Life

54 Capítulo 53


Notas iniciais
Gente, bad news... meu lepinho deu ruim e eu simplesmente quase perdi tudooooo!!! Por sorte, eu consegui recuperar as coisas do HD e ontem de madrugada consegui meus arquivos de volta o/ o noivo informatizado serve pra isso, viu??!!! rsrsrs
Bom, adicionei uma idéia nova nesse cap que não estava previsto e espero que vcs gostem... vão entender no final...rs
Bjo gente e boa leitura!!!!

Assim que segurei a Gladius suja de areia, ela assumiu sua forma original, tornando-se a espada bela e imponente, com brilho próprio. Ela encerrava em si uma parte da própria essência do Criador e, portanto, era o objeto mais poderoso que existia, só podendo ser manipulado pelos quatro Grandes Arcanjos de Deus.

Ajoelhei-me instantaneamente e agradeci ao Pai por ter me ajudado a consegui-la de volta. Eu sabia que havia arriscado demais não ter seguido Caliel imediatamente após aquela noite fatídica, mas como eu poderia ter abandonado Manuella a própria sorte? Ela não resistiria aos ferimentos sem minha ajuda. Foi egoísta de minha parte, eu sabia disso, sentia em cada célula de meu corpo mortal, mas eu precisava dela, não podia perde-la, e sendo assim, fiz minha escolha.

- Agora temos que chegar à base e depois a guerra de verdade vai começar.

Eu falei em tom baixo, para mim mesmo e para Alex, que continuava sem entender completamente o que estava prestes a acontecer. Ele sabia que algo grande viria, mas não fazia idéia do que era.

...

Eu senti cada músculo do meu corpo doer. Foi horrível acordar novamente no meu corpo ferido. É claro que eu estava muito bem, pra quem praticamente tinha morrido com um arpão de caça cravado nas costas... mas mesmo assim doía.

Respirar fundo incomodava bastante, mas me mover era ainda pior. Abri os olhos e vi o quarto a minha volta. Em meu braço havia uma agulha presa com esparadrapo e em meu peito alguns eletrodos conectados aos monitores antigos que apontavam o ritmo constante do meu coração. Céus... se não fosse Raphael, eu estaria naquele lugar agora...

É engraçado como uma experiência de quase morte pode mudar absolutamente tudo em sua vida. É claro que não me refiro ao fato de quase morrer, mas ao fato de poder ver, com meus próprios olhos e sentir, com todo meu corpo, que existe algo além do que eu sempre acreditei ser verdade. Eu estive lá, eu vi os Arcanjos de Deus, falei com eles, senti seu poder imenso... como não acreditar agora?

Pus-me sentada devagar... eu não tinha tempo a perder, pois Santa Fé estava prestes a ser atacada por vampiros.. anjos-vampiros... e eu precisava avisar aos demais. Cada gesto que eu fazia parecia que remexia com todos os meus ossos e nervos. Eu podia sentir meu corpo se recuperando, certamente devido ao sangue sagrado de Raphael em minhas veias, mas a dor ainda era forte.

Retirei a agulha de soro com cuidado e senti a ardência do metal deixando minha pele. Sangue escorreu do pequeno ferimento deixado pela agulha e eu fechei o braço, pressionando-o contra meu peito. Cheiro de sangue era tudo o que eu menos queria nesse momento, com tantos malditos entocados lá fora.

Retirei os eletrodos em meu peito e pus-me de pé. Tive que segurar na maca pela tonteira repentina, mas me forcei a seguir em frente. Caminhei lentamente pelo quarto, vestindo apenas uma calcinha branca, nada mais.

Havia um banheiro nos fundos do quarto: uma pia branca e um pequeno espelho na parede. Meu reflexo estava horrível. Eu tinha olheiras, remelas e um cabelo que não me pertencia. Abri a bica e senti a água muito gelada entre meus dedos. Reprimi um grito quando senti uma pontada no estômago que veio quando respirei fundo novamente e fiquei curvada sobre a pia, com ânsia de vômito.

