Notas iniciais
Ei pessoal! Demorei muito? Espero que não ;/ E eu nem sei se esse capítulo agradará a todas, não ficou do jeito que eu quis, mas, eu estou com pouca inspiração, então, espero que vocês não me xinguem u.u Desculpem-me qualquer erro de português ;/

Acordei com um barulho alto de um motor de carro, e então, ouvi a voz familiar de Bonnie falando com meu pai.

Olhei pela janela e sorri quando vi Bonnie falando alegremente com meu pai e Jules ao seu lado, com uma incrível cara de sono. Eu dei uma risadinha e seus olhos subiram e encontraram os meus. O sorriso alegre foi instantâneo, eu acenei, Jules fez uma careta apontando para Bonnie em sua frente, e logo depois uma cara de sofreguidão tomou seu rosto. Eu revirei meus olhos indignadamente e ela acenou, como se concordasse.

— Ei Bella! Se vista e desça aqui! – Charlie disse, e eu assenti, saindo da janela, me vestindo, escovando os meus dentes e dando uma atenção especial nos meus cabelos.

Desci as escadas e sorri quando vi Jules no final da escada em uma posição despreocupada, olhando ao redor.

— Bela casa. – Sorriu e eu assenti, dando de ombros. Suas mãos pegaram minha cintura em um abraço desajeitado e eu sorri, abraçando apertado seu pescoço. – E então, carona pra escola? – Perguntou.

— Uh, sobre isso. – Dei um sorriso amarelo. – Eu já tenho carona pra hoje. – Disse, saindo de casa e colocando a touca do meu casaco na cabeça.

— Uh? E quem vai te levar? – Jules deu um sorriso leve, e, com um timing perfeito, o som suave do volvo chegou aos meus ouvidos e eu olhei para atrás, onde Edythe sorriu de lado e me chamou com um movimento mínimo na cabeça.

— A Cullen? – Resmungou Jules e eu dei de ombros.

— Eu preciso ir, já estou atrasada, mande um beijo para Bonnie por mim. – Eu disse, dando um leve beijo em sua bochecha.

Mas, a mão de Jules segurou meu pulso antes que eu me virasse.

— Bella, tome cuidado. – Sussurrou Jules e eu assenti, franzindo o cenho. – Você sabe o que eles falam sobre os Cullens na reserva. – Jules não parecia com raiva, ela estava mesmo preocupada, e ela, nem ao menos uma vez, olhou para o volvo.

— Vou tomar. – Eu assenti, dando um sorriso tranquilizador para Jules, que parecia mais aliviada, então, ela somente sorriu alegre e deu um tchau com a mão.

Mal eu fechei a porta do volvo e Edythe já arrancava o carro.

— Bom- dia. – Eu falei, e Edythe somente sorriu sem os dentes.

— Bom- dia Bella. – Murmurou.

— Sobre ontem... –

— Esqueça isso por enquanto. – Resmungou Edythe, as mãos apertaram de leve o volante.

— Desculpe. – Eu murmurei, e logo depois, algo gelado tocou minha mão.

— Eu que deveria pedir desculpas. – Sussurrou, as mãos dela fazendo um carinho leve sobre as minhas.

— Posso saber.... – Eu franzi os lábios, em dúvida sobre perguntar ou não, vi os olhos dourados brilharem em minha direção eu suspirei. – Posso saber o porquê você está sempre tão fria? –

Edythe deu um sorriso de lado.

— Essa é a minha natureza Bella, o meu corpo todo está congelado, não tenho mais carne sob minha pele, muito menos sangue. – Murmurou, o rosto parecia pensativo, eu me remexi no estofado do carro.

— Eu quero saber mais sobre você. – Disse Edythe, dando um sorriso relaxado para mim.

— Uh, sobre mim? Eu não tenho nada de especial, mesmo.—

Ela franziu o cenho, como se discordasse.

— Bella.... – Me repreendeu e eu dei de ombros.

— Bom, pode perguntar. – Eu disse, um tanto insegura.

— Qual sua cor favorita? –

— Isso é sério? –

— O que foi? –Ela parecia genuinamente confusa.

