Life
57 Capítulo 56
Notas iniciais
Espero que gostem :) #tenso
Boa leitura!!!
Os gemidos dela estavam contidos, mas ainda assim era o som mais poderoso que podia existir aos meus ouvidos. Eu sabia que ela estava tentando não chamar a atenção, talvez com um pouco de vergonha pelos outros estarem relativamente perto, mas eu não queria isso, eu queria Manuella entregue por inteiro a mim, como eu era dela.
Com cuidado, encostei seu corpo nú e perfeito na pedra morna, deixando-a reclinada e acariciei-a por completo, prendendo seus braços sobre a cabeça. Com a boca eu fazia um caminho lento com a língua, sentindo cada pedaço de seu corpo e me deliciei ao ouvir o gemido alto, de quem estava deixando as defesas caírem, quando alcancei os seios eriçados.
Meu corpo fervia por dentro. Era a primeira vez que eu faria amor com ela sem ter a presença de Alex junto a mim. Era intenso e indescritível e o desejo quase não cabia em meu ser.
Ela não resistiu à tortura que eu fazia e soltou os braços de meu aperto, deixando as mãos correrem pelas minhas costas arrepiada com seu toque. Eu precisava de Manuella como nunca precisei de algo em minha existência, então segurei as coxas grossas e a levantei da pedra, abraçando-a... não queria que a textura da pedra a machucasse.
Manuella enroscou as pernas em minha cintura e eu girei com ela agarrada a mim, apoiando-me na pedra com as costas enquanto capturava sua boca com voracidade. Minhas mãos em sua cintura apertavam com volúpia e ela entendeu o recado, ajeitando-se para se encaixar em mim. Nada do que pensei se comparava à sensação de senti-la daquele jeito, quente, úmida e perfeita pra mim. Eu deixei uns gemidos de prazer escaparem e sussurrei palavras que ela não compreendia, pois era meu idioma natural. Ela gemeu comigo, pois eu não resisti à vontade de pressionar seus quadris com força e sentir-me todo dentro dela. Manuella gemeu alto e deixou o corpo cair levemente pra trás, permitindo um encaixe ainda mais perfeito e profundo. Com a força dos braços, levantei seu corpo pelos quadris e voltei a pressionar contra mim, sentindo todo o prazer que ela me dava.
Suas unhas me arranhavam os bíceps e ela pedia por mais. Eu não neguei, jamais negaria nada a ela e também meu corpo não permitiria isso, pois eu a desejava de um jeito avassalador. Mantive o ritmo entre nós e Manuella me fazia sentir o prazer mais intenso quando se apertava e se ajeitava sobre mim... era quase insano.
Ela contraiu o corpo e eu estava quase no limite com o ritmo acelerado entre nós. Rapidamente virei mais uma vez, apoiando-a de costas na pedra, com meus braços protegendo suas costas. Pressionando seu corpo ali eu a invadi com mais vigor enquanto beijava sua boca ofegante e mordia o pescoço exposto. Ela sussurrava meu nome e a cada estocada sentia seu corpo tremer sob o meu até que ela gemeu de um jeito diferente, lento e gostos em meu ouvido e senti os espasmos do corpo dela junto ao meu. Na mesma hora senti o prazer do orgasmo dominar meu corpo e me deleitei ao ver Manuella mole em meus braços, sem ar e com os olhos brilhantes.
Ficamos por algum tempo ainda juntos, com meu corpo dentro do dela enquanto tentava recobrar os sentidos e a consciência que ela me tirava. Senti seus braços suaves me envolverem num abraço carinhoso e deixei-me relaxar sobre ela, apoiando a cabeça entre os seios. Senti um aperto no peito ao pensar que um dia teria que deixa-la e eu me questionava se poderia ser verdadeiramente feliz sem estar ao seu lado... eu sabia a resposta.
- Alex não está mais com você, não é? – a voz dela saiu suave muito tempo depois.
Levai a mão até seu seio e acariciei com ternura, deixando os dedos passearem pela cintura para depois voltarem pra eles.
