Notas iniciais
Obrigado pelos comentários, fiquei bem feliz pela história ser bem recebida por todos ^^ Queria saber a opinião de vocês sobre a história, sobre como vocês pensam de o que vai acontecer. Outra pergunta, vocês vão querer um triângulo amoroso? Edythe, Bella e Jules? Comentem por favor.

Os olhos dourados me olhavam daquela forma tão familiar, fixamente. E então, Edythe sorriu para mim, um sorriso de lado. Ela estendeu a mão, eu estirei meu braço para conseguir alcançar suas mãos, mas, ao invés de eu tocar nos dedos finos e frios, ela tinha sumido, me deixando sozinha.

Eu acordei, abrindo os olhos. Me virei para o lado, querendo continuar a dormir e prolongar o sonho, mas, desisti ao ver o horário.

Me levantei, um tanto animada. E eu tentava me convencer de que essa animação não tinha nada a ver com certos olhos dourados e sorriso de covinhas. Olhei para a janela e a vi que a neve continuava caindo, e resmunguei por isso.

Como no dia anterior, me enchi de roupas e sai do quarto, pulando de dois a dois degraus, não sabendo como tinha não tropeçado no meio do caminho.

Vi Charlie com um olhar sonolento tomar um gole grande de café e dar um sorriso para mim.

— Passou bem a noite? – Perguntou ele e eu assenti, enquanto tomava um gole de suco e logo depois mordia minha barra de cereal. – Sabe, você deveria se alimentar mais. – Ele franziu o cenho e eu sorri de lado.

Peguei uma maçã do cesto e levantei uma sobrancelha.

— Okay, okay, entendi, boa aula. – Ele resmungou e eu dei de ombros, saindo de casa com a chaves da caminhonete em mãos.

Mal dei um passo para fora, e escorreguei graças aos meus passos apressados e cai de bunda no chão.

— Ugh. – Eu xinguei mentalmente e me levantei, torcendo para que minha calça não estivesse ensopada. Olhei para atrás e vi que Charlie provavelmente não tinha visto o meu gafe completamente vergonhoso.

Entrei dentro da caminhonete e a liguei, manobrando o carro e dirigindo pelas ruas de Forks muito devagar.

Eu tinha tido sorte que tinha me levantado mais cedo, provavelmente teria chegado atrasada.

Quando finalmente sai da caminhonete, tirei a minha mochila de lá de dentro e a abri, verificando meus materiais, tendo certeza que não tinha esquecido de nada. Eu me virei, agora procurando uma pessoa.

E logo depois, dei de cara com olhos dourados. Edythe estava a quatro carros longe de mim, estava perto de seu volvo, enquanto segurava uma mochila em um ombro, ela tinha um jeito mais relaxado e olhava para mim de uma forma mais... solidária.

Foi quando um barulho desagradável foi ouvido. Parecido com um guincho, fazendo meus ouvido doerem, me acordando do torpor que Edythe Cullen me colocava.

Tudo parecia acontecer rápido demais, meus olhos se arregalaram-se ao ver que uma van derrapava no gelo da rua do estacionamento, e, pelo visto, vinha em minha direção. Em um milésimos de segundo, eu consegui ver o rosto aterrorizado de Edythe, os olhos dourados me encaravam com um brilho que eu desconhecia. Eu fechei os olhos, esperando o impacto.

E o impacto aconteceu, só que, de uma maneira diferente. Minha cabeça bateu no asfalto gelado e eu senti os braços finos segurarem meu corpo agora deitado.

Um estrondo foi ouvido e eu abri os olhos e eu consegui ver as mãos minúsculas de Edythe parando o carro e os ombros ajudando no processo. Em mais um movimento que não pude ver, ela levantou minhas pernas e logo depois outro barulho desagradável soou, a van derrapou mais alguns centímetros, fazendo pressão na traseira da minha caminhonete.

Se ela não tivesse tirado minhas pernas de lá, com certeza elas seriam esmagadas.

Não durou mais alguns segundos e a gritaria começou.

— Bella, você está bem? – Era possível ouvir a voz doce a ao mesmo tempo preocupada de Edythe, que me olhava com calma, como se quisesse ver se eu estava ferida.

— Eu, eu estou bem. – Eu murmurei, a minha voz saindo um tanto estranha. Eu tentei me mexer, mas, o choque do que acabara de acontecer parecia me impedir.

