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“Dez de Junho, 17 graus Celsius em Nova Iorque, e para você que está sintonizado conosco, ouça a top 1 por três semanas consecutivas, Life Changing, de Rachel Berry.”

Era o que o radialista disse antes de a voz de Rachel inundar o carro de Quinn, faziam quase cinco meses que Quinn só tinha notícias de Rachel por rádios, revistas, jornais, ou em informações curtíssimas que Santana deixava escapar, ela ainda não passava um único dia sem pensar no seu anjo, não ajudava que seus sonhos com Rachel se tornavam cada vez mais frequentes, ela sempre via os olhos lhe olhando com tanto amor, mas com uma tristeza profunda estampada. Era como se Rachel a tivesse expulsado de sua vida, mas estivesse sempre com ela, mas isso já não era mais sinal de conforto como antes de se conhecerem, para Quinn era desesperador.

Ela soube que Rachel havia se mudado para LA quando em uma entrevista por telefone à uma rádio, Rachel comentou superficialmente sobre o assunto, ela ainda não entendia porque a morena havia saído de Wicked antes do tempo, também não ajudava a morena ter dito à imprensa que se afastaria do trabalho por um tempo por motivos de saúde, já que Santana garantiu que a saúde de seu anjo estava perfeita. Rachel estava com 5 músicas entre as top 10 mais ouvidas no ocidente, por isso haviam sempre publicações sobre a morena, e Quinn, muitas vezes inconscientemente, procurava saber sobre tudo, mas tudo que saía a respeito de seu Anjo era tão superficial.

Quinn queria sentir raiva de Rachel, ela queria arrancá-la do seu coração e mente, como havia feito com Brittany, mas era diferente, com Rachel ela descobriu que o que teve com Britt foi apenas uma paixão adolescente e nada mais, ela hoje amava sua prima, mas nem conseguia mais imaginar como ficaram juntas por tanto tempo.

Santana havia se mudado para LA e estava gerenciando a Fabray Advogados por lá com Sam a auxiliando. Quinn continuava em NY sendo auxiliada por Noah, que aliás revelou ser melhor do que ela esperava, depois que ele a socou, e ela sabe que mereceu. Ele a acompanhava em todos os momentos, conversavam por horas, toda vez que ela bebia para esquecer era ele quem cuidava dela. Ele que sem nenhum pudor dormia com ela chorando em seu peito muitos dias por semana, eles haviam se tornado inseparáveis. E com isso, Marley que estava namorando com Noah, acabou se tornando parte do trio.

Quinn e Noah estavam fazendo Muay Thai, foi ideia de Noah como forma para Quinn descarregar todos os seus sentimentos, e a loira estava adorando, seu corpo estava em forma, sua mente estava mais focada, e o cansaço após os pesados treinos a derrubavam não deixando tempo para pensamentos ruins.

O pai da loira estava orgulhoso, em pouco mais de um ano sua filha havia feito da Fabray Advogados nos Estados Unidos uma das maiores empresas por lá. Eles já haviam expandido para Seattle, Chicago e estavam se preparando para Portland e Boston, tudo supervisionado por sua caçula, a loira estava dando seu suor para isso, ele sabia que era uma forma dela tirar Rachel da cabeça, mesmo ainda não entendendo o que aconteceu com a morena, sua família toda não entendia, mas a vida é assim cheia de surpresas boas e ruins, e todos devem seguir em frente e levantar a cada tropeço. Ele só torcia para sua filha encontrar a felicidade, era o seu maior desejo.

Quinn estava no aeroporto esperando Brittany, a prima tinha uma apresentação, com a companhia de dança que trabalhava, em NY e aproveitariam para matar as saudades, mas em meio a bagunça e barulho do JFK, ela sentiu uma forte dor de cabeça que há tempos não sentia e imediatamente os olhos de Rachel apareceram em sua mente e por eles saiam lágrimas, mas pareciam de felicidade, a dor que Quinn sentia era lancinante e de repente, dentro dos olhos de Rachel ela via mais 3 pares de olhos, 2 pares pareciam com os dela e 1 par era exatamente igual ao de Rachel, aos poucos a dor foi passando e ela conseguiu tirar as mãos da cabeça, a visão se esvaiu para o nada de onde veio, ela não entendeu e nem teve tempo pra pensar nisso, porque uma loira alta de olhos azuis a abraçou forte e a rodopiou no meio do aeroporto a fazendo rir instantaneamente e esquecer todos os seus problemas.