- Ele está aqui, mas... mas não assume mais o controle deste corpo. – respondi com um aperto no peito.
- Por quê? – ela quis saber.
- Bom... quando Caliel se transformou, nós estávamos longe demais. A única forma que eu tinha de alcançar vocês a tempo era usando o poder da Gladius e, pra isso... Alex teve que me permitir assumir o controle de vez, pois somente Arcanjos podem manejar a essência da espada. Ele permitiu, pois temia por você.
Eu ouvi o coração dela acelerar e sabia que seria assim. Ela o amava afinal, e jamais o esqueceria.
- Você... está arrependida? – perguntei, finalmente levantando o rosto para encará-la.
A visão que tive era linda demais. Ela estava brilhante, resplandecente, mas com uma pontada da tristeza no fundo dos olhos, tristeza por Alex.
- Não, é claro que não. Eu amo você, Raphael. – ela disse, acariciando meu rosto de maneira suave – Mas... sabe que eu também amo Alex e não vou mentir pra você que estou me sentindo... incompleta.
Nós nos encaramos por um tempo e muita coisa foi dita pelo olhar. Eu a amava com tudo o que tinha e sabia que esse sentimento era recíproco, mas... ela também o amava e de uma forma intensa e única... eu sabia que, fazendo o que fiz, tinha magoado seu coração.
- Eu vou... fazer de tudo para que você possa vê-lo novamente. – falei enquanto levantava.
Manuella levantou rapidamente, segurou meu braço, e vi os olhos brilharem ainda mais.
- Pode... pode fazer isso? Pode trazê-lo de volta?
- Eu... posso tentar, depois que isso tudo acabar. – falei sorrindo pra ela. Era um sorriso triste, mas que logo se tornou verdadeiro pois vi a felicidade preenche-la novamente, como se ela tivesse recuperado a vida que perdeu. Eu sabia que não podia ocupar o lugar que era dele, sabia que ela o amava mais que a mim.
Beijei-a nos lábios de forma suave.
- Vamos, temos que continuar. – falei mirando o castanho mais lindo que conhecia.
Ela acenou e me puxou para mais um beijo profundo antes de levantar completamente.
...
Minhas suspeitas foram confirmadas. Quando Raphael contou o que aconteceu eu acho que parei de respirar por uns segundos, mas logo ele me trouxe esperanças de que eu poderia ver Alex de novo. Eu vi seu sorriso murchar um pouco, mas não pude conter a alegria em saber que teria Alex novamente. Meu coração estava dividido, minha cabeça também. Eu não sabia mais como lidar com tudo isso. Não queria magoar Raphael, mas não podia enganá-lo também. Céus, seria tão mais fácil se eu pudesse me partir ao meio, assim eu não magoaria nenhum deles e nem a mim também.
A viajem recomeçou no mesmo ritmo acelerado, pois precisaríamos alcançar o ponto de pernoite antes de escurecer. Como se já não bastasse os anjos invadindo corpos de vampiros e demônios soltos por aí, ainda tínhamos que nos preocupar com os malditos errantes que viviam nas matas. É claro que Raphael estava com plenos poderes agora e que vampiros ‘simples’ não eram mais tão ameaçadores assim, mas será que ele seria capaz de enfrentar sozinho outro demônio, caso aparecesse?
O pequeno grupo seguiu calado, avançando estrada acima, sempre na direção nordeste. A paisagem havia mudado bastante e no dia seguinte teríamos a última parada para reabastecer antes de entrar na área mais remota da região, onde estava a base. Durante a noite, enquanto eu, Júnior e Lisa fazíamos a ronda, Raphael passou os detalhes para Marcos e Dornelles de como localizar e entrar na base, como destravar os sistemas de segurança e de como proceder, tudo exatamente como Lauriê havia contado a Alex. Ele achou melhor dividir o conhecimento, caso encontrasse algum problema pelo caminho que o detivesse, nós seguiríamos sem ele... é claro, como se eu fosse fazer uma loucura dessas.
