Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
5 Capítulo 5
Na manhã seguinte, eu estava morrendo de fome, e com passos rápidos eu cheguei aos tropeços na cozinha, onde Charlie ainda estava usando pijama e tinha uma cara de sono, tomando seu café e lendo seu jornal.
— Bom dia Bella. – Murmurou e eu somente resmunguei outro bom dia, abrindo a geladeira, pegando uma maçã e uma barra de chocolate.
— Charlie, Érica e McKayla me convidaram para ir para Port Angeles hoje à tarde, elas precisam de vestidos para o baile. – Eu comecei, abrindo a barra de chocolate. – Eu posso ir?
— Sim, só tente não chegar muito tarde. – Ele respondeu, os olhos ainda fixados no jornal.
— Claro. – Murmurei, dando uma mordida no chocolate e começando a andar em direção as escadas.
Cheguei em meu quarto, liguei o computador e respondi alguns e-mails de Renée, que parecia bastante preocupada comigo, provavelmente não tinha esquecido do incidente no estacionamento. Falei sobre La Push, sobre como Jules era legal, como tudo estava tão normal que o tédio podia começar a subir minha cabeça. Abri outra mensagem, agora de Érica, confirmando nosso passeio hoje à tarde, e outra de Logan, me perguntando o número de Jules.
Respondi todos – menos a de Logan, por motivos óbvios, aliás, eu sei que Jules me mataria se eu fizesse qualquer coisa a respeito – e olhei pensativa para a tela do computador.
Com um suspiro, abri uma guia e comecei a digitar, já me sentindo idiota antes mesmo de terminar de escrever a palavra.
Vampiro.
Senti-me ainda mais idiota ao olhar para ela.
Os resultados foram difíceis de avaliar. A maioria era de entretenimento: filmes, programas de TV, RPG, bandas de heavy metal... Havia roupas e maquiagem gótica, fantasias de Halloween e programações de convenções.
Acabei encontrando um site promissor – Vampiros de A-Z – e esperei impacientemente que carregasse.
Eram mais informações clichês que o site mostrava, estacas de madeira, água benta, alho, caixões, luz do sol. Tudo o que qualquer pessoa saberia sobre vampiros.
Eu imaginei Edythe dormindo em um caixão, ou até queimando na luz do sol e me achei mais idiota ao imaginar isso, desligando o computador logo depois.
Eu, por mais curiosa que estava, não iria mais me “aprofundar” nessa tal história de vampiros e iria simplesmente aceitar que.... Edythe era absurdamente bela, misteriosa e incrivelmente sexy, que uma pessoa podia ser isso sendo inteligente, engraçada, ter bom gostos para música e ser educada de um modo até arcaico, que lhe dava um formato elegante.
Edyhe Cullen era tão perfeita, tão malditamente distante para o meu humor sempre tão mau- humorado, minha aparência tão comum, a minha inteligência tão igual a todos os adolescentes do mundo, a minha aparência tímida transformada em uma forma retorcida de uma educação tão impressionante como uma folha morta.
E isso me irritou, e ao mesmo tempo que me deixou chateada.
Abri a cortina, me impressionando com o sol que ardia minha face e me fazia sorrir, animada.
— Um lindo dia, não? – Disse Charlie atrás de mim, somente a cabeça aparecendo atrás da porta.
— Do jeito que eu gosto. – Assenti, respirando fundo.
— Eu vou indo, precisa de alguma ajuda com a caminhonete? –
— Não, está tudo bem. –
— Tudo bem então, deixei algum dinheiro para você em cima da geladeira. – Ele disse e eu assenti, dando um sorriso fraco.
Quando ele finalmente saiu eu pude me jogar na cama, fechando os olhos logo depois.
***
— E então Bella? Ficou bonito? – Perguntou McKayla, se olhando no espelho, mordendo os lábios. Estávamos a meia-hora em uma loja de roupas, e McKayla e Érica já tinham conseguido vestir mais de vinte vestidos cada, e nada parecia agradar realmente as duas.
