Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Eu sentia minha bile subir, enquanto o cheiro de ferrugem e sal atingiam meus sentidos, tudo parecia girar, enquanto minha garganta fechava e a minha cabeça latejava.
— Senhorita Swan? Você está bem? – Ouvi a voz da Sra.Banner perguntar, preocupada com meu atual estado zumbi. Eu subi meus olhos para olhar para ela e dei um sorriso grogue.
— Uh, eu acho que não. – Eu murmurei fechando os olhos com força.
— O sangue? – Ela perguntou, e eu somente assenti lentamente, prendendo a respiração. – Alguém poderia levar a senhorita Swan a enfermaria? –
Eu consegui ouvir a voz de Taylor no fundo e logo depois, as mãos quentes e gentis dela me puxando da cadeira e me levando para fora da sala.
Quando estávamos passando pela cafeteria, já longe do olhar da Sra.Banner, eu me afastei da Taylor, um pouco melhor que antes.
— Uh, eu vou sozinha, pode voltar pra aula. – Eu murmurei olhando para a adolescente ao meu lado, que parecia numa mistura de preocupada e ansiosa olhando pra mim.
— Mas, Bella, você está verde. – Ela exclamou, como se aquela frase me convencesse a deixar ela me carregar até a enfermaria.
Obrigado Taylor, por sua sinceridade óbvia e completamente desnecessária.
— Eu estou bem. – Eu resmunguei e vi ela franzir o cenho, como se pensasse se iria me deixar ali por conta própria ou insistiria mais.
Com as pernas bambas, eu somente me apoiei na parede, fechando os olhos, e isso pareceu ajudar um pouco.
— Bella? – Uma voz diferente soou ao longe e eu tive que piscar para focar meus olhos embaçados na pessoa que vinha em minha direção.
Por favor, todos, menos ela. Que essa voz familiar não pertença a....
— Ela está comigo Edythe. – Disse Taylor, ficando em minha frente em uma posição de defesa.
— Claro, uh, eu estou vendo. – Edythe parecia divertida ao ver a face irritada de Taylor olhando para ela. – Mas, eu gostaria de saber se ela está bem, sabe, ela está verde. – Disse, em um leve tom de deboche que provavelmente Taylor não conseguiu notar.
Ótimo, todos aqui pareciam gostar de dizer o óbvio e machucar meu ego quase inexistente? Por que eu gostaria muito de somente ir pra casa, me entupir de remédios contra enjoos.
— Ela se machucou? – A face de Edythe agora parecia séria, como se realmente se preocupasse comigo, seus olhos dourados estavam fixados em mim.
— Não, uh, estávamos fazendo tipos sanguíneos, mas, ela nem ao menos furou o dedo e já estava passando mal. – A voz nervosa de Taylor soou e logo depois senti passos vindo em minha direção.
— Bella, você consegue me ouvir? – A voz suave se fez presente e eu resmunguei alguma coisa e olhei para a face preocupada de Edythe.
— Não. – Eu gemi. – Vai embora. – Eu disse, fechando os olhos novamente, me concentrando para não vomitar.
Os olhos dourados me olharam com diversão e seus lábios curvaram para cima.
— Eu estava a levando para a enfermaria. – Disse Taylor, atrás de Edythe. –
— Eu já disse, eu estou bem. – Eu me forcei para ficar em pé e abrir meus olhos. Logo depois, senti a ânsia me atacar e tudo girar.
— Claro, muito bem. –Debochou Edythe, me segurando pelos ombros, ela não parecia estar incomodada em segurar cinquenta quilos, na verdade, ela nem parecia estar segurando algo pesado. – Eu cuido dela. – Disse Edythe, colocando meus braços ao redor de seu pescoço e suas mãos serpentearam para a minha cintura em um aperto firme.
— Mas, eu deveria leva-la. – Resmungou Taylor, seus olhos olhando para mim, preocupada. – E aliás, como você soube que nós estávamos aqui? – Perguntou ela, os lábios franzidos.
