Life

47 Capítulo 46


Notas iniciais
Oi gente!
Aiaiaia, vcs viram que Life recebeu outra recomendação??? São doze!!!! o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/o/
Samira, minha filha, assim vc me mata! rs
Obriga a todos que acompanham esta fic e saibam que eu vibro com cada review que me deixam e que eles me ajudam demais na construção da história, pois posso perceber quando onde estou agradando mais e como está sendo a reação de vocês. Isso é fantástico!!!
Bom, este cap tbm não está mega comprido... acho que este tamanho tá bom :)
Sam, dedico este à vc, pelas lindas palavras! Obrigada a todos!
Boa leitura!!!!

Assim que retornamos, todos já sabiam o que tinha se passado na pequena clareira da floresta. Júnior, Dornelles e Marcos deviam ter contado a eles. Foi bem estranho. As pessoas encaravam Alex com um respeito que beirava ao medo, mas também, tinham um brilho diferente, um brilho de felicidade e esperança. O que tinha sido revelad, era exatamente o que eles esperavam que Alex fosse: um Salvador, um enviado de Deus... e ele era.

Lisa me entregou algumas frutas e um pouco da comida que fizeram, mas eu não tinha fome, só comi porque Alex insistiu bastante. Seguimos viajem e nosso objetivo era encontrar uma antiga e abandonada base militar, uma parada planejada para descansarmos profundamente depois de tantos dias de viajem, pois a base subterrânea era muito segura.

Como saímos um pouco tarde, ainda faltava pelo menos uma hora para chegarmos até a base quando os relógios apitaram 17:30h. Chegaríamos junto com a noite. Eu estava no caminhão, sentada entre os soldados e pesquisadores que conversavam contidos... o tema era apenas um.

– Você está bem? – Dornelles perguntou ao meu lado.

– Não sei. – respondi com um sorriso sem alegria.

– Olha, eu sei que isso é uma loucura total, mas sabe que, no fundo, eu sempre achei que Alex virava outra pessoa durante o frenesi. Mas quer saber de uma coisa? Isso não importa nem um pouco, pra mim ele sempre vai continuar sendo a mesma pessoa e um grande amigo e eu sei que ele vai continuar te amando do mesmo jeito.

Eu o encarei. Dornelles era realmente um homem precioso. Apertei sua mão rapidamente, em sinal de consentimento, mas sinceramente, eu não saberia dizer o que estava sentindo com aquilo tudo.

Anoite caía, escurecendo o ambiente e nós preparamos as armas. Estávamos ainda um pouco longe da base e os nervos de todos estavam a flor da pele, especialmente pela noite difícil que tivemos.

O caminhão seguia seu curso no máximo da velocidade e eu ouvia o ronco das duas motos a frente. Vi que suava levemente quando encarei a pistola em minha mão. Quase meia hora depois, o soldado que pilotava o caminhão gritou:

– Chegamos!

– Graças a Deus! – uma menina do grupo de pesquisa falou, segurando um terço nas mãos junto à arma.

O caminhão foi parando aos poucos e logo descemos na estrada. Olhando ao redor, com a ajuda do holofote potente, vi estrada a perder de vista e um muro grande, cinza e bem conservado. Ali era a base militar onde passaríamos a noite antes de seguir viajem.

Descemos com agilidade e pegamos as malas. Marcos e Alex que haviam chegado um pouco a frente, já tinham preparado tudo para escondermos os veículos no local apropriado. Foi quando nos dirigíamos pra lá que ouvimos um grito. Era horrendo e muito alto, parecia um grito de horror, de uma dor profunda... ou um ódio desmedido.

– VAMOS PRA DENTRO! AGORA! – Marcos gritou, enquanto começávamos a correr para dentro dos muros da fortificação.

Havia um pequeno complexo de prédios baixos e largos, com não mais que dois andares. Certamente onde ficavam os alojamentos e gabinetes militares no passado. Mas ali não era nosso interesse; o grupo corria em fila indiana para o prédio central, onde ficava a entrada para a base subterrânea e segura.

Estava escuro e a adrenalina corria nas veias, pulsante. Estávamos quase alcançando o prédio quando ouvimos barulhos atrás de nós e por todos os lados. Eram os malditos, pulando por cima dos imensos muros.