— Muito bom, deveria ir com esse. – Eu murmurei, levantando a cabeça do livro que eu estava lendo. McKayla revirou os olhos e olhou para Érica em um provador aberto, lutando contra um sapato, tentando calça-lo
— Você falou isso de todos os vestidos Bella. – Revirou os olhos e escutei uma risada de Érica.
— É por que talvez você tenha ficado mesmo bonita em todos McKayla. – Disse Érica, com um sorriso se lado. – Esse azul ficou legal. — Murmurou e McKayla bufou.
— Combina com seus olhos. – Falei e vi que ela considerou meu elogio.
— Agora, os sapatos! – Ela sorriu, olhando para mim animada, e eu gemi internamente.
— Uh, vocês sabem se existe uma livraria por aqui? – Perguntei, e vi Mckayla dar de ombros e Érica fazer uma careta, pensativa.
— A algumas quadras sim, por que? –
— Quero dar uma olhada, vocês me esperem no cinema? –
Elas assentiram, e eu arrumei minha bolsa, a colocando sobre um ombro, coloquei a touca do meu casaco na minha cabeça e sai da loja, começando a andar sobre a calçada, meus olhos percorriam as variadas lojas, procurando alguma livraria.
Eu me dirigi ao sul, em direção a algumas lojas com vitrines de vidro que pareciam promissoras. Mas quando eu cheguei lá, elas eram só lojas de reparo e espaços vazios.
Ainda tinha muito tempo antes de precisar ir encontrar Érica e McKayla, e definitivamente estava precisando controlar o meu humor antes de me encontrar com elas. Eu passei a mão pelos meus cabelos e respirei fundo algumas vezes antes de virar a esquina.
Comecei a perceber, enquanto cruzava outra rua, que eu estava indo na direção errada. O pouco trânsito que eu estava vendo, estava se dirigindo a norte, e parecia que aqui, a maioria dos prédios eram depósitos. Eu decidi virar a leste e depois de algumas ruas eu virei e tentei a sorte de encontrar algum mapa da cidade.
Um grupo de quatro homens virou na esquina que eu ia entrar, vestidos casualmente demais pra estarem vindo do trabalho, mas eles também não tinham cara de ser turistas.
Enquanto eles se aproximavam de mim, percebi que não eram muito mais velhos do que eu. Estavam fazendo piadas uns com os outros em voz alta, rindo estridentemente e esmurrando os braços uns dos outros. Eu me mantive tão longe quanto a calçada me permitiu para dar espaço a eles, caminhando devagar, olhando sempre na direção da esquina.
— Ei, você! — Um deles chamou quando eles passaram.
Eles tinham que estar falando comigo já que não havia mais ninguém por perto. Eu olhei pra cima automaticamente. Dois deles haviam parado, os outros dois tinham desacelerado. O mais próximo, um homem pesado, com cabelos escuros, na casa dos vinte, parecia ter sido o homem que falou. Ele estava usando uma camisa de flanela em cima de uma camiseta suja, jeans curtos, e sandálias. Ele deu meio passo na minha direção.
— Olá. — Murmurei, meus joelhos começaram a tremer em resposta.
Então olhei na outra direção e comecei a andar para a esquina o mais rápido que eu conseguia. Podia ouvi-los rindo muito alto atrás de mim.
— Ei, espere! — Um deles me chamou, mas eu baixei minha cabeça e dei a volta na esquina com um suspiro de alívio.
Ainda podia ouvir eles me seguindo.
Olhei para atrás e me senti aliviada ao ver que eles estavam a mais de quarenta passos longe de mim.
