Life

51 Capítulo 50


Notas iniciais
Genteeee que felicidade!! Acabei de ver que Life conseguiu mais uma recomendação!!! essa menina passou dois dias lendo Life a tarde inteira e ainda me brindou com lindas palavras! Obrigada, Vivi! E obrigada a toooddoooosss que me incentivam demais com seus reviews!! Life está ficando maior do que imaginei e isso se torna um problema pq eu fico com medo de ficar chata e não prender mais vcs... mas a cada comentário eu vejo que vcs ainda estão comigo e estão curtindo o trabalho, então..... acho que não está sendo tão ruim prolongar Life um pouquinho.... mas ó, reta final chegando :)
Bjos e tdos e Vivi Costa, sua linda, este cap é pra vc :)

- São os irmãos de Raphael. – falei com a voz quase falha. Estava levemente nervosa.

O dos olhos púrpuros respondeu que sim com a cabeça.

- Eu estou morta? – perguntei a eles.

- Não, ainda. – o Arcanjo de olhos dourados falou.

- Ainda? – observei.

- Está com medo? – me perguntou o de olhos azul profundo.

- Não. Acho que minha curiosidade é maior que meu medo. – respondi imediatamente, com a voz serena.

O do meio sorriu e acrescentou:

- Eu disse ainda porque um dia, inevitavelmente, você vai morrer.

- Então não quer dizer que vai ser agora? – falei lembrando do motivo que me levou até ali.

O Arcanjo voltou a sorrir em sinal de concordância. Eu era lógica até no outro mundo.

- Bom, nós podemos afirmar que você não vai morrer porque nesse momento, seu corpo está passando por uma cirurgia enquanto Raphael doa o sangue dele pra te salvar.

Encarei os olhos arroxeados e brilhantes e senti, pela primeira vez desde que acordei aqui, agonia.

- Como assim? Perguntei me adiantando.

- O sangue de Raphael vai salvá-la, mas se ele doar todo seu sangue a você...

- Vai morrer! – completei desesperada – Vamos! Vocês precisam impedi-lo! Ele não pode morrer! Nem ele nem Alex! Por favor!

Eu senti lágrimas mornas escorrendo dos olhos e o coração disparar. Era estranho pensar que podia fazer essas coisas ali... onde quer que fosse aquele lugar estranho.

- Nós não podemos impedi-lo. – o Arcanjo de olhos azuis falou, dando um passo em minha direção. Foi incrível, eu senti tanta energia fluindo dele pra mim, que foi como ser eletrocutada. Era como uma fonte de calor e vida.

- Por... por que não? – perguntei ainda tonta com o baque invisível.

- Porque nunca interferimos no livre arbítrio, não importa as consequências que a decisão leve. Raphael está decidido a morrer pra te salvar e não há nada que possamos fazer. Mas você pode. – ele disse, mais próximo ainda.

Meu corpo estava tão envolvido por aquela energia incrível, que eu estava desnorteada. Era tão inexplicavelmente bom... era como... como me sentia perto de Raphael. Parecia a gravidade, me atraindo, me sugando para a paz absoluta.

- Como faço isso? – perguntei mirando os olhos coloridos que me lembravam o mar profundo e misterioso.

- Vá até lá e convença-o. Ele vai te ouvir. Só você pode fazê-lo parar. Mentalize Raphael, deseje com fé que quer estar com ele e você conseguirá.

Eu senti uma pontada de medo, apesar de toda a paz que me rondava naquele momento.

- Eu... eu não sei se consigo.

- Por quê? — o dos olhos dourados questionou, embora eu soubesse que eles já sabiam o motivo.

- E... eu... eu não sou uma pessoa de fé... eu... eu não sei se posso fazer isso.

O dos olhos púrpuros sorriu e deu um passo a frente. Senti mais uma vez a onda da energia dele me atingir e foi tão forte que dei um passo pra trás e quase caí. Era tão magnífico que eu quase podia tocar... havia um campo em volta deles que era quase tangível, tamanha intensidade. Minha mente estava tentando compreender o incompreensível.

- Você precisava ver para crer... é por isso que estamos aqui. – o Arcanjo falou.

Minha respiração acelerou, estava nervosa. O Arcanjo do meio se moveu lentamente e eu sabia que ele também daria um passo a frente e chegaria mais perto. Eu sentiria mais uma vez a energia deles, a onda absurda de paz e força superior. E foi o que aconteceu. O Arcanjo de olhos dourados deu um passo a frente e senti o baque no corpo me empurrar pra trás. A energia dos três juntos foi tão grande que meu corpo foi lançado pra trás no ar a uma velocidade impressionante.

Fechei os olhos durante a trajetória e senti como se estivesse pairando no ar, presa entre o tempo e o espaço, num lugar que era exatamente o nada. Só o que pude fazer foi pensar nele. Eu desejei imensamente estar com Raphael enquanto meu corpo flutuava no infinito.

