Life Changing
31 Responsabilidades
RESPONSABILIDADES
— Por favor, Srta. Santana Lopez?
— Sim, é ela, com quem falo?
— Meu nome é Aaron e falo do Mount Sinai Medical Center. – O coração de Santana acelerou. – Você é nomeada no seguro social da Srta. Berry como responsável por ela, Srta. Rachel Barbra Berry, e as crianças Elizabeth Marie, Charlotte Rae e Russel Luke Berry Fabray.
— Sim, sou eu. Pelo amor de Deus, me diga logo o que está acontecendo. – Santana já estava pegando sua bolsa e indo em direção ao escritório de San. Ambos tinham ficado até mais tarde resolvendo um grande caso.
— Srta. Lopez, sinto informar que a Srta. Berry e seus filhos sofreram um acidente, eles deram entrada no hospital há 30 minutos, duas das crianças passam bem, mas Elizabeth está em estado grave, assim como a mãe. Solicito que a senhora compareça o mais breve possível aqui. – Santana não acreditava no que estava ouvindo. Aquilo devia ser um pesadelo.
— Preste atenção, eu estou em Los Angeles, vou embarcar no próximo vôo, mas Rachel nomeou além de mim, a Srta. Lucy Quinn Fabray como responsável, eu entrarei em contato com ela agora. Enquanto isso, faça o que for necessário para mantê-los bem, eu estou enviando agora mesmo uma procuração para que sejam feitos os procedimentos necessários, me informe qual o setor que eu devo enviar.
— Srta. Lopez, já tentamos contato com a Srta. Lucy Quinn Fabray, mas não obtivemos êxito, por isso a contatamos, se você conseguir seria de grande ajuda. Quanto a procuração envie para o e-mail central do hospital que lhe enviarei por mensagem.
— Ok. Obrigada. Por favor, avise aos médicos que dinheiro não importa, eu quero minha irmã e sobrinha bem, okay?
— Okay, Srta., faremos nosso melhor. Tchau.
— Sam, vamos para Nova Iorque agora. Rachel se envolveu em um acidente, não sei bem, e ela e Beth estão em estado grave, Charlie e Luke estão sozinhos... Com certeza eles estão com medo. Reserve nosso vôo o mais rápido possível, faça o que for necessário por aqui, vou pra casa arrumar algumas roupas, e passo em sua casa para pegar algo pra você. Se apresse, Sam.
— Já estou reservando as passagens, assim que estiver o horário, te ligo. Agora vá, Santana. – Sam tinha lágrimas escorrendo pelo rosto e Santana ainda estava em estado de choque não esboçando qualquer reação, ela saiu e seguiu pra sua casa.
Um toque, dois toques, três toques, quarto toque..
— Santana, Quinn não pode falar agora. – Puck dizia ofegante.
— Eu não quero saber se ela pode ou não, Puckerman, passe pra ela imediatamente.
— Santana, não comece com sua grosseria, ela não pode atender você.
— Escute, Noah, é caso de vida ou morte, passe pra ela. – Puck ao ouvir Santana chamá-lo de Noah sabia que era algo sério.
— Ela não pode mesmo, nós estávamos treinando, ela se desequilibrou, estava segurando a cabeça como se sentisse dor, o companheiro de treino dela não teve tempo de segurar o chute e acertou a cabeça dela, ela caiu gritando por Rachel e desmaiou. Eu acabei de trazê-la ao Mount Sinai.
— Deus, eu só posso acreditar que o Senhor está mesmo por trás dessas duas. – Santana agora chorava. – Eu preciso que ela fique bem logo, Noah, Rachel está aí no mesmo hospital com as crianças, eu preciso que você encontre os dois bebês que escaparam do acidente e cuide deles, eles devem estar assustados e com medo. – Santana respirou e Puck estava assustado com a informação. – Assim que Quinn acordar e estiver estável faça ela se informar no hospital sobre o que será necessário. Ela está nomeada no seguro social deles como responsável pelos quatro, assim, faça ela tomar as providências necessárias até eu e Sam estarmos por aí.
— Santana, isso é assustador. – Puck olhava para uma Quinn inconsciente. – Eu farei tudo isso. Mas me passe o nome das crianças.
— Charlotte Marie e Russel Luke Berry Fabray. Eu estou enviando uma procuração para o hospital neste momento e comunicarei que você ficará com os bebês. Cuide bem deles, Puck, por favor.
— Santana, você disse Berry Fabray mesmo? – Puck estava chocado.
— Sim, Puck, é isso mesmo que você está pensando, mas não diga nada à Quinn, isso é assunto de Rachel, ela estava em Nova Iorque para esclarecer tudo, faça o possível para Quinn não ter acesso aos documentos, eu quero manter a vontade de Rachel.