Pareceu que se passaram horas antes que eu alcançasse a esquina. Mantive o passo firme, os homens atrás de mim ficando mais pra trás a cada passo. Talvez eles tenham se dado conta de que estavam me assustando e se arrependeram. Eu vi dois carros indo na direção norte na rua pra onde eu estava indo, eu respirei aliviada. Haveria mais pessoas por perto assim que eu saísse daquela rua deserta. Virei na esquina com um suspiro agradecido. Quase escorreguei quando tive que parar.
A rua estava alinhada dos dois lados com paredes vazias, sem portas ou janelas. Eu podia ver distantemente, duas ruas abaixo, ruas iluminadas, carros e mais pedestres, mas eles estavam muito longe.
Pausei por um segundo, mas pareceu um longo tempo. Eu me virei e tentei voltar pelo outro lado da rua. Tinha o leve pressentimento de que era uma tentativa inútil. Os passos atrás de mim estavam mais altos agora.
— Aí está você! — A voz estrondosa do homem grande, de cabelo escuro quebrou o silêncio intenso, me fazendo pular.
Na escuridão, parecia que ele estava olhando por cima de mim.
— É. — Uma voz respondeu alto atrás de mim, me fazendo pular de novo enquanto eu tentava correr pela rua. — Nós pegamos um pequeno desvio.
O homem sorriu relaxado e malicioso para mim, se aproximando vagarosamente.
— Fique longe de mim. – Eu murmurei, a voz tremendo.
— Não seja assim docinho. – Deu uma risada. Eu olhei para trás e vi outros se aproximando, eles estavam me cercando, e eu não sabia como fugir.
Eu senti minha cabeça doer e preparei um grito.
Talvez, se alguém me escutasse, eu conseguiria sair dali antes que eles fizessem algo comigo.
Senti as mãos frias do homem pegarem o meu rosto e ergue-lo para cima. Ele sorriu de lado, e logo depois, suas mãos pegaram meus cabelos. Eu abri a boca, na intenção de gritar, mas ele somente pressionou as mãos fortemente por cima dela, e fez um “sshh”. Eu sabia que eu deveria lutar, deveria fugir, mas, eu estava paralisada pelo medo, minhas pernas dormentes me impediam de fazer qualquer movimento de fuga.
Logo depois, foi possível ouvir um barulho desagradável de pneus. E então, um estrondo.
Eu olhei para atrás e vi um volvo vindo rapidamente em minha direção, e parar não muito longe dos homens, que deram alguns passos para trás.
Ao meu lado, vi o homem pegar uma arma do bolso.
E, como se não fosse o suficiente, Edythe saiu do volvo, os olhos dourados furiosos. Ela deu alguns passos em direção ao homem ao meu lado, que me pegou pelo braço e apontou a arma para minha cabeça.
Eu senti minha respiração falhar.
Eu estava com medo, muito medo.
— Solta ela. – Edythe sussurrou, e, incrivelmente, um rosnado animalesco saiu de sua garganta, em uma ameaça.
A arma em minha cabeça tremeu.
Edythe se aproximou novamente, mas, um homem ficou em sua frente, dando um soco em seu rosto, mas, incrivelmente, ela nem ao menos se mexeu e por alguns segundos, vi diversão passar pelos seus olhos.
— Chega de ter paciência. – Eu consegui ouvir e então ela empurrou o homem.
E ele voou para o outro lado da rua, batendo dolorosamente na parede do prédio.
Eu arregalei os olhos. Edythe soltou um rosnado furioso.
— Solta ela. – Pediu novamente, se aproximando lentamente.
— Mas que monstro você é? – Gritou o homem atrás de mim e Edythe sorriu maliciosa.
— Acredite, você não vai querer saber. – E lambeu os lábios, os olhos ficando negros sobrenaturalmente rápido.
Ela soltou outro rosnado e ele tremeu.
Vi três caras saírem correndo, ofegantes.
E então, por alguns segundos, tive um sentimento de alívio ao sentir suas mãos largarem meus braços, mas, então, escutei alguns disparos.
— Edythe! – Eu gritei e vi seu corpo convulsionar pelas duas balas que o cara atirou.
