Life Isnt a Word, Is a Felling

54 Epilogo - Nothing Else Matters


Epilogo — Nothing Else Matters

Acordei sem vontade. Não era uma novidade dos últimos dias. Também continuei sem a preocupação do que tinha vestido. As minhas calças pretas, e a minha t-shirt, ou melhor do Zacky, dos AC/DC, eram o que havia. Enfiei o meu casaco, e desci para baixo.

Ignorei os preparativos para a festa de logo à noite, e as amigas que da minha avó que ali andavam. Sai para rua e dei os bons-dias ao ar puro, que tinha se tornado no meu melhor conselheiro.

Um barulho vinha da garagem. Empurrei um pouco a porta enferrujada, e tentei espreitar para ver quem estava lá. Conseguia ouvir duas vozes distintas por cima de uma guitarra, mas apenas alcançava o meu avô naquele campo de visão.

- Juliet, entra querida. – Ordenou-me.

Empurrei a porta com força, mas mesmo assim só se abriu o suficiente para eu passar.

Olhei para o homem que estava sentado ao seu lado. Reconhecia-o, mas não me lembrava dele. Reconhecia principalmente os seus olhos azuis.

- Juliet! Como estás crescida! – Elogiou o homem sem nome.

Fitei-o confusa, e eles sorriram. Aproximei-me lentamente, tentado me proteger daquele ser.

- Juliet, este é o pai do Zacky. Não te lembras dele?

O pai do Zacky. Gelei. Não me recordava dele, mas aqueles olhos eram me demasiado familiares e agora percebia porquê.

- Só o meu rapaz é que não me arranja netos, já viste! – Comentou, ao observar-me.

Riram-se os dois. Eu gelei ainda mais só de pensar em ter um filho do Zacky.

- Ainda pensei que sim, quando ele namorou com a Gena. – Continuava. – Mas agora não me quer contar anda ou não com alguma rapariga. Diz que não é importante, que falamos falar de outras coisas… Desvia o assunto, mas eu sei que há alguém, e muito importante.

Tinha vontade de me rir por dentro, ao imaginar o Zacky atrapalhado, mas sentia-me magoada ao ouvir o nome Gena. Tinha tanto nojo dela, como de mim própria, neste momento.

- Bem, mas senta-te. – Ordenou-me Brian.

Obedeci, sem mover bem os membros. Estava a tremer.

O meu avô sorria-me mas o rosto do pai de Zacky estava agora sério. O medo era mais do que suficiente para eu não me mover, nem pestanejar. Uma só palavra e eu saltava do meu lugar.

- Então, e ficaste bem depois da confusão do bar? – Questionou-me simpaticamente. – O meu rapaz foi bem forte, mas agora tem a vida complicada.

Abri os olhos com força para o ver melhor. Não entendia o significado das sílabas que ele acabara de unir.

- O Paul apresentou queixa, por ser menor e agora o meu rapaz tem de arranjar álibi. Penso que a Anne pode ser o seu álibi, mas ainda não tem a certeza. – Continuou. – Quase de certeza que se safa, mas é um grande trabalho para a banda.

- Sim, temos visto nas notícias na internet e em canais musicais, não se fala de outra coisa. – Entreviu Brian. – O Matt está tão ralado com o facto, da banda estar assim. Eles estão mais unidos do que nunca, mas é sempre mais fácil cair no mal do que sobressair-se no bem.

Senti as lágrimas a ferirem-me os olhos. Não sabia que isto estava assim, que eles estavam nas bocas dos lobos, nas bocas do mundo. Zacky não me tinha contado rigorosamente nada, o mais provável para me proteger, e eu não perdia tempo com novas tecnologias.

Sentia-me culpada. Devia ter lido as notícias, e correr para casa, fosse de que forma fosse. Queria abraçar a minha mãe, queria proteger Zacky. Eu é que devia ser a culpada, e não ele. Ele só queria o meu bem, e eu nada podia fazer por ele. Estava ali pressa.

- Desculpem, eu estou maldisposta. Vou a casa de banho. – Pedi, sem ouvir a confirmação.

O meu corpo correu para a porta. Sentia as suas vozes na minha cabeça, e o meu coração nas minhas mãos.

