Life Changing
26 Quebra
Notas iniciais
QUEBRA
Rachel estava feliz, ter conhecido a família de Quinn e Londres foi maravilhoso, mesmo com um incidente ainda não esclarecido, mas ela esperaria o tempo de Quinn, ela sabia que sua namorada precisava primeiro organizar sua ideias antes de conversarem, mas isto não estava sendo empecilho para elas, estavam bem.
Assistir a bola da Times Square cair com seus pais, Santana, Kurt, Blaine, Noah e Sam foi ótimo, mas o beijo da meia noite com Quinn foi perfeito.
Ela havia aceito o convite de Blaine para gravar um single que foi lançado no Natal em Nova Iorque, e a repercussão foi melhor que esperavam, isso lhe rendeu o convite para gravar um álbum, e ela já estava trabalhando com músicos e grandes autores para isso.
Tudo estava perfeito para Rachel e ainda era o início de Janeiro. Ela só não entendia o que era a angustia que estava sentindo todo o tempo, e aquela bendita alergia a café não estava ajudando.
— Srta. Rachel Barbra Berry. – A recepcionista da clínica chamou.
— Sou eu. – Rachel respondeu.
— O Dr. Carter te aguarda. – Rachel acenou e seguiu para o consultório do seu ginecologista, batendo na porta antes de entrar recebendo um “Entre” em resposta.
— Boa tarde, Rachel. Como está a atriz mais querida da Broadway? E por quê adiou tanto a nossa consulta?– Dr. Carter havia deixado claro para Rachel que era seu fã desde a primeira consulta.
— Vou muito bem, Dr. Carter. E você como está? Eu estava muito atrapalhada com o trabalho, tirei uma semana de férias na Inglaterra e acabei me perdendo na agenda.
— Oh querida, eu vou bem. Obrigada por perguntar, mas já te disse que pode me chamar apenas de Marcus. Vamos manter assim, ok? Está certo, mas lembre-se que primeiro a saúde, depois o trabalho. – Dr. Carter era um médico de aproximadamente 60 anos, muito simpático e brincalhão, seu jeito lembrava muito o falecido avô de Rachel.
— Está bem, Marcus. Eu prometo me lembrar. – Rachel sorriu. — Aqui estão meus exames. – Rachel disse entregando uma pasta para o médico. -
— Assim é melhor. – Ele disse. – Deixe-me ver se está tudo ok com você, para que possamos indicar o melhor método contraceptivo. – Ele pegou os exames da atriz e passou a analisá-los um a um, parando por um tempo maior em um que ele havia separado. – Rachel, tem se sentido um pouco diferente nos últimos dias? – O médico perguntou ainda olhando para o papel.
— Não, Marcus. Apenas uma aversão a café, fico enjoada só de sentir o cheiro, se insisto em tomar acabo realmente vomitando, e isso está me deixando mal humorada, porque eu amo café, e essa alergia repentina está me enlouquecendo, mas além disso nada mais. Acredito que isso não tenha nada a ver com os resultados. – Rachel disse ficando ereta na cadeira.
— Talvez não, talvez sim. Rachel, por favor vá àquele quarto e se troque com uma das roupas que estão dobradas na prateleira, assim como da última vez, vamos fazer um exame mais minucioso. – Rachel assentiu e seguiu para o local indicado, pouco tempo depois ela retornou vestida naquele vestido azul de hospital. – Querida, deite-se na maca. – O doutor estava sentado em frente a um computador que ficava ao lado da referida maca.
— Marcus, eu tenho alguma coisa, por favor me diga de uma vez. – Rachel disse apreensiva.
— Acalme-se, vamos ter certeza primeiro, ok? Mas não se preocupe. Eu vou chamar a enfermeira pra me ajudar e já volto. – Ela acenou positivamente e o médico saiu do consultório voltando alguns minutos depois acompanhado de uma enfermeira.
— Okay, querida, vou cobri-la com um lençol da cintura pra baixo, pra podermos deixar seu abdômen exposto. – A enfermeira muito simpática disse enquanto fazia o que falava. – Agora vamos passar este gel na sua barriga, é um pouco gelado no início, mas logo você se acostuma. – Enquanto isso Dr. Carter mexia no computador e Rachel ficava cada vez mais preocupada. – Ela está pronta, Dr. Carter.
— Obrigada, Srta. Davis. – Ele disse se virando do computador em direção a maca onde Rachel estava deitada. – Vamos lá garota, relaxe, você não tem nada para se preocupar. Vou passar este aparelho em sua barriga e nós logo saberemos o que está acontecendo. – E assim ele fez. Ele passava aquele aparelho na superfície da barriga de Rachel até que parou em um ponto específico e analisava a tela com atenção. A atriz já não aguentava mais de ansiedade e quando viu a mancha escura na tela do computador não se segurou mais.