— Nada. – Resmunguei. – Eu gosto bastante de azul. –

Um sorriso leve surgiu em seus lábios.

— Comida favorita? – Ela fez uma leve careta ao perguntar isso e eu dei uma pequena risada.

— Massas, em geral. –

Ela me fez perguntas o caminho inteiro, não me deixando perguntar mais nada sobre ela. As perguntas eram simples, como se ela quisesse realmente saber tudo sobre mim, e a cada monólogo meu, mais algumas perguntas eram feitas.

Mas, eu ainda me agradava o fato de que ela não conseguia ler meus pensamentos, seria muito constrangedor, muito mesmo.

Quando finalmente chegamos na escola, Edtyhe abriu a porta do volvo pra mim, e como de praxe, senti meu rosto esquentar pelo ato.

— Todos estão olhando. – Eu murmurei, olhando para o estacionamento. Vários pares de olhos olhavam para nós com dúvida, outros exclamavam sussurrando.

Edythe deu de ombros, entrelaçou nossas mãos e colocou um óculos escuros, dando um sorriso de lado pra mim.

— Eu vou pro inferno mesmo. – Deu um sorriso maior ao completar a frase, me puxando para mais perto dela.

Eu olhei para o lado e me dei de cara com olhos negros me olhando furiosos.

Engoli em seco.

— Ignore Royal. – Murmurou Edtyhe. – Ele ainda não aceitou que eu não vou me afastar de você. – Encarou Royal com uma face ameaçadora e vi o de cabelos loiros desviar os olhos e bufar.

— Eu não acho que sua família goste de mim. –

Vi um sorriso grande entortar seus lábios finos.

— Você não está preocupada pelo fato deles serem vampiros e sim que eles não gostem de você? – Levantou uma sobrancelha, olhando para mim com certo deboche, eu revirei os olhos.

— O fato deles.... Vocês serem vampiros, só piora o fato de que Royal não gosta de mim e que ele pode muito bem arrancar minha cabeça em alguns segundos. – Eu resmunguei e vi sua face ficar séria.

— Eu não permitiria. – Assentiu, me fazendo parar de andar. – Boa aula. – Murmurou, me dando um beijo carinhosos na testa, e se afastando rapidamente como ontem à noite.

— Boa aula. – Eu murmurei, dando um sorriso fraco, vendo ela balançar a cabeça e dar seu característico sorriso de covinhas e se virar, indo em direção aos seus irmãos.

Mal entrei dentro da escola duas mãos foram ao meus ombros.

Eu franzi o cenho ao ver que McKayla olhava para mim de uma forma preocupada, os olhos azuis brilhando preocupação e sua boca contorcida.

— Você viu Taylor? –

— Uh? – Eu pisquei, confusa. McKayla bufou e puxou minha mão, me obrigando a começar a andar pelos corredores cheios de adolescentes.

— Taylor sumiu, completamente, deixei várias mensagens no celular dela, mas, ela não me respondeu nenhuma. – Ela mordeu o dedo indicador e franziu as pálpebras em um gesto pensativo. – Eu sei que ela deve estar magoada. – Me olhou acusatoriamente e eu somente encolhi os ombros, um tanto culpada. – Mas, ela nunca sumiu assim. –

— Viagem de última hora? –

— Estamos no meio do ano Bella. – Revirou os olhos e eu fiz careta.

— Existem tantas possibilidades, ela pôde ter perdido a hora, pôde ter pego um resfriado. – Vi os ombros de McKayla, aos poucos enquanto eu falava, relaxarem. – Está tudo bem. – Eu murmurei, arrumando a alça da minha mochila, desconfortável ao ver que os olhos azuis estavam fixados em mim.

— Ótimo. – Deu um sorriso trêmulo. – Talvez eu esteja sendo muito paranoica. – Arrumou seus cabelos e depois suspirou. – Te vejo na aula? –

— Claro. – Eu dei um sorriso de lado, e vi ela dar um tchauzinho com a mão e sumir entre os corredores.

*****

— Então, como foi a noite com a Cullen? – A pergunta foi de Érica, que parecia jurar que tinha acontecido algo comigo e Edythe na noite anterior.

