Life and death - Bella Swan & Edythe Cullen
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Quando abri os olhos naquela manhã, algo incomodou minhas pálpebras, e eu abri meus olhos.
Luz.
Com uma animação considerada estranha, eu pulei da cama e abri as cortinas, dando um sorriso ao ver o sol, um pouco escondido pelas nuvens, brilhar sobre o vidro da janela.
Me arrumei, e pela primeira vez desde que me mudei para Forks, usei uma camisa.
Enquanto escovava os dentes, eu pude ouvir um carro barulhento e logo depois, a fala animada de meu pai.
Quando sai de casa, me deparei com uma mulher, de cadeiras de roda, que eu me lembrei sendo Bonnie Black, e ao seu lado, uma adolescente alta, pele morena, olhos pretos e cabelos longos.
As duas sorriram para mim quando me viram.
— Bella! Venha dizer oi. – Disse Charlie, e eu sorri sem os dentes, me aproximando.
— Olá Bella. – Disse Bonnie, me lançando um sorriso reconfortante.
— Quanto tempo. – Eu disse, e ela assentiu. – Você está bem? – Me senti idiota ao perguntar isso a uma mulher de cadeira de rodas, mas, ela somente deu de ombros.
— Claro que está, se não fosse eu e por Holly ela estaria nesse momento em um hospital. – A adolescente ao seu lado disse, brincando e Bonnie revirou os olhos.
— Não escute a Julie Bella, todos dramáticos. – Eu sorri, e assenti. – Mas, você cresceu, está linda. – Eu senti minhas bochechas corarem. – Agora eu sei por que Julie queria tanto vir aqui. – Disse, e eu olhei para a adolescente ao lado de Bonnie, que olhou sem graça pra mim.
— Mãe. – Disse, e Bonnie riu. – Não acredite nela Bella. – Disse, e eu assenti, vendo ela corar fortemente.
— E então? Gostou do presente que eu e Charlie preparamos? – Disse, batendo as mãos na minha caminhonete vermelha. Eu olhei surpresa para Charlie, que deu de ombros.
— Nossa... eu, muito obrigada, eu realmente gostei. – Disse, e ela deu um sorriso orgulhoso para Charlie.
— Eu sabia que ela gostaria, eu estou antenada nessa moda adolescente. – Disse Bonnie, e Charlie revirou os olhos.
— Claro, claro. – Ele disse de um modo preguiçoso. – Bom Bonnie, vamos deixar elas conversarem, vamos entrar, sobrou alguns biscoitos que Bella fez ontem. – Disse e Bonnie assentiu, enquanto era empurrada por Charlie.
Julie deu um sorriso sem graça pra mim, coçando a cabeça.
— Oi. –
— Oi, uh, você se lembra de mim? Brincávamos bastante em La Push quando você vinha para Forks no verão. – Ela disse, e eu sorri em reconhecimento.
— Jules? – Eu perguntei, e ela fez uma careta.
— Faz tempo que alguém não me chama mais assim, mas, sim sou eu mesma. – Disse, e eu assenti.
— Desculpa, mas, eu não te vi na escola. –
— Eu estudo na reserva. –
Eu assenti.
— Então você gosta da caminhonete? – Ela perguntou, e eu assenti.
— Ela parece indestrutível. – Eu disse, e Julie assentiu, dando uma risada.
— E ela é, pena que é lenta. – Eu franzi o cenho.
— Não é tão lenta. – Argumentei, defendendo o monstro vermelho.
— Você já tentou passar dos 80? – Ela perguntou, sorrindo de lado.
Eu franzi o cenho.
— Uh... não. – O sorriso dela cresceu ao ouvir minha resposta.
— Bom, não tente. –
— Então, você constrói carros? – Eu perguntei, um pouco impressionada, ela somente sorriu, se encostando na caminhonete.
— Quando eu tenho tempo livre, e partes. Você não saberia como eu posso pôr as mãos num cilindro mestre para um Volkswagen Rabbit 1986, saberia? – Ela perguntou, brincando. A voz calma e rouca, prazerosa.