— Eu estava ouvindo música no carro e vi vocês. – E, eu me surpreendi com a sua resposta tão.... Simples.
— Vá para a aula, talvez outros alunos estejam passando mal. – Murmurou Edythe, começando a andar, mas Taylor parecia não querer desistir.
— Espera, Edythe, eu não... -
Mas Edythe somente a ignorou, passando reto por ela. Eu tropecei nos meus próprios pés, tentando acompanhar as suas passadas rápidas, mas ela nem parecia notar o meu peso a empurrando para baixo e em um movimento rápido, ela estava me levando em seu colo.
Mas o que...?
— Eu não acho isso necessário. – Eu resmunguei e ouvi a risada musical dela. – Edythe, me ponha no chão. – Eu disse em uma ordem meio falha pela minha voz grogue.
Por favor, não vomite em cima dela.
— Já estamos chegando. – Ela murmurou em meu ouvido e eu fechei os olhos, tentando achar controle do meu enjoo.
Eu consegui discernir quando chegamos finalmente na enfermaria, já que o cheiro do álcool alcançou meu nariz e eu o franzi em um movimento involuntário.
— Meu deus. – Eu ouvi uma voz fina suspirar e abri meus olhos, agora deitada em uma maca.
— Ela só está um pouco enjoada. – Murmurou Edythe e abri meus olhos e ela continuava olhando para mim, suas mãos foram a minha bochecha e a sensação gelada fez com que o enjoo parasse por alguns segundos. – Eles estavam fazendo tipagem sanguínea na aula de Biologia. – Justificou Edythe, os dedos saindo das minhas bochechas e se contorcendo ao lado de seu quadril.
— Claro, sempre tem um. – Disse a enfermeira, olhando docemente para mim. – Aqui, tome. – Disse, me dando um possível remédio para enjoo. Sem falar nada eu somente engoli aquilo o mais rápido possível.
— Então, você passa mal quando vê sangue? – Pergunta Edythe, o sorriso de lado nos lábios me fazia querer revirar os olhos, mas, eu me interrompi antes que o meu enjoo piorasse.
Eu somente resmunguei, como uma criança birrenta, desviei minha cara.
A risada doce foi música para meus ouvidos.
— Você pode voltar para aula agora. – Disse a enfermeira e Edythe franziu o lábio, negando.
— Eu tenho que ficar com ela. – Respondeu Edythe. A voz era confiante, o que fez com que a enfermeira somente assentisse, sem querer discutir.
— Você tinha razão. – Eu disse e seus olhos dourados, em um movimento rápido, foram ao meu rosto.
— Na maioria das vezes, eu tenho. – Se gabou, com um leve sorriso nos lábios. – Mas, do que eu estou certa dessa vez? –
— Faltar as aulas as vezes, é mesmo saudável. – Eu respondi, fechando meus olhos.
— Fiquei preocupada com você lá fora. – Ela disse, a voz parecia realmente sincera e eu abri meus olhos, querendo saber se ela não estava divertindo-se comigo, mas, o que eu encontrei foi seu belo rosto contorcido, quase como no dia do acidente.
— Sinceramente, já vi cadáveres com cores melhores. – Os olhos dourados brilharam e eu me remexi, incomodada. Ela se sentou do meu lado na maca.
— Taylor deve estar irritada. –
Um sorriso grande possuiu seus lábios carnudos.
— Ela me odeia. – Ela disse, em uma forma animada.
— Você não tem como saber isso. – Eu resmunguei, um pouco melhor.
— Você deveria ter visto a cara dela, ficou óbvio. – Disse, o sorriso ainda em seus lábios.
Eu suspirei, cansada. O enjoo estava demorando mais que o normal para acabar e eu estava ficando um tanto irritada com aquilo.
Edythe levantou uma mão em minha direção.