Eu somente dei um sorriso de lado e mordi uma maçã, o meu ato parecia ter deixado ela mais ansiosa para a minha resposta.

— Nada. – A minha resposta fez com que uma careta frustrada aparecesse em seu rosto.

— Isso não é novidade, não é? – Logan disse, se ajeitando na cadeira, enquanto seus olhos escuros me olhavam com deboche. – Edythe Cullen nunca ficaria com você, obviamente se trata de pena. –

— Logan. – McKayla deu um tapa em seu ombro e ele somente balançou a cabeça, descrente.

— Não McKayla, ele está certo. – Meus olhos foram para Edythe sentada na mesa junto com seus irmãos, ela agora olhava fixamente para mim, os olhos dourados me olhando com certa indagação. – Ela nunca ficaria com alguém como eu. – O cenho dela franziu e ela desviou os olhos de mim, como se estivesse irritada.

— Mas sabe, eu não me importo. – Logan mordiscou uma torrada. – Ela é estranha, inalcançável. – Ela pareceu pensativo por alguns momentos. – Eu gosto de garotas normais. –

Eu senti minhas mãos formarem punhos e o lancei um olhar irritado por seu julgamento. Edythe Cullen não era estranha, inalcançável talvez, mas, ela era somente perfeita demais para qualquer pessoa sentada naquela mesa.

Foi quando, finalmente, o sinal tocou. Vi Logan desviar seus olhos para o chão e pegar sua bandeja e sair dali em alguns passos, parecia irritado.

— Não liga Bella, ele é um babaca. – Èrica revirou os olhos e Allen, ao seu lado somente balançou a cabeça.

— Até depois Bella. – Foi Allen que disse, com as bochechas coradas, eu somente balancei a cabeça, assentindo.

Enquanto passava pela porta do refeitório, uma mão pequena e pálida e empurrou para mim, e meus olhos foram para uma Edythe com um sorriso de lado.

— Eu não entendo você. – Edythe assentiu, enquanto andava com passos curtos e rápidos pelo corredor, me obrigando a segui-la. – Você concorda com ele? –

— Uh, sobre o que? –

— Ela nunca ficaria com alguém como eu. – Edythe repetiu a minha fala no refeitório, novamente, me lançando um olhar irritado, e tive que ficar surpresa. – Ou, obviamente se trata de pena.

— Isso é um fato e uma explicação muito plausível. – Seu rosto se contorceu com a minha fala.

— Eu não tenho pena de você. – Ela rosnou, parando de andar e me empurrando para um canto do corredor, me fazendo bater na parede. – Você é absurda. – As mãos dela pararam perigosamente perto do meu rosto. — Você está sendo idiota de novo. –

— Por que você se importa? – Eu resmunguei, intimidada por aqueles olhos dourados que pareciam querer me perfurar.

Os olhos de Edythe avaliaram meu rosto, se mexendo em uma velocidade absurda, parecia se esforçar para não falar.

— Por que eu gosto de você Bella. – Os lábios dela encostaram delicadamente em minha testa. – E eu não gosto de ter meus gostos contrariados. – E sumiu com passos rápidos diante dos meus olhos, me deixando sozinha, entre todos aqueles adolescentes que nem pareciam ter notado no que tinha acontecido.

E eu também não, na verdade, a única coisa que ecoava na minha cabeça, é que Edythe Cullen tinha dito que gostava de mim.

*****

No final da aula, vi ao longe Edythe parada em seu volvo, parecia distraída, como se estivesse em outro mundo.

— Então, o que vai fazer hoje? – Perguntou Jeremy ao meu lado.

Eu mordi os lábios, dando um sorriso sem graça.

— Vou sair com Edythe. – Seus olhos foram a Edythe, que tinha agora um sorriso relaxado em seu rosto, os braços cruzados e os cabelos de cobre caindo adoravelmente em seu olho direito.

Jeremy piscou, um pouco hipnotizado pela cena – como eu – e então, somente deu um sorriso, desejou uma boa tarde e foi em direção a McKayla.