Eu franzi o cenho, sorrindo.
— Uh... não, na verdade eu nem ao menos sei o que é isso. – Ela riu quando terminei de falar. – Mas, qualquer coisa, estarei de olho pra você. –
Era tão.... Fácil conversar com Jules, como se, ainda fôssemos aquelas duas crianças pequenas, amigas e completamente inseparáveis.
Jules era uma das memórias boas que Forks já me proporcionou.
***
Quando segunda- feira começou com pequenos raios de sol, eu me senti melhor do que qualquer outro dia que eu já tinha passado em Forks.
Mas, isso durou pouco ao ver que, Edythe Cullen não tinha ido na escola aquele dia.
Com passos rastejantes, fui em direção ao refeitório, me sentando na mesa, onde, estranhamente todos estavam quietos.
Me olhando.
— O que foi? – Perguntei, um pouco seca, e todos pareceram constrangidos.
— Uh.... Desculpe Bella. – A voz de Jeremy soou ao meu lado, e eu olhei para ele, confusa.
— Sabe, não sabíamos que você gostava de.... Garotas. – Érica disse, e eu olhei embasbacada para todos na mesa.
— Mas, do que vocês estão falando? – Eu disse, e Jeremy desviou os olhos, parecia culpado.
— Taylor disse que você aceitou ir ao baile com ela. –
Pera, Taylor o que?
Eu pisquei os olhos rapidamente, confusa.
— Tudo bem Bella, eu sei que isso é difícil de contar. – McKayla disse, e eu abri mais minha boca, completamente constrangida.
— Não... pera, vocês entenderam errado, eu não aceitei o convite dela. – Eu disse, e todos olharam-me confusos.
— Mas, Taylor falou que vocês até quase beijaram. – Disse Allen, constrangido e eu tive vontade de esconder minha cabeça debaixo da mesa do refeitório, tamanha vergonha que estava passando.
— Eu.... Não sei o que ela falou para vocês, mas, nada disso aconteceu, eu recusei, vou a Seattle esse final de semana, todos sabem disso. – Eu disse, exasperada, e todos ficaram em silêncio mais uma vez.
Ótimo, era só o que me faltava, eu não podia ser somente a aluna nova que todos sabiam o nome, nem ter sofrido um acidente memorável – eu tinha certeza que esse acidente era uma novidade de anos de monotonia nessa cidade – e ser carregada em uma maca para todos verem.
É claro que não.
— Onde... Onde ela está? –
— Ela faltou hoje, teve um resfriado. – Respondeu Allen, e eu bufei, indignada.
Então, o sinal tocou.
— Educação Física! – Disse Jeremy, de uma forma animada, eu somente gemi. – Ei Bella, por favor, fique longe de mim quando jogarmos um jogo com qualquer coisa lançável, okay? – Disse, e todos deram uma risadinha.
Ótimo, meu dia não podia ficar melhor.
***
Quando finalmente cheguei em casa, dei graças a deus.
Quem dera a ideia de vir eu para Forks mesmo?
Ah! Eu.
Com um mau- humor sem igual, cheguei em casa, batendo a porta.
— Bella? É você? – Charlie gritou lá da cozinha.
Quem mais seria?
— Sim, uh, precisa de ajuda para o jantar? – Perguntei, pegando um copo e enchendo de água, ele somente deu de ombros.
— Bonnie veio aqui hoje à tarde, trouxe uma torta de peixe. – Disse, respondendo minha pergunta, eu assenti.
— E você?
— Estou sem fome. – Eu disse.
Ele assentiu.
— E, pai, vou a Sattle esse final de semana. – Eu disse, e ele parou de ler o jornal e me encarou.
— Tem certeza que é uma boa ideia? Sabe, Seattle é uma cidade grande. – Eu revirei os olhos, colocando o copo na pia.
— Pai, Phoenix é cinco vezes maior que Seattle, não vou me perder, aliás, eu sei ler um mapa. –
— Mas, por que? – Ele perguntou, e eu dei de ombros.