— Posso? – Perguntou e eu assenti e logo depois, como uma compressa fria, ela colocou uma mão em minha testa e eu soltei um suspiro de alivio logo depois.
— Você é fria. – Eu murmurei e seus olhos se desviaram e por um momento vi a sua mão querer sair do meu rosto e eu a impedi. – Eu gosto disso. – Suspirei, fechando os olhos com um sorriso de agrado no rosto.
— Pensei que não gostasse do frio. – Abri meus olhos e vi seu rosto jorrando diversão.
Eu revirei meus olhos.
— Não abuse. –
O sorriso dela aumentou e eu somente fechei meus olhos. Por alguns segundos só ficamos lá, ela, com a mão em minha testa, me olhando com certa curiosidade e com seu olhar tão fixo a meu rosto. Eu continuava a respirar devagar, torcendo para que o enjoo passasse logo.
— Você parece melhor. – Afirmou Edythe, tirando a mão de minha testa e eu suspirei, feliz, assentindo.
— Obrigada. – Eu me obriguei a dizer.
— Sempre as ordens. – Ela disse, levantando uma sobrancelha, divertida.
Logo depois, ouviram-se vozes e um outro enfermeiro coloca a cabeça para dentro da sala onde estávamos e eu e Edythe olhamos para o senhor.
— Tem outro aqui. – Ele avisou e eu assenti, enquanto eu e Edythe saímos da maca.
Nesse momento Taylor cambaleou pela porta, agora apoiando Leann Stephens, outra garota da aula de biologia. Ela estava verde.
— Ah, não. – Murmurou Edythe, os olhos dourados me olhando em um aviso mudo. – Saída da enfermaria. – Ela disse começando a andar e eu a segui.
Quando já estávamos fora da enfermaria, eu consegui escutar algumas exclamações e alguma coisa líquida cair no chão. Algumas pessoas resmungando sobre estômagos fracos e outra exclamação, só que agora de nojo.
— Obrigada. – Eu disse novamente e Edythe somente sorriu, relaxada, e meus olhos brilharam em direção aquela adolescente.
Ela parecia tão mais bonita assim.
***
Depois de Edythe ter me livrado de uma possível tortura na aula de Educação Física.
“Somente seja você, pálida”
Às vezes eu odiava o senso de humor de Edythe.
Estávamos andando pelo estacionamento, indo em direção aos nossos carros.
— Então, você vai? No sábado, para a praia? – Eu perguntei, me encolhendo, enquanto uma chuva fina caía sobre nossas cabeças.
— A onde vocês vão? – Ela estava se expressão, não estava mais olhando para mim, e eu me vi surpresa quando senti saudades do seu sorriso direcionado a mim.
Mas o que? Bella, não seja idiota, é somente um sorriso.
O mais belo que eu já tinha visto....
Eu balancei a cabeça, mas, Edythe parecia não notar isso.
— La Push, à primeira praia.
Eu olhei para ela com esperança, e, finalmente, seu rosto virou-se para mim e ela franziu de leve as pálpebras, como se estivesse pensando.
— Acho que não fui convidada.
— Eu acabei de convidar. – Odiei como minha voz falhou na última palavra.
— Não vamos, estou preocupada com Taylor e seu estresse direcionada a nós duas, não quero que ela desenvolva qualquer problema cardíaco. – Ela debochou e eu desviei meus olhos para o chão.
Um tanto chateada pela recusa ao meu convite, somente dei um sorriso forçado de lado e fui em direção a minha caminhonete.
Mas, algo puxou meu casaco.
— Onde você vai? –
— Para o meu carro? –
— Desculpe mas, eu acabei de presenciar você quase desmaiando por causa de uma gota de sangue. – Ela disse, os lábios franzindo em preocupação. – Não acho que você deva dirigir. –
— Já passou, eu vou sobreviver. – Eu disse, tentando andar, mas, ela continuava me impedindo, e ela nem parecia forçar.