Continuei a correr até a casa de madeira. Entrei e tranquei a porta, sem hesitar.

Sentada, senti-me a desfazer, e as lágrimas molharam-me o rosto e a roupa. Não conseguia parar de chorar. Não tinha ali Zacky para parar as minhas lágrimas, nem Thomas. Sentia-me sozinha e isso aumentava a minha dor.

Não queria que os meus pais passassem por esta humilhação. Não queria que Matt tivesse a sua banda nesta situação. Não queria, sobretudo, que Zacky ficasse mal no meio disto tudo.

Sabia que os meus olhos estavam vermelhos e cheios de papos. Alguém bateu a porta, e abri a medo. Era apenas o meu avô.

Os meus braços envolveram-no, e ele levou-me para casa sem dizer uma única palavra. Ele conseguia ser tal e qual Syn, no que tocava a falar. Eram ambos calmos, e não pediam explicações, talvez porque as tinham melhor explicadas na sua cabeça, do que alguma vez eu faria.

Jantei sem grande vontade, e a festa continuava alegre e ruidosa. Quando sai para a rua, ninguém reparou ou se interessou em procurar-me.

Estava escuro, mas não era uma noite fria. Ali no meio do nada, podia ver todas as estrelas nítidas. Era sem dúvida belo.

Alguém interrompeu o meu silêncio. Os faróis no máximo entraram-me pelos olhos, esmagando-os com a intensidade da luz. O pó criado pelos pneus, correu para a minha garganta, sendo assim obrigada a cuspir para o chão.

Tinha raiva a quem estivesse a chegar atrasado a festa. Raios da meia-idade.

Os seus olhos sorriram-me, e o seu cabelo não levantava com o vento. Era certamente um homem, e que me conhecia.

Quando percebi que o azul dos seus olhos me observava, e o seu cabelo era preto, corri para os seus braços. Zachary.

Sentia-me finalmente protegida e segura.

Procurei os seus lábios, no escuro, com os meus. Senti o rosto liso a tocar-me, e por fim encontrei-os. Beijei-o, longamente, como se fosse a ultima vez, ou talvez a primeira. Não queria o largar, mas ele soltou, acalmando-me com os braços em redor do meu corpo

- Juliet, aqui não. – Sussurrou-me.

Levei-o até a casa de madeira. Estava-se demasiado confortável ali, mesmo com o chão duro e a fraca iluminação do luar e da lâmpada que Brian ali tinha instalado.

Os seus braços envolveram a minha cintura calmamente, sentado no chão, e eu sobre as suas pernas, estava sentada.

Os meus lábios procuraram os seus, ansiosos. Ele não recusou, e beijava-me calmamente, sem deixar de respirar, utilizando a mão que não precisava para acolher o meu corpo, para prender o meu cabelo.

Os meus braços estavam enrolados ao seu pescoço quente, e nenhum me pensava no facto de a nossa família estar a menos de 200 metros dali.

Quando me soltou o cabelo, mas não o tronco, parei-o. Tinha de falar com ele.

- Cheguei a tempo da meia-noite. – Sorriu.

- E ninguém deu pela tua falta na festa?

- O Matt não se importou. E o Syn estava demasiado bêbado, para notar a minha falta. – Concluiu. – Além do mais, eu tinha saudades tuas.

Abracei-o, para ficar encostada ao seu peito, enquanto os seus dedos desenhavam formas no meu rosto, e brincavam com o meu cabelo sem jeito.

- Zacky… Porque é que não me contaste da queixa?

- Porque isso agora não tem importância. – Fechou o assunto. – Juliet, eu tinha de vir até aqui. Tu sabes disto, mas nunca acreditas quando tentei explicar-te.

Não percebia o rumo da conversa, mas abri os meus olhos castanhos para ele continuar.

- Eu amo-te Juliet. Tu não tens noção o que significas para mim. És tudo o que eu mais quero, tudo o que preciso. Eu morria por ti, sem pensar nas consequências. Eu não quero saber do que o Syn quer, eu apenas quero saber de nós e ser feliz contigo. Se for preciso sair da banda por ti, eu saio. Desde que esteja ao teu lado, não preciso de mais nada.

Bati-lhe no braço com a força toda que tinha. Sabia que não era a melhor forma de reagir após o que ele tinha dito com tanto sentimento, mas era o que tinha de fazer.

