Life was a Shit
9 Estraga prazeres
Notas iniciais
Finalmente, depois de uma meia hora, o sinal bateu, fazendo todos irem para as suas salas. Mais uma vez, isso aconteceu, todos se revoltaram contra mim de novo. Enquanto aquele sinal era uma maldição pra maioria, pra mim era uma benção, por mais que eu não consiga me levantar. Algum tempo depois, uma inspetora passou e me ajudou a levantar. Ela me mandou ir pra classe, mas então eu disse pra ela que eu deveria voltar para casa. Ela deixou, mas me perguntou sobre meus ferimentos. Eu disse a ela que eu acabei entrando em uma briga, e ela acreditou, mesmo assim, ela continuou me olhando com cara de dúvida. Chegando em casa, eu recebi uma bronca da minha mãe dizendo que eu não deveria mais perder as aulas, mas eu simplesmente ignorei e fui para baixo. Eu fiquei um tempo deitada até que recebo uma mensagem:
(Celular on)
–Meg?
–Sim?
–É o Jack.
–Como você conseguiu meu número?
–Isso não importa agora. Você poderia me encontrar naquele lugar perto da praia, as 19:00?
–Aquele perto da lojinha de bombom?
–Sim. Pode ou não?
–Calma, eu vou ver. Mas pra que?
–Por algum motivo.
–Tá?
–Tá. Tchau.
–Tch...- Desligou antes de eu responder, que grosso. EU ADOREI. Quer dizer, não deve ser nada demais.
/=/
Algum tempo depois, as 18:00, eu comecei a me arrumar pra ir. Eu não vesti nada demais, só um moletom e um short. É, dava pra ver as minhas feridas, mas era a melhor roupa que eu tinha. Como não é muito longe da minha casa, eu fui a pé mesmo, por mais que aqueles remédios que eu tomei não tenham ajudado muito, incrivelmente, eu ainda conseguia andar. Eu acho que ele não ligar pras minhas feridas, ele não se importa. E isso não é drama, é verdade. Poucas pessoas realmente se importam com as outras, até mesmo eu e você. Provavelmente, uma vez, pelo menos uma, você viu uma notícia horrível na tv, e simplesmente mudou de canal, porque não queria se importar. Eu faço isso, eu tento não me importar, mas eu sou tão idiota que continuo criando afeto. Bom pra você, pode apenas mudar de canal quando vê algo triste, mas minha vida é uma tragédia também, e Deus ainda não me deu meu controle. As vezes, eu acho que ele simplesmente poderia me desligar.
Chegando lá, Jack está sentado olhando pro mar, a vista dali era linda. Por um momento eu pensei em voltar, e eu ia, mas do jeito que eu sou, acabei por fazer um barulho, então ele virou pra trás:
–Meg? Você demorou.
–Ehm...
–Ei, esses curativos, não tinham tantos...- Disse enquanto sua íris parecia dilatar — O que aconteceu com você? Você tá bem?- Disse enquanto corria até mim, logo depois me abraçando, me fazendo me assustar um pouco.
–Nada, só o normal pra alguém como eu na escola... Eu nem entendo pra que aqueles milhares de cartazes na escola, não fazem merda nenhuma, no final, é mais fácil escrever "Me bata" na minha testa, se bem que, eu já nasci com isso na testa, mas eu devo ser a única que não vê.
–Quem fez isso?
–Eu não quero falar demais de novo, aliás, já falei com esse diálogo desencorajador.
–Não, quanto mais você falar, está melhor -Disse me abraçando com mais força e sorrindo
–É-é b-bem eu... Bem, tá bom já, é melhor soltar.
–Tem alguém que você não quer que veja?
–Não, talvez você tenha
–Não tenho
–Sei.
–Faltou você falar baka gaguejando.
–Vai se ferrar.
–Tá bom, calma- Disse segurando o riso, provavelmente o riso era da minha cara mas não era como se ele estivesse zombando, era como uma... Brincadeira de amigos? A quanto tempo eu não ouço falar disso...- Ei, vem ver- Disse me puxando pra mais perto da ponta, eu quase cai, mas ele me segurou. Se eu tivesse caído, ia ter caido em umas pedras, a maior delas era quase lisa, então não ia doer tanto.
–Que bonito
–Sim, eu sou maravilhoso em escolher lugares né? Eu só acho que tem algo mais bonito...
–Tipo?
–...Você?
–Vai se ferrar.
–EI! Eu tento ser alguém fofo e você diz isso? Eu vou levar isso porque você não está acostumado com elogios de alguém tão supremo como eu...
–Com ofensas talvez?
–Ei para com isso- Disse tomando uma expressão séria — Eu já parei com isso.
–Não devemos nos lembrar, não é?
–Não.
–Nada divertido pra fazer?
–Isso aqui...- Disse me empurrando, eu acabei caindo na pedra lisa, e ela era meio próxima então quase não doeu, mas eu não podia perder a oportunidade de uma vingança.
–AI!
–MEG? O QUE FOI? — Disse saltando até a pedra que eu estava.
–E-Eu.. Eu..
–FALA!
–Peguei você!
–Vai se ferrar.- Eu gostava de ouvir aquilo, quer dizer, eu gostava de me divertir, a quanto tempo eu não sentia isso dentro de mim... Felicidade?
–Seria uma pena se ela caísse lá embaixo, não é?- Não... Agora não... Poderia me matar e me torturar depois que eu saísse daqui mas, no meu único momento de alegria... Stella, uma das amigas de Adrielly.
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