— E o que você quer que eu faça? – A minha voz soou cansada e irritada. Ela sorriu.
— Ótima pergunta. – Ela disse, com um sorriso divertido nos lábios e eu cerrei minhas pálpebras. – Seria mais sensato se eu levasse você pra casa. – Piscou.
— Não acho que isso seja necessário. –
— Não ligo para o necessário. –
— Desculpe lhe decepcionar, mas, eu tenho uma caminhonete. –
O sorriso dela aumentou.
— Eu peço para Archie pegar no final da aula. –
Eu suspirei, desistindo de tentar convence-la e vi um sorriso vitorioso rasgar seus lábios.
— Meu coração gelado se aquece de ver que você está aprendendo tão rápido. Por aqui. – Ela disse, pegando meu braço por cima das camadas de casaco, me impedindo de sentir o frio de sua pele e me levando até seu volvo.
— Você é tão mandona. – Eu resmunguei, mas, ela me ignorou, abrindo a porta do volvo. Em alguns segundos, antes mesmo de eu entrar no carro, ela já estava do outro lado, abrindo a porta e sentando no estofado em um movimento suave. Quando o motor ganhou vida, ela mexeu em alguns botões, aumentou o aquecimento e baixou a música.
— É “Clair de Lune”? — perguntei.
Ela olhou para mim, surpresa.
— Você é fã de Debussy?
Eu dei de ombros.
— Minha mãe ouve muita música clássica em casa. Só conheço minhas favoritas.
— Também é uma das minhas favoritas.
— Olha só — eu disse. — Temos alguma coisa em comum.
Ela somente olhou para mim sem expressão e logo depois, vi um brilho torturado passar pelos olhos dourados.
E depois, ela já não olhava mais pra mim.
O que foi isso?
No resto do caminho conversamos, ela parecia querer saber muito sobre mim, reclamou sobre eu não parecer ter dezessete anos, falamos sobre minha mãe – por mais estranho que pareça – sobre o infeliz falecimento de seus pais. Eu perguntei várias coisas pra ela, mas, a maioria ela somente se calava e olhava para fora, perdida em pensamentos. A única coisa que ela me respondeu, foi que ela iria para Goat Rocks Wilderness, ao sul de Rainier acampar com os seus irmãos aquele final de semana, e eu me senti melhor por ela ter um motivo para recusar meu convite a ida de La Push.
— Me prometa uma coisa. – Edythe disse, enquanto já chegávamos na minha casa. – Você me parece um imã para acidentes. – Deu um sorriso de lado. – Só, por favor, não se afogue, ou seja atropelada. –
Senti a vergonha tomar cada canto do meu cérebro, senti minhas bochechas queimarem e suspirei, coçando os olhos.
— Eu.... Eu vou tentar. – Eu respondi com a voz rouca e vi, por um momento, seus ombros ficarem relaxados.
Ela sorriu para mim, aquele sorriso adorável que continha as covinhas no canto de sua boca e me fazia querer sorrir.
Os dedos dela passaram de leve pela minha bochecha e depois ela olhou para atrás de mim.
— Chegamos. – Ela disse e eu pisquei, assentindo, abrindo a porta do carro.
Enfiei a mão no bolso, esquecendo que não tinha dado a chave do carro para ela e me virei, mas o volvo não estava mais lá.
E a chave tinha sumido.
***
24 quilômetros.
Os quilômetros mais demorados da minha vida.
Eu estava dentro de uma van, junto com mais cinco pessoas.
Taylor estava ao meu lado, grudada em mim, me lançando olhares tímidos e curiosos. McKayla estava preocupada demais olhando para um Jeremy com sono. Èrica tinha um livro em mãos com Allen ao seu lado, que falava alguma coisa e sorria, provavelmente explicando algo complicado.
Logan e o resto do pessoal estava divididos em outra van com mais seis pessoas.
Quando finalmente chegamos em La Push, McKayla foi diretamente ao meu lado, os olhos azuis me olhavam com curiosidade.
