Life is Strange: Stop the Time
1 Storm
Notas iniciais
Life is Strange: Stop the Time
Capítulo um: Storm.
Ela está de costas no meio da tempestade. Eu tento me aproximar, mas ela some e me vejo sozinha novamente, perdida. Arregalo meus olhos e consigo enxergar seu cabelo azul balançando sobre o impulso do vento.
— Chloe! – Gritei, colocando minha mão sobre o rosto, para tentar me proteger da chuva. – Me espere! – Corri em sua direção chegando ao farol. Finalmente ela não estava mais fugindo ou sumindo. A Chloe estava ali, bem na minha frente. Antes que eu pudesse gaguejar alguma palavra neste meu nervosismo, coloquei minha mão sobre seu ombro direito e ela se virou em um movimento brusco. Dei um passo para trás. Quando ela finalmente olhou para mim, eu senti como se meu coração tivesse parado por um segundo. Fiquei sem fôlego, em vê-la novamente. Ela me encarava, com um olhar de dor e sofrimento.
— Chloe... – Olhei para o chão e vi que ele estava repleto de sangue. E o sangue, vinha da Chloe.
— Isso é culpa sua Max! – Gritou. Tirou suas mãos de seu abdômen que tentavam impedir que o sangue saísse. E então, começou a sangrar sem parar. Ela não podia morrer na minha frente de novo.
— Não Chloe, eu sinto muito. – Meus olhos já estavam cheios de lagrimas. Eu a amava.
— Eu estou morta por sua causa! – Seus gritos tremeram o chão, com um impacto tão forte que me fez acordar.
Era só um pesadelo.
San Francisco, Califórnia • 09 de Março, 2017.
— Max? Você está bem? – Perguntou Sindy. – Você estava suando e tremendo, fiquei preocupada.
— Foi só um sonho ruim. – Respondi, tentando me concentrar no que realmente era real. – A semana tem sido um pouco cansativa.
— Concordo, mas com essa tempestade, acho que não irão muitas pessoas na galeria hoje. – Disse ela, escovando o seu cabelo cor de rosa. Sindy tem sido uma ótima pessoa para mim nos últimos anos. Ela foi meu apoio, apesar dela não saber da existência da Chloe e nem dos meus antigos poderes.
— Tempestade? Ontem estava um sol radiante e hoje o tempo está totalmente diferente. Como isso é possível? – Tirei o cobertor que estava sobre mim e andei até a janela. Afastei a cortina e vi o céu cinzento de San Francisco. A chuva estava muito forte, acompanhada de raios e trovões. – Isso é tão estranho...
— Já faz quase quatro anos que você mora aqui e ainda não se acostumou com o tempo maluco de San Francisco? – Nossa quase quatro anos. Quem diria que algum dia eu sairia do Oregon. E foi tão repentino. Eu e Sindy dividimos este apartamento desde que vim para a Califórnia. Nós nos conhecemos na galeria de artes fotográficas, que é onde trabalhamos.
— Hoje tem algo diferente. – Franzi a testa e continuei olhando o clima.
Por mais que a Sindy diga que isso é normal, há algo de diferente hoje. Tudo já começou estranho com esse meu sonho com a Chloe, que por sinal era muito real para mim. Sempre que eu acho que segui em frente, aparece algum fantasma do passado para me atormentar.
— Você devia trocar logo esse pijaminha de panda. – Sorriu. – Precisamos de um guarda-chuva hoje Max.
— Acho que um simples guarda-chuva não irá segurar essa tempestade. –Respondi, preciso encontrar algo para vestir hoje. Mexi em algumas camisetas que estavam penduradas nos cabides, mas preferi à boa e velha camiseta xadrez azul e uma calça Jeans. Peguei meu traje e fui até o banheiro me trocar. Se eu pudesse iria trabalhar com esse pijama de panda. Quando tirei a minha blusa e comecei a colocar outra roupa, fiquei parada por alguns segundos diante do espelho.
Quase quatro anos... Que deixei tudo para trás. Depois da morte da Chloe, não consegui mais viver em Arcadia Bay, era a cidade que eu havia salvado no lugar dela. Em alguns momentos eu penso em como teria sido a minha vida, se a Chloe estivesse aqui comigo. Tenho certeza que ela adoraria morar aqui e estar nas minhas fotografias.
Eu não tenho muito para falar de como tem sido a minha vida nos últimos três anos e meio. Apenas me tornei uma fotografa consideravelmente famosa por aqui e trabalho em uma galeria de artes. Aquela que eu vim há muitos anos na semana que tudo aquilo aconteceu. E por mais que eu tente recomeçar, nunca vou esquecer a Chloe. Ela trouxe um amor novo pra minha vida, algo intenso, surreal, algo além do tempo.
— Pronta Caufield? – Perguntou Sindy. – Precisamos enfrentar uma tempestade hoje!
— Sim, Sin. Apenas vou checar o meu e-mail, ok?
— Ok, enquanto isso vou passar algum batom. – Disse. Sindy, sempre muito vaidosa. Ela também é fotografa. Seu estilo de fotografia é diferente, ela só tira fotos de coisas mortas. E isso é contraditório, pois ela é uma pessoa muito viva, animada digamos assim.
Meu celular estava encima da pia do banheiro, se por um acidente ele tivesse se molhado, eu já não teria mais um telefone. Abri o meu e-mail e notei que tinha algo de diferente. Sem pestanejar, abri a mensagem.
