Life
55 Capítulo 54
Notas iniciais
Obrigada por continuarem comigo, pela paciência e carinho de sempre!!! Vcs são foda!
Ah, no meu perfil aqui tem o link da minha pg no facebook. Fiquem a vontade pra me adicionarem pq eu percebi que posso fazer grande amizades por lá! rs Só escrevam por favor que são daqui pra eu saber :) tenho leitoras daqui que são minhas amigas hj graças ao face e queria estender isso a tdos que me acompanham o/
Bom, é isso... Boa leitura!!!
Senti estômago revirar e tive ânsia de vômito. O cheiro, o frio e o tremor em minhas pernas me deixaram impotente.
- Santa Mãe de Deus... – ouvi as palavras de Marcos enquanto ele, assim como os demais, encarava aquele ser monstruoso a nossa frente.
A criatura soltou uma espécie de rosnado e estendeu suas asas completamente. Nessa hora, vi os corpos dos vampiros em batalha correrem de volta para os muros de Santa Fé... eles fugiam. Os homens e mulheres que batalhavam, finalmente voltavam a recuperar os sentidos e tentavam se afastar da criatura que permanecia parada no meio da província olhando em minha direção.
Eu podia jurar que senti meu sangue congelar nas veias e cada pêlo de meu corpo se eriçou quando a criatura virou-se completamente para nós. De suas narinas saía uma fumaça espessa e acinzentada e os olhos tinham um reflexo avermelhado. Ele esticou as asas enormes e gosmentas e rugiu alto, assustando a todos. No instante seguinte, ele havia desaparecido, simplesmente sumido no ar.
- O que houve? Pra onde ele foi? – a voz aterrorizada de Lisa dizia ao meu lado.
Senti apenas o deslocamento de ar e aquele cheiro me atingir quando o demônio surgiu na minha frente. Foi rápido demais, não tive nem tempo para reagir. Suas mãos cinzentas deslizaram em minha pele e senti o gélido toque em meu pescoço... o ar gelado que entrava em meus pulmões se fora.
Ouvi tiros muito altos, provavelmente de meus amigos que se encontravam por perto, mas minha mente não processava direito as coisas, pois meu corpo estava suspenso no ar pela criatura, que apertava meu pescoço até quase o ponto de deslocar-me as vértebras. A dor aguda paralisou meu corpo e vi seus olhos avermelhados me encarem de muito perto.
O demônio fez um gesto rápido com as asas negras e logo os tiros pararam. Vi os corpos de Lisa, Marcos e dos dois soldados voando para longe, em várias direções. Então ele aproximou o rosto ainda mais e eu já sentia tudo anuviar, ficar escuro... a arma caiu de minha mão e eu sabia que era o fim. Olhar seus olhos profundos era como mergulhar num oceano escuro e frio de maldade e tortura. Aquilo era suficiente para enlouquecer, tamanho medo que senti. Não havia nada na Natureza que se comparasse àquilo, não era nada que minha ciência podia explicar. Era como se minha vida fosse sugada para dentro daqueles olhos infinitos, onde a eternidade de angústia e agonia me aguardava.
Tentei falar, mas não consegui. Senti minhas mãos caírem ao lado de meu corpo, impotentes. A visão já estava completamente embaçada e eu certamente tinha poucos segundos de vida. Foi então que aconteceu.
Senti um solavanco forte e o impacto contra o chão de terra. Respirei intensamente, com desespero, recuperando o ar que me faltava. Já não estava tão frio, parecia que havia algo quente envolvendo o ambiente e suavizando o gelo invernal. E realmente havia.
Quando minha visão pode focar novamente e meu cérebro processar o que se passava a em volta, eu vi a criatura sendo encurralada por alguma coisa... alguma coisa, ou alguém, o enfrentava. Era um duelo, um duelo violento e cruel.
- Raphael... – sussurrei antes mesmo de saber o que acontecia.