— Uau. Está bem, eu farei o possível. Me informe o horário que chegarão aqui. Tchau. – A ligação foi desligada e Puck foi tomar as providências necessárias.
Pouco tempo depois ele estava em um quarto de hospital com uma assistente social e dois bebês chorando muito. Ele não sabia o que fazer, então ligou para Marley que veio rapidamente. Ela não hesitou em pegar Luke, e colocar Charlotte no colo de Puck.
— Noah, eles precisam de carinho e proteção agora, você pode dar isso a eles, você deu a Quinn lembra-se?
— É diferente, eles são bebês, e se não gostarem de mim? – Puck disse segurando Charlie como se ela fosse quebrar.
— Eles vão gostar de você, veja, ela já está chorando menos. – Puck sorriu e acariciou os cabelos da menina.
— Ei, Charlotte, você é linda, sabia? Você me lembra muito minha princesa judia e minha baby queen. Eu vou cuidar de você e do seu irmãozinho, está bem? É uma promessa. – A menina o encarava com os olhinhos vermelhos de tanto chorar.
— Eu quer a Mamãe.. Eu quer a Lil Bee.. – A menina voltou a chorar.
— Lil Lamb, eu tô aqui. Mamãe disse que eu sou o homem da casa, eu vô cuidá de você. Não chola. Olha, eu nem tô cholando. – Luke falou limpando suas próprias lágriminhas, deixando Marley e Puck impressionados.
— Lil Bear, eu quer a Mamãe.. Cadê a Lil Bee? – Charlie perguntava entre soluços.
— Elas vão vim logo, a mamãe nunca demola, ela sempre diz que volta depois da nossa soneca, se agente naná agola, ela vai tá aqui depois. – E assim as crianças fizeram, Charlie se aconchegou no pescoço de Puck e logo adormeceu. Luke fez o mesmo com Marley.
— Eles só podem ser filhos de Rachel e Quinn. Isso foi assustador e impressionante. – Puck sussurrou para Marley e ela concordou.
— Como será que Quinn vai reagir quando souber?
— Ela vai pular de alegria, ela vai tomar a família dela e ninguém mais tira. – Puck respondeu sorrindo e Marley assentiu. – Marls, fique aqui com eles, eu vou ver se Quinn já está bem, o médico disse que ela acordaria logo.
— Vá, mas tome cuidado com o que fala, não esqueça do que Santana disse. – Ele assentiu e saiu do quarto indo para o quarto de Quinn e encontrando a loira sentada na cama de hospital.
— Ei, loira, que susto que me deu, hein?
— Puck, o que aconteceu?
— Você levou um chute na cabeça e desmaiou. – E então Quinn se lembrou do que aconteceu e da dor que sentiu.
— Oh Deus.. Puck, Rachel, eu preciso saber dela, aconteceu alguma coisa, eu sei. Eu preciso encontrá-la. – Quinn já estava saindo da cama, mas Puck a segurou.
— Quinn, precisamos conversar sobre Rachel. – Quinn o encarou e ele sabia que devia continuar a falar. – Ela está aqui, neste hospital. – Quinn arregalou os olhos. – Ela.. Bem, Baby Queen, não é fácil dizer... – Puck respirou fundo. – Ela veio te procurar, queria esclarecer umas coisas, de acordo com Santana, e quando estava indo pra sua casa, os policiais disseram que uma minivan, cujo o filho da puta do motorista estava bêbado, ia acertar a lateral traseira do carro e ia pegar em cheio as crianças, ela reagiu rápido e virou o carro, ela foi atingida em cheio, e a bebê Beth que estava atrás dela também, elas estão em cirurgia, o estado é grave. – Puck falou de uma vez como se arrancasse um band-aid. Quinn estava congelada com os olhos marejados. – Quinn, Santana disse que você consta no seguro social delas como responsável, ela pediu para você resolver o que for necessário enquanto ela e Sam chegam aqui. – Quinn piscou absorvendo tudo o que foi falado.
— Eu sou responsável? Você tem certeza disso? – Quinn disse agoniada.
— Sim, Q, ela deixou isso claro. Os outros dois bebês estão num quarto da assistência social com Marley, Santana mandou autorização para que eu pudesse ficar com eles, mas só você pode retirá-los de lá, uma vez que você também consta como responsável por eles.
— Okaaay. Me diga onde é o lugar. Enquanto isso, por favor, Puck, se informe sobre tudo o que preciso fazer, você sabe que dinheiro não é problema, então faça o que for necessário. Eu vou ver as crianças, porque não posso ver Rae e Beth na sala de cirurgia, certo?
