava. — Algum problema?

— Oi. — Ela pareceu surpresa de me ver ali. — Não, não. Está tudo bem. O Rick está? Carl disse que ele estava em casa.

Eu ainda fiquei parado no mesmo lugar alguns segundos, antes de dar um passo para trás e deixar Natalie entrar na casa.

Havia um clima estranho entre nós, algo que as pessoas chamam de "o elefante na sala".

Natalie passou por mim, e Rick a cumprimentou com um aceno, fazendo um gesto para que ela se aproximasse.

De repente eu decidi que a ronda podia esperar e me aproximei dos dois, mesmo que não tivessem me convidado para a conversa.

— Eu te trouxe uma coisa... — Natalie estendeu o caderninho de bolso que eu tinha visto com Petter mais cedo.

— O que é isso? — Rick perguntou, foleando o objeto.

— Tudo que eu sei sobre Negan e o Santuário, cada informação que eu consegui reunir nesse tempo. — Ela respondeu, enquanto se sentava de frente para o meu amigo, e atraía a atenção de Judy, calçando o último sapato da pequena, enquanto Rick tinha sua atenção concentrada no "presente" que acabara de receber.

Natalie tinha dado a Rick tudo que ele queria aquele tempo todo, quase uma prova de confiança. Era um alivio finalmente estarmos do mesmo lado.

Mas o caderno não conseguiu atrair minha atenção, não como a cena de Natalie e Judith confraternizando. Quem diria que aquela garota maluca e bochechuda de Dawsonville levaria tanto jeito com crianças...

— Uau, você é boa nisso. Tem informações bem detalhadas aqui. — Rick pareceu bem surpreso. — Você era da polícia também?

— Jornalista. — Natalie corrigiu neutra. — E sim, eu sou muito boa em colher informações e expor homens como o Negan. Esse era meio que o meu trabalho, então...

Seu olhar passou pelo meu rapidamente e de algum modo eu soube que o incidente com Shannon, uma simples garçonete de Dawsonville, tinha pesado na escolha de profissão de Natalie.

E aquilo combinava com ela. Eu podia imaginar perfeitamente as coisas maravilhosas que ela teria escrito como jornalista.

Ainda existia aquela ponta de amargor na ponta da minha língua, afinal Natalie tivera uma vida boa longe de mim, mas eu mesmo tempo eu fiquei feliz por ela. No fundo eu sempre soube que Natalie estaria melhor sem mim...

— Não importa mais... — Ela fez um movimento displicente com a mão, quando continuou. — Basta você saber que eu nunca confiei na polícia pra nada na minha vida, você é o primeiro, considere-se sortudo.

— Isso significa que você confia em mim? — Rick devolveu e eu achei aquilo muito presunçoso.

Tentei não deixar nenhuma reação idiota me denunciar.

— Não força a barra — Natalie sorriu de canto e eu trinquei os dentes involuntariamente.

É o Rick, Daryl você está extrapolando. Ele tem a Michonne. E mesmo que não tivesse, Natalie não é nada sua. Tentei enfiar algumas verdades na minha mente quadrada, mas não era tão simples quanto parecia.

— Justo. — Rick assentiu, voltando a folear o caderninho e parando, com as sobrancelhas franzidas, em uma página especifica. — Espera. Negan tinha uma esposa?

Minha atenção seguiu para Natalie no mesmo instante, aquilo era uma informação bem inusitada, considerando as coisas que eu tinha ouvido no Santuário.

— Lucille. Acredito que por isso o taco tenha esse nome. A última vez que eu a vi, semanas antes de Washington declarar estado de emergência, ela já estava mal, então... — Natalie deu de ombros, ilustrando que não sabia o fim da história.

— Isso é doentio. — Resmunguei. Qualquer coisa que envolvia o nome daquele homem me soava doentia, me deixava enjoado, e a cena do beijo que Natalie foi obrigada a dar nele, por minha causa, voltou a minha mente, fazendo a bile subir para o meu estômago.

Eu preferia mesmo que ele tivesse me capado do que ter sujeitado Natalie aquilo.

— Você a conhecia? — Rick prosseguiu com a conversa, e eu tentei focar na realidade.

— Ela era professora do Petter, então... eu conhecia um pouco. Ele queria ir vê-la no hospital depois que ela pegou licença, e esse foi basicamente todo o contato que eu tive com ela. — Natalie explicou calma, com os olhos em Judith, que pedia por alguma atenção.