Felizmente não houve incidentes com vampiros durante a noite, nem mesmo na noite seguinte onde paramos na última cidadela abandonada antes de alcançar a base militar fundadora do projeto MEV. A cada quilômetro que me aproximava dela, meu coração batia um pouco mais depressa. Era como se eu fosse capaz de reviver todos os momentos que me levaram até ali, até o meu grande objetivo. Eu lembrei de Evelyn, lembrei de como me juntei ao grupo de Alex em Santa Clara e de toda nossa jornada; de Olavo, dos problemas, das vitórias, das perdas e dos amigos que encontrei pelo caminho. Tinha sido tanta coisa... a experiência de uma vida ou até mais.
- Devemos ver os muros em pouco tempo! – Raphael gritou da moto mais a frente enquanto avançávamos pela estrada de terra, com nada a nossa volta. O sol estava baixo e a lua cheia já despontava no céu. Alguns minutos depois nós vimos o arame farpado sobre a grade de metal que cercava a base e os avisos de alerta de área militar.
Os faróis iluminavam o caminho e logo vimos a entrada da grade de metal, há alguns metros de distância. Foi quando aconteceu. Ouvimos grunhidos altos saindo de algum lugar desconhecido na noite que mal caíra e antes que pudéssemos pensar, o zumbido forte acometeu o ouvido, invadindo a cabeça e quase nos desmaiando de tão intenso. Era como um grito extremamente agudo que desnorteava.
Freei com tudo, mas não consegui controlar a moto, pois as mãos foram involuntariamente aos ouvidos e soltei o guidão. A moto ziguezagueou e eu derrapei, de mochila e tudo, rolando no chão de areia. Ouvi o som de uma batida enquanto rolava e muita dor de cabeça. Depois os tiros.
O cheiro me atingiu como um soco e vi pés velozes se aproximando de mim com a visão turva. Minha respiração estava acelerada, a adrenalina a mil. Uma das pistolas havia voado longe com a queda e meu corpo parecia esmigalhado. Senti o sangue escorrer pelo braço e pela testa. O zumbido continuava e gritei de agonia. Mais um demônio estava nascendo e estava perto. Aquele cheiro de carne podre dos vampiros estava incrementado com algo a mais, como quando Caliel se transformou... parecia enxofre.
Ouvi o som dos passos e as figuras estavam se aproximando rápido demais, eram dezenas de vampiros, estavam em tocaia e nos pegaram de surpresa.
- CUIDADO!
Uma voz perto de mim falou e a rajada de tiros alvejou os malditos que estavam perto. Eu me rastejei pra trás, levando a mão até a pistola que me restou. Engatilhei-a e apontei pra frente, quando senti um solavanco forte e fui arrastada para trás com rapidez. Um vampiro passou rente a mim, tão perto que suas garras arranharam meu rosto e levaram muitos fios de cabelo. Era ele... Raphael me puxou na hora certa e logo sua figura esguia estava na minha frente, mutilando a carne podre dos vampiros que vinham em minha direção.
- VAI! MANUELLA, VAI! ENTRA NA BASE COM OS OUTROS ANTES QUE O DEMÔNIO APAREÇA!
Ele gritava enquanto acabava facilmente com as criaturas que surgiam por todos os lados e investiam contra ele. Desesperada, olhei pra trás. Haviam tiros sendo disparados e vi Dornelles e Marcos correndo com Lisa na direção da entrada principal. Júnior estava perto de mim e atirava enquanto se aproximava.
- VAMOS! VEM COMIGO! – ele gritou me segurando pelo braço e me arrastando para longe de Raphael.
- NÃO! ME LARGA! NÃO POSSO DEIXÁ-LO! – gritei de volta, sentindo o desespero me consumir.
- LEVA ELA DAQUI! AGORA! – Raphael gritou instantes antes de desaparecer no ar.
Vi apenas o reflexo dourado cortando o ar a uma velocidade incrível e os pedaços de corpos voavam por todos os lados, espalhando sangue negro e fétido sobre a terra.
Então um urro alto veio do sul e vi um imenso par de asas. Era o demônio recém-nascido vindo até nós.