— Certo, Q. Vamos eu te levo até onde as crianças estão e depois vou descobrir o que vamos fazer.
Quinn arrancou o IV que estava no braço e desceu da cama em um pulo. Logo eles estavam no quarto com as crianças que ainda dormiam.
— Oi, Q, você está bem? — Marley perguntou abraçando a loira.
— Sim, Marls, eu estou. – Ela olhou para Puck. – Vá, faça o que pedi, por favor.
— Claro. – Noah disse já saindo do quarto.
— A senhora deve ser a assistente social. Muito prazer, Quinn Fabray. – A loira disse cumprimentando a senhora que estava ali. – Meu amigo já foi resolver toda a burocracia do hospital, eu pretendo tirá-los daqui o mais rápido possível.
— Sim, Srta. Fabray, também não acho que este seja o melhor ambiente para crianças, mas acho que seus filhos terão que ficar em observação pelo menos até amanhã.
— Eles não são meus filhos, eu sou apenas responsável por eles. – A assistente social estranhou, mas não esticou o assunto.
— Mamma? – Quinn ouviu uma vozinha baixa vindo de um dos berços. – Mamma? – Ela se aproximou e viu um garotinho, ele era idêntico a Rachel, e isso a fez cair a ficha, sua amada estava correndo risco de morte. Então ela pegou o menino no colo.
— Ei, garotão, a sua Mamma logo estará aqui, eu prometo, mas enquanto isso eu vou cuidar de você, ok? – Ela abraçava o pequeno contra o peito e ele segurava a gola de sua camiseta. – Eu prometo, baby boy, eu prometo. – Ela dizia mais a si mesma do que ao menino. Então suas lágrimas vieram como uma enxurrada em um choro dolorido e silencioso.
— Não chola, eu também vô cuidá de você, eu plometo. – Então ela chorou mais ainda, como podia um garoto que ela mal conhecia despertar tamanho amor dentro dela. – Você agora vai cuidá de mim, da Lil Lamb, da Lil Bee e da Mamãe? – Quinn olhou intrigada, mas deduziu que o garoto se referia as irmãzinhas.
— Sim, baby boy, eu vou, enquanto sua mamãe não puder, eu prometo cuidar de vocês quatro. – Quinn disse acariciando a bochecha do garoto.
— E depoisi? Você não vai querer cuidá maisi? – O garoto encheu os olhos de lágrimas.
— Baby boy, se sua mamãe deixar, eu prometo que cuido para sempre, ok? – O garoto deu um sorriso enorme apenas como os de Rachel quando estava animada.
— Ela vai deixá sim. A mamãe semple faizi o que é bom pros trigêmeos. Ela semple fala isso. – Quinn sorriu e uma Charlotte que estava em pé no bercinho chamou atenção dos dois, chorando.
— Cadê a mamãe, Lil Bear? Você disse que ela tava aqui depoisi da soneca. Cadê a Lil Bee? – Charlotte se desesperava.
— Ei, baby girl, está tudo bem. A sua mamãe não pode estar aqui agora, mas ela pediu pra eu cuidar de você até ela poder voltar, ok? Não chore, bebê. – Quinn se aproximou do berço e pegou a menina com braço livre, beijando a cabecinha dela e aspirando o cheirinho delicioso de bebê. Ela reparou que ela era a mistura perfeita de Sam e Rachel, os dois haviam herdado os olhos de Sam, mas os cabelos e boca eram de Rachel, os narizes não pareciam com o de nenhum dos dois, mas deviam ter puxado à algum familiar.
— Eu posso cheirá você também? Lil Bee falô que você cheira bem. – Quinn sorriu e assentiu, então a menina enroscou-se em seu pescoço e deu uma grande fungada fazendo cócegas em Quinn que riu, a garotinha também achou graça e fez de novo. – Você tem o cheiro booommm. Eu vô contá pra Lil Bee que você deixou eu cheirá você. – Quinn riu e assentiu. – Cadê a Lil Bee? – A garotinha perguntava já com lágrimas escorrendo.
— A Lil Bee é a Beth, certo? – A garotinha assentiu com um fungado. – Ela teve que ficar com a sua mamãe, porque a mamãe precisa cuidar dela, entende?
— Ela e a Mamãe tá muito dodói? Eu vi um montão de sangue nelas quando o carro mal machucô o carro da Mamãe. – Disse Luke girando os dois anéis no dedo de Quinn, ela não havia tirado, e foi então que ela percebeu. Ela ainda tinha esperanças.