Ele lutava contra o monstro de uma forma que eu nunca vi. Era intenso e gracioso, ao mesmo tempo em que era fatal. O demônio investia com ataques tão rápidos que meus olhos não eram capazes de acompanhar, mas Raphael os repelia com precisão. E havia o reflexo dourado de sua espada sagrada, que resplandecia com a batalha que travava. Era como se fossem apenas um.
A criatura rugiu alto e sumiu novamente, diante de nossos olhos. Senti as mãos de Lisa sobre mim, me ajudando a levantar.
- Vamos! Precisamos sair daqui! – ela disse nervosa, tentando me arrastar para longe, como todos haviam feito.
- Não podemos deixá-lo! – gritei de volta, embora meu grito não tenha sido tão potente quanto imaginei.
- Raphael é um Arcanjo! Ele sabe lidar com aquilo! Nós temos que ir! – Marcos foi quem respondeu, ajudando Lisa a levantar meu corpo inútil e cansado.
Eu não conseguia protestar, senti dores terríveis e um enjôo que me fazia querer colocar o estômago pra fora. Eles me carregaram pra dentro, mas pude ver quando a criatura surgiu, do nada, nas costas de Raphael, surpreendendo-o. Tentei gritar, mas Raphael foi mais rápido. Ele girou sobre o próprio eixo e também desapareceu, como a criatura havia feito. No que me pareceu ao mesmo tempo, Raphael surgiu nas costas da criatura e cravou a Gladius bem abaixo dos pulmões, exatamente como eu havia sido atingida.
Não vi nada mais, pois Marcos e Lisa me levaram para longe, o máximo que conseguiram. Acabamos entrando num dos galpões da província e havia alguns soldados ali dentro que se escondiam como nós. Era patético, mas pra onde mais poderíamos ir? A floresta lá fora estava repleta de vampiros ou anjos-vampiros e não podíamos correr pra lá... embora eu preferisse enfrentar mil vampiros famintos do que uma criatura arrepiante como aquele. Era incrível como ele conseguia me apavorar.
- VAMOS! TEMOS QUE NOS PROTEGER! – Marcos gritava, ordenando aos soldados.
Rapidamente, eles fizeram uma espécie de barricada com umas caixas e latões antigos e nós corremos para trás da singela estrutura. Lisa me ajudou e logo juntou-se a Marcos e os demais. Eles faziam um muro de contenção, apontando as armas para as grandes portas do galpão, Mesmo de trás da linha de defesa, eu via as armas tremerem em suas mãos.
Fez-se silêncio profundo, quebrado apenas pelos sons da luta entre Raphael e a criatura misteriosa. Minha mente estava em choque. Era como se ainda pudesse sentir o horror do toque do demônio em mim. Eu também temia por Raphael, e por Alex. Não conseguia imaginar perdê-los. De repente, eu senti um líquido morno escorrendo dos olhos... eu estava chorando.
...
Os outros anjos me encaravam através dos olhos negros dos seres da noite. Eles aguardavam minha decisão.
- Destruam todos! – ordenei.
Invadimos a pequena e frágil província de Santa Fé com tudo o que tínhamos. Eu sabia que um ataque surpresa arrasaria com as defesas quase inexistentes deles e eu poderia atingir meu objetivo sem demora. A única coisa que eu queria era me livrar desses vermes, dessa espécie que não merecia em nada o amor incondicional do Criador.
Ouvi tiros sendo disparados e me surpreendi com a quantidade de humanos guardando o lugar.
- Eles estavam preparados! Alguém os avisou que viríamos! — Haziel falou ao meu lado, enquanto cravava as garras no pescoço de um dos soldados.
Ele estava certo, esse ataque devia ser muito mais simples.
- Maldição! – praguejei.
Senti o sangue ferver nas veias, mesmo estando naquele corpo vampírico e morto-vivo. Só podia ter sido eles... os malditos Arcanjos os avisaram de algum jeito!
Segui em frente, degolando e mutilando aqueles corpos imundos. Sentia minha fúria no auge e nem mesmo os tiros que pegavam de raspão em meu corpo eram capazes de me deter. Alcançamos o centro da patética província e eu via com prazer a confusão formada. Os gritos de desespero daquela espécie insignificante eram como música para meus ouvidos.