— Cuidado. – Ela disse, ao ver que eu tentava me soltar de seu aperto. – Acho que você bateu a cabeça com força. – Ela disse, enquanto me ajudava a se sentar. Seus dedos finos agora foram as minhas bochechas, e por um breve momento, eu e ela ficamos nos encarando, eu, em adoração pelo seu rosto sobrenaturalmente belo.

Foi quando algo estalou em minha mente.

— Como foi que... como você chegou até aqui? – Eu disse, e seus dedos pararam, saindo das minhas bochechas.

Ela soltou um sorriso hesitante.

— Como assim Bella, eu, eu estava bem ao seu lado. – Disse, logo depois seu rosto fica sério. – Eu te empurrei, te ajudei a sair do caminho. – Ela disse mais uma vez, como se me forçasse a acreditar naquilo.

Foi quando uma multidão nos cercou, e eu vi uma breve pontada de irritação em seu rosto, ela me soltou, me deixando agora sentada, em uma posição menos estranha que estávamos antes.

Eu me mexi novamente, mas, como antes, os braços dela me impediram.

— Não se mexa. – Ela disse, e eu vi pelo canto de olho alguém ligar para a ambulância.

Era só o que me faltava.

— Mas, está frio. – Eu resmunguei, e ela riu baixinho.

— Bella! Bella! Me desculpe, eu perdi o controle. – Fala Taylor, a cabeça sangrando, ela estava olhando somente para mim, como se não achasse estranho a presença de Edythe que estava ao meu lado.

— Está tudo bem. – Eu disse, enquanto várias pessoas perguntavam se eu estava bem, outras gritavam, desesperadas. – Eu estou bem. – Falei mais uma vez.

— Tirem a Taylor da van! – Ouviram alguém gritar, e, por alguns momentos, a atenção foi desviada para a adolescente dentro da van.

Eu olhei novamente para Edythe.

— Edythe, eu tenho certeza, você estava a quatro carros longe de mim. – Ela levantou uma sobrancelha, quando eu, novamente, toquei no assunto.

— Quatro? Você foi bem específica agora. –

— Não mude de assunto. – Eu disse acusadoramente, ao longe, eu consegui ouvir a sirene da ambulância.

Os olhos dela perderam o foco, e então, as mãos frias dela tocaram a minha.

— Só, confie em mim. — Ela murmurou, se levantando devagar. – Eu te tirei do caminho, eu estava do seu lado Bella. – Me lançou um último olhar e saiu de lá, passando despercebida pela multidão.

***

— Uhm, senhorita Swan, se não me engano. – Carine Cullen disse, com um sorriso sem dentes.

Por um momento, vi Charlie ficar um tanto hipnotizado pela médica que agora nos atendia, e eu tive que conter uma risada.

— Sim, sou eu. – Sorri sem graça, e ela sorriu gentilmente pra mim, pegando uma lanterna e passando sobre meus olhos. Ela estirou um dedo e pediu para eu segui-lo com o olhar.

— E então doutora? Bella está bem? – Charlie perguntou, preocupado, e eu, por um momento, me senti culpada.

Carine sorriu mais uma vez.

— Ela está ótima. – Ela disse, tirando de dentro do bolso um pequeno pote com várias pílulas pequenas dentro. – Se sentir qualquer dor de cabeça ou tontura tome esse remédio, se perdurar, volte aqui. – Disse, e eu peguei o pote, suspirando um tanto aliviada.

— Bella. – Alguém me chamou e eu olhei para atrás, e lá vi Taylor, em uma maca diferente da minha, uma enfermeira estava em sua frente, fazendo pontos em sua cabeça. – Me desculpa, eu perdi completamente o controle.

— Eu estou bem. – Disse, pela milésima vez naquele dia.

— Mas, que aconteceu? Uma hora você estava lá e a outra não. –

Eu pigarreei.

— Uh... Edythe me tirou do caminho.

— Quem?

— Edythe Cullen, ela me salvou. – Quando eu disse aquelas palavras ela piscou, um tanto confusa.

— Eu não me lembro dela ao seu lado, mas, tudo aconteceu tão rápido que eu não tenho certeza. – Ela disse, e eu concordei.

— Pois é... eu também estou meio confusa.

— Mas, está mesmo tudo bem? – Ela reforçou a pergunta.

Eu somente assenti com a cabeça.

— Está tudo bem. – Eu disse, mas, ela não parecia mais aliviada.

— Você teve muita sorte Bella. – Disse Carine, enquanto escrevia algo em sua prancheta, caminhando de volta para mim, e olhava para mim de uma forma... desconfiada?

— Sim, uh, se não fosse Edythe que tivesse me empurrado, eu não sabia o que teria acontecido. – Eu disse, e vi Carine ficar mais aliviada pela minha explicação.