Fui em direção a Edythe, que a cada passo que eu dava, sorria cada vez mais, um sorriso divertido.

— Royal está irritado. –

Eu franzi o cenho e uma risada saiu de seus lábios.

— Hoje nós iríamos acampar, e parece que ele está infeliz pelo fato de eu faltar nesse dia. – Abriu a porta do volvo enquanto falava.

— Me desculpe. – Eu murmurei, ela somente deu de ombros enquanto abria a porta do carro e entrava.

Eu fiquei silenciosa enquanto Edythe manobrava o carro e ia na direção contraria a da minha casa.

— Odeio quando você faz isso. –

— Quando faço isso o que? –

— Fica em silêncio, o que você está pensando? –

— Nem tudo o que passa na minha cabeça é importante Edythe. –

— Isso não é verdade. –

— Não sei o que dizer. Se eu acho que você vai ficar entediada comigo? Acho. Sinceramente, não sei por que você ainda está aqui. Mas estava tentando não dizer isso em voz alta, porque não queria chamar atenção para uma coisa na qual você podia não ter pensado.

O sorriso se alargou.

— É muito verdade. Eu jamais teria percebido sozinha, mas, agora que você mencionou, acho que devo mesmo seguir em frente. Aquele Logan de repente parece atraentemente patético... — Ela parou de falar e o sorriso sumiu. — Bella, você sabe que estou brincando. –

Eu fiz uma careta e ela riu, balançando a cabeça.

— Onde estamos indo? –

— Para um lugar especial. –

— Especial? –

Seus olhos desviaram-se dos meus e sua mão pegou a minha e a acariciou, ela parecia pensativa.

— Eu fico por lá quando tenho as minhas crises existenciais. –

— Edythe Cullen tem crises existenciais? –

— Mais do que você poderia imaginar. – Parecia divertida e um tanto melancólica. – Te levar lá talvez convença a mim que, apesar de tudo, eu estou flertando com uma adolescente anos luz mais nova que eu. – Deu uma risadinha. –

— Então, você está flertando comigo? — Eu perguntei, e ela sorriu para mim, escondendo seu rosto com seus cabelos.

Os lábios de Edythe foram repuxados pelos seus dentes afiados e ela parecia um tanto pensativa.

— Me desculpe. – Os olhos dourados se fixaram-se na estrada. – Na minha época, isso nunca seria permitido. – Ela lançou um olhar suave pra mim. – Talvez eu nunca tenha passado por isso. – Sorriu constrangida.

— Nunca? – Murmurei, prestando mais atenção.

Ela somente sorriu de lado, misteriosa.

Quanto mais o carro avançava, mais a natureza a nossa volta mudava. As lojas e casas iam desaparecendo e, aos poucos, a estrada ia ficando cada vez mais precária.

E então o volvo parou e Edythe olhou divertida para mim.

— Daqui a diante, iremos andando. –

— Andando? – Um gemido de desgosto soou e ouvi uma risadinha da parte de Edythe, que em alguns poucos segundos, estava no outro lado do carro, abrindo a porta para mim. – Eu acho que eu nunca vou me acostumar com isso. –

Edythe deu de ombros, me ajudando a sair do carro – mesmo que talvez aquele ato tenha sido desnecessário – e sorriu para mim.

— Bom, poderemos fazer uma hora de caminhada, ou... – Ela se virou de costas para mim. – Você sobe nas minhas costas e estaremos lá em um minuto.

— Subir nas suas costas? – Eu disse, incrédula e Edythe revirou os olhos.

— Bella, seu peso não me influenciaria mesmo que você tivesse o dobro. – Riu da minha careta.

— Você tem certeza? – Eu perguntei, ela somente deu de ombros, pegou a minha mão, e com um movimento rápido, eu estava em suas costas, as minhas mãos ao redor de seu pescoço e suas mãos firmemente grudadas em minhas pernas.

— Pronta? – Ela perguntou, se agachando levemente, eu somente assenti, enfiando meu rosto em seu pescoço e fechando os olhos.

Eu senti quando seu corpo se impulsionou para cima, e com um solavanco e algo áspero soando, Edythe parou de se mexer.