— Bom, pegar uns livros talvez, a biblioteca aqui é bem limitada, e umas roupas de inverno, em Phoenix eu não tinha muitas. – Respondi e ele assentiu, as mãos se mexendo em cima da mesa.
— Você quer que eu vá com você? – Ele disse, os olhos castanhos, iguais aos meus, brilhando insegurança.
— Está tudo bem pai, vou estar em provadores quase o dia inteiro, muito chato. – Disse, sabendo que ele se convenceria, ele odiava fazer compras tanto quanto eu.
— Oh, ok. – Ele disse, olhando de volta para o jornal.
Eu quase sorri. Charlie era tão previsível.
— Você vai estar de volta para o baile? –
Ou talvez não tanto quanto eu pensei.
— Não, eu não danço pai. – Eu disse, e vi ele assentir, o rosto franzindo.
***
No dia seguinte, fiz questão de estacionar minha caminhonete o mais longe do volvo prata de Edythe.
E quando sai do carro, esperei que várias pessoas estivessem olhando para mim, mas, inacreditavelmente, todos nem pareciam notar a minha existência, e notei que, provavelmente, Taylor não tinha contado a todos na escola que tinha me convidado ao baile e que eu supostamente tinha aceitado.
Quando estava caminhando em direção a entrada da escola, deixei minhas chaves caírem.
Mas, antes que eu tentasse abaixar para pega-las, uma mão incrivelmente rápida a pegou.
Olhei para frente e lá estava Edythe Cullen, com seus olhos dourados, olhando para mim com certo divertimento talvez.
— Como você faz isso? – Perguntei, e ela levantou uma sobrancelha, parecendo mais divertida.
— Faço o quê? – Ela disse, entregando para mim a chave, mas, tomando o máximo de cuidado para as nossas mãos não se encostarem.
— Aparecer assim, do nada. – Resmunguei.
— Bella, não é culpa minha se você é excepcionalmente distraída. – Ela disse, a expressão divertida ainda em seu rosto, como se achasse engraçado a minha irritação.
Os olhos dela brilharam em direção a mim, e eu bufei e sai andando, com ela atrás de mim.
— Por que você fez aquilo sexta-feira? –
— O que?
— Rir, eu vi você rindo quando Taylor me chamava para o baile.
Um sorriso cresceu em seus lábios.
— É que ela parecia tão ansiosa e desesperada para te chamar para o baile. E ela falou o dia inteiro sobre isso com McKayla. –
— Como você sabe disso? –
— Eu sento atrás delas na aula de Trigonometria. –
— E por que riu? – Perguntei de novo, e ela deu de ombros.
— Ela tinha tanta.... Certeza que você iria aceitar, que foi engraçado. Não me diga que no final você não viu ela derrubar todos os livros do armário e então começar a chorar?
Eu pisquei. Não sabia que isso era tão importante para Taylor.
— Na verdade não.
O sorriso dela cresceu mais ainda.
— Adolescentes podem ser tão idiotas as vezes. – Ela disse, e eu revirei os olhos.
— Não esqueça que você é uma. –
Ela pareceu achar graça da minha resposta.
— Pensei que você estivesse fingindo que eu não existo. – Eu resmunguei, virei para ela e tentei não entrar em hipnose com seus lindos olhos intensos.
— Eu não estou fingindo que você não existe. -
— Você é tão.... Irritante. – Eu disse, e ela levantou uma sobrancelha. – Eu não entendo você, o que você quer de mim? – Eu perguntei.
Era estranho e mais irritante ainda, como os meus pensamentos eram soltos no ar assim, sem qualquer filtro.
— Nada. – Ela fala, rápido demais, e eu quase não entendi.
— Então você deveria ter me deixado morrer naquele estacionamento. – Disse, me virando, mas, a mão de Edythe tocou em meu ombro.
— Bella, espera, eu só não.... – Ela não conseguiu terminar, o que me deixou mais irritada.
— Ou então você quer me irritar até a morte? – Rosnei e me soltei de seu aperto.
— Você continua a mesma idiota. – Ela disse, ainda atrás de mim, eu somente bufei alto.