– VAMPIROS! – ouvi alguém gritar.

O grupo já tinha conseguido quase todo entrar no prédio e minhas pernas corriam com tudo que tinham, carregando o peso precioso da mochila em minhas costas. Vi apenas o reflexo de alguém correndo em direção aos malditos que vinham em nossa direção; era Alex... ou melhor, Raphael.

Notei uma diferença. Nas mãos dele não estava mais o facão afiado. Havia, porém, um reflexo diferente, dourado e magnífico, que se destacava na noite. Era sua Gladius.

A maneira que ele lutava era ainda mais impressionante. Era como se tivesse domínio total do corpo e da espada, como se fossem um só. Ele saltava e se movia com uma graça mortal; um assassino, um guerreiro. Era diferente de antes... era pleno.

Eu fiquei tão hipnotizada pela luta que ele travava contra os malditos, que simplesmente parei. Era como um ímã, uma força além da minha compreensão. Eu senti que poderia olhá-lo pra sempre, poderia ficar ali, de pé, por toda a eternidade vendo seus movimentos precisos e o brilho de sua espada.

– CUIDADO!

Senti apenas alguém me empurrar para o lado e atirar. O cheiro do vampiro me atingiu forte, me fez voltar à realidade. Marcos estava sobre mim, atirando com tudo o que tinha contra o maldito que quase me pegou. Logo havia outros e atirei contra eles, com raiva, com ódio da existência desses seres amaldiçoados.

Cada bala saída da minha arma com a minha fúria embutida. A vontade que eu tinha era de poder mata-los com minhas próprias mãos. Eu e Marcos acertamos os quatro malditos e levantamos correndo, na tentativa de voltar para dentro e ficar em segurança... eu sabia que não precisava me preocupar com Alex... Raphael.

– VAMOS! – Marcos gritou enquanto segurava minha mão e me puxava pra frente.

Corremos para dentro da construção principal, onde os demais haviam entrado, e corremos pelo corredor principal. A luz da lanterna da arma de Marcos sacudia para todos os lados enquanto corríamos e mais ao fundo vi uma sala, no fim do corredor. Era pra lá que Marcos me puxava.

Havia um alçapão no chão da sala e Dornelles e Júnior seguravam o tampão, gritando por nós. Estávamos a menos de cinco metros da entrada do refúgio, quando ouvi um barulho no escuro. Foi um estrondo. Alguém, ou melhor, alguma coisa, adentrou o recinto pela janela, espalhando pequenos pedaços de vidro por todo o lugar. Marcos saltou pra frente e vi quando os outros o pegaram. Eu saltei pro lado oposto ao do barulho e rolei no chão.

Senti uma dor horrenda quando os cacos rasgaram minha pele. E não tive tempo de gritar. Logo recebi um golpe forte no abdómen, como se alguém tivesse me chutado o estômago, e rolei mais pelo chão repleto de cacos. Bati na parede e senti falta de ar.

A minha volta, uma chuva de tiros que doía o ouvido se juntava aos gritos e urros da criatura que invadiu o local. Vi pelo reflexo das lanternas um corpo grande se aproximar, apesar dos tiros incessantes. A criatura não resistiu e seu corpo caiu no chão, contorcendo-se de dor pelas feridas. Eu estava ofegante e muito assustada, pois tudo tinha acontecido rápido demais.

– VEM! VEM LOGO! – ouvi a vos de Marcos de dentro do alçapão.

Levantei tremendo, sentindo o sangue escorrer na testa e no braço ferido, além de não conseguir respirar e enxergar direito. Apertei a pistola que, milagrosamente eu ainda carregava nas mãos. Devia ter no máximo uns dois tiros. Apoiei as costas na parede e dei dois passos a frente, mas logo ouvi mais um estrondo e abaixei. Dois vultos surgiram na semiescuridão da enorme sala vazia.

Ouvi um urro em minha direção e aquele hálito desnorteante da morte. Tentei me esgueirar pelo canto e estiquei o braço, disparando o meu único tiro na direção do vampiro. Os outros estavam no alçapão e era arriscado demais um deles tentar sair. De lá eles atiravam como loucos, mas eu sabia que não poderiam me salvar.