— Bella, abra os olhos. –

E eu abri.

Eu olhei ao redor, estávamos em uma enorme árvore, já dentro da floresta. Era possível ver tudo dali de cima, e me vi encantada por tudo.

— É... Lindo. – Eu assenti e acariciei seus ombros. – Mas, um tanto alto. – A minha voz soou temerosa, já que Edythe só segurava com uma mão o tronco de uma árvore, e aquele galho fino que nós estávamos em cima, parecia que iria quebrar a qualquer minuto. Ela deu uma risada e virou o rosto para mim, os olhos dourados brilhando em uma diversão beirando inocência.

— Se segure-se! – E então caiu de costas.

Foi impossível não soltar um grito assustado. Agarrei-me mais ao seu corpo e escutei seu riso dentre o som dos seus passos rápidos demais para eu acompanhar.

Eu tentei olhar ao redor, e era muito diferente de tudo o que eu tinha visto. Era diferente de estar olhando para uma janela de um carro, era impossível distinguir alguma coisa, mas, as cores mudavam, como um arco- íris entrando em colapso. O vento batendo violentamente em seu rosto lhe dava um frescor gostoso, e o perfume de Edythe entrava em meus pulmões, me dando uma deliciosa sensação.

Era tudo muito mágico.

Com certa timidez eu dei um beijo em seu pescoço, como se a agradecesse por ela me proporcionar algo que eu nunca veria se ela não existisse.

Edythe parou de repente e me colocou no chão em um movimento suave.

Quando vi que tudo tinha mudado muito rapidamente, senti uma vertigem e quase cai se Edythe não tivesse me segurado.

— Feche os olhos da próxima vez. – Sussurrou ela, colocando uma das mãos em minha testa, me ajudando com o súbito mal estar.

— Me desculpe. –

Ouvi um bufo e Edythe revirou os olhos, sorrindo de lado.

Quando já estava melhor, senti as mãos dela me puxando para mais dentro da floresta.

Mas, para a minha surpresa, escondida entre todas aquelas árvores e plantas, estava uma clareira enorme, que continham flores de variadas cores.

— Isso é.... – Fiquei seu palavras, olhando para Edythe, que sorriu.

— Eu quero te mostrar uma coisa. – Seus olhos, novamente, passaram por toda a minha face, ela parecia insegura. – Sobre vampiros queimarem sobre a luz do sol.

— Você.... – Franzi o cenho e ela negou, com um sorriso brincando sobre seus lábios.

— Não queimamos sobre a luz do sol, mas, algo acontece quando ficamos expostos a ele. –

Ela soltou a minha mão e andou com passos lentos para dentro da clareira.

Vi, encantada e surpresa, sua pele começar a brilhar sobre o sol.

Senti minha boca abrir e fiquei completamente hipnotizada por alguns instantes. Ela parecia ficar mais encantadora do que normalmente, como se ela fosse um anjo.

Um anjo belo, sobrenaturalmente perfeito.

Tive vontade de me ajoelhar em sua frente, querendo venerar a beleza que agora ela me mostrava.

Ela era tão... Linda, tão estupidamente perfeita, que eu não conseguia expressar.

Andei até ela e toquei sua bochecha e ela abriu seus olhos dourados, que me olhavam temerosos, os lábios pálidos franziram-se em preocupação.

— Dói? – Perguntei e vi um sorriso aliviado aparecer em seu rosto.

— Não, só é um tanto desconfortável no começo. – Deu de ombros. – E você? –

— Eu...? –

— O que acha? –

Corei, e abaixei a cabeça.

— A coisa mais bonita que já vi. –

— Não me acha um monstro? – Ela se aproximou de mim, e sua boca se aproximou perigosamente de meu pescoço. – Eu poderia te matar agora Bella. – Sussurrou em meu ouvido e eu apertei seu casaco.

— Você não faria isso. –

— Nada me impediria. – A voz dela ficou rouca e seus olhos ficaram negros, como se me intimidasse. Mas, o que eu mais queria naquele momento, era beijar ela.