— O que Edythe Cullen queria com você no refeitório aula passada? – Ela perguntou, enquanto passávamos por algumas pedras, ela pacientemente me esperando, conhecendo meus dois pés esquerdos
— Nada na verdade, ela não chegou a me dizer. – Eu dei de ombros, enfiando minhas duas mãos nos bolsos do meu casaco.
— Foi estranho. – Ela afirmou, me olhando com um leve sorriso no rosto. – Ela parecia estar zangada. –
Eu dei de ombros.
— Edythe é tão estranha e confusa para mim do que para você. – Eu disse, sentindo minhas bochechas corarem de leve pelo olhar estranho de McKayla.
— Mas você parece não se incomodar com isso, não é? – E ao dizer isso, seus olhos se perderam em alguma coisa nas minhas costas. – Jeremy, Taylor e Edythe, quem mais? – Resmungou.
— O que? Do que você está falando? – Eu disse, ainda concentrada nas pedras abaixo dos meus pés.
— Como se você não notasse. – Revirou os olhos, eu neguei novamente. – Jeremy é meu namorado, mas é claro que ele está em outro mundo. – Olhou de relance pra mim. – Taylor não para de falar de você e Edythe, bom, ela tem os momentos dela. –
— McKayla. – Eu a chamei, mas ela já andava para longe de mim.
Senti dois tapinhas nos meus ombros.
— Ela só está com inveja. – Piscou Érica, o sorriso simpático. – Vamos, estamos quase chegando. – O rosto iluminando-se, animada. – Eu tenho que mostrar pra você como a fogueira aqui é diferente! – Tomada pela alegria da adolescente a minha frente, esqueci da pequena briga que tive com McKayla e fui junto com Érica, que arrastava Allen atrás de si.
Quando chegamos, fiquei ao lado direito de Jeremy, que tagarelava algo, enquanto dava fartas mordidas em seu sanduíche.
— É azul. – Eu disse, ao ver o fogo crepitar. Èrica sorriu suspirando.
— Por causa do sal, legal não é? – Murmurou, deitando sua cabeça no ombro de Allen, que continuava quieto, olhando apaixonadamente para a menina em sua frente.
E por um momento eu invejei aqueles dois adolescentes a minha frente.
— Ei! Bella! – Uma voz juvenil me chamou ao longe e eu levantei a cabeça, surpresa.
Ao longe eu podia ver Julie chegar perto do nosso grupo. E pude notar que um pessoal vinha caminhando com ela.
— Jules. – Eu disse, e ela sorriu, fazendo uma careta logo depois.
— Julie. – Corrigiu e eu somente dei de ombros. Seus braços alcançaram minha cintura e logo depois ela me abraçava calorosamente.
— E ai Bella, não vai nos apresentar sua amiga? – A voz rouca de Logan chamou minha atenção. Julie somente sorriu gentil para ele e estendeu a mão.
— Julie. –
— Logan. –
Ele parecia um pouco nervoso de começar um assunto com Julie e eu tive que rir, mesmo que baixinho, da situação.
— A Bella e eu estávamos falando sobre os Cullens. – Jeremy apareceu atrás de mim, limpando as mãos cheias de farelo de sanduíche. – E que é uma pena que eles não possam vir aqui esse final e semana. –
— Os Cullen não vem aqui. – Uma adolescente alguns muitos centímetros maior que eu disse, os olhos negros olhando para Jeremy de uma forma meio intimidante.
— Tá legal.... – Disse, levantando os braços. – Eu vou pegar mais sanduíches, Bella, você quer um? –
— Não, ela vai vir comigo, passear pela praia. – Disse Julie, pegando a minha mão e me arrastando. Eu sorri pelo seu jeito empolgado e fofo e tive que rir quando vi os olhos dela revirarem-se.
— Sam, sempre tão dramática. – Revirou os olhos e eu me encolhi.