Senti as mãos frias da criatura que me puxou pelo ombro de encontro a si. Tudo foi rápido demais, minha mente mal processava os fatos. Senti ele me aproximar para um abraço, o meu último abraço, pois certamente o cheiro do meu sangue o estava deixando alucinado e eu logo sentiria suas presas afiadas resgando meu pescoço.

O vampiro cravou as garras em meus braços e eu gritei. O outro provavelmente foi abatido pelos tiros. Então eu ouvi:

– Você o liberrrtou, sua imunda.

Meu corpo foi arremessado para longe e cruzei a sala pelo ar. Bati contra o batente da porta do salão com as costas e caí no escuro. Ouvi mais barulho, mais tiros e vi mais vultos entrando pela janela e logo senti as mãos frias em mim novamente.

– Vai terr a morrte que merece.

Então a mão fria ossuda agarrou meu pescoço e senti sua boca maldita em meu ombro. A língua passeou gelada e ressecada pelo braço, e a criatura lambia meu sangue quente. A dor de cabeça era lacerante; seu aperto em meu pescoço me imobilizou por completo, tirando-me o ar e certamente em poucos segundos, eu desmaiaria.

Tudo foi rápido e banhado a muita dor, até que vi um reflexo dourado na escuridão. No segundo seguinte, não havia mais a boca fria e sedenta em minha pele, nem a mão forte me estrangulado, havia apenas um calor me envolvendo.

Vi de relance o branco de seus olhos e tentei recobrar o ar.

O que veio depois foi uma confusão completa. Vampiros invadiram a sala por todos os lados e os tiros pararam. Junto com eles, as luzes das lanternas se foram. Muito justo, os soldados tiveram que proteger os outros. A minha volta, apenas o brilho incomum da espada que cortava o ar velozmente. Era estranho... não parecia luz como a conhecemos. Não era como se brilhasse, exatamente, mas parecia que refletia uma luz diferente, que parecia o sol, mas que não vinha de lugar nenhum. Era a coisa mais estranha, ilógica e linda que vi, e se comparava apenas à cor dos olhos de Alex ao me amar.

Apoiei as costas na parede, ouvindo o som da luta que acontecia no escuro. Nenhum vampiro conseguiu se aproximar de mim, não com Raphael aniquilando-os sem parar. Eu ainda respirava com dificuldade, sentindo a dor pelas feridas e pela mordida no braço. A sensação de repulsa me dominava. Era como se ainda conseguisse sentir a língua e a boca do vampiro em mim. Eu queria vomitar.

O barulho foi diminuindo, até que ouvi grunhidos contidos. Eram as criaturas que ainda estavam vivas, provavelmente, desistido do ataque. Eu sabia que estavam, mais uma vez, fugindo dele. Então a voz fria e arrastada começou a falar no escuro e senti que estava longe, se afastando, provavelmente procurando a janela para fugir antes de ser fatiado pela espada dourada. Eu ouvi Alex... Raphael, dizer alguma coisa pra criatura, numa língua estranha semelhante a que ouvi na caverna, semelhante à que o vampiro falava. Depois disso houve um deslocamento de ar e o silêncio. Eu sabia que o vampiro estava morto.

Eu estava recostada na parede, sentindo cada vez mais os sentidos me abandonarem. Quando minhas pernas vacilaram, eu escorreguei, mas fui aparada antes de tocar o chão. Senti o calor e a suavidade de seu toque e era completamente oposta ao que senti antes com o vampiro. A minha frente, os olhos brancos eram tudo o que eu via na escuridão.

– Você vai ficar bem.

A voz era ligeiramente mais grave e muito, muito bonita. Ela me tranquilizou.

Senti seus braços me envolverem e Raphael me pegou no colo, apertando-me contra seu corpo quente. Era bom e familiar.

Começou a caminhar na direção do alçapão e eu via que desviava dos corpos no chão. Respirei fundo, precisava saber o que tinha acontecido ali.

– C-como você consegue... como consegue conversar com o vampiro? – perguntei já sentindo a audição, visão e tato me deixando.

– Ele não é um vampiro, é um anjo.

A voz de Raphael e tudo a minha volta se apagou e eu simplesmente desmaiei.

Notas finais
Reviews???