Life Changing
27 O Melhor à Fazer
O MELHOR À FAZER
Quinn estava mais uma vez na porta do teatro, mas desta vez não havia vidros negros a escondendo enquanto ela via Rachel apenas de longe. Ela havia ido correndo até lá e só percebeu quando estava na porta de trás do Gershwin. Então Rachel saiu e deu de cara com a loira ficando sem reação, mas rapidamente se recompôs e passou por Quinn como se não a conhecesse e seguiu pela calçada.
— Então é assim? Você simplesmente vai agir como se eu fosse a porra de um ninguém? – Quinn gritou de onde estava parada encarando as costas da morena. – Pelo amor de Deus, Rachel, sou eu. Eu só preciso entender. Você não vê que está me matando. – Seu choro era audível e Rachel parou quando ouviu. A morena se virou, mas olhava para o chão.
— O que você quer entender, Quinn? Eu já deixei bem claro que não quero mais vê-la, é isso. – Rachel falava em tom cortante e definitivo. – Me deixe em paz. – Então ela olhou para aqueles olhos verdes e foi seu pior erro. Ela viu o rosto arroxeado da loira, viu as lágrimas incessantes, viu a dor nos olhos da mulher que tanto amava, viu como Quinn estava devastada fisicamente e os olhos diziam que aquilo alcançava também sua alma. – Quinn, o que é isso em seu rosto? Quem fez isso com você? – Ela perguntou já em frente a Quinn colocando a mão carinhosamente no hematoma, e Quinn automaticamente inclinou-se para o toque, fazendo a morena perceber suas ações e se afastar como se tivesse sido queimada.
— Nossa, por um segundo eu senti meu anjo de volta. – Quinn disse secando suas próprias lágrimas. – Eu sei que você está aí dentro em algum lugar, Rachel. Eu ainda não sei o que eu fiz, porque você simplesmente não diz, mas me deixa corrigir, pelo amor de Deus, Anjo, me dê mais uma chance. – Quinn estava segurando a mão de Rachel.
— Quinn, não há o que corrigir. Eu só não quero mais. Não quero mais ver você, não quero mais nada que me lembre você. – Cada palavra que saía da boca de Rachel era como uma faca de dois gumes, rasgava ambas em pedaços. — Já devolvi tudo o que você me deu, só não devolvi a pulseira, porque não sei onde foi parar, me desculpe, mas eu posso ressarcir em dinheiro. – Era mentira, Rachel mantinha o bracelete agora mesmo em seu pulso por baixo do grosso casaco que vestia, mas ela não queria se desfazer da prova de que o que viveram foi real.
— Porra, Rachel, nunca pedi isso, e nem quero nada de volta, o carro já foi vendido e eu mesma já transferi o dinheiro para sua conta, faça o que quiser, doe, queime, mas é seu, e eu jamais aceitaria de volta. O anel está aqui, Rachel, aqui. – Quinn apontava para seu dedo, agora com dois anéis, o dela e o de Rachel. – Eu desejo a cada minuto que eu possa colocá-lo onde ele pertence, e quanto a pulseira, eu só me importo porque ela realmente significava muito para nós, ou pelo menos para mim. Foda-se o dinheiro, eu me desfaço de tudo se isso a trouxer de volta pra mim, é só você dizer que é o que preciso fazer. – Quinn a olhava expectante, como se isso fosse mesmo uma possibilidade para ela ter seu amor de volta.
— Quinn, não seja idiota, eu não quero nada disso. Que merda, Quinn, você sempre dificulta tudo. Tudo tem que ser do jeito que você quer, nunca vai deixar de ser a garota britânica mimada. Cresça, Fabray. – Rachel era fria, mas por dentro seu coração estava em destroços, era seu amor quem ela estava ofendendo e isso a machucava tanto, era por isso que ela tinha que fazer tudo isso, ela tinha que acreditar que tudo havia acabado porque ela quis e não porque fracassou.
— Está certo, Rachel. Me desculpe, eu não vou incomodá-la mais, mas isso não vai me impedir de desejar que você volte pra mim e eu vou esperar, eu dou minha palavra. – Quinn estendeu seu pulso e olhou o relógio nele, ela o tirou do braço e tentou colocar na mão de Rachel, mas foi impedida.
