Life Isnt a Word, Is a Felling
53 Capítulo 45. I need you.
Notas iniciais
A chuva parou quando chegamos. O meu avó aguardava nos à entrada, com o mesmo rosto do meu pai, mas o dele apresentava-se feliz.
Synyster abraçou-o fortemente.
- Bem, e aqui fica a minha papoila. – Sorriu, calmamente para o filho. – Brian, filho, podemos falar os dois? – Pediu.
Brian assentiu.
Moveram-se os dois para dentro de casa, e o meu avô carregou com as minhas malas.
Tinha uma memória trabalhada da sua casa, mas não vinha aqui há mais de cinco anos. Tal como me recordava, era uma vivenda branca. Para chegar há casa tínhamos de percorrer um comprido jardim, que a minha avó adorava, e depois junto à porta estava o Black, um labrador preto. Ao lado da casa havia uns baloiços agora enferrujados, mas onde costumava brincar. Por atrás da casa havia uma pequena garagem, que servia de estúdio musical, e por fim, atrás desta havia uma descida funda onde corria uma pequena ribeira e ao seu lado, a casa de madeira.
A casa de madeira. Sempre tive uma forte ligação com aquela casa, e com aquele lugar. Fazia-me sentir especial, bem comigo própria.
Entrei na casa principal, sem deixar de observar a ribeira. O meu pai e o meu avô já tinha desaparecido do meu campo de visão, e toda a casa chegava a bolo. Como amava aquele cheiro.
Procurei a cozinha, tentando ter a certeza que ainda conhecia a casa onde tinha corrido em pequena.
Vi a minha avó de avental. Era alta, e jovial. Era sobretudo bela.
A minha avó não pertencia de todo ao protótipo de avó. Não tinha cabelos encaracolados e grisalhos, nem era baixa nem gorda.
Tinha um rosto oval que combinava perfeitamente com os seus lábios pequenos e finos, como os de Brian, e com os seus olhos castanhos brilhantes. Depois puxava elegantemente os cabelos loiros e compridos, para atrás, num rabo-de-cavalo. A sua estrutura elegante tirava ainda mais a idade de cima, e nunca diria que era minha avó, talvez minha mãe.
Sorri-lhe alegremente, e o seu corpo saltitou nos altos, correndo na minha direcção. Abraçou-me, emocionada pelas saudades. Cheirava a flores, e a sua respiração provocava-me bem-estar.
- Juliet, minha querida! Que saudades! – Saudou. – É só pena ser pelos motivos que é.
Baixei os olhos em forma de remição, mas ela ignorou-me.
- Fiz os teus bolinhos preferidos! E querida, vamos precisar da tua ajuda para a festa! Faltam apenas cinco dias, mas este já nem conta. Vai passar a correr.
- Hum. – Assenti.
Não queria festejar um novo ano, não sem Zacky. Ou pelo menos Thomas.
Queria subir para o quarto e esperar que passasse tudo rápido.
A minha avó percebeu a deixa, continuando a cantarolar pela cozinha. Sentei-me numa cadeira, apoiando o meu corpo sobre a mesa enquanto a observava.
Syn apareceu com Brian, calmos e serenos. Aliás, tinham ambos um sorriso nos lábios.
- Mãe!
- Meu querido!
Abraçaram-se, e a conversa continuava e continuava.
Esperei para me despedir de Syn, e subi rapidamente para o quarto onde tinha as minhas malas. Nem me dei ao trabalho de tirar as coisas delas.
Deitei-me na cama, observando o silêncio mortal que ali reinava.
Zacky. Era a única coisa que me passava na cabeça.
Relembrei a primeira vez que me beijara. As suas mãos suaves, e os seus lábios doces. Tinha sido tão mágico. Principalmente a sua frase; “Será que é quase tão fácil voltares para mim sem nunca te ter tido?”
Tremi, e o meu bolso também.
“Zacky: Já chegaste? Amo-te.”
“Já… E já me ia embora. Zacky, preciso de ti.”
Enterrei-me mais no colchão, e adormeci.
Não faço ideia quanto tempo dormi, mas quando me levantei ainda estava vestida do dia anterior, o almoço estava na mesa a deitar fumo. Não vi os meus avós.
Dirigi-me a casa de banho, mais perto do quarto onde estava instalada, sem olhar muito para esta. Tomei um duche rápido, vestindo umas gangas de ganga normal, um top e um casaco. Não estava importada como o que tinha vestido.
Também almocei rápido, trocando apenas algumas palavras com os meus avós.
Mal eles saíram para ir as compras e à sua vida, refugiei-me na casa de madeira. Estava aborrecida, mas o castigo era merecido. Não tinha o telemóvel comigo, nem mp3 nem nada. Era apenas eu e aquela casa.
O ar era frio, e bati-me com força na cara, mas não me importei. Queria gritar, mas não o fiz. Ouvi a água a bater nas pedras da ribeira. E não pensei em nada.
Mantive me assim todos os restantes dias, apenas desejava que o tempo passasse. Apenas desejava ver Zacky.
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