Life
38 LIVRO 2 - FÉ Capítulo 37
Notas iniciais
Bjos a todos e espero que curtam! E mais uma vez, obrigada pelos reviews que tanto me ajudam!
Boa leitura!!!
Estava deitada na cama, de banho tomado. Faltavam poucas horas para o cair da noite e eu iria para os muros. Roger acabou se mostrando um ótimo ouvinte e um bom amigo, foi bom ter alguém com quem desabafar. Depois que conversamos ele saiu para ver o que tinha acontecido, prometendo me manter informada... e cumpriu sua missão. Menos de uma hora depois ele voltou e me contou com detalhes surpreendentes o que havia se passado lá dentro. Fiquei aliviada no início, mas senti minha mente a mil depois. Eu sabia que, assim que passasse por aquela porta, as pessoas me olhariam de maneira diferente.
Meu peito ainda estava pesado, pois no fundo eu sabia que a culpa de tudo aquilo era minha. Eu também não conseguia tirar Alex da cabeça e o que fizemos em sua casa ainda me fazia tremer.
Ouvi o bip do relógio apontando 17:30h e Roger se despediu. Preparei a pistola que carregava comigo e a coloquei no cós da calça. Olhei-me no espelho do banheiro coletivo e não podia negar que estava diferente, com um brilho nos olhos que nem mesmo eu conseguia reconhecer. Prendi o cabelo, mas em seguida o soltei, lembrando de como Alex gostava de vê-los assim...
- Droga! – exclamei a mim mesma, encarando meu reflexo.
Passei a maior parte da noite dividindo a guarita com um soldado chamado Vicente e trocamos poucas palavras durante o turno. Na hora da troca, eu pedi a ele para que avisasse ao responsável que eu dobraria... eu queria me manter ocupada e alerta o suficiente para não pensar em toda aquela merda.
Vicente concordou; desceu a estreita escada e pouco tempo depois ouvi os passos de outro soldado subindo para substituir Vicente.
- Oi. – ouvi a voz de Júnior atrás de mim.
- Oi. – respondi com um sorriso.
- Pedi pra trocar com Carlos e vim ficar com você, se importa?
- Não, é claro que não, imagina. – falei rapidamente, verificando mais uma vez a floresta lá fora – Estava mesmo com saudade de você.
Júnior sorriu, mas não vi alegria em seu rosto. Era verdade, entretanto, o que lhe dissera.
- Bom... vamos passar o resto da noite juntos então, como nos velhos tempos. – ele falou mais animado.
Eu sorri e ele ajeitou o fuzil nas mãos enquanto vinha até mim. Dividimos o espaço pequeno por alguns longos minutos e logo nossa conversa soou fluida e divertida. Júnior era uma companhia excelente e eu gostava de tê-lo por perto. O que me incomodava era saber que ele queria algo a mais comigo, que eu jamais poderia retribuir.
Passava das três da manhã quando ele finalmente tocou no assunto.
- Bom... então é verdade entre você e o Alex?
- Depende... de que verdade está falando? – perguntei sagaz, tentando manter o clima bom entre nós.
- Você sabe... esse negócio de “ele é especial” não colou muito pra mim.
Pensei um pouco antes de responder.
- Bom, isso não é mentira, ele realmente é especial pra mim.
- Manuella, por favor, será que poderia dizer de uma vez que está apaixonada por ele?
Olhei pra Júnior levemente espantada, de uma hora pra outra, ele tinha deixado de ser assim tão meigo.
- OK, eu admito, estou apaixonada por ele. Algo mais que queira saber? – falei em tom sério e frio, encarando o homem a minha frente.
Eu não queria que tivéssemos chegada até aquele ponto, mas infelizmente, aquilo aconteceu.
- Bom, eu sabia que tinha mentido pra mim na noite da festa, eu sabia que estava apaixonada por ele.
- Júnior, onde quer chegar? – perguntei encarando o jovem a minha frente.
Ele deu um passo a frente e chegou bem perto antes de falar:
- Manuella, você não percebe onde está se metendo? Alex é um cara instável, é um brincalhão e imaturo. Ele vai acabar magoando você.
OK, eu devia estar em um universo paralelo, só podia. Quem ele achava que era pra dizer aquelas coisas?
- Júnior... – falei com cautela – você não o conhece como eu.
- Não, Manuella, você é que não o conhece como eu! Você acabou que encontra-lo e acredita na imagem que ele passa pra você, mas eu o conheço desde sempre. Já vi Alex se aproveitar da fama que tem, já o vi magoar muitas garotas que passaram por ele apenas por diversão e você não merece ser uma delas.
- Bom, eu acho que posso julgar por mim mesma, não? – perguntei, já perdendo a paciência.
- Será? Não se iluda, ele vai fazer com você o mesmo que faz com as outras. Depois de conseguir o que quer, simplesmente vai te deixar de lado.