— Oh meu Deus, eu tenho um nódulo, me dica que não é câncer. Por favor não seja câncer. — Ela agora olhava para o teto com lágrimas nos olhos.
— Oh não, Rachel, você não tem câncer. – Dr. Carter riu. – Escute. – Então ele ligou uma caixinha de som que começou a sair um barulho estranho. Logo se tornou parecido com batimentos cardíacos, mas muito acelerados. – Parabéns, Mamãe. Seu bebê é forte e saudável. Você está com aproximadamente 8 semanas de gestação. O coração é forte e ele já está com 1,7 cm e 0,25 g. – Ele fazia um círculo na tela em volta da mancha escura. – Vou imprimir esta tela para você mostrar ao papai felizardo. – Rachel ainda não tinha apresentado nenhuma reação. – Pode ir se arrumar para falarmos sobre o pré-natal. – Rachel ainda meio atônita fez o que o médico indicou com a ajuda da enfermeira e voltou à cadeira em frente a mesa do Doutor.
— Marcus, você tem certeza disso? – Rachel perguntava pálida e sem esboçar nenhum sentimento.
— Sim, querida. Veja. – Ele mostrava um círculo azul que ele fez no exame de sangue que dizia algo como Beta HCG, alguns números e um grande Positivo. Foi tudo o que Rachel conseguiu enxergar. Ela fez a conta automaticamente e teve certeza que engravidou logo nas primeiras vezes que dormiu com Quinn.
— Isso não pode ser possível, minha barriga não cresceu, eu não engordei nada, eu não estou sentindo enjôos matinais, e eu ainda menstruei mês passado, este mês ainda não, mas eu nunca fui regular. Isso é loucura. Está errado. – Rachel disse não tendo certeza se queria convencer ela mesma ou o médico a frente dela.
— Rachel, os sintomas variam de mulher para mulher, não há um padrão, você pelo que me disse está apenas enjoada do café, isso é um sintoma. Em relação a menstruação, o que pode ter ocorrido mês passado foi um pequeno sangramento comum nos primeiros 15 dias de gravidez. E quanto a sua barriga crescer, isso é normal, há mulheres que só desenvolvem barriga apos o sexto mês de gestação.
— Oh meus Deus, isso não está acontecendo. Isso não está acontecendo. – Rachel dizia andando na sala de um lado para outro.
— Rachel, eu vejo que você não estava esperando esta notícia, mas não fique tão aflita. Isso é uma bênção em sua vida. – E foi então que as lágrimas desceram e uma mão foi direto ao ventre. – Querida, sente-se.
— O que eu vou fazer? Eu tenho contratos de trabalho a cumprir, minha namorada, o que eu vou dizer a ela? – Rachel chorava copiosamente.
— Bem, você vai ver que quanto ao trabalho você conseguirá reorganizar tudo, quanto a sua namorada, você vai ter que explicar o que aconteceu, talvez ela aceite a gravidez, vocês podiam estar separadas no período em que engravidou. Deve haver uma boa explicação.
— Não. Não. Eu nunca trairia Quinn. – Rachel secava as lágrimas. – Ela é intersex. O bebê é dela.
— Oh. Isso é um pouco incomum, mas então não há problema, ela ficará feliz. – O médico abriu um sorriso.
— Espero que sim, Marcus. – E era realmente o que Rachel esperava.
Eles então discutiram sobre o pré-natal, vitaminas, e os cuidados que Rachel deveria ter a partir de então. E se despediram.
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Muitas horas depois Rachel adentrava seu apartamento, sem ao menos saber como chegou, para enfrentar Kurt e Santana a esperando.
— Rachel, você está bem? O que aconteceu? Nós estávamos preocupados, seu celular só dava caixa postal, ninguém sabia do seu paradeiro. Pelo amor de Deus, Barbra, fale alguma coisa. – Kurt mal respirou enquanto falava.
— Rachie.. – Santana interveio percebendo que sua amiga estava aparentemente abalada. Ela pegou a bolsa e o casaco da morena e a sentou no sofá. – Por favor nos diga ao menos se você está bem. – Então um choro desesperador saiu do peito de Rachel enquanto ela afundava no pescoço de Santana. Os dois amigos estavam assustados. – Por favor, querida, nos diga o que aconteceu. Você está nos assustando. Quinn está a ponto de ir a delegacia. Ela acabou de sair daqui com Blaine para procurar você pelas ruas.