- VAMOS! VAMOS! – Júnior gritava enquanto me arrastava a força.
- NÃO! RAPHAEL!
O arcanjo surgiu há alguns metros de nós e mais vampiros surgiam de todas as direções.
- MANUELLA, VOCÊ PRECISA IR! CONFIA EM MIM!
Vi o reflexo branco me encarar por uma fração de segundo e sabia que não havia nada que eu pudesse fazer para ajuda-lo, eu precisava confiar em suas habilidades, pois minha presença só atrapalharia, ele iria querer me proteger e ficaria vulnerável. Então eu acenei e segurei firme na mão de Júnior.
Corremos a toda velocidade na direção dos outros, que tinham aberto a grade e estavam parados na segunda defesa, que consistia em um muro de mais de dez metros de altura, de concreto puro, com enormes portões de aço. Marcos e Dornelles tentavam abri-lo, seguindo as informações de Lauriê.
Eu e Júnior corríamos até eles, quando Lisa apontou o fuzil em nossa direção.
- ABAIXEM! – ela gritou, segundos antes de atirar.
Foi por puro reflexo que saltei pro lado, levando Júnior comigo. Atrás de nós, três vampiros estavam sedentos pelo nosso sangue. Segurei firme a pistola e mirei no primeiro, acertando dois tiros bem no meio da testa, fazendo o corpulento maldito cair pra trás com o impacto. O segundo, Lisa havia acertado com o fuzil e estava cambaleando desengonçado, com um buraco no peito. O terceiro havia desviado das balas e voltava com tudo pra cima de nós.
Eu rolei no chão e atirei na direção da besta, junto com Júnior. Então, contra tudo o que imaginamos, senti aquele cheiro forte de enxofre invadir as narinas e o vampiro, bem diante de nossos olhos, se curvou para frente e soltou um uivo agudo de enlouquecer. Era alto e invadia o cérebro, nos alucinando... era outro silvo, mais um demônio iria surgir.
Foi tudo muito rápido, a criatura devia estar a menos de três metros de mim e de Júnior. Vi como se sua carne fosse virada do avesso e uma fumaça negra envolver o ambiente fazendo arder minhas narinas. Levei as mãos aos ouvidos e Júnior gritava de dor pela agonia do som; era como se nosso cérebro fosse explodir.
Nós precisávamos sair dali antes que a criatura recuperasse os sentidos. Desnorteada, larguei a pistola que em nada me serviria e me arrastei até meu amigo que se contorcia no chão.
- Júnior! Vam-vamos! – gaguejei, segurando seu braço e tentando leva-lo para longe dali.
Então senti as mãos de Dornelles e Marcos me ajudando e vi de relance que eles haviam conseguido abrir o portão. O barulho ainda era intenso e a fumaça foi diminuindo. Um grunhido assustador saiu da criatura, que agora estava enorme e carregava um par de asas de morcego e chifres tortos na cabeça. Ele berrava e sua boca tinha dentes podres pontudos como de tubarão.
- VAMOS! – gritei aos demais.
Júnior se recompôs e corremos os quatro na direção de Lisa, que atirava em vão contra o demônio. Precisaríamos chegar até o portão, pois era nossa única esperança. Uma vez lá dentro, a estrutura militar era tão avançada e reforçada, que nos protegeria.
Corríamos com tudo o que tínhamos, e Dornelles alcançou a porta, seguido por Marcos e por mim. Lisa se preparava para fechar a porta quando o som do grito de Júnior nos fez virar. A criatura havia alcançado o soldado e cravado as garras imensas em suas costas. No impulso, eu corri para ajudar Júnior, que me encarava estatelado, mas Marcos me agarrou e puxou pra trás. O demônio urrou e cravou os dentes no pescoço do soldado. O sangue dele espirrou em todos nós, quente e vivo.
Enquanto as portas fechavam, vi uma lágrima escorrer de seus olhos sem vida e o reflexo dourado da luta entre Raphael e o outro demônio que ficaram pra trás.
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