Eu e Rick trocamos um olhar, Negan e Natalie estavam no mesmo núcleo, desejei saber como isso se encaixava com o que eu tinha escutado no Santuário. Mas eu nunca perguntaria, jamais acusaria Natalie de coisa alguma referente aquele maníaco de novo, eu tinha aprendido com os meus erros.

Tinha aprendido da pior forma...

— Foi aí que você conheceu o Negan? — Rick questionou em um tom educado e passivo, quase como se lesse os meus pensamentos. — Se a pergunta for muito invasiva ou desconfortável não precisa responder.

Natalie subiu o olhar, passando pelo xerife e depois por mim. Me lembrei da cena caótica do trailer e do quanto aquilo tinha me incomodado, forçado meu pensamento a imaginar coisas que eu não queria imaginar. Mas mesmo os meus piores pesadelos sobre Natalie e Negan não tinham chegado ao incômodo visceral da cena dos dois mais cedo. Tinha sido dolorido pensar que Natalie tinha escolhido Negan, mas era muito pior saber que ela tinha sido obrigada a fazer coisas que não queria por minha causa. Pra livrar a minha pele.

Ela continuava com os olhos em mim, e eu decidi que não queria saber, não importava, qualquer coisa que tinha acontecido entre os dois antes do fim do mundo, não era da minha conta. Mas o que tinha acontecido depois... bom, Negan pagaria bem caro por tudo aquilo.

No entanto, Natalie pareceu se decidir por abrir totalmente o jogo:

— Eu o conheci em um bar. Cara charmoso, sem aliança... Não conversamos muito, erro meu. Saímos três vezes, nada de encontros, eu não tinha tempo pra isso. Acabei com tudo assim que percebi que não valia nem meia hora do meu dia. E isso foi tudo. — Ela contou sem emoção alguma, como alguém relatando uma atividade banal de seu dia. — Eu o encontrei de novo três meses depois, dentro do hospital e percebi que tinha sido um erro colossal. Nem o primeiro nem um último. Infelizmente, foi justamente esse erro que se tornou um psicopata assassino obcecado por mim.

Era simples quanto ela contava, dava até um certo orgulho. Natalie tinha se tornado alguém forte, que sabia exatamente quando assumir responsabilidade por algo. Percebi isso de cara, afinal eu era o extremo oposto.

— Obcecado por você, porque homens assim não lidam bem com rejeição e você deu um pé na bunda dele... — Rick fez um adendo, que me pareceu mais uma nota mental sobre o comportamento do Negan.

Eu sabia que o Xerife estava colhendo informações para usar contra o déspota depois, mas, pra mim, aquela conversa era mais sobre tudo que Natalie tinha passado do que sobre Negan.

— Como escondeu seu filho dele? — Fiz minha primeira pergunta e Natalie me encarou.

Aquela sensação estava ali novamente: o elefante na sala, algo não dito. Ela engoliu em seco e abriu a boca pra responder, mas não fez isso, franziu os lábios como se mudasse de ideia e suspirou, piscando lentamente, antes de assumir uma postura mais decidida.

— Filhos. — corrigiu neutra. — Luka é minha filha também.

Eu não tinha excluído a menina de propósito, só era meio estranho pensar em Natalie com uma filha que devia ser apenas alguns anos mais nova que ela.

— Coisas boas que o apocalipse deu pra gente. — Rick comentou como se soubesse de tudo.

— Luka não veio disso. Eu a adotei antes, mas isso não importa. O que importa é que os dois são meus filhos, não faço distinção entre eles. — Natalie respondeu logo, bastante direta com as palavras.

— Eu sei como é isso... — O xerife assentiu, e eu sabia que ele se referia a Judith, e todo aquele lance da Lori com o Shane.

No entanto, não foi isso que realmente me chamou atenção na conversa, e sim o fato de que minha teoria sobre o pai de Lucena ter caído por terra. Se ela era adotada, isso tornava todo o resto inválido...

Aquela ideia anterior, que tinha germinado depois de criar raízes deu sua primeira folha e foi quase impossível ignorar a coisa toda, antes que dominasse minha mente consciente, mas já que Natalie continuava explicando, tive algo mais no que focar:

— Eu não escondi os dois. Eles se esconderam sozinhos. Negan acha que matou o Petter, ele não sabe da Luka. Ele achou que tinha tirado tudo de mim, por isso estava tão convencido que tinha me quebrado.

Todo o teatro de Natalie como Salvadora começou a fazer muito mais sentido, ela estava agindo como alguém que tinha perdido tudo, estava fazendo o que Negan esperava.

