Notas iniciais
Neste capítulo Max retorna à Arcadia Bay e tem uma grande surpresa quando vai até o banheiro da Blackwell Academy.

Life is Strange: Stop the Time.

Capítulo Dois: Come Back.

É impressionante, como uma simples ação muda tudo e desencadeia um monte de outras coisas. Talvez eu nunca devesse ter entrado naquele banheiro e ter impedido a morte da Chloe. Mas aconteceu e depois disso, eu apenas vivi tentando salvar a vida dela, para no final eu sacrifica-la. O tempo brinca com as pessoas.

E agora, por mais que eu tenha fugido, estou novamente aqui.

Bem-vinda à Arcadia Bay, Maxine Caulfield.

San Francisco, Califórnia • Uma noite atrás.

— Max, fala comigo. Você chegou aqui e começou a arrumar suas coisas, sem me falar o porquê de estar indo embora. – Sindy tem o direito de saber o que está acontecendo. Foi ela quem esteve do meu lado todos esses anos.

— Quando eu vim morar aqui, não foi pela chance de fazer sucesso. Eu estava fugindo.

— Fugindo de que Max? Você sempre pareceu não ter medo de nada. – Disse Sindy. Sentando ao meu lado sobre a cama.

— Fugindo do meu passado. Eu tinha uma amiga, uma melhor amiga. E eu me apaixonei por ela, mas um dia, um garoto estava com uma arma e a matou. Depois disso, não podia mais continuar naquele lugar. Era errado. – Respirei fundo. – E agora chegou um e-mail, que vão fazer uma homenagem para ela. E eu acho que é meu dever ir.

— Eu concordo você tem que ir. Mas e o seu trabalho na galeria? O George ia marcar uma exposição, com as suas fotos.

— Volto em Cinco dias, amanhã se a tempestade tiver passado, vou pegar um avião.

— Vou sentir saudades. – Disse Sindy, abraçando-me bem forte.

— Sinto que isso é algo que preciso fazer, é uma intuição.

Arcadia Bay, Oregon • 10 de Março, 2017.

Diante da Blackwell, fiquei algum tempo parada antes de resolver entrar. Eu estava com algum tipo de bloqueio, ou medo. Ao longe notei algumas pessoas enfeitando o local, com velas e flores. Tudo isso é para a Chloe, mas ela merece isso e muito mais. Respirei fundo e resolvi me aproximar. Definitivamente aqui não mudou nada, é como se o tempo não tivesse passado. Os novos alunos parecem ser mais unidos do que antes.

— Maxine? – Perguntou uma das alunas que estava arrumando as velas. – Eu sou uma grande fã sua! – Sorriu. – Pessoal, a Max Caulfield está aqui! – Gritou. Uma grande multidão veio ao meu redor me deixando zonza. Eles queriam autógrafos ou tirar uma foto. Nunca imaginei que esse tipo de situação algum dia aconteceria comigo.

— O que está acontecendo aqui? – Perguntou alguém, abrindo espaço no meio da multidão. – Max? – Era o David, ele parecia espantado ao me ver. – Circulando. – Ordenou aos alunos.

— Oi David. – Disse. – Como é bom ver você.

— Eu achei que você não viesse. A Chloe gostaria que você estivesse aqui. – Ressaltou. – Venha, vamos entrar.

David ficou mais agradável com o passar do tempo.

— Todos estão bem animados para homenagear a Chloe.

— Mas por que homenagea-la depois de todos esses anos? – Perguntei.

— Nós já tínhamos tentado homenagea-la, mas os Prescott’s nunca deixavam. Mas nesse ano, essa família perdeu totalmente o poder. Eles gastaram até o ultimo dólar, para tirar o Nathan da prisão. – Então quer dizer que o Nathan está livre. Apesar de tudo, ele foi feito de marionete pelo Mrs. Jefferson. – Nunca imaginei que a família Prescott ficaria pobre.

— Muita coisa aconteceu desde que você foi embora. A Joyce te enviou diversas mensagens, mas você nunca respondeu.

— Foi difícil para mim.

— Foi difícil para todos nós. – Realmente, David estava certo. – Você deveria almoçar no Two Whales, a Joyce adoraria ver você.

— Eu vou, mas antes preciso usar o banheiro e conversar com o Ray Wells para ver como será o cronograma de amanhã. – Disse. – Foi bom ver você David. – Segui a minha trajetória. Coloquei meus fones de ouvido, e entrei na Blackwell. Olhar todos aqueles armários foi uma completa nostalgia. Ao chegar à porta do banheiro, tive certo receio em entrar. Mas eu contei até três e entrei.

