Notas iniciais
Neste capítulo, acontece a homenagem para Chloe, mas Max vê algo estranho no meio da multidão.

Life is Strange: Stop the Time.

Capítulo Três: Tribute.

Estou à noite toda acordada. Não consigo fechar os meus olhos um minuto sequer. Passo horas e horas pensando no que pode estar acontecendo. Procuro até no Google alguma resposta que seja valida.

Quando eu vou descobrir o que realmente há por trás destes poderes?

Arcadia Bay, Oregon • 11 de Março, 2017.

Que saudades eu estava sentindo dos ovos com Bacon do Two Whales Diner, nunca encontrei outro lugar com uma comida tão deliciosa. Sinto-me em paz quando estou aqui, é tudo muito tranquilo.

— É tão bom ver você Max. – Disse Joyce, pegando na minha mão. – Quando estou perto de você, é como se a Chloe estivesse aqui também. As aventuras de vocês duas quando eram crianças, isso tudo não tem preço.

— Eu também sinto como se a Chloe estivesse aqui. – Sinto mais do que qualquer um imagina. – Quem diria hoje ela completaria 23 anos.

— A Chloe seria uma mulher formada agora. Mas acho que seu jeito continuaria o mesmo. – Sorriu, embora seus olhos se enchessem de lagrimas. – Depois que você foi embora Max, a Chloe e eu não tivemos um relacionamento muito bom, mas eu a amava. Queria que você pudesse tê-la conhecido nessa fase “punk” – Pode acreditar Joyce, eu a conheci. – Hoje será perfeito.

— E o Nathan Prescott? – Perguntei.

— Ele é um criminoso, mas a família alegou que ele possui problemas psicológicos. Eu pedi uma indenização e hoje em dia eles não possuem mais dinheiro. Contaram-me que viram o Sean Prescott roubando comida de um restaurante. Por sorte que ele não tem coragem de colocar os pés aqui no Two Whales. – Quem diria que uma família tão poderosa, teria um fim assim.

— Senti saudades. – Disse. Posso ressaltar que a Joyce foi uma segunda mãe para mim.

— Eu também Max. – Respondeu. – Seu cabelo cresceu. – Eu nem acredito que depois de tanto tempo eu deixei o meu cabelo crescer um pouco.

— Devo usar algum traje especial nessa noite?

— Apenas seja você mesma.

— Obrigada pela comida Joyce, vejo você depois. – Eu estava um pouco nervosa em relação à homenagem. Diante dos outros, eu sou a garota que foi embora quando a Chloe mais precisou. Ninguém sabe da nossa história.

Hey Max! Estou morrendo de saudades. Não esqueça que sua exposição de fotos na galeria é daqui quatro dias.

Beijos, Sindy. — Sindy sempre muito atenciosa, ainda bem que resolvi checar as minhas mensagens. Eu tinha esquecido completamente da exposição.

O tempo está cinzento hoje, completamente diferente do que estava ontem. Ao sair do Two Whales, ouvi um som alto, como se fosse de um impacto. Um pobre pássaro havia se chocado contra a janela de uma casa.

Sinto muito pobre passarinho.

— Venha você também! – Exclamou um rapaz, que entregava panfletos. Peguei um para ver se era algo de interessante.

Prepare-se para a melhor festa do ano! O Vortex Club realizará uma festa privada no farol. Você não pode perder essa oportunidade. A única contribuição que estamos pedindo, é que leve uma bebida. Loser não entra.

Nossa, o Vortex Club ainda existe. Isso me faz lembrar o que aconteceu com a Kate. Por sinal acho que vou vê-la hoje. E por falar em Vortex, o que aconteceu com a Victoria?

— Ei moço, que dia é a festa? – Perguntei.

— Será amanhã e vai ser irado! Deveria ir. – Disse ele. Quem diria, eu sendo convidada para uma festa do Vortex Club.

— Eu vou, obrigada. – Vamos animar um pouco então. Hora de pegar o ônibus Max e voltar para o seu quarto de hotel. Pois é, não tenho um lugar fixo aqui em Arcadia.

Não há melhor lugar para refletir, do que ficar sentada num banco de ônibus, olhando as paisagens. Cada lugar me trás uma lembrança. Jamais imaginaria que eu estaria nessa cidade novamente. Apesar dos últimos acontecimentos, eu me sinto bem aqui. Na verdade, tem uma parte de mim, que nunca foi embora desse lugar. Sempre Arcadia estará comigo.

Por sorte o hotel é perto da Blackwell e isso me permitirá chegar pontualmente à homenagem.

— Lar doce lar. – Finalmente neste meu modesto quarto. Acho que irei embora na segunda-feira. Talvez eu vá à festa do Vortex Club para me distrair, se eu tiver preparada para reencontrar o farol.