Não, não, não.
Por favor, não, que isso seja somente um sonho.
O homem olhou para mim com olhos brilhando medo, e se afastou. Mas, eu não conseguia tirar meus olhos de Edythe, que estava no chão.
Eu sentia as lágrimas querendo sair dos meus olhos e minha garganta fechar. Dei alguns passos em direção a Edtyhe, esperando o sangue escorrer pelo asfalto, mas, por alguns segundos, nada aconteceu.
E então, ela simplesmente se levantou.
— Eu odeio armas de fogo. – Resmungou, seus olhos pararam nos meus surpresos.
Olhei para o lado e vi o homem ainda apontando a arma para ela. Ele tremia, muito.
— Me- me deixe em paz. – Gaguejou, e vi um sorriso malicioso cruzar seus lábios e logo depois, ela era só um vulto, e em um piscar de olhos, ela estava em sua frente, tirando a arma de sua mão e o empurrando para a parede, rosnando furiosamente.
— Edythe, não. – Eu sussurrei. – Edythe! – Eu falei mais alto e vi seus olhos negros fixarem-se em meu rosto e logo depois vi ela franzir o cenho e jogar o cara no chão.
— Entre no carro. – Fiquei confusa, olhando para ela meio paralisada. – Bella, agora! – Disse, e eu assenti.
Quando eu finalmente entrei dentro do volvo, ela já estava dentro dele, ligando o carro.
— Edythe, você está bem? – Eu perguntei, olhando para a sua roupa com furos de tiros, mas, incrivelmente, a sua pele estava lá, intacta.
— Você está bem? – Resmungou, fazendo uma manobra com o carro que me obrigou a botar o cinto.
— Sim, eu.... Eu estou bem. – Engoli em seco.
Ela ficou em silêncio, como se estivesse concentrada em alguma coisa.
— Me perdoe. – Ela disse, os olhos torturados. – Eu não queria te assustar. – Sussurrou, apertando as mãos no volante.
— O cara voou para o outro lado da rua, Edtyhe. – Murmurei e vi ela desviar seus olhos dos meus.
— Eu queria somente assusta-los, mas, os pensamentos deles.... Eram tão.... Nojentos. – Ela fez uma careta e rosnou baixinho. Eu desviei meus olhos.
— Você não tem como saber. – Eu murmurei e vi ela olhar para mim sem expressão, como se não quisesse discutir.
— Eu vou te levar para casa, te explicar, cuidar de você. – Murmurou. – E então, desaparecer. – Sussurrou muito baixo a última palavra, mas, eu ouvi.
Peguei em sua mão.
— Você não vai a lugar nenhum. – Eu murmurei, olhando para ela de uma forma pedinte e vi ela olhar confusa para mim.
— Você não está com medo? – Sussurrou.
— De você? – Eu perguntei, e vi ela desviar os olhos. – Não. – Neguei com a cabeça. – Eu só, só estou um pouco confusa. –
Eu vi que a sua expressão irritada não sumia de seu rosto, e ela parecia que ia amassar o volante do carro a qualquer momento.
— Edythe, o que foi? –
— Só me dê alguns minutos. — Murmurou
Eu assenti e ela respirou fundo por alguns minutos.
— Você precisa ir encontrar seus amigos ou algo do tipo? – Ela perguntou e eu assenti.
— McKayla e Érica estão me esperando no cinema, a algumas quadras daqui. – Eu murmurei, e vi a sua face se tornar concentrada. Ela assentiu de leve para mim e então, ela aumentou a velocidade, desviando com maestria dos outros carros.
Quando finalmente chegamos, eu vi McKayla e Érica entrando dentro do cinema, e eu tive que sair rapidamente do volvo.
— Èrica! McKayla! – Eu chamei, acenando e Érica sorriu ao me ver e veio em minha direção.