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— Eles são perfeitos, Rachie. Nunca vi bebês mais lindos. – Santana disse com os olhos marejados observando Rachel com os três filhos nos braços, foi difícil arrumar a posição, mas a enfermeira ajudou e a morena conseguiu ter seus filhos no colo ao mesmo tempo.

— São, né? Eles são tão pequenos, mas já dá pra ver como serão, olhe pra isso. – O garoto que estava no meio esticava seus braços sobre as duas irmãs, como se as estivesse as protegendo. A garota que estava do lado direito de Rachel enfiava a cabecinha o mais próximo possível do pescoço do irmão, e a que estava do lado esquerdo de Rachel se contorcia tentando segurar a mão do irmãzinho. – Eles já se amam tanto, Sannie. – Santana estava tirando várias fotos daquela cena. – Venha aqui, queremos que você também esteja nas fotos. – A latina entregou a câmera para a enfermeira e se colocou ao lado dos quatro na cama do hospital sorrindo como uma boba para os três pequenos que já haviam roubado seu coração.

Rachel havia entrado em trabalho de parto antes do esperado, e Santana correu com ela para o hospital, mas o médico de Rachel a tranquilizou, dizendo que para trigêmeos, era normal a antecipação.

O parto em si não demorou, a cesariana não teve complicações, os bebês apesar de prematuros tinham bom peso e não apresentaram nenhuma complicação. Por ordem de nascimento veio primeiro o garoto, era extremamente parecido com Rachel, tinha a mesma cor de pele, o mesmo cabelo, até os lábios eram como os de Rachel, mas os olhos eram exatamente como os de Quinn, verdes com muitos pontinhos dourados, formando aquela cor de avelã. A segunda a nascer já dava pra ver que seria uma mini Quinn, cabelos loirinhos, com o mesmo tom de pele de Quinn, o mesmo formato de boca, o mesmo formato dos olhos, mas eram cor de chocolate, como os de Rachel, a outra garotinha tinha os cabelos de Rachel, mas o tom de pele de Quinn, assim como os olhos cor de avelã, a boca era como a de Rachel também, e secretamente Rachel estava adorando que os três puxaram o nariz de Quinn.

Ela sentiu falta da loira em cada passo da gravidez, muitas vezes teve vontade de contar à ela sobre sua gravidez, mas pensava na dor que sentiria se fosse rejeitada e desistia a cada vez. Mas agora com seus bebês em seus braços ela sentia o maior amor do mundo, ela via que o amor delas foi tão forte que criou aquelas três criaturinhas perfeitas, eles eram a mistura perfeita das duas, eram a prova do amor que tiveram, isso a fazia tão feliz, mas ao mesmo tempo a quebrava, ela nunca mais poderia ter o amor de Quinn, foi sua escolha, mas ela jamais se arrependeria, seus filhos eram quem precisavam dela, e ela sempre seria por eles.

— Shortstack, você já decidiu os nomes? Precisamos informar ao hospital para que sejam redigidas as certidões de nascimento.

— Sim, eu decidi. Esse meninão se chamará Russel Luke Berry Fabray. Nós o chamaremos de Luke, mas eu quero que ele tenha o nome do avô, Russel é muito importante para Quinn, talvez um dia este aqui também seja. – Rachel disse dando um suave beijinho na cabeça do filho.

— É um ótimo nome, mas você vai mesmo colocar o Fabray neles?

— Sim, San, eles são filhos dela e eu nunca vou esconder isso deles, eu não tenho esse direito, se um dia, quando mais velhos, eles quiserem conhecê-la eu não vou impedir, eles tem todo o direito de saber de onde vem.

— É justo. E esta garotinha aqui? — Santana apontava para a loirinha. – Ela é uma mini Quinn, Rachie. – Santana sorria e Rachel também.