E antes que ela me chamasse, entrei dentro da escola, anulando qualquer possibilidade dela conversar comigo.
***
Quando sai da aula de Educação Física, me encolhendo pelo frio, fui andando de cabeça baixa até a minha caminhonete, pronta para entrar nela e ligar o aquecedor, mas, uma coisa me impediu.
Na verdade, alguém.
— Oi Bella. – Disse Edythe, quando bati em seu ombro e me desiquilibrei, suas mãos apertaram minha cintura, me impedindo de cair.
— Uh... Edythe, oi. – Eu disse, e ela sorriu para mim.
Ela olhou para a entrada da escola, achando graça de algo.
— O que foi? – Perguntei, me virando, me dando de cara com uma Taylor com o rosto vermelho, indo em direção ao seu carro.
— Parece que ela não gostou de ser rejeitada. – Ela disse, e eu bufei, começando a caminhar.
— Bella, espera. – Edythe, disse, e eu me odiei por parar e me virar para ela, que suspirou.
— Me desculpe, foi grosseria minha. – Disse, e eu bufei mais uma vez. – Na verdade, eu estou sendo rude demais com você esses dias, espero que me perdoe. – A voz dela soava tranquila e mansa agora, como se não quisesse me irritar.
— Por que não me deixa em paz? – Eu resmungo, pegando minha mochila e colocando na traseira da caminhonete.
— Eu queria perguntar uma coisa, mas, você está me evitando. –
— Está bem. – Por que eu estava fazendo aquilo mesmo? – O que você quer?
— Eu queria saber se, no outro sábado... Sabe, o dia do baile de primavera... –
Eu me virei para ela.
— Você acha isso engraçado?— Eu perguntei, olhando incrédula para ela, ela somente me olhou sem expressão, nem se incomodando pelo chuvisco que agora caía em nossas cabeças.
Nada borrava em seu rosto, como se ela não estivesse usando maquiagem.
E de fato, ela não estava, ela era linda demais para isso. E eu senti raiva de mim mesma por achar a criatura mais incrivelmente irritante e confusa bonita. Mas, era impossível não acha-la.
Só por, sequer lembrar de seu rosto, meu coração já palpitava.
Mas, no que eu estou pensando?
A expressão divertida dela voltou e ela levantou uma sobrancelha.
— Pode, por favor, me deixar terminar? — Ela perguntou, e eu queria dizer não, queria pedir para ela desaparecer da minha frente.
— Eu soube que você vai a Seattle no sábado, e queria oferecer carona. –
Okay Bella, respire fundo.
— O que?
Por favor, não exploda na frente dela, não passe vergonha, mais do que você já passou.
— Se você quer carona para Seattle. – Ela disse, lentamente.
Eu estava procurando um sinal de brincadeira.
— Com quem?
— Comigo, é claro. –
— Por quê?
Qual era a pegadinha?
— Bom, eu pretendia ir a Seattle nas próximas semanas e, para ser sincera, não tenho certeza se sua picape vai aguentar.
Eu pisquei, confusa.
— Minha picape é ótima, obrigada. – Eu disse, colocando a touca do meu casaco.
— Sua picape consegue chegar a Seattle com um tanque de gasolina? – Ela disse, e eu me vi mais irritada.
— Por que isso chega a ser problema seu? – Rosnei.
— O desperdício de recursos não renováveis é problema de todo mundo — Disse ela com afetação.
Eu exclamei, e Edythe parecia se divertir com a minha cara de pura confusão.
— É tão... difícil entender você. –
— Me perdoe por isso. – Ela disse, se desculpando novamente.
Eu ficava tão... confusa ao lado dela, em um momento, ela estava irritada, no outro, curiosa, e depois completamente rude e irritável, e logo depois estava falando comigo.
— Eu odeio suas mudanças de comportamento. – Eu disse, bufando, Edythe somente sorriu de lado, aquele sorriso que me fazia ficar tonta. – Pensei que nós não deveríamos ser amigas
O sorriso dela aumentou e ela se aproximou mais de mim.