— Ela deu medo. – Eu assenti e ouvi ela suspirar. – Mas, o que foi aquilo? – Quando terminei de falar, seus ombros ficaram tensos e ela desviou seus olhos para o mar, não me respondendo.
— Desculpa, eu não queria... –
— Não se preocupe. É que... não posso falar sobre isso.
— É segredo?
Ela repuxou os lábios curvos.
— Mais ou menos.
Eu levantei as mãos.
— Esqueça que perguntei.
— Mas já estraguei tudo, não foi?
— Eu não diria que foi você. Aquela garota, Sam, foi meio... intensa.
Ela riu.
— Legal. A culpa é de Sam então.
Eu também ri.
— Não de verdade. Estou muito confusa.
Ela olhou para mim e sorriu como se já tivéssemos um segredo só nosso.
— Posso confiar em você?
— Claro.
— Você não vai sair correndo para contar para o seu amigo?
— Jeremy? Ah, claro, não consigo esconder nada daquele cara. Somos como irmãos. – Revirei os olhos, dramaticamente e vi o seu sorriso aumentar.
— Gosta de histórias de terror Bella? – Eu disse, os olhos castanhos brilhando animados.
— Que tipo de terror estamos falando? – Eu perguntei, dando um sorriso de lado, e vi um olhar desafiador passar em seu rosto.
— Do tipo em que você nunca mais vai conseguir dormir. –
— Ah, agora sim, estamos falando a mesma língua. – Brinquei, e ela riu novamente.
Julie puxou meu braço novamente, se sentando em uma raiz grande e grossa de uma árvore cinco vezes maior que nós.
— Há muitas lendas, e dizem que algumas datam da grande inundação. Ao que parece, os antigos quileutes amarraram as canoas no topo das árvores mais altas da montanha para sobreviver, como Noé e a arca. — Ela sorriu, para me mostrar que também não estava levando a sério. — Outra lenda diz que descendemos de lobos, e que as lobas ainda são nossas irmãs. É contra a lei da tribo matá-los. E há histórias sobre os frios. — A voz dela ficou um pouco mais baixa.
— Frios? – Eu murmurei, olhando interessada para Julie, que deu um leve sorriso de lado, tentando ser misteriosa.
— É. Há histórias dos frios tão antigas quanto as lendas dos lobos, e algumas são mais recentes. De acordo com a lenda, minha bisavó conheceu alguns. Foi ela quem fez o acordo que os manteve longe de nossas terras. — Ela revirou os olhos.
— Sua bisavó? — Eu a estimulei.
— Ela era uma anciã da tribo, feito minha mãe. Olhe só, os frios são os inimigos naturais do lobo. Bom, não do lobo, mas dos lobos que se transformam em mulheres, como nossas ancestrais. Você pode chamar de lobisomens.
— As lobisomens têm inimigos?
— Só um.
Fiquei olhando para ela com ansiedade, tentando disfarçar minha impaciência como se fosse interesse.
— Então, veja você — continuou Jules — por tradição, os frios são nossos inimigos. Mas aquele bando que veio para o nosso território na época da minha bisavó era diferente. Eles não caçavam como os outros da espécie deles. Não deviam ser perigosos para a tribo. Então, minha bisavó fez uma trégua com eles. Se prometessem ficar longe de nossas terras, nós não os revelaríamos aos caras-pálidas. — Ela deu uma piscadela para mim.
— Se eles não eram perigosos, então por quê...?
— Sempre há um risco para os seres humanos que ficam perto dos frios, mesmo que eles sejam civilizados, como este clã alegava que era. Nunca se sabe quando podem ficar famintos demais para resistir. — Ela deliberadamente assumiu um tom de ameaça.
— Civilizados? – Indaguei.
— Eles diziam que não caçavam seres humanos. Supostamente, de algum modo, conseguiam caçar só animais.
Tentei manter minha voz casual, mas tenho certeza de que falhei.