Senti um baque na nuca e virei. Havia um soldado segurando um bastão de madeira. O homem era franzino e estava trêmulo de medo, eu podia farejar.
- Corre, Kelly! Corre!
Havia uma pequena menina atrás do soldado, e seu rosto de total pavor não parava de me encarar. Ela devia estar tentando fugir a acabou perdida aqui no meio da confusão e o inútil do homem tentava ajudar. Patético. Sem pensar duas vezes deflagrei um soco no rosto do infeliz e ouvi com prazer os ossos do crânio quebrarem em minha mão. A menina caiu pra trás, arregalando os olhos infantis.
Rapidamente pulei sobre o frágil corpo e enfiei a mão com força em seu peito. Minhas garras rasgaram a pele e traspassaram os ossos finos sem dificuldade enquanto ouvia o grito de dor da jovem diante de mim. O coração da menina batia apressado entre meus dedos.
- Veja o que eu faço com seus filhos imundos. – falei pra Ele enquanto esmagava lentamente o órgão quente e pequeno.
No mesmo instante eu senti a dor em minhas entranhas. Uma força invisível me virava do avesso e senti a maior agonia de minha existência. O ódio finalmente me dominou. Senti, junto com a dor indescritível, as pesadas correntes serem tiradas de mim. Eu estava livre, sem o peso do fardo Celestial.
A dor aumentou e meu corpo provavelmente estava jogado ao chão, mas minha mente vagava longe dali. Era como se eu pudesse fazer qualquer coisa, como se pudesse ser qualquer coisa. Era o poder e o ódio o que mais me importavam agora e apenas o ódio me movia.
Ao longe encarei um par de olhos assustados. Era um belo par de olhos, mas que me despertaram uma raiva ensandecida. Era ela, a mulher responsável pela decisão de Raphael, a imunda que pagaria com a vida não merecida.
Foi com deleite que senti seu pescoço frágil em minhas mãos. Tudo parecia em câmera lenta agora, pois meus poderes estavam libertos, finalmente sob meu total domínio. Ela estava estática, fraca, entregue a morte iminente. Com um simples bater de asas livrei-me dos vermes que eram seus amigos e voltei minha atenção àquela jovem mulher. Vi em sua mente tudo o que escondia. Seus segredos, seus pecados. Absorvi cada gota de lembrança dolorosa que tinha, que eram muitas. Aquilo me fortaleceu. Sentia o prazer dos últimos segundos de sua vida e de vê-la se esvaindo em minhas mãos quando a ardência me dominou. Era o poder da Luz, cravado em minhas costas. Larguei a mulher, lamentando que ainda estivesse viva e virei para encarar o Arcanjo de olhos brancos que, naquele momento, sentia tanto ódio quanto eu.
...
Levantei-me e caminhei na areia, de volta pelo caminho onde vim. Precisava alcançar a estrada longe e pegar a moto para voltar o quanto antes para Santa Fé. Eu havia recuperado a Gladius, mas sentia uma angústia no peito. Eu sabia que meus irmãos deviam ter conseguido alcançar Caliel, assim que ele abandonou aquele corpo inerte, mas... se Caliel tivesse escapado e entrado no corpo de outro ser da noite, provavelmente estava indo em direção a Santa Fé agora. Ferir Manuella e meus amigos era a forma mais eficiente de me atingir e eu sabia que se Caliel pudesse, ele o faria. Algo estava diferente em meu irmão. Seu ódio pelos homens o estava consumindo e ele estava entrando em um caminho perigoso e sem volta.
Assim que avistei a minha 1000 cc deitada na beira da estrada eu senti um solavanco forte que me fez cair. Minha cabeça ouvia um zunido alto, mas tão alto, que era enlouquecedor. Meu peito pesava e senti lágrimas escorrendo involuntárias dos olhos.