— Eu disse que não podemos, não que eu queira. – Murmurou, lambendo os lábios. Ela realmente parecia não saber o que causava em mim. Seus olhos dourados pareciam querer me decifrar enquanto ela se aproximava cada vez de mim.
Minhas costas bateram na caminhonete atrás de mim, e seus dedos, como no dia do acidente, foram as minhas bochechas.
— Tão... delicada. – Ela sussurrou, e seu hálito fresco bateu em meu rosto, me deixando nervosa.
Eu vi seus olhos, surpreendentemente, começarem a escurecer, o dourado ia sumindo a cada segundo que continuávamos ali, paradas.
Então, ela se afastou rapidamente de mim, piscando seus olhos.
— Seria o certo nós não sermos amigas. – Ela disse, e logo depois, um olhar cansado tomou seu rosto. – Mas, eu estou cansada de tentar me afastar de você Bella. –
Eu não falei nada, ainda chocada por aquilo que tinha acontecido antes, eu ainda sentia os dedos frios dela queimando minha bochecha.
— Você vai aceitar a minha carona? – Perguntou, chegando mais perto de mim, ela parecia preocupada pela minha cara de tacho.
Eu somente acenei que sim com a cabeça, me afastando dela.
Ela sorriu de lado, mas, logo depois ficou séria.
— Você deveria mesmo ficar longe de mim. – A face dela se contorceu, como se ela sofresse por dizer aquelas palavras. – Vejo você amanhã. –
E saiu andando, em direção ao seu volvo.
Ela tinha, por acaso, distúrbio de múltipla personalidade?
Balancei a minha cabeça, abrindo a porta e batendo com certa força.
***
— E ai. – Eu disse, acenando para o pessoal no refeitório, todos me responderam.
— E então, vai para La Push esse sábado Bella? – Perguntou Érica, e eu franzi o cenho.
— Que horas? – Perguntei.
— Mais ou menos umas três, curtir lá e tal. – Ela disse, e eu assenti. – Se você puder ir, avisa, ai McKayla pega emprestado a van do pai dela. –Eu assenti.
— Ouvi falar que lá tem muitos, sabe, pedaços de mal caminho. – Disse McKayla, e Jeremy olhou um tanto aborrecido para ela, eu segurei um riso.
— Pode acreditar, fui lá com meu pai pra visitar a praia, e tem coisa lá que você não vai acreditar. – Disse Logan, olhando para todos maliciosamente.
— Ok, já entendemos. – Disse Allen, corado.
— É La Push, baby, La Push. – Disse Érica, piscando para o outro.
Eu ri baixinho com Érica.
— Edythe está te encarando o intervalo inteiro Bella. – Disse Jeremy, eu somente corei e Érica sussurrou alguma coisa para Allen, que olhou para mim e deu um risinho.
Eu vi ela levantar uma sobrancelha, divertida. Ela fez um movimento quase imperceptível com as mãos, como se me…Chamasse.
— Eu já volto pessoal. – Eu disse, sem desgrudar meus olhos dela. – Acho que ela pode estar com dúvidas sobre o dever de casa de Biologia. –
Ah! Como se fosse possível.
Andei com passos hesitantes até ela.
— Por que você não se senta comigo hoje? – Ela perguntou, oferecendo, um sorriso brincava em seus lábios cheios.
Eu tremi e minha bandeja meio que se desiquilibrou em minhas mãos, e eu tinha quase certeza que ela tinha notado.
Mas, eu realmente não me importava.
Me sentei, sobre o olhar fixo dela.
— Você sabe que eu não entendi o que você quis dizer antes, não é? Sobre nós não devermos ser amigas. –
Eu seus olhos fixarem-se na mesa, e suas mãos pararem de fazer círculos na mesa.
— Estou contando com isso. – Sorriu de lado, depois, olhou por trás de mim.
— Acho que seus amigos estão chateados por que roubei você. – Disse Edythe, olhando para eles com um ar divertido.
— Eles vão sobreviver. –
Ela se inclinou na mesa do refeitório, e levantou uma sobrancelha.
— Mas, é possível que eu não te devolva. – Ela falou devagar, os lábios se movimentando lentamente, como uma carícia, os cílios batendo, dando um ar falso inocente e os olhos dourados me olhando fixamente.