Quando é que aquela garota bochechuda de Dawsonville tinha ficado tão esperta?

— Mas felizmente nesse caso, aqueles dois pestinhas não seguiram minhas ordens e não estavam onde deviam. Então, quando um dos homens de Negan colocou fogo no lugar, eles estavam escondidos em outro. Eu prometi que os encontraria, depois que a Natania me deu como moeda de troca, e é o que eu vinha fazendo desde então. — Quando Natalie mencionou a promessa eu entendi sua obstinação.

— Então não sabia onde eles estavam? — Rick supôs, recebendo Judith de volta, e a colocando sentada em seu colo.

— Não no começo, eu simplesmente sabia que eles estavam bem. Eles são uma dupla e tanto. Luka é esperta e precavida, uma ótima lutadora, Petter é ágil e aprende muito rápido, e claro, ele certamente sobreviveria mais tempo que eu sozinha na floresta com nada mais que um canivete. — Natalie sorriu, um novo tipo de sorriso pra mim, um que tinha muito de orgulho e amor, batizei aquele como um sorriso maternal e senti que podia me sentar ali e ouvi-la falar daquelas crianças o dia inteiro e nunca me cansar disso.

Ao final da frase seus olhos estavam em mim novamente, como se de alguma forma fossemos cúmplices naquilo, mas assim que percebeu o que tinha feito, Natalie mudou de postura, desviando os olhos de mim, me deixando com aquela sensação estranha de que tínhamos um assunto inacabado.

— Voltando... — Ela se dirigiu a Rick novamente. — Eu fugi, e voltei pra nossa antiga comunidade, eles deixaram um sinal pra mim, em uma árvore, coisa que olhos despreparados não veriam. Foi assim que eu soube onde estavam.

— E você estava indo para o Reino quando Daryl te encontrou... — Rick completou, e eu senti ainda mais culpa. Se já não bastasse Negan separando Natalie dos filhos, eu tinha feito o mesmo. — Nem imagino como isso foi pra você, Já fiquei separado dos meus filhos também, mas não se compara.

Rick acariciou Judith, e eu me lembrei de quando nos encontramos no Terminus, e de termos pensado que a pequena estava morta.

Era como se eu soubesse exatamente pelo que Natalie tinha passado, o que tornava minhas atitudes com ela, naqueles últimos dois dias, ainda piores.

— Como eu disse aquele dia, levei um tiro, fiquei em coma por um tempo e acordei em um hospital, todo mundo tinha sumido, e havia gente morta andando na rua. — Rick começou a contar sobre o começo de tudo. — Claro que eu queria achar minha mulher, mas o meu filho... — Ele suspirou pesado. — Estar separado do Carl era a pior parte, eu não sei o que faria se não tivesse encontrado com eles naquela pedreira.

O xerife apontou para mim enquanto falava, e Natalie focou os olhos nos meus. Rick não tinha ideia do que havia acabado de revelar.

— Pedreira? — Repetiu, e eu paralisei sem saber o que dizer.

Era certo que Natalie sabia exatamente qual era a pedreira. Tínhamos feito uma promessa, ou melhor, ela tinha feito uma promessa. Uma que ela não cumpriu...

Eu me sentia estúpido por ter esperado, e agora que Natalie provavelmente sabia a verdade, eu me sentia ainda mais idiota.

Dez anos Daryl, e você pensou mesmo que ela atravessaria o país por causa de uma promessa idiota, enquanto, na verdade, ela tinha uma família com a qual se preocupar.

Natalie havia seguido em frente e eu ficara preso no passado. A pior parte era que eu sabia... Bem lá no fundo eu sempre soube que isso aconteceria.

— Eu me dei mal quando entrei em Atlanta procurando o centro de refugiados, Glenn, o marido da Maggie, me salvou, mas isso foi bem antes de a conhecermos. Glenn estava com um pequeno grupo procurando suprimentos, e eu acabei me juntando a eles, me levaram pra esse acampamento em uma pedreira perto de Atlanta, era um bom lugar. — Rick continuou contando, como se fosse um assunto totalmente casual, sem ter ideia do que significava realmente. — Eu conheci o Daryl lá. Claro que ele quis me matar, porque eu deixei o irmão dele algemado em um telhado, mas são águas passadas, a gente já superou isso.

Ela continuou olhando pra mim, mesmo depois que Rick terminou de falar, tive o impulso de perguntar o que ela estava pensando, mas nossa frase habitual não se encaixava mais entre a gente.