Abri os olhos assustada e estava no meio de uma sala branca. Havia pessoas... médicos, sobre um corpo na maca e trabalhavam conjuntamente. Era meu corpo. Virei para o outro lado e vi Raphael deitado, de olhos fechados, com uma agulha em seu braço que fazia o sangue subir pela cânula transparente e ir até meu corpo, na maca ao lado. Eu estava no meio disso tudo, num espaço apertado. Meu corpo, se é que eu tinha um, estava translúcido, e parte dele atravessava o corpo de um dos médicos que me operava.

Inclinei-me pra frente, na direção de Raphael, que parecia pálido. Minha mão fantasmagórica acariciou seu rosto enquanto eu chamei seu nome.

- Raphael, olha pra mim.

Ele se moveu, abrindo os olhos assustado. Vi quando o branco puro me encarou desnorteado. Ele precisava parar com aquilo urgentemente, ou morreria.

Nós nos encaramos por um tempo muito curto, mas que pareceu uma eternidade... e eu sempre tinha a certeza de que poderia apenas ficar daquele jeito, presa em seus olhos incríveis e mágicos.

- Raphael, você precisa parar. – eu falei e minha voz saiu suave até seus ouvidos.

Os médicos que operavam meu corpo atrás de mim pareceram não ouvir, mas ele ouviu. Vi seu rosto confuso me encarar.

- Manuella? – ele perguntou.

- Você precisa parar de me dar seu sangue. Você não pode morrer aí. – eu falei tentando acariciá-lo novamente.

Minha mão não chegava a tocá-lo e eu não conseguia sentir o calor de seu corpo como antes. Talvez fosse isso o que ele quis dizer uma vez que anjos não podem tocar os mortais fisicamente. Mas eles podiam tocar de outras formas e eu precisava fazer isso com Raphael.

- Você... você precisa do meu sangue, ou vai morrer. – ele disse fraco, enquanto me olhava nos olhos.

- Não, Raphael. Você é o Salvador, o único que pode os salvar. Se eu morrer, os outros cientistas vão fazer o meu trabalho, mas se você morrer... todos morrerão também.

- Eu... eu não posso perder você! Não posso!

Agachei-me um pouco e cheguei bem perto de seu rosto. Nessa hora um dos médicos se virou e disse:

- Senhor, precisa parar agora! Se não parar vai morrer aí mesmo.

Raphael não olhou pra ele, era como se só tivesse olhos pra mim. Então eu falei:

- Raphael, por favor. Eu e muitas pessoas batalhamos muito pra tentar reverter o mal que foi feito. Então, Deus mandou você pra nos salvar. Por favor, não morra agora, não antes de realizar sua missão, não antes de cumprir meu sonho. Eu sempre pensei que meu objetivo era encontrar a cura e estava disposta a isso a todo custo... e eu encontrei. Encontrei você, Raphael, você é a cura, você é e sempre foi p meu objetivo. Não morra, não me faça perder tudo pelo o que lutei.

Ele me olhou e o médico, indiferente à minha presença, insistiu.

- Senhor?

- Precisa prometer que vai voltar pra mim. – ele disse, com lágrimas nos olhos.

- Eu prometo que vou lutar por você. – falei sorrindo.

Ele fechou os olhos e acenou pro médico, que interrompeu a coleta de sangue imediatamente e começou a avaliar o estado de Raphael, que parecia bem debilitado. Assim, de olhos fechados, eu não sabia o que pensar. Eu sabia que o amava, sabia que sem ele, minha vida não seria a mesma, eu não seria a mesma; mas no meu íntimo, eu esperava sempre ver aquela cor indefinida entre o verde e o azul aparecendo no centro dos olhos brancos. De uma maneira egoísta e totalmente desmedida, eu queria poder ter os dois ao meu lado.

Então, de repente, eu senti uma dor forte no estômago, um incômodo terrível e alucinante. A visão foi ficando embaçada e a dor me dominou por completo. Mais uma vez, em pouco tempo, eu apaguei sem saber se voltaria a acordar.

...

Eu sentia o desespero dele, sentia que fazia tudo o que podia para salvá-la. Enquanto Raphael dominava meu corpo, era como se eu estivesse num estado de latência, era como se eu pudesse apensas sentir o mundo a minha volta, as sensações. Era como dormir, mas em algum nível de consciência eu sentia as emoções dele tão fortes como se fossem as minhas. Era estranho, porque eu não sabia onde o sentimento dele terminava e o meu começava. Eu não conseguia distinguir muito bem as coisas.

Mas eu sabia o que acontecia, e estava disposto a salva-la com a minha vida, se fosse preciso. Raphael também estava disposto a isso, o filho da puta. Ele amava Manuella com uma intensidade que quase se comparava a minha e era por isso, talvez, que tudo ficasse tão misturado.

Eu senti o impacto das palavras dela e Raphael decidiu ouvi-la. Eu concordei. Já viajava com Manuella por muito tempo e a conhecia o suficiente pra saber o quanto era importante pra ela achar a cura. Era o que ela mais queria na vida e agora... agora ela tinha encontrado. A cura era ele. Como eu podia deixar de atender ao seu pedido? Como podia deixar o sonho dela morrer daquele jeito. Eu queria salvá-la, mas, ao mesmo tempo, queria que se sentisse feliz, estando onde estivesse.