Apertei a Gladius na mão e com ela apoiada no chão, tentei levantar. Aquilo só podia significar uma coisa e era exatamente a confirmação de minhas suspeitas. Eu não tinha tempo de voltar.
- O que foi isso? – Alex perguntou assustado com aquele sentimento e com meu desespero.
- Isso foi o nascimento de um demônio, Alex. – falei ainda tentando recuperar o ar.
- Como?
- Caliel desviou-se do caminho da Luz. Seu ódio e suas ações o deserdaram como um Filho de Deus. Ele agora segue sua própria lei, nos braços da escuridão.
Houve silêncio e o tempo estava se esgotando.
- Alex, Caliel deve ter escapado dos meus irmãos e retornado a Santa Fé. Lá é o lugar que ele pode dar sua última cartada.
- Manuella... – ele completou.
- Ele vai matar a cada um deles, já não segue mais as Leis do Criador. Caliel se consumiu em seu próprio ódio e agora todos correm perigo. – falei alcançando a moto e me apoiando nela para ficar de equilibrado... os sentidos ainda estavam atordoados.
- O que pode fazer pra salvá-lo? – Alex perguntou angustiado – Levamos três dias pra chegar até aqui! Ele vai matar a todos!
- Ainda tem uma coisa... uma coisa que podemos fazer, mas não vai ser fácil. – falei, respirando fundo. A decisão final tinha que ser de Alex.
- O que é?
- Eu posso usar os poderes da Gladius para transcender e alcançá-lo instantaneamente, mas pra isso... você precisa me deixar assumir o controle.
Alex estava confuso, seus pensamentos invadiam minha mente como uma enxurrada.
- Não entendo... você pode chegar a tempo... tipo, como teletransporte?
- Mais ou menos isso. – respondi.
- Mas precisa que eu deixe você assumir meu corpo por completo? É isso?
- Sim. O poder da Gladius só pode ser manejado por Arcanjos. Eles são inimagináveis e posso chegar a tempo de salvar nossos amigos, mas você terá que me permitir fazer isso.
- Bom, então faz logo! A gente já faz isso há muito tempo mesmo, qual é o problema?
- O problema Alex, é que se eu assumir por completo o controle de seu corpo... você pode não voltar mais. Vai ser quase impossível pra você retornar à consciência e ao controle deste corpo depois que eu o fizer.
Minhas palavras o atingiram profundamente. Eu sabia que essa era a única chance de salvar a todos, de salvar Manuella... mas eu precisava do consentimento de Alex. Esse era um sacrifício muito grande.
- Você me promete que vai salvá-la e que vai mantê-la segura? – ele perguntou e eu já sabia sua decisão.
- Sim. – respondi.
- Então eu aceito.
Segurei a Gladius sagrada com ambas as mãos e imediatamente senti seu poder fluindo por mim, me preenchendo. A cada segundo que o poder da Gladius se misturava à minha essência, Alex ia ficado cada vez mais distante dentro de mim. Era isso, eu assumiria de vez nosso corpo e teria a consciência e poder completo que cabia a mim, como Arcanjo de Deus. Somente assim eu teria como enfrentar os poderes diabólicos do demônio Caliel.
Enquanto o processo acontecia, eu senti minha admiração por Alex crescer. Sabia que sua decisão foi movida simplesmente por amor, o amor mais sincero e puro que podia existir. Naquele momento eu soube que tinha feito a escolha certa em salvá-los. Manuella me mostrou como era esse sentimento e Alex me ensinou até onde ele podia levar. Era sublime e divino, exatamente como a semelhança de Deus.
Agora eu entendia o motivo do homem ser tão especial. Eles podiam não compreender isso, podiam se desviar do caminho e muitas vezes, falhar em sua jornada. Mas eles tinham o poder de sentir e de se doar como nenhuma outra espécie. Somente na pele deles eu compreendi isso, somente sendo um deles eu pude finalmente entender.
- Obrigado, Alex. – falei momentos antes de sentir meu corpo se fundir com o poder da Gladius e ser transportado até Santa Fé.
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