— Se eu encontrar essa garota, irei agradece-la por salvar a Bella. – Ele disse, dando um beijo em minha cabeça.

— Pai. – Eu resmunguei, brincando, e vi um relance de um sorriso nos lábios de Carine ao ver nossa interação.

— Não foi nada Charlie. – Uma voz suave soou em meus ouvidos e eu imediatamente olhei para atrás, e lá estava Edythe, com toda a sua magnitude e beleza, ela tinha mudado de roupa, e agora estava com uma calça jeans e uma blusa com uma jaqueta preta por cima.

Edythe pareceu entender a minha confusão e ela suspirou.

— Só queria saber se estava bem. – Ela confessou, e eu assenti rápido demais, abaixando a cabeça, tentando me esconder daqueles olhos dourados.

— Bom Bella, vamos? – Perguntou Charlie, e eu assenti, e, enquanto andava em direção a porta do hospital, vi Edythe me encarando no caminho, era um olhar preocupado e.... arrependido?

Senti meu peito doer.

Desviei meus olhos e segui mais rápido para a porta.

— Bella, eu acho que você deve ligar para a sua mãe. – Ele disse, e eu olhei para ele, incrédula.

— Você contou a ela? – Eu disse, e ela parecia culpado pelo feito.

— Ela estava preocupada, desculpe. –

Bati a porta da viatura com força, bufando.

***

Deu um bom trabalho para finalmente acalmar Renée, quando soube do acidente ela já estava quase voltando para nossa casa em Phoenix e exigindo que eu voltasse.

Mas, depois de muitos “estou bem” e “Não mãe, eu não vou morrer por uma batida na cabeça” ela se acalmou e desligou.

Eu dormi cedo naquela tarde, tomei algumas pílulas que Carine tinha me receitado e cai na cama, exausta.

E, novamente, sonhei com Edythe Cullen.

E, como no outro sonho, eu tentava pegar sua mão, mas, nós nunca nos alcançamos.

— Que bom que está salva. – Ela disse, e a voz parecia real demais, mas, eu não me importei, continuei murmurando seu nome, tentando chama-la para mim.

E eu acordei em um rompante.

O quarto estava vazio, mas, um estranho perfume estava no ar, parecido com de Edythe.

Pisquei algumas vezes, balançando a cabeça, e olhei para a janela, mas, ainda estava de noite.

Não dormi o resto dela.

Estava ocupada demais pensando no acidente e o que tinha acontecido.

Eu tinha certeza que tinha visto Edythe do outro lado do estacionamento, mas, todos diziam tanto que ela estava do meu lado na hora que eu estava me achando louca.

A quem eu queria enganar? Era um pensamento estranho, um humano não era capaz de correr, em alguns segundos, de um lado do estacionamento para o outro.

Mas, eu sabia o que eu tinha visto, e iria falar com Edythe sobre aquilo.

E, quando amanheceu, eu estava decidida.

Quando finalmente estava na escola, sai da caminhonete e procurei Edythe pelo olhar, e, bem na porta da entrada da escola, lá estava ela, me olhando, as mãos no bolso e expressão um tanto tensa.

Com passos largos, fui até ela.

— Oi. – Eu disse, e ela somente acenou com a cabeça. – Eu quero conversar com você em um lugar mais... reservado. – Eu disse, e ela assentiu, acenando com a cabeça para perto do volvo dela.

— O que você quer? – Ela parecia irritada, e seus olhos olhavam para mim com certo medo.

— Você me deve uma explicação. – Eu disse, enquanto agarrava meus livros sobre o meu peito.

Ela bufou, olhando para os lados.

— Eu salvei sua vida. Não lhe devo nada. –

— Por que está agindo assim? –

— Você bateu a cabeça, não sabe do que está falando. – Ela disse, a voz parecendo um trovão, como se quisesse me dar medo.

— Não á nada de errado com a minha cabeça. – Disse, irritada e ofendida. Ela somente virou seus olhos para minha testa, mais uma vez.

— O que você quer de mim? –

— A verdade. – Respondi. — Quero saber por que eu estou mentindo por você. –

— O que você acha que aconteceu? – Perguntou ela, uma sobrancelha fina se levantado.