— Sim, ela é. O nome dela será Elizabeth Marie Berry Fabray. Eu sei que Quinn gosta de Elizabeth, eu a ouvi dizer algumas vezes, e Marie, é em homenagem a minha vózinha que eu tanto amei, mas também é o nome do meio da afilhada de Quinn, talvez seja uma forma delas terem alguma ligação.

— É um lindo nome. E esta garotinha aqui? – Santana ria com a garota apertando seu dedo, ela tinha força para um bebê.

— Esta é Charlotte Rae Berry Fabray. Eu sempre gostei de Charlotte e Quinn sempre me chamou de Rae, então é uma forma de tê-la sempre presente entre nós.

— É perfeito, Rachie. Nomes perfeitos para bebês perfeitos. – Santana sentiu o celular vibrar e leu mensagem. – Sam está aqui, mandei ele entrar. – Alguns minutos depois Sam entrou na sala com flores e pelúcias.

— Oi, mamãe. – Ele sussurrava com um enorme sorriso. – Trouxe estas flores para você. – Ele entregou para Santana que colocou o bouquet de rosas rosas em cima da mesinha do quarto. – Eu trouxe estes aqui para eles. Este aqui é para este garotão. – Ele entregou para Santana um ursinho, e ela colocou no bercinho do menino. – Estes aqui são para as garotas, deixa eu ver. – Ele olhou para as meninas com atenção. – Este leãozinho é para você, moreninha. – Ele entregou para Santana que colocou no berço de Charlotte. – E esta ovelhinha é para você, loirinha. – Santana colocou no berço de Elizabeth. – Eles são lindos, Rachie. Parabéns.

— Sam, obrigada pelo carinho, não precisava ter se preocupado, você e Santana já fizeram tanto. – O quarto das crianças tinha sido praticamente feito com os presentes de Santana. Sam havia montado cada móvel e feito as pinturas infantis nas paredes, além de sempre chegar lá com um brinquedo para os bebês. – Obrigada, de coração, à vocês dois, eu não sei o que teria sido de mim sem vocês. – Rachel falava emocionada.

— Ora, Rachie, não tem que agradecer, você e eles são nossa família, fizemos nada demais. Mas me diz, quais os nomes deles? – Rachel apresentou cada um de seus filhos a Sam que estava encantado com os bebês. – Uau, eles são a mistura perfeita sua e de Quinn. Se um dia ela os ver, você não conseguirá esconder a verdade dela.

— Eu sei, San, mas isso não acontecerá tão cedo, e vamos mudar de assunto, porque hoje é dia de felicidade. – O celular de Santana vibrou com uma chamada.

— Rachie, seus pais e mãe estão aqui, Kitty, Kurt, Blaine e Mercedes também. Posso mandar eles entrarem?

— Peça para entrarem em 10 minutos, quero falar com vocês antes. – A latina fez o que foi solicitado. – Bom, Sammie e Sannie, — Rachel sorriu e Santana fez careta. — como eu disse antes, não sei o que teria sido de mim sem vocês nessa gravidez. Então por isso gostaria de saber se vocês aceitam serem os padrinhos de um dos meus filhos? – Santana imediatamente teve os olhos marejados e Sam abriu um grande sorriso.

— Você em algum momento pensou diferente, Hobbit? É claro que aceito. – Santana estava emocionada.

— Claro, Rachie, nem precisava perguntar. Mas qual deles? – Sam olhava os bebês curioso.

— Bom, vocês foram bons demais para mim, e tenho certeza que eles os três merecem igual amor durante a vida, então gostaria que você, Sannie, seja a madrinha de Charlotte, eu vi como ela agarrou seu dedo, então de certa forma, a escolha foi dela. – Santana pediu licença e pegou a moreninha nos braços.

— Oi, Charlie, eu sou sua dinda, eu vou te ensinar todos os meus truques e vamos ser uma ótima dupla, o que acha? – Santana falava baixinho para a menina com lágrimas escorrendo. Ela olhou para Rachel. – Obrigada, Shorty, você não vai se arrepender.