— Bella? Onde você estava? Você não iria a somente a uma livraria? – Ela perguntou e logo depois, seus olhos pararam em Edythe que somente deu um sorriso sem os dentes, parecia forçado, como se ela não tivesse paciência para ser educada naquele momento.
E eu conseguia entender.
— Pois é, eu não consegui achar nenhum e acabei me perdendo, Edythe me achou no meio do caminho. – Eu disse, e Érica levantou uma sobrancelha, um tanto desconfiada.
— Bom, então, você vai vir assistir ao filme com a gente? – Pergunta McKayla, ainda olhando para Edythe.
— Não, uh, eu vou ir pra casa, Edythe me leva. – Eu falei e Edythe somente colocou seu braço por cima dos meus ombros.
— Eu cuido da amiga de vocês. – Piscou, dando um sorriso de lado que me faria suspirar se eu não estivesse sendo encarada pelas duas adolescente.
Érica e McKayla se entreolharam e deram uma risadinha.
— Pode ir, e, boa noite para vocês duas. – McKayla pegou a mão de Érica e a arrastou para a entrada do cinema.
Edythe olhou para mim, um leve sorriso nos lábios.
— Vamos. –
***
— Você quer jantar? – Perguntou Edythe, mais casualmente, como se, a minutos atrás, eu não estivesse com uma arma na minha cabeça e ela jogando um cara a metros longe.
— Uh, talvez. – Eu sussurrei. – Você pode me deixar em uma lanchonete em Forks...
— Bella, a última coisa que eu quero agora é me afastar de você. – Murmurou, os olhos dourados me olhando intensamente. – Como eu tinha dito antes, foi comprovado que você é um imã para acidentes. – E então, a face irritada, novamente, estava lá. – Podiam sem tantas pessoas, você podia simplesmente ter ficado com a suas amigas, ou, ter entrado em uma rua diferente, justamente isso aconteceu com você! – Rosnou a última palavra.
Eu encolhi os ombros.
— Me desculpe. –
Ela somente suspirou.
— Eu vou pedir alguma coisa, quer ir junto? – Perguntou Edythe, parando o carro na frente de uma lanchonete.
Eu somente assenti e ela, com passos elegantes e rápidos, abriu a porta do volvo para mim, e, para a minha surpresa, suas mãos foram ao meu rosto.
— Você tem certeza que não se machucou? – Ela perguntou, olhando-me intensamente e eu somente assenti, sentindo minhas bochechas corarem.
Ela não parecia muito aliviada, e somente se virou e começou a caminhar para a lanchonete, comigo atrás.
— Um sanduíche de peito de peru completo, por favor. – Ela pediu, ainda olhando para a lista de pedidos que tinha na mesa. – Uma torta de amora, uma salada de frutas e um refrigerante. – Enquanto Edythe ia falando, o garçom anotava furiosamente, enquanto nos indicava alguma mesa.
— Mais alguma coisa? – Perguntou o garçom, que anotava tudo.
— Para levar. – Murmurou, sorrindo docemente para o homem, quem engoliu em seco.
— Claro, uh, vocês podem esperar em uma dessas mesas. – Disse, com um sorriso meio trêmulo.
Edythe soltou uma risadinha e vi o homem sorrir bobo.
Eu revirei os olhos e Edythe olhou divertida para mim.
— Isso não foi muito legal. – Eu disse e vi era franzir o cenho, sentando na minha frente.
— O que você quer dizer?
— Essa coisa que você faz, com as covinhas e a hipnose, sei lá. – Eu murmurei. – Como você sorri doce, e então olha para ele de uma forma inocente e depois ri.
Edythe sorriu grande.
— E você notou todo esse processo? – Disse levantando uma sobrancelha e eu corei, desviando o olhar. – Mas, me diga, isso funciona com você?
Você nem imagina....
— O que você acha? – Resmunguei e vi os seus olhos dourados brilharem.
— Na verdade, eu estou curiosa sobre isso. – Se aproximou de mim, batendo os cílios. – Funciona? – Ronronou.