- Júnior, dá pra parar de agir assim? Eu não estou te reconhecendo, sabia? Você nunca fez isso, jamais falou assim de ninguém, porque está fazendo isso agora?
- Por que eu te amo! Por que eu não quero te ver magoada por causa daquele imbecil que só sabe trepar com tudo quanto é mulher que aparece na frente dele, é por isso! Já esqueceu do que ele fez em São José?
Abri a boca, mas não saiu nenhum som, aquela imagem me invadiu a cabeça e a fez doer. Mas aquilo... era diferente, foi em outra situação.
- Júnior, eu agradeço por você se preocupar comigo e sinto muito se eu estou magoando você de alguma forma, mas para pra pensar nas besteiras que você tá dizendo! Alex é um bom homem, ele me salvou quando não havia ninguém lá., nem mesmo você! Ele pode ter seus defeitos e ter construído uma fama que talvez não mereça, porque eu conheço o verdadeiro Alex e pode apostar, não é esse cara que você está descrevendo.
- Você está errada e vai descobrir isso da pior maneira possível. – Júnior falou sombriamente.
Antes que eu pudesse responder, ouvi um barulho vindo de fora. No calor da discussão com Júnior, não havia reparado em nada lá fora.
- Ouviu isso? – perguntei assustada, mas Júnior apenas olhou em volta. Tudo estava silencioso.
O soldado se aproximou da entrada da guarita e olhou para a escada abaixo.
- Está limpo. – ele disse, ainda procurando por qualquer sinal de anormalidade.
Apertei a pistola na mão direita, encaixando a arma destravada da maneira correta para o disparo. A mão esquerda apoiava o pulso direito. Lentamente, aproximei-me ainda mais da janela da cabine, que nos permitia enxergar lá fora. Era um buraco na parede da guarita, não tinha mais de um metro quadrado. Coloquei a arma pra fora e apontei em diversas direções, acompanhando as luzes dos holofotes guiadas por soldados espalhados pelos muros. Sentia o coração martelar rápido no peito.
Então, senti a mudança de direção do vento e, com ele, o cheiro de podre muito intenso. Antes de poder reagir, senti a mão gelada e úmida segurar firme a parte do meu braço que estava pra fora da guarita e um rosto apareceu bem diante de mim. Era um vampiro. Tinha uma blusa social surrada e cabelos castanhos emoldurando a cara de feições malévolas.
O vampiro berrou, bem diante do meu rosto e senti o hálito da morte mover meu cabelo, de tão forte. Tudo foi rápido demais, pra mim e pra Júnior, que apenas pulou em minha direção. Disparei o cartucho inteiro com o aperto da criatura. O pânico que me dominava e senti o impacto do corpo de Júnior me atingir.
A criatura me puxou pra fora da guarita com força e senti meus pés sendo puxados pra trás, em vão. Júnior veio junto comigo. Passamos pelo pequeno espaço e caímos em direção ao solo, há metros de distância. O vampiro, muito mais ágil que nós, girou o corpo no ar, de forma a ficar por cima de mim. Senti o impacto forte de quando atingi a terra e o peso da criatura sobre mim piorou muito a situação.
A essa altura, eu já tinha noção de que os soldados estavam em alerta e vários tiros estavam sendo disparados. Ouvi o vampiro sobre mim gritar de dor quando as luzes do holofote o atingiram. Era nossa primeira defesa, pois junto com a luz visível, havia lâmpadas UV que queimavam a pele morta dos desgraçados.
Vi tudo nublar e a dor era imensa pela queda. O mais rápido que consegui, girei o corpo e saí debaixo do vampiro berrante, que soltava uma fumaça acinzentada do corpo. Vi Júnior se levantar com dificuldade e, ao fundo, milhares de pares de olhos negros escondidos na floresta.
Júnior atirou na criatura, mas como estava tão desnorteado quanto eu, seus tiros atingiram regiões que não afetavam o vampiro de forma incapacitante. O maldito pulou em minha direção, com a boca aberta e os dentes pontudos em meu rosto. Senti minha mão apertar o canivete que sempre trazia no bolso, mas que eu sabia não ser suficiente.
Fui ao chão mais uma vez e senti a pressão que o corpo morto e pesado da criatura fazia sobre o meu. Ele segurou meus pulsos sobre a cabeça, travando minhas mãos no chão. Eu pensei que sentiria suas presas em meu pescoço dilacerando a carne quando ele baixou a cabeça em minha direção. No entanto, o que ele fez me surpreendeu ainda mais. O vampiro simplesmente abriu a boca e falou com a voz arrastada e quase incompreensível:
- O mundo não pode ser salvo...
Depois disso senti um solavanco e meu corpo saiu voando pelos ares, sendo arrastado pelo vampiro enquanto ele saltava de galho em galho e me levava pra longe de Naska.
Notas finais
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