— Eu acredito em você. –

— Não fica incomodada pela minha falta de humanidade? –

— A humanidade é supervalorizada demais. –

Ela fechou os olhos, se afastando de mim, como se sentisse dor. Eu quis toca-la, saber o que estava de errado, mas, ela simplesmente negou com a cabeça.

— Só me dê... alguns minutos. –

Eu assenti, encolhendo meu braço.

— Você poderia me contar mais sobre... Uh, vocês? – Eu perguntei e ela levantou a cabeça, sorrindo mais relaxada pra mim, pegando na minha mão.

Eu a segui para o meio da clareira, e vi ela se sentar confortavelmente sobre as flores.

— Do que você quer saber, exatamente? –

— Por que brilham, primeiramente. – Ela fez uma careta.

— Nossa carne se transformara numa substância parecida com diamante. – Olhei para a sua mão, a acariciando com cuidado. – Somos altamente resistentes graças a isso. — Ela olhou para meu rosto. — Cada célula do nosso corpo se tornou uma faceta individual que se reflete na luz. –

— Quantos anos você tem? – Ela parecia um tanto pensativa, como se não quisesse responder a isso.

— 109 anos. –

Eu olhei surpresa para ela, que encolheu os ombros e sorriu sem graça pra mim.

— Uh, eu.... – Franzi o cenho, incomodada por alguns minutos. – Você é mais velha que meu pai.

Edythe gargalhou, balançando a cabeça.

— Você nunca mudou? Sempre foi assim? – Perguntei, um tanto impressionada.

— Em aparência, sim, e, principalmente, em personalidade. – Ela parecia pensativa. – Eu estou congelada desde 1918 Bella, quase todas as minhas opiniões, meus pensamentos sobre algo, ou meu meus sentimentos sobre alguma pessoa ou sobre qualquer outra coisa continuam os mesmos. – Ela se deitou e eu fiz o mesmo.

Seus olhos dourados fixaram-se pensativos no céu acima de nós.

— E só um sentimento muito intenso e significante pode mudar o que eu posso sentir sobre uma pessoa. – Ela desviou seus olhos do céu e sorriu para mim. – Nós, vampiros, temos os sentimentos dobrados do que um ser humano normal, poucos são os términos de relacionamento de qualquer tipo de situação ou pessoa, já que o sentimento, igual ao nosso corpo que um dia já foi congelado, é eternizado. – Ela entrelaçou nossas mãos. – Por isso eu fui incapaz de te matar naquele dia.

— Você já quis me matar? – Eu mordi meu lábio, me lembrando do meu primeiro dia de aula, como o seu rosto se transformou em puro ódio.

— No seu primeiro dia, o seu sangue cantou pra mim. – Sua face se contorceu de culpa e mágoa. – Mas, antes disso, você me despertou um sentimento que não existia mais em mim, curiosidade. – Ela deu um sorriso de lado. – Eu não conseguia ler seus pensamentos.

— Foi por isso que se afastou naquela mês? –

— Sim. – Assentiu. – Eu queria me controlar. – Desviou seus olhos dos meus. – E eu estava com vergonha por ter tido aqueles tipos de pensamento sobre você. – Ela suspirou. – Então, fui para o Alasca.

— Eu senti saudades de você. – Confessei e ela olhou um tanto surpresa para mim. – E irritada também. – Franzi o cenho e ela sorriu. – Na verdade, eu estava tão, confusa, preocupada com você, e então, depois, irritada por você ser tão.... Intimidante. – Acariciei sua mão. – E então, todas as vezes que eu entrava dentro daquela sala de biologia, eu esperava que você estivesse de volta.

— Se estamos confessando coisas hoje. – Sorriu divertida. – Todas as noites, eu vou até seu quarto.

— O.. Que? – Pisquei.

Ela sorriu mais ainda.

— Você é tão.... Encantadora dormindo. – Se aproximou de mim, a sua respiração batendo em meu rosto. – Você me prende Isabella Swan, e eu não sei se posso me afastar. – Fez uma careta torturada.

— Então não se afaste. –

— Eu não quero te machucar. –

— Você me machucaria se se afastasse. –

Ela me olhou fixamente por alguns segundos, e, para a minha surpresa, ela rosnou.