Peguei uma toalha que estava pendurada perto da pia, era pequena e amarela. Com ela, pressionei mais um pouco o braço para estancar de vez o sangue e fiquei quieta por alguns segundos, tentando controlar o enjoo e a dor, mas não era fácil.

- Manuella?

Sobressaltei-me com a voz repentina atrás de mim e virei, cobrindo os seios desnudos com os braços. Dornelles e Marcos me encaravam assustados e com sorrisos nos rostos.

- Deus, é um milagre! – Dornelles falou enquanto corria para a maca onde eu estava e pegava o lençol azul.

Marcos se aproximou e me escorou e Dornelles me cobriu com o pano ainda morno pela minha presença.

- Como está? – Marcos perguntou enquanto me ajudava a sair do banheiro.

- Vocês... vocês precisam avisar aos outros... – minha voz saia baixa e rouca, como a voz de quem dormiu por muito tempo – Vai ter um ataque a qualquer momento. Têm vampiros lá fora, de tocaia, e eles são muito fortes.

Eles se entreolharam, não entendiam nada do que eu dizia e provavelmente acharam que eu estava delirando. Precisei acrescentar.

- Eu conheci os irmãos de Raphael enquanto dormia... vocês precisam acreditar... eles estão lá fora, não temos tempo.

O nome do Arcanjo parece que deu um choque em ambos, que começaram a correr. Marcos disse que ficaria comigo enquanto Dornelles foi correndo alertar os soldados para a batalha. Nessa hora, Lisa entrou no quarto.

- Manuella! Minha nossa, você acordou!

Ela correu e me escorou pelo outro lado, oposto de onde Marcos me segurava. Ambos me guiaram até a maca de volta.

- Não... nós precisamos nos preparar.... eles vão atacar logo. – falei ainda fraca.

- Do que está falando? Está com febre?

Lisa logo pôs a mão em minha testa e eu sacudi a cabeça com veemência.

- Não é isso... Manuella esteve com os irmãos de Raphael enquanto dormia, eles disseram para nos prepararmos. – Marcos tomou a palavra.

Lisa o encarou sem entender. Eu sabia que ela era cética como eu e custava a ela acreditar nessas coisas. Mas não discutiu.

- Lisa, pode ficar aqui com ela enquanto eu ajudo os demais? Vocês precisam se preparar também.

Lisa encarou Marcos, que se levantava. Ela demorou um pouco antes de dizer que sim e eu vi suas bochechas avermelharem enquanto Marcos a fitava... ou eu estava só vendo coisas mesmo...

- Vem, vamos colocar uma roupa em você. – ela disse, deixando-me na maca e indo em direção a um canto no quarto.

Lisa ajudou a me vestir e só então percebi que era minha mochila que estava no canto do quarto. Eu escovei os dentes pra tirar o gosto amargo do soro e lavei o rosto, passando depois a mão molhada no cabelo. É claro que tudo isso não levou mais de três minutos, pois não tínhamos tempo a perder com essas besteiras. Foi quando Lisa me ajudava a amarrar a segunda bota quando ouvimos uma sirene alta tocar e o som de tiros vindos lá de fora.

Lisa me olhou seriamente, mas não parecia assustada somente, havia algo de furioso em seu olhar, algo que me identifiquei rapidamente. Ela estava com ódio das criaturas, mas o motivo disso, eu não sabia.

- Vamos! Temos que sair daqui! – ela disse, me ajudando a caminhar rápido para fora do quarto.

Lá fora, havia um cenário de guerra. Os malditos pulavam os muros de Santa Fé como se fosse uma pequena cerca de madeira. Não eram muitos, mas as baixas defesas da província os ajudavam a ter sucesso. Os soldados atiravam nas criaturas, mas eu sabia que aqueles eram diferentes dos vampiros normais. Mesmo em menor número, eram mais perigosos que tudo.

- Vamos! – Lisa gritou, arrastando-me para longe dos muros e do cheiro de podre que me embrulhava novamente o estômago.