Foi aqui onde tudo começou... Se eu não tivesse entrado no banheiro naquele dia, talvez eu nem soubesse o que tinha acontecido com a Chloe depois que fui para Seattle.

Em passos lentos, fui até o lavatório e comecei a lavar o rosto. Quando tirei as mãos da frente dos meus olhos, estava tudo escuro.

— Que porra é essa? – O banheiro estava completamente escuro, havia apenas uma luz sobre mim.

— Max... – Sussurrou uma voz ao relento.

Abro desesperadamente a porta e me vejo novamente no farol, no dia do tornado.

— Não, isso não é real! Isso já aconteceu! – Olhei no reflexo de uma poça de água que estava no chão e percebi que minhas feições são de agora no presente e não de como eu era no passado. Isso quer dizer, que não estou vivendo uma lembrança. Isso é o presente. – Meu Deus, o tornado, ainda existe.

Deus! Isso é real?

No meio da tempestade, vejo seus cabelos azuis novamente. Meu coração acelerou naquele instante.

Eu não tinha mais os meus poderes, o que está acontecendo?

— Chloe? – Gritei. – Isso é real?

— Max? Socorro! – Gritou de volta, mas antes de qualquer outra pergunta que eu pudesse fazer, ela sumiu como o vento.

— Maxine? – Exclamou Ray.

— O que aconteceu? – Perguntei, colocando a mão sobre minha cabeça. Estou muito confusa.

— Você desmaiou no banheiro feminino. Algumas alunas encontraram você lá. – Disse, dando-me um copo com água. Eu estava tremendo tanto que derrubei o copo no chão, o fazendo quebrar. E novamente aquela mesma borboleta azul, voava sobre a sala de Ray.

Talvez eu esteja ficando louca, mas algo de errado está acontecendo novamente. Eu não sei explicar, porém todo aquele inferno está voltando. Será que ainda há chances de eu encontrar a Chloe?

— É normal estar um pouco nervosa. A Joyce comentou comigo, que você foi uma grande amiga da Chloe antes de ir para Seattle. – Se você soubesse dos momentos incríveis que passei com ela depois disso. Quando a reencontrei. Ainda me lembro da Chloe dançando em cima de sua cama, ela vivia tudo tão intensamente.

— Eu não estou muito bem. Mas... Como será a homenagem amanhã? – Perguntei.

— Pois bem, Joyce está batalhando há anos para tentar fazer algo que homenageasse sua filha. No entanto, a família Prescott nunca permitiu isso, eles jamais acreditavam que Nathan fosse culpado de algo. Esse ano, eles caíram em falência, por isso nós sedemos a Blackwell para uma homenagem. Começará às nove da noite e se estenderá até às onze. Nós acenderemos velas, faremos discursos, etc. – Nem consigo acreditar que a família Prescott perdeu a sua influência sobre a Blackwell Academy.

— Certo, estarei aqui. – Apoiei-me no sofá para levantar.

— Você está bem? Precisa de ajuda?

— Sim, estou. – A verdade é que já faz muito tempo que não estou bem. Nunca mais fui à mesma depois de tudo que aconteceu. E agora, parece que tudo está voltando. Preciso encontrar alguma fotografia, para comprovar se ainda consigo voltar no tempo. Mas isso é estranho, eu peguei diversas fotos ao decorrer dos anos e nada aconteceu. – Ray, vocês tem algum livro com a foto dos alunos no ano em que eu estudava aqui?

— Deve ter um álbum na biblioteca com algumas fotos.

— Obrigada. – Em paços largos, corri até a biblioteca, eu já não podia esperar mais. Será que estou ficando louca?

Cheguei até lá, vasculhei alguns livros empoeirados, até achar este álbum. Ele tinha capa verde e sua textura era muito boa. Folheei suas paginas, até chegar à foto que foi tirada da classe do Mrs. Jefferson quando comecei a estudar aqui. Franzi a minha testa e olhei fixamente para a fotografia, tentando focar o máximo possível. Até que começou a cair pingos de sangue sobre a foto, era meu nariz sangrando novamente. Mas nada fora isso aconteceu.

Juro que foi real. Eu vi a Chloe. Mas eu sempre acabo a perdendo. Até quando vai ser assim?

Notas finais
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