— Eu sou a sua predadora Bella. -

E em um movimento rápido demais para eu acompanhar, a vi do outro lado da clareira, dando um chute poderoso em uma árvore, que não só voou para longe, como arrastou outras junto com ela.

— Sou muito mais forte que você. – Seu corpo se moveu sobrenaturalmente rápido ao redor da clareira. – Você nem ao menos me veria te atacar.

E quando eu olhei para atrás, lá estava ela, perto demais de mim, a respiração seca, como um animal rosnando silenciosamente.

— Eu não tenho medo de você. – Ela parecia irritada com a minha fala, e então, me empurrou com sua velocidade sobrenatural para uma árvore, me encurralando. – Eu acredito em você Edythe. – Peguei a sua mão e vi seus olhos negros brilharem.

Ela parecia pensativa por alguns segundos e então, vi sua face, antes tensa, relaxar, sua mão se desprender da minha e logo depois, ela estava a alguns passos longe de mim.

— Me perdoe. – A sua face torturada me agoniava. – Eu... –Suspirou, olhando para mim. – Eu estou quebrando todas as regras estando com você. –

— Edythe.... – Fiz menção de falar, mas, ela somente me interrompeu com um acenar de cabeça.

— Eu não deveria ter tido esse comportamento tão rude, você deveria pensar que eu sou um monstro. – Negou com a cabeça, se aproximando novamente de mim. – Só que eu estou tão... confusa. – Abraçou a minha cintura. – Eu quero que você se afaste, mas, ao mesmo tempo, não quero que me deixe.

— Não vou deixar você. – Assenti, pegando seu rosto frio entre as minhas mãos.

— Não se mexa. – Ela sussurrou, se aproximando de mim.

Os lábios frios dela tocaram timidamente e delicadamente com os meus.

Eu suspirei, e abri a boca, sentindo o desejo corroer cada canto de mim. As minhas mãos foram aos seus cabelos macios e lá ficaram, acariciando-os. As suas mãos foram a minha cintura, as apertando, enquanto ela impulsionava-me fortemente sobre a árvore e avançava mais em meus lábios.

Eu exclamei, surpresa ao sentir as suas mãos subirem as minhas pernas e ela as acariciar enquanto a levantava sobre a altura de seu quadril. Ela nem ao menos parecia incomodada com o meu peso, o que eu agradecia.

Suspirei novamente, a apertando mais em meus braços, me deliciando com seus lábios doces.

Então, ela se afastou cedo demais, enquanto fechava os olhos fortemente e se afastava, me colocando delicadamente no chão.

— Bella. – Sussurrou o meu nome. – Eu não consigo mais me afastar de você.

— Nem eu. – Eu murmurei, corando fortemente, ela sorriu para mim.

Então ela riu, enquanto me pegava no colo e me girava em seus braços, eu sorri, enquanto via a felicidade no rosto de Edythe.

— Você não sabe... Não sabe como isso me faz feliz. – Sorriu trêmula.

— Eu sei. – Murmurei. – Por que isso me faz feliz também. – A abracei e senti sua respiração parar, mas, ela não parecia se incomodar com isso quando começou a falar:

— E então, o leão se apaixonou pelo cordeiro. – Ela sussurrou em meu ouvido, enquanto seus dedos finos passavam pelas minhas bochechas e iam para meu pescoço, em uma carícia.

— Que cordeiro burro. – Eu disse, e os seus lábios torceram para cima, em um sorriso desajeitado, as suas adoráveis covinhas aparecendo.

— Que leão doentio e masoquista. – Murmurou, encostando seus lábios nos meus mais uma vez.

*****

Quando sai do volvo de Edythe, mal dei alguns passos e logo depois, senti dois braços me abraçarem.

— J-jules? – Eu perguntei, sufocada por seu abraço.

— Você está bem? – Ela perguntou, e eu sorri de lado, tentando acalma-la.

— O que aconteceu? – Edythe perguntou, olhando fixamente para Jules, que somente desviou seus olhos dela e olhou para mim.

