Life at 16.
2 The arrival
Finalmente, estou em casa. Quero dizer, na casa. A viagem foi longa porque eu não preguei os olhos nem por um minuto, li '102 English things to do' que comprei antes de embarcar em uma hora. O livro fala um pouco sobre o dia a dia dos ingleses e é dividido em English attitudes; English crimes; English activities; English food and drink e outros. Comprei para guardar de lembrança e ler quando a saudade bater, já que serão quatro anos longe. Tenho sorte porque fui criada em uma família brasileira lá nos Estados Unidos, então sei ler, falar e escrever em português muito bem. Quando pousei, minhas pernas estavam dormentes mas mal prestei atenção nisso, fui direto pegar as malas e procurar um táxi que me levasse a minha nova casa. O clima daqui é mais quente e seco e eu já tive que tirar o moletom. Do aeroporto para a casa levaram longos 70 minutos. Não é a minha primeira vez no Brasil, mas não conheço o bastante para me achar sem um mapa no celular. Na metade do caminho, recebi uma mensagem da Maria Julia, a dona da casa onde vou ficar, dizendo que ela já estava esperando por mim. Sorri e fiquei ainda mais animada. Respondi dizendo que chegaria em meia hora.
Quando cheguei, ainda de dentro do carro, vi que era uma casa verde de três andares em uma rua sem saída, saindo pelo portão cinza escuro, vi uma mulher magra, de altura media e cabelo castanho na altura dos ombros. Ela sorria e acenava com entusiasmo. Abri a porta, saí e ela veio a meu encontro. Sorri e a abracei.
— Você certamente é a Maria Julia, não é?
— Só Julia, por favor. — Ela disse, me dando um abraço e um beijo no rosto.
— Vou me lembrar disso.
— Vamos pegar suas malas?
— Claro, só vou pagar o táxi.
Então, paguei o táxi, peguei as malas e entrei na casa. Tudo parecia muito estranho e incomum, a sala tem dois sofás grandes e marrons com algumas almofadas e uma tv, atrás, tem uma mesa de jantar e um armário com um ou dois retratos do casal.
— Esse é o Fernando, meu marido.
— Vocês estão lindos nessa foto. No relatório da sua família, dizia que eram duas mulheres e três homens na casa...
— Tenho dois filhos, Vitor e Vinicius. E a Marina. O Vitor está na casa de um amigo, o Vinicius na casa da namorada e a Marina está com o pai dela. Venha, vou te mostrar o resto da casa.
Ela me mostrou a cozinha, a piscina e a churrasqueira, e finalmente os quartos. O meu era no terceiro andar, um quarto realmente grande pois era o único cômodo do andar. Tinha uma cama de casal, um grande espelho, uma escrivaninha e um guarda roupa preto e uma prateleira de madeira vazia onde eu colocaria os livros. Julia me deixou sozinha no quarto para que eu arrumasse as minhas coisas e pediu que se caso eu precisasse de ajuda, chamasse ela.
A primeira coisa que fiz foi deitar na cama ainda sem lençol e respirar fundo. Fiquei ali por uns segundos, depois liguei a playlist mais animada do meu celular, deixei-o na cama e comecei a colocar as minhas roupas no guarda roupa. Ao ver a quantidade de roupa de calor que eu trouxe, tive a certeza que precisaria fazer compras. Precisaria comprar mais regatas, shorts e suéteres leves. Quando terminei, coloquei o celular no bolso da calça jeans escura que eu estava usando e arrumei a cama. Coloquei um lençol branco, travesseiros azuis escuros e um edredom branco. Tudo no quarto cheirava a limpeza, Julia com certeza havia limpado recentemente. Tirei as toalhas da mala e guardei no banheiro, como me orientaram. Voltei para o quarto, peguei outra bolsa e tirei os meus 17 livros favoritos que escolhi trazer e os posicionei na prateleira. — Ainda tem muito espaço para preencher. — Pensei alto, sorrindo.
Após guardar tudo, coloquei meu notbook na escrivaninha com o carregador e fui me olhar no espelho. Meu longo cabelo ruivo estava um pouco enrolado nas pontas, meus olhos escuros pareciam cansados, minha pele mais pálida que o normal. Peguei do guarda roupa uma calça jeans preta, uma camiseta azul lisa, roupas intimas e um all star preto de cano médio e escutei Julia me chamar, então coloquei as roupas na cama, desci, e um homem, provavelmente Fernando, veio me cumprimentar.
— Beatrice! Tudo bem?
— Tudo ótimo, e contigo?
— Estou bem. Já esta acomodada?
— Estou me habituando. — Eu disse, rindo.
— Tenho certeza que irá se acostumar em pouco tempo.
— Com certeza. Aquela lá fora é a Marina?
— Ela mesma. — Ele chamou e ela veio correndo com um sorriso lindo no rosto.
— Olá, Mari. Sou Beatrice.
Ela acenou e foi correndo para a cozinha. Conversei um pouco com o casal e fui tomar banho. Tinha costume de demorar quase uma hora no banho, mas agora não moro mais sozinha, preciso ter mais cuidado com horários. Quando terminei, desliguei o chuveiro, me sequei e percebi que tinha esquecido a roupa em cima da cama. Que ótimo... Teria que sair e subir as escadas correndo para o quarto. Enrolei uma toalha vermelha no corpo, respirei fundo e joguei o cabelo molhado para o lado direito do corpo, por cima do ombro. Abri a porta rapidamente e me deparei com um garoto na minha frente. Senti minha pele ficar vermelha e meu coração entrou num ritmo parecido com heavy metal.
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