Consenti que Raphael parasse a doação e, depois disso, nosso corpo simplesmente adormeceu, sucumbindo à fraqueza e ao cansaço.

Acordei muitas horas depois. Eu estava no controle dessa vez. Acordei na maca, ao lado do corpo dela, que estava coberto por um lençol azul, deixando apenas a cabeça e o rosto perfeito de fora. Estava serena, com os cabelos arrumados sob o corpo deitado de bruços. Havia alguns monitores antigos do outro lado, que apitavam regularmente, acusando uma frequência cardíaca variando em torno de 50 bpm. Respirei aliviado. Ela estava viva... fraca, mas viva.

Senti meu corpo muito mais forte e sabia que estava quase que completamente recuperado, mas Manuella ainda era um enigma. Eu sabia que os médicos fizeram tudo o que podiam, dentro dos recursos que tinham disponíveis, mas eu também sabia que ela e apenas ela, podia lutar por sua vida.

Levantei da maca e caminhei para mais perto. O braço do ouro lado estava com agulhas e havia uma bolsa de líquido transparente pendurada ao lado do monitor de frequência cardíaca. Também havia um carrinho com prateleiras de metal sobre as quais haviam agulhas , algodão e material cirúrgico limpo.

Dei a volta em sua maca e passeei com a mão pelo contorno de seu corpo sob o tecido grosso. Deixei os dedos passearem leves pelas pernas, pelo contorno das nádegas e a curva da base da coluna. Desviei a mão para o braço que não havia agulhas para não passar sobre o lugar da cirurgia e cheguei ao rosto tranquilo.

Perdi-me um longo tempo ali, admirando o rosto dela e lembrando de vários momentos que passamos desde que a vi pela primeira vez naquele galpão, onde os soldados se reuniram antes de partir e ela surgiu dizendo que vinha com a gente. Parecia que tinha sido há anos, ao invés de alguns meses. Era como se eu a conhecesse minha vida inteira e eu sabia que não saberia viver sem seu sorriso lindo e o brilho dos olhos castanhos.

- Alex?

Virei pra porta. Era a voz de Dornelles.

O homem tinha um corte enorme no rosto, cruzando quase todo o lado esquerdo de sua face. Tinha um dos braços enfaixados também. Dei uma última olhada pra Manuella e fui em direção a ele. Saímos da sala e a deixamos lá.

- Como ela está? – ele perguntou.

- Eu sei que vai ficar bem. – respondi sorrindo forçosamente — O que houve lá no acampamento?

Dornelles murchou. Vi, pela primeira vez em anos, uma tristeza profunda em seu olhar. Era tão pesada, que me atingiu.

- Quase não sobrou ninguém. – ele disse – Como faltava muito pouco para o amanhecer e estávamos perto daqui, acho que... relaxamos um pouco, não sei. Estávamos cansados, e com sono e nem ouvimos eles chegarem. Eu senti o cheiro antes de ouvir qualquer coisa. Eles nunca agiram assim, nunca com uma precisão tão grande. Eu apenas senti o cheiro quando o vento mudou de direção e, quando dei por mim, estávamos cercados. A maioria dos pesquisadores que estavam nas barracas nem conseguiu sair. Foi rápido e sangrento. Nós tentamos de tudo, mas no fim... Marcos e eu estávamos mais distantes um pouco e pudemos nos salvar. Júnior e Venâncio correram pra longe com mais dois dos cientistas, mas o resto não sobreviveu. Quando eu cheguei mais perto, já estava sem balas e um deles quase me arranca a cabeça. Por sorte tinha um buraco pra onde eu estava correndo e eu caí... ele conseguiu me arranhar o rosto, mas eu devia estar morto.

Ouvi a história com pesar. Muitos haviam morrido enquanto eu, ou melhor, Raphael, estava tentando salvar Manuella. Meus amigos podiam estar mortos agora... Marcos, Dornelles e até Júnior, que estiveram comigo por tanto tempo... Mas pensando melhor, eu não posso julgar suas ações, pois faria exatamente o mesmo.

- Os médicos disseram que só um milagre salvaria Manuella. – Dornelles falou, bem na hora que os outros se aproximaram no corredor.

Todos me encararam. Dornelles, Marcos, Júnior, Venâncio, Lisa e Ruan, o mais velho cientista depois do Dr. Robert, que não estava mais entre nós.

Eu capturei seus olhares. Todos estavam cabisbaixos, abatidos. Lisa trazia os olhos vermelhos e tinha uma tala na perna. Eu sabia que chorava por seu pai e que estava preocupada com Manuella. Respirei fundo e respondi encarando-os:

- Bom... eu acredito em milagres.

Notas finais
reviews??? acho que não mateio ninguém do coração com este final de cap...rsrsrs espero não ter ameaças de morte dessa vez! kkkkkkkk