- Não! Lisa, temos que ajuda-los! Não podemos correr! – falei, fazendo o máximo de força para parar.

- Manuella, você não está em condições de lutar, precisa se abrigar. Hoje eu vou defender você.

Ela falou com uma chama no olhar que me surpreendeu. Suas ordens foram expressas e ela engatilhava uma 40mm enquanto me encaminhava para um lugar seguro. Eu nem tinha percebido que ela estava armada, tampouco entendia de onde ela tirava tanta gana, mas Lisa estava lá, forte de decidida a entrar na luta e vencer.

- Toma! Vou ficar por perto, mas você precisa me prometer que não vai fazer besteira e dar uma de heroína! – ela disse enquanto chegávamos perto de um pequeno prédio onde as pessoas entravam apressadas e desesperadas.

Nem tive tempo de responder, Lisa me empurrou para dentro da multidão que gritava e corria amedrontada para dentro da construção. Eu sentia nas mãos o peso da pistola que ela havia me passado. De relance vi quando ela atirou na direção de um dos malditos que atacava um pequeno grupo de soldados.

Eu fui conduzida para dentro, sendo levada pela massa de pessoas histéricas. Eu queria estar indo para o lado oposto, queria poder lutar também, mas sabia que meu corpo não aguentaria fazê-lo e isso me deixava furiosa. Uma menina pequena tropeçou enquanto subia as escadas e eu corri o máximo que pude para pega-la. A menina devia ter uns quatro anos e estava vermelha de tanto chorar. Seus pequenos olhinhos brilhantes jaziam vermelhos pelo medo.

- Calma, tá tudo bem, vou ajudar você. – falei enquanto agarrava a pequena em meus braços e subia junto com os demais.

Lá fora eu ouvia o som de explosões e tiros de armas pesadas e sabia que Santa Fé jamais tinha sido vítima de um ataque daqueles.

- VAMOS! RÁPIDO!

Havia alguns soldados fortemente armados que guiavam as pessoas para o último andar, onde tinha uma espécie de refúgio coletivo. A estrutura interna do prédio naquele pavimento era diferente, como se a maioria das paredes tivesse sido derrubada para construir um imenso salão. As janelas estavam vedadas com chapas de metal e o interior fracamente iluminado por lamparinas.

A minha volta, as pessoas se agrupavam nos cantos mais afastados das janelas e choravam desesperadas, agarradas umas as outras, com medo por suas vidas e de seus familiares. A garotinha em meu colo tremia violentamente.

- TITIA! TITIA!

A menininha gritava em meus braços enquanto eu caminhava por entre as pessoas do salão. Os soldados que escoltavam os civis se postaram perto das janelas e na entrada principal, que era a escada por onde havíamos entrado. Eu tive a sensação de que ali era o único refúgio das pessoas daquele lugar e sabia que não era nada seguro.

- Gabrielle!

Uma mulher jovem de cabelos desgrenhados surgiu ao meu lado, esticando os braços para a garotinha que eu levava no colo.

- Titia! – ela gritou, estendendo os bracinhos gorduchos para a mulher.

- Obrigada! Obrigada! – a moça dizia emocionada enquanto pegava a garota de mim e apertava contra si.

Eu sorri rapidamente e logo ouvi um barulho alto ao fundo e sons de tiros.

Todos gritaram, havia muita confusão. Os soldados passaram a atirar na direção de uma das janelas encobertas pela placa de metal, onde eu vi um rombo enorme e metade do corpo de um vampiro pendurado. Ele havia sido estraçalhado pelos tiros, e seu corpo morto-vivo se debatia inútil na janela semi-arrombada.

Rapidamente eu preparei a pistola que Lisa me deu e corri na direção dos soldados para ajudar.

- MEU DEUS, SEREMOS MASSACRADOS! ESSES VAMPIROS SÃO FORTES DEMAIS! O QUE FAREMOS?

Encarei o soldado ao meu lado, que parecia com medo. Todos estávamos com medo.