— Não me toque, Quinn. – Rachel disse tentando não sentir a eletricidade que um simples toque de Quinn disparava em todo o seu corpo e isso machucou Quinn imensamente. — E eu não quero o relógio de volta, ele é seu, eu te dei, e se você, de uma forma ou de outra, vai me fazer ficar com o carro, quero que fique com ele. – Rachel queria que Quinn tivesse pelo menos alguma lembrança real delas também. – Talvez seja uma prova de que você nunca será um ninguém pra mim, Quinn, mas eu não quero mais vê-la por aqui ou em qualquer outro lugar, eu sei que você me segue até em casa todos os dias e eu não quero que aconteça mais. Só por favor, me respeite. – Rachel disse olhando nos olhos da loira. – Adeus, Quinn. – A morena seguiu para seu Range Rover e dessa vez seguiu sem ser escoltada pela loira que ainda estava parada na calçada dos fundos do teatro chorando e tentando entender porque Deus a odiava tanto.
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— Santana, me diga que porra é aquela no rosto de Quinn. – Rachel perguntava esbravejando pra uma latina. – Você prometeu que não ia deixar ela se meter em confusão.
— Pra alguém que não se importa com Quinn, você está muito preocupada. Como você sabe sobre isso? – A latina questionou sem ao menos tirar os olhos do processo em sua frente.
— Ela foi até o teatro, mas hoje ela foi ao meu encontro. Eu encerrei as coisas entre nós definitivamente, como você queria. Mas você ainda não me respondeu.
— Eu te disse que ela estava sendo uma cadela para todos nós, hoje Puck se descontrolou e acabou socando ela. E antes que você diga que eu descumpri minha promessa, eu cheguei lá com Sam o mais rápido que pudemos, mas só evitamos que as coisas piorassem. Puck está arrependido, mas ele falou coisas que a magoaram muito, talvez por isso ela resolveu te procurar, mas pelo jeito, você como ele, acha que chutar cachorro morto é boa coisa. – Santana disse com raiva.
— Não, Santana. Você me conhece melhor que ninguém, você sabe que eu não quero magoá-la. Pelo amor de deus, San, eu só estou evitando que eu me magoe mais. Isso está me machucando tanto ou mais que ela.
— É? Não me parece. Você a está matando, Rachel. A Quinn que eu conheci praticamente desapareceu. Ela não faz mais nada além de trabalhar, todos os dias eu tenho que forçá-la a ingerir pelo menos um suco. Ela chora todo o tempo que está sozinha, eu ouço da minha sala cada soluço. Ela perdeu o brilho nos olhos. Eu faço tudo o que posso, mas não sou eu quem pode resolver. E quem pode, não quer. Ela merece um fim justo, você não é obrigada a ficar com ela, mas você está sendo a pior das cadelas. E não me peça pra te entender, não posso entender o que não tem explicação. – Ela foi fria em cada palavra.
— Está certo, você pode pensar como quiser. – Rachel saiu da sala.
— Eu estou pensando conforme você quer que todos pensemos. – Santana gritou para Rachel ouvir do quarto.
Alguns minutos depois Santana ouviu soluços vindo do quarto de Rachel, ela resolveu que isso tinha que ter fim, nem que ela tivesse que esbofetear Rachel, ela sabia que tinha algo mais, ela conhecia Rachel bem o suficiente pra saber que sua amiga não era uma egoísta sem coração, e o choro que ela estava ouvindo só comprovava isso.
Ela ia bater na porta do quarto, mas estava entreaberta e ela entrou, e ela não esperava pelo que viu. Rachel estava apenas de lingerie sentada no sofá abraçada a barriga e chorando deliberadamente, ela não percebeu Santana ali até que a latina colocou a mão sobre sua barriga a fazendo pular do sofá e se enrolar no roupão que estava jogado na cama.
— Saia daqui, Santana. Você não tem o direito de entrar aqui assim. – Rachel gritava com lágrimas escorrendo por todo o rosto, mas Santana apenas a puxou para si e a abraçou apertado. – Saia daqui, por favor. Saia, Santana. – Rachel dizia tentando empurrar a latina.
— Eu não vou sair de perto de você, nunca. Eu vou te buscar um chá e uma água. Você vai tomar um banho enquanto isso, e quando você sair daquele banheiro nós vamos conversar e nem pense em fechar a porta, porque eu juro que derrubo. – Santana soltou Rachel e saiu do quarto deixando Rachel chorando mais ainda.
Santana estava fervendo água para o chá e pensando no que estava acontecendo, milhares de coisas haviam passado por sua cabeça, menos que Rachel estava grávida, ela havia notado as roupas largas, casacos maiores que o necessário, o café sendo evitado, mesmo o cheiro dele, mas não viu nada mais que indicasse aquilo e se era isso, ela não conseguia entender a amiga, isso era uma benção, não era? Rachel sempre falava em ter filhos. Ela tinha dinheiro suficiente para dez vidas depois que recebeu a herança integral de seus avós, pais de Hiram, seu trabalho também não pagava nada mal. Quinn nem se fala, era tão ou mais rica que Rachel. Qual era o problema então? Será que o bebê não era da loira? Não, de jeito nenhum, Rachel jamais faria isso, mas e se estava além de sua vontade? Oh meu Deus, será que foi isso que aconteceu? O chá estava pronto e a latina se apressou para o quarto.