- Tu nunca te atrevas a deixá-los. – Olhei, com as lágrimas de emoção das suas palavras suspensas nos olhos.

Abraçou-me, com força.

- Eu aguento bem ter de esconder tudo de Syn, e suporto não saber o porque disso. Eu amo-te. – Respondi, entre lágrimas que escorriam pela minha cara. – Desde que te tenha a ti, nada mais importa.

Os meus lábios abriram-se junto aos meus, e as suas mãos tocavam-no meu corpo ao beijar-me. Aquele ambiente era ainda mágico do que outro que eu alguma vez imaginara.

Uma brisa leve e suave passava por nós, envolvendo-nos nela, enquanto a água corria lentamente junto a casa. Os sons da noite eram a música mais bonita que eu tinha ouvido.

Tremia ao sentir os seus dedos percorrem-me o tronco, e os seus lábios rolarem sobre os meus. Sentia a cabeça a roda, mas estava feliz. Feliz, porque o tinha ali. Feliz, porque sabia quando ele me amava.

“Amo-te”, confirmou num sussurro, quando parei para respirar. Voltou a beijar-me da mesma forma delicada que tinha feito desde que chegara, e aos poucos aumentava a intensidade da mesma forma que também a baixava.

Passei as mãos junto dos botões da sua camisa, e desabotoei-os um por um, deixando-me cair no seu tronco nu.

O seu tronco estava frio, mas era confortável ao mesmo tempo. Sentia-me protegida e sua respiração controlava-me, algo difícil naquele momento. Apenas o queria a ele, e queria a sua calma. Tornava tudo aquilo mais do que perfeito.

Os seus lábios passavam por todo o meu pescoço, pelos meus ombros, e beijou por fim a parte descoberta do meu peito. Largou, olhando-me nos olhos, e voltou a agarrar o meu pescoço com as suas mãos firmes, e beijou-me, desta forma mais intensamente, continuando delicado.

Empurrei as suas mãos para a bainha da minha t-shirt, para que ajudasse a tira-la, ao mesmo tempo que lhe beijava o pescoço gelado. Parou-me, agarrando-me nas mãos firmemente e beijando os nós dos meus dedos, entrelaçados nos seus.

- Juliet, eu não quero estar assim contigo. – Olhou-me directamente para os olhos, deixando-me tonta. – Eu quero e muito, mas é cedo. Quero começar de novo contigo, quero ser correcto, e levar tudo com calma. Eu amo-te demais para cometer algum erro.

O meu corpo gelou junto do dele. Não sabia o que dizer, ou pensar.

- Estás bêbado? – Foi a única coisa que me saiu naquele momento.

Só quando os seus olhos me focaram magoados, é que me percebi da parvoíce que tinha acabado de dizer.

- Zack, desculpa! – Pedi, envergonhada. – Eu apenas pensei que tu queria isto, não estava a espera que …

Parou-me, com um suave beijo.

- Não peças. – A sua mão deslizou suavemente sobre o meu rosto. – É normal que tenhas pensado isso. Eu fui tão estúpido contigo, e tu voltaste para mim. Agora apenas quero ser feliz contigo Juliet, sem discutir. Perdoas-me?

Beijei-o, sem lhe responder. A resposta era demasiado óbvia.

A noite acolheu-nos, e o meu corpo adormeceu junto do dele, ignorando o frio que ali corria. Apenas com uma única certeza. De que o amava.

Continua...


Notas finais
Chegamos ao fim da primeira parte! A minha intenção é fazer uma trilogia. Levarei esta ideia para a frente se o quiserem. Já tenho alguns rascunhos para começar sobre ambas as partes.
Sinopse da segunda parte:
Como ficará a relação de Anne com Matt, depois de ele saber que ela beijou David?
Será que Juliet aceitará o convite para entrar na banda?
Irá Thomas aguentar a pressão de conviver diariamente com Juliet e Zacky?
Mas importante, conseguiram Juliet e Zacky esconder o seu amor de todos aqueles que os rodeam?
E quanto de repente, algo faz com que a sua relação mude completamente, afectando tudo e todos?
Todas as perguntas se relevaram nesta segunda parte de Live isn't a Word, is a Felling!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!