Eu não queria falar para ela o que exatamente eu tinha visto e achava que tinha visto e o que tinha acontecido, soava tão louco e estranho na minha cabeça, que, se eu falasse alguma coisa, tinha medo que ela começasse a rir, mas, eu somente respirei fundo e soltei:

— Você... você estava a quatro carros longe, muito longe para conseguir me alcançar antes que a van batesse em mim, Taylor também não a viu, então, não fale que isso é por causa que bati a minha cabeça. Aquela van ia esmagar nós duas, mas, não esmagou. Pareceu que suas mãos e seus ombros deixaram amassados na van da Taylor, como se você a.... segurasse, e você previu o movimento da traseira da van, e segurou minhas pernas, e você nem ao menos se machucou.... – E, como eu previ, aquilo soara tão louco, que senti meus ombros encolherem ao ver a face incrédula de Edythe.

— Você acha que eu parei a van com meus ombros e minhas mãos? – Ela disse, e eu assenti, e vi os olhos dela fecharem em irritação.

— Ninguém vai acreditar em você. – Respondeu seca e dura.

— Não quero que ninguém acredite. – Seus olhos se abriram. – Não vou contar a ninguém. – A surpresa passou pelos seus olhos.

— Então, por que importa? –

— Importa pra mim, não gosto de mentir, então, preciso de um bom motivo para fazê-lo. –

— Você não podia somente agradecer? – Ela perguntou, os olhos me olhando com irritação.

— Obrigada. – Eu disse seca, me virei, e caminhei, mas, não antes de ouvir.

— Você não vai deixar pra lá, não é? – Eu parei de andar e olhei para atrás.

— Não. –

Ela deu um sorriso sarcástico.

— Então, espere que goste de se decepcionar. – Disse, arrumou a mochila nos ombros e saiu andando.

— Se era para agir assim, por que se deu ao trabalho? – Eu disse em uma voz baixa, me lembrando do olhar arrependido de Edythe no hospital.

Por algum motivo, ela ouviu.

— Eu... Não sei. – Ela disse, e, continuou sua caminhada para dentro da escola.

Demorou um tempo para eu me mexer.

Cambaleei para dentro da escola, cansada.

E notei que eu não tinha dormido direito a noite inteira com pesadelos e sonhos por aquela que agora, parecia me odiar.

***

Foi estranho o dia de aula, ninguém parecia notar Edythe, como se ela não existisse, como se ela não tivesse salvado minha vida no dia anterior.

E, quando cheguei a sala de Biologia, Edythe, como no primeiro dia, se afastou de mim, mas, ela não parecia tensa, como se necessitasse se afastar.

Ela estava com raiva.

Era pra eu estar com raiva!

Bufei e virei meus olhos para o professor.

E todas as vezes que eu me atrevia olhar para ela, parecia que eu não existia.

E isso me irritou ainda mais.

— Hey Bella! – Disse Jeremy, seus braços indo ao redor do meu pescoço. – E ai, vai convidar quem para o baile? As garotas convidam esse ano. – Ele disse, enquanto caminhávamos pelo corredor da escola.

Ah é, o baile.

Eu não estava com nenhuma vontade de ir, e por isso iria a Seattle esse final de semana.

— Eu vou para Seattle esse final de semana. – Eu disse, e ela franziu o cenho.

— Não pode ir no outro final de semana?

—Não vai dar, mesmo. – Sorri sem graça, tirando os braços dele de mim e indo me sentar.

Sentei ao lado de Taylor, que não tirou os olhos de mim durante os quarenta minutos de almoço.

E vi o quanto era diferente de ser encarada por Edythe e Taylor.

Quando finalmente acabou, eu me levantei, e praticamente corri para a minha próxima aula, querendo sumir do olhar de Taylor, que parecia me perseguir.

— Ei, Bella. – Ele falou e eu amaldiçoei o caminho longo da sala de Trigonometria e olhei para atrás, confusa.

— Ei. –

Taylor pigarreou, e arrumou seus cabelos.

E a cada minuto que Taylor passava olhando para mim e o chão eu ficava mais confusa.

Eu olhei para frente e vi de relance Edythe dando uma risadinha e revirar os olhos, enquanto entrava em sua aula e eu franzi o cenho.

— Eu queria saber se.... Você quer ir ao baile comigo? –

Eu olhei surpresa para a garota em minha frente.

Ela tinha os olhos castanhos brilhando, e eu me senti mal ao dizer não.

— Eu não vou a bailes. – Eu disse, dando de ombros.

— É.... Escutei você dizer isso para McKayla um dia desses. – Ela disse, encolhendo os ombros. — Eu achei que esse “não vou a bailes” mudaria se eu te convidasse. –

— Eu vou a Seattle qualquer coisa, não iria de qualquer jeito. – Ela assentiu de novo, saindo da minha frente, com as mãos nos bolsos e passos curtos e rápidos.