E aquilo foi tão.... Malditamente sexy, que eu quase esqueci de como respirar.
Mas, como todas as vezes, eu parecia não conseguir controlar o sangue de circular fortemente pelas minhas bochechas.
Ela voltou ao seu lugar e me olhou com mais atenção.
— Você parece nervosa. –
— Não.... Eu estou bem, quer dizer, não estou nervosa. – Me perdi na frase, e ela parecia ter se divertido com isso. – Na verdade, eu estou meio surpresa. Qual é o motivo disso tudo? – Eu disse, voltando ao normal, vendo que agora ela se sentava relaxadamente sobre a cadeira. Longe o suficiente de mim.
— Eu já disse, desisti de tentar me afastar de você. – A feição dela ia ficando séria a cada palavra proferida.
— Desistindo? – Repeti.
— Sim, desistindo de ser boa, agora, vou só deixar as coisas rolarem. – A voz dela parecia mais áspera agora, um tom mais seco e estúpido.
Eu pisquei algumas vezes.
— Você me confundiu, completamente, de novo. –
Então, o sorriso dela apareceu novamente.
Ah.... Como eu amava quando ela sorria daquele jeito.
— Eu falo demais quando estou com você. Esse é um dos problemas. –
— Bom, boa parte do que você fala eu não consigo decifrar, então, tecnicamente, não é um problema. – Eu disse, e um sorriso de lado surgiu em seus lábios.
— Estou contando com isso também. –
— Então.... Em uma mensagem mais clara, somos amigas agora? – Eu perguntei, depois de uns segundos em silêncio.
— Amigos.... – Ela murmurou, como se pensasse no significado da palavra e não se agradasse.
— Ou não. – Eu disse ao ver sua face meio contorcida.
Ela se mexeu na cadeira, parecia pensativa.
— Podemos tentar, mas, eu aviso, eu não sou a amiga que você desejaria ter. – Ela disse em um sorriso duro.
— Sim, você já disse isso antes. –
Era estranho como eu me sentia tão.... Feliz? Eu não conseguia explicar a sensação de formigamento no peito e lábios doendo para sorrir.
E eu não sabia o motivo de estar com essas sensações tão boas.
Talvez pelo sorriso que agora ela me mandava.
Sem aguentar, fiz o que os meus lábios estavam implorando para fazer, sorri, e me senti melhor ainda. E eu pude perceber seu sorriso crescer depois de ver o meu.
— Achei que você me achasse uma completa idiota. – Eu disse, e ela riu.
— E eu ainda acho. – Eu franzi o cenho, ofendida. – Mas, ei, já pedi desculpas.
— Acho que o pedido de desculpas por ter me chamado de idiota não é válido se você ainda me acha uma idiota. –
— Então, pare de ser uma. –
Ela falou com um tom de voz mais sério naquela hora.
— Bella. – Ela me chamou, e eu somente bufei, e ela pareceu divertida ao me ver resmungar como uma criança pequena.
Ficamos quietas por alguns segundos, e a cada segundo passado, os olhos dela se intensificavam mais em minha direção, e, novamente, punhos foram formados em cima da mesa, como se ela estivesse fazendo força para alguma coisa.
— O que você está pensando? – Ela perguntou, e parecia genuinamente curiosa.
— Estou tentando entender o que você é. –
— E está tendo sucesso com isso? – Ela perguntou casualmente, como se a resposta que eu daria não importasse para ela.
Então, me lembrei daquele dia no estacionamento, e como foi estranho falar aquelas coisas para Edythe, a minha visão do acidente. Eu ainda podia sentir o resto do constrangimento atingir meu emocional e eu querer corar por nada nesse momento.
É claro que eu tinha teorias, mas, eu estava relutante em mostrar elas para a adolescente a minha frente.
Ela inclinou a cabeça para o lado, criando um ar completamente irresistível pra mim quando sorriu e perguntou:
— Você não vai me contar? –
Eu tinha que resistir aqueles olhos dourados, não podia me passar de idiota, novamente.