— Aconteceram alguns desaparecimentos de adolescentes nessa região, quando Charlie disse que você não tinha aparecido a tarde inteira, fiquei preocupada.

— Mas, eu avisei a Charlie que sairia. – Franzi o cenho, olhando para Edythe, que parecia pensativa.

— Sinto muito pelo incomodo. – Ela somente murmurou isso, ainda olhando daquele jeito estranho para Jules, que parecia um tanto irritada.

— Bom, já que está bem, eu vou embora. – Deu um beijo demorado em minha bochecha, e logo depois sorriu, aquele sorriso que eram impossível não me fazer sorrir junto. – Deixei alguns peixes cozidos na cozinha, presente da Bonnie. –

— Isso ajuda muito, obrigada. – Sorri de leve e ela assentiu, indo em direção a uma moto antiga perto da minha caminhonete.

Senti as mãos de Edythe em minha cintura, virando-me para ela.

— Você quer que eu volte essa noite? –

— Pra você me observar dormir? – Sorri de lado e ela riu pelo nariz.

— Sim, para observar você dormir. –

— Eu adoraria. – Suspirei, cansada e ela deu um beijo em minha testa e se virou, deu alguns passos em direção ao volvo, mas, parou.

Fiquei surpresa ao ver que ela se virara e grudara seus lábios no meu, me apertando junto com seu corpo enquanto sua língua pedia passagem aos meus lábios famintos.

Eu gemi internamente e ela mordeu o meu lábio inferior, passando pelo meu queixo e então, dando beijos úmidos em meu pescoço.

— Edythe. – Sussurrei, e ouvi um leve rosnado vindo por sua parte.

— Você me faz esquecer todos os anos de educação que meus pais me passaram. – Sorriu de lado.

— É errado estar gostando disso? –

Ela riu, negando com a cabeça, se afastando de mim.

— Vou voltar para casa e tomar um banho e voltar. – Ela franziu o cenho. – E é claro, explicara Archie e a Eleanor todos os detalhes do nosso encontro.

Eu neguei com a cabeça e afundei meu rosto em seu pescoço.

— Te vejo depois. – Sorriu, enquanto entrava no carro.

— Te vejo depois. – Sussurrei, enquanto via o volvo ligar e sumir por entre as estradas de Forks.

*****

Charlie parecia ter ficado muito preocupado comigo, e tinha dito que já não gostava de Edythe, já que ela parecia não saber das regras de horário.

Eu somente pedi para ele se acalmar, e que nada tinha acontecido, e que eu tomaria cuidado, ele parecia convencido e somente me desejou boa noite enquanto se encaminhava para o quarto.

Eu estava distraída, saindo do banheiro, quando pulei de susto ao ver Edythe deitada em minha cama.

— Te assustei? – Ela perguntou, a voz beirando a riso, eu somente resmunguei algo e me deitei na cama ao seu lado.

— Edythe. – Eu a chamei e vi seus olhos, agora dourados, virarem em minha direção. – Você disse que o meu sangue é mais... apelativo para você. — seus olhos desviaram-se dos meus por alguns segundos. — Então, como você consegue ficar perto de mim? -

Ela somente suspirou.

— Eu tenho um bom controle, mas, isso não é única coisa que me ajuda com você. – Me olhou fixamente. – Eu não seria como qualquer outro humano, a culpa iria me corroer por toda a minha eternidade Bella, culpa por ter matado alguém inocente, culpa por ter matado a única pessoa que me fez sentir algo novamente. – Ela se virou para mim, fazendo com que nossas faces estivessem viradas uma para a outra. – Qualquer pensamento de te machucar me machuca Bella.

Eu suspirei, me aproximando e me deitando em seu peito.

— Eu não quero que se afaste. – Eu pedi, e senti um beijo carinhoso em minha cabeça.

— Nem que eu tentasse, eu não conseguiria por muito tempo. –

E, com essa última frase, me vi adormecida sobre Edythe.

Notas finais
Cenas de beijo nunca foram o meu forte, mas, prometo melhorar com o tempo u.u Mereço comentários? ;/ Até o próximo o/