Era como se não fossemos mais aquelas pessoas... Era triste e desesperador.

Natalie percebeu que estávamos nos encarnado por tempo demais e desviou os olhos, esfregando as mãos contra o shorts jeans que usava e se colocado de pé.

— Eu vou indo agora, espero que seja útil. — Apontou o caderninho que tinha dado para Rick.

— Vai ser. — Ele se colocou de pé também.

Foi só então, enquanto os dois seguiam em direção a porta, que eu me dei conta que só havia um motivo para que Natalie tivesse escrito tudo que sabia...

— Eu vou providenciar um carro e suprimentos pra sua viagem. Não temos muito combustível, mas acho que você consegue sair do alcance dos Salvadores antes de ter que procurar mais. — Rick avisou, e eu vi todos os meus temores se tornarem realidade.

— Obrigada, Rick. — Natalie agradeceu, e eu já tinha cruzado o espaço até a porta, antes mesmo de pensar sobre isso.

— Você vai embora? — Perguntei, tentando conter meu tom, mas não sendo bom o bastante nesse fingimento.

Natalie assentiu devagar.

— Eu preciso ir... Não dá pra arriscar mais.

— Você podia ter uma casa aqui, sabe disso, não sabe? Um lar. — Rick comentou, e eu entendi que aquela era a conversa que ele tinha tentado ter comigo durante a tarde. — Eu sei que não parece muito seguro agora, mas vamos vencer essa guerra, eu vou matar o Negan e tudo isso vai acabar, até lá nós protegemos uns aos outros. Nunca deixaríamos que nada acontecesse com os seus filhos. Vocês podem ficar. Vocês deviam, é difícil começar do zero lá fora.

Eu tinha meus olhos cravados em Natalie, e ela evitava olhar pra mim.

— Obrigada pelo convite. Ezekiel ofereceu algo parecido. Mas a verdade é que nenhum de vocês podem garantir segurança, não existe isso no meio de uma guerra. E eu simplesmente não consigo arriscar mais. Não dá. — Ela cruzou os braços, como se estivesse na defensiva, não era algo muito comum de Natalie e eu não consegui processar aquela reação muito bem.

— Entendo... — Rick anuiu, não tinha nada que ele pudesse fazer.

Natalie passou pela porta, me lançando um último olhar, antes de sair, percebi que ela ainda mancava por causa da perna.

— Sinto muito, eu tentei. — Rick se desculpou ao meu lado, enquanto víamos a silhueta dela sumir na rua escura de Alexandria.

Não sei bem o que motivou, ou que impulso eu segui, mas antes mesmo que eu pensasse se era uma boa ideia, já estava na rua atrás dela.

— Natalie, espera. — Pedi em voz alta, e percebi Rick fechar a porta, deixando a rua ainda mais escura.

Ela parou onde estava, cruzando os braços contra o corpo, para se proteger do vento que soprava.

Dei alguns passos em sua direção, tentado a não parar, até que nossos corpos estivessem colados. Lembrei de ter o mesmo impulso pela manhã.

Contar para Rick minha história com Natalie em Dawsonville tinha despertado coisas em mim. Todos aqueles sentimentos e sensações que pareciam tomar conta de cada decisão minha desde então.

Eu tinha ido até aquela cela pra me despedir, porque eu estava disposto a morrer, se isso fosse levar o máximo de Salvadores possíveis junto comigo, mas eu não podia fazer isso sem ver Natalie ao menos uma última vez.

Quis beijá-la, quis mais que tudo, mas eu não tinha aquele direito. Mesmo assim eu simplesmente precisava senti-la nos meus braços uma última vez, então a abracei... Quando ela me abraçou de volta desejei desistir de tudo por ela, mas eu não podia, não era certo com Rick e Maggie. Eu devia a eles cem por cento do meu esforço.

Eu teria morrido com orgulho, mas quando vi Natalie entre os tiros eu simplesmente não pude, era mais forte que eu. Eu não podia morrer sabendo que ela não estaria segura. Então lutei. E toda aquela merda aconteceu.

E ali estávamos nós dois, frente a frente de novo, aquele desejo insano de puxar Natalie pra perto fazia minhas mãos tremerem, mas eu não podia tocá-la, não depois de tudo. Era como se eu fosse indigno disso.

A verdade é que eu ainda era ruim pra ela. Bastava rever toda a cena com Negan pra ter certeza.

— Então...? — Ela perguntou, vendo que eu estava calado há tempo demais.