— Eu sei, San, mas não me agradeça, junto com o título também virão algumas responsabilidades. – Rachel sorriu. – Isso vale pra você também, Sam. – O loiro assentiu. – Sammie, eu acho que você será o melhor padrinho para Luke, ele precisa de uma referência masculina e você será ótimo para isso, você é um bom homem e vai ser um modelo muito bom para o meu menino.

— Com certeza, Rachie, eu prometo. – Sam com a ajuda da enfermeira pegou Luke no colo e começou a fazer imitações de Matthew McConaughey para o menino.

— Oh meu Deus, o que eu fui fazer? – Rachel falou rindo e Santana acenou concordando enquanto brincava com Charlotte, então a porta se abriu e um grande alvoroço começou.

Leroy, Hiram e Shelby estavam verificando Rachel para ver se a filha estava bem, Kurt, Kitty, Mercedes e Blaine babavam em Charlotte e Luke. Depois os avós pegaram cada uma das crianças e foram revezando entre si.

— Oh, Estrelinha, eles são tão lindos. – Leroy dizia chorando. – Serão as crianças mais mimadas do planeta. – Ele dizia enquanto acariciava a mãozinha de Elizabeth. – Não, é Beth, vovô vai mimá-los tanto ou mais do que mimou sua mamãe. – Rachel franziu o cenho e todos riram.

— Minha garotinha, obrigada por nos dar netos tão preciosos. Parabéns por seus filhos. Eu te amo, minha estrelinha e amo você também, rapazinho Luke, vovô vai te ensinar tudo sobre futebol. – Hiram falava observando o olhar curioso do neto para ele.

— Babe, eu estou tão feliz por você, seus filhos são tão lindos. Eu nunca me imaginei com um neto, e agora tenho três, eu sou a avó mais feliz do mundo. Obrigada por me deixar fazer parte disso, minha menininha. — Shelby beijou o topo da cabeça de Rachel e depois o topo da cabecinha de Charlotte.

— Pais, Mãe, eu estou tão feliz por ter vocês três aqui conosco. Obrigada por me apoiarem, mesmo não concordando com minha decisão. – Ela se referiu ao fato de que nenhum dos três concordaram em esconder de Quinn que ela seria mãe também, mas a decisão era de Rachel e eles não interferiram. – Agora eu sei o que vocês sentem quando me olham. Eu os amo tanto, eu já nem consigo lembrar como era minha vida sem eles.

— Okaaay, muito bonito o momento de vocês, mas nós também queremos segurar os bebês. – Kurt disse já pegando Charlotte no colo. – Oh meu Deus, ela é tão pequena e linda. Oi, Char, eu sou seu tio Kurt.. – Rachel o interrompeu.

— Não, docinho, ele não é seu tio. – Kurt arregalou os olhos indignado. – Kurt, Santana é a Madrinha de Charlotte e eu quero que você seja o Padrinho dela, e nem pense em recusar.

— Oh meu Deus, eu não acredito. Obrigada. Obrigada. Obrigada. – Kurt olhou para a bebê em seus braços e sorriu. – Char, nós seremos o padrinho e afilhada mais fashions do país, eu te garanto. – As gargalhadas foram altas e Kurt nem se incomodou.

Todos conversavam e curtiam os bebês, até que a hora de visitas encerrou e apenas Santana ficou com Rachel.

— Rachie, você disse quem eram os padrinhos de Charlie, o padrinho de Luke, mas não disse nada sobre a madrinha dele ou os padrinhos de Beth. Você já sabe quem serão?

— Eu desejo que seja uma escolha de Quinn, eu ainda não sei como, mas eu vou pensar sobre isso. – Rachel disse sonolenta e Santana apesar de achar estranha a resposta, concordou.

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Enquanto isso em Nova Iorque, Quinn estava agoniada, ela tinha impressão de que algo grande estava acontecendo, mas ela não fazia ideia do que poderia ser. Ela e Brittany haviam passado o dia conversando, ela levou a prima para jantar e conhecer as ruas de NY e agora estava deitada em sua cama com essa sensação estranha, ela só pedia a Deus que não fosse nada de ruim, ela provavelmente não suportaria mais uma decepção.