Ótimo, se ela queria tanto que eu “parasse de ser uma idiota” então, é claro que eu não falaria nada para ela.
— Muito embaraçoso. – Eu neguei com a cabeça, e vi ela franzir o nariz adoravelmente.
— Isso é frustrante. –
— É mesmo? — Eu levantei as sobrancelhas. — Eu não consigo imaginar porque isso seria frustrante, só porque uma pessoa se recusa a te dizer o que ela está pensando, só porque ela está só criando pequenas observações obscuras que a mantêm acordada se perguntando o que elas poderiam querer dizer... Agora, porque isso seria frustrante? – Eu disse, minhas bochechas ficando vermelhas com a irritação que agora eu sentia.
— Ou talvez, digamos, que ela salvara minha vida, em circunstâncias impossíveis em um dia, e no outro, ela me ignorara completamente, sem nunca ter me dado uma explicação para o fato. –
A expressão de Edythe mudou para mau-humor.
— Você ainda não se esqueceu disso? –
Eu levantei uma sobrancelha.
— Outro pedido de desculpas, ajudaria? –
— Não, não ajudaria. – Eu rosnei, irritada.
— Você tem um temperamento um pouco forte, não é? – Ela disse, parecia divertida.
— Você.... Você que é irritante demais. – Eu exclamei, e ela tirou o pequeno sorriso que tinha no rosto.
— Me desculpe. –
— Não vai adiantar. –
— Idiota. –
— Ugh! – Eu resmunguei sobre sua ofensa, e ela riu.
— Bella, eu nunca quis te causar desconforto. –
Eu me acalmei, respirando fundo.
— Está.... Está tudo bem. – Eu disse, e, por um momento, eu vi um brilho de alívio passar em seus olhos.
Ela olhou-me por cima do ombro e deu um sorriso inesperado.
— Sua namorada parece que está incomodada com a nossa interação, ela está incomodada pelo fato de nós parecermos estar brigando, e está pensando em vir aqui intervir a nossa possível briga ou não. –
Eu resmunguei.
— Eu não tenho namorada.
— Mas, não parece isso que Taylor está pensando. –
— Não tem como isso ser verdade.
— Mas é, eu já disse, tenho facilidade em decifrar as pessoas. –
— Menos eu. – Pontuei, e ela não pareceu ficar brava, só... frustrada e talvez, curiosa.
— É, menos você. – Disse, os olhos dourados olhando fixamente para mim, como se quisessem perfurar minha testa. – E me pergunto o porquê. — Ela murmurou, me olhando com frustração — novamente — . Ela se mexeu na cadeira e olhou para a minha bandeja cheia de comida.
— Não está com fome? – Perguntou Edythe, e eu dei de ombros.
— Não. – Eu disse, e levantei meu olhar para a bandeja ainda cheia dela. – E você?
— Não, e não acho que eu vá ficar. – Disse, com um olhar divertido, talvez, uma piada interna.
Eu franzi o cenho, confusa.
— Você.... Pode me fazer um favor? – Eu perguntei antes que eu conseguisse me segurar. Como eu disse antes, sem qualquer filtro.
Ela ficou séria de repente.
— Depende do que você pedir. –
— Não é grande coisa. –
Eu me remexi na cadeira, e a cada minuto que eu passava sem falar, ela parecia mais tensa e curiosa.
— Pode, por favor, me avisar quando for me ignorar novamente? Para meu próprio bem, só... Para me deixar preparada. –
Ela pareceu pensativa, enquanto suas mãos se mexiam sobre a mesa, inquietas. Então, seus lábios curvaram-se para cima, em um sorriso divertido.
— Parece justo. – Ela concordou. – Mas, quero algo em troca. –
— Edythe.... – Resmunguei.
— Somente uma, você me prometeu um favor. –
Eu ainda parecia hesitante.
— Eu prometo, não vou rir. –
Eu não parecia tão segura quanto a isso.
— Vai sim. – Eu resmunguei mais uma vez.
Ela se apoiou novamente na mesa, se aproximando, sua cabeça caiu adoravelmente para o lado, os cílios piscando.