Hora de encontrar uma roupa adequada para ir nesta noite. Terei que bagunçar a minha mala. Eu até poderia ir com um vestido, mas isso não é muito o meu forte.

Ao vasculhar as minhas coisas, encontrei uma calça Jeans e um moletom azul. Acho que irei assim, azul me lembra a Chloe.

Vendo às horas passarem e o nervosismo só aumentando. Quando olho no relógio já são 21 horas. Fui à frente do espelho, escovei meus médios cabelos castanhos e me olhei por alguns segundos.

Então vamos lá Max. Você está pronta.

Coloquei meus tênis e fui até o elevador. A Blackwell é logo no final da rua, mas ao longe já dava para ver. O local iluminado e repleto de pessoas.

Quando me juntei à multidão, era Ray Wells que estava ao microfone, fazendo um discurso.

— [...] Hoje a aluna Chloe Price completaria 23 anos e para homenagea-la, peço que cada um pegue uma vela que está sendo distribuída e a acenda. Às 22 horas, teremos os fogos de artifício. Peço que escutem o discurso de cada um com todo o respeito. – Exclamou Ray. Ele continuou falando por alguns minutos. Ascendi a minha vela e olhei em volta. A Chloe era querida por tantas pessoas, sinto orgulho dela.

— Max! – Disse em voz alta. – Eu não acredito que é você mesma!

— Warren? – Abracei-o. – Meu Deus quanto tempo! – Como senti falta da sua amizade Warren.

— Quase quatro anos! Mas não sou de guardar ressentimentos, muito menos de você. – Ele realmente não mudou nada. A mesma camiseta de jogos nerds, porém o cabelo está mais arrumado.

— O que tem feito todos estes anos?

— Eu fiz um jogo. Ganhei muito e quando lancei o segundo foi um completo fracasso. Mas pelo menos agora eu tenho um carro bacana.

— É tão bom ver você... Eu queria ter mantido contato... – Tentei me explicar.

— Sem problemas, eu entendo. – Disse. – Você era amiga de infância da falecida, deve ter ficado abalada.

— Foi exatamente assim. – Respondi. – Mas o que aconteceu com os outros? Alyssa, Kate, Victoria, Brooke?

— Brooke não mora mais aqui, não sei o que aconteceu com ela. – Que surpresa, sempre achei que no final ela e o Warren ficariam juntos. – Alyssa emagreceu e também não mora mais em Arcadia. Kate se casou, terminou o ensino na Blackwell e é fotografa, porém não faz muito sucesso. Apesar de que ela nem precisa, seu marido é extremamente rico, aliás, ela está aqui hoje.

— Sério? – Eu adoraria reencontrar a Kate. Por sorte ela está viva e tendo a vida que sonhava.

— Victoria não prosseguiu com a carreira de fotografa, ela abandonou a Blackwell e se tornou estilista. Também deve estar aqui hoje.

Foi muito bom reencontrar o Warren nesta noite. E por sinal, minha vela fica a cada segundo com a chama mais forte.

— [...] Eu sinto muita falta da energia positiva que a Chloe trazia para a nossa casa. – Nunca vi a Joyce tão arrumada para uma ocasião. Mas é importante dizer adeus, talvez este seja o momento que ela encontrou para realmente se despedir. Suas mãos tremiam ao segurar o microfone. Praticamente a cidade inteira estava diante daquele palco. Eles prestavam homenagens e alguns, nem conheciam a Chloe. – E agora, eu vou chamar uma pessoa que conheceu a Chloe antes dela entrar naquela fase ruim. Venha receber o microfone, Max Caulfield.

Minhas pernas tremeram nesse instante. Eu não esperava que ela chamasse o meu nome, na verdade, eu nem sabia o que dizer. Antes que qualquer palavra fosse dita, já sentia a minha língua travando, fazendo-me provavelmente gaguejar.

Meu nome foi pronunciado pela segunda vez. Abriram um caminho no meio da multidão para eu passar. Todos me olhavam atentamente, e outros estavam surpresos de eu ter voltado.

Andando em passos lentos, cheguei até o pequeno palco montado à frente da Blackwell. Subi e recebi o microfone das mãos de Joyce. Olhei para frente e arregalei meus olhos. Observei o rosto de cada um que estava ali. Até que notei algo estranho entre as árvores do outro lado da rua. Forcei um pouco a minha visão e vi nitidamente o seu rosto. Era, a Chloe!

— Chloe... – Sussurrei no microfone e a multidão naquele momento olhou para trás. Mas ela sumiu, novamente. Isso não pode ser loucura, a Chloe ainda está conosco de alguma maneira.

E eu vou encontra-la.

Notas finais
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