— Sempre. – Eu murmurei.
Vi Edythe sorrir, realmente feliz. Um pouco boba até.
E logo depois, seu olhar ficou sério.
— Você se sente alguma coisa? –
— Uh, não, deveria? –
— Bella, você quase morreu hoje. – Ela disse, a expressão torturada. –
Eu somente suspirei, olhando para as mãos inquietas de Edythe.
— Você tem muito no que me explicar. – Eu a olhei acusatoriamente. –
Edythe fez uma careta.
— E o que mais você pode fazer do que correr muito rápido e jogar pessoas a metros de distância? –
Edythe deu um sorriso de lado pela minha fala e olhou ao redor.
— Posso ler mentes. – Disse, levantando uma sobrancelha, me desafiando a duvidar dela.
Eu sorri de lado e apertei meus olhos.
— Prove. –
Edythe olhou divertida para mim e olhou ao redor. Seus olhos pararam no garçom que nos atendera antes.
— Ele está pensando no quanto odeia o próprio trabalho. – Franze o cenho. – Agora está confuso, por que parece que ele embaralhou o nosso pedido com o da outra mesa. – Deu um sorriso. – E agora olhou para mim e está tomando coragem para me chamar pra sair. – Seus olhos desviaram-se dele e eu olhei para o lado, em uma mulher de cabelos vermelhos pintados com um cigarro na mão.
— Ela está aqui esperando o marido, querendo confessar que está grávida. – Franziu o cenho. – E que não quer o filho, mas, ela acha que ele não vem, e por isso está fumando, para se acalmar. –
Seus olhos passaram para um cara de cabelos pretos e barba mal feita.
— Ele está pensando coisas, um pouco rudes sobre nós duas. – Eu corei e ela sorriu para mim.
Foi quando caiu a ficha.
Se, tecnicamente, ela podia ler mentes...
Eu me afundei na cadeira e vi seu olhar confuso.
— Me diga que você não consegue ouvir minha cabeça. – Eu desviei meus olhos e logo depois ela deu de ombros.
— O curioso é isso, eu não consigo. – Ela disse, a expressão frustrada.
Eu me senti aliviada e olhei para ela, que estava, novamente, olhando para a mim, fixamente.
— Agora, me fale mais sobre você. – Eu disse, e ela sorriu de lado.
— Uh, o pedido. – Disse o garçom, e eu olhei para o lado. Ele nem parecia me notar, estava com dois sacos marrons com comida e olhava encantado para Edythe.
— Oh, obrigada. – Sorriu docemente e vi ele engolir em seco.
Edythe pagou a comida, e, quando estávamos quase saindo, alguém a chamou, e eu parei e vi o garçom arrumar a sua gravata borboleta e coçar a cabeça.
— Uh, você gostaria de sair comigo qualquer dia desses? – Edythe franziu o cenho e ele parecia cada vez mais nervoso. – Eu sei que nem nos conhecemos, mas, uh.... – Pigarro. –
— Não, tudo bem. – Sorriu de novo. – Mas, é que, eu e minha namorada temos que ir. – Deu um sorriso amarelo.
Eu arregalei os olhos e logo depois, Edythe entrelaçou nossas mãos.
— Vamos amor? – Me olhou de uma forma debochada e eu corei fortemente, assentindo.
O garçom parecia um pouco estático, e logo depois, se virou, e completamente constrangido, saiu da nossa frente rapidamente.
Eu não olhei para ela até o caminho do volvo, constrangida demais.
— Bella, tudo bem? – Perguntou ela de uma forma divertida.
Eu somente bufei.
Ela revirou os olhos.
— Era a única forma de afasta-lo. – Ela disse, ligando o carro e vi ela franzir o cenho depois de alguns minutos. – É tão repugnante assim a ideia de namorar comigo? – Ela falou isso com uma voz beirando a riso, mas, eu vi um brilho chateado passar seus olhos negros.
