Life at 16.
3 Just a bad first impression
"Surpresa. Essa palavra define a noite passada. Por um pequeno descuido, minha vida nessa casa será mais difícil. Ontem a noite, quando fui tomar banho, esqueci as malditas roupas na cama e saí só de toalha do banho. Um dos filhos da Julia estava passando pela porta no exato momento e me viu. Tem como acontecer algo pior que isso?"
Escrevi e dormi em cima do diário. Acordei com a luz do sol batendo na pequena janela do quarto. Olhei no celular, 07:20 am. Fiquei um tempo deitada, pensando o que faria e tentando imaginar minha vida daqui pra frente, mas o acontecimento de ontem não saía da minha cabeça. Ele me viu de toalha! Meu Deus! Levantei com calma e quando encostei meus pés no chão, senti o frio subir pelo corpo todo. Típico do Brasil, um dia quente, outro frio. Caminhei até o espelho e observei meu reflexo. Meus olhos estavam vermelhos, meu cabelo desarrumado. Respirei fundo, verifiquei se a porta estava devidamente trancada pois não queria pisar na bola novamente. Peguei a calça jeans preta do dia passado e um moletom cinza com detalhes em preto, guardei meu pijama, arrumei a cama, prendi o cabelo em um coque e puxei uns fiozinhos para deixá-los soltos e despojados. Destranquei a porta silenciosamente pois não sabia se eles acordavam cedo ou não. Desci a escada, passei pelos quartos da família e não vi nenhum movimento. Desci a outra escada e fui até a cozinha esquentar água para fazer um chá. Enquanto a água esquentava, coloquei uma musica baixinha para tocar. All About Us.
— Beatrice? — O garoto da noite passada disse, me dando um susto enorme.
— Ai que susto, meu Deus, te acordei? Desculpa, eu achei que estava baixinho.
— Não me acordou não, eu estava deitado no sofá pensando no que aconteceu ontem...
— Ah… Me desculpe, por favor, eu fui muito descuidada. Não era a minha intenção, nunca foi. Eu esqueci a roupa em cima da cama e...
— Tudo bem, de verdade, quem deveria pedir desculpas sou eu, fui muito desrespeitoso ao ficar... observando.
Eu olhei pra ele e não consegui segurar a risada, a situação foi ridícula. Ele também riu, e aquela risada me fez um bem enorme. Fiquei o observando sem perceber, ele era alto, cabelo bem cortado, pele clara, lábios desenhados e olhos incríveis, daqueles que te fazem querer nunca mais parar de olhar. Usava uma camiseta azul e uma bermuda.
— Que foi?— Ele disse, sorrindo.
— O que?
— Está me olhando…
— Ah, desculpa, eu sou meio desligada as vezes.
— As vezes?
— Qual é, você não me conhece.
— Bem, conheci bastante coisa ontem.
Olhei séria para ele.
— Brincadeira, olhe, sua água já ferveu, vai fazer chá?
— Qual é o seu nome?
— Vitor, desculpa, achei que já soubesse.
— Sim, vou fazer chá, você quer?
— Quero sim, de camomila, vou pegar pra você. — Ele foi até o armário, pegou dois sachês, deixou do meu lado e se encostou na mesa central. — Então, o que planeja pra hoje, hum, como posso te chamar?
— Bea, Tris, Trice, tem tantos apelidos que você pode escolher o que achar mais legal.
— Tudo bem, então, o que planeja pra hoje, Trice?
— Eu preciso comprar roupas adequadas para o clima daqui, uns livros pra passar o tempo já que ainda estamos de férias e só, eu espero, porque não conheço nada aqui. — Digo enquanto preparo os chás.
— Quer uma companhia, ou um guia pra te ajudar?
— Seria muito cavalheiro da sua parte, Vitor. Obrigada. — Respondo, desligando a musica.
— Bom, vou ver se tem algo decente passando na tv, ai tomamos os chás e saímos, pode ser?
— Pode, claro. Eu já levo os chás.
Sorrio, lembrando da idiotice que escrevi no diário, não será tão ruim viver aqui. Todos foram muito receptivos e o que aconteceu ontem foi apenas um acidente, um péssimo acidente.
Já no meu segundo dia, vou ao shopping com um dos garotos. Isso definitivamente não estava no script. Eu só espero que lá não ocorra nenhum tipo de acidente. Segura a onda ai, vida.
— Trice, cade o chá?
— Está chegando, senhor apressadinho. — Rio, pego as duas xícaras azuis, sinto a parte da minha mão que encosta na xícara arder um pouco pois o chá estava quente e caminho até o sofá.
— Sente, é sua casa também.
— Ainda não sinto que é, mas mesmo assim, obrigada. — Sento, e dou uma xícara pra ele. — O que temos para assistir?
— Harry Potter e a Pedra Filosofal. Gosta? — Ele toma um gole ou dois.
— Claro! Apenas babuínos bobocas não gostam. Seus pais não costumam acordar cedo? — Pergunto, olhando o vapor da água bater contra o seu rosto.
— Normalmente não.
— Entendi. — Respondo, tomando o chá.
— Trice?
— Oi?
— Fale sobre você.
— Eu? Hum... — Levanto e vou caminhando lentamente até a escada. — Eu estou terminando o meu chá e vou subir para soltar o cabelo para sairmos, e você?
— Eu vou esperar você aqui.
Subo rapidinho até o terceiro andar, arrumo o cabelo, pego a minha bolsa preta, me olho novamente no espelho e desço, levo a xícara até a pia e percebo que a dele esta ali também. Volto para a sala, olho para ele por alguns segundos enquanto está concentrado no filme.
— Vamos?
Ele olha pra mim e sorri.
— Vamos.
Fale com o autor