Sequer tinha pensado no que dizer, sequer sabia por que tinha saído atrás dela. Natalie ainda conseguia me deixar confuso, mesmo depois de tantos anos.

— Eu só queria dizer... — Engoli em seco, ainda incerto sobre o que falar. — Que eu sinto muito.

Natalie prendeu a respiração por um momento e piscou como se houvesse algo em seus olhos.

— Pelo quê? — Sua voz tremeu dois tons e ela deu um passo pra frente.

Uma lista mental passou pela minha cabeça, decidi começar pelo evento mais recente e mais óbvio. Negan.

— Por hoje, eu não devia ter deixado você sair da cela, você estaria segura e longe do Negan lá dentro e... — Tentei explicar, mas Natalie soltou um riso irônico pelo nariz e me interrompeu:

— Sério? Vai se desculpar mesmo pela melhor coisa que você me fez desde... desde muito tempo mesmo.

Como é? Era impossível que ela não visse minha culpa em toda aquela merda de cena com o Negan.

— Você não pode estar falando sério... — Retruquei incrédulo. — Não depois de tudo que você passou.

Natalie olhou para o lado e negou algumas vezes, enquanto suspirava ainda de braços cruzados.

— Eu escolhi ficar, Daryl, eu conhecia os riscos e mesmo assim eu não pulei aquele muro, o que foi muita estupidez, porque vocês claramente não precisam de mim. — Ela deu de ombros, tendo que descruzar os braços para conter os fios de cabelo que o vento soprava em seu rosto.

Parou por um tempo, encarando o chão por um momento, antes de voltar os olhos para mim e continuar:

— Foi horrível e traumático, foi como estar no inferno por cinco minutos, e como se cinco minutos fossem cem anos. Mas eu escolhi isso, cada pequena coisa. Eu escolhi ceder ao Negan mesmo sabendo que seria estupidez. Eu fui impulsiva, desespera e burra. Paciência... Mas se eu precisava passar por isso pra ter os meus filhos de volta, então que seja, eu vou aprender a lidar com toda a merda que ficou de sequela.

Senti que ela estava se fazendo de forte, mas não era exatamente isso que estava acontecendo por trás de toda aquela pose. Talvez eu tenha visto a rachadura ali, porque sabia exatamente como era se sentir violado, como era ter alguém invadindo seu espaço e tomando pra si coisas intimas demais.

Embora eu tivesse certeza que Natalie lidaria com tudo aquilo muito melhor que eu, ela não podia olhar nos meus olhos e dizer que estava bem, porque não estava. Eu sabia que era mentira.

— Então, se quer se culpar de algo, se culpe por coisas que realmente foram sua responsabilidade. — Prosseguiu, e soou um pouco dura até. — E isso não incluí nada relacionado com o Negan. Nada.

A ênfase que ela deu na última palavra deixou claro que aquilo não era apenas sobre ela, era sobre o Glenn também. Natalie sabia da história, claro que sabia.

— Você não estava lá, você não viu o que eu fiz... — Minha voz travou na garganta e eu senti que não conseguiria dizer aquilo em voz alta.

Eu tinha matado o Glenn e sabia disso.

— Eu não preciso, eu conheço o Negan, e eu ainda conheço você. — Ela deu um passo para mais perto e foi quase como se fossemos só eu e ela de novo. Quase como se ela fosse meu porto seguro outra vez. — Eu sei o que você fez e também sei que Negan escolhe suas vítimas a dedo, não aleatoriamente. Se ele matou alguém foi porque ele quis assim, o úni-duni-tê e todo o resto é encenação, ele fez em Sherwood, e sabe-se lá em quantos outros lugares. Esse é o jogo dele, colocar uns contra os outros, desestabilizar, causar dor. É assim que ele ganha.

A certeza com que ela disse cada palavra quase tirou todo o peso no meu coração. Eu queria acreditar em Natalie, queria mais que tudo. Mas a cena da morte do Glenn não era algo que eu conseguira esquecer nunca. Devia ter sido eu.

— Não deixe que ele use sua humanidade contra você, Daryl. — Natalie tocou meu braço. — Não dê ao Negan mais força do que ele já tem.

Eu estava plenamente consciente da mão dela em mim, me transmitindo um apoio que sempre foi muito característico da minha Bochechas. Era como se nossos corpos se reconhecessem, mesmo depois de anos.

Um simples toque e ela despertava tudo em mim. Minha mão chegou a formigar para tocar a pele dela, era uma necessidade irracional, quase como um vício.