— Desculpem. – Rachel disse fungando e limpando as lágrimas do rosto. – Eu apenas perdi a noção das horas enquanto dirigia. – Ela se levantou. – Santana, eu não quero ver Quinn. Avise-a que estou bem, mas diga que eu estou cansada e fui dormir. Eu não posso vê-la, não agora. Por favor, Sannie.
— Está bem, baixinha, mas ela não vai engolir isso, a loira é tão ou mais teimosa que você.
— Por favor, San. Eu preciso de um banho e vou dormir. Boa noite. – Ela beijou a bochecha de Santana, deu um abraço em Kurt e foi para o quarto fechando a porta.
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Rachel já estava dormindo quando ouviu a gritaria.
— Lopez, saia da minha frente agora. – Era Quinn gritando.
— Não, Fabray. Ela está descansando e foi clara ao dizer que não queria ver ninguém.
— Santana, se você não sair da minha frente, eu juro..
— Jura o que? Você não é páreo pra mim, Q.
— Droga, Santana eu apenas quero vê-la. Eu preciso saber que ela está realmente bem, pelo amor de Deus, Santana. – Quinn estava desesperada.
— Ela está bem, Q. Eu garanto. – Rachel ouviu um baque. Era Quinn que se jogou no chão batendo a cabeça contra a porta do quarto da latina.
— Rae, Anjo, por favor, me deixe ver que você está bem e eu vou embora se você quiser. Só preciso saber que está bem, por favor, Rae. Por favor. – Rachel conseguiu saber pela voz estrangulada que Quinn estava chorando. Então ela destrancou a porta, fazendo Quinn levantar-se no mesmo instante. Quando a porta se abriu ela viu Santana se desculpar com as mãos e Quinn analisá-la da cabeça aos pés.
— Pronto, Quinn, você já viu. Eu estou bem. Ou pelo menos estava até você me acordar com toda essa gritaria. – Rachel disse seca.
— Anjo, me desculpe, eu só queria ter certeza. Você sumiu o dia inteiro. Ninguém tinha notícias. Você nunca fez isso. – Quinn disse se aproximando para abraçar a morena, mas foi impedida com uma mão em seu peito.
— Não, Quinn. Hoje não. Você já viu, eu estou bem. Agora pode ir embora. – Ela disse e foi trancar a porta, mas Quinn a impediu.
— Princesa, você está chateada comigo? Eu fiz alguma coisa? Me diga para que eu possa concertar. O que eu fiz para merecer esse olhar de desprezo? – Quinn disse sentindo o gosto das lágrimas salgadas que ela nem sabia que estavam escorrendo.
— Você? Nada! Eu fiz, Quinn. Eu. Agora saia. Eu não quero mais te ver. Saia agora da minha casa. – Rachel disse aos gritos e bateu a porta do quarto trancando-a. – Ela escorregou no chão e sentiu o choro estrondar no seu peito.
— Venha, Q, ela está nervosa. – Dizia Santana que assistiu toda a troca e estava tão confusa quanto a loira.
— S, o que eu fiz? Eu nunca a vi assim antes. Pelo amor de Deus, ela é tudo pra mim, Santana, eu nunca faria nada com a intenção de magoá-la. Me diga, San, o que eu fiz? – Quinn chorava desesperadamente.
— Eu não sei, Q. Eu juro que não sei. Mas Rachel não é assim, ela vai acabar falando, dê tempo à ela. – Então Santana levou Quinn pra casa, não queria deixar que Rachel e a loira se encontrassem. Ela sabia o quanto Rachel estava se corroendo por dentro ao tratar Quinn daquela forma, ela a conhecia. E ela não queria ver a morena machucar Quinn sem explicação, Quinn também era sua amiga agora, e ela não queria vê-la ainda mais machucada, mas ela descobriria o que estava acontecendo ou ela não se chamava Santana Lopez.
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— Um mês e três semanas, Berry. Um mês e três semanas que você evita Quinn. Um mês e três semanas que ela está me enlouquecendo. Ou você fala com ela ou me diz de uma vez o que está acontecendo. – Santana gritava com Rachel que estava mais uma vez abraçando os joelhos sem dar uma palavra. – Rachie, por favor, me diga o que está acontecendo, me deixe ajudar. Quinn está em cacos e você não está melhor. – Seu tom era mais suave agora.
— Sannie, por favor, eu só não quero mais estar com Quinn, eu me cansei, eu já disse. – Rachel disse olhando fixamente para a parede a sua frente.