— Por favor. – Ronronou.
Eu tenho certeza que tinha esquecido como respirar, e que estava com uma cara de tacho sem igual.
Eu soltei uma respiração trêmula e tentei desviar meus olhos daquele ser tão.... Irresistível que era Edythe Cullen.
— Bella? – Ela sussurrou, parecia mais perto. E por um momento eu me vi me inclinando em sua direção, completamente encantada por ela.
— Uma teoria? – Ela disse, piscando os olhos.
Eu me endireitei na cadeira.
— Ok, se afaste de mim. – Eu resmunguei, e vi ela se afastar lentamente, e logo depois me olhar divertida. – Aranhas radioativas?
— Achei que fosse mais criativa. – Ela zombou.
— Aranhas? –
— Nada de aranhas. –
— Radioatividade? –
— Nada de radioatividade. –
— Droga. – Resmunguei.
— Kriptonita também não me incomoda. – Ela disse, rindo.
— Ugh! Você disse que não iria rir! Você continua a mesma irritante de sempre.
— E você, a mesma idiota. – Disse, levantando uma sobrancelha, em desafio.
— Um dia eu vou descobrir. – Eu resmunguei.
Ela ficou séria de repente.
— Gostaria que você não tentasse. –
— Por que...? –
— E se eu não for uma super-heroína? E se eu for a vilã? – Disse com um tom de voz brincalhão, mas, em seus olhos, era possível ver lá um peso escondido.
— Uh... – Algumas coisas que eu não entendia sobre Edythe agora ficaram um tanto claras depois dessa frase. – Tudo bem.
— O que esse tudo bem significa? – Ela parecia ansiosa pela minha resposta.
— Você é perigosa? – Saiu como uma pergunta, uma genuína pergunta, na qual eu estava me achando uma estúpida por perguntar, ela era quase do meu tamanho, alguns centímetros maior, braços tão finos quanto os meus.
Então, eu me lembrei da primeira vez que ela me olhou nos olhos, como o ódio parecia tão... intenso, e como aquilo me dera um medo genuíno. Agora eu entendia. Por baixo da dúvida, fora da incongruência da palavra perigosa aplicada ao corpo magro e perfeito, eu conseguia sentir a verdade.
Então, o perigo era real....
— Perigosa. – Eu murmurei, e seus olhos dourados me analisaram mais fortemente, ela tinha uma feição livre de qualquer emoção, livre até da frieza, me esperando com expectativa. Esperando a minha reação. – Mas não a vilã. – Sussurrei. – Não consigo acreditar nisso.
— Pois você está enganada. – Ela falou, e senti sinceridade em sua voz, como se quisesse me dar medo.
Eu queria ficar aqui pra sempre, olhar para o rosto de Edythe até me cansar – se isso era possível – e acalentar a expressão de tristeza que agora ela demonstrava.
Foi quando eu notei o refeitório quase vazio.
— Vamos chegar atrasadas. – Eu disse, me levantando, pegando a minha bandeja.
— Eu não vou a aula. – Ela disse, parecendo ocupada, olhando distraidamente para os dedos que faziam formas distorcidas em cima da mesa.
— Por que?
— Faltar a aula é saudável as vezes.
— Então, uh... eu vou indo. – Eu disse. Me virando, mas, mal dei dois passos e fui chamada novamente.
— Bella... Espera. – Edythe disse, levantando-se e se aproximando de mim.
Surpreendentemente, seus dedos foram as minhas bochechas, novamente.
— Por que ainda se aproximas de mim Bella? – O meu nome parecia tão.... Diferente nos lábios dela, com um leve sotaque de italiano.
— Talvez seja por que, você esteja me forçando a fazer isso. – Eu disse, e sua carícia em minha bochecha parou e ela franziu o cenho.
— Eu não compreendo. –
Eu sorri.
— Você não entenderia. – Eu murmurei, e eu sabia que Edythe estava familiarizada com aquela frase.
E essa foi a primeira vez que consegui fazer Edythe provar o amargo gosto da confusão.
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