Eu era como um alcoólatra, estava limpo há anos, mas a simples presença do álcool me fazia repensar tudo, duvidar de tudo, o vício parecia bom demais, mesmo que eu soubesse que me destruiria.

Natalie era o meu álcool, era ainda era boa demais, perfeita demais, e um simples toque me fez ter certeza que eu a queria mais que tudo, mesmo que eu ainda soubesse que seria a ruína dela.

— Você podia ter me contato. Sobre o Petter. E sobre a sua filha, também, claro. — Declarei, enquanto ainda estávamos perto, eu precisava que ela soubesse. — Podia ter confiado em mim no Santuário. Eu nunca faria nada pra machucar seus filhos. Eu nunca machucaria você.

Natalie me soltou imediatamente e deu um passo pra trás, havia algo selvagem e visceral em seus olhos que eu não soube distinguir o que era.

Eu tinha despertado algo nela, quase como um gatilho.

— Hey. — Foi minha vez de segurar o braço de Natalie, fazendo-a me encarar. — Você sabe disso, não sabe?

Ela se afastou dois passos, tirando o braço da minha mão. Havia um olhar claro de desapontamento em seu rosto.

— Eu já confiei em você uma vez, e você me machucou Daryl, eu não podia arriscar dessa vez. — Natalie disse cada uma daquelas palavras, como se estivessem guardadas no fundo da sua garganta por tempo demais.

Era sobre Dawsonville, e sobre como as coisas haviam terminado entre nós.

— Eu estava fazendo o que era melhor pra você, estava te protegendo... — Devolvi, dizendo algo que eu costumava dizer pra mim mesmo o tempo todo.

— Me protegendo de quem? — Natalie assumiu uma postura impaciente, quase agressiva.

Era impossível que ela não visse a verdade.

— De mim! — Rebati no mesmo tom.

A vi dar outro passo para trás e menear a cabeça rindo sem humor algum.

— Você não pode estar falando sério... — Fez um movimento displicente com a mão direita, aquela nota de decepção estava lá de novo, junto com um tom de exaustão que não era típico de Natalie.

— Qual é? Não finja que não sabe que estávamos fadados a porra nenhuma, nunca daria certo Natalie. — Joguei agressivo, cortando o espaço que ela tinha colocado entre a gente.

Era como se tudo que eu tinha guardado durante todo aquele tempo se agitasse sob a minha pele querendo a todo custo ser colocado pra fora.

Natalie me lançou um olhar com tanta amargura que eu quase não a reconheci. Ela estava brava. Eu estava bravo. E não fazia ideia de onde tudo aquilo estava vindo.

— Nunca vamos ter certeza disso, não é? Porque você ficou apavorado demais pra tentar! — Acusou, deixando implícito em cada palavra que eu não passava de um covarde.

Estávamos bem perto naquele momento, o rosto dela a centímetros do meu. E eu não sei bem como, mas uma fúria dolorida percorreu minhas veias.

— Se você realmente quisesse ficar, teria ficado, não teria dado no pé com a mamãe no dia seguinte. — Coloquei pra fora.

Aquela era a verdade que eu mantinha escondida até de mim mesmo. Eu sempre achei que Natalie ainda estaria lá quando eu voltasse da floresta, pensei que ela me esperaria... Como tinha feito todas as outras vezes.

Aconteceu rápido, mais rápido do que minha visão pôde captar. A mão direita de Natalie atingiu meu rosto, em um tapa certeiro.

— Você me fez prometer, e sabia o que isso significava pra mim. Foi você que decidiu isso Daryl, não eu. — Ela me empurrou pra trás, em um ataque de raiva, enquanto suas palavras saiam rápido demais, dolorosas demais. — Você pode ter esquecido as suas palavras, mas eu não, eu ainda me lembro de cada uma delas! Então não ouse me culpar, quando foi você que me mandou embora da sua vida, no momento em que eu mais precisava de você, como se eu fosse um cachorro de rua!

Outro empurrão. Havia lágrimas nos olhos dela e mágoa... Muita mágoa.

— Pare de se culpar pelas merdas que não tem nada a ver com você e assuma a responsabilidade por isso! — A coisa acontecia em um ritmo tão frenético que eu mal conseguia processar cada sentimento quando ele me atingia. Eram dez anos de ressentimento escorrendo pelas palavras de Natalie. — Foi você que destruiu a gente, Daryl. Não fui eu. Não foi a vida. Foi você! Porque você é um covarde que tem medo de ser amado!