“ Prezada Maxine Caulfield, nós da Blackwell Academy juntamente com os moradores de Arcadia Bay, vamos realizar uma homenagem no dia 11 de Março, para a falecida aluna, Chloe Price. Gostaríamos da sua presença, nesta homenagem.
Agradecimentos de Blackwell Academy e Arcadia Bay”.
No momento em que li a mensagem, minha pele empalideceu. Dia 11 de março, a Chloe completaria 23 anos.
— Max? Eu estou te chamando faz uns 5 minutos. – Sindy entrou no banheiro. – Você está bem?
— Acho melhor nós irmos trabalhar. – Tentei disfarçar, mas minhas mãos estavam tremulas. Fui em direção à porta e desci as longas escadas. Vi tudo como se estivesse em câmera lenta.
— Espere Max, eu estou com o seu guarda chuva! MAX!
Saí pela portaria e fui em direção à tempestade. Eu sei que é louco, mas eu precisava sentir algo.
— O que você está fazendo? – Disse Sin, sem entender tal comportamento.
— Eu só quero me concentrar no que é real! – Exclamei, quase chorando. A verdade é que eu não esperava aquele e-mail. Nunca achei que aquela cidade tentaria entrar na minha vida de novo.
— O que está acontecendo com você hoje? Está molhando toda a sua roupa. Venha, vamos trabalhar. – Sindy se aproximou e cobriu nós duas com o guarda-chuva. – Precisamos chegar rápido, a tempestade está terrível.
— Tem algumas coisas sobre o meu passado que eu não te contei Sin. Mas acho que não posso contar. – Chega um momento, que você precisa desabafar com alguém. Eu queria contar, sobre essa dor que carrego há quase quatro anos.
— Max, você é a minha melhor amiga, pode me falar. Sempre fui sincera com você, até aquele dia que seu cabelo estava horrível eu te falei.
— Há quase quatro anos, eu estava no meio de uma aula na Blackwell, e... – De repende um raio caiu sobre aquela rua, clareando todo o céu. Este refletiu sobre os meus olhos. Era como se fosse um aviso de que eu não poderia contar sobre o meu passado.
— Que raio foi esse? – Se desesperou. – Nunca vi algo assim antes. Venha, vamos correr até a galeria no final da rua.
Você já se sentiu sozinho mesmo estando rodeado de pessoas? Eu me sinto assim na maioria do tempo. Sempre que tento me abrir com alguém, algo acontece e destrói tudo.
Coloquei as minhas mãos sobre o meu cabelo molhado pela chuva e tentei me enxugar um pouco. Meu cabelo é um pouco maior agora, chega à altura dos seios. Talvez eu seja uma Max mais feminina agora, ou não.
— Finalmente chegamos! O que iria me contar? – Perguntou Sindy, fechando o guarda-chuva.
— Nada. Era só uma piada boba. – Andei até a entrada da galeria e tentei me enxugar um pouco.
— Minha bota está totalmente molhada! Posso montar um aquário completo aqui dentro.
Nunca vi uma tempestade como essa, aqui em San Francisco. Isso me lembra do tornado.
Por sorte, hoje a galeria não estava muito movimentada. Isso me permitiu pensar um pouco no e-mail que eu havia recebido. Não sei se estou preparada para voltar ao Oregon.
Quando a Chloe se foi, eu esperei apenas até o enterro dela. Peguei as minhas coisas na Blackwell e fui embora. Eu não conseguia viver num lugar, que custou a vida de quem eu amava. Até recebi mensagens, de algumas pessoas de lá, mas hoje em dia não temos mais contato.
— Max? Oi, seria muito abuso se eu te pedisse para limpar algumas fotos expostas no lado leste da galeria? – Perguntou George, também meu colega de trabalho. Sempre muito elegante, usando seu terno e uma barba muito bem feita.
— Eu limpo. – Arregacei as mangas e peguei algo para tirar o pó das fotos. Andando pelo local, me deparei com aquela primeira foto minha que fez sucesso. Eu em meu quarto, diante de tantas fotografias.
Eu me lembro, quando não quis entregar essa foto para o Mrs. Jefferson. Jamais imaginaria que ela estaria aqui hoje e que pessoas pagariam para vê-la. Durante muito tempo eu fui insegura em relação as minhas fotos, mas agora me libertei disso.
Ao olhar fixamente para a foto, senti um clarão vindo sobre meus olhos. Uma tontura, seguida de uma sensação estranha que arrepiou toda a minha nuca.
Minha cabeça começou a doer, quanto mais focava a imagem da fotografia diante de mim. E com um impacto, eu caí para trás.
Quando me vi, já estava no chão. Um pouco tonta. Sindy e George estavam ao meu lado, chamando-me varias vezes.
— MAX? – Disse Sindy, apertando a minha mão. Quando retomei a consciência, senti algo escorrendo sobre o meu rosto. Era o meu nariz que estava sangrando. Vi minhas mãos cheias de sangue e aquele pesadelo com a Chloe vinha à tona.
— Eu não estou bem. – Respondi e quando olhei para trás, vi uma borboleta azul vindo até mim. Posou no meu ombro e ao olhar essa cena, percebi que algo de errado estava acontecendo. A tempestade, o pesadelo, tem que haver alguma ligação. Talvez eu esteja ficando louca, mas acho que está na hora de voltar para Arcadia Bay.
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