- VAMOS! TEMOS QUE VIGIAR AS ENTRADAS! EU VOU DESCER E TOMAR CONTA DA ESCADA. LÁ É ESTREITO, SERÁ UMA VANTAGEN NOSSA CASO ELES TENTEM SUBIR. PRECISO DE AJUDA!

As palavras saíam da minha boca com naturalidade e os homens me olhavam sem saber o que fazer. Logo dois deles estavam correndo ao meu lado e descíamos novamente as escadas para assegurar que nenhuma maldita criatura subisse. Tinha muita vida inocente ali para ser perdida. Minha boca estava novamente amarga e eu sentia as pernas tremerem... precisava aguentar firme.

Ao chegar ao pé da escada, vi a batalha se desenrolar lá fora. Os soldados, espertamente, haviam posicionado os caminhões com os holofotes de UV em várias direções, o que retardava a invasão das criaturas. Eles podiam ser anjos, mas estavam em corpos de vampiro, portanto estavam sujeitos às suas fraquezas... inclusive sua sede por sangue.

- Minha nossa! São muitos! – o cara baixinho que segurava uma espécie de rifle falou ao meu lado.

Não tivemos tempo pra mais nada, logo senti o cheiro forte de podre e ouvi o grunhido já familiar se aproximando rapidamente da entrada do prédio.

- VAMPIROS! – gritei enquanto atirava na direção do vulto que surgiu.

Acertei o filho da puta bem no meio da testa e os dois soldados que me acompanhavam abriram fogo. Quatro malditos ficaram se contorcendo no chão. Nessa hora vi Lisa e Marcos se aproximarem. Ele sangrava bastante e ela o escoltava a até nós.

- Eu disse pra não bancar a heroína! O que está fazendo aqui embaixo?!

Lisa estava com o casaco rasgado e com um hematoma sob o olho.

- Não vou ficar lá em cima deixando vocês aqui, preciso ajudar de alguma forma! – falei enquanto me aproximava de Marcos — Você está bem? – perguntei a ele, que se apoiava na parede para respirar.

- Sim, graças a Lisa... aquele maldito quase me rasgou ao meio... – ele respondeu com a expressão de dor no rosto.

Nessa hora ouvimos um berro muito alto, estridente, que fez com que levássemos as mãos até os ouvidos. A dor aguda invadiu meu cérebro e meus amigos caíram no chão enquanto se contorciam enquanto eu me curvava pela agonia. Tudo foi rápido, não durou mais que cinco ou seis segundos, mas foi suficiente para atordoar a todos. Com dificuldade, olhei para o centro da província. Havia um caminhão em chamas, soldados e vampiros caídos por todos os lados e uma figura no centro, com a cabeça voltada para cima e os braços abertos.

A criatura virou-se lentamente em minha direção e era como se seus olhos negros soltassem uma névoa enegrecida. Havia um cheiro forte no ar, misturado ao odor pútrido das criaturas. Contra tudo o que minha mente jamais sonhou em imaginar, vi a criatura soltar um berro, grave, alto e horripilante. Então protuberâncias começaram a surgir em suas costas e o berro foi ficando cada vez mais alto e grave, de forma a alcançar um tom inumano e assustador. As protuberâncias cresciam rápido, como se fossem membros novos brotando do corpo da criatura.

Ele curvou o corpo para frente e eu pude ver finalmente o que acontecia. De suas costas surgiam um imenso par de asas negras, de aspecto membranoso como as asas de um morcego. Mas não eram completas, pareciam deterioradas pelo tempo, como se tivessem sido mastigadas. Eram feias e tinham um brilho sombrio.

Finalmente fez-se silêncio e quando a criatura se pôs de pé novamente, vi enormes chifres em sua cabeça, curvados para trás como se fossem retorcidos. Ele voltou a me encarar e eu senti um pavor que jamais sonhei em sentir na vida. Seus olhos não se pareciam com os olhos dos vampiros, pois não era apenas morte e podridão que emanava deles. Havia também o Mal. A nossa volta, tudo estava quieto e frio, muito frio.

Notas finais
Reviews??