— E você sabia disso. Sabia melhor que ninguém... — Retruquei em um rompante. — Então não me culpe por ser quem eu sempre fui e não suprir as suas expectativas imaginárias.

Natalie tinha suas mágoas, mas eu também tinha as minhas. A diferença é que eu sempre deixei claro que tipo de pessoa eu era. Eu nunca quis que ela entrasse, mas Natalie forçou, forçou e forçou, até que eu não podia fazer nada além de desejá-la na minha vida.

Eu a deixei entrar, e ela foi embora. Ela me deixou. E sim, eu pedi pra que ela fosse, mas eu já tinha pedido pra ela se afastar de mim outras vezes também.

E se fossemos falar de promessas, bom, então ela tinha quebrado a primeira que me fez. Ela disse que não desistiria de mim e desistiu. Simples assim. Ela se foi e seguiu em frente, com filhos e outros homens, enquanto eu mantinha qualquer um longe, enquanto eu não permiti que ninguém tocasse o meu corpo porque isso seria como deixar alguém profanar algo sagrado. Porque eu pertencia a Natalie e isso nunca mudaria, não pra mim.

Mas pelo visto não fazia diferença pra ela, afinal Natalie deixou que seu corpo fosse tocado por qualquer um, sem se importar que isso pudesse apagar minha lembrança.

Ela estava totalmente parada me encarando. Eu não conseguia decifrar o olhar dela, porque, na verdade, eu também não conseguia decifrar meus próprios sentimentos. Uma lágrima escorreu por seu rosto e eu senti falta da característica que tinha me levado a apelida-la de Bochechas.

O tempo não tinha parado pra esperar pela gente...

No fim fomos mesmo a ruína um do outro. Juntos ou separados, acabou não fazendo diferença.

Pelo menos Natalie construiu algo dos destroços...

— E não aja como se tivesse sido uma coisa horrível, certo? Acha mesmo que teria conseguido tudo isso comigo? O emprego dos sonhos, a família de comercial de margarina... — Joguei, passando a mão pelo rosto de andando de um lado para o outro.

Natalie riu. Riu de verdade, como se o que eu tivesse acabado de falar fosse alguma piada ou ironia.

— Você é tão burro que chega a dar pena, Daryl Dixon... — Ela limpou as lágrimas e suspirou, olhou fixamente pra mim por um tempo, como se tivesse algo muito importante pra dizer, mas negou algumas vezes, como se tivesse desistido. — Quer saber? Isso tudo é inútil, toda essa discussão é besteira. Acabou, ficou no passado, não importa mais.

A última frase me machucou, mas foi a postura dela e a primeira frase que reverberou pela minha mente, me fazendo reviver os últimos dias e todos os detalhes.

"Você é tão burro que chega a dar pena, Daryl Dixon..."

E então, foi como se aquelas simples palavras fossem a água que faltava para regar aquela minha ideia escondida no fundo do meu subconsciente, tudo veio à tona, trazendo uma avalanche de informações e passando na minha cabeça como uma sequência de provas criminais.

"Faz quantos anos que vocês não se veem, mesmo?" A pergunta de Rick retornou.

"Eu sou um menino de dez anos, não uma galinha."

"Eu tenho dez anos, 'tô sempre encrencado".

Algumas frases do filho de Natalie passaram pela minha mente em câmera lenta, e a ideia se espalhou pelo meu consciente, tomando conta de cada sentido meu.

Éramos apenas eu e o garoto, dentro de um dos cômodos do Reino com uma tigresa e um colar... Um colar de asas. O meu colar de asas.

Não... Não pode ser real. Deus, não... Dei um passo para trás, sentindo todo o meu sangue congelar nas veias.

Por uns dez segundos tive toda a certeza que estava tendo um infarto. Olhei para Natalie totalmente em pânico e ela parecia não entender minha expressão.

Ela tinha mesmo escondido algo como aquilo de mim por dez anos?

— Por que você ainda tem o colar? Eu vi, no pescoço do seu filho... — Questionei, não era exatamente o que eu queria perguntar, mas sabia que as palavras que eu buscava nunca sairiam da minha boca.

Natalie deu um passo para trás, assumindo uma postura defensiva e cruzando os braços contra o corpo. Ela me encarou por uns vinte segundos sem dizer absolutamente nada, porém tinha aquele mesmo olhar no rosto, o olhar que estava lá o dia todo. O elefante na sala. A coisa não dita entre nós.