***

— Ei Bella. – Disse Érica, eu dei um meio sorriso, ainda procurando alguma coisa em minha mochila.

— Nossa, depois do acidente, eu esperava algum arranhão aqui, mas, ela ainda está novinha. – Disse ela, e eu dei de ombros.

— Ela pode ser bem útil. -

— Ei, mas, e ai? Você diz tanto que não vai a bailes, tem tantas desculpas, que fiquei um tanto curiosa. – Ela disse, e eu levantei a cabeça, olhando para ela confusa.

Então, algo me chamou atenção.

Edythe estava na porta da escola, perto o suficiente de nós para nos ouvir, olhando para nós duas.

— .... Você tem alguém que está .... Gostando? –

Eu pisquei.

— Uh? O que?

Ela sorriu.

— Sabe, eu tenho Allen, McKayla tem o Jeremy, e você Bella?

Eu olhei novamente para Edythe, que me olhava de uma forma curiosa, como se quisesse saber a resposta.

Eu balancei a cabeça.

— Eu acabei de chegar, não acho que alguém me chamaria atenção tão rápido. – Ela assentiu, pediu desculpas, e saiu da minha frente, e, quando eu olhei novamente para a porta da escola, Edythe não estava mais lá.

***

No dia seguinte, na aula de Biologia, Edythe parecia um pouco mais... receptiva a minha pessoa.

Já que ela estava me encarando, novamente, mas, tão abertamente, que me senti estranha ao me sentar e ela seguir cada movimento.

Eu olhei para o lado, e sustentei o olhar, e não passou despercebido suas mãos, antes espalmadas na carteira, se formarem em um punho, como se ela estivesse fazendo algum esforço.

Desviei meus olhos, incomodada.

— Srta Cullen? – Eu me surpreendi com a voz da professora.

— O ciclo de Krebs. – Respondeu ela, e eu me surpreendi, olhando de relance para ela.

Desisti de tentar entender o olhar de Edythe e fingi estar lendo um livro qualquer. Mas, a onda de emoção, só por ela estar olhando para mim, era perceptível, e eu não conseguia disfarçar as minhas mãos tremendo a cada página que eu virava.

Patético, eu sei.

— Bella.

A voz dela me parecia familiar, como se eu tivesse escutado ela a minha vida inteira.

Eu me virei devagar para ela, com medo do que encararia.

Edythe Cullen era uma caixinhas de surpresa para mim.

— O que? – Eu disse, fechando meu livro.

Ela só olhou para mim.

— Então... hã.... Você está falando comigo agora? – Eu disse, franzindo o cenho.

— Não. – Ela disse, mas, os lábios dela se curvaram em um sorriso, exibindo suas cozinhas.

Eu levantei uma sobrancelha.

— Então o que você quer Edythe? – Eu disse um tanto seca.

— Desculpe. – Não havia humor em sua voz. – Eu sei que eu me comportei meio... rudemente com você esses dias, mas, é melhor assim, acredite.

— Eu não sei o que você quer dizer. – Eu disse cautelosa.

— É melhor não sermos amigas, confie em mim. –

Meus olhos reviraram-se, eu já tinha ouvido isso antes.

Eu franzi o cenho.

— O que você está pensando? – Ela disse, se aproximando mais de mim.

— É uma pena você não ter percebido isso mais cedo. – Eu disse, entredentes, me lembrando dos olhos dourados no hospital. – Teria poupado tanto arrependimento. –

— Arrependimento? – Ela parecia surpresa pela minha fala, e eu somente me mexi na minha cadeira, enquanto via seus olhos dourados ficarem incrédulos e confusos. – Arrependimento de que?

— De não ter deixado a van estúpida passar por cima de mim. -

Ela parecia incrédula quando parei de falar.

— Você... você acha que eu me arrependo de ter salvado sua vida? – As palavras dela foram sussurradas, mas, intensas.

— Eu sei que se arrepende. – Resmunguei, amarga.

Ela piscou, olhou para mim e depois negou com a cabeça.

— Você é tão idiota. –

Eu olhei para ela com raiva, já não bastava ter que aturar olhares fixados em mim, mudanças de comportamento, estar completamente obcecada por ela.

Não! Ela tinha que me achar uma idiota.

Bufei, pegando meu material em cima da mesa e pulando para carteira em minha frente, tentando ignorar completamente a existência de Edythe Cullen.

Por mais que aquilo fosse impossível para mim naquele momento.

Notas finais
Desculpem qualquer erro de ortografia, o/