— Shorty, estou entrando. – Santana avisou e se direcionou a Rachel que estava sentada encostada na cabeceira de sua cama, ela sentou ao lado da atriz. – Tome, é chá de camomila. – Rachel agradeceu e tomou um gole do chá. – Rachie, me explique o que está acontecendo.
— O que está acontecendo? Bem, o que você viu não lhe deu nenhum indício? Santana, eu estou grávida, é isto que está acontecendo. – Rachel disse novamente com os olhos marejados.
— Não seja espertinha comigo, eu percebi quando levei um susto vendo sua barriga. Mas não estou entendendo sua reação a isso, você sempre quis um bebê, Shortstack. – Santana disse abraçando Rachel pelo ombro e fazendo carinho em seus cabelos. – Me explique porque está agindo assim, se alguém te fez mal eu prometo caçar o filho da puta até no inferno e prometo fazê-lo pagar, mas não me deixe mais no escuro, eu estou aqui pra você.
— Sannie, não. Ninguém me fez mal, eu juro. E sim, eu quero esse bebê, tanto, que darei minha vida se for necessário, e é este o principal motivo, eu já o amo, San, eu nunca faria mal a ele, eu não conseguiria. – Rachel chorava copiosamente de novo.
— Mas querida, ninguém faria mal ao seu bebê. Ele será o bebê mais amado de todos. – Santana suspirou. – Shortstack, este bebê não é de Quinn? Porque se não for, se você tiver uma boa justificativa ela vai amá-lo tanto quanto ela te ama, só porque ele é seu. – Rachel franziu a testa.
— Eu jamais faria isso com Quinn, San, você me conhece, eu a amo demais, e mesmo que não amasse, eu seria incapaz de trair alguém que eu mantivesse um relacionamento com. – Ela limpou as lágrimas e sua feição adotou um jeito sério. – Santana, ela não vai amar o meu bebê, porque ela deixou claro que não quer um filho meu, ela deu vários indicativos disso, e quando estávamos em Londres eu a ouvi dizer isso para a mãe e irmã dela. – Santana a encarou procurando nos olhos de Rachel algum tipo de engano, mas não viu nada.
— Você tem mesmo certeza disso? Porque eu acho que ela faria qualquer coisa por você, Rachie. – Santana questionava cética.
— É claro que eu tenho, Santana. Eu ouvi ela dizer, eu ouvi da boca dela, ninguém me contou. – Rachel esbravejou.
— Okay, mas será que ela não merece saber? Ela tem o direito, Shorty.
— Não. Ela não tem nenhum direito. O bebê é meu. Você consegue entender isso? Meu, Santana. De mais ninguém. – Rachel estava em pé andando de um lado para outro. – Você nunca vai dizer a ela. Me prometa, San.
— Rachel, talvez você esteja errada, talvez ela possa mudar de ideia, uma vez que você já espera um bebê dela, talvez se não for assim, ela mude quando ver o bebê.
— Santana, eu não quero que Quinn saiba enquanto meus filhos não puderem decidir se querem ou não conhecer a outra mãe. Eu prefiro que seja assim, prefiro saber que eu rompi esta relação, do que ouvir ela pedir pra eu abortar meus bebês. Se isso acontecesse, eu a odiaria e eu não quero isso, eu quero mantê-la em minha mente como o amor da minha vida. – Rachel disse tudo em um só fôlego.
— Filhos? Estamos falando de gêmeos? Oh Meu Deus! – Santana estava incrédula e Rachel olhava atordoada.
— Não, Sannie. – Rachel colocou a mão protetoramente sobre seu ventre. — Estamos falando de trigêmeos, San. – Rachel abriu a gaveta de sua cômoda e retirou alguns papéis entregando à Santana. – São duas meninas e um menino, San. Eu estou tão assustada, mas eu juro que farei o que for preciso para mantê-los seguros e se chutar o amor da minha vida pra fora dela é o que preciso fazer, é isso que farei. Me prometa que não falará sobre isso com ninguém, Sannie. Por favor.
— Você tem minha palavra. Mas, UAU, trigêmeos, hein? – Santana olhava os exames atentamente.