E eu soube, eu simplesmente soube. Não precisava de uma resposta, não precisava que Natalie dissesse em voz alta... Porra, eu nem sabia se queria que ela dissesse aquilo em voz alta!

Mesmo assim eu tive certeza: Ele é meu...

Natalie parecia em uma batalha interna, então abaixou os olhos e negou, assumindo outra postura.

— E eu vi Dwight usando o colete, significa alguma coisa? — Deu de ombros mudando totalmente de assunto. — Significa alguma coisa você estar naquela pedreira quando o mundo acabou?

Ela estava sendo evasiva. Natalie Cooper nunca era evasiva. Só havia dois motivos pra isso: ou eu estava totalmente louco com aquela ideia, ou Natalie não queria me contar.

Eu não respondi, na verdade nem acho que conseguiria se quisesse. Eu sabia que não estava louco, eu sabia que era real, eu tinha certeza disso.

A palavra com "F" brilhou em letras de neon na minha mente e aquilo me transformou no que eu mais temia... Eu era o homem com o cinto, eu era o bêbado agressivo. Eu era o carrasco. Eu era o meu velho. Era todas as coisas horríveis que Glenn nunca teria sido para o filho, porque Glenn era bom, e eu era um Dixon...

Eu estava paralisado, aterrorizado. Mas então entendi tudo que tinha acontecido nos últimos dez anos...

Eu finalmente descobri porque Natalie tinha desistido de mim, porque ela nunca tinha voltado. Ela tinha um motivo pra isso. Ela desistiu de mim, porque eu nunca seria digno o bastante.

Era isso, claro como água, ela escondeu a criança de mim por dez anos porque não me queria ao lado dele. E eu não podia culpá-la por isso, eu mesmo não iria me querer como... como pai.

Era como se meu sobrenome carregasse uma maldição. E Natalie tinha todo o direito de não querer essa maldição na vida do filho dela.

Entendi porque ela disse que eu não era mais prioridade, era sobre os filhos dela, mas também era sobre manter aquelas crianças longe de tudo que eu era... E eu não podia culpá-la por isso. Eu faria exatamente a mesma coisa...

— Você está certa, não importa mais. Toda essa discussão é inútil. — Eu dei de ombros, dando um passo pra trás. — É melhor você pegar os seus filhos e partir antes que a guerra comece. Vai ser mais seguro assim.

Fiz a única coisa que eu podia naquele momento... Aquilo que eu tinha desejado que meu pai tivesse feito por mim e pela minha mãe quando erámos jovens. Eu os deixei ir, mandei que se afastassem de mim.

Isso era a melhor coisa que eu podia fazer por aquele menino...

Natalie negou algumas vezes, tinha certa raiva e decepção no olhar dela.

— E aí está você me mandando embora de novo. — Ela apontou com aquele cinismo agressivo que eu tinha conhecido nos últimos dias. —Parece que velhos hábitos nunca morrem, não é?

Deu alguns passos pra trás, o nariz erguido, mesmo que seus olhos estivessem repletos de lágrimas contidas.

— Acho que é culpa minha. Você estava certo desde o começo, Daryl Dixon. — Ela jogou as mãos para o alto enquanto ainda se afastava. — Nunca daria certo. Somos a ruína um do outro.

Natalie virou as costas, e eu a vi partir. E não foi como da primeira vez... foi bem pior.

Eu tinha um filho. Tinha um filho com a única mulher que eu amei na vida, e a melhor coisa que eu podia fazer pelos dois, era mantê-los bem longe de mim.

Notas finais
Falar o que pra esse homem hein, gente??? CARA, ATÉ QUANDO VOCÊ ENTENDE CERTO VOCÊ ENTENDE ERRADO! Não sério, é o Daryl neh gente, claro que ele não reagiria bem logo de cara, e claro que ele ia fazer uma cagada, ele ainda não superou os traumas e por isso continua reproduzindo comportamentos parecidos... Mas já é um começo ele descobrir tudo sozinho e dessa vez eu não vou separar todo mundo por dez anos uahsuahs, prometo. Natalie quer dar no pé, e no próximo a gente entende melhor o motivo disso e porque ela não disse nada para o Daryl. Teve uma DR violenta (que começou bem amorzinho até) e algumas coisas necessárias foram ditas, não todas... TÁ NA HORA DE ALGUÉM DAR UM JEITO NESSE OTP AÍ! Pode entrar Luka, vem fazer sua estreia narrativa no proximo e colocar ordem nessa porra toda! Sem data certa pra postagem, mas posto assim que possível! Bjss e até mais.