Se ela soubesse....
Quando finalmente chegamos a minha casa, ela saiu comigo do carro, e entramos dentro da minha casa.
— E então, onde é seu quarto? – Perguntou Edythe, olhando ao redor, seus olhos negros avaliando tudo.
Eu desembrulhei um sanduíche e cortei um pedaço da torta, colocando em um prato e enchi um copo de refrigerante.
— Você está com fome? – Perguntei, subindo as escadas, com ela logo atrás.
— Uma coisa que você precisa saber. – Ela disse, olhando com certa repulsa para o prato em minha mão. – Eu não como, nunca. –
Eu franzi o cenho e assenti, abrindo a porta do meu quarto.
Me sentei na cama e vi ela olhar ao redor, com curiosidade, e logo depois, sentar-se ao meu lado.
— Então...? – Perguntei, mordendo meu sanduíche.
Ela suspirou.
— Não á uma maneira de fazer você mudar de ideia disso tudo e eu tentar convencer você que isso tudo nunca aconteceu? – Ela resmungou, e eu franzi o cenho.
— Edythe. – Eu olhei para ela e vi ela revirar os olhos.
— Okay, okay, que parte você quer começar? –
— Você dorme em caixões? –
— Ah! Então você já descobriu que sou uma vampira. – Brincou, e eu revirei os olhos.
— Na verdade, era só uma suposição. – Eu fiz uma careta. – Estou surpresa que eu tenha acertado. –
— E se decepcionou? – Perguntou, ronronando. Eu engoli em seco e ela mordeu os lábios.
Se acalme Bella, ela só está fazendo aquilo de novo, se aproximando de você, mordendo os lábios e me lançando um daqueles olhares que me deixam....
FOCO!
— Me responda. – Ela revirou os olhos, novamente, e deitou-se na cama.
— Não, na verdade, eu não durmo, em circunstâncias nenhuma. –
— Uh.... Água benta, estacas... –
— Mentiras. –
— Sua família? Todos leem mentes como você? –
Ela fez uma careta.
— Não, mas Archie pode ver o futuro. –
Eu olhei para ela, surpresa.
— Você.... Uh, bebe sangue humano, certo? – Eu engoli em seco.
Vi seus olhos negros desviarem-se.
— Na verdade, nós tomamos sangue de animal, por isso os olhos dourados. – Um sorriso de lado entortou seus lábios. – Nós nos auto chamamos de vegetarianos.
— E os olhos negros, o que eles significam? –
— Fome. – Os olhos negros fixaram-se nos meus e senti meus pelinhos da nuca se arrepiarem pela intensidade.
Corei.
— Amanhã, eu venho buscar você para a aula, e você vai passar a tarde comigo. — Se levantou, arrumando seus cabelos.
— E o que vamos fazer? – Eu perguntei, um tanto animada. Ela sorriu de lado e deu de ombros.
— Eu vou te mostrar quem eu realmente sou. – Seus olhos negros olharam um tanto torturados para mim, como se ela não quisesse que eu me afastasse, mas, que se obrigasse a fazer eu me afastar.
Eu me levantei, ela foi em minha direção, e senti minha respiração parar ao senti-la perto demais de mim.
— Não se mexa. – Por alguns segundos, pensei que ela me beijaria, mas, ela somente colocou suas mãos em meu ombro e deu um breve beijo em minha testa. Fechei os olhos quando senti os lábios frios dela tocarem delicadamente a minha cabeça, em uma carícia carinhosa e inocente.
E logo depois, ela deu passos rápidos para atrás, para longe de mim.
— Nós nos vemos amanhã. – Ela murmurou, com seu característico sorriso de covinhas.
— Nos vemos amanhã. – Eu sorri, tímida.
Eu podia ver, claramente, a empolgação brilhando em seus olhos negros.
E logo depois, ela era somente um vulto desaparecendo para fora da minha janela.
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