— Eu descobri ontem na minha consulta mensal do pré-natal, eu quase cai da maca, elas estavam escondidinhas atrás do irmãozinho, Sannie. — Rachel apontou para cada um de seus três filhos na cópia da ultrassonografia que estava na mão se Santana. – Eu estou tão feliz, mas ao mesmo tempo tão quebrada, eu queria tanto ela comigo, San. Eu sei que foi rápido, mas eu sei que Quinn é a única pra mim, e eu apenas não posso tê-la mais. – Santana abraçou Rachel que estava chorando novamente.
— Rachel, se é assim que você quer, eu respeito, mas como você vai fazer para esconder três bebês? Você é uma pessoa pública, vivem saindo fotos de você simplesmente almoçando, imagine com três bebês.
— Eu já pensei nisso. Sam conseguiu que meu contrato com Wicked encerre no fim deste mês. Faremos uma coletiva semana que vem, e eu direi que me afastarei por motivos de saúde, não mais. O mesmo vale para a série, o filme, e os comerciais, continuarei apenas com o álbum, pois eles permitiram que eu faça as gravações em um estúdio em LA. – Santana estava estática. — Semana que vem será minha última, daqui a pouco já não conseguirei esconder a barriga.
— Você quer dizer que Sam sabia o tempo todo?
— Sim, eu tive que explicar o motivo da urgência. Ele está ajudando muito, está renegociando os contratos, Kitty está auxiliando e tentando adiar as gravações do filme para depois que os bebês nascerem, pois vão ser na Califórnia e como já estarei lá, não atrapalhará muito, mas ainda não há nada certo sobre isso.
— Kitty também sabe?
— Sim, San, eu não tinha como esconder isso dela.
— E sua melhor amiga não tinha o direito de saber? É isso, Rachel? Eu não merecia um pouco mais de consideração? – Santana falava e sacudia as mãos. – Eu sempre estive com você nesses últimos anos. Por Dios, pensé que fuéramos de la familia, pero yo estaba tan equivocado. – Santana gritava e resmungava alguns palavrões em espanhol.
— Somos una familia, Sannie. Te quiero como una hermana, ya lo sé, pero como dicen a la persona que usted sabe que usted se preocupa más que cualquier otra persona, que se vaya y no voy a tener mucho tiempo para decir adiós? — Rachel disse olhando fixamente para a latina.
— Você ouviu o que falou? Nós éramos tão ligadas que você quis aprender espanhol para me fazer ter orgulho de você, e você conseguiu, porque eu nunca estive mais orgulhosa de ninguém como me orgulho de você, e eu a amei mais, porque isso era a prova de que com todos os meus erros eu consegui conquistar uma irmã pra cuidar de mim e que eu pudesse cuidar dela. Nós nos prometemos, você lembra disso? Porque diabos você acha que eu vou quebrar a promessa? – Santana estava chorando.
— Eu me lembro, e eu sei de tudo isso, mas eu vou embora, San, vou para Los Angeles daqui a duas semanas. Isso está me matando, porque você não estará lá, e era com você que eu poderia contar em todos os momentos nos últimos sete anos, Santana. Como eu vou fazer agora?
— Você não vai fazer. Eu estarei com você como sempre. Eu irei com você, simples assim. De qualquer forma, este apartamento é seu, portanto eu teria que me mudar de qualquer maneira, então vamos à LA. – Santana sorria seu sorriso mais genuíno.
— Não, San, eu jamais permitiria que você fizesse isso, você está fazendo seu nome aqui, e você teria que explicar à Quinn o motivo, eu nem quero que ela saiba sobre isso por enquanto, não quero aguçar a curiosidade dela.
— Não há discussão, Rachel. Eu vou e ponto. Quinn já estava procurando alguém pra gerir a sede de LA, eu vou me candidatar e se ela não quiser, eu procuro outro emprego, ou eu posso montar meu próprio escritório, você sabe que eu sou capaz. – Ela beijou o topo da cabeça de Rachel. – Eu vou com você, Shorty.
— Você tem certeza, San? Porque eu jamais a tiraria deste apartamento, ele é nosso, você sabe disso, e eu vou mantê-lo. Aqui sempre foi o meu lugar e para onde eu vou voltar, pode demorar, mas eu volto pra cá.
— Eu tenho toda a certeza. Vamos à LA, Shortstack. Amanhã mesmo já conversarei com Quinn sobre a gestão da Fabray Advogados em LA, mas do jeito que ela está ultimamente, acredito que ela não fará perguntas.
— Eu te amo tanto, Sannie. Muito obrigada. Eu nem sei o que dizer.
— Diga que eu sou incrível e impressionante. – Santana ria e Rachel sabia que estava protegida novamente.
As duas dormiram abraçadas e LA que aguardasse Santana Foda Lopez.
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