— Elas estão um pouco dodói, mas o médico vai fazer elas sararem, eu vou conversar com eles, e logo elas vão estar com vocês dois, ok? – Quinn beijou o topo da cabeça dos dois bebês em seus braços. E apesar de toda a má situação, ela se sentia tão bem com eles ali, era como se Rachel estivesse ali com ela.
Marley observava toda a cena com lágrimas silenciosas, Quinn estava dando conforto aos dois filhos e nem imaginava. E ela era natural para aquilo, em nenhum momento as crianças a rejeitaram, pelo contrário. E eles se pareciam tanto com ela, os olhos deles entregavam, será que ela não tinha visto isso? Algum tempo depois, Puck entrou e trocou olhares com Marley que silenciosamente diziam que ambos pensavam o mesmo, ele então se direcionou até Quinn.
— Q, eu preciso que você assine estes documentos, — Ele então sussurrou para que apenas ela ouvisse. — Eles são a autorização para as cirurgias de Rachie e Beth. Também preciso que assine este para a internação dos quatro. – Ela pegou a caneta e assinou sem nem pensar em ler, ela confiava em Puck. – Quinn, temos que passar um cheque calção ou os dados de um cartão para garantia do pagamento, mas como viemos direto da academia, não tenho nada aqui.
— Meu cartão está no escritório, na primeira gaveta da minha mesa, por favor, Puck, busque e resolva tudo isso. Eu vou ficar aqui com os bebês. – Ele assentiu. – Puck, você tem alguma notícia delas?
— A única coisa é que estão em cirurgia, Rachel teve um grave traumatismo craniano e está com hemorragia interna, e eles estão tentando conter. Eles solicitaram para todos que puderem fazerem os testes pra ver se são compatíveis. Assim que eu entregar essa documentação eu vou fazer o teste.
— Ela é A-, Puck, só pode receber doação de A- ou O-, se você não for nenhum desses dois nem precisa perder tempo, eu sou O-, verifique se eles podem vir me testar aqui, não quero sair de perto das crianças. – Quinn disse enquanto Charlotte ressonava em seu pescoço e Luke em seu peito.
— Merda, eu sou AB+. – Puck disse frustrado.
— E eu sou A+. – Marley disse em tom de desculpas.
— Está ok, gente, apenas Marley, verifique se podem me testar aqui. – Marley assentiu e saiu em disparada pela porta. – Puck, e Beth, como está?
— Eles não sabem dizer, Quinn, algo a ver com traumatismo craniano também, mas parece que houve um ferimento feio na barriguinha, eles ainda não tem informação.
— Oh meu Deus, Puck. Ela tem que ficar bem, Rachel nunca vai me perdoar se acontecer algo com a bebê dela. – Quinn disse com lágrimas grossas caindo por seu rosto. Ela apertou mais os bebês contra ela. – Puck, por favor vá resolver os trâmites burocráticos, quanto menos preocupações, melhor. – E o amigo foi deixando a loira desolada com dois bebês inocentes nos braços, ela estava arrebentada por dentro, sua vontade era de gritar e brigar com Deus por ter mais uma vez a despedaçado, não era justo. Mas ela estava responsável por 2 bebês e ela seria forte por eles. Ela se sentou em uma poltrona com os dois bebês ainda no colo.
— Q, os pais de Rachel, Kurt e Blaine já estão aqui. Um dos pais dela já está sendo testado. Os outros estão aguardando liberação para entrarem aqui. – Marley disse ofegante como se tivesse corrido uma maratona. – A enfermeira chefe disse que você pode ficar tranquila, Rachel já recebeu duas transfusões e só vão testar Hiram por garantia, mas ela acredita que não será mais necessário, caso seja, ela nos avisa. – Quinn assentiu, e o silêncio invadiu o quarto, só escutava-se o som da respiração forte dos dois bebês que dormiam e este som embalou Quinn em um sono profundo.
Algum tempo depois, entraram Leroy, Hiram, Kurt e Blaine no quarto, sendo silenciados por Marley para que não acordassem os três que ali dormiam. Foi um choque e tanto para os quatro. Leroy encheu os olhos de água e Hiram o abraçou forte. Blaine sentou no chão escorado na parede ao lado da porta observando a cena, enquanto isso Kurt fotografou aquela cena, seja lá o que Rachel estava pensando, ela tinha que mudar de opinião sobre Quinn e seus filhos e esta foto seria um grande argumento.
Todos ficaram por ali, Leroy e Hiram se acomodaram em um sofá, Kurt, Blaine e Marley no outro, todos fazendo suas orações e preces para que Rachel e Elizabeth se recuperassem logo.
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