— E o que é que isso tem a ver com os Cullen? Eles são iguais aos frios que sua bisavó conheceu?
— Não... — Ela fez uma pausa dramática. — Eles são os mesmos.
Ela deve ter pensado que a expressão no meu rosto significava que eu estava absorta com a história. Ela sorriu, satisfeita.
— E o que eles são? — perguntei, por fim. — O que são os frios?
— Bebedores de sangue — respondeu ela numa voz de dar calafrios. — O seu povo os chama de vampiros.
***
Depois da história de terror, eu e Julie voltamos, ela, rindo da minha possível cara de assustada, e eu resmungando, como uma criança pequena.
Julie era, realmente, a melhor adolescente que eu já tinha conhecido em Forks. Ela realmente sabia como me fazer esquecer que agora morava em uma cidade no meio do nada.
Ela fazia valer a pena.
Eu disse para Charlie que eu iria dormir depois de ter chego de La Push, e ele não parecia ter prestado muita atenção, pois tinha os olhos fixados na televisão.
Com os olhos pesados, não demorei muito para dormir.
E então, os abri novamente. E eu não estava mais no meu quarto, e sim em outro lugar.
Era um lugar familiar, e eu sabia que já tinha estado ali antes. Eu dei um passo, mas, algo me puxou para atrás, e dei-me de cara com Julie, que tinha uma face de desespero.
— Jules? O que aconteceu? – Eu disse, agora correndo junto com ela, que tinha uma respiração ofegante e olhos brilhando desesperados.
Eu sabia que no fundo, aquilo tudo era um sonho, mas, eu não conseguia entender....
— Bella, você tem que correr. – Ela murmurou, a face desesperada e angustiada.
— Bella! Por aqui! – Eu virei para o lado e vi McKayla olhando para mim com o mesmo desespero nos olhos.
— Por que? – Eu perguntei, tentando me soltar do aperto forte de Jules.
E então, suas mãos queimaram sobre a minha pele, ela soltou meu braço e deu um grito estrangulado, caindo no chão, se contorcendo..
Eu queria fazer alguma coisa, mas, nada parecia fazer eu me mexer.
E então, ela sumiu.
— Corre Bella! – O grito de McKayla soou nos meus ouvidos. Mas, eu não me virei. Eu estava vendo uma luz que vinha da praia na minha direção.
E então, Edythe apareceu no meio das árvores. Não parecia com a Edythe que eu conhecia, com um sorriso relaxado de covinhas e expressão debochada.
Aquilo não parecia nada com ela.
Ela estava com um vestido preto. Ia até o chão, mas deixava os braços os ombros à mostra e tinha um decote profundo em V. A pele brilhando um pouco, os olhos negros. Ergueu uma das mãos e acenou para que eu fosse até ela.
A loba entre nós rosnou.
Dei um passo à frente, na direção de Edythe. Ela sorriu, os dentes pontudos aparecendo sobre os lábios escuros.
— Confie em mim — Sussurrou ela, parecido com um ronronar.
Eu dei mais um passo em direção a ela, hipnotizada por essa nova faceta de Edythe.
Dei outros passos, ansiosa para conseguir alcançar a mão branca de Edythe, o seu sorriso, a cada passo que eu dava, aumentava mais.
Um último passo.
A loba se atirou no espaço entre mim e a vampira, as presas mirando a jugular dela.
Eu acordei em um rompante e arregalei os olhos ao ver um vulto dentro do meu quarto. Fixei meus olhos e, por um breve segundo, vi olhos dourados olhando para mim.
Fui rápida, liguei a luminária ao lado da minha cama, mas, quando olhei novamente para minha frente, o quarto estava vazio.
Levantei-me da cama e olhei pela janela que agora estava aberta e não vi nada, somente o vazio da noite.
Eu fechei os olhos e respirei fundo.
Edythe Cullen estava me enlouquecendo.
Ou talvez eu simplesmente devesse parar de ouvir histórias de terror.
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