— Você se cansou? Se cansou de Quinn? De vocês? Então me diga como sinto que esta é a maior mentira de todos os tempos. – A latina sentia-se frustrada. — Por Dios, Shortstack, você sabe que não consegue mentir. Não me faça de idiota. Não minta para mim, Rachel, eu sempre estive aqui pra você e não mereço isso. – Santana sentou no sofá colocando a cabeça entre as mãos, olhando para o chão.
— Não era pra ser, Sannie, apenas não era pra ser. – Rachel disse naquele mesmo tom monótono que adotou depois de chorar dois dias seguidos quando expulsou Quinn naquela noite tão estranha para todos.
— Oh não! Não me venha com esta agora. Eu não sou uma idiota, Rachel. — Santana estava enfurecida. – Se você apenas cansou dela, então seja mulher suficiente e a encare nos olhos, diga isto a ela.
— Santana, eu já fiz isso, você é testemunha, eu disse olhando nos olhos dela que não queria mais vê-la. Como posso ser mais clara pra você, Lopez?
— Talvez esclarecendo o fato de você até hoje não ter contado o que aconteceu naquele maldito dia, ou talvez o fato de que você só parece falar e fazer coisas que envolvam a porra do seu trabalho, talvez o fato de eu estar negociando a merda da compra de uma casa em Los Angeles para seus pais que eu sei que é para você, talvez o fato de Sam estar tentando encerrar antecipadamente seu contrato com a maldita peça que você sempre quis fazer sem deixar o escritório ter conhecimento, talvez o fato de que minha melhor amiga, minha irmã de coração, a pessoa que me ajudou a ser quem eu sou hoje, a pessoa mais importante da minha vida neste momento estar mentindo pra mim. Talvez dessa forma você possa ser mais clara. Eu já disse que você é minha única família aqui e você está me empurrando pra longe. – Santana agora tinha lágrimas escorrendo em suas bochechas.
— Me desculpe, Santana. Por favor, me desculpe. Eu preciso de tempo agora, mas eu vou falar com você sobre isso algum dia. Eu te amo, San, mas não me teste agora, eu não resistiria. – Rachel saiu correndo e mais uma vez se trancou no quarto como vinha fazendo há dias, deixando a latina ainda mais preocupada.
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— Porra, Quinn, apenas resolva seus problemas e deixe de ser uma cadela. – Noah dizia irritado.
— Você se esqueceu com quem está falando, Puckerman? – Quinn praticamente rosnou.
— Oh não, eu ainda não me esqueci, porque se eu tivesse, já teria lhe dado um soco no meio dessa sua cara de boneca, me respeite, Quinn.
— Então você quer me socar, não passe vontade. Aqui. – Quinn batia no próprio rosto indicando o local para Noah acertá-la. – Você não passa de um empregadinho de merda, um idiota americano que acha que é advogado porque conseguiu um diploma em NYU. Você é um merda, Puckerman, um fracassado.. – Ela foi interrompida por um belo soco no rosto e sorriu. – Isso é tudo que é capaz? Sério, Noah? Nem pra isso você serve? – Noah avançou, mas Sam e Santana que ouviram os gritos conseguiram impedi-lo.
— Puck, você está louco, homem? O que acha que está fazendo? – Sam perguntou ainda segurando Noah.
— Esta imbecil, filhinha de Papai do caralho acha que tem o direito de me ofender, só porque trabalho pra ela. Você é uma vadia mal amada, Quinn, foi por isso que minha princesa judia te largou. – Quinn o olhou com a dor estampada imediatamente em seus olhos que agora estavam cheio de lágrimas.
— Cale a boca, Puck. Você não pode falar o que não sabe. – Santana era quem gritava com Noah agora segurando o rosto de Quinn nas mãos analisando o grande vermelho que já se formava em toda sua face direita.
— Droga, Quinn, eu não quis dizer isso. Me desculpe, por favor. Merda, eu nunca bati em nenhuma mulher antes. Merda. Merda. Merda. – Noah falava socando a parede do escritório.
— Talvez você não quis dizer, mas não deixa de estar certo, Puckerman. E quanto a bater em uma mulher, não se preocupe. Eu não tive competência suficiente para ser uma mulher e muito menos para ser um homem, você sabe. – Quinn saiu as pressas da sala.
— Você é idiota, Puckerman? Gosta de bater em cachorro morto? Literalmente? – Santana cuspia as palavras.
— Santana, ela estava sendo uma vadia há dias. Eu acabei me descontrolando. Parecia que era isso que ela queria. – Noah disse sem ainda acreditar no que tinha acabado de acontecer, ele teria que concertar isso.
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